CAUGHT
IN THE UNDERTOW
(Just
Caught in the Undertow)
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N.A 01: Hei! Eu sei que realmente isso não é novidade, ou talvez seja uma MEGA novidade, mas a verdade é que a Petit conseguiu terminar rápido de novo... Ah, talvez me livre das provas! Nossa, que o bom Deus me permita isso. Não dá pra escrever e estudar ao mesmo tempo. Falo isso por experiência própria.
N.A 02: Agradeço demais a ajuda, apoio e incentivo da Pandora Amamiya, a dona desse presente tosco, a Akane Kittsune, Angel, Mizu Katanabe e Juliane.chan, pelo apoio e reviews animadoras. Ah sim, muito obrigada também à uma leitora nova: Pisces Luna, você me deixou super feliz mesmo com a sua review. Amei, menina! E também obrigada, de certa forma, a todos que lêem e não comentam.
N.A 03: Ah sim, por sinal, me fizeram uma pergunta há um tempo atrás que me deixou meio passada, e então, apesar de já ter dito isso antes, volto a repetir... É claro, senhor Anônimo (eu não vou falar o nome, mas provavelmente ele sabe que é com ele), que essa fic se parece com "Doce Novembro". Foi inspirado nesse filme, meu caro!
N.A 04: Agora sim, depois desses contratempos, bem-vindos ao capítulo três! Boa leitura, e comentem.
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Capítulo III:
Ao terminar, pagou a conta, como no dia anterior e saiu dali. Olhou para a floricultura, e não notou nada de diferente. Caminhou até ali, e então entrou. Encontrou Hilda olhando para o balcão, parecia distante.
-"Com licença..."-pede.
-"Bem-vindo, o que deseja?"-Hilda levanta a cabeça, com um sorriso gentil, e vê o homem do dia anterior.-"Ah, Siegfried...?"
-"Olá Hilda, estou incomodando?"-pergunta, receoso.
-"Não! De maneira nenhuma! Eu estava mesmo esperando uma notícia sua!"-ela corre até ele.-"E então? Me diga, o que vocês fizeram? Já a viu, ou ainda não?"
-"Bom... São coisas demais, é uma história muito longa."-ele dá um sorriso embaraçado.
-"Ah, eu tenho paciência. Você deve ter uma montanha de coisas para me contar, e eu quero ouvir tudo."-ela diz, decidida.
-"Se você diz... Mas acho que aqui não é um bom lugar, não? Quero dizer... Ainda está trabalhando?"
-"Eu ia sair pra almoçar agora."
-"Melhor ainda. Podemos conversar melhor assim, não é?"
-"Tem um café não muito longe daqui... Eu nem estou com muita fome não. Podemos conversar lá, tudo bem?"-ela pergunta, receosa novamente.
-"Claro."
------ # III # ------
Ao descer do ônibus, ela caminhou mais alguns metros, até chegar na casa branca com detalhes marrons. A sua casa. Abriu o portão, olhou para as flores e até quis regá-las, mas estava no fim do dia, não tinha o menor ânimo e provavelmente, seu vizinho já o teria feito por ela. Quando estava para colocar a chave na fechadura, uma voz a acordou.
-"Olá Hilda! Como foi seu dia?"-pergunta Thor Pkeda, o estimado vizinho e melhor amigo dela.
-"Oi Thor. Ah, foi um dia como qualquer outro..."-suspira.
-"Cansada?"
-"Um pouco, como sempre. Parece que, ultimamente, as vendas andam aumentando, graças aos céus."-ela sorri.
-"É verdade que Freiya foi embora ontem?"-pergunta ele.
-"Sim. Ela e sua colega... A Yokohama, foram morar na casa dela até os estudos terminarem. Voltará nas férias escolares."
-"Ah, vai demorar um pouco. Mas você ficará bem, Hilda?"-pergunta Thor, em um tom preocupado.
-"Por que pergunta?"
-"Vai estar sozinha em casa, e além do mais, você me parece meio abatida demais ultimamente... Desde ontem você anda com um rosto meio triste."-ele diz, não desfazendo-se do tom de preocupação.
