Mulher-Maravilha após o caso Max Lord
Autora: Larissa Trindade.
A Mulher-Maravilha viu Max Lord abandonar seu posto, viu-o retomar a normalidade. Abandonar a loucura, correr, braços abertos e coração ansioso, para o filho. À procura de quem ele mais amava.
Ela recolheu o laço da verdade e sentiu, satisfeita, que tudo dera certo. As pessoas estavam abdicando de seus pactos mentirosos com a suposta "pedra dos desejos", que nada mais era que uma pedra ilusória, que exigia troca. Vidas estavam ressuscitando, armas desaparecendo. A confusão estava finda.
Todavia, Diana estava um pouco triste. Ela acreditara poder ser feliz e a "pedra dos desejos" lhe trouxera uma realidade forjada, frágil como uma folha seca, que teve de desaparecer mal surgiu, como condição para o mundo retomar a sanidade. Steve...
A amazona vivia uma vida solitária. Ninguém a confortava, ninguém a compreendia. Ninguém queria um contato próximo com ela, as pessoas apenas a admiravam de longe. Aliás, justamente por isso Hipólita a criara de maneira independente, estimulando a filha a não esperar nada dos outros, apenas de si. Linda, poderosa. Diferente. Auto-confiante. Era uma estrela: todos a cercavam, mas ninguém se aproximava. Quando ela começava a ter um amigo, parecia fadada a perdê-lo. Steve... Barbara...
Caminhando para fora, onde deixara a Mulher-Leopardo inconsciente, rezou para ela estar viva. Barbara Minerva talvez também desejasse vê-la, assim como Diana desejava ver a cientista. Nem tudo Diana perdera na vida. A noite era um breu e a heroína viu Barbara sentada. Graças aos deuses. Ela vivera.
A arqueóloga estava encostada numa rocha, com uma sombria tristeza no rosto. Sem a pelagem a as unhas de leopardo. Pensava: "de novo, uma pobre-coitada. De novo, vulnerável. De novo, invisível. E, dessa vez, sem Diana para me ajudar."
Diana viu Barbara Minerva de longe e correu para ela. Chamou: "Barbara!" Barbara olhou, percebeu Diana se aproximando. Não soube o que pensar, nem o que falar. Só ficou olhando. Diana se sentou ao lado dela. Disse:
– Ainda bem que você está viva...
– Você chama isto de vida? – Retrucou Barbara, amarga. Eu fui forte e tive seus poderes. Agora, voltei a ser um nada.
– Barbara...
– E você perdeu o homem que amava. Ninguém a obrigou a fazer isso, você fez por si mesma. Abriu mão dele. Poderia tê-lo a seu lado e eu poderia estar me sentindo melhor, invencível e poderosa. Por que não teríamos direito a desejos realizados, à felicidade?
– Barbara, você sabe por que eu abdiquei de Steve? Não somente porque as pessoas estavam perdendo sua vida, tendo sua saúde e seu futuro roubados por Max Lord. Mas também porque eu percebi que o que eu estava perdendo para ter Steve era demais para eu ignorar. Barbara Minerva amenizou o tom da voz e disse, devagar:
– Entendo você. Seus poderes, não é? Sem eles, você estava se sentindo nula. Eu também estou me sentindo assim.
– Não foram meus poderes, Barbara. Antes fossem. Eu estava perdendo algo precioso demais para eu abdicar: eu estava perdendo sua amizade. Eu estava perdendo você, minha amiga Barbara Minerva. Barbara ficou silenciosa, suspirou e protestou baixo:
– Só porque fiquei forte, poderosa e me tornei uma predadora? Você deveria querer o meu bem.
– Não é porque você ficou forte. Você ficou forte, invencível. Isso era bom. Mas não estava feliz e em paz. Seu sorriso, sua espontaneidade desapareceram. Você estava séria, como se o mundo fosse seu inimigo. Como eu, triste, antes de conhecer você.
– Mas eu lhe traí, Diana.– Disse Barbara.
