Disclaimer: Ninguém é meu, e estou em crise de abstinência.
Capítulo Dois
Há Venenos Que Vem Para O Bem
Naquela noite, Sirius Black não dormiu. Seus raros momentos de sono foram pontuados por pesadelos terríveis onde uma potranca gritava até todo o chocolate do mundo desaparecer, e onde as ervas daninhas faziam uma sociedade com o Sr. Al-Kaeda contra o pó de visgo do diabo, e ele a partir dali teria de arrancar as pragas uma por uma com as próprias mãos e sua mãe ao lado, lhe gritando que agora o mundo girava em torno do seu jardim e nada poderia lhe deter.
De fato, quando ele acordou no meio da manhã, que, sem ou com sono, era sua hora de férias habitual para levantar, pensou que talvez sua fama de garanhão não se estendesse à meninas malucas obcecadas por pó de erva daninha e que usavam botas de veludo até as coxas.
Ou isso um sua mãe tinha conseguido lhe apavorar de verdade quando disse que ou ele ia logo comprar a erva daninha, ou ela nunca mais convenceria o pai dele de que tudo aquilo sobre apalpar Bella por debaixo da mesa era só porque ela tinha roubado a cereja de seu sorvete de, obviamente, chocolate.
Porque não poderia sobreviver sem apalpar Bella por debaixo da mesa durante as refeições.
Dessa vez havia uma parede para ele bater a testa nela em tributo a absurdos, então Sirius achou mais seguro pensar em coisas saudáveis e não absurdas.
Lembrou por exemplo que nesse verão seus amigos não dariam as caras, pelo menos por enquanto. E que mal estava agüentando ficar naquela casa... E que, se comentou por fim, simplesmente não queria fazer idéia de onde seu irmão tremendamente inútil se encontrava.
Durante seu tardio café, sua mãe passou carrancuda por ele e resmungou:
- Sirius Black, você sabe muito bem que tem de dar um jeito de tirar as ervas daninhas do jardim até a tarde, não é, menino!
Fazendo-o inclusive engasgar com seu suco de laranja de uma maneira cruel.
Nunca mais apalparia Bella se o jardim não estivesse livre de pragas em tempo recorde para quem não tem justo o veneno que poderia as matar.
Beleza.
Sirius estava furioso. Porque ontem, que não devia mesmo tem chovido, pedaços do céu tinham ferrado suas costas, e naquele dia, enchia o coração de alegria olhar para a paisagem ensolarada.
Mas não o dele, claro.
Com suas roupas pretas significando "não encoste, poste mal-humorado", passeou até a lanchonete onde poderia comprar o primeiro chocolate trouxa que visse, e se salvar da crise de abstinência. Teria esquecido completamente da garota-de-botas-de-veludo-possivelmente-estragadas-agora se... se não a tivesse encontrado justamente ali naquela lanchonete não mágica!
- Não venha me dizer que também veio comprar chocolate! - ele disse com antipatia quando cruzou com ela.
A menina se virou, e após o choque traumático de ver aquele pedaço de mal caminho todo de preto-eu-sou-sexy, fez uma cara de entediada.
- Odeio chocolate.
O coração de Sirius parou, seu sangue gelou e sua respiração falhou. Poderia ser um infarte, mas ele só morre daqui a muitos e muitos anos de sofrimento e revelações absurdas que o faziam bater a cabeça na parede um montão de vezes.
- Ninguém odeia chocolate.
- Eu odeio. - ela disse desinteressada.
- Como assim odeia? Ninguém pode odiar chocolate!
- Ótimo, então eu sou ninguém e odeio chocolate.
- Ora, mas que absurdo!
Fora isso, Sirius andou até a prateleira que tinha os chocolates e pegou cinco grandes barras. Quando se voltou, babando, viu que a menina ainda estava ali e que suas roupas eram bem diferentes do dia anterior, não tão coladas, e que ela decididamente não estava de bota, porque suas pernas morenas estavam a mostra.
