CAUGHT IN THE UNDERTOW
(Just Caught in the Undertow)

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N.A 01: Viram como eu nem demorei muito? Aqui está o capítulo dois de "Caught in the Undertow", que por sinal me rendeu muita dor de cabeça, horas e horas na frente do PC e principalmente, seis ameaças contados de morte... Nossa! Só pra constatar: paciência é uma virtude, sabiam?

N.A 02: Muito, muito obrigado de verdade, meus caros amigos, pelas reviews animadoras que recebi! E Bel, que bom que gostou da estória, fiquei tão feliz... O trabalho valeu a pena, então! Obrigada pra Angel e pra Juliane.chan, pra Mizu Katanabe que me ameaçou tão gentilmente, pro CRBM que me rendeu um susto quando reapareceu milagrosamente ontem com a sua review, pra todos que leram e não comentaram (eu perdôo vocês...), e pra Akane Kittsune pela review lá no fórum PB.

N.A 03: Novamente lhes peço: por favor, não esqueçam de comentar. Desejo-lhes então uma boa leitura.

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Capítulo II:

Lisa, então, vê os dois de pé, perto do sofá. Siegfried segurava a mão de Hilda, e esta parecia bastante surpresa.

-"Quem... Quem é essa...?"-pergunta Lisa, abatida.

-"Lisa, escuta... Não é nada disso que você está pensando..."-ele caminhava para perto dela.-"Essa moça aqui só..."

-"Eu me machuquei, e seu namorado se prontificou a me ajudar."

-"Isso mesmo! Não é nada disso que você está pensando, Lisa..."

-"Eu fiz uma chave da sua suíte hoje de tarde... Queria fazer uma surpresa pra você, mas... Parece que a eu fui surpreendida..."-a morena abaixa a cabeça e fala, num tom pastoso.-"Me desculpem pela intromissão... Podem continuar o que estavam fazendo..."

-"Espera aí Lisa!"

-"Até mais tarde, Sieg..."-Aaron vai caminhando com passos pesados até a saída, e em seguida sai da suíte, batendo com suavidade a porta.

Um silêncio maior do que qualquer outro tomou o ambiente como um deslizamento de terra toma uma barraca próxima na chuva de verão. Hilda de pé perto do sofá, olhando pesadamente para Siegfried, que estava próximo da porta, com a cabeça baixa, olhando para o chão. Um arrependimento crescente passava-lhe pelo corpo, uma tristeza indescritível, unida a uma sensação de inutilidade imensa. As coisas saíram de seu controle agora. Ele nem precisava perguntar-se no que a namorada estava pensando, era óbvio. Mas ainda havia...

-"Desculpe..."-ele murmura.

-"Tudo bem, eu tenho que pedir desculpas..."-Hilda diz, num tom compreensivo.

-"Desculpe essa bagunça toda de agora."

-"Foi minha culpa... Se eu não tivesse..."

-"Não, não foi a sua culpa. Foi minha. Eu fui o idiota nessa história toda... Me desculpe mesmo por estar te envolvendo..."-ele diz, num tom bastante pesado e cheio de culpa.

-"Eu vou embora, tá?"-Hilda pega a bolsa que repousava no sofá, do seu lado.-"Já causei problemas demais pra você..."

-"Posso levá-la até em casa?"

-"Eu já te causei problemas demais... Não quero ser um incomodo..."

-"Não, você não está sendo um incomodo. Pelo contrário... Eu ficaria muito feliz se você aceitasse minha carona."-ele diz, tentando imprimir algum pequeno entusiasmo na fala.

Hilda queria negar, mas viu que se negasse, o deixaria ainda mais abatido. Estava assustada diante da situação que ela havia criado, mesmo que sem querer, e com muita pena do novo amigo que deixara em maus lençóis. Não queria fazer nada que pudesse deixa-lo ainda mais abatido, então, forçou-se a aceitar a carona dele. Sabia que, no fundo, ele queria mais é que ela sumisse e o deixasse sozinho com sua dor, mas estava se esforçando para ser gentil.

-"Muito bem... Eu aceito."-ela sorri.

-"Obrigado..."-Siegfried pega as chaves do carro e arruma o casaco.-"Então, podemos ir?"

-"Claro."-Hilda pega as sacolas de compras e o segue.

