N/A: Alerta de gatilho: pais displicentes. Crepúsculo não me pertence.

Olá! Essa fic faz parte do Projeto One-Shot Oculta, um amigo oculto entre autoras do fandom de Crepúsculo. Confira as regras e todas as participantes na página bit (ponto) ly (barra) POSOffnet

Você também encontra o link diretamente no meu perfil, na aba de Favorite Authors. Essa fanfic é dedicada à minha amiga oculta Thuanny.


— Obrigada — Disse eu, pegando a taça de champagne que me havia sido oferecida.

— Não abuse — Ouvi a voz autoritária que a vida inteira conheci dizer ao meu lado.

Seria engraçado se não fosse simplesmente patética a tentativa de meu pai de tentar parecer se importar. Muito provavelmente ele só estava preocupado com a possibilidade de eu me embebedar e dar um vexame, como minha mãe havia feito na confraternização anual da Swan Technologies há alguns anos.

Deixei uma risada seca escapar – se Charlie Swan me conhecesse, assim como um pai deve conhecer sua filha, ele saberia que a última coisa que eu poderia desejar era ser comparada à minha mãe.

— Tenho vinte e dois anos, pai — Respondi, ouvindo o ar sair de suas narinas com força demais, mas não o suficiente para chamar a atenção de alguém.

— Preciso falar com meus convidados, comporte-se.

A coisa boa sobre meu pai é que ele raramente olhava diretamente para mim, certamente por minha semelhança impressionante com minha mãe que obviamente o incomodava, o que me permitia revirar meus olhos para ele com uma frequência admirável.

Tomei um longo gole, praticamente secando a taça, e me virei. Meus olhos atentos não demoraram para encontrá-lo – Edward estava vestindo um smoking perfeitamente alinhado ao seu corpo, os fios cor de bronze de seu cabelo empurrados para trás formando um topete bagunçado demais para a ocasião, sua barba levemente por fazer e um sorriso no rosto.

Ele estava perfeito, só havia uma coisa errada naquela visão: a loira agarrando-se em seu braço como um macaco-aranha, sorrindo como se tivesse ganhado na loteria. Se eu acreditasse que a leitura de mentes realmente existe, diria que Edward foi dotado com isso, porque enquanto minha mente gritava "o que diabos Lauren Mallory está fazendo aqui?", ele olhou bem nos meus olhos.

Nós nos encaramos por um momento que pareceu uma eternidade, eu poderia facilmente me deixar perder em suas íris verdes deslumbrantes, mas Edward não demonstrou nenhuma emoção naquele breve período de tempo. Essa era a pior parte de tudo isso, se me atrevo a dizer, o fingimento.

O momento acabou assim que Lauren exigiu sua atenção. Para ela, ele sorriu. Para ela, ele disse algo e provavelmente fez alguma piada, ou ela era realmente estúpida e estava rindo sem motivo, apenas para agradá-lo. Observei enquanto ele colocava sua mão grande e firme na base da coluna dela e a conduzia até a mesa. Aquelas mesmas mãos estavam por todo o meu corpo na semana passada, enquanto ele me fodia sobre a mesa de sua sala, me silenciando com um beijo para que o resto do edifício não ouvisse meus gemidos e gritos.

Apenas alguns minutos mais tarde, enquanto eu observava o casal interagir, vi meu pai caminhando em direção a eles. Eu não precisei pensar duas vezes antes de fazer meu caminho até a mesa também. Lauren foi a primeira a me notar e apesar de não sorrir ou me cumprimentar, seu olhar foi o suficiente para fazer com que meu pai e Edward olhassem em minha direção também.

Charlie parecia satisfeito, ele adorava quando eu desempenhava o papel da filha perfeita que se orgulhava do trabalho de seu pai, jogando conversa fora com seus associados, mas eu não estava lá por ele, nunca estive. Edward se levantou de sua cadeira e me cumprimentou, ainda sem demonstrar qualquer emoção.

— Cullen, você já conheceu minha filha, Isabella? — Questionou meu pai, girando o líquido dentro de sua taça e encarando algum ponto qualquer que não o permitisse realmente olhar para mim.

— Sim, eu a conheci — Edward respondeu.

— Na verdade, já nos encontramos algumas vezes — Falei com um sorriso meigo no rosto, finalmente recebendo uma reação de Edward.

Ele rapidamente voltou a olhar para mim, um sinal de alerta faíscando em seus olhos. Meu pai ignorou completamente o que eu havia dito, se é que ao menos havia escutado.

— Falando em filhos, quando terá os seus, Cullen? Você tem que deixar alguns herdeiros neste mundo — Perguntou Charlie.

Se meu pai tivesse tanto talento em cuidar da própria vida como tinha para se meter na vida dos outros, talvez minha mãe não passasse tanto tempo praticando todos os tipos de alongamento possíveis com seu instrutor de yoga. Não que a falta de caráter da minha mãe tenha algo a ver com a falta de noção do meu pai, mas quem sabe?

— Filhos não estão em minha lista de prioridades no momento, Sr. Swan — Edward respondeu.

Meu pai retrucou, mas eu pouco me importei em prestar atenção, meu foco estava na loira com cara de constipação bebericando em sua taça de champagne praticamente seca e me olhando sob os longos fios de cílios postiços. Ela sabia? Eu fortemente suspeitava que sim. Não é possível que ela fosse tão estúpida ao ponto de não ter tido a capacidade de juntar dois mais dois e chegar à conclusão óbvia.

— Oh, eu adoro essa música! Edward, dança comigo? — Perguntou Lauren piscando seus cílios exageradamente.

— Eu tenho algumas qualidades, mas saber dançar não é uma delas. Sinto muito, Lau.

O apelido estúpido não me passou despercebido e eu até poderia ter deixado aquilo me atingir de alguma forma, se eu não soubesse que aquela havia sido uma desculpa esfarrapada de Edward, ele era um ótimo dançarino. Eu sabia pelas vezes em que dançamos sob o som do alto-falante do meu celular, a sala totalmente escura, nada além de nós dois para nos preocuparmos. Ele simplesmente não queria dançar com ela, mas era educado demais para dizer isso.

— Ora, Edward, não sabe que não se deve deixar uma mulher na vontade? — Perguntou meu pai em um tom cheio de duplo sentido e a imagem infernal de Edward não deixando Lauren na vontade quase me fez gorfar — Srta. Mallory, eu lhe acompanho.

Mordi meu lábio inferior tentando conter a risada que tão desesperadamente queria escapar diante a cena. Lauren claramente não tinha o menor interesse em dançar com meu pai, mas não poderia fazer tamanha desfeita. Meu pai estendeu a mão para ela que prontamente a segurou e se levantou de seu lugar, acompanhando-o até a pista onde algumas outras pessoas dançavam a música lenta e absurdamente entediante.

— O que ela está fazendo aqui? — Perguntei à Edward assim que estávamos o mais a sós o possível. Ele respirou fundo e acenou para alguém atrás de mim, logo o garçom estava parado ao meu lado, enchendo a taça de Edward.

— Isso sequer tem álcool? — Resmungou ele após beber do líquido, olhando para sua taça com desgosto.

Edward se sentou novamente e eu fiz o mesmo, ocupando a cadeira ao seu lado. Deixei minha bolsa de mão sobre a mesa.

— Você disse que viria sozinho — Insisti.

Não se engane, eu podia ouvir perfeitamente as palavras que estavam saindo da minha boca e tão perfeitamente quanto, podia perceber meu tom amargo e possessivo. Edward não me devia nada realmente, mas isso pouco importava naquele momento. A ideia de que ele preferia ser visto com ela do que comigo estava me corroendo por dentro.

— Seu pai me fez o grande favor de comentar sobre a festa e minha falta de uma acompanhante na presença dela, e obviamente não se acanhou ao sugerir que minha secretária viesse comigo.

Claro, isso era a cara de Charlie.

— E você a convidou?

— O que você queria que eu fizesse? — Perguntou ele.

— Eu não sei! — Gritei sob minha respiração, baixo o suficiente para que só ele me escutasse, mas sem conseguir realmente controlar minha frustração.

— Eu entendo, tudo bem? — Disse ele aproximando sua mão da minha sob a mesa, seus dedos roçando suavemente nos meus — Eu também não gostaria de te encontrar com outro homem, especialmente depois de você ter me dito que estaria sozinha. Me desculpe, as coisas saíram do meu controle. Mas, Bella, você deveria saber que isso não significa absolutamente nada para mim. Lauren é apenas minha secretária, ela é inofensiva.

— Inofensiva? Claro, o jeito que ela fica jogando os peitos na sua cara e se esfregando em você é totalmente inofensivo.

— Ela não faz isso — Edward respondeu, rindo.

— Ela faz! Na empresa, o tempo todo, ela está sempre com aqueles decotes enormes e totalmente inadequados que ela faz questão de apertar entre os braços para os peitos saltarem bem na frente dos seus olhos — Falei. Ele me olhou incrédulo, arqueando uma sobrancelha para mim como se eu tivesse acabado de falar a coisa mais sem sentido que ele já ouviu — Você realmente não percebe?

— Sabe, eu sou um homem muito ocupado. Quando estou na empresa, dificilmente irei prestar atenção em algo que não esteja relacionado ao meu trabalho. A não ser, é claro, quando você inventa alguma desculpa para aparecer na minha sala.

— Isso é uma reclamação? — Perguntei.

— Nunca — Disse ele, seus dedos se entrelaçando aos meus — Você é sempre bem-vinda à minha sala, Srta. Swan.

Sorri com a maneira como ele se referiu a mim, da mesma forma que costumava me chamar antes de eu convencê-lo de que apenas Bella era o suficiente.

Pensando bem, isso era tudo culpa do meu pai, de verdade. Se ele não tivesse sabotado minha candidatura à Volturi Group e ameaçado fazer o mesmo caso eu tentasse entrar em qualquer outra empresa, então me forçado a aceitar o estágio no departamento de marketing da Swan Tech, eu provavelmente não estaria pensando em beijar Edward na frente de toda aquela festa. Quando Charlie manipulou minha vida para seguir seus planos, ele basicamente me jogou nos braços de Edward – o lindo, inteligente e talentoso diretor do departamento de marketing.

— Você está encarando minha boca — Ouvi Edward dizer, um tom divertido dançando em sua voz. Passei a língua pelos meus lábios, umedecendo-os — Paciência, menina.