- Então, sua bota se desmanchou? - ele perguntou casualmente quando passou por ela para pagar os chocolates no caixa.
- O problema não é a bota, e sim a poção que você arruinou! Francamente, eu gastei semanas inteiras com aquilo!
- Afinal, que droga de poção é essa? - ele perguntou impaciente.
- Não é uma droga de poção! - ela protestou! - É a minha poção da Vitória! E nada de danos para você, só para mim, que fiquei sem a poção!
- Quem disse que foi "nada de danos para mim"? - ele rebateu, todo indignado com a injustiça do mundo - Agora eu tenho que arranjar um jeito de matar as ervas daninhas de um jardim quilométrico SEM o pó de visgo do diabo até hoje pela tarde!
- Se não...
- Se não minha mãe arranca minha cabeça!
- Ah, ela brigou com você? - Emily suavizou a expressão. - Porque você não levou o pó?
- É, ela brigou, mas não é nada da sua conta, é claro, por você está ai toda importante com essa sua poção besta! E agora me dê licença que tenho que ir-me embora descobrir um jeito de não perder a minha cabeça, obrigado!
E pagou o chocolate, saindo da lanchonete sem olhar para trás.
No caminho, enquanto comia chocolate, Sirius se perguntou vagamente porque não tinha logo de cara dado em cima naquela garota.
É claro, não tinha dado tempo, ela tinha o atropelado a pé mesmo (imagine o que ela fazia com uma vassoura!), mas ainda assim, ele poderia ter assumido a situação a partir daquele momento na frente da loja.
E ela nem era feia. É claro, não era bonita como Andrômeda, nem tinha os lábios carnudos de Bella, mas as pernas morenas dela com certeza ganhavam das de Narcisa, e mesmo da própria Bellatrix, ela mesma, que tinha as pernas mais legais de se apalpar por debaixo da mesa.
Talvez, ele pensou, seu inconsciente tivesse um receptor de aberrações malucas independente do seu julgamento.
Agora devia se concentrar nas ervas daninhas... E claro, nos seus chocolates restantes.
Já passava do almoço. Já passava do almoço e seu chocolate já tinha acabado. Já passava do almoço, seu chocolate tinha acabado e ele não sabia como se livrar das ervas daninhas. Já passava do almoço, seu chocolate já estava bem dentro do seu estomago, ele não sabia como se livrar das ervas daninhas e sua mãe tinha berrado novamente que ou ele desdaninhava o jardim, ou... ou.
Era o momento perfeito para filosofar.
Lá estava Sirius Black, o garoto mais gostoso de uma escola de mil alunos, parecendo miserável, sentado no banquinho na frente da fonte do jardim, se perguntando por que ele tinha que livrar das pragas o jardim.
Sua família era rica. Milhões de empregados dariam seus fígados para limpar aquele jardim. Qualquer um podia fazer aquilo, mas não, tinha que ser ele, Sirius Black, o herdeiro daquilo tudo, que tinha de fazer o trabalho duro - o pior que se podia existir.
Sua mãe chamava aquilo de educação para a vida. Dizia que não era porque ele vinha de berço de ouro que nunca ia trabalhar na vida, que ia ficar sem saber o que era isso, para no futuro o mundo pisar em cima dele. Que era para o bem dele ter aquela responsabilidade.
Sirius só achava mesmo que ela gostava de fazê-lo sofrer.
No ápice da filosofia, ele ouviu alguém bater no portão da frente da mansão.
Levantou irritado. Todos os empregados tinham sido banidos da frente da propriedade, para dar a certeza de que não iam ajudar Sirius em sua árdua tarefa de não fazer nada olhando para o jardim por - é claro - ele tinha uma grande culpa de o senhor Al-Kaeda ser o maior grosseirão.
Portanto, ninguém ia atender aquele portão, e não importava se fosse ou não um seqüestrador sanguinário ávido pela fortuna Black e por arrancar os belos olhos do herdeiro e vender numa feirinha de importação, Sirius ainda assim teria que atender.
