Os personagens e o universo ficcional de One Punch-Man não me pertencem. Eles são propriedade exclusiva de seus criadores. Esta é apenas uma história feita por uma fã e para fãs, sem fins lucrativos.
Estava acabado.
Estava quase desfalecendo e se odiava por isso. No fim ela teve de contar com ajuda, que absurdo! E que decepção isso seria para Blast, não foi ele que dissera a ela para não esperar por ninguém?
Mas no fim eles vieram, o que também foi uma surpresa, por que se importaram? Por que no final ele se importou? Antes de perder completamente os sentidos seu rosto foi o último que cruzou sua mente.
[Alguns dias depois...]
Onde estava? O que havia acontecido? Estava se sentindo pesada, nem conseguia abrir os olhos. Alguém anotou a placa do meteoro que passou por cima de mim?
Tentou se mover, mas seu corpo não obedeceu e isso desencadeou um rápido reflexo. Apesar da falta de sentidos, seu corpo imediatamente se enrijeceu e ela se preparou para explodir qualquer um que se aproximasse, jamais ia permitir que a trancassem de novo em um laboratório, jamais seria um experimento novamente.
Quando estava pronta para liberar e destruir tudo que estivesse ao seu redor a voz de sua irmã ecoou em sua mente:
"Relaxe, você está a salvo"
"Fubuki, afinal o que está havendo? Responda!"
"One-chan respire, respire e procure se lembrar"
Sua mente foi então inundada pelas lembranças dos últimos acontecimentos e ela se sentiu meio zonza e enjoada.
"Calma, respire one-chan, você passou muitos dias inconsciente, e liberou muito poder, você precisa reequilibrar seu corpo com sua mente"
Ah! Era só o que faltava, ela receber conselhos da irmã mais nova! Ela, a mais poderosa heroína da terra, da galáxia!
O mero pensamento e constatação da fraqueza que poderia estar transparecendo foi suficiente para fazê-la tomar o controle novamente sobre si.
Abriu seus olhos, quase ficou cega, mas passou por cima de tudo e se obrigou a sentar. Estava em um quarto de hospital.
Sua irmã sentada ao seu lado demonstrava espanto. Hunf, é isso mesmo, quem você pensa que eu sou?
Fazendo uma nova análise breve do seu estado constatou que sentia como se estivesse passando por uma das piores ressacas da sua vida, fora isso, não havia sinais de feridas ou machucados mais graves em seu corpo.
Ele havia protegido ela com seu próprio corpo. A lembrança veio tão rápido que a fez fechar os olhos novamente, mas que lástima, onde ele estava? Estaria bem? Haveria sobrevivido?
Recordou-se então que não estava sozinha e notou como sua irmã seguia muda. Lembrou-se também de como a havia reconhecido no campo de batalha, ela realmente havia amadurecido.
Um sorriso cruzou brevemente seus lábios antes de seu semblante voltar a ficar sério novamente. Precisava correr, correr e voltar para seu abrigo especial construído por Metal Knight para proteger a Terra.
"Fubuki, a quanto tempo estou desacordada?"
"3 dias"
"Heeee, você ficou me monitorando por 3 dias? Hunf, você está mesmo se fortalecendo."
"One-chan..."
"Não, chega, vou para meu abrigo, já basta de preocupações, quem vocês pensam que eu sou?"
Já demonstrara fraqueza suficiente para uma vida, não iria manchar mais sua reputação.
Imediatamente flutuou de sua cama no hospital, arrancando mentalmente fios e cabos do seu corpo, ao mesmo tempo que se concentrava na cura dos pequenos buracos ocasionados pelas agulhas.
Abriu a janela com certa violência, apesar dos esforços inúteis de sua irmã para mantê-la um pouco mais ali. Sim, ela se fortalecera, mas nem tanto.
Com um aceno breve quebrou a barreira imposta por Fubuki e se lançou no céu em direção a sua casa.
Estava com pouco tempo.
Ele havia finalizado a entrega do seu relatório sobre o ocorrido na batalha contra a Associação de Monstros.
Estava mais uma vez reparado, mais uma vez aperfeiçoado, porém mais frustrado do que nunca!
