CAUGHT
IN THE UNDERTOW
(Just
Caught in the Undertow)
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N.A 01: Quem disse que eu me importo com a nova regra do Adoro me comunicar com os leitores! Desculpem-me, mas não resisti em continuar com esse papo furado das N.As.
N.A 02: Ah sim, agradecendo de novo a todos que comentam, os que não comentam, os que lêem e os que lêem e esquecem de comentar. Apesar dos anônimos, podem apostar que eu gosto de todos vocês por estarem acompanhando essa toskera.
N.A 03: Desviei do assunto? Tô despertando pensamentos nada agradáveis nas pessoas (dependendo de quem, pode até ser agradável... XD)? Ah. Desculpem-me, pessoal... Não resisto! Essa segunda parte da fic é minha meta desde que comecei. É agora que eu quero explorar cada canto. Desculpem por não falar nada com nada, mas eu adoro deixar surpresas no ar.
N.A 04: Espero que este capítulo lhes seja do seu agrado. Comentem (já perceberam que eu sempre imploro por isso? Daqui a pouco vou pagar mensalinho pra quem comentar!) (Ops, propina! u.u) e boa leitura a todos!
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Capítulo VI:
Uma loucura. Simplesmente uma loucura. Não tinha outra palavra para descrever aquela situação. Por mais que algo dele tentasse o conscientizar de que aquilo era até 'normal', ele sabia bem que 'não era'.
-"Filho... Haja o que houver, deve-se sempre seguir bom-senso, a norma exigida pela sociedade. Você precisa de status, de um bom emprego, de muito capital. Se tiver tudo isso, será feliz... Dinheiro compra tudo! Tudo mesmo. Ele comprou sua mãe, ele te fez nascer, ele comprou esta casa... Tudo. Haja o que houver, você precisa ser normal e ter status. O resto é só um segundo plano. Viva sempre em função do seu emprego."-aconselhava seu pai.
Sim. Um pai muito rico. Uma mãe compulsiva por comprar. Uma mansão. Uma boa escola. Os futuros passos de seu pai. Claro... Aquilo tudo trazia felicidade. Siegfried Duhbe cresceu acreditando piamente naquelas palavras de seu pai. Em qualquer situação.
Cresceu. Arrumou um bom emprego. Tinha um bom apartamento. Possuía uma boa namorada. Amigos perfeitos. Mas e a felicidade? Onde ela estava? Seu pai disse que com 'status' e 'dinheiro' ela apareceria. Será que estava fazendo algo errado? Será que precisava comprar sua felicidade, como disse o pai? Mas ele não queria. Cansou de procurar. Não queria mais achar. Ou melhor, ele queria. Apenas disse a si mesmo, erroneamente, que não era aquilo designado a ele.
E percebeu, desde o dia em que aceitou deixar de ser 'normal', que estava errado. A felicidade apareceu. Ela estava num sorriso. Numa palavra. Numa rosa no quarto. Num café da manhã amigável. No mar tocando seus pés. Em plantar bananeiras na areia da praia. Em tomar sorvete e não se preocupar se sujou sua melhor roupa. Em preparar um simples jantar.
Ou melhor, ele nunca fora bom naquilo...
-"Hi... Hilda! O jantar... Olha só!"-gritava Siegfried, olhando a fumaça de queimado que saia de uma das panelas. Logo, um cheiro de queimado invadiu suas narinas, e ele sentiu-se um inútil.
Hilda chegou logo depois de ouvir a voz do hóspede, correndo de forma bastante apressada pela cozinha, até chegar nas panelas.
-"Essa não! É o arroz!"-ela fala, abrindo as panelas, fazendo uma nuvem de fumaça escura sair dali.
O homem de cabelos louros saiu de perto, enquanto a outra tentava afastar a fumaça e desligava o fogo. Era uma negação na cozinha, sem dúvidas. Acostumou-se a pedir comida ou comer fora. Quando comia em casa, era um alimento semipreparado, ou feito pela própria Lisa. Mas ela não existia mais... Agora, tudo dera um giro de 360º em sua vida.
Estava agindo como um 'louco', como chamava o pai qualquer pessoa que saísse das regras estabelecidas pela sociedade.
