PARTE 2
HOJE SOMOS SÓ METADE
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Gotham city. Seis anos antes.
Helena estava servindo mesas.
Ela estava em um jantar beneficente para arrecadar fundos para o atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica organizado por alunos da faculdade de direito. A fundação Wayne fizera uma generosa contribuição, além de arcar com todos os custos da festa, mas Helena não quis tratamento especial por causa disso e ocupou uma das funções na organização da festa, assim como os colegas de turma.
- Aquele é seu irmão? – uma colega de Helena indagou enquanto observavam Dick Grayson que chegava à festa vestindo um smoking que ficava muito bem nele, como sempre. – Ele é muito gato. Ele tem namorada?
- Nem ele sabe. – Helena disse sem dar atenção enquanto preparava uma bandeja de drinks. Era irritante como as suas colegas agiam quando viam seus irmãos, mas ainda era menos ruim do que quando elas babavam pelo seu pai.
- Sua família é incrível. – a garota continuou enquanto observava os pais e os demais irmãos de Helena que chegavam juntos à festa. – São todos tão lindos e em ótima forma física...
- Sim, eles são. – Helena disse já sem paciência, saindo com sua bandeja em direção a seus pais.
Ela caminhou entre as mesas, chegando rápido ao local onde sua família acabara de ser recepcionada pelo reitor da Universidade.
- Champanhe? - Ela ofereceu aos pais que prestaram atenção nela pela primeira vez.
- Você está... – Bruce foi incapaz de terminar a frase.
- Servindo as mesas?
- Eu ia dizer, muito bonita. – Bruce continuou. – Estou orgulhoso.
- Eu fiz muito isso quando era mais jovem. – Selina falou para a filha. – é um ótimo disfarce pra roubar dos ricaços.
Bruce olhou feio para a esposa.
- É uma pena o Jason não estar aqui, mana. – Dick surgiu ao lado dos pais de Helena. – Ele ia te achar uma graça nesse uniforme.
- Você sabe que o Jason é antissocial. – Helena disse um pouco chateada. – Ele disse que não queria vir e eu não vou obrigar ele a isso. Bem, eu preciso trabalhar, aproveitem a festa.
- Não se canse demais. – Bruce falou para a filha, referindo-se a barriga de seis meses de gravidez que apontava sob o uniforme de Helena.
- Não seja superprotetor, meu amor. Ela vai ficar bem, - Selina tranquilizou o marido. – Eu escalei prédios até ela nascer...
- Viu papai? Não tem com o que se preocupar. – Helena deu um beijo rápido nos pais e se afastou.
Ela tinha começado a faculdade naquele ano e já ingressou em meio à polêmica de ser reconhecida como filha de Bruce Wayne e de estar esperando um filho de um dos filhos adotivos de seu pai. Helena buscava blindar-se das polêmicas e mostrar seu valor. Estudava muito e dedicava-se com afinco as atividades da faculdade, mesmo assim, alguns alunos e professores ainda lhe olhavam atravessado, como se ela só estivesse ali porque seu pai era um dos maiores patrocinadores da faculdade.
Helena circulou pelo salão entre esses pensamentos e a chateação por Jason não estar ali. Toda a família estava lá para apoiá-la, mas seu marido lhe dissera em alto e bom som que não estaria ali aquela noite. "esse não é o meu tipo de coisa", ele dissera todas as vezes que ela insistiu.
- Ah, aí está você. - a colega de Helena que babou por Dick Grayson a encontrou. – Estão chamando você nas mesas VIPs.
- Eu não sou daquele setor. – Helena protestou, seu pensamento ainda na negativa do marido.
- Você tem que ir aonde é chamada. – a colega disse em tom desafiador. - Não era você que não queria tratamento especial?
Helena pegou a bandeja quase vazia e foi até o bar.
- Pra onde você quer que eu vá, Rachel? – ela perguntou a colega que estava cuidando do bar.
- Mesa VIP n°12, - A garota de cabelo estaqueado e olhos verdes respondeu colocando um copo sobre a bandeja de Helena. – Vá rápido, pois pediram pressa.
Helena saiu com a bandeja na mão, amaldiçoando o ricaço idiota que a faria atravessar todo o salão até a mesa mais afastada, apenas para servir um copo de whisky.
Sua irritação passou rapidamente e seus olhos brilharam ao reconhecer o ocupante que estava na mesa VIP n°12.
- Você? – ela disse surpresa quando viu Jason sentado sozinho à mesa, olhando-a se aproximar.
- Eu mesmo. – ele deu de ombros sem se levantar. Vestia um smoking tão refinado quanto o de Dick, embora não estivesse de gravata e sua camisa tivesse dois botões abertos.
- Mas... você disse que odiava esse tipo de coisa... – ela disse ainda surpresa.