Não se envergonhava do seu desempenho na batalha contra os monstros, pela primeira vez desde o início de sua jornada na Associação de Heróis e ao lado de seu Sensei havia sentido certo aprimoramento. Mas não era o bastante.
Ainda guardava consigo a orientação de Saitama - Você deve superar suas limitações mentais, se concentrar em objetivos que vão além da força do corpo. Seria possível? Seria realmente essa a chave para ele se aperfeiçoar e chegar perto do seu Sensei?
Enquanto seguia seu caminho com olhar soturno notou uma pequenina mancha negra que despencava pelo céu..., mas o quê?
Sem muito tempo para pensar saltou em direção ao objeto e poucos segundos antes de interceptá-lo foi arremessado para longe...
Parou o movimento e retornou ao ponto em que Tatsumaki voltava a se reequilibrar em seu voo.
"Tatsumaki, meus sensores indicam vários alertas de colapso em seu corpo. O que está fazendo aqui?"
"Ciborgue Ogro, quando dei autorização para você me chamar pelo nome? É Tornado do Terror para você e olha lá, agora saia do meu caminho"
Tentou movê-lo da sua frente, mas seu gesto foi em vão.
"Mas o que..."
Droga, quase desmaiou de novo. Antes que pudesse reagir, porém, um par de mãos frias e metálicas a envolvia e amparava próximo ao corpo robótico.
"Por que não está no hospital?"
"E desde quando eu lhe devo explicações? Vamos, me solte, tenho pouco tempo a perder com seres como você."
"Em seu estado atual duvido que chegue muito longe, se está com tanta pressa corte logo a enrolação e me diga para onde precisa ir, eu a levarei até lá"
"Hunf, você está muito convencido após uma única batalha não acha não?"
Ele só levantou uma sobrancelha, demonstrando um tédio tão grande que ela quase o transformou numa bolinha de sucata. Maldito! Que ódio, ódio, ódio dela mesma e desse infeliz metido a besta que nesse momento estava coberto de razão.
"Vamos, é naquela direção, logo atrás do QG da Associação de Heróis".
Ele rapidamente os deslocou até o ponto que ela indicava.
Usando um pouco de telecinese ela foi mostrando mentalmente a ele o ponto a que se destinavam, seu refúgio era agora o único lugar seguro para ela e o planeta.
"Chegamos".
Ela havia dormido momentaneamente de novo.
Eles estavam parados em frente a uma porta que parecia ocultar uma entrada no subsolo. Tornado colocou a palma sobre um painel eletrônico ao lado e a porta rapidamente se abriu.
Ela estava pronta para sair flutuando novamente e impedir a entrada do metido a besta, mas seu corpo se recusou a responder. Droga!
Genos, vendo que ela não se movia começou a descer a escada que lhes foi revelada ouvindo uma saraivada de reclamações da pequena encrenqueira. Quase a largou na escada, mas seus sensores indicavam vários alertas que o impediam de ignorar Tatsumaki.
Após descerem o que ele calculou uns 5 quilômetros abaixo da superfície uma nova porta apareceu. Parecia uma porta extremamente resistente e maciça.
Tatsumaki novamente abriu a câmara com sua mão sobre o painel ao lado.
Ao cruzar a entrada o Ciborgue Demônio não poderia ter se surpreendido mais. Um belo jardim os recebia, repleto de flores, árvores, plantas e alguns pássaros. Havia ainda um pequeno lago com uma fonte e algumas carpas.
Do teto extremamente alto ele notou o céu da manhã, porém era claro que se tratava de algum painel de vídeo que fazia as vezes de um céu artificial.
No centro desse grande espaço um pequeno chalé amarelo, delicado demais para a personalidade da pessoa que tinha nos braços.
Tatsumaki tentou se mover mais uma vez, trazendo o Ciborgue de volta a si.
"Para onde precisa ir?"
Era visível seu desconforto ao mesmo tempo que parecia já ter desistido de resistir.
"Um pouco mais adiante, dentro do chalé"
Cruzando o jardim e se dirigindo para dentro da casa ela o guiou para o que lhe pareceu a porta do seu quarto.
