CAPÍTULO 2

"Na conversa da sociedade, três quartos das perguntas feitas e das respostas dadas são para magoar um pouco o interlocutor; é por isso que muita gente tem sede da sociedade: ela confere a todos o sentimento de sua força" Humano, demasiado humano. Friedrich Nietzsche.


Trunks decidiu descer até à adega. Ele precisava relaxar um pouco. Depois de diversas reuniões com os senhores Takahashi e Yamazaki, eles finalmente fecharam o contrato. Isso merecia um brinde. Ele escolheu um Château Naïrac de Bordeaux, um dos vinhos que monsieur Dubois, o sócio europeu da CC, fazia questão de trazer para ele quando visitava o Japão.

Abriu a garrafa e apreciou o cheiro. Ao sentir a boca salivando ele teve certeza que tinha feito uma ótima escolha. Colocou o vinho na taça, rodou um pouco e bebeu. Esse ritual de degustação era necessário, era assim que ele tinha aprendido com o senhor Dubois. Voltou para a sala e quando se sentou no sofá com a taça na mão ele se lembrou dela.

Suspirou algumas vezes enquanto bebia. Tinha escolhido um vinho da adega especial para poder esquecer daquele sorriso sarcástico. Do jeito afetuoso com o qual ela falava com os fornecedores, da maneira descontraída que eles respondiam à ela. Aquilo era uma reunião de negócios. Não era nenhuma das festas que ela ia com a Bra. A primeira coisa que ela falou com o senhor Takahashi foi sobre o neto dele. Trunks achava isso um absurdo. Virou mais um copo de vinho, o sabor amadeirado invadiu a boca dele. Apoiou a cabeça nas costas do sofá e ficou olhando pro teto. Ela sabia várias coisas da vida pessoal deles. Trunks não sabia que o senhor Yamazaki tinha frequentado a academia de luta de Goten. Ele não podia nem imaginar que na verdade eles tinham muito mais coisas em comum do que um mero contrato para ser assinado. E ainda por cima tinha o senhor Murakami… Trunks fechou os olhos e se lembrou daquela conversa.

"Alô, senhora Briefs. Só gostaria de informá-la que o negócio foi fechado. Tivemos uma ajuda inesperada de uma amiga da sua filha…. Sim, uma senhorita muito articulada que conhecia todos os fornecedores…. Pan Son. Sim…. sim. Ela soube como cativar cada um deles individualmente. Ela tem uma ótima capacidade de negociação e magnetismo. Acho difícil uma pessoa conseguir dizer não à ela. De nada, senhora Briefs. Boa noite."

Trunks respirou fundo. Olhou para a garrafa de vinho. Ainda tinha mais um pouco. Virou tudo e terminou a cerimônia de celebração de uma vez. Ele sabia que no fundo, no fundo ele não estava celebrando nada. Mesmo com álcool ele não conseguia fugir da realidade. Até porque o álcool não funcionava muito bem no corpo de um saiyan. Suspirou cansado, desistindo de tentar de se enganar.

"Aquela desgraçada foi simplesmente perfeita. Perfeita." Trunks colocou o copo na mesinha de vidro em frente ao sofá e foi para o quarto frustrado.


Trunks saiu da sala de gravidade suado e exausto. Fazia tempo que não treinava com seu pai. E exatamente por quase nunca treinar com Vegeta que ele pegava ainda mais pesado. Pelo menos era exatamente isso que ele precisava agora. Jogou toda a sua frustração da última reunião na luta. Enquanto caminhava para a cozinha, Trunks pensava que deveria fazer isso mais vezes.

"Hey. Sábado que vem, sem desculpas, quero ver você no treino de novo, hein moleque. Você tá ficando muito mole" Vegeta tinha alcançado o filho.

"Vocês estavam treinando juntos? Ah, não! Por que não me chamaram?" Pan estava na cozinha com Bra, as duas estavam ajudando Bulma a pôr a mesa.

"Você sabe onde eu treino. E você sabe a que horas eu começo." Vegita respondia com as sobrancelhas erguidas. "Da próxima vez é só entrar."

