No último capítulo…
Com a perspectiva do fim-de-semana livre de trabalho, os bailarinos do conservatório fazem planos para sua sexta-feira noite. Enquanto seus amigos vão ao cinema, Relena fica em casa descasando e recebe um telefonema do irmão, Zechs, que a surpreendeu avisando sobre seu retorno para casa. Os irmãos saem para jantar em um bistrô e tem uma animada conversa na fila, enquanto esperam sua mesa. Heero, mais tarde, decide ir ver Relena e esclarecer o que viu. Tint o ajuda a encontrá-la, oferecendo-se para chamá-la na festa da vizinha delas, Lindt.
9
Lindt tinha ganhado uma festa para comemorar sua promoção que recebera aquela semana, na agência de publicidade onde trabalhava. Alguns de seus amigos se reuniram e lhe fizeram a surpresa quando ela chegou de um happy hour, também celebrativo, que tinha se estendido demais.
Relena tinha acabado de sentar no restaurante quando recebeu a mensagem. Tint tinha lido seu aviso sobre a chegada de Zechs e respondeu que Lindt as tinha ido procurar uma meia-hora atrás e não as encontrara. Chamara-as para irem a seu apartamento comemorarem com ela.
_Vamos dar uma passada na Lindt. –Relena sugeriu ao entrarem no elevador.
_Mas já é tão tarde, será que ainda tem alguém lá? –Zechs cogitou, consultando o relógio e vendo que já eram quase duas da manhã.
Relena apertou o andar da vizinha ainda assim e mandou uma mensagem. Lindt não viu, mas quando pararam na frente da porta e ouviram um pouco de música abafada dentro do apartamento, obtiveram sua resposta.
_Seus fins-de-semana são sempre badalados assim? –Zechs inquiriu, uma sobrancelha sarcástica amassando seu olho azul. Relena deu de ombros e riu. Para que revelar que a maioria ela passava reclusa, descansando as pernas, recobrando as energias?
_E então, o que você faz? –já fazia uma hora que estava ali. Apesar da asseveração de Zechs de dizer que só ia cumprimentar a moça e ir dormir, Relena o via bastante entretido em conversas com alguns rapazes. Relena também tinha encontrado um grupo com o qual distrair-se, e deixou o copo vazio de lado para dar atenção à pergunta que tinha acabado de ouvir.
_Eu sou bailarina. –explicou concisamente, sem pôr muita ênfase. Sua interlocutora era uma das colegas de trabalho de Lindt que também tinha acabado de chegar.
_Que lindo! –e lidou com o assunto de modo infantil.
Relena sorriu amável, acostumada a não ser levada muito a sério. O mundo da dança era cruel como qualquer outro, mas recluso, só deixando a impressão mágica para o público. Mas inspirar aquela mágica fazia parte. Sim, era algo de que se orgulhava, de certa forma.
_De que tipo? –outro integrante do grupo, um rapaz, quis saber mais.
_Sou bailarina clássica. –e percorreu com os olhos os vários rostos que a acompanhavam, ouvindo suas várias reações:
_Ah, entendi…
_Que difícil que deve ser…
_Pois eu acho ainda mais lindo!
Houve risos.
A movimentação na porta revelou a chegada de Tint e Daniil.
_Tint! –Lindt a recebeu.
_Oi! Parabéns, gatona! Obrigada por nos chamar. –e abraçaram-se. –Conhece o Danny?
_Seu namorado… sim, já nos esbarramos!
_Parabéns, Lindt… –ele cumprimentou-a por sua vez com sua formalidade gentil.
_Fiquem à vontade.
_Só vou dar um recado para Lena e já volto para saber melhor da novidade, ok? –e tocando Lindt no ombro, entrou em movimento, aproximando-se de Relena. Atrás de si ouviu Lindt oferecer algo para Daniil beber e ele recusar sempre tão polidamente.
_Licença… –Tint invadiu o grupo que ainda terminava de rir. –Miga, vem cá… –e roubou o entretenimento daquela turma.
_O que foi, Tint? –deixando-se arrastar, Relena pediu, risonha, intrigada.
_O Heero está lá fora. Quer falar com você.
_Heero…? –e procurou o celular no bolso, certificando-se de não ter perdido qualquer mensagem ou ligação.
_Ele não está com uma cara muito boa não… –disse baixinho, exibindo uma expressão ajuizada que raramente a visitava.
_Como eu estou? –Relena levou as mãos ao corpo, puxando um pouco o blazer cor de rosa pelas golas.
_Está linda. A maquiagem ainda está segurando… é aquela ainda? –e foram indo para a porta.
_É sim. –despretensiosa, Relena confirmou.
_Seu pó fixador é milagroso… Quero emprestado da próxima vez! –Tint pasmou, feito diante de alguma feitiçaria.
_Vou cobrar taxa de uso… –retorcendo os lábios, Relena já foi avisando.
_Mesquinha! –Tint atacou, ofendida.
Tinham tempo para risos.
_Viu Zechs ali? –depois, Relena segredou, displicente.