— Você pode ir para a minha casa esta noite? — Perguntei, ignorando seu pedido pela minha paciência. Ele balançou sua cabeça, o sorriso em seu rosto desaparecendo.

— Eu tenho um vôo para pegar amanhã cedo. Irei participar do Congresso de Marketing no Canadá, lembra?

Fechei meus olhos e suspirei, assentindo. Agora que ele havia mencionado, pude me lembrar de quando ele me explicou do que se tratava depois que o ouvi falar com Rosalie, minha chefe, sobre alguma conferência que aconteceria em breve.

Rosalie era a segunda no comando do departamento, basicamente a mão direita de Edward, tudo precisava passar por ela antes de chegar nele e ela era a responsável pelo estágio e tudo relacionado a isso. Foi ela quem jogou um monte de documentos e relatórios em meus braços um dia e disse: "Vá, leve isso para o Sr. Cullen, agora mesmo". Aquela foi a primeira vez que o vi.

— Sim, eu me lembro. Quanto tempo você vai ficar lá?

— Uma semana — Disse ele. Minha tentativa de disfarçar minha expressão de frustração deve ter sido péssima, já que imediatamente Edward apertou minha mão em um sinal de conforto — Vai ser rápido, você nem vai notar.

— Eu sempre noto quando você não está por perto.

— Irei te ligar todos os dias.

— Promete?

— Eu prometo, amor — Respondeu ele.

Ficamos em silêncio depois disso, olhando nos olhos um do outro. Eu me deixei afogar em seus olhos verdes esmeralda e rapidamente toda a festa ao nosso redor desapareceu conforme entrávamos em nossa pequena e perfeita bolha, onde ninguém poderia nos tocar. O início de um caso ilícito é empolgante, a emoção de ser pego é muitas vezes excitante. Mas uma vez que se transforma em amor, é extremamente doloroso não poder apenas tocá-lo do jeito que você gostaria de poder, beijá-lo sem se importar com quem está olhando, simplesmente segurar suas mãos.

Eu queria fazer todas essas coisas, eu queria mais do que as pessoas naquela festa soubessem – eu queria que o mundo inteiro fosse testemunha de que Edward Cullen pertencia a mim tanto quanto eu pertencia a ele. Essa era a coisa mais verdadeira de todas, pertencíamos um ao outro. Mesmo que as coisas fossem complicadas, mesmo que ele achasse que nosso amor estava fadado ao fim pela estúpida diferença de idade. Eu não acreditava nisso, não acreditava que devíamos ter um final trágico, e eu não era do tipo que acreditava em finais felizes, mas acreditava no nosso.

— Estou atrapalhando algo? — Ouvi, levei uma fração de segundo para reconhecer a voz e lembrar onde estávamos, tempo suficiente para Edward soltar minha mão.

Antes que eu pudesse responder, ele disse:

— De forma alguma. Onde está Charlie? — Perguntou ele, então Lauren explicou detalhadamente sobre como algum potencial sócio havia os abordado e tomado a atenção de meu pai em uma conversa sobre negócios.

Lauren se sentou à mesa e um clima desconfortável se instaurou. Era isso, todas as vezes. Com alguém por perto, eu nunca sabia o que poderia falar ou fazer que acabaria nos denunciando. Eu tinha plena certeza de que Lauren, com toda sua sonsice, sabia perfeitamente o que eu tanto ia fazer na sala de Edward, mas qual era a extensão disso para ela? Ela achava que era apenas um caso sem importância? A filha mimada do dono da empresa trepando com o diretor de um dos departamentos para provocar a fúria do pai? Ou talvez apenas um homem experiente se aproveitando de uma mulher dez anos mais nova?

Poderia ela saber o que eu senti quando ela anunciou que eu poderia entrar no escritório dele? Como meu coração bateu no meu peito quando ele se virou das grandes janelas de vidro, da incrível paisagem de Seattle, e olhou para mim? Ela viu quando me perdi na floresta que eram seus olhos verdes? Ela sabia que eu não queria ser encontrada?

Eu me lembrava muito bem, como se fosse ontem. A maneira como ele arqueou a sobrancelha como quem pergunta "quem é você?". Ele estava esperando por Rosalie, isso eu sabia, mas ela não queria arrastar sua bunda grávida para o outro lado do andar e me mandou em seu lugar. Permaneci parada, como uma presa sob o olhar atento de seu predador, incapaz de me mover.

Posso ajudá-la em algo? — Perguntou ele.

Certo, eu não podia simplesmente ficar plantada ali admirando os ângulos perfeitos do rosto dele. Respirei fundo e andei em sua direção. A postura impecável, cada passo sendo marcado pelo som do salto batendo contra o chão. Parei diante de Edward e sorri.

A Sra. McCarty pediu que eu trouxesse esses documentos para o senhor. Eles precisam ser assinados — Falei, então estendi os documentos para ele que prontamente os pegou.

Edward olhou para os papéis em suas mãos e assentiu.

Diga à ela que irei lê-los e os assinarei o mais breve possível, por favor.

É claro, Sr. Cullen.

Seus olhos ainda estavam nos papéis e eu tive a impressão de que ele já estava lendo a primeira página ali mesmo. Me preparei para sair da sala, não queria atrapalhá-lo, mas então Edward perguntou:

Qual o seu nome?

Bella, Isabella Swan. Mas todo mundo me chama de Bella, então… Bella — Quis me bater por ter começado a tagarelar, mas Edward não pareceu se incomodar com isso.

Bella — Ele repetiu baixinho, então sorriu — Obrigado por trazer os documentos, Srta. Swan.

Eu poderia repetir aquele primeiro momento infinitamente em minha cabeça, e o tempo todo pareceria que realmente o estava revivendo. Borboletas não eram suficientes para descrever o que eu estava sentindo na boca do estômago, era mais como o maldito zoológico inteiro. Eu olhei para cima e percebi que Edward estava olhando para mim, um meio sorriso dançando em seus lábios. Eu senti o calor queimando meu rosto.

— É adorável como suas bochechas ficam vermelhas — Disse ele e eu tinha certeza que meu rosto explodiria a qualquer momento.

— Pare com isso — Falei — Ei, cadê a Lauren?

Ela não estava em lugar nenhum para ser encontrada. Edward riu controladamente.

— Ela foi ao banheiro. Na verdade, ela falou com você antes disso e você não respondeu, tenho certeza de que ela acha que você a odeia agora.

— Bem, ela não está errada. Que porra ela falou comigo?

— Não seja maldosa, eu sei que você não é assim. Ela queria saber se você está gostando da festa... Você estava sonhando acordada ou algo assim?

— Algo assim — Respondi — Essa festa está um porre.

— Eu sei, felizmente eu estou indo embora.

— O que? — Perguntei.

— Tenho que acordar cedo amanhã, é a desculpa perfeita — Disse ele, dando de ombros — Assim que Lauren voltar, nós iremos embora.

— Juntos?

— Eu a trouxe, a levarei para casa — Abri a boca para protestar, mas ele continuou — A deixarei na casa dela, então irei para a minha. Sozinho. Você confia em mim?

— Sim, sinto muito, não consigo evitar sentir inveja. Eu gostaria de poder ir para casa também... Com você de preferência.

— Eu posso levar você também.

— Mesmo? Meu pai vai ficar tão bravo comigo indo embora tão cedo... Sim, totalmente, vou aceitar a carona — Falei, Edward riu e olhou para um ponto além de mim.

Não precisei me virar, meio segundo depois Lauren surgiu em meu campo de visão.

— Vamos? — Disse ela, olhando para Edward. Ele assentiu.

— Sim, a Srta. Swan irá conosco.

— Oh. O Sr. Swan não ficará chateado com você indo embora tão cedo? — Perguntou ela em um tom excessivamente gentil, quis revirar meus olhos.

Talvez eu estivesse apenas sendo uma vadia ciumenta, mas e daí? Eu nunca disse que sou uma pessoa agradável.

— Não estou me sentindo muito bem, meu pai entenderá. E tenho certeza de que ele prefere que eu vá acompanhada pelo Sr. Cullen do que pegue um táxi.

— Claro — Lauren respondeu e eu praticamente pude ver a decepção em seu rosto.

Edward se levantou e estendeu a mão para que eu me levantasse também. Por mim, iríamos embora sem nos despedirmos de ninguém, mas Edward quis falar pelo menos com meu pai e eu não retruquei porque Lauren estava bem ao nosso lado.

Fomos até Charlie e, obviamente, ele fez uma cena sobre eu estar indo embora tão cedo, mas pelo menos fingiu comprar minha desculpa sobre estar indisposta e agradeceu Edward por me acompanhar até minha casa. Eu certamente iria ouvir sobre isso, provavelmente algum comentário hipócrita sobre eu não me importar suficientemente com ele ou com o legado da empresa de nossa família para ficar naquela festa por mais de uma hora. Tanto faz.

Edward, Lauren e eu caminhamos em silêncio para fora do salão, então pelos corredores até alcançarmos o elevador. Quando as portas do mesmo se abriram, Edward gesticulou para que a loira e eu entrássemos primeiro, entrando logo em seguida. Ele apertou o botão que faria o elevador nos levar até o estacionamento subterrâneo e nós três ficamos em silêncio enquanto a grande caixa de metal descia pelos incontáveis andares.

No posicionamento que assumimos, Lauren estava do meu lado direito e Edward no esquerdo, e eventualmente eu pude sentir seus dedos roçando suavemente nos meus. Arrisquei um olhar de canto para ele e o encontrei encarando as portas fechadas, nenhuma expressão em seu rosto. Eu sempre me perguntava o que ele estava pensando em momentos como aquele e uma parte de mim morria de medo da possível resposta.

Ao chegarmos no estacionamento, caminhamos até o carro de Edward – um Volvo S90 prata, reluzindo impecavelmente – e ele abriu as portas de trás para que tanto Lauren quanto eu entrássemos. Após estarmos devidamente acomodadas no banco traseiro do veículo, ele foi até a porta do motorista e entrou. As únicas palavras que foram ouvidas nesse meio tempo foram os agradecimentos que Lauren e eu fizemos pela gentileza de Edward em abrir as portas. Nós estávamos passando pela 5ª Avenida quando eu disse:

— Esse silêncio está me matando, você pode colocar alguma música?

Os olhos de Edward encontraram os meus pelo retrovisor e eu sorri para ele, não me importei em verificar qual tinha sido a reação de Lauren. Ele assentiu e ligou o som do carro.