Talvez ele não tivesse ligado no fato de que esse tipo de gente não chega e simplesmente toca a sua campanhia.
À proporção que foi se aproximando, divisou uma forma magra e esguia por entre as grades, com um cabelo preto e roupas brancas.
Percebeu a cinco metros de distância que era uma garota morena de cabelos pretos e curtos com cachos grandes e bonitos, um vestido claro e alguma coisa nas mãos.
Sirius levou um grande susto quando chegou a meio metro e se tocou de que aquele anjo que tinha batido no portão era, na verdade, a menina-de-botas-de-veludo-que-não-usava-botas-de-veludo.
Ele tentou não se culpar por não a ter reconhecido, de cara, porque das outras duas vezes que a tinha visto 1) ela estava descabelada e 2) estava de cabelo preso, e também, nas duas ocasiões, usava roupas pretas de adolescente rebeldes e botas de veludo (tirando a segunda vez).
- Ah, é você? - disse, mas ela ignorou o comentário pouco anfitrioso completamente.
- Mesmo você tendo sido grosso e pouco cavalheiro comigo nas outras ocasiões, eu revolvi lhe trazer aqui a solução para os seus problemas.
- Do que é que você está falando? - ele perguntou contrariado.
- Das ervas daninhas. Eu aposto como não arranjou uma solução. - disse com ares de salvadora da pátria.
- Pois para a sua informação - disse orgulhosamente. - eu arranjei sim!
Ela deu um risinho cínico.
- Ótimo então, vou embora. - virou de costas e deu três passos, o suficiente para Sirius se arrepender.
- Não, espera ai! Já que se deu ao trabalho de vir até aqui, não vou ser grosso com você, pelo menos fale o que é que trouxe.
- Claro, para não ser grosso. - ela debochou com um risinho vitorioso. - Abra o portão, então, e me deixe entrar.
Ele revirou os olhos e resmungou alto alguma coisa, puxando a varinha do bolso da bermuda.
- APRIRE,TOJOUS PUR! - exclamou com cara de tédio. O portão abriu com um clique desagradável e Emily deu um passo para dentro, com cara de quem queria dar dois para fora.
Ela estendeu o saco de pão para ele e Sirius olhou longamente para aquela coisa feia, amassada e suspeita.
- Pães? Eu não quero pães.
- Não são pães, idiota. - disse entredentes. - É a salvação do seu pescoço que está aqui dentro.
- Porque eu deveria acreditar nisso? - ele perguntou desconfiado. Emily desistiu de estender o saco de pão na direção dele e deixou o braço cair, zangada.
- Porque, droga, eu estou dizendo que é para acreditar!
- Você é muito mandona!
- E você é um insuportável! É isso ai, insuportável - reafirmou. - e euzinha não sou obrigada ao seu mal agradecimento, vou embora! - resmungou, se virando novamente. Deu de cara com o velho, imponente e enferrujado portão que ostentava um grande "B" lá em cima, todo floreado de ferro.
- E quem lhe disse que vou abrir o portão para você sair? - retrucou teimosamente. Se Emily tivesse se virado teria visto um sorriso esmagadoramente sexy e conquistador, mas ao invés disso ela fechou os punhos.
- SIRIUS BLACK!
O sorriso de Sirius desapareceu como se nunca estivesse habitado aquele belo rosto de pele morena, olhos azuis, emoldurado por um negro e volumoso cabelo, que possuía uma displicência que raramente os cabelos tinham.
- Como é que você sabe seu nome?
Emily se virou fazendo um furo na terra do jardim com seus saltos, tal era sua raiva daquele menino mimado e petulante.
- Seu burro, eu deduzi!
- Você deduziu? Hei, pára, pára tudo, espera ai! - ela soltou o ar longamente. - Como é que você sabia que eu moro aqui!
- Eu deduzi. - ela repetiu, tão pacientemente que as bordas do saco de pão se desintegravam sob a delicada ação dos seus dedos.
- Não, que droga é essa de deduziu!
- Chama-se inteligência, Black, caso a palavra, como de fato, não existe em seu dicionário!