"Yes! Obrigada, Veggie" Pan se levantou pra dar um abraço nele, mas Vegita se afastou dos braços dela.

"O que você está fazendo aqui?" Trunks perguntou sem nenhuma cerimônia.

"Ela é minha melhor amiga. Ela pode vir quando quiser." Bra respondeu.

"Trunks, eu a convidei. Queria agradecê-la pelo que ela fez ontem na sua reunião com o senhor Takahashi." Trunks fechou a cara.

"Você fala como se ela nunca almoçasse aqui." Vegeta resmungou.

"Bulma, não havia nenhuma necessidade de fazer um almoço especial por minha causa, você sabe né?! É um prazer enorme ajudar vocês, não importa a forma que seja." Pan disse educada.

"Você fala isso porque ainda não sabe qual é o menu do dia."

"O que?" Pan, Bra, Vegeta e Trunks perguntaram juntos.

"Tá dam!" Bulma abriu as panelas com os pratos preferidos de Pan.

Os quatros atacaram a comida. Bulma nem teve tempo de servi-los direito. Na verdade ela nem discutia mais com eles sobre isso. Ela era minoria e sabia que não deveria mexer com um saiyan que estava com fome.

Quando colocou algumas frutas na mesa, os quatro já estavam mais calmos. Bra estava saboreando a melancia e pensando que até quando o assunto era comida ela e Pan se entendiam muito bem. Ela adorava melancia.

"O que você achou do almoço, Pan?" Bulma perguntou enquanto Vegeta pegava o maior pedaço de melancia. O fato não passou despercebido pela empresária que deu um tapa na mão do marido e voltou a focar em Pan. Percebendo a rápida distração da mulher na garota, Vegeta pega um outro pedaço de melancia e sai correndo da cozinha.

"Eu… sch..bom...melan..cia…" as bochechas de Pan pareciam duas bolinhas cheias de fruta. Ela estava com o rosto todo lambuzado e duas sementes ficaram grudadas no queixo dela.

"Como é que Videl pode confiar numa pessoa como ela para liderar uma empresa ?" Trunks olhava indignado para a morena e não conseguia entender como uma pessoa que não sabia comer uma melancia direito podia fazer negócios. Pan engoliu tudo o que estava na sua boca de uma só vez e encarou feio Trunks. Ela ia responder de forma agressiva mas foi defendida por Bulma.

"Até onde eu sei Videl sabe muito bem em quem confiar. Não é à toa que Pan conseguiu fechar o negócio com o senhor Takahashi ontem."

"Quem fechou o negócio fui eu."

"Se fossemos contar com você sozinho a gente teria agendado mais uma outra reunião pra semana que vem. Ou pior, talvez eles até desistissem do acordo." Trunks fechou a cara. Ele sabia que sua mãe tinha razão.

"Bulma, mas o que eu fiz não foi nada de mais. Sem o contrato que o Trunks escreveu, a análise estratégica e financeira dele nada seria possível."

"Claro, o senhor perfeição não escreve nem sequer uma vírgula errada. Você já chegou a ver um contrato escrito por ele?" Bra tentava suavizar o clima tirando um pouco a cara do irmão. Pan negou com a cabeça.

"Pan, o que você fez ontem mostrou que você é uma profissional extremamente habilidosa. Com uma capacidade de persuasão impressionante. O valor disso não deveria jamais ser minimizado." Bulma finalizou. Trunks dá uma bufada, cansado dessa conversa.

"Se ela é tão incrível assim, por que é que Videl reclamou tanto dela da última vez que veio aqui? Não era essa mesma profissional extremamente habilidosa e com uma capacidade de persuasão impressionante que não conseguia nem interpretar um contrato do cliente? E muito menos escrever um ?! Pra mim o que ela mostrou ontem é exatamente o que ela está mostrando agora : é uma menina mimada que quer pisar em qualquer um que não estiver com a atenção totalmente focada nela." as três ficaram sem palavras. Pan sentiu as lágrimas se formarem nos seus olhos.

"Trunks…" Pan começou a falar e se esforçando ao máximo para não chorar. Mas foi cortada.