A voz de Abel me pegou desprevenida, ele era um dos meus cantores favoritos e Edward jamais havia ouvido uma música sequer dele, até eu lhe apresentar The Hills. Era exatamente a música que estava tocando. Quando olhei para Edward, notei suas bochechas coradas e não pude evitar o sorriso genuíno que tomou meus lábios.

— Você tem um ótimo gosto musical, Sr. Cullen.

— Obrigado — A voz de Edward estava praticamente inaudível quando ele me respondeu.

Novamente o silêncio se instaurou, mas dessa vez tínhamos The Weeknd tocando de fundo e eu me perdi prestando atenção na letra das músicas enquanto seguíamos o caminho até a casa de Lauren. Não demorou para que chegássemos lá.

Edward estacionou seu carro e Lauren se despediu de mim, sem realmente se dar ao trabalho de olhar em minha direção, antes de sair pela porta que ele havia aberto. Olhei pela janela e, sem sequer perceber, comecei a analisar a casa diante de mim. Não era muito luxuosa e seguia o mesmo padrão das casas vizinhas. Era uma casa suburbana muito normal, pra falar a verdade, mas muito bonita também, com um jardim verde salpicado de pequenas flores que eu não sabia o nome. Tinha uma bicicleta na varanda, um balanço e uma grande árvore que caberia perfeitamente uma casa na árvore. Eu podia ver a luz lá dentro e também podia ouvir risadas. O que pensei ao olhar para aquilo tudo é que a casa dela parecia um lar... Algo que eu nunca tive.

Enquanto eu observava, vi a porta da frente se abrindo e uma pequena criatura passar correndo direto para os braços de Lauren. O pequeno ser era na verdade uma garotinha, com longos cabelos negros como a noite. Lauren cobriu o rosto da menina com beijos e elas se abraçaram antes que a menina finalmente percebesse que havia mais alguém ali.

Ela acenou para Edward, parecendo tímida, e ele disse algo que a fez dar o sorriso mais incrível de todos. Eu me peguei sorrindo também. Aí estava algo que eu não sabia sobre ele, Edward era bom com crianças, aparentemente. Eles conversaram um pouco, então ele se despediu e começou a andar em minha direção, mas eu não estava olhando para ele – estava observando Lauren observando-o até ela entrar em casa.

— O que você está fazendo? — Perguntou ele, me virei em sua direção.

Eu sequer havia notado que Edward já estava dentro do carro, colocando seu cinto de segurança.

— Quem é ela? — Não pensei em elaborar minha pergunta e felizmente Edward não precisou de mais uma palavra sequer para entender.

— Oh, aquela é a Angie, filha da Lauren — Disse ele despreocupadamente.

— Pareceu que você já a conhecia.

— É porque eu já a conhecia. Às vezes Lauren precisa levá-la para o trabalho, quando sua mãe está doente ou algo assim e não pode ficar com a menina. Porém, faz algum tempo que isso não acontece.

— Ah…

Aquilo explicava porque eu nunca havia visto a menina no escritório, eu só havia começado a ir até a sala de Edward há alguns meses e não era algo diário, então se fazia um tempo que Lauren não levava a filha para o trabalho… Bem, apenas fazia sentido. Engraçado, eu nunca havia pensado em Lauren como mãe. Naquele momento, comecei a me perguntar se ela havia se interessado por Edward após vê-lo interagir com Angie, acreditando que ele poderia ser um bom "material" para um pai, ou se o interesse já existia antes disso.

— Ei, porque você não vem se sentar ao meu lado? — Perguntou Edward, olhando pelo retrovisor. O carro já estava em movimento.

Retirei o cinto de segurança e passei entre os dois bancos da frente para me sentar no carona, tomando cuidado para não tropeçar na saia longa do vestido. Quando eu já estava devidamente sentada e com o cinto de segurança colocado, Edward estendeu a mão direita para mim e eu a segurei.

— Você tem escutado as músicas que eu te indiquei — Falei. Edward sorriu, seu rosto ganhou novamente um tom rosado.

— São boas músicas.

— Eu tenho um bom gosto, não só para música… — O tom provocador e cheio de segundas intenções que usei não foram coincidência.

Edward apertou minha mão na sua e mordeu o lábio inferior, segurando um sorriso e encarando a estrada à sua frente.

— Ah, é mesmo? E no que mais você tem bom gosto?

— Hm, você sabe… Livros, filmes, comida, roupas, até mesmo sapatos… Homens…

Homens? No plural? — Ele olhou rapidamente para mim, seus olhos semicerrados e sem qualquer vestígio de diversão. Eu gargalhei.

— Claro, e mulheres também.

— Bella… — Ele praticamente rosnou meu nome.

— O que? Eu não posso achar outras pessoas atraentes? Eu sei apreciar a beleza quando vejo.

— Desde que você não faça mais do que apenas admirar, sim, claro que pode.

— Você por acaso está com ciúmes de mim, Sr. Cullen? — Perguntei divertida, mas quase senti meu coração parar com a resposta de Edward.

— É claro que estou, você é minha.

Eu não sabia o que responder então apenas fiquei encarando-o, boquiaberta como uma idiota. Um batimento cardíaco depois, Edward olhou para mim pelo canto do olho, parecendo apavorado.

— Q-quero dizer, obviamente você não é minha, minha, afinal você não é um objeto e eu não sou seu dono, eu só quis dizer... Sabe Tipo, e-eu não…

Continuei encarando Edward, totalmente sem reação. Nunca o vi, ou sequer imaginei um dia ver, gaguejar daquela forma. Edward estava sempre tão calmo e centrado, tão seguro de si. Ele era confiante, não o tipo de pessoa que fica balbuciando, com sua boca abrindo e fechando descontroladamente como a de um peixe fora d'água.

— Eu sinto muito, muito mesmo, Bella. Eu não deveria… Não deveria ter dito isso.

— Está tudo bem, Edward — Finalmente consegui dizer, ele me olhou intrigado.

— De verdade? — Perguntou, assenti — Eu não quis insinuar que você é minha propriedade. Você é uma mulher livre, eu só…

— Eu sou sua — Disse eu.

Eu era dele, simples assim. Eu não era sua namorada ou esposa, mas era sua da forma mais primitiva e verdadeira. Eu pertencia a ele. Eu o amava. Eu queria ele e mais ninguém. Eu não estava esperando uma resposta, mas ele disse:

— Eu sou seu também, sabe? — Seu tom era descontraído e ele estava novamente prestando atenção no trânsito.

E eu sabia.

Não demorou muito para ele estacionar do lado de fora do meu prédio. E assim que o ronronar suave do Volvo parou completamente, eu pude sentir a tristeza se instalando em meu peito. Eu já estava com saudades dele.

— Não faça essa cara, menina, é tão injusto.

— Eu não posso evitar.

— Ouvi dizer que Rose tem muito trabalho para você essa semana, você nem vai ter tempo de sentir minha falta.

— Isso era para me animar? — Perguntei, rindo de sua tentativa idiota — De qualquer forma, sempre encontro tempo para sentir sua falta.

— Você é multitarefa, por isso é minha estagiária favorita.

— Oh, porque eu consigo fazer meu trabalho muito bem e pago um boquete incrível?

— Quando você coloca assim, soa como se eu estivesse assediando você sexualmente — Disse ele, fazendo uma careta.

— Me desculpa — Falei, então completei: — É por isso que você quer manter segredo? Você tem medo que as pessoas pensem que você está me assediando, usando sua posição para me obrigar a ficar com você ou algo assim?

Edward balançou a cabeça, negando.

— Não ligo para o que vão falar de mim, mas me importo muito com o que vão falar de você.

— Eu não ligo que falem de mim — Comecei a protestar, mas ele me interrompeu.

— Mas eu me importo. Não vou permitir que façam insinuações sobre você. E, além disso, ainda tem o seu pai.

— O que tem o meu pai?

— Charlie é o único o qual a opinião sobre mim importa dentro daquela empresa, além de você. Ele pode não só me demitir, mas também acabar com a minha carreira. Eu não nasci em berço de ouro, Bella, tive que comer o pão que o diabo amassou para chegar onde estou e… — Ele se interrompeu.

— E o que? — Perguntei, mas não precisei que Edward dissesse qualquer coisa à mais, estava tudo estampado em seus olhos — Você não pode arriscar tudo o que conquistou por algo que não sabe se vai dar certo.

— Sim — Disse Edward, aproximando-se de mim — No entanto, eu realmente quero que isso dê certo.

Ele acariciou meu rosto e eu inclinei a cabeça em direção ao toque dele, fechando meus olhos.

— Eu realmente quero isso também.

— Você é tão linda — Ele sussurrou, abri meus olhos. Edward estava me encarando com uma adoração que me deixou sem ar — Eu poderia olhar para você a minha vida inteira.

— Você pode fazer isso, se quiser — Eu disse, ele riu e esfregou o nariz no meu.

Um gesto tão gentil e inocente, e eu estava em chamas. Eu não conseguia nem pensar direito quando estava tão perto dele.

— Você tem um cheiro delicioso também — Disse Edward, usando o nariz para traçar uma linha imaginária do meu nariz à minha bochecha, depois ao meu pescoço.

Eu podia senti-lo inalar contra minha pele, fazendo-a se arrepiar. Fechei meus olhos, apenas aproveitando todas as sensações que ele me causava.

— Isso não é justo, você está me provocando.

— Não era isso que você pretendia fazer comigo? — Perguntou — Não foi por isso que você escolheu esse maldito vestido?

Eu poderia ter ficado envergonhada se meu corpo não estivesse tão ocupado sentindo tesão. Ele não estava enganado, de qualquer forma, realmente escolhi o vestido preto longo com uma fenda indecente que terminava na altura do meu quadril de um lado, com um profundo decote em V e as costas abertas pensando nele.

Quer dizer, o vestido era lindo e fazia o meu estilo, mas definitivamente o fato de que Edward havia elogiado minhas pernas incontáveis vezes nos meses em que estávamos, de certa forma, juntos, definitivamente havia influenciado minha escolha. Ele amava minhas pernas, principalmente quando elas estavam em torno de sua cabeça ou dobradas, com meus joelhos em meus ombros.

— Talvez — Falei com o pouquíssimo fôlego que ainda me restava enquanto Edward distribuía beijos em meu pescoço — Sei o quanto você gosta das minhas pernas, achei que você fosse ficar feliz em vê-las.