- Você estuda em Hogwarts?
- É claro que sim!
- Não me diga que você é uma corvinalzinha irritante e sabe-tudo! Porque você tem cara de uma corvinalzinha, nojentinha e sabe-tudo!
- Ah, não, ai já chega! - ela disse por fim, jogando o saco de pão na grama. - Chega, chega, chega! Vou embora! Nem que eu tenha... - ela olhou um segundo para o portão. - nem que eu tenha que pular a droga do portão!
Sirius foi invadido por tal acesso de riso de teve de se jogar na grama para não acabar caindo. Emily observou incrédula ele se enroscar na grama como um cão, rindo... na verdade rindo como uma hiena, até que algo atraiu sua atenção.
- Black... - disse alarmada.
Ele prosseguiu com a crise de gargalhadas, já vermelho e sem ar.
- Black, pare com isso e...
Sirius deu mais duas voltas na grama, os olhos lagrimejando de riso.
- Black, é sério, olhe lá...
Sirius ficou de quatro, batendo os punhos na grama, as risadas cada vez mais parecidas com latidos.
- SIRIUS BLACK, SEU ESTÚPIDO, OLHE SÓ PARA AQUILO!
Sirius olhou para onde ela apontava. Sua boca se abriu perplexa, e ele levantou embasbacadamente, sem tirar os olhos do espetáculo que acontecia ao seu redor.
Do saco de pão que a menina-destituida-das-botas-de-veludo tinha deixado cair, saiam enormes coisas vermelho vivo como barbantes, que pareciam líquidas e gosmentas, e inacabáveis, deslizando como cobras raquíticas pela grama verde. Elas corriam até as plantas e se enroscavam nas ervas daninhas, as transformando simplesmente em... pó. As ervas eram envolvidas, embrasavam e se desintegravam no ar, simplesmente, como se nunca tivessem existido.
Cinco minutos depois, não existia mais uma única praga de plantas no jardim, que parecia até mais verde, vivo e brilhante. As cobras vermelhas, Sirius observou, tinham todas se infiltrado dentro da terra como minhocas, e desaparecido.
Emily teve que estalar os dedos na frente dele para que o garoto voltasse à realidade.
- Que diabos foi isso?
- Pode agradecer de joelhos, obrigada. - ela disse com um sorriso mais convencido do que o próprio Tiago seria capaz de dar depois de ganhar uma copa de Quadribol contra a Sonserina, segundo Sirius.
Ele teve uma sensação esquisita na barriga, e não conseguia decidir se era efeito de uma saída brusca de um torpor intenso ou se era fome mesmo. Mas acabava que não era nenhuma das duas coisas.
Ela abaixou e pegou o saco de pão no chão, que estava tão seco como quando viera ao mundo, e o embolou como uma bolinha das que Sirius usava para tacar na cabeça oleosa de um grande amigo seu chamado... ranhoso.
Emily deu um sorrisinho ainda mais exibido quando viu que ele continuava com cara de tonto na sua frente.
- É apenas um veneno contra ervas daninhas, Black.
- Onde você arranjou isso? - ele despertou, arrancando a bolinha de papel de pão da mão dela e a desmanchando avidamente. Lá dentro só havia três pedaços do que antes fora um frasco de poção pequeno. - Menina, isso não é coisa que se compre por ai! Esse tipo de coisa é bem perigoso, você devia saber, provavelmente é até mesmo ilegal, e...
- Eu fiz.
- Mentira. - ele se interrompeu.
- Não é mentira, e eu estou disposta a brigar por isso! - ela se empertigou.
- Puxa... - ele disse dando mais uma olhada no jardim perfeitamente limpo. - Obrigado. - disse humildemente. - Seja ou não verdade.
- Mas é verdade!
- Cara, a partir desse momento eu estou acreditando em qualquer coisa...
- Era só o que eu queria. Pode abrir o portão agora, eu vou embora.
- Embora? - Sirius perguntou, de repente com os olhos brilhando. - Não, fica mais um pouco... - disse dando um sorriso sexy novamente.
