Os pequenos estavam sentados no chão da sala, brincando de carrinho:
" Vrum, vrum, vrum! " Duo saiu engatinhando pelo assoalho, fazendo seu carrinho vermelho correr.
" Duo, a corrida ainda não começou! " Trowa bronqueou.
" Eu só tô fazenu um teste, tá? "
Nesse momento a campainha tocou e o sapeca moreninho foi correndo atendê-la, com o carro em mãos:
" Oi! " sorriu ao ver que eram Ghakos e Ketos, os amigos de seus irmãos mais velhos.
" Oi, Duo! O Trowa e o Heero tão? " Ketos, o mais alto, perguntou.
" Peraí que eu vô vê. " se fez de rogado, por não quererem falar com ele.
Foi até os irmãos e os avisou, então ambos foram até a porta.
" Oi. "
" E aí, Heero? " Ghakos cumprimentou " Vocês querem ir na minha casa? "
Trowa olhou pra Heero, Heero olhou pra Trowa, como se os dois soubessem a resposta mas não pudessem, ou melhor, não quisessem, dá-la.
" Hum... Nós vamos perguntar pro papai, peraí. "
Dizendo isso, o maiorzinho saiu, sendo seguido por Heero. Foram até a oficina do pai, que desligou a furadeira, para ouvir seus filhos.
" Papai... " Heero foi dizendo " O Ghakos e o Ketos convidaram a gente pra ir brincar com eles. A gente pode? "
O loiro olhou para os pequenos com pena, sentindo-se triste.
" Meus bens, vocês sabem que não podemos deixar o Duo e o Quatre sozinhos, eles são muito novos. Eu sinto muito, mas os dois não podem ir, um tem que ficar pra tomar conta deles. "
Os meninos abaixaram as cabecinhas, mas sabiam que o pai tinha razão, era perigoso deixar os outros dois sozinhos. Apesar de também terem pouca idade, eram muito responsáveis, em relação aos irmãozinhos. E , nessa situação, nenhum queria ir, pois cada um se sentiria mal se fosse se divertir e deixasse o outro pra trás.
" Pode ir, Heero. " Trowa cedeu a sua vez ao outro.
" Não, Trowa, vai você. "
" Tá tudo bem, Heero, vai você. "
" Eu não vou se você não for. "
" Mas eu não quero ir! "
" Então nóis dois não vamos! "
Zechs sentiu-se péssimo ao ver essa cena. Não queria que seus filhos tivessem que passar por aquilo, que fossem privados das brincadeiras da infância, mas não podia deixar Duo e Quatre sós, e também não podia tomar conta deles, já que tinha que trabalhar para conseguir sustentá-los e, vigiá-los dentro da oficina seria uma loucura, uma vez que o local era lotado de aparelhos, madeiras, ferramentas, etc, que poderiam ferir e até matar as crianças. Por isso tinha que confiá-los a Trowa e Heero, o que os obrigava a tomar uma postura adulta e deixar de lado suas partes infantis. E isso doía-lhe muito, afinal, que pai gosta de ver seus filhos passando vontade, não se divertindo como crianças normais, além de terem que carregar um peso que a idade não lhes cabia?
Então teve uma idéia que agradaria a todos:
" Por quê não convidam seus amiguinhos para nadarem na piscina? "
" Nossa! Nós podemos, papai? " Heero se alegrou, aquela tarde quente era excelente para nadar.
" Claro, vão lá convidá-los. "
" Eba, eba! "
Correram até o pai e o abraçaram, felizes da vida, e voltaram à casa, convidar os amigos. Pararam na porta e Trowa os comunicou:
" Vocês querem nadar na nossa piscina? "
" Claro! "
" Então tá, vão pegar as sua coisa enquanto meu pai enche ela. "
" Tá! os visitantes foram correndo às suas casas, se arrumar. "
Duo, que estava atrás do sofá, escutou e começou a pular de alegria:
" Êh! Êh! Vamu nadá! "
Quatre foi até eles:
" Hihi! Tóia, Heeio, o papai dexô? "
" Deixou, Quatre! Vem, vamu por sunga. " Heero pegou na mãozinha dele e o levou ao quarto, seguido pelos moreninhos.