— Eu estou muito feliz.

Pude sentir sua mão deslizando sobre a pele exposta da minha perna, seus dedos suavemente se afundando em minha carne, apertando. Edward voltou a aproximar o rosto do meu, sua barba roçou contra a pele do meu rosto antes de eu sentir seus lábios colidindo contra os meus. Ele agarrou minha nuca, puxando meu rosto para ainda mais perto do seu, e me beijou suavemente. Eu amava o gosto de sua boca, uma mistura doce e refrescante, a combinação perfeita, totalmente viciante para mim.

Edward não se apressou e o beijo não foi tão desesperado quanto a maioria dos que trocamos ao longo dos últimos meses, mas foi tão bom quanto qualquer outro. Eu me senti como se estivesse flutuando, como se a gravidade tivesse deixado de existir e nada além do toque dos lábios de Edward estivesse mantendo presa à Terra. Que estranha alquimia era aquela, como o toque de lábios podia ser muito mais que o toque dos dedos?

Cedo demais, seus lábios deixaram os meus. A boca de Edward estava inchada e vermelha, implorando para eu beijá-lo ainda mais – o que eu fiz. Foi apenas um selinho muito lento, já que Edward não deixou as coisas evoluírem a partir dali.

— Devemos parar agora — Disse ele, sem fôlego.

— Por que? — Perguntei.

Edward olhou para baixo, para o ponto entre suas pernas, e eu olhei para lá também, percebendo a protuberância.

— Então? Esse é apenas mais um motivo para continuar… — Falei, Edward riu.

— Tem pessoas passando na rua, amor.

— Os vidros do seu carro são pretos como breu, Edward, ninguém vai ver nada. E eu posso ficar quietinha — Sugeri, sorrindo meigamente. Ele mordeu o lábio inferior e balançou a cabeça.

— Você está longe de ser do tipo que fica quietinha.

— Mas você tem jeitos ótimos de me fazer ficar quieta…

— Realmente tenho — Disse ele, sorrindo pretensiosamente para mim — Mas, de qualquer forma, acho que não tenho camisinhas comigo agora. Preciso comprar mais, eu nunca ficava sem antes de te conhecer.

— Ew, para! Eu não quero pensar em como você usava camisinha antes de me conhecer.

Edward arqueou uma sobrancelha para mim, me olhando como se eu fosse uma pessoa insana.

— O que? — Perguntei.

— Nada, querida. Eu obviamente era virgem antes de te conhecer e você me deflorou… Sobre minha mesa… Na minha cadeira e contra a parede também. Você me deflorou de várias formas aquele dia… — Edward concluiu sua fala em tom saudoso.

— Você é tão irritante.

— E mesmo assim você ainda gosta de mim.

— Você está delirando, Sr. Cullen.

— Ah, é? — Perguntou ele, parecendo ofendido — Então você não gosta de mim, Srta. Swan?

— Não — Respondi, precisando me conter para não rir da carinha emburrada fofa de Edward — Eu te amo.

Ele revirou os olhos, mas não conseguiu evitar a risada que escapou pelo seu nariz.

— Eu também te amo, minha menina.

Edward se inclinou em minha direção e beijou minha testa. O beijo deveria ser rápido, mas os lábios de Edward pareceram se recusar a se afastar da minha pele por um tempo longo demais. Quando ele finalmente se afastou o suficiente para que eu pudesse ver seu rosto, Edward suspirou antes de dizer:

— Tenho que rir, meu vôo é às 6h.

— Então, você estará em Montreal por volta das 14h?

— Espero que sim. Então, vou dormir o dia inteiro, acordar para um bom jantar e dormir de novo. O dia seguinte será um inferno.

— Você não vai se preparar para sua apresentação?

— Bella, eu já fiz isso. Não há mais nada para me preparar. Só preciso ir lá e apresentar minhas ideias.

— Você é tão autoconfiante que me irrita, sabe? — Falei, ele riu.

— Vou considerar isso um elogio, ok? — Fiz uma pequena careta em resposta.

— O que quer que te faça dormir em paz à noite, bonitão — Falei — Avise-me quando sair de casa e quando chegar a Montreal, ok?

— Sim, senhora. Boa noite.

— Boa noite, amor.

Com um último beijo de despedida, saí do carro e Edward esperou até que eu estivesse dentro do saguão de entrada do prédio para ir embora.

— Boa noite, Srta. Swan — Ouvi ao passar pela recepção.

— Oh, olá Ben, boa noite. Eu já não te disse para me chamar apenas de Bella? — Perguntei.

O homem parecia envergonhado, me senti mal por ele. Não era minha intenção deixá-lo desconfortável de forma alguma. Na verdade, minha intenção era exatamente o contrário disso. Ele havia sido tão legal comigo desde o meu primeiro dia naquele edifício, mas parecia um grande sacrifício para ele me chamar pelo meu apelido.

— Perdão, senhorita… Digo, Bella. Teve uma noite agradável?

— Parte dela foi muito agradável, sim. E a sua?

— O mesmo de sempre.

Conversamos um pouco por um momento. Ben me contou sobre sua filha mais nova, ela tinha acabado de fazer dez anos e interpretou o príncipe da Cinderela em uma peça da escola. Perguntei-lhe se o papel havia sido uma escolha dela e ele disse que sim, com um orgulho avassalador. Eu senti que gostaria muito de conhecer aquela garota.

Não sei se foi a minha conversa com Ben e a maneira como ele falou sobre sua filha, ou o momento anterior na casa de Lauren, ou ambos. Mas quando entrei em meu apartamento e acendi as luzes, me senti vazia. Eu me perguntei como seria entrar em um lar de verdade e encontrar uma família real e saudável. Eu me perguntei o quão diferente eu poderia ser se minha mãe me amasse do jeito que eu pude ver que Lauren amava sua filha, ou caso não se arrependesse do dia em que ela engravidou. Eu me perguntei se faria diferença se, mesmo que minha mãe se arrependesse por ter engravidado, meu pai tivesse mostrado tanto amor e orgulho por mim quanto Ben mostrou para sua filha uma vez sequer. Eu me perguntei e me perguntei e, no final, concluí que ficar me perguntando essas coisas não me levaria a lugar nenhum. Então fui encher a banheira para tomar um banho merecidamente demorado.

E daí se minha mãe só engravidou porque meu pai queria ter um herdeiro e ela pensou que talvez fosse isso que o faria tratá-la mais uma vez como costumava fazer quando eles eram namorados? E daí que isso não funcionou e mesmo que meu pai tenha ficado feliz com a notícia de um filho a caminho, ele nunca colocou a família acima do trabalho? E daí que minha mãe nunca pôde me amar de verdade? E daí que eu cresci em uma casa quase vazia, sendo criada por babás, sem nunca ouvir meus pais lendo um conto de fadas para mim antes da hora de dormir? Eu sobrevivi a todas as merdas que eles jogaram sobre mim.

Eventualmente, minha mãe parou de tentar chamar a atenção de meu pai e então percebeu que sua beleza chamava a atenção de outros homens. Foi quando ela começou a trair Charlie. Não demorou muito para que ele percebesse, mas nunca disse nada. Meu pai fingia não ver as traições de minha mãe, desde que ela fosse discreta – o que ela sempre foi, na medida do possível. Para o mundo fora das paredes de nossa casa, éramos uma família perfeita. Dentro delas? Eu os ouvia brigar o tempo todo. Meus pais se odiavam, viviam em uma guerra infinita sem se importar com quem seria atingido no fogo cruzado.

O dia mais feliz da minha vida foi quando saí da casa de meus pais, foi como tirar um peso dos meus ombros. Não há um único dia em que me arrependa. Eu sonhava em não ter que pensar no drama deles, mas Charlie tinha que ir e foder tudo para mim e me fazer trabalhar para ele... Pelo menos havia um lado bom naquilo tudo. Conhecer Edward foi como respirar novamente. Eu estava me afogando e ele me salvou.

Saí da banheira, sentindo o ar frio noturno beijar minha pele antes de me enxugar e colocar o roupão felpudo. Calcei minhas pantufas e desfiz o coque que havia feito no cabelo para que ele não molhasse, então saí do banheiro em direção à suíte. Fui até o closet pegar um conjunto de pijamas confortáveis. Já vestida, peguei meu celular em minha bolsa e notei algumas notificações, uma em especial me chamou atenção. Abri a mensagem de Edward e sorri para as palavras diante de meus olhos, "Já estou com saudades. Eu te amo, boa noite".

O respondi e fui para o escritório. Eu não estava com sono ou cansada, então resolvi que seria uma boa ideia ler um pouco antes de finalmente dormir. Peguei o livro que havia começado no dia anterior, Pé Na Estrada, e me sentei na cadeira diante da minha escrivaninha. Eu gostava de ler ali, apreciando o céu entre um parágrafo e outro. Naquele dia em especial, o céu noturno estava pontilhado de pequenas estrelas cintilantes e as horas passaram rapidamente.

Deixei o livro sobre a mesa e voltei para a suíte, minha cama me recebeu com as boas-vindas de um herói de batalha e eu adormeci como um bebê. Parecia que apenas alguns minutos se passaram quando abri os olhos para a luz da manhã, mas eu me sentia descansada. Tomei banho, me vesti, fiz meu café da manhã, comi e fui trabalhar.

Edward estava certo, Rosalie tinha muito trabalho para mim e para os outros estagiários, não apenas naquele dia, mas nos dias que se seguiram também. Meus dias foram ocupados, mas como esperado, eu sempre conseguia encontrar tempo para sentir falta da presença de Edward. Não que passássemos muito tempo juntos, mas senti falta de poder ir ao escritório dele contar sobre o meu dia e talvez roubar uns beijinhos, talvez fazer mais do que isso… Apesar disso, nós trocamos muitas mensagens e ligações – ele estava realmente se divertindo com a Conferência no Canadá e eu estava tentando não deixar meu pai tirar muita alegria dos meus dias.

No meio da semana, minha mãe decidiu que seria uma ótima ideia se almoçássemos juntas e eu a acompanhasse em sua aula de yoga. É claro que tentei encontrar todo tipo de desculpa possível, mas quando ela foi até o escritório e me arrastou com a autorização de Rosalie, não houve muito que eu pudesse fazer. Naquele dia, eu oficialmente conheci Phil e ficou ridiculamente óbvio o quanto minha mãe estava apaixonada, isso só me fez questionar ainda mais o porquê de ela não terminar tudo com meu pai de uma vez por todas. Ela não precisava do dinheiro, não o amava e eu não era mais uma criança, não dava para eles me usarem como uma desculpa para continuarem juntos, mas se eu realmente perguntei a ela seus motivos? Não. Eu sabia mais do que cutucar esse vespeiro. Eu almocei e fiz yoga, só.