Mas Siegfried viu, quando conheceu Hilda, quando se divertiu com ela pela primeira vez, simplesmente se divertiu com coisas 'simples', que ser um louco era bem mais divertido do que ser um normal. Se por acaso, ser um louco era sorrir de felicidade, que a loucura fosse sua única vida.
-"O status... O dinheiro... O trabalho... Tenha do bom e do melhor desses três itens, e o mundo sorrirá para você, meu filho..."
-"Acho que você está errado, pai."-pensou, esboçando um pequeno sorriso.
------ # VI # ------
Ela adentrou no restaurante, ainda arfando. Quando a amiga dormiu sobre a mesa de estudos, ela viu que estava indo longe demais. Precisava descansar urgentemente. Então, com fome, resolveu jantar alguma coisa antes de voltar para casa. Pelo caminho, sentindo o ar frio da noite lhe envolver completamente, teve vontade de sorrir e agradecer. Não sabia para quem. Só agradecer.
Era assim mesmo. Antes de amar pela primeira vez, achava que o amor era apenas para idiotas, que idealizar alguém especial era perda de tempo. E no fundo, ainda sim, sentia uma certa inveja. Pensava que jamais iria ferir-se e ferir alguém, mas o destino dera um pontapé em seu pensamento antiquado. E ela amou. E feriu o ser amado. E amou de novo.
Mas agora, ela seria a pessoa ferida.
-"Ei, meu bem, que bom que veio!"-a voz do loiro a fez perceber que era ele. A aparência, a voz, a roupa que ela dera a ele... Tudo! Só havia uma coisa de diferente: a pessoa perto dele, que ele abraçava e, em seguida, dava um beijo casto, não era ela. Era outra.
-"Também senti sua falta, amor."-a moça de cabelos negros e cacheados responde com um sorriso, sentando-se perto dele em seguida.
Freiya respirou com dificuldade. Quem era ela? Por que estava perto de Hyoga, seu namorado? Por que? Então, um último vestígio de esperança desapareceu de sua mente, sem deixar nenhum rastro... Era uma simples idiota traída. Uma 'corna'. A realidade pesou em sua cabeça como uma pedra grande e pesada jogada de cima de um prédio. Mas perguntava-se desde quando eles estavam tendo um caso, e o que aquela morena tinha que ela não possuía. Não sabia, e nem queria saber.
-" Freiya...? É você...?"-a voz trêmula de Hyoga ecoa.
Ela ergue a cabeça e olha para ele. A mão do loiro segurava a da morena, que também olhava para ela, firmemente. Em seguida, como se fosse automático, largou-a. Continuou observando. Então, sentiu seus olhos verdes arderem, doerem, e o rosto também arder. Um vazio alastrou-se por todo seu corpo, indo parar em suas pernas, que tiveram vontade de despencar com ela inteira.
Mas tudo que fez foi dar meia-volta e sair do restaurante como se nada houvera acontecido. Quando, porém, manteve uma distância respeitável do recinto, lágrimas brotaram de seus olhos, e suas pernas adquiriram o movimento incessante de uma corrida.
------ # VI # ------
Pedir comida de uma loja de conveniências é humilhante. Ainda mais quando você queima todo o arroz, e assim, não pode comer a comida que queria fazer. É a gota d'água para uma pessoa como ele. Que quer tudo tão perfeitamente arrumado, tudo em bom estado.
-"Desculpe..."-murmura, ainda culpando-se pelo acidente.
-"Ah, foi um acidente, eu sei! Pára com essa culpa boba e sem sentido, Sieg!"-de repente, Hilda fica vermelha com o próprio comentário. Fora uma indelicadeza sem tamanhos falar aquilo, mas saiu automático.-"Me... Me desculpe, Siegfried... Eu..."
-"Não, tudo bem. Meus amigos também me chamam assim."-sorri.-"Eu gosto desse apelido."
-"Você é tão bonzinho... Tem certeza de que não há segundas intenções nisso?"-pergunta, inclinando-se um pouco para frente. E, novamente, cora com o próprio comentário.
Desta vez, é acompanhada com Siegfried, que fica sem saber o que dizer. Só pensa. E se realmente houvesse alguma 'segunda intenção' em sua gentileza para com ela? Eles estavam sobre o mesmo teto. Um mês inteiro sobre o mesmo teto, convivendo juntos, como... Parou de pensar, não podia pensar naquela possibilidade tão idiota.