- Eu odeio. – ele confirmou levantando o olhar para Helena que estava de pé ao lado dele. – Eu também odeio essas pessoas esnobes, essas obrigações sociais e odeio esses drinks ruins. – completou pegando o copo que Helena serviu, tomando um grande gole. – Mas tem algo que eu não odeio: você, princesa. Vocês dois. – falou passando a mão sobre o ventre de Helena.
- Eu amo você. – ela disse pegando na mão dele. – Nem sei como agradecer por isso...
- Você poderia usar essa roupa mais tarde... – ele falou tocando a ponta do avental branco que cobria a saia do uniforme de Helena.
Ela sorriu. Ele nunca perdia uma oportunidade.
- Eu vou pensar no seu caso, – Ela falou beijando os lábios de Jason e pegando o copo vazio sobre a mesa. – mas preciso voltar ao trabalho. Obrigada, baby. Obrigada de verdade.
- De nada. Eu vou sempre estar aqui pra apoiar você, princesa.
- Eu sei.
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E Jason cumpriu sua palavra.
Ele apoiou Helena em tudo que ela se propôs a fazer dali em diante. Durante a época de faculdade, ele tomou para si a responsabilidade de gerenciar a vida deles e cuidar de Terry para que Helena pudesse estudar. Ele procurava participar o máximo possível dos projetos da esposa. Quando Helena participou de uma ação de fraternidade onde as garotas lavavam carros para arrecadar fundos para melhorar a biblioteca da faculdade, Jason levou quase todos os carros da mansão e monopolizou a atenção dela.
Ele sempre esteve por perto.
Em casa, quando Helena tinha pesadelos com Marcondes, Jason sempre a acalmava. Mas o contrário também acontecia. Jason também tinha seus próprios pesadelos, e Helena cuidava dele quando os pesadelos que envolviam uma risada estridente e um pé-de-cabra o assaltavam em noites aleatórias.
Eles cresceram e aprenderam juntos. Conheciam os defeitos e qualidades um do outro, e um fazia do outro uma pessoa melhor. Naqueles seis anos, Helena e Jason tornaram-se amantes, pais e melhores amigos. Eles cuidavam e apoiavam um ao outro.
Talvez por isso, agora que estavam separados, eles se sentissem tão perdidos.
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Era quinta-feira à noite e Jason estava em uma perseguição de carro a alguns homens do Coringa que tentavam contaminar o reservatório de água de Gotham mais uma vez. Enquanto acelerava e atirava pelas ruas, derrubando os capangas das motocicletas que montavam, ele escutou uma chamada em seu celular que era transmitida pelo sistema multimídia do carro. Ele ignorou a chamada, mas o toque insistente continuava, ele olhou de relance o painel do carro e ficou intrigado quando viu quem lhe chamava.
O que o Matt, barman do Sirens, podia querer com ele àquela altura da noite?
Mais por curiosidade do que por qualquer coisa, ele resolveu atender a ligação depois de derrubar os últimos capangas do Coringa de suas motos e ver pelo retrovisor a polícia se aproximando deles para prendê-los.
- E ai, Matt?
- Jay, é bom você dar uma passada aqui no Sirens.
- O que tá rolando?
- Sua mulher tá aqui no bar.
- Helena?
- E você tem outra?
- Não fode, Matt. Eu e Helena não estamos mais juntos. Ela pode fazer o que quiser da vida.
- Eu sei, cara. Mas ela não tá bem. Tá sozinha e tá pedindo uma bebida atrás da outra. Sua garota chama muita atenção e tá cheio de maus elementos aqui com os olhos em cima dela. Você precisa vir aqui, cara. Madame Selina rasga o meu pescoço se alguma coisa acontecer com a filha dela, e a sua garota não quer me escutar...
- Matt, você vai ganhar uma gorjeta bem generosa pra manter ela segura. Estou chegando.
- Pode deixar, Jay.
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Jason acelerou o máximo que pôde e em quinze minutos entregava as chaves do carro para o valet do Sirens.
Logo que entrou, viu Helena sentada junto ao balcão. Matt estava certo, ela chamava muito atenção com os cabelos pretos e longos caindo em cachos pelas costas e as longas pernas cruzadas fazendo subir a saia lápis. Jason quase podia farejar os chacais ao redor da mulher que mexia seu drink sem preocupação alguma.
Jason cumprimentou Matt com um olhar ao se aproximar do balcão, passando algumas cédulas para o barman que se afastou quando ele se sentou ao lado de Helena.
- Oi, - ele falou chamando a atenção da mulher que parecia estar perdida em pensamentos.
- Você? O que você está fazendo aqui? - Helena perguntou ao vê-lo e Jason percebeu aliviado que ela ainda estava muito abaixo do limite alcoólico.
- Fiquei preocupado com você. – ele disse sincero.
- Eu estou bem. – ela o encarou. - Dá o fora daqui.
- Me obrigue.
- Eu não posso obrigar, mas talvez o segurança possa. – ela olhou para o homem do tamanho de um armário postado na entrada do Sirens.