Minha mãe estava se despedindo de Phil com toques nos braços e sorrisos exagerados, enquanto eu esperava do lado de fora da sala de yoga do estúdio. Aproveitei para pegar meu celular e verificar se Rosalie havia me mandado alguma mensagem, só então notei as seis ligações perdidas. Não da minha chefe, mas de Edward. Rapidamente cliquei na opção de ligar de volta para ele.

— Ei, aconteceu alguma coisa? — Não adiantava muito tentar disfarçar o desespero em minha voz, por isso sequer me preocupei.

Olá para você também, linda — Ouvi a voz distorcida de Edward do outro lado da linha — Muito trabalho por aí?

— Hoje, especialmente, não. Por que?

Eu te liguei e você não atendeu, meio que surtei antes de pensar que talvez Rose estivesse sugando sua alma, te enchendo de coisas para fazer e por isso você não havia me ligado. Fiquei me sentindo um idiota por ter te ligado tantas vezes, não queria te atrapalhar ou...

— Você não é idiota — Garanti, sorrindo mesmo que ele não pudesse me ver — Me perdoe, eu sei que combinei de te ligar na hora do almoço, mas acabei esquecendo.

Aconteceu algo?

— Minha mãe aconteceu.

Sua mãe?

— Ela me convidou para almoçar e conhecer o namorado dela, claro que ela não usou a palavra "namorado", mas, é isso.

Você está bem? — Eu podia ouvir perfeitamente a preocupação dele.

— Sim? — Minha resposta mais parecia uma pergunta — Eu acho que sim, não sei. Ela não falou sobre meu pai uma vez sequer durante o almoço, nem para reclamar, o que foi legal. Nós conversamos sobre meu trabalho e sobre a exposição de arte na qual ela irá participar. Sobre Phil, ele é legal e parece fazer bem para ela. Ela parece… feliz? Não me lembro de tê-la visto assim desde… bem, desde sempre — Parei de falar, respirando fundo.

Estou feliz que você tenha tido um bom dia com sua mãe, bebê.

— Sabe qual a parte mais doida? — Perguntei, então me virei em direção a onde minha mãe ainda estava "se despedindo" de Phil. Os dois pareciam um casal de adolescentes apaixonados — Eu também estou feliz.

Edward e eu conversamos por mais algum tempo ao telefone, até que ele teve que desligar. Quando coloquei o celular novamente em minha bolsa, notei que minha mãe não estava mais falando com seu instrutor de yoga, vulgo namorado. Ao invés disso, ela estava encostada na parede, me olhando atentamente.

— Há quanto tempo você está me encarando como um serial killer se preparando para dar o bote? — Perguntei indo até ela.

— Tempo o suficiente para ver você sorrindo toda boba para o celular, e também tempo o suficiente para ouvir um "eu também te amo" no final da conversa — Disse ela, senti meu rosto esquentar e não sabia se era de vergonha ou raiva.

— Não pense que só porque almoçamos juntas e eu conheci seu namorado que isso te dá o direito de se meter na minha vida.

Renée pareceu ligeiramente chocada com minha resposta, mas logo se recuperou.

— Sei que nunca fui uma boa mãe, nunca achei que eu pudesse ser. Mas, Bella, eu te amo e estou feliz que você tenha alguém.

Sua resposta me desarmou, mas geralmente quando eu deixava minha guarda abaixar com meus pais, isso acabava resultando em mais decepção, então mantive minha postura.

— Podemos ir?

Ela concordou e fomos até seu carro. Minha mãe me deu carona até a empresa, já que eu havia deixado meu carro lá, e foi embora após insistir que marcássemos de nos encontrar algum outro dia – falei que ligaria para ela quando pudesse.

Na sexta, os papéis se inverteram e me peguei discando o número de Edward pela décima quinta vez no meio daquela tarde. Havíamos nos falado na noite anterior e tudo parecia perfeitamente bem, combinamos que eu ligaria para ele em meu horário de almoço e fomos dormir. Edward não havia respondido ou visualizado minha mensagem de bom dia, não me mandou nada durante toda a manhã e não me atendeu no horário combinado, eu me vi no direito de entrar em pânico.

E se ele tivesse sofrido um acidente? Não, ele estava na Conferência representando o departamento de Marketing da empresa, a notícia já teria chegado até nós. Talvez ele tivesse sido assaltado ou perdido o celular. Talvez… Talvez… Talvez…

Disquei seu número pela décima sexta vez, sentada sobre a tampa fechada do sanitário. Meus colegas de trabalho já deviam achar que eu estava com a pior diarréia de todos os tempos, considerando que eu havia passado boa parte do dia trancada em uma das baias.

Mais uma vez, Edward não me atendeu. A situação permaneceu a mesma até tarde da noite, quando eu estava encolhida sobre meu sofá, encarando o vinho dentro da minha taça, e liguei para ele pelo que me pareceu a milésima vez.

Oi… — Edward começou a dizer.

Ouvir a voz dele fez todo meu corpo relaxar, até respirar parecia mais fácil. Mas logo a sensação de alívio foi tomada por algo mais violento e eu o interrompi.

— Onde você se meteu? — Gritei.

Me desculpe, amor, eu tive que fazer umas coisas.

— Que coisas são essas que você não podia parar um minutinho para me dizer que não estava estirado, já duro, no meio de alguma estrada?

Edward ficou em silêncio do outro lado da linha e eu tive a impressão de que ele estava quase rindo.

— Você acha que isso é engraçado? Eu fiquei preocupada com você o dia inteiro, Cullen!

Mulher, será que você pode parar de gritar comigo e abrir a porta? Por favor?

— O que? Abrir a…? — Coloquei minha taça sobre a mesinha de centro e corri para a porta, abrindo-a em tempo recorde.

— Surpresa! — Ouvi a voz de Edward soar tanto através do celular quanto pessoalmente.

Ele estava parado diante da minha porta, usando uma calça jeans e casaco de moletom — algo que estranhamente combinava muito com ele, mais ainda do que os ternos caros — e segurando um enorme buquê de girassóis.

Estava além de mim entender como ele se lembrava que girassol era minha flor favorita. Eu havia comentado sobre isso uma única vez, quando estávamos deitados em minha cama, nus, e ele notou pela primeira vez a pequena tatuagem em minha costela.

— O que você está fazendo aqui? — Perguntei com o celular ainda em meu ouvido, só então me dando conta de como isso parecia ridículo.

Encerrei a chamada, Edward colocou o celular dele no bolso.

— Pensei em fazer uma surpresa, não achei que você fosse ficar brava — Disse ele fazendo uma careta que não poderia ser descrita de nenhuma forma além de cruelmente fofa.

— Eu não estou brava — Afirmei, ele me olhou descrente — Ok, eu estou brava, mas não por você ter aparecido aqui de surpresa, mas sim por você não ter me dado notícias o dia inteiro.

— Admito que essa não foi minha melhor ideia, eu deveria ter dito que ficaria preso em alguma conferência ou algo assim durante o dia, mas por algum motivo não achei que fosse necessário. Para ser sincero, não pensei que você fosse concluir que eu morri.

— Bem, é assim que minha cabeça funciona — Falei, cruzando os braços.

Edward riu pelo nariz, balançando a cabeça e deu um passo à diante, entrando no meu apartamento. Ele passou os braços ao meu redor e me puxou para perto dele.

— Me desculpa por te deixar preocupada? Juro que tive a melhor das intenções, talvez eu não seja tão bom em fazer surpresas quanto achei que seria.

— Em sua defesa, eu fiquei bem surpresa. Não acredito que você mentiu que ficaria no Canadá uma semana inteira.

— Eu não menti! Acontece que passar os próximos dois dias com você ao invés de um jantar de encerramento e dentro de um avião me pareceu muito mais interessante.

— Você vai ficar os próximos dois dias aqui comigo?

— Se você deixar, é claro. Vim do aeroporto direto para cá, ninguém sabe que estou de volta. Sou todo seu, Srta. Swan.

E ele foi realmente meu durante todo o fim de semana. Eu adorava quando éramos apenas nós dois – nada com que se preocupar, ninguém que pudesse nos ver e fazer suposições. Não havia Sr. Cullen e Srta. Swan dentro daquelas paredes, apenas Edward e Bella.

Assistimos filmes, zombamos um do outro, rimos como dois bobos e fizemos amor como coelhos. Era o meio da tarde de um domingo preguiçoso e estávamos deitados na minha cama, suados, sem roupa e totalmente satisfeitos depois de mais uma rodada de sexo. Edward estava beijando minhas costas e eu tinha meus olhos fechados, me sentindo completa e relaxada, quando ele disse:

— Eu tenho uma casa em Aspen — Abri um olho, ainda sem conseguir ver seu rosto. Edward continuou: — Não é nada demais, é uma cabana, na verdade. Mas é muito aconchegante, não tem vizinhos por perto, é bem tranquilo e silencioso…

— Soa como o paraíso — Disse eu.

— Essa é uma descrição bem próxima.

— Aonde você vai com isso, Edward? — Perguntei, virando-me na cama para finalmente olhar para ele.

— Você gostaria de ir para lá comigo? Para o feriado, quero dizer.

— Feriado? — Perguntei de novo meio confusa.

— O natal é em três semanas, Bella — Disse ele, continuei o encarando sem reação — Você sabe que sou filho único e como meus pais estão na Itália, achei que talvez pudéssemos passar o feriado juntos?

— Eu estou confusa, isso foi uma pergunta?

Edward riu.

— Não, eu achei que pudéssemos passar o natal juntos. E o ano novo também, é claro, se você quiser.

— Por mais que eu ame passar o natal com meus pais e o drama interminável deles, acho que posso fazer o enorme sacrifício de passar o desse ano com o meu chefinho gostoso — Falei em falso tom de tristeza, sorrindo no final. Edward balançou a cabeça para mim.

— Não quero ser seu chefe durante os dias que ficaremos lá. Quero ser seu… — Os lábios de Edward pararam de se mover e ele me encarou intensamente, então voltou a falar — Seu. Quero ser seu, apenas isso, ok?