"E ainda por cima não sabe nem comer uma melancia direito. Tem duas sementes na sua cara." Ele apontou pro próprio queixo e saiu da cozinha deixando uma Pan completamente vermelha para trás.

1 Pan X 1 Trunks


Pan estava sentada na sala que compartilhava com a sua mãe na empresa Satan. Sua mesa era algo temporário criado pro período de adaptação e integração da recém graduada da faculdade. Período que já estava durando mais do que o esperado. Afinal, ia fazer 1 ano desde que Pan tinha terminado o curso superior.

"Alô Pan, você está livre hoje a noite ?"

"Ai, Bra, por favor vem me resgatar! Minha mãe quer que eu termine de analisar uma apresentação financeira sobre o novo plano de negócios da Satan pra amanhã cedo. Socorro!"

"Tô indo! Onde é que eu te pego?" Bra ria divertida com a situação.

"Aqui na frente da Santan. Eu vou fugir desse lugar. Não aguento mais. Nessas horas eu queria ser meu avô pra poder desaparecer dessa sala sem deixar rastros."

"Me dá 30 minutos. Seu resgate está a caminho!"

"Não esquece do cavalo branco pra me salvar das garras do monstro Excel" elas riam juntas.

Pan fecha o computador e coloca as mãos na cabeça. Aqueles números estavam a deixando louca. Nada fazia sentido. E nada daquilo a interessava direito. Videl achava que ela deveria saber o básico de administração, e finanças estava incluso. Às vezes Pan se pegava pensando que o básico pra sua mãe era o nível avançado. Na verdade, ela tinha certeza disso. Outro dia o chefe do departamento de finanças mostrou o relatório final do lançamento do último produto da empresa e ela conseguia entender quase tudo. As partes incompreensíveis eram exatamente as mesmas coisas que ela não sabia explicar nas apresentações exigidas pela sua mãe.

"Venha logo, Bra." Pan sussurrou olhando pro relógio.


Bra tinha selecionado a pior música para a missão do resgate, na opinião de Pan. A abertura de Guilherme Tell de Rossini. Tá certo que o carro poderia funcionar com essa ideia de cavalos galopantes em busca da donzela indefesa. Mas não era o que Pan ouviria, muito menos as outras músicas que viriam em seguida… todas clássicas.

"E essa Pan ?" - Bra trocou de música e deixou a obra criada por Mozart invadir o carro - "Eu consigo imaginar você dentro da empresa Satan cantando como ela". Pan ouviu atentamente a ária mais famosa da ópera A Flauta Mágica e abriu um sorriso.

"Se soltar as tripas pra fora é o que você considera música, não posso nem imaginar o que você considera ter um orgasmo - Bra olhou pra ela desapontada enquanto Pan ria - Mas é exatamente assim que eu estava me sentindo dentro daquela empresa. - Ela tinha baixado o tom e falava sério agora.

"Dama da Noite, Pan. Pan, Dama da Noite. Te apresento a sua mais nova companheira nas horas de desespero na empresa."

"Esse vai ser o novo toque de telefone pra quando minha mãe me ligar." E as duas caíram na risada.

"Você já tentou explicar pra sua mãe que esses números não são sua praia?" Pan suspirou frustrada.

"E adianta? Ela acha que eu sou a única pessoa que pode substituí-la."

"E com seu pai?"

"Eu não sei. Eles estão sempre unidos nas decisões. Acho difícil ele discordar dela."

"Bom, pelo menos você gosta de uma parte do trabalho, né?!" Bra tentava ver o lado positivo das coisas enquanto estacionava o carro. Pan confirmou com a cabeça e um sorriso triste. "Eu lembro quando Trunks começou a trabalhar na empresa. Lembra como a gente era próximo? De repente as coisas mudaram e ele ficou bem mais fechado."

Elas saíram do carro e começaram a caminhar em direção ao bar. Goten e Ubb estavam esperando as duas lá dentro.