_Não, ele ainda está solteiro? –Tint pescoceou rápido, procurando-o.
_Mas você não está. –Relena lembrou, ultrajada.
_Ai, mas ele não sabe… –e mordeu o lábio inferior, importunando a amiga com sua cara maliciosa.
_Não tem vergonha? Daniil está aqui…
_Mas Daniil não vai dormir no nosso apartamento…
_Tint! Se você tentar atacar o meu irmão…
_Ele é grandinho, deve saber se defender… –e, dando um tapa no bumbum de Relena, fechou a porta atrás dela.
Relena não teve como retrucar nada, embora tenha pensado em algo. A luz do corredor ainda estava acesa, devia ser porque Heero tinha se deslocado para contemplar a noite através da pequena janela próxima ao elevador. O décimo andar oferecia uma vista esplêndida, bem melhor que a que ele tinha no quarto andar de seu prédio. A noite estava negra, mas a cidade estava estrelada.
Ele ouviu a bagunça das meninas, o golpe da porta se fechar, os passos leves de Relena atrás de si e ainda assim não quis se virar. Ele não achava forças para olhar, porque no instante que a mirasse saberia a verdade e pela primeira vez não estava pronto para o pior.
Agir com o coração era fraqueza, mas era irresistível. Não conseguia ficar insensível diante dela. Ela era uma chama e ele sabia melhor que ninguém o resultado de se brincar com fogo.
Com um clique, a luz se apagou.
_Heero… –Relena chamou baixo, doce, serena.
Depois de ouvir seu nome, não poderia ignorá-la mais. Havia momentos para os quais nenhum treinamento prepara. Momentos para ser humano.
Desse modo, voltou-se para ela, achando-a debilmente contornada pela claridade que a janela oferecia, ao passo que ele seguia na sombra. Ela não tinha pretensão no seu corpo, nenhuma preocupação na sua feição.
_Aconteceu alguma coisa?
Ele descreveu um movimento hesitante com a cabeça que não dizia nada.
Relena aproximou-se mais, a lâmpada sentiu seu movimento e acendeu.
_E a despedida de solteiro? Se divertiu? –ele viu então o seu sorriso e a delicadeza de seu olhar.
_Sim, Laurell caprichou. –murmurou, as mãos no bolso sem saber como se portar.
_Lindt está dando uma festinha. –com vivacidade, ela mencionou, se movimentando em direção da entrada do apartamento da moça.
_Tint falou. –confirmou, sentindo-se cada vez mais acuado. Enxergava bem: tinha se enganado. Ou será que ela podia ser assim tão dissimulada? Porque não conseguia decidir o que interpretar?
_Vamos entrar? Ela não irá se importar…
_Não. –e quase deu as costas para ela. Estava confuso, mas não podia fugir mais.
_Então, o que foi, Heero? Fale comigo… –e enfim ela evidenciou sua preocupação, franzindo o rosto, a voz aflita.
O que ela pedia era sensato. Sua sensatez a inocentava e o tornava réu de si mesmo. De novo foi precipitado, fez a tempestade e cegou-se dentro dela. Tinha de reconhecer que Duo sabia o que dizia.
_Você saiu? –assumindo toda sua austeridade, ele tentou não soar magoado. Foi difícil.
_Sim, fui jantar. –ela simplesmente respondeu.
_Naquele lugar na esquina da Belvedere com a Norte-Sul? –procurava na face dela qualquer hesitação, qualquer sinal de culpa.
_Sim, como sabe?
Ele não encontrava nada.
_Eu vi você. Na fila. –e citou cada informação em golpes. –Você não estava sozinha. –mas cada pequena estocada não a feria, não, quem as sentia era ele.
_Não, eu fui com meu irmão. Ele acabou de chegar, me fez uma surpresa. –e explicou enfim, tranquila, alegre.
Heero franziu o rosto, sem graça, empalidecendo sem querer. Desviou a vista, bagunçou a franja. Por que durante um segundo teve de pensar que encontraria algo nela que não fosse genuíno e cristalino?
Assistindo-o, Relena riu-se, assustada. Demorou demais para entender e agora não aceitava. Levou as duas mãos ao rosto, os dedos segurando a fronte:
_Você pensou que eu estava…
_Não, não diga nada. –ele a interrompeu, segurando a franja que puxara para cima, a outra mão no quadril.
_É melhor eu dizer sim. –ela juntou as mãos apertando os zigomas, lançando para ele um fito decepcionado.
_Nós dois já entendemos… eu já entendi. –roucamente, ele tentou poupar-se de mais vexame.
_Heero, você achou que eu estava te traindo. –e cada palavra ficou a se retorcer dentro dos dois depois que ecoaram por algum tempo. –Mas você não confia em mim? –ela não se alterava, seu timbre não se levantava, e ainda assim havia intenso ultrajo em sua reação. Soltando os braços, baixando as mãos, voltou a franzir o rosto, entregue a suas emoções. E apesar das rugas, sua sinceridade a fazia mais linda do que nunca.