Achou estranha toda aquela comoção e movimento só para ir até um quarto, porém seus pensamentos foram varridos quando a última porta se abriu.
Ao cruzarem a passagem ele viu um novo corredor e ao fundo uma porta enorme que o lembrou da sala de treinamento da Casa da Evolução.
Chegando nesse espaço Tatsumaki liberou a porta e ele se deparou com uma sala realmente semelhante a que havia encontrado na luta contra a criatura Kabuto.
"Mas afinal o que é isso?"
"He, a última barreira que protege a Terra dos meus poderes."
"Como assim?"
"Não que seja da sua conta Ciborgue intrometido mas, levando em conta seu auxílio vou explicar.
Quando criança ao notarem minhas capacidades telecinéticas mais desenvolvidas que de minha irmã meus pais me venderam para um laboratório.
Não preciso dizer que era um inferno na Terra, não é?
Em prol de satisfazerem suas ambições por conhecimento e poder fui tratada pior que um rato de testes e submetida a diversos estímulos que me levavam ao limite no intuito de desenvolverem minhas capacidades.
Imagino que de certa forma eu deva ser grata aos meus pais e aos agentes do laboratório por minhas capacidades hoje, mas, não é como se eu fosse perdoar o que fizeram comigo.
Bem, de qualquer forma, e por mais que odeie admitir, algumas dessas experiências deixaram marcas, principalmente quando estou desacordada, pois minha mente fica solta e qualquer experiência durante o sono pode ocasionar uma reação incontrolável da minha parte.
Foi assim que o laboratório que me prendia virou poeira na verdade, he.
Quando me juntei a Associação, Metal Knight soube da história e propôs construir um local seguro.
E aqui estamos. Essa sala em particular é suspensa em uma área de vácuo para que, caso haja liberação de minhas capacidades durante o sono, elas não possam se dispersar pelo ar e afetar o espaço ao redor. Está satisfeito?"
"Ainda bem que o Saitama-sensei não está conosco, você usou bem mais que 20 palavras para responder minha pergunta".
Genos é subitamente lançado longe dentro da sala branca.
"Baka, baka, baka! E eu lá me importo com o que aquele careca metido a besta gosta ou não? Bom, já me trouxe até aqui agora pode sair, desapareça da minha frente"
Uma enorme gota desce pela cabeça de Genos e ele só não reagiu as ofensas para com seu Sensei porque percebeu a perda de tempo que isso seria.
Já estava se dirigindo para a saída quando uma súbita onda o lançou para frente seguida do som de um baque no chão que chamou sua atenção.
Tatsumaki estava de joelhos, arfando quase sem ar, um pequeno filete de sangue escorrendo de seu ouvido.
"O que está havendo com você? Por..."
"Cala boca, sai logo daqui, eu preciso ficar sozinha, estou perdendo o controle dos meus poderes, anda, sai logo!"
Ela precisava ficar só, precisava que ele saísse, não queria testemunhas para o seu colapso. Já havia passado por isso antes e poderia enfrentar novamente, só precisava do seu espaço.
Genos não se moveu, alguma coisa em sua atitude, alguma coisa que não conseguia explicar ainda o prendia ali.
Tatsumaki não conseguiu impedir algumas gotas de lágrimas que afloraram em seus olhos, mas que droga, por que ele continuava ali? Por que não a deixava só?
Podia sentir a raiva, a frustração, o desespero, tudo que estava acumulado perfurando sua barreira de controle, logo mais seus poderes iriam correr soltos e loucos e ela nada poderia fazer. Precisava deixar a descarga acontecer para poder se centrar novamente. Era inevitável.
E se ele permanecesse ali provavelmente se tornaria menos que uma esfera de aço com a avalanche de sua força.
No entanto, antes que pudesse esboçar qualquer outra reação para retirá-lo dali um alarme soou e a porta de entrada se fechou subitamente. Toda a sala ficou vermelha e era como se estivessem soltos em meio a um espaço de nada.
Antes que perdesse completamente os sentidos notou que Genos novamente se movia, sentando-se no chão e a puxando para dentro de seus braços frios.