- Black, abre o portão. - Emily disse agora ligeiramente nervosa com aquele sorriso dele.
- Putz, eu quero agradecer a você de um jeito melhor, afinal você salvou minha vida...
Ela arrancou o papel de pão da mão dele e virou as costas, dando passos rápido até o portão e agarrando-se a grade.
- Eu quero ir embora.
Sirius franziu as sobrancelhas para a expressão assustada da garota, que nem parecia mais aquela que o enchera o saco no Aresto Convergente ou na lanchonete, ou que tinha acabado de brigar com ele há pouco.
- Qual o problema? Hei, eu não mordo não!
Ela não respondeu, só olhou para a rua, para ele e novamente para a rua além dos portões.
- Black, abre já esse portão!
- Foi você quem pediu para entrar!
- E quero sair agora!
- Você é doida por acaso? Primeiro eu quero saber por que essa sua cara de formiga em dia de enchente!
- Eu não estou com cara de nada, ok? Só abre a droga do portão e me deixa ir, eu nem tenho mais nada para fazer aqui!
- Mas... - ele tentou protestar pela última vez, completamente espantado.
- Se você não abrir eu vou gritar! - ela disse desafiante.
Sirius ficou um pouco branco, dando uma olhadela para a mansão Black. Se sua mãe ouvisse alguma desconhecida berrando em seu jardim, ai sim Sirius jamais apalparia garota nenhuma, e provavelmente não ia ter mãos para isso.
- Ok, ok, eu abro! - disse zangado, sacando a varinha. - APRIRE, TOJOUS PUR!
Ela passou como um raio para fora, numa única respiração, e antes que Sirius pudesse dizer um ai Emily já tinha atravessado a rua e nem olhava mais para trás.
- Vai, louca! - disse meio alto, de cara feia.
Pretendia xingá-la mentalmente por ser doida e completamente desequilibrada, mas quando fechou o portão e se virou, avistou sua mãe vindo à passos largos em sua direção.
- Sirius, já lhe falei um milhão de vezes, não deixe entrar estranhos em casa! E o que eu lhe disse? Era para estar tirando as ervas daninhas do jardim uma por uma, para nunca mais deixar de trazer o pó de... OH MEU DEUS, O QUE ACONTECEU NESSE JARDIM!
Sirius se encolheu e tapou os ouvido precautivamente.
- SIRIUS, SIURUS, O QUE FEZ AQUI! MENINO, ANDOU USANDO AQUELE FEITIÇOS QUE SEU PAI LHE ENSINOU! ORA, VAI FICAR DE CASTIGO, JÁ LHE DISSE QUE SÓ PODE USAR AQUILO QUANDO FOR MAIOR, PUTZ!
Sob a perspectiva e ficar de castigo em plenas férias, Sirius fez questão de contar tudo antes que sua mãe tirasse mais conclusões perigosas, como ela tinha feito daquela vez que ela pensou que ele tinha comido as cortinas, mas Sirius só tinha mesmo tentado fazer ali uma rede para uma fada mordente.
Ele, claro, poupou o assunto dos encontros anteriores deles dois, fazendo parecer que a menina-das-botas-de-veludo tinha casualmente aparecido em seu portão com um veneno contra daninhas quando ele mais precisava. Mas sua mãe pareceu não se importar.
- Sério? Essa menina, meu Deus, ela é um gênio, e um anjo, céus, qual era o nome dela, Sirius?
Ele quase teve uma taquicardia fatal quando lembrou que não fazia idéia sobre isso.
- Acho que... - forçou a memória como nunca na sua vida. De uma forma ou de outra aquelas bengaladas do Al-Kaeba na sua cabeça tinha o deixado meio burro, ele tinha certeza. - Alguma coisa... alguma coisa Lay... Clay...
- Fay! - a Sra. Black exclamou encantada. - A família Fay, só pode ser!