- Ele não vai fazer isso. – Jason respondeu confiante.
- Ah, e por quê?
- Helena, eu sou dono de um terço desse lugar. – ele disse como se fosse óbvio. - Você não lembra? Aliás, você também é, já que tudo que é meu, é seu.
- Ah é, aquela sua ideia louca de investir em quase todos os bares da cidade. – Helena lembrou. – Esqueci que você e a minha mãe estão nessa juntos...
- Uma ideia lucrativa da Selina, sua mãe tem visão... – ele brincou vendo-a mais calma. – Ela diz que tá cheio de gente triste por aí querendo encher a cara toda noite...
- Ela está certa... – Helena divagou. - Como sempre...
- Que tal ir pra casa agora? – ele indagou aproveitando-se que ela estava mais calma.
- Eu não tenho mais uma casa. – ela disse bebendo um gole de seu drink. - Graças a você.
- Princesa... - ele tentou tocar o braço dela.
- Não me chame mais assim! - Helena falou retirando o braço. - E vai embora daqui...
- Eu só vou com você. – ele insistiu.
- Eu pretendo beber a noite inteira. - ela disse levantando o copo como se brindasse.
- Ótimo. – Jason respondeu olhando em volta e levantando a mão. - Matt, um cowboy, por favor.
O barman serviu o drink que Jason sempre pedia.
- Eu também vou beber a noite toda. – ele disse esvaziando o copo de uma vez só. - Vamos ver quem cai primeiro.
Helena o olhou e riu.
- O que é tão engraçado?
Ela suspirou, iria confessar. Ela sempre confessava as coisas para Jason e a bebida a tinha colocado em um humor agradável.
- Eu me sentei aqui e jurei que ia dormir com o primeiro idiota que surgisse do meu lado. – ela confessou. - De todos os homens de Gotham, não imaginei que fosse você... – ela apontou levado o indicador ao peito de Jason.
- Você não precisa dormir comigo, mas acho que deveria ir pra casa... – ele repetiu.
- Eu já disse que não vou! – ela insistiu. - Me deixa aproveitar minha noite em paz!
- Eu não vou deixar você aqui sozinha e vulnerável. – ele falou sério. - Eu não faria isso nem com uma desconhecida, ainda mais com você...
- Talvez com a desconhecida você quisesse dormir, né? – Helena disse sarcástica, finalizando o drink.
- Eu não disse que não queria dormir com você...
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Quando Helena abriu os olhos e sentiu a dor de cabeça lancinante e a náusea da ressaca, ela percebeu que tinha feito besteira. Quando ela sentiu os braços que a envolviam de forma quase possessiva, ela teve certeza de que, sim, ela tinha feito uma grande besteira.
Demorou alguns segundos para perceber onde ela estava, mas logo os flashes da noite anterior iluminaram sua mente e ela lembrou.
Estava no estúdio. Estava na cama que ficava no ponto central do pequeno apartamento. O pequeno apartamento que ela dividiu com Jason quando se conheceram, o apartamento que compraram juntos, a cama que dividiram por muito tempo.
E Jason estava ali com ela.
Talvez não por esses pensamentos, mas pelos exageros alcoólicos da noite anterior, ela precisou se levantar rapidamente, só então observando que vestia uma camiseta de Jason, correu até o pequeno banheiro e agachou-se diante do vaso sanitário onde vomitou tudo o que tinha no estômago, até ele se esvaziar em uma contração dolorosa.
- Você tá bem?
Helena limpou os lábios com a mão e olhou para a porta do banheiro para ver Jason recostado no umbral da porta. Ele tinha os braços cruzados, vestia apenas uma cueca box vermelha e olhava divertido para ela que ainda estava agachada abraçando o vaso sanitário.
- Você já me viu em situações piores. – foi o que ela conseguiu dizer.
- É, eu vi mesmo. – ele pareceu sorrir. – Acho que você precisa de café e algo pra comer.
Ele deu as costas para Helena e deixou-a sozinha no banheiro. Ela aproveitou para levantar e tentar recobrar a dignidade.
Fechou a porta do banheiro e tirou o suéter dele para tomar um banho. O seu corpo era uma mistura do seu próprio perfume, do cheiro de bebida e, mais que tudo, do cheiro de Jason que estava no corpo dela inteiro, e ela quase podia sentir ainda os lábios dele beijando, lambendo, chupando todo o corpo dela. Ela tinha certeza de que ele tinha feito tudo isso na noite anterior, pois lembrava com desgosto que foi ela quem o seduziu e convenceu a fazer tudo isso.
E ela também lembrava que gostou, ah, gostou muito. E lembrava-se de ter expressado isso muito bem.
Sua ressaca moral era bem maior que a física.
De toalha, ela andou até a pequena cozinha. Havia um comprimido e um copo de água sobre o balcão. Ele nunca esquecia.