Eu concordei e ele aproximou o rosto do meu para me beijar. O beijo começou de forma suave, mas logo se tornou intenso e não demorou muito para que estivéssemos unidos mais uma vez.

As três semanas seguintes passaram de uma forma um tanto bizarra. Ao mesmo tempo em que os dias passavam às pressas, como se as horas tivessem deixado de conter sessenta minutos e contivessem apenas dez, as semanas em si se arrastaram. Durante todo esse tempo, Edward e eu mantivemos nossa relação como sempre, com exceção de que ele parecia mais relaxado perto de mim quando havia outras pessoas por perto.

Também durante esse tempo, minha mãe havia me convidado para almoçar com ela algumas vezes, mas eu sempre conseguia alguma desculpa boa o suficiente para adiar qualquer encontro. Se minha mãe queria se aproximar de mim e ter algum tipo de relacionamento saudável, eu estava disposta a tentar também, mas no meu tempo. Eu havia esperado por toda a minha vida para receber sua atenção, ela poderia esperar um pouco também.

Já Charlie parecia cada vez mais distante e eu não troquei mais do que poucas palavras com ele nos dias que se passaram, a maioria delas sendo sobre trabalho. Falando em trabalho, eu estava atolada nele e não poderia estar mais feliz em relação a minha profissão.

Eventualmente, o dia tão aguardado por mim chegou e Edward e eu estávamos indo em direção a sua casa em Aspen após fazermos algumas compras em um mercado no centro da cidade que ficava há mais de uma hora de distância do endereço.

— Onde seus pais pensam que você está, afinal? — Edward perguntou ao estacionar o carro.

— Na casa de uma amiga… No Alaska.

Ele me olhou por cima do carro e riu, indo até o porta-malas para tirar de lá nossas coisas. Nós carregamos tudo – malhas, bolsas, caixas do mercado – para dentro da casa, e organizamos cada item em seu devido lugar. Quando terminamos, já era final da tarde e aproveitamos para tomar um bom banho quente e relaxar.

A verdade é que não havia muito o que fazer ali, então passamos a maior parte do tempo apenas curtindo a companhia um do outro. Era bom, não me interprete mal, eu adorava apenas ter longas conversas com ele, e uma vez que a maioria delas era regada de um bom vinho tinto... Bem, não havia nada que eu amasse mais do que Edward e um bom vinho tinto.

Era dia 25 de dezembro e nós estávamos na cozinha preparando nossa pequena, porém deliciosa, ceia. Edward estava grudado no forno, apavorado com a ideia de nosso peru queimar, já que além de o mercado mais próximo ser o que ficava a uma hora de distância, havíamos visto uma previsão de nevasca intensa na tevê mais cedo, o que significava que só tínhamos uma chance de fazer nossa ceia dar certo.

Eu mantive meus olhos sobre os biscoitos em forma de pequenas árvores e bonecos de neve, focada na decoração destes. Algumas horas depois, uma torta de maçã e gemada foram adicionados ao cardápio. Analisamos bem a mesa que montamos, considerei que talvez fosse comida demais apenas para nós dois, mas como Edward disse: não há algo como "comida natalina demais".

— Eu quase me esqueci o quanto amo o natal — Falei mais tarde naquele dia, enquanto terminava de decorar o pinheiro que Edward havia feito questão de cortar e trazer para dentro da casa — Mas hoje foi um dia tão bom, tudo é tão fácil com você…

— Estou muito feliz que você esteja gostando do feriado, querida.

— Acho que sou parcial, gosto de tudo que você esteja envolvido — Disse eu, encolhendo os ombros. Edward riu jogando a cabeça para trás como uma criança.

Eu me virei para ele, seu rosto tão longe do meu. Às vezes eu odiava nossa diferença de altura. Eu vi o olhar de Edward indo para algum lugar bem acima de mim.

— Você esqueceu a estrela no topo — Disse ele, eu segui a direção de seu olhar.

— Sim, não consigo alcançar e não faço ideia se tem uma escada aqui, então…

Antes que eu pudesse terminar de falar, Edward se abaixou e pegou a estrela cintilante de dentro da caixa de decorações, esticou seu braço e posicionou-a no topo do pinheiro.

— Ser humilhada por ser baixinha em pleno Natal? Check! — Falei.

— O que seria do Papai Noel sem seus ajudantes duendes? — Disse Edward, o olhei boquiaberta.

— Você acabou de me chamar de duende?

— Entenda como você quiser, bonitinha — Ele tentou me dar um beijo no nariz e eu o afastei.

Eu não estava realmente brava, mas era divertido implicar com Edward da mesma forma que claramente ele achava divertido implicar comigo. Nós seguimos o dia assim, com pequenas implicâncias, risadas, beijos e apenas aproveitando o clima natalino em nosso pequeno pedaço do paraíso.

Nós estávamos sentados sobre o tapete felpudo da sala, de frente para a lareira, bebendo nossa gemada "batizada" após o jantar. Edward estava me contando mais uma história maluca sobre quando ele era criança e eu certamente já estava vermelha de tanto rir.

— Eu juro para você que fiquei muito puto com o Bom Velhinho. Passei dois anos ignorando o natal, até que meus pais finalmente perceberam que eu não estava apenas "crescendo", mas que estava realmente bravo com a figura do pobre senhor de idade. Foi quando nós conversamos e eu contei tudo, pedi muitas desculpas para minha mãe por entregá-la daquela forma, e nunca irei esquecer a expressão no rosto deles. Uma mistura de decepção com incredulidade.

— Tudo isso porque você achou que o Papai Noel havia beijado sua mãe? — Perguntei em meio às risadas histéricas.

— Exatamente. Precisei ver meu pai colocando a maldita fantasia para juntar dois mais dois e entender que na verdade era ele vestido de Papai Noel o tempo todo e que minha mãe não o havia traído.

— Eu não acredito! Quantos anos você tinha?

— Certo, eu tinha 8, ok? Nada de julgamentos.

— Vou ficar devendo nessa coisa de não julgar, desculpe. Como você não percebeu que era seu pai? Eu nem vou entrar no assunto "você acreditava no Papai Noel" porque, honestamente, cara…

— Eu era apenas uma criança inocente! — Disse ele, meio que na defensiva. Comecei a rir novamente.

— Você devia ser tão fofo, todo idiotinha.

— Pois fique sabendo que é muito feio julgar as pessoas assim, mocinha — Ele me repreendeu, se aproximando.

Edward apoiou uma mão no chão ao meu lado, efetivamente me prendendo entre ele e o sofá no qual eu estava com as costas encostadas, nossos rostos absurdamente próximos.

— Você está com hálito de gemada — Disse eu.

— Isso é algo ruim?

— Eu absolutamente amo gemada — Falei encarando seus lábios, Edward os umedeceu e sorriu.

— Quer provar dos meus lábios?

Ele não teve que perguntar duas vezes. Eu assenti com a cabeça, Edward bebeu um pouco mais de sua caneca e se aproximou de mim, seus lábios tocando suavemente os meus. Coloquei minha caneca no chão e acho que ele fez o mesmo, já que eu podia sentir ambas suas mãos percorrendo meu corpo sobre os tecidos grossos das roupas.

O sabor de Edward misturado com a gemada batizada foi mais do que suficiente para me fazer sentir alta. Ele pediu uma passagem com a língua e eu abri minha boca, o beijo se aprofundou e os toques se tornaram mais duros. Eu lentamente deitei no tapete e ele me seguiu, pairando sobre mim, nunca parando o beijo. Comecei a me sentir quente e tive a urgência de tirar a roupa, o que fiz com a ajuda de Edward. Não muito depois disso, estávamos ambos nus, e mesmo com a grossa camada de neve se acumulando no chão lá fora, eu não sentia frio.

Os beijos de Edward deixaram minha boca e percorreram meu queixo, garganta e clavícula antes de eu sentir sua língua quente sobre meu mamilo direito. A cada sugada e mordiscada, um novo arrepio percorria meu corpo me fazendo arfar.

Edward se demorou ali, ele sabia o quanto eu gostava daquilo, mas eventualmente ele continuou seu caminho pelo sul da minha anatomia, beijando a parte inferior de meus seios, a barriga e o monte de vênus. Justamente quando eu pensei que sentiria Edward onde eu mais antecipava, ele pulou aquele pequeno ponto e foi para as minhas coxas. Eu gemi alto em frustração e o senti mordendo minha pele em resposta.

— Para que tanta pressa, menina? Temos todo o tempo do mundo.

Segurei a cabeça de Edward, meus dedos se infiltrando violentamente entre os fios cor de cobre se seu cabelo e puxando-os.

— Eu preciso de você. Agora. Por favor? — Pedi olhando em seus olhos, pude ver quando suas íris verdes faiscaram.

Em vez de me dar qualquer resposta verbal, Edward lambeu a extensão entre minhas pernas. A sensação arrancou de mim um misto de sensações, me fazendo gritar e choramingar ao mesmo tempo que eu me contorcia, certamente eu teria dado um tranco para frente se ele não estivesse me segurando firmemente.

A língua de Edward era hábil, dançando por todos os lugares certos. Tentei manter o foco, mas meu corpo só queria que eu desligasse tudo ao meu redor, se embriagado de todas as coisas boas que Edward estava me fazendo sentir. Além de suas mãos percorrendo meu corpo e sua língua se banqueteando de mim, eu não conseguia sentir mais nada.

Eu não conseguia nem pensar em segurar meu orgasmo quando ele veio violentamente, atirando-me para o espaço sideral e me fazendo perder a noção de tempo e espaço. Quando voltei para o meu corpo, notei Edward com a cabeça apoiada na minha barriga, olhando para mim com um sorriso suave em seus lábios inchados e vermelhos.

— Quer mais? — Perguntou com expectativa, eu sorri para ele.

— Venha cá — Eu disse e esperei que ele subisse para beijar seus lábios.

Eu podia sentir seu comprimento duro pressionando contra minha barriga e coloquei uma mão entre nós para alcançá-lo. Assim que comecei a massageá-lo, Edward gemeu em minha boca e abaixou a cabeça para o meu ombro, apoiando-a ali. Ele respondia a cada mínimo movimento, deixando-me saber o quão bom aquilo era para ele e apenas quando achei que ele estava pronto para vir em minha mão, Edward se afastou. Ele alcançou a gaveta da mesa lateral e pegou um pacote de preservativos de lá. Tínhamos abastecido cada gaveta daquela cabana com preservativos, só para garantir.