-"Não se preocupe à toa, Thor."-Hilda sorri novamente, tentando passar-se por 'em boa forma'.-"Eu estou bem, é sério!"
-"Não é o que parece, querida vizinha..."
-"Você regou minhas flores?"-pergunta, mudando repentinamente de assunto. Aquilo realmente não era um bom assunto para ser tocado no instante em que estava.
-"Sim! Todas se comportaram bem, não é, amores?"-pergunta o homenzarrão para as flores coloridas e delicadas, que nada responderam, obviamente. Os dois riram por alguns instantes, então ele continuou:-"É sim, eu as reguei e cuidei como sempre... Mas gostaria que suas férias chegassem logo. Você cuida muito melhor."
-"Oras, você está fazendo isso até agora com as suas."-aponta, por cima do pequeno muro, os arbustos sendo cortados.
-"É que não me sobrou tempo pela manhã e tarde... Sei que deveria cuidar disto no fim de semana, mas eu realmente amo esses arbustos como filhos."-ele responde, amigavelmente.
-"Percebe-se."-sorri.
-"Vai estar em casa hoje?"
-"Sim, por que?"-pergunta ela, confusa.
-"Estava pensando em fazer algo para nós... Você está cansada, eu não, já que mal trabalhei hoje. Quer que eu faça o jantar?"
-"Ah, não se incomode assim, Thor!"
-"Para minha querida amiga e vizinha, isso não é incomodo algum, pelo contrário... Vou me sentir ofendido se não aceitar!"-ele responde.
-"Isso é uma chantagem?"-pergunta, num tom infantil.
-"Se quiser levar para este lado pessoal, mas é apenas uma insistência. É, apenas uma insistência..."-ele diz, calmamente.
-"Bom, está bem, eu não nego."-sorri.
-"Espere um pouco... Vou terminar este trabalho amanhã."-ele diz, entrando em casa.-"Espere só um minuto!"
Thor Pkeda entra em casa, batendo levemente a porta verde-escura. Hilda ficou a observar suas flores. Pareciam bem, apesar de fazer tempo que não mais as cuidava. Um desânimo lhe abatia nas últimas semanas, e veio a agravar-se desde ontem até hoje. Pior, neste dia tudo lhe parecia um peso desde que o novo amigo lhe contara as novidades.
Péssimas, é claro. Sentiu-se uma idiota por ter feito aquilo com ele, mesmo que sem querer. Sentiu que ele também estava sentindo-se um tolo por falar aquilo para ela, mas era mais do que natural. Siegfried, pelo que pôde perceber, era um homem bastante fechado. Mas tentava ao máximo ser gentil com ela, mesmo que para tal tivesse que se abrir um pouco.
-"Pronto, querida Hilda! Vamos?"-Thor dizia, abrindo o portão de sua casa para sair e, em seguida, abrindo o dela.
-"Claro, Thor. Vamos entrar."-ela sorri, escondendo toda sua tristeza novamente em seu interior.
------ # III # ------
Às vezes, você quer apenas enterrar-se em sua casa, em sua toca, e não colocar a cabeça para fora, não é? Por um lado, você consegue uma parte disto, já que brevemente entrará em liberdade condicional, conhecida também pelas redondezas como férias. Por outro lado, seus amigos acham que você precisa refrescar a cabeça, e te levam para um barzinho popular beber alguma coisa, festejar, fazer algo de bom. Eles parecem um bando de adolescentes, e você se sente um adulto no meio de uma creche.
E pensa que nada pode ficar pior. Mas aí, sempre tudo piora. E sim, naquele dia tudo estava extremamente ruim para ele. Desde o término de seu relacionamento, os amigos perceberam instantaneamente. Tudo que via ou dizia lembrava Lisa, mas se fosse observar melhor, era por pena e remorso que ainda fazia isso. Nunca a amou de verdade.
-"E então, Sieg? Está se divertindo?"-pergunta Shido, bebendo mais um copo de cerveja.
-"Na verdade, não... Vocês estão me envergonhando."