Ele nunca tinha pensado se confiava nela. Talvez nunca tivesse precisado. Por isso concluiu que a resposta só podia ser uma:
_Sim e por isso me doeu tanto ver você tão alegre na companhia de outra pessoa. –e confessou, determinado a ser tão sincero quanto ela. Precisava falar, precisava falar com ela se a queria tão bem. –Relena, me perdoe por pensar mal de você. Eu fiquei sem saber no que acreditar.
_Acreditasse em mim!
_Sim, mas eu tinha que vir aqui. Para ver a verdade.
_E você viu? –exigiu.
_Vi. –estava conseguindo manter-se calmo e tudo o que queria era aplacá-la. A monotonia de seu tom vazava quase suave.
_E agora? Ficou contente? –mas ela afrontava, magoada, sem perceber que perdera o controle. Sentiu as lágrimas a sufocarem. –Eu confiei em você para ir naquela festa ridícula… –e terminou por atacar.
Era autopiedade de sua parte, era ego ferido falando. Como ele podia ter pensado tão mal dela? Será que não tinha sido carinhosa o suficiente? Interessada o suficiente? Cada vez que o via sentia o coração voar e saltar mais alto que um grand jeté. Será que ele não se dava conta de quanto era estimado? Será que cada beijo não tinha falado por si e seus olhares não transmitiram todo seu desejo?
_Eu nem pensei duas vezes! Só de olhar para você, fiquei contente, tive certeza. E você me retribuiu como? Você duvidou. –cruzou os braços, abraçando-se, voltando um ombro contra ele. Sentiu uma lágrima rolar por seu rosto.
_Foi diferente. –ele caiu na armadilha de defender-se. Mas foi o mesmo que abanar as brasas:
_Diferente como? Acha que eu não sei como é uma despedida de solteiro? As coisas que acontecem lá?
_Não aconteceu nada. Relena…
_Não se explique. Só está piorando. –e fungou.
Ele se resignou. Não se aproximou, não sem o consentimento dela. A luz do corredor desligou, de tão imóveis que ficaram. Ouviu que ela chorava, percebeu ela secar o rosto. Saber-se o motivo daquela tristeza enfraquecia o seu íntimo. Engoliu em seco, encheu o peito, suspirou asperamente.
Será que em nenhum momento ele não tivera razão?
Deixou os ombros cair, foi até o elevador e apertou o botão de descida.
Ela o espiou sobre o ombro, o corpo teso e o peito tenso, a garganta trancada do choro contido.
Tomou fôlego, trêmula.
E se tivesse sido ela em seu lugar?
Quando o viu as primeiras vezes no conservatório, não imaginava outra relação entre ele e a garota que vinha buscar todo dia – deviam ser namorados. A ruiva sorria toda prosa e ele a tratava com atenção… só não se beijavam, o que Relena estranhava, cogitando que talvez eles quisessem ser discretos.
Então, se nunca tivesse visto Akane antes, se não a conhecesse, o que pensaria se o visse, em uma fila de bistrô, entrosado com uma garota bonita, desinibida, em uma sexta à noite? O que sentiria se o visse passar o braço por sobre os ombros dela ou lhe abrisse um sorriso cúmplice enquanto aguardavam sua mesa?
Ciúmes, sim e ousava dizer que até raiva… porque o queria tanto, o queria tão bem, o queria para sempre junto a si. E mesmo que tivesse dado a ele sua confiança, mesmo que tivesse recebido a dele, os olhos levariam direto ao coração tudo o que capturam e a insegurança seria instantânea, semeadura daninha, só combatida se eliminada pela raiz.
E era para isso que ele estava ali – desarraigar o mal antes dos novos brotos.
_Nós conversamos depois. –ele assegurou quando o elevador abriu.
Então acabava assim?
Ele bem podia estar blefando. Podia estar perdendo-o naquele mesmo instante para sempre.
E por quê?
Ciúmes, para ela sem razão, mas do ponto de vista dele, sincero e válido.
Ele parecia abatido. Pensando bem, ele estivera sem graça desde que a olhara ali. Tinha caído em si, estava arrependido, de repente fazia sentido o motivo de ele parecer tão confuso. Ele acreditava nela e por amá-la tanto se enredou na armadilha daquele mau juízo.
_Heero… –ela avançou nas portas que por um triz não se fecharam. Entrou.
_Você me perdoa? –ele insistiu de pronto, embora encabulado. E seu olhar estava sentido.
Ela meneou várias vezes a cabeça, tentando se recuperar de seu próprio embaraço. Não fora a única magoada aquela noite. Respirou fundo e sentiu de novo lágrimas escorrerem. Passou então a assentir com a cabeça, e apertou os olhos, tolhendo o choro, procurando não criar nenhum borrão na face:
_Sim… Eu também fui precipitada. –e apesar de querer sorrir, não achava certo, não tinha graça.