Edward vestiu a camisinha e se deitou novamente sobre mim. Posicionei-o em minha entrada e enrolei minhas pernas em seu quadril, antes de puxá-lo em minha direção, fazendo-o deslizar para o meu interior. Esse era um dos meus momentos favoritos, aquela primeira conexão, a forma como minha pele se arrepiava e todo o meu corpo reagia à sensação de ter Edward me preenchendo. Uma vez que ele estava todo dentro de mim, ele parou – seus olhos fechados e sua respiração falhando.

— Porra, Bella, você está tão molhada — Ele murmurou entredentes.

Minha resposta para isso foi um meneio com meus quadris. Edward abriu os olhos e olhou para mim, mordendo o lábio inferior. Eu podia ver em seu rosto o quanto ele gostava daquilo, sua expressão se contorcendo a cada pequena rebolada. Ele não era o único que adorava aquilo, é claro, e sensível do jeito que eu estava não demorou para que meu corpo começasse a tremer e eu não conseguisse manter um ritmo padrão. Edward se ergueu sobre mim, ficando de joelhos entre minhas pernas e segurou meu quadril, lentamente se retirando de mim antes de voltar com uma estocada forte e profunda. Eu gritei, a sensação era tão boa que comecei a rir, minhas unhas cravando na pele de seus bíceps.

— Você gosta quando eu te fodo assim? — Edward perguntou, batendo na minha cara — Você gosta quando eu sou bruto com você?

— Sim! — Eu gemi alto e cobri a minha boca com a mão.

— Não, não faça isso — Disse ele segurando minhas mãos e prendendo-as no chão, sobre minha cabeça — A casa mais próxima fica há quilômetros de distância, não há ninguém para escutar além de mim, e eu quero ouvir você gemer.

E assim o fiz, a cada estocada de Edward eu não me preocupava em me segurar, meus gemidos preencheram cada canto daquela cabana. Eu gostava quando ele era carinhoso e gentil, mas foda-me se aquele comportamento de homem das cavernas não tirava o melhor de mim. Outra coisa que eu gostava? O fato de ele ser um boca suja na cama, tão diferente do eloqüente, sempre educado Sr. Cullen. Meu amor era um menino sujo.

Edward manteve suas estocadas duras, rápidas e profundas. Lentamente, ele se inclinou sobre mim e me beijou, mas seus lábios não se demoraram em minha boca e logo encontraram seu destino em meu pescoço, onde ele tomou seu tempo com beijos e mordidas suaves.

— Podemos mudar de posição? — Perguntou ele em minha orelha, antes de mordiscar meu lóbulo.

Eu concordei, eu nunca poderia negar nada a ele quando ele me perguntava assim. Edward saiu de mim, não sem antes dar mais algumas estocadas mais curtas, e me virou no tapete, ficando atrás de mim. Ele ergueu uma de minhas pernas para ficar sobre a dele e posicionou seu membro novamente em minha entrada, intuitivamente eu rebolei e ele me deu um tapa estalado na bunda em resposta antes de me penetrar novamente.

Ele segurou meu pescoço com uma mão e levou a outra até minha boca, posicionando dois dedos ali e eu os lambi exatamente como faria em seu pau se estivesse chupando-o, então ele guiou estes dedos para o meu clitóris. A combinação daquele estímulo extra com a forma com que ele estava me fodendo bastaram para que meu corpo começasse a convulsionar novamente.

— Edward, eu… Porra… — Eu não fazia mais noção de nada. Meu corpo estava ficando cada vez mais fraco e eu já não conseguia raciocinar corretamente.

— Isso, gostosa, goza no meu pau.

Comecei a murmurar incoerentemente, sendo varrida pelo momento, deixando a sensação do clímax me atingir como uma tijolada no rosto. Edward mordeu meu ombro e fincou seus dedos em meu quadril, empurrando o seu cada vez com mais força. Eu podia sentir seus movimentos ficando cada vez mais erráticos e movi meu corpo, fazendo movimento circulares em seu membro.

— Bella… amor… — Era a vez dele choramingar.

Depois de duas estocadas fortes e profundas, ele gozou, praguejando e grunhindo. Edward me segurou com força contra seu corpo, sem se mover por alguns minutos, o que foi realmente muito bom. Quando ele finalmente se moveu, porém, ele me virou em sua direção e me beijou suavemente.

— Eu te machuquei? Desculpe, eu me empolguei um pouco — Perguntou ele, preocupação distorcendo suas feições. Eu neguei.

— Adoro quando você faz isso — Falei, ele sorriu para mim.

Edward me beijou mais uma vez antes de se levantar para jogar a camisinha usada no lixo do banheiro. De volta à sala de estar, Edward se deitou ao meu lado novamente, pegando alguns travesseiros para nós, ele me puxou para que eu deitasse com a cabeça em seu peito.

Ficamos em silêncio absoluto e me distraí com a vista da janela. A reportagem da tevê estava certa, a neve estava caindo como se fosse o fim do mundo lá fora, mas eu não poderia me importar menos – se o mundo acabasse ali, eu partiria nos braços do homem que eu amava. O que mais alguém pode desejar?

— Então, este foi um Feliz Natal — Disse ele, fazendo-nos rir.

— O mais feliz de todos, eu diria.

— Eu te amo tanto.

— Eu também te amo, Edward.

Ele olhou para mim com uma expressão estranha, Edward parecia que estava pensando muito em algo.

— O que? — Eu perguntei.

— Quero dizer... eu realmente te amo.

— Eu sei disso, amor — Disse eu, rindo baixinho.

— Bella... — Ele me deitou de volta no tapete e pairou sobre mim — O que quero dizer é que acho que devemos tentar, sabe? Tentar de verdade. Porque eu realmente te amo, não é só sexo para mim, acho que nunca foi.

— Você está dizendo…

— Estou dizendo que quero ser seu namorado, quero que as pessoas saibam sobre nós.

— Mas você disse... Você não pode arriscar seu emprego por algo que não sabe se vai funcionar.

— Estamos funcionando, menina, não vê? Se seu pai me demitir, vou encontrar outro emprego, mas não consigo encontrar outra de você, certo?

— Você sabe que ele não vai parar em uma demissão, esse foi o seu medo desde o início, certo? Não que Charlie se importe muito comigo, mas ele vai achar desrespeitoso para ele que você esteja comigo.

— Sobre isso... acho que já tenho uma solução — Disse ele. Eu arquei uma sobrancelha, confusa — Eu falei com Alice, CEO da Runway, ela quer que eu trabalhe para ela, e eu não acho que ela seja o tipo de pessoa que liga para fofoca. É uma empresa pequena se comparada à Swan Tech, mas pelo menos não ficarei desempregado.

— Isso não é uma revista de moda? — Perguntei, ele encolheu os ombros.

— Eu posso fazer funcionar.

— Você está falando sério? Mesmo?

— Estou falando sério aqui, Bella. Não sou mais criança, sou um homem crescido, quero ter um relacionamento de verdade, quero te levar para a Itália para conhecer meus pais... Deus, eles vão te amar tanto. Eu quero uma vida com você, sabe?

— Eu quero isso também.

Só de imaginar uma vida inteira com Edward, eu já estava quase chorando.

— Então é isso. Você é minha namorada agora — Ele disse, então riu — Isso soa tão estranho, eu não namoro ninguém desde que tinha a sua idade, mas ao mesmo tempo, nunca pareceu mais certo. Isso faz sentido?

— Sim, absolutamente. Apenas pare com isso de "quando eu tinha sua idade", porque isso faz você parecer meu avô e isso é nojento.

— Você não deveria estar namorando alguém que nasceu uma década antes de você, então, mocinha.

— Eu te odeio tanto às vezes — Brinquei — Mas, ei, como vamos fazer isso? Você sabe, toda a coisa da "revelação".

— Bom, vamos ter que falar com o RH porque a empresa tem uma política rígida sobre se relacionar afetiva ou sexualmente com colegas de trabalho, então teremos que assinar uma declaração de que nosso relacionamento é consensual. Além disso, não precisamos falar com ninguém, as pessoas vão descobrir. Podemos conversar com seu pai, em consideração, mas isso é tudo, na verdade.

— Não estou ansiosa por esta conversa.

— Sim, nem eu. Mas ainda temos algum tempo até que realmente tenhamos que fazer isso, pelo menos até o ano novo.

Nossos últimos cinco dias em Aspen foram perfeitos. Algo pareceu acontecer quando declaramos nosso status de namoro, parecia que tudo era mais significativo. Depois da nossa conversa, Edward e eu fizemos amor novamente e eu só conseguia pensar que aquela era a nossa primeira vez como um casal. Então veio nossa primeira refeição como um casal, o primeiro banho como um casal, a primeira noite como um casal, o primeiro café da manhã, o primeiro filme e assim por diante.

Eu estava começando a me sentir uma idiota quando disse isso a Edward e ele falou que esses pensamentos cruzaram sua mente também.

— Pensei nisso quando você estava chupando meu pau, foi até mais gostoso — Disse ele e não consegui parar de rir pelos próximos minutos.

Voltamos a Seattle no dia 30 de dezembro, e foi no dia 31, último dia daquele ano, que estávamos sentados no carro dele rumo à festa anual de ano novo da empresa.

Edward estava parecendo uma estrela de Hollywood em seu smoking bem passado, com seu cabelo cortado curto e sua barba raspada, nada parecido com o estilo "urso" que ele assumiu durante nossos dias de reclusão com seu cabelo desgrenhado e sua barba mais comprida do que eu jamais havia visto.

Ele foi até o RH da empresa no dia anterior e declarou nosso relacionamento, então um email foi enviado para nós dois com os documentos que deveríamos assinar. Depois de assinados, enviamos os documentos de volta para a empresa. Então, nós estávamos de acordo com as normas impostas dentro da Swan Tech, não estávamos fazendo nada de errado, mas mesmo assim as palmas das minhas mãos estavam suando quando o carro parou diante ao Four Seasons.

Edward saiu do carro e deu uma corrida rápida para o meu lado para abrir minha porta e me ajudar a sair. Percebendo que eu estava nervosa, ele me perguntou se eu queria ir primeiro para que pudéssemos fingir que não estávamos juntos, mas eu disse não a isso. Assinamos os papéis, não devíamos nada a ninguém. Eu agarrei a mão de Edward e caminhamos em direção ao hotel. Demos nossos nomes na entrada e fomos guiados até a área da piscina, onde a festa estava acontecendo.