Genos não sabia o motivo que o levou a puxar Tatsumaki novamente para seus braços, esse gesto o deixou tão surpreso quanto a própria Tornado. Foi quase uma ação instintiva, algo que seria impossível em uma máquina, porém que foi evocado de suas entranhas, uma lembrança de antes do massacre, uma lembrança de sua mãe o acolhendo da mesma forma. A quanto tempo ele não acessava essas memórias? Seria algum efeito colateral por estar na presença de alguém com poderes psíquicos?
Antes que pudesse dar continuidade a sua linha de raciocínio Tatsumaki subitamente deu um berro e uma onda de poder se desprendeu de seu corpo.
Suas pupilas estavam brancas, ela estava completamente apagada e seus poderes sem freio.
Genos notou, no entanto, que por estar em contato com ela não estava sendo atingido diretamente por sua força.
O restante da sala, entretanto, era sacudido por violentas ondas de seu poder desenfreado.
Em seu colo, Tatsumaki continuava a berrar, se sacudir e então chorar compulsivamente, era como se todo medo, terror, desespero e raiva tivessem decidido se materializar através dela.
Em sua mente Genos não conseguia conceber a que tipo de horrores Tatsumaki teria sido submetida para gerar tamanha reação. Não pode conter a sensação de ódio que subitamente sentiu pelas pessoas que fizeram isso a ela e se contentou por lembrar que eles haviam conhecido seu fim quando ela teve um descontrole semelhante no passado.
Genos notou então como estava ficando com sono, por mais que tentasse se manter consciente foi subitamente forçado a apagar.
Quando acordou se viu em meio a um espaço branco e sem fim, ao olhar para si notou então que não era mais um robô mas sim um ser humano, com um corpo de carne e ossos, mas afinal o que seria tudo aquilo?
Subitamente um choro chamou sua atenção. Viu então uma garota encolhida em posição fetal um pouco mais adiante. Ao se aproximar notou que ela parecia ser uma Tatsumaki criança.
Novamente se viu realizando movimentos que não pareciam ser seus. Apoiou gentilmente uma mão nos ombros da criança. Tatsumaki criança deu um pulo...
"Não, não, já chega, não me machuque, eu não quero mais treinar. Minha cabeça dói, meu corpo dói, chega, chega..."
"Não estou aqui para treinarmos"
"Mentiroso! Você vai me atacar de surpresa, eu sei, você vai me matar!"
"Pare de chorar! Vamos, veja se parece que vou atacá-la, você consegue ler minha mente, pare com esse drama."
Ela havia parado de chorar e o olhava atentamente.
Ele se arrependia de ter gritado.
Soltando um suspiro e ainda sem entender nada daquilo se sentou no chão.
"Venha, não vou te fazer mal e, por enquanto, parece que essa sala está vazia e ninguém mais virá"
Ainda desconfiada, mas agora sem chorar chibi-Tatsumaki começou a se aproximar cautelosamente.
"Quem é você tio?"
Genos quase caiu, tio? Essa foi demais até para ele.
"cof, eu sou Genos"
"E o que faz aqui?"
"Boa pergunta, mas eu não sei a resposta"
Se sentindo mais à vontade Tatsumaki se sentou a seu lado e o olhou de um jeito estranho. Era um misto de curiosidade e pena.
"Seus pais te venderam para o laboratório também?"
"Não, eu estou aqui porque quis" Genos não tinha muita certeza disso, mas se recordava que havia escolhido ficar ao lado de Tatsumaki durante seu descontrole.
"Por que quis vir para um lugar tão horrível? Eu não aguento mais. Todo dia eles me machucam. Ficam me testando, me furando, fazendo com que eu mate outras criaturas porque se não fizer isso sou eu que irei morrer. Eu não quero mais isso, não quero mais nada disso"
Nisso novas lágrimas surgem em seus olhos, enquanto a pequena Tatsumaki desabafa suas dores.
"Você é mais forte que tudo isso, por mais doloroso que seja você é mais forte que tudo, você dá conta de todos." Diz Genos querendo acalmá-la novamente.
"Mas eu nunca quis nada disso, desde que me enviaram para o laboratório, desde que Blast me salvou eu agora sempre estou sozinha, sempre, sempre. Todos me temem e me odeiam, nem minha irmã se importa mais comigo. Mas é melhor assim, desse jeito eu posso seguir sem me machucar, não quero mais ninguém se aproximando, não quero mais sofrer por ninguém."