Ele secou uma última lágrima teimosa que se equilibrava no olhar azul dela e aproximou-se com um sorriso contido, carinhoso, generoso. Era como se tudo tivesse sido esquecido por ele:
_Está tudo bem. –sussurrou no ouvido dela com calidez e carinho, e ela o abraçou.
_Sim, tudo bem… –e insistiu em confirmar, sua frase abafada no pescoço dele. –Que loucura… –e finalmente riu.
Heero deixou seu silêncio consentir com a declaração dela, admirado com a força daquela loucura renovadora, provadora, transformadora. Era o que faltava em sua vida. Loucura. Paixão. Agora percebia como tudo isso vinha lhe fazendo falta. Beijou o alto dos cabelos dela, sentindo o perfume esvaecido de camomila, estreitando-a mais junto a seu peito.
O elevador chegou ao térreo ininterrupto, e eles se separaram ao mesmo tempo em que as portas se abriram.
_Não vai ficar mais? –ela pediu.
_Está tarde… –ele divagou, deixando-a enganchar-se nele e acompanhá-lo até a saída.
Pararam junto ao carro. Usando as duas mãos, ele alisou as faces dela com anelo, o olhar de repente melancólico e enegrecido pela noite.
Sim, era loucura.
Ela sorriu, um pouco corada do pranto, respirou fundo e insinuou os lábios, exigindo o beijo de boa-noite a que tinha direito, as pálpebras semicerradas, sonhadora.
Era paixão.
Sem soltar o rosto amado, ele traçou a boca dela com o polegar, estragando seu batom. A seguir, beijou-a com cuidado, sem reservas, com perícia, sem controle.
Era fatal.
Ela ficou sorrindo de olhos fechados, curtindo o prazer até o final. Ele tomou uma das mãos dela, beijou esta nas costas, e depois se afastou, abrindo o carro. Ela debruçou-se perto da janela até ele dar a partida, conferiu sua aparência no espelho da porta. Trocaram um longo olhar, absorvente, feito se beijassem mais uma vez em pensamentos. Com um último sorriso, ela se afastou, abraçando-se devido à friagem da madrugada.
Enquanto via as lanternas do Elantra diminuírem na noite, ela ouviu um alerta de mensagem recebida.
Era Tint:
"Estamos subindo para casa. Tudo bem por aí?"
Tudo bem.
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Oito horas, oito horas. De onde viera todo aquele trânsito? Mesmo de domingo, a grande cidade nunca parava. Seu celular o importunava com uma sucessão de alertas de mensagem. Relena devia estar preocupada, Akane o devia estar procurando, Duo devia estar provocando-o por seu atraso.
Enfim estacionou na frente do edifício St. Gabriel e entrou no hall com o celular na orelha. Acenou com a cabeça um cumprimento para Pargan em seu balcão. O senhor deu um sorriso discreto, observando-o com curiosidade.
_Estou aqui, Relena.
Talvez ela sentisse afobação em sua voz, porque comentou:
_Duo acabou de sair com Ane, não se preocupe… A cerimônia não começa às nove horas?
Ele respirou fundo.
Só estava dando fora ultimamente…
_Sim, você está certa. –devolveu, tentando se acalmar.
Costumava ser mais metódico.
_Estou descendo. –de qualquer modo, ela avisou e desligou.
Andou de um lado para o outro, lentamente, para desacelerar. Tinha esquecido, tinha confundido seu horário de trabalho com a hora do casamento. Estava mudado demais… mais despreocupado, menos responsável? Mas quem não se confunde, não se esquece, não se engana? Ele e seu compromisso obsessivo com a excelência…
Respirou fundo algumas vezes, bem mais controlado.
Ouviu um alerta de mensagem novamente e lembrou-se de checar o que estava acontecendo em seu Whatsapp.
Akane tinha criado um grupo e dado bom-dia. Quase todo mundo tinha respondido já, Tint reclamava daquela palhaçada logo de domingo de manhã, Relena provocava Tint de que já fazia tempo que ela havia acordado, Duo apareceu só para mandar um monte de emojis nada a ver. Daniil ainda não tinha aparecido. Era o único sensato. Devia estar dormindo.
Agora Akane mandava uma selfie dos pés das meninas, pedindo para os rapazes adivinharem quem era quem pelos sapatos.
Heero revirou os olhos com a infantilidade. Duo já respondeu que a sandália dourada era de Ane e ela rapidamente reclamou que ele estava roubando, que tinha erguido a saia dela para ver.
_Mas o que é isso…? –Heero se revoltou, nunca tinha se deparado com tanta asneira.
A última mensagem que leu foi de Tint avacalhando tudo, sarcástica, dizendo que as pantufas do Pateta eram os calçados de Relena. O elevador abriu e chamou sua atenção para algo mais proveitoso.
Ele suspirou fundo em silêncio reverente.
O porte de bailarina, o suficiente para fazê-la elegante em qualquer traje, mesmo em simples jeans e camiseta, envergava um vestido longo, rosa-bebê, decorado com apliques de flores pequenas, rosadas e douradas. A escolha do modelo de decote tomara-que-caia certamente era proposital, destacando suas espáduas e clavículas impecavelmente cinzeladas. Arrematando o conjunto de extremo bom-gosto, havia o penteado, um coque elegante, com tranças, e a maquiagem feita de forma precisa e delicada.