------ # II # ------

Tanto ele quanto ela sabiam o que iria acontecer quando ficassem dentro de um carro em movimento, depois de um dia como aquele. E os dois estavam certos. Nenhum falou nada a viagem inteira, o carro foi tomado do mesmo silêncio perturbador que a suíte dele foi tomada alguns minutos antes. Siegfried olhava para frente, concentrado no caminho. Hilda olhava para fora, para as pessoas, a paisagem. No banco de trás do carro, o buquê de flores já estava quase murcho, mas nenhum deles nem lembrou daquilo.

-"É aqui... Nessa casa aqui..."-ela disse, quebrando finalmente o silêncio perturbador que consumia o ambiente.

Então, ele parou o carro. Não era algo muito sofisticado, tampouco simples demais. Uma casa branca e marrom, com um portão também branco, e um belo jardim cheio de flores muito belas na frente. Quando pararam, ele suspirou pesadamente, e ela ouviu. Sentiu-se ainda mais culpada.

-"Me desculpe..."

-"Não foi sua culpa... Eu já disse. Ninguém aqui teve culpa, foi uma infelicidade. Eu vou tentar falar com ela de novo..."-ele diz, dando um pequeno sorriso reconfortante.

-"Boa sorte!"-Hilda dá um sorriso.

-"Obrigado..."

-"Se você conseguir, me conte como se saiu... Eu realmente quero saber... A culpa também foi minha, quero estar a par da situação. E se ela não acreditar, você pode me chamar, que eu vou falar com ela..."

-"É muito gentil da sua parte, mas eu dispenso."

-"Bom, se mudar de idéia, sabe onde eu trabalho... É que, por enquanto, meu telefone não voltou do conserto..."-ela dá um sorriso embaraçado.

-"Tudo bem, obrigado mesmo assim."

-"Até amanhã, Siegfried."-ela diz, caminhando para dentro, e abrindo lentamente o portão, mas ainda olhando para ele.

-"Até amanhã, Hilda."

Ela abriu a porta, tirou os sapatos e entrou. Largou a bolsa no sofá da sala e dirigiu-se até a cozinha. Largou as compras em cima da mesa, e lá, encontrou uma moça vestindo uma blusa negra e uma calça jeans, de longos e cacheados cabelos loiros em frente à geladeira, tomando leite no gargalo da garrafa, em grandes e sonoros goles.

-"Que modos são esses, mocinha?"-pergunta Hilda, assustando a jovem.

-"Irmã Hilda...? Ah, é que eu... Bem... Não resisti..."-Freiya dizia, fechando imediatamente o leite e guardando-o novamente na geladeira.

-"Percebe-se."-suspira.

-"Você está bem? Parece abatida. Aconteceu alguma coisa, irmã?"-pergunta a loira, num tom preocupado.

-"Não... Não aconteceu nada..."

-"Certeza? Algum cliente te humilhou? Algum cara passou a mão em você? Me conta!"-insistia.

-"Já disse que não houve nada, Freiya..."

-"Mas você não pode estar assim, toda triste, por nada!"

-"Eu não estou triste. Estou só... Cansada."-Hilda senta-se numa cadeira da mesa da cozinha, e dá um longo suspiro novamente.

-"Mas, minha irmã..."

-"Não se preocupe à toa hoje. Precisa estar bem para viajar."-ela sorri.-"Afinal, hoje você está deixando nosso lar! Se estivessem vivos, nossos pais iriam estar orgulhosos!"

-"Mas eu só vou morar na casa da Ritsuko..."

-"E o que tem isso? Está saindo de casa igual!"-sorri.

-"Eu sei, mas... Isso é meio extremo demais, não acha?"-Freiya faz um rosto indeciso.

-"Por que?"

-"Não sei. Eu só vou morar um pouquinho mais longe... Nem é tão distante daqui. Posso vir te visitar às vezes... Só preciso passar essa temporada de provas, e então poderei visitar você como se morasse aqui."

-"Ah, isso seria ótimo."

-"Esperei tanto por esse dia!"-a jovem dá um sorriso animado.-"Você acha que eu estou bem assim?"

-"Vai namorar, é?"-Hilda pergunta, num tom malicioso.

-"Não é isso! Eu perguntei porque... Bem, não quero parecer feia, entende..."-Freiya suspira.

-"Eu entendo. Só estava brincando. Você está linda!"

-"Verdade?"

-"Por que eu mentiria para minha irmãzinha favorita?"

-"Eu sou sua única irmãzinha..."-as duas riem um pouco da piada, mas logo voltam a ficar sérias. Hilda pelo problema de alguns instantes atrás, e Freiya para tentar descobrir o que abatia a irmã.