-"Relaxa, querida! Liberte-se um pouco e beba feliz com a gente. Quem sabe, a gente pode até encontrar umas moças aqui, não?"-Bado dizia, como um consolo sem qualquer fundamento para o amigo.
-"A única querida aqui será a sua cara, depois que eu a quebrar."-resmunga o loiro, suspirando em seguida.
-"Calma, cara, relaxa! O Bado é um retardado assim mesmo!"-Haguen diz, tocando no ombro do amigo.-"Mas no fundo, ele é só uma eterna alma de criança, não é, amiguinho?"
-"Haguen, meu bem, quieto."-diz o rapaz de cabelos verdes.
-"Viu só? E você, por que pelo menos não tenta se divertir?"-pergunta Merak.-"Tem bebidas, mulheres, música boa... O que mais falta para você se sentir bem?"
-"Uma casa, um belo trabalho."-suspira.
-"Nossa! Chegadinho num trabalho básico, não é amigo?"-pergunta Shido, levando aquele mau-humor do amigo na esportiva.
-"Sinceramente, não sei qual de vocês dois é o mais idiota."-resmunga.
-"E tem um senso de humor magnífico também!"-diz novamente, com um sorriso maroto.
-"Shido, Bado, parem de encher a paciência dele, suas crianças hiper-ativas. E você, Haguen, pare de dar em cima dele!"-ordena Benetona, que trazia mais algumas bebidas.
-"Eu não estou dando em cima dele, seu ignorante!"-diz ele, irritado.
-"Não é o que parece..."-Mime coloca as bebidas em cima da mesa.-"Vão discutir ou beber?"
-"Segunda opção, por favor."
-"Toma aí a sua bebida."-joga uma para Shido.-"E agora fique quietinha, criança arteira."
-"Vá se catar!"-diz ele, irritado.
-"Olha pessoal... Não é por nada, não, mas eu realmente quero ir pra casa descansar um pouco..."-Siegfried diz, largando a bebida que tentava beber, mas não conseguia, por 'falta de clima'.
-"Pare de resmungar e se divirta um pouco!"-uma voz que parecia jovem e madura ao mesmo tempo fez-se presente.
-"Alioth...? Nossa, quanto mais rezo, mais me aparecem assombrações..."-suspira novamente o loiro.
-"Pare de me chamar de Alioth e me chame de Fenrir! Você sabe que eu detesto que me chamem pelo sobrenome! Ele é muito sem-estilo!"-diz o rapaz, puxando uma cadeira para se unir à turma.
-"Como a sua repartição te agüenta?"-pergunta Haguen.
-"Vocês também não fazem isso?"-ele responde com uma pergunta, num tom maroto.
-"Preciso pedir conselhos pro Megrez uma hora dessas..."-suspira Mime.-"Só ele sabe como te controlar..."
-"Ele é o chefe da minha repartição, oras! Eu sou obrigado a obedecer ele."
-"Por isso mesmo..."-diz.
-"O que quer dizer com isso?"-pergunta Alioth, confuso e sentindo um leve sarcasmo na resposta do amigo.
-"Estou me sentindo numa creche cheia de crianças..."
-"Poxa, Sieg, pare de resmungar, homem! Se você não parar, eu vou enfiar a sua bebida guela abaixo em você!"-ameaça Bado, fingindo-se de irritado.
-"Se eu puder ajudar, aceito."-Fenrir diz, brincando.
-"Ah, que lindo isso... Todas as moças querendo fazer o amor da vida delas feliz!"-Mime suspira.-"Isso é tocante."
-"Fica quieto, Beterraba!"
-"O QUÊ?"-ele pergunta, irritadíssimo, com uma veia saltando da testa.-"Repita se for um homem, Alcor!"
-"Qual de nós?"-pergunta os dois gêmeos, em coro.
-"A moça de nome Shido."
-"Ai, o que tem eu, senhor bofe?"-o rapaz de cabelos verdes e olhos castanhos imitou uma voz de mulher, fazendo a mão cair, imitando perfeitamente uma bicha.