Genos não soube o que dizer a isso, seria esse seu destino? Estaria ele caminhando e agindo para a mesma direção?
"Eu estou cansada sabe? Ser sempre a mais forte, a independente, não esperar por ninguém. Eu sinto falta de quando era criança, de quando meus pais cuidavam de mim, de brincar com minha irmã. Naquela época a gente se importava uns com os outros. Meus pais se preocupavam comigo.
Hoje ninguém me enxerga, ninguém é capaz de dizer se eu estou bem ou não.
Sabe tio Genos, eu estou cansada, tão cansada de tudo que muitas vezes eu só quero desaparecer, desvanecer no espaço e não me preocupar com mais nada. Me tornar pó e vagar liberta pelo universo sem fim."
Genos notou que desta vez Tatsumaki estava se aconchegando para dormir, era como se, dessa vez ela tivesse decidido tornar realidade suas palavras.
"Se você seguir por esse caminho vai ser uma covarde, não é? Olha eu sei que você enxerga a vida com esse olhar de dor, mas não é como se ela não tivesse sido boa para você também. Você diz que se sente só, mas o que você fez para mudar essa situação?
Nem você ou eu sabemos o que nos espera além desse mundo ou dessa vida. Pode ser que quando chegar a hora de fato nos tornemos apenas poeira no universo, mas, até lá, você vai mesmo perder a chance de viver o que tem aqui?
Nesta última luta você viu as pessoas aparecerem por você. Sua irmã inclusive demonstrou o quanto se importa e o quanto você não está só. Então, que tal se desprender do passado e procurar seguir adiante a partir dessa nova perspectiva?"
Tatsumaki havia voltado a se sentar conforme Genos dizia essas palavras e agora o olhava atentamente.
"Sabe tio eu não entendi muito bem o que você disse, mas de certa forma você tem razão, sem falar que ouvir você me chamar de covarde me deu nos nervos. Então, pode esperar, vou encarar mais um pouco tudo isso e ver se alcanço essa tal perspectiva."
Genos foi notando então como a sala parecia estar diminuindo, era como se ele estivesse sendo puxado de volta. Enquanto sua visão ia ficando turva novamente a pequena Tatsumaki continuou:
"Tio você continua essa jornada comigo?"
"Eu não sou tio, mas ficarei feliz em me fortalecer cada vez mais ao seu lado"
Antes de perder completamente a visão Genos viu a pequena Tatsumaki sorrir.
Voltando a si Genos notou que estava de volta em seu corpo cibernético. Estranhamente, porém, não conseguia se mover, estava colado ao chão.
A sala ao seu redor havia voltado a ser branca e os sons de sirene haviam cessado.
Quando foi procurar por Tatsumaki, a mesma subitamente apareceu flutuando em sua linha de visão.
"Quem você pensa que é para invadir meu inconsciente? Como você se atreve?"
Genos não pode conter um suspiro impaciente. Não foi como se ele houvesse se jogado lá.
"Você está mesmo insinuando que eu fui capaz de invadir a mente da Tornado do Terror?"
Genos sentiu seu corpo afundar ainda mais no chão.
"Baka, baka, baka! Como se isso fosse possível, um nada como você, vê se te enxerga!"
Genos quase não conteve um sorriso torto, era fácil distraí-la.
Parando subitamente, Tatsumaki perguntou:
"Anda, desembucha, o que aconteceu?"
"O que, a grande Tornado do Terror não sabe o que se passou?"
Dessa vez Genos foi arremessado longe e não fosse pelos novos aprimoramentos que o ajudaram a ativar seus jatos antes do impacto ele estaria arrebentado.
Tatsumaki parou então seus movimentos, embora a explosão dos seus poderes a tivesse ajudado a se reajustar, seu corpo ainda não havia se recuperado plenamente.
Ela precisava mesmo tirá-lo dali agora ou a situação ficaria embaraçosa demais.
O fato era, ao liberar sua força e se permitir extravasar, seu corpo fora inundado com adrenalina e hormônios de euforia, portanto, agora ela estava excitada, muito excitada.