Sirius não se espantou, uma vez que sua mãe provavelmente conhecia toda a Inglaterra por nome, sobrenome e de uma única classe social, que estava muito óbvia.
- Fay, é isso ai.
- Oh, Sirius, você não acha que seria encantador convidar esse doce de garota para jantar conosco depois de amanhã? Preciso agradecê-la por este favor tão grande, e agradecer em grande estilo, não se encontram mais pessoas desse tipo por ai, dispostas a ajudar umas as outras, você não acha, querido?
- Não! Não, mão, pelo amor de Deus, ela é completamente louca!
- Que é isso, menino, onde estão seus modos? É claro que vou convidá-la, ela com certeza ficará honrada.
- Eu acho que ela terá um ataque, provavelmente acha que vamos torrá-la num caldeirão. - falou para si mesmo, de modo que a mãe não ouviu. - Mãe, por favor, por favor, não tem importância, eu já agradeci, eu já beijei os pés dela, eu...
Mas por mais que ele implorasse de joelhos, de ponta cabeça, dando estrelinha, pulando, latindo, ou de qualquer outra maneira durante toda a tarde, a Sra. Black não tirou da cabeça a idéia de agradecer à menina por ter meramente livrado seu jardim de ervas perigosas com uma poção ilegal.
Mais uma vez, Sirius teve uma enorme vontade de enfiar a testa na parede e ficar lá com a cara dentro dela como uma das cabeças decepadas dos elfos que se ostentavam na parede do segundo andar.
Emily estava levemente acuada contra a cadeira na hora do jantar, esquiva de qualquer conversa que devesse participar em família, enquanto comiam o terrível pato com laranjas que seu pai tinha tido a idéia de preparar.
"O Black deve ter me achado a maior idiota".
Mas ela não tinha culpa se, durante a sua vida toda, recebera rigorosamente dois tipos de educação.
A primeira, de sua mãe, listava todas as boas maneiras que alguém pudesse ter, coisas importantes como nunca trocar os ponteiros do relógio da sala para confundir o irmão deixando parecer que haviam 40 horas e dois minutos que o papai tinha saído para comprar delícias gasosas e não fazer casinhas de palitos de fósforo trouxa no tapete e depois ascender as pontinhas deles fingindo que eram fadinhas coloridas de natal, porque sempre as fadinhas iam se irritar e tocar fogo na sala de estar.
Essa lista também incluía ajudar as pessoas sempre que achasse que pudesse ajudar, seja lá quem fossem.
A segunda educação vinha de seu pai e era simples: fique longe de famílias que não querem gente como nós por perto.
Ou seja, qualquer família que tivesse atividades suspeitas e implícitas, o que no caso da família Black nem se encaixava, porque, como seu pai mesmo lhe dissera numa ocasião, se há uma família que não vai poupar artifícios ilegais para chegar ao topo, é essa família de gente suja, falsa e imoral.
Tinha sido difícil lembrar disso tudo diante de Sirius, porque ele era muito irritante e estava sempre a fazendo se estressar, mas ao mesmo tempo Emily tinha um prazer selvagem de brigar com ele, parecia.
Mas quando Sirius viera para cima dela com aquele sorriso que fez suas mãos suarem, Emily tinha lembrado de cada palavra de seu pai, e seu coração disparado a avisara que estava em terreno inimigo.
- Ih, pai, parece que a Emily Natasha está apaixonada! - o pirralho do irmão mais novo de Emily soltou de repente, porque provavelmente não agüentava mais enfiar aquele pato duro goela adentro, assim como ela.
- Cala a boca, Eric Johnathas, você nem sabe o que essa palavra significa!
- Eu sei sim, Emily Natasha! Quer dizer que você quer enfiar a língua na garganta de algum garoto qualquer ai, essa coisa nojenta que vocês fazem, argh!
- Eric Johnathas, você que é nojento com esse nariz entupido de meleca de trasgos!
Brigas entre os dois eram tão comuns à mesa que nem a mãe nem o pai de Emily se abalavam mais, pelo menos até o momento em que a comida começasse a virar munição e as paredes área de tiro sem pontaria.