-"Veja só! Onde aprendeu isso, Shido?"-pergunta Haguen.
-"Com você, seu idiota."-responde.
-"Ah, é mesmo? Eu não me lembro de ter feito isso, amore. Agora você faz isso um par de vezes!"
-"Tu tá velho, né Haguen? 'Um 'par de vezes' era a expressão que minha avó dizia quando tinha oito anos!"-responde Mime, brincando.
-"Mime, não pedi sua opinião."
-"Bom, Sieg, veja pelo bom lado: amanhã iremos todos entrar em férias por um bom tempinho... Temos trabalho acumulado em casa e no serviço, você só vai beber um pouco!"-Fenrir dizia.-"Agora, relaxa e curta."
-"Bem..."-tentou dizer algo.
-"Nada de 'mas', 'bem' ou outra coisa! Agora, quem quer apostar que ele não bebe nada?"-pergunta Haguen, colocando a mão na mesa, em sinal de aposta em grana viva.
-"Eu aposto vinte que ele não bebe cinco garrafas inteiras!"-Bado diz.
-"Eu aposto mais quinze."-Shido também coloca o dinheiro na mesa, sorrindo de forma marota.
-"Mime?"
-"Não sou imbecil. Eu gosto do meu dinheiro..."-suspira.
-"Bom, eu sou chegado numa apostinha básica, sim! Aposto mais vinte que ele não toma nada!"-Fenrir responde.
-"Vai fugir da aposta ou enfrentará como um homem?"-pergunta Merak.
-"Eu... Bom..."-Siegfried queria ir embora, mas viu como os amigos tentavam lhe ajudar a reerguer o ânimo perdido recentemente. Ou melhor, sempre perdido. Resolveu dar-lhes uma chance, mesmo que talvez, arrependesse-se depois. Pegou uma das garrafas depositadas na mesa alguns minutos atrás por Mime, e disse confiante:-"Eu aceito essa aposta!"
------ # III # ------
Não fazia muito que haviam jantado. Foi algo bem caseiro e agradável. Ela adorava a companhia dele, era seu único amigo, o conselheiro, um alicerce nas horas mais difíceis. Um bom amigo. Ao terminarem de jantar, recolheram os pratos e ambos lavaram a louça. Ela lavava e ele secava e guardava. Era sempre assim, tanto na casa dele quanto na dela: os dois ajudavam-se mutuamente. Eram como irmãos, um irmão que Hilda admirava e estimava.
-"Terminei, finalmente..."-suspirou, fechando a torneira, fazendo a água descer pelo ralo com um barulho.
-"Ah, aqui também está tudo pronto."-ele guardou o último talher no devido lugar, e esfregou a testa.
-"E então, que tal um pouco de TV?"-pergunta ela, sorrindo.
-"Claro. Seria ótimo!"-assente Thor, sorrindo também. Os dois caminharam silenciosamente até o sofá. E ali se sentaram. Hilda pegou o controle remoto e ligou a TV, que anunciava o noticiário noturno.
-"Só desgraças..."-suspira a moça.
-"É mesmo. Nenhuma boa notícia. Por isso, tenho pena desse mundo. Tão pequeno, e ainda sim, tão violento..."
-"Ah, o importante é que estamos bem, não é?"-sorri ao perguntar.
-"Sim, esse é o importante."-Thor hesitou em perguntar aquilo para a amiga. Como agiria? O que diria? E se ficasse magoada e o mandasse embora? Corresse para o quarto e lá se trancasse? Mas apesar da hesitação, a curiosidade e vontade de ajudar eram maiores, e ele obrigou-se a perguntar:-"Hilda... Posso te fazer uma pergunta...?"
-"Claro Thor! Qualquer coisa."-ela responde, olhando para ele.
-"O que está acontecendo com você, desde anteontem?"-ele pergunta, sério, olhando atentamente para ela. Viu a mudança em seu semblante. Hilda ficou silenciosa por alguns momentos, bastante apreensiva com a pergunta. Mas então, respirou fundo e sua voz voltou a ser ouvida.
-"É sim... Me aconteceram algumas coisas..."
