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Quando ele me beija, eu estremeço.
Nem sei dizer direito por que ele fez isso, mas antes de ir embora, quando o levo até a porta, Sasuke me beija de repente.
Hoje ele veio trazer um presente bobo para Sarada, e ficou até a hora do almoço. Notei ele diferente. Sasuke não é o homem mais aberto do mundo, mas ele me falou das coisas do trabalho, comentou sobre uma reportagem que passou na televisão e até mesmo me recomendou um filme.
Não sei o que deu nele, mas achei uma mudança agradável. Conversamos mais, interagimos mais. O jeito com que ele sorri quase sempre faz eu ter que me controlar para não corar, mas acho que ele nunca percebeu isso.
Mas aí, hoje, nesse dia estranho em que ele apareceu do nada para comer e jogar conversa fora, Sasuke se despede de mim com um beijo longo.
Nossos lábios se tocam e eu me sinto nervosa. Penso em Ino, no casamento dele, nos motivos do divórcio. Penso em como as coisas podem se complicar por conta de apenas um beijo. Penso que quero recusá-lo. Penso que não quero que ele me toque dessa forma. Penso em empurrá-lo e pedir que pare.
Mas não faço nada disso.
Eu deixo que ele me beije.
Ele é bonito e algumas vezes fantasio uma vida em que nós dois somos um casal. Fantasio sobre Sarada ser filha dele, sobre morarmos numa casa grande e viajarmos em todas as férias. Não posso negar que me sinto atraída por ele, afinal, Sasuke é perfeito em tudo o que faz. Mas ao mesmo tempo, essas fantasias não são o suficiente para me fazer querer aquele beijo.
Sim, eu já sonhei com isso. Com Sasuke me beijando. Mas não é como se eu realmente quisesse, porque ainda que ele esteja se divorciando, tudo era apenas uma fantasia em minha mente e, mais que isso, eu não quero o tipo de complicação que surgiria a partir de um simples beijo.
E não falo só de Ino, que poderia achar que eu sempre estive de olho nele.
Sasuke me banca. Ele paga pela casa, pela comida. É o cartão de crédito dele que tá no meu aplicativo do Uber.
Se não fosse o Sasuke, eu estaria morando na rua e Sarada estaria em algum abrigo esperando ser adotada. Se não fosse o Sasuke, eu não teria absolutamente nada.
É por isso que eu deixo que ele me beije, com medo de que, se eu o recusar, ele resolva me expulsar daqui e me tirar Sarada. Porque ele pode fazer isso quando quiser, já que minha filha é registrada como filha dele também.
Ele movimenta seus lábios contra os meus e eu o acompanho. Faz tempo que eu não beijo ninguém, mas não me esforço muito para ser boa nisso. Quem sabe ele não ache que eu beije mal e desista? Mas não acontece. Sinto a língua dele, as mãos dele no meu corpo.
Quero chorar de repente, mas seguro firme.
Penso nas palavras de Ino, na minha vida, no pai da Sarada. Penso nas coisas que já me aconteceram e como eu não quero que se repitam. Penso em como eu gostaria que Sasuke não olhasse para mim desse jeito e me arrependo de cada devaneio que tive com ele. Não era isso que eu queria. Não era, definitivamente.
Mas não nego que beijá-lo é fácil.
Talvez eu esteja gostando, porque meu corpo reage.
Só que, por melhor que seja esse beijo, eu ainda não o quero.
Sasuke finalmente recua, ofegante. Ele me olha com algo que imagino ser um misto de empolgação e satisfação. Ele é completamente lindo e quando passa a mão nos cabelos, me pergunto como alguém tão bonito existe. Sorrindo para mim, ele se despede com um breve tchau.
A porta se fecha e eu encaro a madeira, sabendo que preciso urgentemente que meu plano dê certo. Preciso juntar algum dinheiro. Preciso sair daqui.
Preciso fugir.
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