Enquanto isso o loiro enchia uma piscina de plástico que comprara uma vez, para distrair os pequenos. Colocou-a bem à frente da sua oficina, da onde podia ver bem suas crianças e saber se elas estavam bem. Logo mais seus filhotes chegaram, cada um com uma sunga de cor diferente da do outro: a de Trowa era laranja, a de Heero roxa, a de Duo azul vivo e a de Quatre verde. Zechs notou que eles traziam alguns brinquedinhos e, nas mãos de Heero, um filtro solar:
" Deixe-me passar o protetor em vocês... "
" Nóis tem mesmo que passá? "
" Têm, sim, Duo. O Sol está forte. " Zechs puxou-o para perto e começou a passar-lhe o protetor.
Terminado com ele, prosseguiu passando em cada um deles. Assim que o pai acabou, Duo correu em direção a piscina, pronto para pular, quando sentiu-se segurado por braços fortes, que o erguiam do chão:
" Calminha, o protetor ainda não penetrou na sua pele. "
" Ah, papai, eu quero nadá... "
" Espere mais um pouco, sim? " colocou-o na terra.
Resignados, os pequenos foram sentar-se à sombra de uma árvore, entretanto Quatre, que ia de mão dada com Duo, soltou-se e correu até o pai, esticando-lhe os bracinhos e falando com manha:
" Pega, papai! "
Zechs pegou-o no colo e o menino começou a chorar. Sempre ficava apreensivo, pensando que o bebê podia estar mal, mas já estava acostumado com as crises de choro repentinas de Quatre. Era a mesma coisa: do nada ele começava a chorar, ficava muito nervoso e se recusava a dizer o que era. Por conta disso o levara no médico várias vezes, que diagnosticara, sempre, com razões de fundo psicológico.
Levou uma mão ao cabelo do pequeno, acariciando-o:
" Você está se sentindo bem, meu amor? "
" Humm... Hann... Humm. " o menininho soluçava, ficando vermelho.
Por sorte, ou prática, Zechs já sabia como acalmá-lo.
" Meninos, não saiam daí e não entrem na oficina, entenderam? "
" Sim, papai. " a resposta veio em coro.
O loiro entrou em casa e sentou-se no sofá, deitando o filho em seu colo e acariciando-lhe a face rubra.
" Tudo bem, meu pequeno, tudo bem. " falava suave.
Era só ficar um pouquinho com Quatre, sussurrando-lhe palavras doces e dando-lhe um tempo para chorar tudo o que tinha vontade, que ele, aos poucos, ia parando. E assim Zechs ficou, mas, dessa vez, por menos tempo do que das outras. O loirinho, depois de calmo, sentou-se no colo do pai e recostou-se em seu peito, respirando pesadamente, até se recuperar de vez.
" Já está melhor? "
Quatre inclinou-se e olhou para o pai com uma carinha de desentendido, como se não quisesse falar sobre aquilo. Isso preocupava o loiro, pois pensava que a razão de tais atitudes era o "acidente" que os envolvia, mas Quatre tinha apenas um ano... Não era possível que se recordasse tão bem assim a ponto de ter crises.
" Ai, bebê... Por quê não me conta o que se passa contigo? "
Foram interrompidos pela campainha, então Zechs se levantou, segurando-o, e foi atender à porta:
" Olá, garotos! Trowa e os outros os estão esperando no quintal, podem ir lá. "
" Obrigado, senhor Hares . " agradecendo, Ketos entrou, seguido de Ghakos.
Como não podia revelar seu famoso sobrenome, o loiro e seus filhos tiveram que adotar um novo. Zechs os acompanhou, perguntando no meio do caminho para Quatre se ele queria ir nadar e o pequeno concordou com um aceno de cabeça. Não demorou e todos estavam se divertindo na piscina, o que alegrou muito o adulto.
" Xuááá! " Duo jogava água pra todos os lados.
" Hei, Duo! Você está jogando fora toda a água, hahaha. " Ghakos riu.
Heero e Ketos brincavam com barquinhos.
" Heero, vamos brincar de navio de guerra? "
O pequeno abaixou a cabeça, recordando-se do ataque que acabara com sua família, desde aquele dia odiava a violência.
" Não, vamos brincar de outra coisa. "
" Hum, tá bom, vai! " concordou, fazendo bico.
Depois que o Sol se pôs, as crianças foram tomar banho e jantar, dormindo bem cedo naquele dia, de tão cansadas.
Como o próximo dia era uma segunda-feira e as aulas retomavam, os quatro passaram a maior parte do tempo estudando, uma vez que seu pai impusera que passassem uma hora e meia por dia, fora do horário escolar, repassando a matéria que tinham aprendido.