-"Que tipo de coisas?"
-"Thor... Você acha errado você mal conhecer uma pessoa e... Já estar gostando dela?"-pergunta Hilda, sua voz estava num pequeno fio. E demonstrava uma apreensão e medo de ouvir a resposta do amigo.
-"É isso que te angustia? Está apaixonada?"-pergunta sério.
-"S... Sim... Só você está sabendo disso até agora, é que ainda não tenho total certeza disso... Mas acho que realmente... Estou amando..."-ela responde.-"Eu conheci ele sem querer... Ele veio na minha floricultura... Mas tinha namorada, eu entendi... Mesmo assim, algo aconteceu. Quando consegui conhecê-lo melhor... Eu o admirei ainda mais... Mas ele acabou de terminar com sua garota por minha causa..."
-"O que você fez?"
-"Ela nos pegou de surpresa em seu apartamento... Quando ele esbarrou em mim, sem querer, e eu esfolei o braço, ele se prontificou a me fazer um curativo, mesmo que pequeno... Esse machucado, ó..."-mostrou o braço, que ainda exibia marcas de esfolado.-"E ela entendeu que estávamos tendo um caso... Ele me levou pra casa, e quando voltou encontrou ela lá... Ele me contou isso hoje de tarde, durante minha folga no meio-dia..."
-"Por que você tem medo disso, Hilda? Amar é maravilhoso. Logo você, que eu pensei que jamais iria se apaixonar!"
-"Não é isso... É que estou em dúvida. Eu não sei se isso é amor ou se é pena... Eu não sei... Além do mais, vivemos em mundos completamente diferentes... Ele é um empresário atarefado, que vive pelo trabalho... E eu sou só uma dona de floricultura... Não dá certo."-suspira.
-"É claro que dá! Para o amor, não há distinção. Você tem medo, então, de não estar sentindo amor e sim, pena? De estar se iludindo?"
-"Sim, Thor, é exatamente disso que tenho medo. Eu tenho tentado falar algo com ele, sei lá... Mas não consigo... Mal tenho reação quando o vejo. É um esforço descomunal que faço para falar com ele... Ouvi-lo contar aquilo, hoje de tarde... Me doeu demais por dentro... Sinto pena dele agora, e não sei como agir... Realmente, não sei o que fazer..."
-"Hilda, Hilda, ele trabalha onde?"
-"Na Shooting Star, aquela empresa famosa."-a mulher de cabelos azuis claros diz, num fio de voz, abaixando a cabeça em seguida.
-"Ah, então realmente deve ser alguém atarefado. Mas, sabe... A temporada de férias está quase aí. Você ainda não, mas para eles, se não me engano, amanhã é o último dia de trabalho antes de aproveitarem!"-ele dá um sorriso quase que paterno quando fala aquilo.
-"Mas como eu vou falar com ele? Provavelmente, ele irá se enterrar em casa e eu não vou mais vê-lo..."-Hilda dá um longo suspiro, quase desfalecendo sobre o sofá.
-"Eu tenho uma idéia."
-"O quê...?"
------ # III # ------
Algum tempo depois, cada um deles foi rumo à sua casa. A festa havia corrido normalmente desde que eles fizeram a aposta. Siegfried, lógico, não se deixou abater por eles, e ganhou. Resignados, os amigos lhe deram o dinheiro apostado, mas logo inventaram mais jogos, como se todos quisessem distrair o amigo recém-solteiro o tempo inteiro.
Depois do término da farra, Haguen disse ao amigo que não viera no seu carro hoje, pois este estava no concerto. Siegfried, mesmo desconfiado, pois ontem mesmo viu o carro do amigo, então, lhe ofereceu uma carona até o apartamento, que ele não tardou a aceitar. O plano que arquitetara estava saindo perfeitamente bem. Só precisava puxar um assunto com o loiro sério agora, e poderia arrancar, com jeitinho, o que queria saber.
-"Sieg... Está se sentindo bem?"-pergunta Haguen.
-"Claro. Por que pergunta isso?"-Siegfried responde com uma pergunta, como era típico dele, seriamente.