Então, a moça de longas madeixas azuis sentiu vontade de tomar sua bebida. Estendeu a mão em direção do copo, sem nem ver o que fazia, e só deu-se conta quando sentiu uma outra mão em cima da sua. A mão dele. Aquele simples toque despertou uma imediata reação em ambos. Afastaram suas mãos dali, e ficaram olhando para o chão, ainda mais corados que antes. Siegfried jamais suou tão frio ao tocar a mão de alguém. E Hilda, pela primeira vez, sentiu o coração acelerar tão rápido.
------ # VI # ------
Quando acordou, já era quase 23:00pm da noite, e ela mal havia estudado. O dia foi extenuante, e quando ela e a amiga voltaram para casa, precisavam estudar, e aquilo a cansava muito. Então, mergulhou num universo paralelo, e não no estudo, e acabou adormecendo.
A amiga... Levantou-se e viu que ela não estava ali. A casa estava muito silenciosa. Levantou-se da cadeira e começou a andar para fora do quarto. Vasculhou todos os cômodos da casa, mas nenhum sinal de presença humana por ali. Deduziu, então, que a outra saíra.
Grande amiga! Nem a acordou e convidou. E já estava ficando tarde e perigoso. Resolveu parar de estudar e dormir.
-"Ela é responsável. Não demorará, creio eu."-disse a si mesma, numa tentativa de afastar pensamentos ruins da cabeça. Além de ficar péssima, a irmã maior de Freiya a mataria se acontecesse algo com a caçula.
Suspirou pesadamente, e em seguida, adentrou em seu quarto, fechando a porta suavemente.
------ # VI # ------
-"Alô, Ritsuko... É você?"-a voz de Hyoga é escutada pela jovem, que acordou assim que ouviu o telefone do apartamento tocar.
-"Hyoga? Qual a finalidade desta ligação a essa hora?"
-"A Freiya... Ela está aí com você? Já chegou em casa?"-sua voz soava uma inconfundível preocupação. Por detrás dela, havia vários sons, como se estivesse em um lugar badalado.
-"Ainda não, mas... Por que? Você viu ela?"-pergunta Yokohama, também preocupada.
-"Não é nada, não. Só queria saber."-ele fala, depois de um breve suspiro resignado.-"Então... Até mais tarde, Ritsuko."
-"Es... Espera!"-tarde demais. O loiro desligara o telefone.
A jovem estudante colocou o fone de volta no gancho, ainda tentando compreender alguma coisa da breve conversa. Realmente, ou era lenta demais ou estava perdendo um grande acontecimento. Só esperava que a amiga voltasse logo, ou teria seu couro cozido por Hilda.
------ # VI # ------
Uma linda mulher de cabelos tão azuis quanto os da filha mais velha aparece de tardezinha em casa. Seu corpo estava úmido, devido à chuva incessante que caia lá fora. Ela trazia com ela um ser. Um mendigo. Hilda assustou-se com a visita inesperada. Escondeu-se no corredor, mas sua mãe a viu e chamou-a até o sofá, onde ela e o mendigo estavam sentados.
-"Hilda, cumprimente o Ray!"-sorri amigavelmente.
-"Quem é ele, mamãe...?"-a menininha pergunta, hesitante.
-"Não fale desse jeito de nosso novo hóspede!"-ralha a mulher.-"Ele é Ray, e vai ficar com a gente pelos próximos 31 dias, filha."
-"Por que?"
-"Por que faz parte do jogo, Hilda. Não é, Ray?"-sorri para o mendigo, que observava a cena em silêncio até aquele momento.
Quando ouviu a pergunta, o mendigo esboçou um sorriso. Dentes amarelos, sorriso fedorento, mas sincero.
-"Sim, criança! Sua mãe salvou minha vida!"-sorria com satisfação.
-"Agora, o Ray vai tomar um banho para conhecer o maridão e, em seguida, comermos todos juntos à mesa!"-Hilda nunca viu sua mãe tão animada, tão feliz, tão hospitaleira quanto naquele instante.-"Ah... Pode usar o barbeador do meu marido para fazer a sua barba! Ele não vai se importar, eu acho!"