Felizmente ela podia lidar com aquilo sozinha, suas mãos eram suas companheiras fiéis para essas horas.
E por que sozinha? Hora porque ela era muito mais confiável, sabia onde se tocar e o que lhe dava prazer. Já havia perdido a conta dos caras com quem saíra e que nem o básico sabiam, se inspiravam em filmes pornô achando que era só meter fundo e pronto, aff, amadores.
Sem falar que quase matara o último cara, esse sim interessado e comprometido com o prazer da parceira, com a descarga de força que soltou quando estava chegando ao clímax.
Então, melhor confiar em si mesma.
Perdida em devaneios não notou que Genos havia se reaproximado e ao sentir sua presença próxima tomou um susto.
"Qual o seu problema hein? Parece assombração que fica grudado. Vai embora vai, já passou o perigo, já estou em casa, você já cumpriu seu papel de herói de novo, agora me deixa em paz"
Tatsumaki estava se dirigindo a porta para abri-la e deixar ele sair quando o sentiu agarrando seu pulso.
Genos só não foi arremessado novamente porque se aproveitou do elemento surpresa para puxar Tatsumaki em um beijo profundo.
Pega desprevenida e no estado em que estava Tatsumaki apenas se rendeu a carícia, agarrando o ciborgue pelo pescoço. Não entendia nada do que estava se passando ali.
Genos não poderia estar mais confuso também. Desde o ataque a sua cidade e a reconstrução do seu corpo nunca havia sentido quaisquer sentimentos que não ódio, desejo de vingança e justiça. Mesmo com Saitama, as únicas emoções que passou a sentir foram um novo senso de propósito, admiração e respeito.
Desde sua entrada na Associação já havia sido abordado por outras mulheres, recebido milhares de cartas de fãs, mas nada disso evocava a menor reação, por que com essa pequena mulher irritadiça ele agia tão diferente?
Ele não sabia a resposta para essa pergunta. A única coisa que sabia é que momentos antes ele resgatou uma memória perdida de sua juventude, sendo inundado pela lembrança do amor de seus pais e depois, quando voltava a se reaproximar de Tatsumaki seus sensores indicaram seu estado excitado e isso desencadeou uma série de choques em seus circuitos, seria possível que o Dr Kuseno tivesse conseguido imbutir tantos sentidos humanos em seus circuitos robóticos?
Novamente sem muito controle sobre seus atos Genos apenas se viu puxando Tatsumaki para este beijo, ele precisava sentir aqueles lábios, precisava saber como seria essa sensação.
Embora todos esses pensamentos confusos estivessem cruzando a mente de ambos durante o beijo nada os impediu de continuarem agarrados.
Seus movimentos beiravam o puro instinto, praticamente uma resposta hormonal de compatibilidade que, considerando que um dos presentes era um ciborgue, tornava tudo ainda mais estranho.
Parando subitamente o beijo com cada um mergulhando fundo no olhar um do outro ambos pareceram entrar em um acordo tácito. Que se dane tudo, eles iriam aproveitar aquele momento e se entregar ao que estavam sentindo.
Mergulhando em mais um beijo abrasador Genos agarrou e afundou suas mãos no corpo de Tatsumaki conforme ela o envolvia com as pernas.
Uma cama surgiu então em meio a sala branca e Tatsumaki os fez flutuar até lá.
Quando estavam próximos ela apenas liberou seu comando e ambos caíram de lado na cama. Estavam tão enroscados porém, que não se afastaram nem um centímetro.
Genos agora removia apressado o vestido preto de Tatsumaki, os sensores presentes em suas mãos metálicas enviando ondas elétricas por suas interfaces ao ter contato com sua pele, apesar de não ter certeza ele imaginava que não estava sentindo diferente de um corpo humano.
Tatsumaki por sua vez, se entregava cada vez mais as carícias, moldando seu corpo ao do ciborgue, ligeiramente surpresa por não estar sentindo nenhuma dor ou desconforto com suas partes metálicas.