-"Bom, onde está sua mala?"

-"Lá no quarto. Eu vou pegá-la antes que a Ri-chan chegue..."-a jovem de cabelos loiros corre para a sala, e sobe as escadas que dariam para o andar de cima, onde estava seu quarto.

Em sua solidão, Hilda deixou-se abater completamente. Não parava de pensar em Siegfried, em Lisa, na situação que ela ajudou a criar. Nunca quis que uma manhã chegasse tão cedo, para talvez receber notícias dele. Era tudo o que ela queria. Mas temia, ao mesmo tempo: e se algo desse errado? A culpa seria toda dela. O que ela poderia fazer para ajudar, caso eles terminassem? Realmente, estava completamente atolada e sem saída.

-"Irmã, poderia me ajudar aqui?"-a voz de Freiya lhe tirou de suas divagações dolorosas.

-"Ah, sim, pode deixar!"-ela sobe até ali, e vê a irmã segurando uma das malas, mas não conseguindo segurar a outra.-"Quer ajuda com esta?"

-"Claro que sim."

Ao descerem, largaram as malas perto do sofá azul-escuro, e então sentaram ali. Freiya ligou a TV, onde passava um noticiário, mas não estava com a menor vontade de assistir. Queria era saber o que aconteceu no dia da irmã para esta estar tão estranha. Notou, então, o curativo no braço dela.

-"Hã? Irmã Hilda, o que é isso?"-pergunta, apontando para o machucado.

-"Ah, eu me caí e esfolei o braço hoje, quando saí do mercado..."

-"Caiu ou alguém esbarrou em você?"

-"Os dois."-disse simplesmente, evitando comentar sobre tudo aquilo que lhe traziam lembranças desagradáveis.

-"Essa pessoa fez o curativo em você?"

-"É sim... Foi ela. Ou melhor, ele."

-"Foi um homem?"-Freiya parecia ter uma certa malícia estampada na voz, que Hilda não tardou a perceber.

-"Não aconteceu nada, irmãzinha. Ele apenas fez um curativo em mim, nada mais..."-as palavras que proferiu lhe deixaram angustiada. Bem que queria que fosse verdade aquilo tudo.

-"Você veio de carona, então?"-a loira pergunta, com um sorriso malicioso no rosto.

-"É sim... Como sabe?"-pergunta, estranhando.

-"Sei lá, imaginei!"

-"O que você anda assistindo de noite, Freiya?"-pergunta Hilda, num tom infantil, e as duas riem um pouco mais.

Um barulho de buzina foi-se ouvido. As duas então entenderam que se tratava de Ritsuko Takaya, amiga de Freiya. Iriam morar juntas, já que estavam prestando a mesma faculdade, e aquilo também seria bom para ambas: Hilda teria mais tempo sozinha, e Freiya mais tempo com a amiga e estudos. As duas sairiam ganhando.

-"Suas malas... Eu ajudo com elas."-Hilda pega uma delas.

-"Obrigada, irmã."-Freiya sorri.

Ao chegarem ali fora, encontraram Ritsuko parada na porta da frente de seu carro. Não era exatamente algo extraordinário, nem tão simples. Um carro comum, apenas. A colegial de cabelos ruivos e olhos castanho-escuros correu até as duas, e tomou a mala da mão de Hilda nas suas.

-"Não se incomode, senhorita Hilda. Pode deixar que eu levo."-ela dizia, colocando a mala no chão e abrindo o porta-malas.

-"A gente vai se virar muito bem, irmã. Pode deixar!"

-"Assim espero... Se precisarem de alguma coisa, não hesitem em me chamar, tudo bem?"-diz, em tom maternal.

-"Está certo, senhorita! A gente chama sim."-Ritsuko abre sua porta e entra.-"Vamos logo, Fe-chan."

-"Certo."

-"Até logo, Freiya. Nos vemos nas férias!"-Hilda dá um sorriso.

-"Adeus, irmã! Até as férias!"-Freiya também sorri.

O carro dá a partida, e vai andando pela rua, até sumir de vista. Quando isso aconteceu, Hilda parou de sorrir. Voltou a adquirir o semblante triste de antes, e entrou lentamente em casa. Fechou a porta, não precisou tirar os sapatos, pois nem havia percebido que tinha saído de pantufas, e jogou-se no sofá. A TV continuou ligada, mas por ela, poderia até ser desligada, e não faria a menor diferença. Novamente, aquele sentimento de culpa.