-"Eu não sei. Percebi que não é só a Lisa que está te incomodando. Tem mais alguma coisa entre esse problema?"
-"Não quero falar disso, Haguen... Já passou..."
-"Se tivesse realmente passado, você estaria falando disso como o Bado, como o Shido... Como numa brincadeira."-ele responde.-"Eu sei que você fala com naturalidade das coisas que já passaram, mas desse assunto, em especial, você fala como se ainda estivesse em processo."
-"Eu não sou cara-de-pau como aqueles dois."
-"Sei que eles são crianças e tal... Mas eu tenho certeza, e que um raio caia na minha cabeça se eu estiver errado, que há outra pessoa nessa estória toda, metida em algum lugar!"-Haguen fala com convicção.
-"Como pode ter tanta certeza de algo que não sabe?"
-"É só olhar pra você, meu amigo... Está nervoso, quando falamos da Lisa, você fica ainda mais nervoso... Mas quando o Mime perguntou, lembra, se você estava interessado em outra pessoa... Você ficou irritado, mas não falou nada. Ficou quieto e pensativo."
-"Isso é proibido, por acaso?"-pergunta rispidamente, olhando para frente, evitando olhar, mesmo que rápido, para o amigo.
-"Não é isso, Sieg! Estou apenas tentando lhe dizer que você está interessado em outra pessoa que não é a Lisa, não é?"
-"Engano seu."
-"Lembra daquela vez que você curou o meu coração? Que eu terminei com a moça que mais amei na vida, e você me ajudou a superar aquilo?"-Haguen fala, num tom calmo.-"Eu nunca esqueci aquele favor, Sieg... E até hoje, como eu disse daquela vez, estou te devendo uma. E quero pagar agora!"
-"Não preciso do seu pagamento, Haguen..."-suspira o loiro.
-"É claro que você precisa! Aproveite agora, que estamos em férias, e procure essa pessoa. Você sabe onde ela mora? Onde trabalha?"
-"Eu sei, mas não quero mais vê-la..."
-"Por que?"
-"Porque me traz péssimas recordações olhar para ela..."-suspira outra vez.-"Me lembra de coisas que não quero lembrar, que eu quero simplesmente enterrar no passado... Por isso, deixe esse assunto morrer."
-"Infelizmente, eu não posso fazer isso, chefe!"-Haguen fala, fazendo Dubhe prestar atenção em suas palavras, mesmo que olhasse para frente, dirigindo.-"Você está apaixonado de novo, termina com a Lisa, ainda gosta da outra moça e quer esquecer ela? Você é muito idiota!"
-"Idiota...? Eu, idiota?"-Siegfried irritou-se um pouco.-"Amigo, você jamais vai conseguir entender."
-"Ladrão."
-"O quê?"-pergunta, confuso.
-"Você roubou a mesma frase que eu disse daquela vez que você me amparou, quando eu estava em uma crise amorosa..."-Haguen sorriu um pouco, lembrando-se da situação.-"Como eu não vou conseguir compreender a dor que você sente, a sua dúvida, se já passei por isso?"
-"Aquilo foi diferente do que está acontecendo comigo!"
-"Pode ser que a garota seja diferente, que algumas coisas da situação estejam sendo diferentes... Mas a dor é quase que igual. Beiram a ser iguais. Por isso, eu compreendo meu amigo perfeitamente."
-"Invejo vocês todos, que conseguem sair com as mulheres sem jamais amar nenhuma..."-Siegfried diz, num tom hesitante.
-"Não é verdade. Todos nós já amamos uma vez sim, e você mesmo sabe disso! Mas com todos eles, fora eu, que decidi me dedicar a mim e ao meu emprego e vida... Eles decidiram apenas jogar. Algumas mulheres não dizem que, 'se um homem não serve pra ser amado, serve pra ser extorquido'? Então, o pessoal só leva as moças na mesma moeda. Nós somos homens, mas antes disso, somos humanos, queremos atenção e amor. Só duvidamos das demonstrações que recebemos... Ou você nunca duvidou dela?"