Sua cabeça subitamente pendeu para trás quando Genos tocou seus seios e mamilos. Ele os manipulava com uma mistura inexplicável de leveza e força, sua mão moldando todo seu seio enquanto os dedos excitavam as pontas, deixando-os cada vez mais duros e sensíveis.
Aproveitando o movimento, Genos foi descendo a boca por seu pescoço e colo, distribuindo beijos e mordidas enquanto ia devastando cada vez mais a consciência da pequena tornado. Quando sua boca, chegou então em um dos seios, Tatsumaki não pode conter um gemido ao mesmo tempo que suas pernas se apertavam ainda mais na cintura do loiro.
Mas afinal de onde ele tirava tudo isso? Genos estava se mostrando uma verdadeira caixa de surpresas.
Completamente entregue, as mãos de Tatsumaki pressionavam a cabeça dele de encontro ao seu colo, como se o quisessem prender ali tamanho o prazer que ele lhe proporcionava.
Aproveitando então que agora tinha Tatsumaki abaixo de si e ela o prendia tão firmemente pela cabeça em seus seios, o ciborgue desceu suas mãos pelas costas da psíquica e as afundou em sua bunda carnuda.
De novo por instinto ele começou a movimentar seus quadris, querendo esfregar aquele ponto mais íntimo da mulher em meio as suas pernas.
Tatsumaki soltou um grito. Sentiu uma pressão, uma massagem de algo volumoso em meio as pernas do ciborgue. Seria possível que ele tivesse mesmo tudo o que um homem humano teria?
Antes que pudesse continuar com seus pensamentos mais uma vez ela lançou sua cabeça para traz em um gemido entregue. Genos não interrompia seu assalto aos pequenos seios e uma de suas mãos havia decidido explorar mais a fundo a intimidade molhada entre suas pernas.
Ela ia acabar desfalecendo. Como ele podia saber tão bem onde tocá-la? Quando achava que não poderia melhorar ele encontrou o pequeno botão que estava concentrando muito do seu prazer e o pressionou gentilmente.
A avalanche foi imediata. Todos os estímulos combinados a levaram ao primeiro clímax e seu poder correu solto mais uma vez pela sala. Genos pode sentir o peso súbito, a mudança na pressão ao seu redor ao mesmo tempo que a mulher abaixo de si gritava seu nome e se sacudia em pequenos espamos.
Curiosamente, a descarga de poder de Tatsumaki não o afetou nem um pouco. Como o motivo disso era irrelevante para ambos no momento, Genos apenas optou por dar continuidade a incrível experiência que estava vivendo.
Quando se moveu para mais uma vez estimular a mulher psíquica seu corpo foi paralisado. Tatsumaki envolta em sua aura verde o encarava fixamente.
Com nenhum gesto aparente as roupas do ciborgue foram subitamente rasgadas e jogadas para todos os lados. Seu corpo mecânico agora totalmente exposto para os olhos daquela que o encarava.
Em meio a suas pernas um membro masculino firme e pulsante parecia aguardar ansioso o próximo movimento.
Tatsumaki o olhou com malícia.
Aproximando-se de Genos começou a beijá-lo profundamente, uma mão envolvendo seu pescoço e cabelos puxando-o para si. Colando seu corpo ao dele enquanto o beijava deixou sua mão deslizar pelo tórax de metal e ir se aproximando daquela parte masculina que a chamava.
Quando sua mão o envolveu sentiu o corpo do ciborgue estremecer junto ao seu, a mão dele envolvendo a dela e seus olhos se arregalando como que surpresos com o prazer que estava sentindo.
Essa parte em particular não era metálica, tão pouco era simples borracha. Era uma prótese sintética macia e firme, com pequenas veias que criavam relevos em sua extensão. Tatsumaki não pode conter um gemido apenas ao imaginar a sensação que a fricção disso causaria dentro de si.
Genos pareceu querer conduzir os movimentos de sua mão ao longo de toda sua masculinidade robótica. Parecia querer descobrir junto com ela como era tocar aquela parte de si. E dessa vez foi ele quem tombou sua cabeça e soltou um gemido rouco conforme os movimentos foram sendo acelerados por ela.
Quando estava perto de gozar, porém Genos interrompeu os movimentos de Tatsumaki e tombou por cima dela na cama.