Agradecida, mas incapaz de articular um agradecimento, ela tomou o analgésico enquanto o cheiro delicioso do banco frito invadia seu olfato. Dando-se por vencida, ela se sentou na pequena mesa de madeira de dois lugares e aguardou ele trazer o café preto exatamente no ponto que ela gostava, e o bacon e os ovos que só ele sabia fazer.
Comeu em silêncio com a fome de alguém que não comia há dias. Ressaca dava fome em Helena e Jason sabia muito bem disso.
Ele sabia tudo sobre ela.
- Obrigada. – ela conseguiu dizer quando terminou a refeição. – Acho que minha alma já voltou pro corpo.
- De nada.
Jason tomava seu café com tranquilidade. O café era preto e forte como o dela, ele aprendeu a apreciar o café desse modo durante os anos em que estiveram juntos.
- Eu não vou voltar com você. – Helena falou após um momento, achando melhor ser direta. – A noite de ontem... você sabe o efeito que você tem sobre mim... mas quando eu lembro do que você fez... – ela se levantou. – Eu não consigo...
- Helena... – Jason falou sem levantar-se, ela virou-se para olhá-lo. - Eu não fiz nada disso pra te fazer voltar comigo. – ele disse tranquilo e sincero. - Eu fiz porque eu sempre vou fazer o meu melhor por você... e pelo Terry. Independentemente de qualquer coisa, você sempre será a mãe do meu filho... e o amor da minha vida.
- Você não tem o direito... – Helena não conseguiu continuar a frase, limpou os olhos e se afastou de Jason.
Que era o pai de seu filho, e que também era o amor de sua vida.
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Helena não foi trabalhar aquele dia. Ela já tinha avisado com antecedência no trabalho, então isso não foi problema.
Ela não conseguia dormir quando estava de ressaca, embora seu corpo sempre ficasse cansado como se ela tivesse passado a noite em claro, então ela passou aquele resto de manhã brincando com Terry e após o almoço ela se arrumou para o compromisso daquela tarde.
O compromisso que lhe atormentava há dias e lhe fizera ter várias crises de ansiedade durante aquelas semanas, foi esse compromisso que lhe impeliu ao ir ao bar na noite anterior e tentar beber para esquecer.
O compromisso de Helena aquela tarde era sua audiência de divórcio.
A dor de cabeça tinha voltado e o tailleur azul royal que ela vestiu para parecer séria diante do juiz, teimava em subir, parecendo curto demais.
Ela entrou na sala audiência e o primeiro rosto que registrou no lugar foi o mesmo rosto que viu ao acordar, o mesmo rosto que via em seu filho todos os dias.
Jason usava uma roupa formal demais, que com certeza, Alfred devia ter escolhido para ele, e estava ao lado de Debra, a advogada que Helena conhecia e gostava, mas que hoje era adversária de Dexter, o advogado dela.
Helena não prestou muita atenção no que era dito. A sala estava quente e abafada e sua dor de cabeça e náusea voltaram, ela evitava olhar para. Em algum momento, ela finalmente conseguiu se concentrar no que a advogada de Jason estava falando.
- O meu cliente cede para a senhora Helena todos os bens adquiridos durante a união. O apartamento duplex em Burnsit, as contas conjuntas e a carteira de investimentos. Solicita apenas a posse do apartamento estúdio no centro.
- A outra parte está de acordo? – a juíza indagou.
- Está. – O advogado de Helena respondeu de pronto.
- Isso não é justo. – Helena falou alto demais.
- Senhorita, pode nos explicar? – a juíza pediu, surpresa com interrupção.
- Já está tudo combinado, Helena. – Dexter falou para sua cliente.
- Não é justo. - Helena se ouviu repetindo alto demais. – Quase tudo isso pertence a ele.
- Mas o senhor Todd lhe ofereceu tudo. – A juíza rebateu impaciente.
- Eu nem sei quais são nossos investimentos, meritíssima.
- Em vinte anos de profissão, é a primeira vez que vejo isso. – a juíza olhou de Helena para Jason. – Meus jovens, vocês realmente querem se separar?
- Meritíssima, não leve em conta o senso de justiça de minha ex-esposa. – Jason falou pela primeira vez. – A divisão é justa, visto que também estou cedendo a guarda do nosso filho e quero que ele esteja bem amparado. Por mim, não há nada mais a ser dito.
Helena olhou boquiaberta para Jason e a juíza bateu o martelo
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- Eu não sei o que fazer.
Helena estava na biblioteca da mansão com Selina e Bárbara Kean. Ela havia chegado da audiência de divórcio, estava sentada na sua poltrona favorita e tinha as mãos sobre a cabeça. Ela nem tocara no chá que Alfred lhe trouxera.
- É a primeira vez que vejo uma mulher desesperada porque o ex-marido deixou tudo pra ela no divórcio. – Bárbara Kean disse tranquilamente enquanto tomava seu chá. - Eu morro e não vejo tudo...