"Vendo o quanto está sendo difícil pra você se adaptar ao trabalho na Santan eu me pergunto se ele também não estava passando por uma fase complicada. E nós nem ajudamos ele…"

"Hei. Hei. Nós acabamos de chegar - Pan apontava pro nome escrito na parte superior da porta 'L'enfer' - E a gente tentou ajudar ele. Você não lembra quantas vezes a gente chamou ele pra brincar com a gente ?"

"Se duas meninas de 11 anos te chamassem para brincar quando você saísse da Satan cansada e de saco cheio, como você reagiria ?"

"Eu pediria pra elas fazerem uma fila."

"Uma fila, Pan? Mas que diabos?"

"Fica mais fácil pra acertar o kameramera nas duas de uma vez só." Pan piscou pra amiga.

Goten estava pegando duas cervejas no bar. E pelo sorriso estampado no rosto, parecia estar flertando com a barista. E ela parecia não estar nada feliz com isso.

"Você por um acaso viu meu número de telefone no menu ?" As duas podiam ouvir a barista perguntar para Goten. "Se não tem essa opção, então não peça."

"Você é sempre tão certinha assim?!" Ao ouvir Goten dar uma resposta completamente babaca Bra se irritou.

"Nenhuma mulher em sã consciência daria o telefone dela pra um idiota como você, Goten. Ela disse não. Hora de cair fora." Bra o puxou pelo braço e começou a arrastá-lo para a mesa eles podiam ver Ubb.

"Bra, me solta. Se você não tivesse se intrometido ela ia me dar o telefone." Faíscas começaram a sair dos olhos de Bra. Até seu ki tinha se alterado.

"Obrigada, tio. Tava precisando dar uma refrescada na cabeça." Pan pegou as duas cervejas que Goten estava segurando. Ela não gostava nada de ver Bra neste estado. "Bra, pega. Não deixa ele estragar a sua noite." Ela hesitou, mas acabou pegando a cerveja oferecida pela amiga.

"Pan, Bra, qual é?! - ele bufou indignado enquanto via as duas se afastando.

"Ao babaca do seu tio !"

"Ao arrogante do seu irmão !" As duas brindaram juntas. Era o código secreto delas. Quando as duas estavam mal por alguma razão elas brindavam aos amores de infância delas. E hoje cada uma tinha um motivo pra esse brinde.

Pan às vezes tinha dúvidas se esse amor infantil tinha ficado realmente na infância. Bra realmente se irritava com homens que não sabiam ouvir um não. E Goten nesses últimos tempos estava passando dos limites de vez em quando. Pan suspeitava que algo não estava indo bem com ele. E isso só aumentava o desinteresse da estudante de cabelo azul. Afinal o que Bra não conseguia suportar era que Goten não tinha mudado, continuava o mesmo infantil de sempre. Exatamente o contrário de Trunks, que tinha adormecido o interesse de Pan exatamente porque ele não era mais o mesmo.

Ubb estava sentado em uma mesa perto da pista de dança. Ele parecia estar curtindo a música, alheio a todos a sua volta, inclusive um grupo de garotas. Elas olhavam indiscretamente para ele e os cochichos aumentavam a cada lance de olhar. A chegada das duas semi saiyans afastaram os olhares.

"Bra, Pan. Ótimo, vocês chegaram ! Bora dançar? Essa música é ótima. Quem foi que te indicou esse bar, Bra?

"Meu irmão. Ele vem aqui de vez em quando…"

"Ué. A marmota sai da toca de vez em quando?" Pan observava curiosa a conversa entre os amigos.

"Não me pergunte como o Trunks funciona. Mas acho que o motivo pelo qual ele vem aqui não é muito nobre." Pan e Ubb gargalharam.

"Todo príncipe precisa sair do trono de vez em quando. Afinal, no trono só tem espaço pra um." Ubb parecia compreender exatamente o interesse de Trunks neste bar.

"Coitado. Ter que se juntar a esses plebeus. O que você acha disso, princesa?" Pan provocava a amiga.

"Não é fácil ser nobre. Sacrifícios são necessários, às vezes."

"Vocês não querem dançar?"

"Vai Ubb. Aproveita pra sair do trono também, rapaz. Eu queria conversar um pouco mais com a Bra antes de ir." Ele olhou preocupado pra Pan.