Relena riu e fez a saia mover-se, meiga:
_O que achou? –parecia uma fada.
Heero sorriu com os olhos, como sempre, embora dessa vez seu olhar estivesse iluminado:
_Linda… –e expressou brandamente, encantado.
Ela também parecia gostar muito do que via nele, contemplando sua imagem com olhinhos faiscantes e um sorriso gracioso, de menina. Em uma ocasião feliz, o uniforme de gala dele parecia muito mais garboso. O corte preciso salientava a postura dele, arrojada, altiva, fazia-o ainda mais impressionante de se ver.
Além de Pargan, o fiel porteiro, a cena tinha outro espectador, alguém não tão desconhecido assim. Heero somente o notou quando Relena voltou-se para este, esbanjando contentamento.
_Eu não disse? –o rapaz provocou-a ao receber o olhar dela.
_Heero, esse é Zechs, meu irmão. –ela se apressou em explicar, sem desmanchar o sorriso, sem desbotar a alegria, agindo como se aquela madrugada nunca tivesse existido.
Era ele, o rapaz com ela na fila do bistrô. Mais alto que ela, mais loiro, mais bronzeado, mais sagaz. Zechs sorria com algo vulpino, sem precisar de nada mais para mostrar que sabia de tudo. Esse tudo, entretanto, era demais para Heero e o incomodava.
_Muito prazer. –e Zechs tomou a dianteira em cumprimentar, estendo sua mão.
Heero trazia a mesma reserva costumeira ao conhecer alguém, o que divertia Relena. O modus operandi dele era sempre desconfiar, recuar, observar.
Contudo, aquele homem diante de si era ninguém menos que o irmão mais velho de Relena, e Heero era bem entendido no que envolve ser um irmão mais velho. Não podia vacilar. Aceitou a mão, dando um aperto firme. Não sorriu, não falou nada, mas olhou fixo nos olhos mais azuis dos que os de Relena. Acenou com a cabeça, mostrando consideração.
Atenuando seu sorriso, respirando fundo, Zechs acenou de volta com a cabeça e deu um passo para trás. Analisou Heero, assentiu levemente, reparando minuciosamente em todos os detalhes do uniforme extremamente alinhado, escovado, de botões e distintivos brilhantes.
Realmente, Relena tinha bom gosto. Ele, como irmão mais velho e jurado protetor da honra dela, receou desavergonhadamente que ela tinha arranjado um qualquer, vulgar, sem graça, indigno. Não sabia bem que preconceito sua paranoia produziu ao ouvi-la usar a palavra bombeiro, entretanto, todas suas expectativas foram superadas.
Heero não podia ser descrito com nenhum dos adjetivos que Zechs temera.
_Bem, vocês estão com pressa… conversamos melhor mais tarde. –e os despediu.
_Até mais, Zechs.
Heero ainda não falou, só acenou com a cabeça, distinto, fixando Zechs por um momento mais com os olhos glaciais. Relena enganchou-se nele e abanou a mão em adeus para Pargan, parecendo pronta para desfilar em um tapete vermelho. Nenhum dos dois olhou para trás, contentes consigo mesmos, e Zechs os assistiu deslizar com um sorriso de vencido.
_Brrrr… –e deu uma espalhafatosa tremida de frio, sacudindo os ombros. Heero tinha uma presença intensa, quase desconfortável. Virou-se para Pargan e indagou, maroto. –E o que o senhor está olhando?
O porteiro riu bondosamente, e deu de ombros, voltando para a leitura de seu jornal matinal.
_Onde está seu quepe? –Relena provocou Heero, aguardando-o abrir a porta para ela.
_No banco de trás… –ele respondeu, monótono e paciente, feito lidasse com uma criancinha.
Ela soltou uma gargalhada frustrada:
_Oras, tinha que ter me buscado de uniforme completo. –e reclamou, divertida. Esticou-se e apanhou o chapéu, colocando-o cuidadosamente em seu colo. –Isso foi uma grave quebra de protocolo, sua alteza.
Obrigando-se a não rir, Heero meneou a cabeça e deu a partida. Daquele jeito, eles realmente se atrasariam. Só Deus sabia onde ele encontraria um lugar para estacionar aquela hora.
Depois de dar duas voltas, primeiro na quadra do hotel, depois em duas quadras, Heero finalmente conseguiu estacionar. Eram nove horas quando saíram do carro.
No saguão principal, havia uma aglomeração alegre de amigos e parentes que chegavam, que esperavam a noiva, que confraternizavam.
Sempre de braços dados, Heero e Relena foram se infiltrando entre os demais. Ele acenava vez por outra ao ser localizado por algum conhecido. Um homem de aparência descontraída se aproximou, vindo cumprimentar Heero. Embora tenha estendido a mão para Heero e dado um amigável tapinha no seu ombro, os olhos dele tinham sido completamente cativados pela visão de Relena enfeitando o lado do tenente.