- Eu não sei nada sobre o nosso patrimônio. – Helena disse desanimada. – Foi o Jason quem sempre cuidou de tudo... Tô quase achando que ele fez isso como forma de me castigar.
- Não! Você não vai jogar isso na conta do Jason! – Selina disse exaltada, levantando-se e apontando o dedo para a filha. – Ele te deixou praticamente tudo que ele tinha e que ele batalhou por você e Terry. Seu marido assumiu TODAS as responsabilidades da família para você ir pra Universidade e depois se dedicar totalmente a esse trabalho voluntário na promotoria.
- Meu trabalho não é voluntário, mãe. Eu ganho um salário. – Helena rebateu indignada.
- Você ganha tão pouco que é como se fosse... querida. – Selina disse condescendente. - O seu salário não paga o tailleur e o scarpin de grife que você tá usando. Sabe qual foi o erro do Jason? Ele te mimou demais! Isso te deixou fraca... Cadê aquela garota que voltou pra Gotham dona de si e que se virava sozinha em tudo? Você já viveu sem o Jason, vai aprender a viver de novo. Mas eu não vou aceitar que o culpe por isso...
Um silêncio se abateu sobre o ambiente. Helena não foi capaz de rebater sua mãe. Sentiu-se envergonhada por estar agindo como uma garota mimada.
- Não sei por que vocês estão discutindo por ninharias... – Barbara Kean comentou. – Vocês são Waynes, por favor! Garota, coloque tudo nas mãos do Lucius Fox que ele resolve. Ele administra os bilhões de seu pai, vai saber administrar esses poucos centavos que seu marido lhe deixou...
- Não são poucos, Bárbara. – Helena disse ofendida. – E eu e Jason nunca misturamos nossos negócios com os da família. E eu vou continuar fazendo isso. – ela olhou para Selina. – Você tem razão, mamãe. Eu preciso enfrentar isso como adulta. Eu vou procurar o Lucius, mas para que ele me ensine como cuidar de tudo...
- É o certo, gatinha. – Selina disse orgulhosa. – E sobre todo o resto, você está bem?
- É claro que eu não tô, mãe... – Helena disse com a voz embargada e os olhos cheios de lágrimas.
- Gatinha... – Selina abraçou a filha. – Você precisa ser forte, e a gente vai estar aqui por você...
- Isso mesmo, criança. – Bárbara Kean olhou pesarosa para a garota que chorava abraçada à mãe. – Mas olhe pelo lado bom, você teve a melhor vingança contra um marido infiel, deixou ele sem um centavo... Eu queria ter feito isso com o Gordon quando engravidei, mas ele nunca teve um tostão...
- Bárbara! – Selina censurou a amiga mais velha.
- Que foi? É verdade. Agora seu ex-marido traidor não vai ser tão atraente para aquela stripper com quem ele estava transando.
- Se você acha isso, você não conhece o Jason. – Helena disse mais calma, levantando-se. – Vou procurar o Terry. Preciso do meu filho, com licença.
Helena saiu da biblioteca deixando as duas mulheres sozinhas.
- Ela ainda ama o garoto ressuscitado. – Bárbara constatou quando Helena saiu. – E essa história, minha amiga, ainda está muito longe de acabar...
- Eu sei. – Selina disse pensativa. – Eu entendo sobre ter um relacionamento intenso e complicado. E eu sei que Jason e Helena estão no mesmo patamar que eu e Bruce nessa categoria. Não vai ser um simples divórcio que vai separá-los. Só espero que eles não sofram muito até entenderem isso...
- Ah, suas crianças vão sofrer, querida. E não vai ser pouco não...
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Ainda estava escuro, mas era próximo do amanhecer quando Selina ajudava um Bruce cansado e um pouco machucado a retirar o traje. Estavam no quarto deles, num ritual que eles tinham estabelecido durante os anos juntos. Bruce contava sobre sua noite na cidade e Selina sobre suas próprias aventuras, naquele dia ela estava contando ao marido sobre a audiência de divórcio de seus filhos.
- Então, eles fizeram mesmo? – Bruce indagou sem nenhuma surpresa.
- Sim, está terminado.
- E Helena? Como está?
- Arrasada. – Selina suspirou cansada. - Ela está aqui, está dormindo com Terry. Ele teve febre de novo hoje...
- Vocês chamaram a Lee? – Bruce indagou preocupado.
- Eu liguei pra ela. – Selina explicou. – mas ela disse o que já tinha dito antes, que tudo que ele tem é emocional...
- Eu também tinha essas febres emocionais... – Bruce olhou para longe, lembrando-se de seu eu criança atormentada. – Nós devíamos ter feito alguma coisa...
- Não podíamos fazer nada. – Selina entendeu e pegou a mão do marido. – Eles não deixaram a gente se aproximar, resolveram tudo por conta própria. Crianças tolas...
- No começo, eu não achei que eles não fossem durar... – Bruce disse reflexivo em seus momentos de confissão. – Duas crianças problemáticas, traumatizadas e impulsivas...