Na quinta-feira todos estavam estudando quando Duo se cansou e resolveu ir brincar.
" Alguém quer brincá comigo? " disse, levantando-se da cadeira e fechando os cadernos.
" Ainda falta meia hora pra gente parar de estudar, Duo. " Trowa o informou.
" Mas eu não quero mais estudar! "
" É uma ordem do papai, você não pode desobedecer. " Heero falou, inocentemente.
" Hun... " voltou a sentar-se, colocando o cotovelo na mesa e apoiando o rosto na mão "Ah, mais eu num agüento mais... "
" Só mais um pouquinho, Duo, daqui a pouco você pode ir brincar. " Trowa incentivou.
" Ufh! Tá bom... " cruzou os pezinhos, contrariado.
Para muitos poderia parecer estranho o fato de irmãos serem tão unidos e obedientes, mas, para eles, que conheciam o drama pelo qual passaram, junto com o pai, aquilo era perfeitamente explicável.
Aos sábados e domingos Zechs parava de trabalhar mais cedo, para ficar com os filhos, menos quando tinha trabalho acumulado, como no fim de semana passado. Era por volta das cinco horas quando encerrou sua atividades, naquele sábado. E, enquanto terminava de arrumar seu material, seus filhos brincavam dentro de casa.
Trowa foi até a cozinha, beber um pouco de água. Quatre foi atrás dele, mas parou, ficando na pontinha dos pés, a observar a mesa:
" Tóia, que que é aquilo? " apontou para um pote de vidro sobre a mesa.
" Lá tão as bolachas que o papai comprou. "
" Êh, êh! " seu rostinho se iluminou " Eu quéio! "
" O papai disse que é pra depois do jantar. "
" Uhn... Mas, Tóia, eu quéio comê agóia. "
" Agora, não, Quatre. "
" Uh! "
O pequeno se aproximou da mesa e tentou pegar o pote, mas Trowa pegou-o primeiro e colocou-o na mesa de pia, onde Quatre não podia alcançar.
" Quatre, não é pra você comer agora, o papai não gosta, porque depois você perde a fome. Não come. " o maiorzinho saiu da cozinha.
O loirinho ficou olhando paras bolachas, com vontade de comê-las e sem entender direito a ordem do irmão. Como era pequeno, não compreendia direito essas coisas, portanto, não viu problema em pegá-las. Então, o pequeno se aproximou da pia e, se apoiando nas gavetas e maçanetas, foi escalando-a, conseguindo ficar em cima dela. Ficou contente e engatinhou até o pote, mas, como ele era maior que suas mãos e mais pesado do que ele podia carregar, acabou por deixá-lo cair no chão, se espatifando, uma vez que era de vidro:
" Ops! " levou as mãozinhas à boca, assustado.
Trowa, que ainda estava lá perto, chegou primeiro na cozinha e, vendo a cena, contornou os cacos e pegou Quatre no colo, tirando-o da pia e contornando, novamente, os cacos e as bolachas caídas. Ao chegarem à porta, Heero e Duo apareceram:
"Nossa! " Duo ficou triste ao ver a comida tão gostosa desperdiçada.
Zechs, levado pelo barulho, também chegou na cozinha e levou um susto com o que viu.
" Mas... O que aconteceu aqui? Vocês estão bem? "
Os meninos ficaram calados, não só porque Trowa era o único que sabia quem era o culpado, mas também porque, mesmo que soubessem, não o entregariam.
" Como o pote caiu no chão? Foi algum de vocês? "
Novamente ficaram em silêncio. Zechs, descartando a possibilidade de ter sido o vento, que era pouco, pois a janela estava fechada, repetiu:
" Vamos, garotos, falem! Quem derrubou o pote? "
Quatre esticou os bracinhos, na direção do pai, que o pegou, apoiando-lhe num braço, a encará-lo:
" O que aconteceu, Quatre? "
" Eu quiía comê a boiacha, aí eu tentei pegá, mas ela caiu... "
" Mas... A bolacha estava na mesa e, à distância que está agora, é impossível que ainda estivesse lá. Por quê não me conta a história do começo? "
" É que o Tóia num dexô eu comê, aí ele coloco a boiacha na pia, ai eu subi lá em cima pá pegá... "
" O quê? Você subiu na pia? "
" Hunhun... "
O loiro assombrou-se com aquilo, o menino poderia ter se machucado feio!