"Tá tudo bem, Pan?"

"Sim. Sim. Só esse trabalho. Não aguento mais. Minha mãe…" ele se sentou e fez sinal pra ela continuar. "Ela acha que eu sou capaz de liderar a empresa como ela. Mas eu não tenho tanta certeza." Ela suspirou. "Acho que não estou à altura pra esse trabalho. Eu sou péssima em finanças. Todo relatório feito no Excel é a pior coisa do mundo pra mim."

"Pega aí, Ubb." Goten jogou a cerveja para Ubb e se sentou ao lado de Bra. " Que tá rolando?"

"Pan estava falando até você interromper a fala dela." Bra ainda estava brava com Goten.

"Eu acho que você deveria falar com Gohan."

"Falar que eu não sou boa o suficiente pro trabalho e que ele e mamãe se enganaram. Tô de boa."

"Acho que Goten tem razão, Pan." Ubb tentava acalmá-la. "Seu pai e sua mãe só querem o seu bem, acima de tudo." Ubb se sentia um pouco parte daquela família.

"Eu não quero decepcioná-los." Pan olhava para suas mãos.

"Isso seria impossível. Gohan tem muito orgulho de você. Abra o jogo e para com esse drama" Goten não entendia direito a confusão de Pan.

"Mas não é drama. Eu só não estou à altura…"

"Mas isso não é verdade. Olha o que você fez semana passada no seu aniversário. Você fechou um contrato pra Corporação Cápsula. E você nem sequer tinha lido o contrato." Ubb a defendia.

"Ele tem razão Pan. Minha mãe ficou admirada. Eu ouvi ela no telefone falando com o Sr Murakami que eles nunca tinham visto uma pessoa negociar um contrato de forma tão eficaz."

"Bra isso é fácil. Negociação e a interação com os clientes eu não tenho problema. Mas pra escrever o contrato ou preencher uma planilha do Excel eu me enrolo toda…"

"Bra, o Trunks não é bom nessa parte burocrática?" Goten perguntava.

"Bom? Eu diria extremamente detalhista. Mamãe nunca teve problema com nenhum contrato que ele escreveu desde o primeiro dia de trabalho dele." Os três amigos se olharam.

"Ah, nem pensem. Ele foi extremamente mal educado comigo na última vez que nos vimos."

"Pan, eu concordo que meu irmão foi um babaca com você. Mas se você pedir ajuda pra ele tenho certeza que ele não ia dizer não."

Goten e Ubb soltaram umas risadinhas leves. O que despertou a curiosidade das garotas.

"Vocês acham que ele diria não?" Perguntou Bra desconfiada.

"Acho que ele não perderia a oportunidade de mostrar que entende mais de administração de empresas do que a aniversariante do mês aqui." Goten apontava para Pan imaginando o gosto amargo que deveria ter ficado na boca de Trunks no dia do aniversário dela. Ubb balançava a cabeça concordando.

"Hahaha. Vocês conhecem meu irmão bem demais. Pan, o lado competitivo do Trunks está a seu favor."

"Não tem outra pessoa? Eu ia preferir jogar na cara daquele babaca como eu sou melhor do que ele quando esse problema já estivesse resolvido."

"Pan !" Goten ria, Bra balançava a cabeça em negação e Ubb concluiu: "Mas você vai! Só precisa aprender algumas técnicas com o inimigo pra depois superá-lo."

"Ok. Ok." Pan concordou. Essa ideia parecia mais plausível. Ela podia aceitar isso. "Ubb, vai pra pista! Eu sei que você quer e aquele grupo de garotas não para de olhar na sua direção. Chama uma delas pra dançar." Pan apontou pra as meninas que olhavam pra eles curiosas disfarçadamente.

"Tem alguma olhando pra mim também?" Goten ainda não tinha desistido. Pan e Bar decidiram ignorá-lo.

"Vai Ubb!" Pan começou a empurrá-lo. "E obrigada" ela olhou para os três. "Vocês são fodas. Amo vocês."