Por isso, os dois deram pulos de cinco metros quando o patriarca da família deu um assustador grito que fez as taças tremerem.
- EMILY NATASHA SUELY FAY, QUE ISSO SIGNIFICA?
Vendo bolinhas pretas na frente dos olhos pelo susto, Emily confusamente reparou um pergaminho escrito de azul alga marinha e uma coruja cinza se equilibrando pomposamente na jarra do suco, que se antes era a coisa mais tragável da mesa, agora era uma sopa de penas e lama.
- Pai, eu não sei do que...
- EMILY NATASHA, EU JÁ NÃO LHE FALEI QUE...!
Com o segundo berro o pergaminho pulou da mão de seu pai e Emily o capturou rapidamente, trazendo-o a frente dos olhos.
Estava dobrado em três partes em forma de envelope e tinha um lacre de selo de cera azul alga marinha na frente, com um brasão ameaçador, e na letra floreada, dizia:
Para Srta. Fay, filha do Sr. e da Sra. Fay,
Correspondência oficial da Linhagem Black.
Emily teve um terrível calafrio.
O jantar foi cancelado. Parte boa para Eric Johnathas e a Sra. Raimunda Graziella Fay, que se livraram do pato-duro-com-gosma-de-laranja, mas nada legal para Emily, que foi obrigada a se sentar no sofá da sala, e assistir o pai rasgar em um milhão de pedaços a Correspondência oficial da Linhagem Black e ainda queima-la na lareira, berrando coisas como "UMA FAMÍLIA TERRÍVEL!", "JÁ LHE DISSE UM MILHÃO DE VEZES...!", "PERDEU O JUÍZO, MEININA!", "SE ENVOLVA COM ELES E VAI SE TORNAR UMA MARGINAL IGUAL", e etc, etc, etc.
Tudo porque tinha descoberto tarde demais que o pó de visgo do diabo tinha acabado em suas prateleiras e tinha ido correndo à loja, e por acaso tinha esbarrado com Sirius Black.
Mais tarde, quando descobriu que sua cabeça não latejava tanto e já podia ouvir os próprios pensamentos, e não os berros de seu furioso pai ecoando em sua mente sã, mas temporariamente em estado grave, ficou pensando que patavinas podia existir naquela carta.
Seria de Sirius? Que droga ele queria, já não a achava maluca o suficiente para uma aproximação segura? Ou seria da família Black dizendo para nunca mais se aproximar de sua propriedade, pois estavam com saudades de ter daninhas no jardim?
Se fez o favor de adormecer, mas infelizmente sonhou coisas estranhas com pessoas estranhas.
Já o nosso caro LTBG Sirius Black, ele tinha feito a pior descoberta do seu dia: seu pai chegaria de viagem em breve, muito breve.
Por sorte, não chegaria em tempo para o grande jantar em família de sábado, dali a dois dias, que afinal seria muito bom, porque mesmo tento Narcisa para encher o saco, Bella estaria à disposição de suas mãos por debaixo da mesa, Andrômeda faria presença com seus comentários inteligentes ele se distrairia um pouco de seus problemáticos problemas.
Mas ainda havia sua mãe e a idéia desequilibrada de convidar a louca de botas de veludo.
Tudo bem, sempre existia o caso da Fay não poder comparecer por dor de dente, ou qualquer coisa parecida, e salvar sua vida mais uma vez.
Ao menos ele esperava que existisse.
LTBG: todo mundo sabe o que significa, né? Lerdo, Tontão, Besta e Gosmentão e... OK! É justamente o contrário!
N/A: Só captem o tamanho desse capítulo, está bem? Só captem! Até eu fiquei assustada! Mas em compensação (que grande compensação!) o próximo capítulo ainda nem foi iniciado, e eu meio que esqueci o que ia por nele... mas vou lembrar, é só uma questão de quantidade de reviews!
Falar no assunto... eu estou TÃO feliz com TODOS que comentaram! Eu pulei tanto, TANTO pela casa quando os vi que teve gente me perguntando se eu estava com alguma síndrome de canguru!