" Quatre, você não pode subir lá, é perigoso. Imagina se você cai ou derruba o pote sobre si: ia se machucar tanto que teria de ir ao hospital. "
Quatre não imaginara que corresse tanto risco, ficou até com medo.
" Huh! "
Passado o susto com o feito perigoso do moleque, Zechs agora estava zangado com sua desobediência.
" Se Trowa disse que você não podia comer as bolachas, por quê ainda sim tentou comê-las? "
" Eu quiía, papai... " falava, sem maldade.
" Nem sempre o que se quer é o certo. Você foi muito egoísta querendo comer as bolachas, pois agora seus irmãos não vão poder comê-las. "
" Ah, não! " Duo estava com muita vontade de prová-las, por isso decepcionou-se por não poder mais.
" Viu só, Quatre? Por conta dessa sua atitude seus irmãos estão tristes. Era isso o que você queria, deixá-los tristes? "
" Não... Papai. " o bebê ficou mal por ter deixado seus irmãozinhos tristes, não queria por nada nesse mundo magoá-los " Desculpa, eu num quiía que vocês ficasse triste. " seus olhinhos estavam lacrimejando.
" Desculpas não tornam as coisa melhores... " a frase de Zechs o entristeceu ainda mais " Mas provam que você está arrependido do que fez e é isso o que conta. "
Quatre sorriu, um pouco melhor, mas Zechs ainda não havia acabado:
" Quatre, quero que você preste muita atenção no que eu vou dizer agora. As ordens de Trowa e Heero são como se fossem as minhas ordens, por isso você tem que obedecê-las; tem que respeitá-los, pois são seus irmãos mais velhos. Não quero mais saber de você desobedecer um deles, entendeu? "
" Sim, papai. "
" Ótimo. E isso serve pra você também, Duo. "
" Hã? Pra mim? "
" Isso mesmo, você também tem que obedecê-los. "
" Tá... Fazê o quê! "
Confiava plenamente no julgamento dos dois mais velhos do que era certo e do que era errado, por essa razão confiava-lhes os dois mais novos.
" Bem, crianças, amanhã eu vou ao mercado e compro outro pacote de bolachas, está bem? "
" Tá. "
Não poderia ir nesse momento pois teria que levar os filhos juntos, já que não queria que eles ficassem sozinhos, e isso não seria bom para eles, pois, com certeza, iriam querer mais coisas do que podia comprar e odiava vê-los ficar com vontade. No domingo poderia deixá-los com algum vizinho, assim aproveitava para fazer algumas entregas pequenas.
" Por favor, vão brincar pra lá, que eu vou limpar os cacos de vidro. "
" Sim, senhor. " Trowa, mais Duo e Heero saíram da cozinha.
" E você, Quatre, vai ficar um pouquinho de castigo. "
O loirinho, que acabara de conseguir conter o choro, acenou com a cabecinha, consentindo. Zechs o levou, segurando-lhe pela mãozinha, até um dos cantos da cozinha, longe dos cacos de vidro, e o colocou lá, de frente para parede.
" Só saia daí quando eu mandar. "
" Sim, papai. "
Deixou-o lá e foi arrumar a bagunça.
Continua...
Eu tenho que escrever as fics quando eu já tiver pensado no que escrever, porque quando eu vou inventando enquanto digito, acabo fazendo um monte de abobrinha! ¬¬"
Droga, agora eu acabei fazendo burrada, por causa desse meus impulsos! Por isso, não estranhem se nos próximos capítulos o negócio começar a falar de anjos e tal. (eu sei, seu sei!)
Bom, dessa vez eu extrapolei mesmo! Essa crianças tão boazinhas e obedientes demais! Daqui a pouco uma delas vai tar doando um rim!0.0 Hehe, mas elas tão assim pra compensar K.N.D., né, Kila? Naquela fic eles impossíveis, huahuahua! Tadinhos, eu só apronto com eles! XD
E agora vai aquele super agradecimento pra Lilly Carrol (eu disse, não disse, que ia ser eternamente grata pela ajuda? Rsrs). Huhu, brigadão mesmo! A boa-inetenção vaelu:DD
Os próximos caps. não vão demorar muito (eu espero '), acho que mais uns dois e a fic acaba. Por isso que o próximo vai ser mais longo.
E, ah, não se esqueçam dos