Os três ficaram observando o amigo convidar uma das garotas pra dançar. Ela aceitou imediatamente e sorriu radiante para as amigas. A pista ainda estava meio vazia. Os dois atraiam os olhares de várias pessoas.

"O Ubb deve ser muito bom de cama." Goten olhou assustado pra Bra.

"Depois dessa eu vou pegar mais uma cerveja pra gente." Ele deixou as duas amigas sozinhas.

"Ele é atencioso e empático. Geralmente qualidades pra um bom amante." Pan acrescentou. "Você está com ciúmes do Goten?" Bra suspirou.

"Não. Por um momento eu também achei que fosse ciúmes. Só não consigo aceitar o que ele estava fazendo. Não é não."

Pan concordava. Bra tinha dado uma bela lição no seu tio. Esses homens saiyans estavam redescobrindo o mundo com as garotas saiyans. Estava na hora das mulheres mostrarem a sua força.


Ubb parecia ter virado o rei do grupo das garotas. As amigas se juntaram a ele e à morena que ele tinha tirado pra dançar. A atenção ficava concentrada toda nele. E ele focava toda a sua atenção na morena. Goten tinha voltado pra mesa com 3 cervejas, Bra aceitou mesmo dizendo que preferia um coquetel. Enquanto Ubb mostrava suas habilidades na pista, os dois integrantes da família Son ouviam as histórias de Bra na Universidade.

"Então eu acho que a melhor opção é criar a minha própria marca. É difícil achar roupas 100% sustentáveis, bonitas e confortáveis."

"Eu te vejo fácil, fácil como dona de uma marca de sucesso, Bra." Pan a encorajava.

"Obrigada, Pan. Eu não consigo aceitar como esses meus professores estão tão focados na qualidade do material e esquecem de verificar o abuso por trás de um belo tecido. Vocês sabiam que tem várias pessoas fazendo trabalho escravo só pra gente se vestir bonito? Sem falar no meio ambiente, né?! Às vezes só o transporte das roupas é um absurdo. Pra levar esse topzinho aqui até os Estados Unidos a gente emite uma quantidade de carbono absurda num avião! - Ela falava apaixonadamente e articulava tudo com as mãos - Precisamos de soluções mais sustentáveis. E como aqui no Japão ainda não temos nenhuma marca que seja 100% sustentável, eu vou criar uma!"

"Bra pra presidente!"

"Estou falando sério, Goten. Pare de me zombar."

"Você parecia que estava em debate eleitoral na televisão - ria Goten. - Mas falando sério. Se precisar de um lugar pra começar os trabalhos da sua marca, pode usar a sala dos fundos na academia e… Ah! Melhor ainda, você estaria interessada em criar as camisetas pro torneio de artes marciais da academia deste ano? Já temos 150 pessoas inscritas e o torneio é só daqui a 6 meses. Esse ano promete. Você não quer participar, Pan?"

"Sério? Eu posso fazer as camisetas pro torneio?" Bra batia as palmas de suas mãos empolgada.

"Claro!" Goten respondeu, mas seu olhar estava focado em Pan. Ainda estava esperando a resposta dela. Ele sabia que uma luta entre os dois venderia tantos ingressos pro torneio que ele ganharia o equivalente a 1 ano de lucro na academia.

"Alguém poderoso vai lutar?"

"Eu!"

"Vou repetir a pergunta : alguém po-de-ro-so vai lutar?" ela adorava provocá-lo. Mas ele não ia se deixar abater.

"Estou pensando em chamar o nosso Don Juan - ele apontou pra Ubb no meio da pista de dança - Gohan, a 18 e, você acha que seu irmão toparia, Bra?"

"Ubb com certeza vai aceitar. Papai vai refletir e acho que no fim vai dizer não. Sem ideias pra 18. E Trunks…"

"Nem perca seu tempo. É mais provável que ele apareça se você chamá-lo pra uma reunião de negócios do que pra uma luta."

"Mas aquele outro dia na sua casa ele parecia bem animado no treino com Vegeta. E por que você não chama o Veggie, Goten?"

"Ah, ele é sempre tão ocupado. Talvez no ano que vem." as duas gargalharam.