Eu me senti como se fosse a porra da Hillary Duff naquela cena da Cinderela quando entramos, todo mundo estava subitamente olhando para nós. Edward não parecia se importar nem um pouco, ele estava muito acima de todos os outros. Deus, eu queria ser como ele. Segurei sua mão com mais força e ele olhou para mim, sorrindo em encorajamento.

Algumas pessoas se aproximaram para nos cumprimentar – digo, cumprimentar Edward. Eu até poderia ser a filha do dono da empresa, mas ninguém ali me via como mais do que uma estagiária, o que no fundo eu apreciava. Rosalie veio desfilando em nossa direção como se estivesse em uma passarela, seus longos cabelos loiros esvoaçavam com a brisa noturna, assim como o tecido de seu vestido azul-bebê.

— Finalmente você criou bolas! — Disse ela dando um soco no ombro de Edward, ele manteve sua postura.

— Eu gostaria de lembrá-la que continuo sendo seu chefe.

— Por enquanto — Ela riu, olhando ao redor — Espere até o Sr. Swan ver isso aí, vai ser um prazer roubar seu emprego.

Eu observei a cena diante de mim totalmente sem reação. Nunca havia visto Rosalie falar daquela forma e, apesar de saber que ela e Edward eram amigos, nunca os vi conversando sobre algo que não fosse relacionado ao trabalho.

— A propósito, onde está Emmett? Por que ele não está aqui enfiando a língua dentro de sua boca para que você não possa falar comigo e me deixar em paz?

— Ele está cuidando das crianças, dã. Você saberia que crianças precisam de supervisão, se você tivesse uma.

— Por favor, pare — Edward respirou, parecendo derrotado.

— Se você não tivesse sido um mulherengo por toda sua juventude, estaria casado e teria filhos, mas seria muito nojento de sua parte me pedir para mandar a nova estagiária para o seu escritório…

— O que? — Perguntei, ao mesmo tempo Edward disse:

— Cala a boca! Vai achar outra pessoa para infernizar — Ele parecia realmente irritado agora, o que fez Rosalie gargalhar.

— Tchau, Bella — Disse ela, finalmente se dirigindo a mim e dando uma piscadela em minha direção antes de andar para longe.

— Você pediu a ela para me fazer ir ao seu escritório? — Eu perguntei.

Fiquei realmente com medo de que Edward morresse ali mesmo, esse foi o tanto que seu rosto ficou vermelho.

— Por favor, podemos não falar sobre isso? — Ele estava fazendo uma cara de sofrimento que quase me fez desistir.

— Desculpe, não posso.

Edward respirou fundo e pegou uma taça de champanhe da bandeja do garçom que passou por nós, bebendo quase todo o líquido de uma vez.

— Comentei com a Rose que te achava muito atraente e perguntei se ela sabia quem você era, não sabia que você era estagiária e nem pedi pra ela mandar você pra mim... Mas não disse não quando ela propôs fazer exatamente isso.

— Então... Você já sabia meu nome? — Perguntei, ele balançou a cabeça.

— Eu sabia que você se chamava Swan, mas Rose não conseguia lembrar seu primeiro nome — Disse ele, revirando os olhos — Acho que poderia olhar seu arquivo, mas isso me tornaria um perseguidor e tento ficar longe desse tipo de comportamento.

— Você me viu antes de eu te ver, então, porque eu só te vi quando nos encontramos pela primeira vez — Falei, ele assentiu — Por que nunca me disse isso?

— Porque soa muito mal falar que seu chefe estava de olho em você há semanas e a sua outra chefe te mandou até a sala dele só para ele poder te ver.

— Você mal olhou para mim aquele dia.

— Eu não consegui! Estava me sentindo ridículo. Você parecia tão inocente e focada em seu trabalho e eu estava pensando se você gostaria de sair comigo.

— Você é tão fofo — Falei fazendo uma vozinha infantil, Edward fez uma careta — Ok, agora me conta sobre essa história de você ser mulherengo.

— Por que você está me torturando, mulher? — Ele realmente parecia um homem torturado, mas não me abalei — Não fui um mulherengo, eu só nunca dei certo com ninguém, até que eu desisti de vez dessa coisa de namoro. Emmett, o marido de Rose, é meu melhor amigo, nos conhecemos na faculdade e ele quem começou com essa coisa de me chamar de mulherengo. É ridículo.

— Não sei se acredito muito nisso, você tem mesmo uma carinha de mulherengo.

Edward me olhou perplexo e sua carinha de incredulidade era tão fofa que não pude resistir a tentação de beijá-lo.

Assim que nossos lábios se encontraram, ouvi a voz do meu pai.

— Algum de vocês pode me explicar o que diabos é isso? — Mesmo que suas palavras não fossem exatamente agradáveis, ele tinha um tom calmo em sua voz.

— Olá, Sr. Swan — Disse Edward, calmamente. Meu pai não respondeu — Bella e eu estamos namorando, o RH já foi avisado.

— Namorando? — Perguntou ele, rindo sarcasticamente — O que é isso, Isabella? Outra maneira de me irritar?

— Nem tudo na minha vida é sobre você, pai. Na verdade, a maioria das coisas não são.

— Essa palhaçada acaba aqui, isso é ridículo — Disse ele, ignorando cada palavra que eu disse — Eu poderia esperar esse tipo de comportamento impróprio da minha filha, mas você, Cullen? Coloque-se no seu lugar.

— Eu amo sua filha, senhor — Como Edward era capaz de ainda ser educado estava além de mim.

— Ama? — Meu pai riu de novo — Não seja patético…

— Não fale assim com ele! — Gritei, silenciando-o. Agora toda a festa parecia ter parado para assistir ao espetáculo, legal.

— Isso se aplica a você também, Isabella. De todas as coisas, eu nunca te consideraria uma vadia burra, mas aqui está você…

A próxima coisa que vi foi o punho de Edward acertando em cheio o nariz de meu pai, que cambaleou e só não caiu no chão porque se apoiou em uma das pilastras. Quando finalmente pareceu entender o que havia acontecido, Charlie nos olhou com os olhos faíscando de ódio.

Ele abriu a boca para dizer algo, mas Edward o interrompeu.

— Você nunca mais vai falar assim com ela, entendeu?

— Você está demitido! — Charlie gritou furiosamente — Vocês dois!

Edward puxou minha mão e marchou em direção à saída sem olhar para trás nenhuma vez. Assim que paramos do lado de fora e Edward foi pedir por seu carro, comecei a chorar.

— Por favor, não chore, menina. Tudo vai ficar bem.

— Eu sinto muito por ele ter te demitido, Edward, eu... Oh, Deus… Me desculpa.

— Isso não é culpa sua, pare de se desculpar.

— Eu só não posso acreditar que ele realmente fez isso, e no jeito que ele falou comigo... eu… — Os soluços se tornaram mais fortes naquele ponto.

— Você esperava que ele fosse um homem melhor, eu sei. Eu também esperava isso. Mas tudo bem, você me tem, você sabe disso, certo? — Concordei com sua pergunta — Vamos agora, meu anjo, vamos para casa.

7 meses depois

— Quem era? — Perguntei ao entrar no quarto e ouvir Edward se despedindo de alguém pelo celular.

— Rose — Disse ele, abrindo os braços para que eu me deitasse em seu peito — Ela queria saber como estão as coisas e, claro, reclamar. Aparentemente o cargo de diretor não é tão fácil quanto ela jurou que era pra mim por todos os anos em que trabalhamos juntos — Concluiu, rindo.

— Você não está chateado? — Perguntei, Edward franziu o cenho.

— Por ela ter assumido o meu cargo? É claro que não. Rose é excelente, ela era a escolha óbvia. Além disso, estou feliz com meu atual emprego. Por um momento eu pensei que talvez não fosse me sentir tão realizado na Runway quanto era na Swan Tech, mas eu estava enganado. A única parte que eu realmente odeio em trabalhar na revista é que eu não posso te ver no meio do meu expediente.

Ain, eu também sinto falta disso.

Edward riu e me beijou suavemente nos lábios.

— Você está animada para nossa pequena viagem? — Perguntou ele, comecei a sorrir imediatamente.

— Sim! Finalmente vou conhecer seus pais. Porém, vai ser estranho passar o 4 de julho na Itália, eu acho.

— É isso ou esperar pelo dia de ação de graças, e acho que minha mãe não vai aguentar tudo isso, é capaz de ela aparecer aqui qualquer dia desses. Ela está desesperada para finalmente conhecer a nora.

— E você pode culpá-la? Ela já devia ter perdido as esperanças de ver o filho desencalhar.

— Eu não estava encalhado — Ele protestou — Só estava…

— Encalhado?

— Você é tão irritante.

Edward estava rindo e voltou a me beijar, de forma menos suave dessa vez, e eu mais uma vez tive a certeza de que nunca me cansaria aquilo – dele. Com Edward eu me sentia completa, desejada, amada. Era tão bom me sentir necessária para ela.

Eu nunca mais voltei a falar com meu pai e ainda estava tentando dar um rumo para minha relação com minha mãe, mas eu estava feliz, estava fazendo coisas novas, trabalhando em uma pequena empresa de jogos indie, fazendo novos amigos, dividindo o aluguel do meu apartamento com meu namorado incrível. Finalmente eu sentia que tinha uma vida boa, feliz e saudável. E eu não sabia o que o futuro estava preparando para mim, mas estava ansiosa para descobrir.


N/F: Devo confessar que escrever essa one-shot foi um grande desafio para mim e eu já sabia que seria assim no momento em que li a característica de personagem desejada pela Thu, "carência excessiva". Na verdade, até agora não sei se consegui alcançar esse objetivo de fato. Além disso, eu havia me apaixonado pelo combo 2 e logo de cara pensei num plot que está rondando meus pensamentos até o presente momento, mas que acabei percebendo que não servia para uma one-shot e ficaria mega corrido se eu tentasse encaixar tudo no limite de palavras, então acabei tendo que me desapegar e tentar pensar em outro plot, e foi aí que resolvi dar uma chance para o combo 1. No começo eu achei que não iria conseguir, mas aqui estamos e eu estou feliz com o resultado. Thu, espero realmente que você tenha gostado e que eu tenha conseguido atingir pelo menos um cadinho da sua expectativa.

Beijinhos, até a próxima!