------ # II # ------

Siegfried ficou ensaiando o que dizer na manhã seguinte para Lisa todo o caminho de volta. Mas por mais que treinasse, só ao imaginar-se na frente dela, e ela certamente estaria indignada, ele perdia toda a ação. Respirou fundo ao chegar no estacionamento, e assim deixou seu carro lá. Ao entrar em casa, porém, ouviu alguns ruídos, e quando percebeu, era Lisa, que tinha uma necessárie em sua mão, com algumas roupas.

-"Lisa? O que está fazendo aqui? O que é isso?"-ele pergunta, confuso.

-"Eu havia esquecido algumas roupas aqui, já fazem uns dias... Vim pegar elas antes de ir embora..."-ela diz, em um tom sério.

-"Ir embora? Não me diga que você...?"

-"Exato. Vamos dar um tempo, senhor Dubhe. Só que esse tempo irá durar muito, do tipo... Não quero mais ver você na minha frente."

-"Lisa, eu já te disse! Não foi nada disso que você está pensando!"

-"ENTÃO QUEM ERA ELA? POR QUE VOCÊ SEGURAVA A MÃO DELA?"-grita.-"NÃO ME MINTA, SIEGFRIED! Eu vi os seus olhos... Eles nunca estiveram assim quando você está comigo..."

-"Como assim, Lisa...?"-pergunta ele, confuso.

-"Eu nunca mais quero te ver na minha vida, Dubhe. Espero que você aprecie o silêncio agora."

-"Mas, Lisa..."

-"Sinceramente... Eu tenho vontade de pegar esse vaso e atirar na sua cara, sabia? Mas ele não vale ser quebrado... Ele vale bem mais que você."-ela diz, e sua voz parecia carregada de ódio.

-"Eu te juro que eu e Hilda não somos mais do que amigos."

-"AH, ENTÃO É HILDA O NOME DELA? VOCÊ IRIA ME TROCAR POR ELA, NÃO É? O QUE IRIAM FAZER HOJE? ELA IRIA PASSAR A NOITE AQUI, POR ACASO?"-gritava, descontrolada.

-"Lisa, por favor, controle-se..."

-"Não posso acreditar que dividi parte de minha vida com um homem tão sem caráter como você..."

-"Acredite em mim, por favor..."-Siegfried pedia. Ele sabia que ela estava magoada, por isso não podia ter atitudes extremas. Entendia-a, e compreendia que ela podia sentir raiva. Mas precisava acalmá-la mesmo assim, ou ela poderia atirar algo na parede ou até mesmo nele.

-"Você é como todos os outros... Mas eu pensei que você fosse diferente, Siegfried..."-diz.-"Me enganei, é claro..."

-"Eu jamais trairia você!"

-"Além de sem-caráter é mentiroso! Muito típico... Até nunca mais, seu idiota!"-Lisa, então, bate a porta com violência, deixando o homem de cabelos loiros perdido em seus pensamentos.

Apreciar o silêncio. Sim, era tudo o que ele podia fazer agora. Por culpa de um pequeno mal entendido, acabara de perder a namorada. Mas se olhasse bem, ele não a amava. Ou fingia que a amava. O que importava era que aquele dia estava sendo horrivelmente ruim. Não podia acontecer nada mais pior do que aquilo. Seus pais moravam em outro país, e ele trabalhava, então não podia visitá-los e pedir orientação. Precisava agir por si próprio. Mas nem sabia o que fazer agora. Estava totalmente perdido.

Caminhou pesadamente até o sofá, e sentou-se nele. Ligou a TV, mas não encontrou nada que lhe distraísse. Então, desligou-a e deitou-se. Ficou a olhar o teto branco. Seus olhos se fecharam, mas ele não dormiu.

------ # II # ------

-"Siegfried! Você está bem, cara?"

-"Claro que estou bem, Shido. E além do mais, o que te importa se estou bem ou não?"-Siegfried rebate, irritado.

-"Nossa! Que humor... E além do mais, eu sou o Bado!"-ele faz um tom ofendido.

-"Ah, desculpe Bado... É que eu..."

-"Mentira. Eu sou o Shido mesmo!"-Shido Alcor começa a rir da própria brincadeira, e da cara que seu amigo e chefe fizera.

-"Me faz um favor..."-o loiro pede, suspirando fundo.

-"Claro, qual?"

-"DÁ O FORA DAQUI!"-Siegfried levanta bruscamente da cadeira e corre até a porta, fechando-a na cara do rapaz de cabelos verdes.