Agradecimentos:
Mah: Olha nóis de novo, Mah! Fico hiper feliz quando alguém diz que adorou meus caps, você nem sabe! É, a Emily tem tudo haver com o Sirius, no sentido de dar um jeito na garanhice dele, isso sim! Rsrs. E se amou os dois juntos, imagine nesse cap, rsrs! Eu me divirto montes escrevendo o diálogo dos dois! Valeu por ir olhar as minhas outras fics! Vi, sim, se depender de mim, vai ter mais da fic, é só o povo comentar! Beijos!
Crystin Malfoy: Ah, Crys, tanks! Aqui está a continuação, então! Já... perfeita? Rsrsrs. Mas atualizada, está sim! Beijus! Ah, e VALEU MUUUUITOOOO por recomendar! Fico feliz que tenha gostando tanto assim!
Bi Radcliffe: Sério que a Crys gostou tanto que te recomendou? Que bom! E melhor ainda que tenha gostado assim como ela, né? Recomenda sim, vai me deixar pulando ainda mais de alegria! E agora já atualizei... falta seu review! Liga naum, eu também sou bastante chantagista... rsrs. Principalmente em matéria de fic! E você viu, Bi? Eu li suas fics e comentei lá! E poxa, atualiza, você também! Ok! Até próximo review!
Lou: Menina má! Eu mal acreditei do tamanho da sua review! Você está tão cruel quanto a Rafinha e suas surpresinhas! Oh, LOU, OBRIGADA POR ESSA REVIEW GIGANTE, TANKS! TANKS! TANKS! Eu ri muito ao escrever esse capítulo também, aliás, eu rio com todos eles, pelas minhas loucuridades! Tá vendo? Tá vendo? Eu tô é ORGULHOSAMENTE ORGULHOSA por ter te feito ler algo que não é D/G! Já action... oh, puxa, eu não sei! A Emily é doidona, se ela resolver agarrar o Sirius de repente, ninguém a segura! Ela é muito extrema, isso sim! Pra não dizer coisa pior... huahuahahh! Mas o Sirius SIM é perfeito e maravilhoso, e lindo, e tudo, e eu não divido! Humpf! Você fica com o loiro aguado meio Black, tá ok? Esse eu libero! E, dona Lou, acabei de descobrir que você está roubando os ataques todos! Mas tudo bem, há justificativas se uma chuva intrometida vier molhar alguma querida bota, e se acaba o chocolate, OH MY GOOD! E eu também me empolguei, respondendo a review... Mas não vou deixar de atualizar não! Quero dizer, a coisa de ter esquecido o que vem no próximo capítulo é sério, mas isso eu invento rapidão! Prometendo muitas loucuridades! E eles vão continuar se encontrando no Largo Grimmauld e adjacências... mas estou refletindo sobre o fato de pôr os marotos aqui, eu não sei se conseguiria escrever o Tiago direitinho, na verdade eu nunca tentei! Te Amo Louzinha! Me diz o que achou desse! Beijos!
Rafinha: Ah, miga, pensei que você estivesse sem tempo de comentar, ué! Mas eu perdôo, hoje estou perdoando é tudo! Melhoras para o seu braço, é claro! Tudo o que eu quero é que ele fique bem bonzinho para você escrever mais um bocado, rsrs! Mas segure o treco para uma horinha mais conveniente! Esses Malfoys... humpf! Tim-tim pra ti também! Kisses for you, I Love You!
Mas podem continuar comentando gigantescamente e indicando minhas fics!
PROPAGANDA: EM BREVE: Anjo de Ópio, protagonizando, Remus Lupin! O enredo é muito interessante, sim! Sim! E leiam também Fragmentos! E as outras, obviamente!
Beijos, e cliquem no inocente e muito útil botãozinho roxo abaixo, vocês bem conhecem ele... e ele prometeu que não engole ponteiros de mouses, mas só hoje!
ass: Ly Anne Black.