_Está querendo ser promovido, rapaz? –e enfim o amigo mirou Heero e brincou, caloroso.
Heero só meneou a cabeça, algo de arrogante brilhou em seu olhar.
_Vamos entrar, Rika já deve estar descendo. –e disse mais, jovial. Mesurou com a cabeça para Relena e se afastou para procurar a esposa.
Heero e Relena trocaram olhares sorridentes e seguiram para a entrada do salão.
_Quem era ele? –a acolhida daquele homem chamou a atenção de Relena. Ainda o observava a distância, brincando com a esposa, chamando-a para o salão.
_O capitão Peskin. Nós somos da equipe de perícia.
_Do que ele estava falando? Promoção? –e ela o empurrou com seu ombro, contente, deixando Heero um pouco encabulado. Não ia conseguir explicar que aquela promoção que o capitão mencionara estava mais relacionada a estado civil do que a patente.
Ela ria, luminosa. Ele a estudou, colecionando cada detalhe da aparência dela. Registrava tudo, desde o que enxergava até o que simplesmente sentia na aura de preciosidade que atraía o interesse de todos. Rendia total atenção a seus movimentos refinados, pois ela era o maestro da orquestra em seu coração. Despretensiosa e pura, ela seguia desavisada de tanto escrutínio, observando o ambiente e as pessoas, com deleite.
_Você já tinha vindo aqui antes? –e ele resolveu continuar falando para neutralizar um pouco do embevecimento por ela.
_Já, em uma festa do conservatório. –e olhava de cá para lá, relanceando sempre Heero nesse processo, nunca tendo visto tantas galas azul-marinho agrupadas antes. O ambiente era tão elegante e ao mesmo tempo tão alegre. Estava apreciando muito aquela energia.
Entraram na fila informal a entrada da grande sala de eventos e ele abraçou seus ombros enquanto ela brincava um pouco com seus botões dourados. À distância, encontraram sua mesa antes da recepcionista vir orientá-los. Akane estava de pé junto à cadeira conversando com outras duas mulheres e Duo estava sentado de costas para eles, contando algo a um convidado de terno preto ao seu lado.
_Todo o corpo de bombeiros está aqui? –Relena girou o pescoço vendo o lugar lotado. Sentia-se em um casamento de celebridade. De certa forma, era mesmo, mas de um nicho do qual até então ela não tinha conhecimento.
_Não, não todos. Rika e Laurell convidaram a todos, mas especificaram aqueles que queriam presentes na cerimônia de casamento. Com base nisso, foram montadas escalas especiais de trabalho. Mas todos os que quiserem vão ter oportunidade de vir à festa, nem que seja só para dar os parabéns. –Heero explicou, prático.
Ela assentiu e acenou para Akane quando se aproximavam de seus lugares. Não tiveram tempo de conversar, porém.
_Senhoras e senhores, pedimos que tomem seus lugares para darmos início às bodas de nossos queridos Frederika e Laurell. –o mestre de cerimônias anunciou bondosamente. Houve uma azáfama empolgada ao passo que todos se direcionaram a suas mesas.
Sem esperar muito, os músicos começaram a tocar uma refinada melodia de Handel.
A mãe da noiva surgiu na entrada do salão com um sorrido sereno, em tempo com a música. Suas passadas seguras foram seguidas pelo noivo.
Vieram as damas de honra de braços dados com os padrinhos.
A madrinha e o padrinho do casal.
A menina das flores e o pajem trazendo o dálmata do departamento, uma caixinha presa ao alto da coleira contendo as alianças.
E então, com a mudança da música para o Canon de Pachelbel, entrou a noiva.
_Será que existe noiva feia? –Duo questionou baixinho, pilheriando, vendo todo mundo hipnotizado pelo deslize de Rika em seu vestido caríssimo e ostentoso, cujos rebuscados bordados brilhantes de cristais pareciam recobrir o tecido branco com pó de estrelas.
Heero deu de ombros, acompanhando a entrada da moça com indiferença.
_Parece a Cinderela… –Relena sussurrou, impressionada, e a seu lado, Akane assentiu.
_Olha só o noivo… –Akane a seguir chamou atenção para Laurell parado no fim do corredor. Ele estava vidrado, incapaz de respirar, e com receio reverente aceitou a mão dela.
O oficiante conduziu o evento de forma tocante, mas ágil. O casamento aconteceu sem nenhum deslize, a voz dos noivos não tremia no microfone ao proferirem seus votos personalizados. O dálmata permaneceu alerta e imponente sentado junto ao padrinho do noivo, feito entendesse a importância do momento, e se colocou de pé ao entregar as alianças. Todos os bombeiros se contiveram para não fazerem algazarra quando Laurell e Rika deram seu primeiro beijo como marido e mulher. No lugar das comemorações exageradas, divertidas, picantes, amigáveis, aplausos comportados encheram o ambiente.