"Dentro de você. Eu quero chegar ao clímax dentro de você".
Tatsumaki se surpreendeu momentaneamente com o movimento de Genos mas apenas o envolveu com suas pernas enquanto ele se ajustava para penetrá-la.
Dedilhando entre suas partes úmidas, se encaixando e começando a se impulsionar para frente, ambos não puderam conter gemidos de prazer.
Senti-lo entrando aos poucos dentro de si, envolvendo-o parte por parte a estava deixando maluca. Ele era forte, firme e suas reentrâncias pareciam querer esmagá-lo e engoli-lo tamanha a força que o iam envolvendo conforme ele a penetrava.
Genos por sua vez estava conhecendo o paraíso, tinha certeza. Estava sentindo aquele calor húmido envolvê-lo ao mesmo tempo que ia sentindo suas carnes pressionarem o seu membro, atraindo-o cada vez mais fundo, convidando-o a mergulhar e se perder naquele corpo feminino.
Quando estavam inteiramente unidos e ele tão fundo quanto poderia seus olhos se cruzaram novamente. Ambos tão entregues, conectados e excitados quanto poderiam naquele momento.
Compartilhando mais um beijo profundo e de total entrega seus corpos sozinhos começaram a se mover, Genos se movimentando cada vez mais rápido como se querendo afundar cada vez mais em cada estocada.
As pernas de Tatsumaki por sua vez o prendiam e apertavam como que imitando os movimentos que suas entranhas faziam enquanto recebiam aquele membro delicioso. Seus quadris respondiam as estocadas de Genos querendo também tê-lo mais fundo dentro de si.
Quando finalmente ambos atingiram a beira do abismo entre realidade e colapso saltaram sem pensar duas vezes, Tatsumaki prendendo-o firme e fundo dentro de si, cruzando e fechando as pernas em sua cintura enquanto Genos enterrava suas mãos naquelas nádegas redondas e carnudas.
Passado algum tempo, Genos foi retomando aos poucos os sentidos. Notou que havia apagado completamente e esmagava agora Tatsumaki abaixo de si.
Um medo cruzou rápido sua espinha ao considerar que poderia tê-la sufocado. Quando foi tentar se levantar, no entanto, Tatsumaki o manteve no lugar com as pernas e braços cruzados ao redor dele.
O alívio que sentiu por saber que ela seguia viva foi rapidamente varrido quando seus sensores acusaram a presença de lágrimas em seu ombro.
Seu rosto ainda estava enterrado no pescoço de Tatsumaki ele não conseguia ver seu rosto. Estava preocupado com a possibilidade de tê-la machucado quando sentiu uma de suas mãos acariciar seus cabelos.
"Eu estou tão feliz e tão satisfeita"
Permitindo então que Genos pudesse se erguer parcialmente ele pode encontrar uma Tatsumaki brilhante e sorridente.
Colocando a mão agora em seu rosto ela disse
"Arigatou Genos. Obrigada pela experiência que compartilhou comigo. Eu não poderia estar mais satisfeita."
A visão dessa Tatsumaki tão radiante e feliz abaixo de si e ainda tendo toda a sensação do que acabaram de compartilhar em sua mente foi como se um raio cruzasse seu corpo.
Seu núcleo de energia brilhou intensamente nesse momento adquirindo uma coloração dourado brilhante. Esse pulso se espalhou por todo seu corpo cibernético e ele sentiu subitamente como se tivesse rompido algum limite autoimposto.
A pequena mulher abaixo de si apenas admirava todo o acontecido e sorria feliz com a transformação que testemunhava.
Era como se antes tivesse diante de si apenas uma casca vazia, um corpo que vagava sozinho. Mas agora recebia um ser que atingira outro nível, que reluzia existência nas partes mecânicas que o compunham. Renascia perante si um Genos com alma.
Agarrando Tatsumaki mais uma vez junto a si Genos a olhou demoradamente antes de dizer
"E eu agradeço por me ajudar a ser mais uma vez inteiro"
Aproveitando então a nova carga de energia agarraram-se mais uma vez.
Todo o resto poderia esperar já que agora ambos finalmente haviam encontrado seu lugar.
Fim.