- Como nós éramos. – Selina complementou.
- Como nós. – ele repetiu ainda segurando a mão da esposa. – mas depois, eu percebi que eles equilibravam, que faziam bem um pro outro, tinham uma sintonia incomum.
- Novamente, como nós. – ela disse terminando de tirar o peitoral do traje dele.
- Eu não queria que eles terminassem assim...
- Será que Jason vai ficar mesmo com aquela garota?
- Ela foi embora. – Bruce falou sem olhar para Selina. Ela o olhou perplexa.
- Quando?
- Há algumas semanas. – Bruce continuou. – Depois que Helena os flagrou no apartamento.
- E como você sabe disso? – Selina estreitou os olhos.
Bruce ocupou-se em retirar as luvas, sabendo que a conversa tinha tomado um rumo perigoso.
- Jason me procurou. – ele disse ainda sem olhar Selina, mas sabendo que ela estava de pé as costas dele e que provavelmente tinhas as mãos nos quadris e um olhar furioso destinado a ele. – Eu o ajudei a prender os homens que perseguiam a garota, depois a mandamos de volta para o país dela. Ela entrou no programa de proteção à testemunha...
- E você pensou em me contar isso quando? – ela perguntou furiosa.
Bruce virou-se para olhar Selina, não podia evitá-la por mais tempo.
- Jason me pediu segredo. – ele fez uma pausa. – desculpe.
- Combinamos que não haveria segredos entre nós, e estou cumprindo minha parte, embora isso acarrete muitas broncas e sermões que você me dá. – ela disse se aproximando e se agachando ao lado dele. – Você devia fazer o mesmo, mas... você pediu desculpas, então eu acho que esse segredo era importante.
- Era sim. Eu tenho tentado há anos recuperar a confiança do Jason, tem sido um processo longo... – ele disse soturno. – e ah, eu sempre peço desculpas...
- Não pede não, querido. – ela falou como se falasse com uma criança e depois o beijou. – Você é um bastardo insensível na maior parte do tempo. Mas nós te aceitamos e te amamos mesmo assim.
- Que condescendente...
- Você e suas palavras bonitas. – Ela disse sentando-se no colo dele, o lugar onde ela gostava de se empoleirar a maior do tempo em que estavam juntos. – Amanhã eu sairei para patrulhar a cidade. Você precisa de uma pausa. Passe um tempo com Helena, ela está precisando de nós mais do que nunca.
- Tem sido bem mais fácil com vocês por perto. – ele confessou de olhos fechados em quando beijava a têmpora da esposa.
- E você se gabava de trabalhar sozinho... – ela pôs a duas mãos no maxilar dele, trazendo seu olhar para o rosto dela. Beijando-o em seguida.
Só adormeceram muito depois do amanhecer.
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Helena teve que sair apressada do trabalho.
Ela abandonou o promotor Jensen no meio de uma reunião, sem ao menos informar o motivo pelo qual precisava sair.
Dirigiu enlouquecida todo o trajeto, xingando um ou dois caminhoneiros que retardaram sua ultrapassagem perigosa. Helena tinha um repertório extenso de palavrões quando estava ao volante, e era assim desde que Jason a ensinou a dirigir há alguns anos.
Quando desceu do carro no estacionamento, procurava na bolsa as chaves que acabara de tirar da ignição e que não sabia mais onde estavam.
- Merda! – ela resmungou procurando a chave na bolsa cheia de mais.
- Você está ocupando mais de uma vaga.
Helena levantou o olhar surpresa. Jason estacionava a moto ao seu lado.
- O que você está fazendo aqui?
- Provavelmente, o mesmo que você. – ele disse descendo da moto. – A propósito, as chaves devem estar no banco do passageiro, é lá que você sempre larga elas quando tira da ignição.
Helena praguejou e voltou a olhar para dentro do carro, as chaves estavam no lugar que Jason dissera. Quando pegou as chaves, viu que o ex-marido já caminhava em direção ao prédio. Ela apressou-se para segui-lo, não ia deixá-lo chegar primeiro.
Chegaram ao mesmo tempo na sala da diretora Díaz.
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Dez minutos mais tarde, a velha senhora de cabelos brancos já tinha contado aos jovens pais o porquê de terem sido chamados na escola de Terry.
O menino havia batido em um coleguinha. Não só batido, havia perseguido o outro com um brinquedo, antes de desferi-lo várias vezes contra o colega.
- Senhores, eu sou diretora dessa escola há muito tempo. – a diretora explicou. – E não é a primeira vez que tenho esse tipo de problema com os jovens Wayne. Seu pai, - ela olhou para o casal. – já entrou em problemas com colegas aqui. O jovem Damian, nem preciso dizer, levou mais detenções do que qualquer garoto que já tenha frequentado essa escola. Mas Terry é muito mais jovem, é um bebê ainda, não devia ter esse tipo de comportamento. Oriento que procurem ajuda especializada para o garoto, antes que seja tarde.