Embora a festa estivesse preparada para acontecer ali mesmo, o cortejo saiu em ordem do salão, e Rika e Laurell desfilaram pelo tapete, sorridentes e acanhados, relanceando os convidados, cheios de contentamento.
Assim que a cauda do véu da noiva desapareceu porta a fora, o ambiente formal se desmanchou. O vozerio que se ergueu das conversas competiu com a música no primeiro momento, até que todos começaram a se servir para comer.
_Que lindo! –Akane suspirou, emocionada.
_Você chorou? –Duo se espantou ao vê-la colher uma lagriminha. Como simples resposta, ela deu de ombros e grudou em seu braço, suspirando.
_Não sei nem dizer a última vez que estive em um casamento. –Relena murmurou, por sua vez, pensativa. –Mas esta foi uma das noivas mais maravilhosas que já vi.
Heero assentiu. Já tinha ido a alguns outros casamentos, mas nenhum tão fino como aquele.
_Olha lá os tios do Laurell… no fim eles aprontaram mesmo com ele. –Duo mostrou com a cabeça os três homens que conversavam descontraídos, todos já sem o blazer.
_Eu soube… não se falava de outra coisa ontem…
_O que aconteceu? –Akane investigou com sua pergunta inocente.
_Nada, nada, só fizeram uma pequena surpresa para o noivo… –Duo desconversou, mas as sobrancelhas franzidas da ruiva eram claras sobre sua insatisfação.
Relena olhou os dois rapazes, inquisitiva também, antes de virar-se para pegar seu prato.
_Conta… –Ane cobrou, segurando o próprio prato de modo ameaçador.
_Amor, não precisa causar. –Duo advertiu, preocupado.
_Então conta… –ela insistiu, frustrada, empacando a fila.
Relena assentiu em apoio, servindo-se da salada niçoise e omelete.
_Eu e minha boca grande. –Duo cobriu os olhos por um instante, lamentando. –Os caras sem noção chamaram umas dançarinas, sabe, para animar a despedida de solteiro do Laurell. Deu pano para manga…
_Ah, isso? –Akane desdenhou e também se serviu dos legumes grelhados e da seleção de peixes defumados.
Duo pareceu bastante aliviado com a reação tranquila dela. Heero riu de canto, malvado.
_Laurell quase surtou, não, na verdade, ele surtou mesmo… as meninas que os outros tinham levado para a festa, o que já tinha deixado Laurell estressado também, armaram um barraco com a competição. –e já que não tinha causado nenhuma crise de ciúmes, Duo continuou com a história, divertido. –No fim, Laurell foi embora e os tios dele ficaram lá com as strippers.
_Mas você tinha dito que elas eram dançarinas. –Ane voltou-se para ele outra vez, insatisfeita. Relena estranhou a ingenuidade dela, e procurou em Heero algum vestígio de que a menina brincava.
_Eu disse é? Enfim… eu fui embora antes de conseguir descobrir se elas tiravam a roupa ou não… –Duo provocou, dando uma piscadinha perversa com um dos olhos azuis.
Heero, por sua vez, só meneava a cabeça, impaciente com aqueles joguinhos.
_Duo! –Ane protestou, emburrando, brandindo o pegador de comida. Duo arregalou os olhos, encolhendo a barriga para desviar-se.
_Já chega… –Heero interveio e Relena riu a bom rir.
_Espera só quando chegarmos em casa. –Akane ameaçou, de volta a mesa, mas não parecia mais injuriada.
O outro casal que estava sentado com eles sorriu para o grupo e prosseguiram com sua refeição, atentos ao contraste dos pratos dos rapazes, com torradas bem guarnecidas de queijos, pancetta frita e frittatas robustas, com os pratos das moças, cheios de legumes e carnes magras defumadas e grelhadas. De qualquer modo, ninguém dispensou as mimosas, bebendo os drinques com prazer.
Depois de terem se fartado do brunch, depois de cumprimentarem os noivos, depois de terem conversado bastante e dado boas risadas, depois de algumas selfies, Relena pediu licença e foi ao banheiro e Duo saiu procurar algo não alcoólico para beber porque estava de serviço aquela tarde. Restaram na mesa Heero e Akane, ela entretida com seu celular. Com criticidade aquilina, Heero a fitou demoradamente enquanto ela sorria sozinha teclando alguma coisa.
_Este seu vestido mais parece uma camisola… só podia mesmo ser coisa da Tint. –e reclamou, deixando o olhar cair reprobatório sobre o tecido lilás fluído e lustroso, sem qualquer detalhe.
_Ah, eu gostei. É moderno, jovial, romântico, despojado… –sem dar trela para reprovação, Ane elaborou.
_E parece uma camisola. –Heero frisou, rabugento.
_Sim, falou o entendido, o cara das golas pólo. –e com um pouco de sarcasmo, ela resolveu debochar.
_Akane… –ele rosnou.
_Me deixa, hein, caiu bem em mim, é meu estilo! E o Duo gostou.
_E quando a opinião dele importa mais que a minha?