– Eu também lhe traí, fazendo você tomar um choque. Se eu não fizesse isso, você não iria me permitir encontrar Max Lord a tempo. No entanto, foi uma traição. Ambas podemos nos perdoar mutuamente?
– Você ainda quer minha amizade? – Barbara se surpreendeu.
– Sua amizade me levantou, me renovou, me fez ê é bondosa, Barbara e tem uma ternura que não se vê nas pessoas. Quando você está comigo, sinto-me apoiada, pois você é minha amiga. Minha única amiga.
– Desculpe, Diana. – Disse Barbara, chorando. – Eu a decepcionei.
– Você só foi lutar contra mim porque queria ser feliz. – Disse Diana, benevolente. – Agora, resta-nos olhar para frente e procurar um novo futuro. Nós somos a força uma da outra, Barbara.
– Você é forte, eu sou fraca e insignificante...
– Você é forte, pois seu coração é generoso. Você é persistente, inteligente. As pessoas pareciam tratá-la mal porque tinham inveja de você.
– Você acha?
– Sim, eu percebi isso. – Acrescentou Diana, com toda a sua charmosa voz decidida.
– Você acha que ainda podemos ser amigas?
– É claro! Amigas e parceiras em todos os nossos projetos e missões, porque agora você conhece meus segredos. Compreende quem sou.
– Quem, exatamente, você é, Diana? - perguntou Barbara Minerva intrigada.
A resposta veio, suave e tranquila, pela voz de Diana, de uma maneira inesperada:
– Sou uma amazona da Grécia. Filha de Hipólita, rainha das amazonas.
– Por isso eu não esperava. – Disse, num murmúrio, Barbara Minerva. – É inacreditável…
– Vou contar para você minha vida inteira. Pode contar a sua, se quiser. Gostei muito de conhecê-la, Barbara. É importante, para mim, ser sua amiga.
– Mas não posso ajudá-la nas suas missões, pois não sei lutar. Estou fraca de novo, sou uma simples mortal.
– Eu lhe prometi ensinar autodefesa, lembra-se? Agora, você será de fato forte, porque terá algo natural, vindo de você. Equilibrado e perfeito. Vi do que você é capaz. Barbara, prepare-se: você será uma heroína.
A cientista riu de leve, a tensão se esvaindo apesar da fraqueza e torpor de seu corpo após o choque e a luta violenta com Diana. Mais calma e com um tom bem mais natural e benévolo do que aquele com que falara enquanto era Mulher-Leopardo, ela disse:
– Diana, eu me arrependo de haver lhe invejado. Você é minha melhor amiga, eu não deveria querer os seus poderes para mim, mas deveria ter querido ficar junto a você, sem traí-la ou me por contrária.
– Vamos juntas, então?
– Vamos, vamos juntas voltar. Então, a Mulher-Maravilha e Barbara Minerva ajudaram-se entre si a se levantarem. Comentaram pelo longo caminho sobre as amazonas, seus hábitos, suas lendas. Barbara, maravilhada, perguntava toda hora detalhes sobre o passado de Diana, Hipólita e todas as outras mulheres de lá. Elas deram o braço e continuaram conversando madrugada afora. Juntas, eram mais poderosas que separadas. Assim ficaram, dali por diante: uma pela outra, sempre ao lado da outra. É assim que estão até hoje.
Agora Diana está com Barbara no Egito, pois a Mulher-Maravilha se deparou com pistas talvez sejam evidências para a arqueologia encontrar os manuscritos de Hipátia. Quando as amigas não estão nesses trabalhos arqueológicos, elas sempre estão juntas, lutando pela justiça.
São, em suma, uma dupla de arqueólogas e heroínas nas horas vagas. A Mulher-Maravilha é missionária no mundo, embaixadora da paz. Barbara Minerva é o elemento surpresa das intervenções de ambas. Ela sempre encontra tempo para ajudar a amiga. Há lugar para todas.
*Fim*