- Meu filho não é maluco, senhorita Díaz. – Helena disse na defensiva.
- Claro que não é. – a diretora falou com a paciência de quem já conversara com pais raivosos por muitos anos. – Ele só está sofrendo. Sabemos que os senhores se separaram recentemente. Terry entende o que está acontecendo, e isso o afeta.
- Vamos procurar resolver isso, senhorita Díaz. – Jason falou num tom educado que Helena sabia que ele usava para conquistar a confiança de senhoras mais velhas. Sempre funcionava.
- Tenho certeza que sim, senhor Todd. – ela falou levantando-se. – Vou buscar o garoto.
A velha senhora saiu da sala deixando o casal a sós. Um silêncio se instalou entre os dois que estavam sentados lado a lado.
- Isso é tudo é culpa sua! – Helena não se conteve, a raiva e o ressentimento vencendo.
- Não precisa dizer, eu sei muito bem que tenho culpa. – ele respondeu sem olhá-la. – mas você também tem culpa.
- Eu? – Helena elevou um pouco o tom de voz. – Fui eu quem dormiu com outra pessoa e destruiu o nosso casamento?
- Eu não teria dormido com outra se você não estivesse saindo com aquele promotor decadente... – Jason respondeu irritado.
Helena o olhou perplexa, tomada pela indignação.
- Como você ousa me acusar disso?
- Não sou eu quem tá falando, a cidade inteira sabe. – Jason deu de ombros.
- E você passou a acreditar em fofocas de tabloides?
- Eles tinham fotos dessa vez...
Helena suspirou, incapaz de dizer alguma coisa, tomada pela raiva e indignação. Ela se levantou e se aproximou da grande janela que dava para os jardins, queria manter a maior distância possível de Jason.
- Não vai mais dizer nada? – ele a provocou de onde estava.
Jason costumava dizer que Helena era como uma Ferrari, ia de zero a cem em segundos. Isso porque Helena conseguia perder as estribeiras muito rápido quando era provocada. E Jason sabia como provocá-la para fazê-la perder a razão.
E foi o que ele fez naquele momento.
Helena atravessou a pequena sala em passos rápidos, com o dedo indicador em riste apontado para o ex-marido que ainda estava sentado na cadeira em frente à mesa da diretora.
- Não venha me culpar pelos seus erros, seu cara-de-pau!
Helena encarava a face de Jason muito perto, seu rosto estava vermelho e suas narinas mexiam pela respiração acelerada. Ela estava no "modo Ferrari" e normalmente Jason não deixava as coisas chegarem a esse ponto, ou recuava se chegassem, mas aquele dia, ele estava tão irritado quanto sua ex-esposa, uma combinação um pouco perigosa, como seus pais já pontuaram uma vez.
- Você não pode manipular essa situação pra me tornar a culpada! – Ela continuou furiosa.
- Eu não estou fazendo isso. Como foi que você me disse aquele dia? – ele a encarou irônico. – Uma imagem vale mais que palavras. Você estava em um encontro com o promotor Jensen. Aquela imagem foi um fato bem concreto. – ele a parafraseou.
- Foi um mal-entendido.
- Ah, foi? – Jason indagou sarcástico. – Escute, Helena, eu tentei. – ele falou levantando-se e Helena recuou um pouco, diante do tamanho dele. – Eu te procurei, eu pedi perdão, EU IMPLOREI! E você nunca me escutou. Você apenas me acusou e me nomeou por aí como a pior das criaturas. Foi a SUA postura intransigente que nos trouxe até aqui!
- A minha postura intransigente? – Helena rebateu, o rosto mais vermelho e o tom de voz mais alto. – Não foi isso, querido. O que nos trouxe até aqui foi você ser um cretino traidor QUE NÃO DÁ O MÍNIMO PRA SUA FAMÍLIA! – ela gritou.
- EU PAREÇO NÃO DAR O MÍNIMO PRA MINHA FAMÍLIA? – Jason gritou de volta, igualmente furioso. - ONDE VOCÊ ESTAVA QUANDO TERRY PRECISOU? TRANCANDA NO ESCRITÓRIO COM AQUELE PROMOTOR FRACASSADO!
- Senhores...
- AGORA EU SOU A CULPADA? VOCÊ TAMBÉM NÃO ESTAVA LÁ. DEVIA ESTAR MUITO OCUPADO COM SUA NAMORADA. VOCÊ NÃO PASSA DE UM PAI AUSENTE!
- Senhores...
- E VOCÊ ESTÁ SE SAINDO UMA PÉSSIMA MÃE!
- SENHORES!
Jason e Helena se calaram e olharam para a porta do escritório. Alfred estava ali com uma cara muito mais severa do que eles já tinham visto. Terry segurava a mão do mordomo e estava encolhido contra a perna do velho senhor, escondendo o rosto. A diretora Díaz estava parada logo atrás dos dois.