"Sabe, ele não morde. Ele só tem cara de mau."

"Prefiro não me arriscar" ele deu mais um gole na sua cerveja e voltou a olhar pra pista de dança.


"Não dá pra acreditar que depois de tantos anos ele ainda tem medo do meu pai." Bra e Pan estavam na fila do banheiro.

"E quem é que não tem medo do seu pai, Bra? Certeza que até meu pai deve ter sentido um friozinho na barriga um dia quando olhou pra cara dele." as duas riam.

"Mas nossa, eu duvido que isso exista hoje em dia. Seu pai é um dos homens mais seguros e confiantes que existe. Só o Goten mesmo pra continuar sentindo medo." Pan olhou desconfiada pra amiga.

"Mas você não lembra como isso começou?" Bra a olhou com um ponto de interrogação na cabeça "Foi por sua causa!"

"Minha?"

"Aham! Você tinha 10 anos e estava apaixonada pelo Goten, o perseguia e perguntava dele toda hora. E quando ele estava na sua casa, você lembra o que você fazia?"

"Ah! Não me lembra… Eu nunca vou entender porque eu me agarrava na perna dele e queria que ele me levasse junto pra onde é que ele fosse." Pan ria da cara de vergonha da amiga.

"Trunks ficava sem paciência e seu pai….Bom, o seu pai um dia chamou o Goten de canto. E falou que nunca mais queria ver a filha dele tocando no filho do Kakaroto."

"Ele disse isso de verdade?"

"Mas você não sabia? Trunks. Ah! Trunks, sempre sendo negligente. Achei que ele tivesse te dito…"

"Vocês estão falando de Trunks Briefs, herdeiro da Corporação Cápsula?" Uma loira que tinha acabado de sair do banheiro perguntou com um olhar desafiador para as duas.

"Depende."

"Depende do que? Se eu fosse você não ficaria fofocando por ai de quem eu não conheço. Ele pode ser uma pessoa pública por causa da empresa. Mas ele merece respeito." Pan e Bra cruzaram os olhares e acharam estranho.

"E o que você ganha defendendo ele?"

"Eu sou Amandine Navets. Meu pai é um dos sócios da Courge & Courgette que fabrica alguns nanochips para a Cápsula."

"Também conhecida como a mais nova ex do Trunks Briefs." Bra falou em alto e bom som, o que fez várias mulheres na fila do banheiro olharem para elas. O sorriso desafiador de Amandine desapareceu.

"Nossos horários não estavam mais batendo. Como você sabe, eu vivo em Paris. E ele nunca saía daquela empresa. Achei melhor terminar."

"E prefere vir no bar L'enfer, literalmente do outro lado do mundo de Paris, no meio de uma semana normal de trabalho, pra conhecer a nova cena da música eletrônica japonesa? Ou seria pra encontrar Trunks Briefs por acaso no bar preferido dele?" Bra estava se divertindo muito com isso.

"Olha, em primeiro lugar eu estou aqui representando a empresa do meu pai e… ah! Não te devo nenhuma explicação." ela saiu andando, deixando as duas saiyans para trás na fila do banheiro.

"Pelo menos ela era menos mal educada do que as anteriores. Lembra daquela namorada do Trunks que a gente colocou dentro da sala de gravidade e ficou deitada no chão pedindo socorro?"

Bra começou a se lembrar dos momentos nos quais as duas se uniram para assustar as namoradas de Trunks. Mas Pan não estava mais presente. Ela só conseguia pensar 'Amandine Navets, loira, alta, magra, rosto de modelo, francesa e extremamente elegante'. Ela tinha as unhas pintadas, a maquiagem impecável, mas sem exageros, os olhos verdes em formato de avelã, parecia estar usando as roupas da última estação, provavelmente modelos de edições limitadas lançadas somente em Paris. Ela era delicada e super feminina. Pan não sabia exatamente o porquê, só sabia que a loira a incomodava. Mas quando viu o seu reflexo no espelho do banheiro enquanto lavava as suas mãos ela teve certeza: Amandine Navets a incomodava demais.