-"O que aconteceu?"-pergunta Haguen, que passava por ali.

-"Eu não sei... Fiz uma brincadeirinha inocente com ele, e o cara gritou comigo e bateu a porta na minha cara."-Shido diz, coçando a cabeça, num tom de que realmente não entendera nada daquilo.

-"Sei, você e suas brincadeirinhas inocentes... Vá trabalhar, rapaz!"

-"E você?"

-"Vou ver o que está acontecendo com aquele filho da mãe... Certamente, boa coisa não é."-Haguen suspira.

-"Sabe, você daria uma linda conselheira amorosa."-Shido ri.

-"Vá se catar, seu...!"-o loiro fala, controlando-se para não dizer nada inapropriado para aquele recinto e situação.

-"Está bem, já tô me mandando!"-o rapaz de cabelos verdes e terno negro sai dali, mas ainda exibia um sorriso sarcástico.-"Vai lá, amore!"

-"Eu vou pegar você na saída!"-Haguen suspira longamente, e tomando uma coragem que não sabia de onde tirara, abriu a porta do escritório do amigo. Por sorte, estava aberta. Ele estava na frente do notebook, fazendo certamente alguma coisa relacionada com o serviço.-"Licença, está disponível, senhorita TPM?"

-"Você vai brincar também, é?"-pergunta, irritado.

-"Não... Desculpa, cara. Eu vim aqui saber: o que está rolando?"

-"Nada, está tudo bem... Tudo está como deveria estar, ok? Agora, saia daqui."-Siegfried corta.

-"É mesmo? Então por que você está assim? Aconteceu alguma coisa? Brigou com a sua namorada? Com alguém? Ou é outra coisa?"

-"Bom... Para falar a verdade... Eu terminei com a Lisa ontem."

-"VOCÊ O QUÊ?"

-"Não quer gritar mais alto?"-pergunta Siegfried, num tom sarcástico, olhando para o amigo.

-"Não, não é isso. Vocês terminaram mesmo? Por que?"

-"Ah, aconteceram algumas coisas ontem... Uns contratempos... E por causa de um mal-entendido, nós brigamos, e... Acabamos."-disse, sentindo-se um pouco embaraçado por proferir aquelas palavras.

-"Contratempos? Que tipo de contratempos?"-pergunta Haguen, particularmente curioso.

-"Nada que diga respeito a você, Haguen..."-Siegfried o corta novamente.

-"Bom, se você não está seguro para me dizer, eu não sou o tipo de pessoa insistente... Se precisar de alguém pra conversar, no entanto, vou estar do seu lado, está bem?"

-"Tudo bem. Obrigado, Haguen."

-"Eu estava te devendo uma, não é?"-e então, Merak sai da sala, deixando Dubhe novamente sozinho com as lembranças e a culpa.

Siegfried olhou o relógio: marcavam exatamente 12:03pm. Perfeito, era hora de almoçar. Iria ao mesmo restaurante em que todos os seus problemas começaram, e depois, passaria na mesma floricultura, esperando encontrar a mesma mulher de ontem. É, precisava se alimentar mesmo. Levantou da cadeira e abriu a porta.

-"Onde você vai?"-pergunta Mime, que passava por ali.

-"Almoçar. Algum problema nisso?"

-"Traga uma quentinha pra mim quando voltar... Estou com fome também..."-diz ele, sarcástico.

-"Eu ainda vou te matar um dia."-suspira.

Abriu a porta do carro, quando chegou no estacionamento, e pôs-se a dirigir até aquele mesmo restaurante acolhedor que encontrou ontem, por acaso. Desta vez, ao chegar, teve uma agradável surpresa: conseguira uma vaga na sombra de uma árvore próxima. Não haveria mais aquele bafo detestável quando ele voltasse para ele. Atravessou a rua e chegou até ali. Sentou-se na mesma mesa de ontem, que por sorte estava vaga, e pediu novamente a mesma comida. Não estava sendo original, mas porque realmente estava com a menor vontade de pensar em algo mais novo.

Ao terminar, pagou a conta, como no dia anterior e saiu dali. Olhou para a floricultura, e não notou nada de diferente. Caminhou até ali, e então entrou. Encontrou Hilda olhando para o balcão, parecia distante.

-"Com licença..."-pede.

-"Bem-vindo, o que deseja?"-Hilda levanta a cabeça, com um sorriso gentil, e vê o homem do dia anterior.-"Ah, Siegfried...?"

Continua...