- Terry... – Helena olhou para o menino, mas ele permanecia encolhido próximo ao mordomo.
- Eu levarei mestre Terry de volta a mansão. – Alfred falou muito sério. – Madame Díaz, peço perdão por essa cena lamentável.
A diretora se despediu do mordomo que saiu levando o garotinho que não voltou a olhar para os pais.
Pouco depois, Jason e Helena saíram da escola sem se falar. Ela bateu a porta do carro com força demais no mesmo momento que ele deu partida na motocicleta.
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- O QUE VOCÊS ESTAVAM PENSANDO?
Havia uma ligação de Selina logo que Helena estava de volta ao escritório. Fazia muitos anos que a jovem advogada não era enquadrada daquele jeito pela mãe. Ela sequer teve forças para rebater, seu coração ainda estava apertado pela imagem de Terry com medo, encolhido ao lado de Alfred.
Por fim, Selina pediu que Helena não fosse a mansão aquele dia. Terry não queria vê-la, nem a ela e nem a Jason. Eles estavam desconvidados do lugar até que "aprendessem a se comportar como adultos civilizados" essas foram as exatas palavras de Alfred quando Helena ligou para ele um pouco mais tarde aquele dia.
Helena só conseguiu ver Terry cerca de dois dias depois. O menino tinha tido febre novamente e Dra. Thompkins aconselhou que os pais poderiam ajudá-lo. Helena não recebeu o recado de Alfred, pois estava em uma audiência acompanhando o promotor, um julgamento muito complicado de uma figura que entrara em destaque em Gotham nos últimos anos, o nome dela era Arlequina e ela era a atual namorada do Coringa.
Helena só chegou à mansão mais de três horas após receber a mensagem de Alfred.
- Onde ele está? – ela indagou nervosa ao mordomo quando ele atendeu a porta.
- Lá em cima, madame, mas...
Helena não esperou a resposta do mordomo e subiu as escadas correndo. Abriu a porta do quarto de Terry de uma vez, pronta para colocar o filho em seus braços.
Mas ela não pôde fazer isso, pois Terry dormia naquele momento. E dormia nos braços de Jason que também dormia, relaxado demais para uma cama que mal continha seu tamanho.
Helena já vira aquela cena muitas vezes ao longo dos anos. Sua atitude usual seria tirar os sapatos, se encaixar ao lado dos dois e observá-los até ela própria cair no sono, mas isso não seria possível aquela noite.
Ela saiu do quarto em silêncio e fez o caminho de volta pelo corredor, parando em seu próprio quarto.
Ela entrou no quarto, tomou um banho e rolou pela cama quase a noite toda.
Quando se levantou na manhã seguinte, cansada e dolorida, ela nem sequer trocou de roupas e saiu ainda de camisola em direção ao quarto de Terry.
Encontrou Jason que saía pela porta do quarto. Ele parou ao vê-la.
- Finalmente teve tempo para ver o seu filho? – ele indagou irônico olhando-a de cima abaixo.
- Eu estava aqui desde ontem. – ela se defendeu. – mas você já estava com ele quando cheguei.
- É, eu vim logo que o Al me chamou, diferente de você... – ele provocou ainda olhando-a.
- Eu estava presa no trabalho. - Helena cruzou os braços, irritada com a petulância dele.
- Presa com o promotor de novo? – ele se aproximou mais um passo, ainda olhando-a.
- Isso não é da sua conta.
- Tudo que envolve meu filho é da minha conta e se a mãe dele o abandona pra ficar por aí com o novo namorado dela, isso é da minha conta também...
- Como se você não estivesse por aí com as suas namoradas, não é? – Helena rebateu.
- Você não sabe de nada da minha vida, Helena. – ele falou em um tom mais sério, encarando-a.
- E você não sabe da minha. – ela manteve a postura igualmente séria. - Eu tenho feito tudo que posso pra cuidar do Terry.
- Não parece... – ele desdenhou.
- Se você estivesse mais presente, você veria...
- Eu não estou presente por que você não me quer por aqui...
- Tem razão, eu não quero. E sabe de uma coisa, Jason? Eu e Terry estaríamos bem melhor se você estivesse bem longe daqui. BEM LONGE! – ela quase gritou.
- Se é isso que você quer, Helena. É isso que você terá.
Jason não esperou a ex-esposa responder, saiu rápido pelos corredores e logo estava descendo as escadas da mansão. Enquanto descia, ele digitou no celular um número conhecido. Não demoraram a atender.
- Roy, aquela proposta da Waller ainda está de pé? Diga a ela que eu estou dentro.
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"A gente falava de amor...
Que pena que a nossa voz já se calou
E a cama que dormimos não tem mais calor
Dois estranhos perdidos
Tão perto e distantes do amor"
(Marília Mendonça: Hoje somos só metade - Marília Mendonça Ao vivo, 2016)