-"É... Já me aconteceu isso, sim..."-ele fala, simplesmente.
-"Pois então! A mesma coisa com a gente. Só que o que nos difere é que eu sou um solteiro eterno, eles pegam por diversão e você está amando, mas está com medo de amar. Só isso!"-Haguen fala.-"Mas no fundo, todos nós nos sentimos um lixo do mesmo jeito. Só que eles, tendo uma alma mais jovem e marota, sabem esconder ou esquecer mais que nós, que parecemos dois adultos cuidando de um bando de crianças brincalhonas."
-"Você sabe se soltar, às vezes."
-"É bastante difícil, mas de vez em quando, eu também quero ser feliz e entrar na turma, mesmo que isso me faça parecer infantil. Sieg, não precisar ter medo disso... Aproveite que agora iremos entrar em descanso, e tente procurar ela. Falar do que sente. Ou pelo menos, tentar se aproximar..."
-"Falar é fácil."-Siegfried responde secamente.
-"Se precisar da minha ajuda, pode me chamar. Eu já te disse: eu fiquei te devendo uma, e irei pagar, nem que leve minha vida toda!"-Haguen dá um sorriso confiante e compreensivo ao mesmo tempo.
-"Me sinto uma criança resmungando isso pra você..."-suspira.
-"Eu, pelo contrário, sinto que nos aproximamos cada vez mais quando você me conta o que acontece com você, e vice-versa."
-"Talvez seja por isso que somos amigos desde a idade da pedra."-Siegfried dá um sorriso, demonstrando a sua satisfação por ouvir tudo aquilo do amigo que sabia que podia contar.
-"Já somos tão velhos assim?"-caçoou o amigo.
O tempo transcorreu num ambiente maroto o resto da viagem, que não demorou muito. Os dois conseguiram quebrar o ambiente pesado de antes, e falavam de coisas como dois adolescentes. Era perto dos amigos que Siegfried podia mostrar-se como queria ser: uma criança. Mas até perto dele, às vezes, sentia-se inseguro com isso. Pensava de vez em quando, que a obrigação era maior, e ele precisava-se manter firme, forte e sério.
-"Pronto. Chegamos, Haguen."-ele anuncia, parando o carro.
-"Ah, que bom... Estou louco pra deitar e dormir logo. O dia foi cansativo hoje."-suspira o loiro.
-"Veja pelo lado bom: amanhã estaremos em férias a essa hora!"
-"Você, senhor Só-o-Trabalho-me-Interessa, falando assim? Será que já está tão tarde e eu estou dormindo e tendo esse sonho...?"-fala Haguen num tom infantil, colocando a mão no rosto, num gesto admirado.
-"Pare de brincadeiras! Eu estou falando a verdade!"-sorri.
-"Temos 'tema de casa' também, não pode esquecer disto... Se bem que, até onde eu te conheço, você até gosta disso..."
-"Mas eu gosto de descanso também, sabia?"
-"Então por que não descansa de vez em quando?"
-"Eu não sei."
-"Bom, preciso ir então... Amanhã, não se esqueça, quando acabar nosso horário, vamos ir no mesmo bar de novo! Festa ainda mais animada, pode ter certeza! E convida o Megrez também... Ele vai curtir, eu espero!"
-"Vou tentar falar com ele."
-"Não tente, faça! Eu quero ver a turma toda amanhã."-Merak fala, caminhando em direção da porta de entrada.-"Até amanhã, Sieg!"
-"Até amanhã, Haguen."
Siegfried dá a partida no carro, e este vai correndo pelas ruas iluminadas pelos postes de luz de Tókio, até o seu lar, onde ele queria deitar e descansar, para esquecer de todas as tolices que estava acumulando nos últimos tempos. Coisas pessoais, coisas do trabalho... Só queria esquecer de tudo, descansar o corpo e a mente. E quando chegasse em casa, poderia fazer isso com tranqüilidade.
Continua...
P.S: Eu sei, esse capítulo não teve nada com nada, mas eu realmente espero que o próximo esteja melhor.