Ela careteou, exasperada:
_Que saco, agora não adianta mais! É isso ou eu andar por aí de calcinha e sutiã.
_Nem eu, nem o Duo aprovamos isso.
Ela deu de ombros.
_Acho que a Rika também não. –e achou brecha para fazer uma piadinha sem graça.
Heero revirou os olhos, sua irritação minada por aquela criancice.
_E eu gostei bastante. –Ane insistiu mais, de propósito.
_Tá bom, mas porque você não alugou um vestido? –cansado, investigou, certo de que ela tinha meios de fazer isso com a mesada que sua família mandava.
_Porque estou economizando. –respondeu de pronto, devolvendo a atenção ao celular.
_Para que?
_Para comprar minha bicicleta… –e surgiu marota demais, insuportável.
_De novo isso? –a impaciência dele se reacendeu.
_Claro que sim, parece que não me conhece…
Heero bufou, sem querer admitir derrota. Ela voltou a usar o celular, devia estar aprontando alguma.
_E que ideia tonta foi essa de criar aquele grupo? –e lembrou-se de mencionar, tirando aquele momento exclusivamente para repreendê-la.
Ela estalou os lábios, impaciente por sua vez, igualzinha a ele.
_Para se comunicar, oras! Facilitar pra todo mundo saber o que está acontecendo, evitar mal entendidos. –e estocou no final, ladina.
Mas como ela tinha descoberto? Será que já tinha ganhado tanta liberdade de Relena a ponto de ter se tornado sua confidente? Ou Duo deixara algo escapar? Não devia ter contado nada a ele… Heero respirou fundo para controlar-se. Demorou em reagir.
_Nesse caso, não teria adiantado nada. Eu estava sem bateria na hora. –e não sabia por que tinha de se justificar. Bufou de novo.
_Mas como Heero Yuy sai de casa com celular descarregado? E se o quartel chama? Fica nos joguinhos, é isso que dá… –com diversão, Akane importunou, mas sua voz foi tão generosa que não o ofendeu.
Ele deu de ombros, tímido, confessando rouco e desajeitado:
_Pois é, eu estou cometendo muitos deslizes como esses…
Akane o tocou no ombro, aprovativa:
_Sabe, às vezes é bom se desprender das coisas.
Ele não pareceu muito certo disso. Trocou um olhar com ela, que parecia astuta e satisfeita, mas ele não expressou nada. Voltando-se para frente, notou Relena voltando.
_Agora, não cometa mais um desses deslizes e vai lá dançar com a Lena… –Akane incentivou, se levantando e tencionando afastar-se.
_Espera, Ane! –Relena avisou, ainda à distância. –Tira uma foto minha e do Heero? Eu queria uma que não fosse selfie… –e entregou seu celular para a amiga.
Se ele já estava sem jeito, se empertigou, falhando miseravelmente em esconder sua ansiedade. Relena achava que ele ficava meigo quando atrapalhado assim. Sorriu para ele com mais brilho, sempre mais brilho, ela uma estrela de primeira grandeza. E sem poder resistir à gravidade dela, ele sorriu com discrição, simples satélite, refletindo toda aquela luz.
Encontraram uma coluna com um belo arranjo de flores. Akane os parou lá e dirigiu a pose através do que enxergava na tela do celular. Colocou-os o mais junto que pôde. Também fez um vídeo sem eles perceberem.
Para todo mundo que perguntou a Heero quem era Relena, ele sempre a apresentou pelo nome próprio, e embora não adicionasse nenhum título, a não ser a ocasional explicação de que ela era bailarina, o veludo da voz dele e o cintilo do olhar dizia de verdade o que ela significava para ele. Se ele tivesse coragem de falar, teria dito a Trowa quando a apresentou que ela era Relena, sua alegria. Teria explicado a Quatre que ela era seu único amor. E a Wu Fei teria dito ousadamente que ela era seu maior tesouro.
Relena sempre sorria com refinamento, ela nunca parecia cansada ou sem interesse. Respondia com solicitude e perguntava com consideração ao conversar com todos que se aproximavam, com os amigos de Heero que vieram lhe conhecer, com o capitão da escada 5, com o próprio chefe do departamento. Era simpática e era natural, e depois de deslumbrar a todos, especialmente os colegas de profissão de Heero, foi aceita e acolhida, recebendo respeito de todos. Ninguém conseguia imaginar que houvesse alguém mais a altura de Heero do que ela.
E parados ali, diante de todos, posando para a fotografia, ficava cada vez mais certo, cada vez mais real, que o sentimento entre eles era sublime e notável. E ao dançarem, nenhum outro casal podia competir com eles. Só Akane tinha notado que eles às vezes chamavam mais atenção do que os noivos.
Não teve jeito, o capítulo ainda ficou grande. Mas era para ter sido bem maior, tem cena excluída, tem cena que nem escrevi.
Para o próximo, o planejado jantar. :)
Muito obrigada por acompanharem!
Espero pelos seus comentários!
Beijos e abraços!
06.08.2016