O mendigo faz um sinal de sim com a cabeça, e sobe para o segundo piso da casa. Procuraria o banheiro sozinho, afinal, era parte daquela família.
-"Por que está fazendo isso, mãe...? Ele é..."-Hilda não queria dizer aquilo, mas sentia-se muito confusa no momento.
-"Um mendigo. Eu sei. Mas, mesmo assim, é humano. Tem qualidades, defeitos, limitações e poderes. Eu estou salvando a vida dele. Dando-lhe oportunidade de sorrir. Hilda... Todos querem um lar, uma família, uma vida plena e feliz. E eu estou dando essa chance ao Ray."-ela falava, com a mão sobre a cabeça da pequena.-"Esse é um joguinho que inventei quando encontrei o Ray... Eu vou te ensinar ele um dia... Enquanto isso, quero que saiba: pode ser um mendigo, um empresário, um bancário, um pedreiro... Todos somos pobres que queremos ser ricos de alguma forma. E podemos ser. Eu e Ray somos pobres, mas vamos aprender a sermos ricos juntos, entende? Sempre quando encontrar alguém 'pobre', Hilda... Aplique esse joguinho nele... Faça essa pessoa sorrir! Você será recompensada em dobro, sempre!"
-"Mamãe..."-murmura a pequena, compreendendo o real sentido daquilo.
-"Eu vou separar alguma roupa velha do seu pai pro Ray! Enquanto isso, faça alguma coisa útil, do tipo... Pegue uma toalha limpa pra ele!"
-"Sim, senhora!"-sorri.
Desde aquele dia... Ela aprendeu. Precisava viver para alegrar os demais. Sempre a chamavam de 'deslocada', 'maluca', 'sem-noção', mas ela gostava. No fundo, quem dizia isso estava agradecido. Ela aprendeu com sua mãe a ser bondosa. Ficou amiga de um mendigo. E aprendeu a jogar aquele mesmo jogo... Mas nunca soube em quem aplicar.
Até conhecê-lo. Ela o conheceu, e sentiu que podia aplicar aquele jogo naquele homem de olhar frio e prático. E tinha razão: ele levava uma vida chata. Precisava de calor. De amor.
E Hilda Polaris estava ali para isso. Para dar-lhe calor humano.
Então, acordou de seus pensamentos. Estava sentada no sofá, olhando o nada o tempo inteiro. Sorriu, balançando a cabeça negativamente, divertindo-se com as lembranças e com o que pensou. Ajudar... Ajudar alguém a maturar a si próprio, a sorrir. Tudo era tão divertido.
Mas não houve mais tempo de pensar. A campainha interrompeu-a.
Levantou-se, a contragosto, e caminhou lentamente até a porta. Pensava, no caminho, quem seria, com que finalidade, e porquê àquela hora da noite. Abriu-a com calma e então encontrou alguém que realmente não esperava ver: Freiya. Chorando, trêmula.
-"Irmãzinha... O que aconteceu?"-pergunta, preocupada.
-"Ele... Ele me... Eu... Ele me traiu, irmã Hilda!"-ela, num rompante, abraça a irmã com todas suas forças.-"O que ela tem... E eu não...? Eu..."
-"Calma, irmã... Entre..."-pede, fechando a porta.
As duas caminham até o sofá, e Hilda senta a irmã caçula ali. Não perguntou-se sobre nada, apenas pegou um copo de água e ofereceu à loira, que não negou, tomando-o rapidamente. Depois, recomeçou a olhar para o chão, com os olhos ainda vermelhos, pingando lágrimas.
-"O que... Aconteceu, irmã?"-havia muita calma em sua voz.
-"É que eu... Eu..."
-"Hilda, por favor, você sabe onde está a minha blusa?"-a voz de Siegfried foi ouvida do corredor, e ele desceu.
Quando desceu, ele ficou atônito. Olhou para a mesma jovem que conhecera meses atrás. Numa situação deplorável, mas... Sem dúvidas, era ela mesma.
-"Você..."-murmura.
Continua...
P.S: Sorry pelo capítulo super curto. É que esse PC não é meu, e preciso me restabelecer de vez antes de postar coisas decentes de novo! XD Mas enfim, espero que este esteja bonzinho...
