CAPÍTULO 3

Pan andava de um lado para o outro. Era a quinta vez que repetia o mesmo caminho. Da porta para a janela, da janela para a porta. Ela olhava de relance para a cama, onde tinha deixado o seu telefone. Sexta vez, agora ela voltava pra janela. Parecia até que ela estava com medo do seu telefone. No escritório da sua mãe tinha uma pilha de relatórios esperando para serem analisados por ela. Videl estava em uma viagem de negócios por 3 dias e deixou a filha encarregada da liderança da empresa na sua ausência. Hoje era o segundo dia que os diretores do departamento financeiro e de marketing pediam o seu retorno sobre os relatórios que se acumulavam na mesa da presidente, ou melhor da substituta da presidente.

'Eu sou um fracasso. Não consigo fazer nada direito. Eu sou muito pior do que mamãe pensa…'. Pan, continuava sua caminhada. Ela estava desesperada. Sétima vez, agora em direção a porta. Não, ela não ia desistir. Claro, que não. Só precisava engolir um pouco o seu orgulho. E como aquilo a frustrava. Olhando para o telefone ela se jogou no chão e sentou com força. "Merda, merda, merda, merda. Aquele babaca…" Ela suspirou e pegou o telefone. Ela encarou o nome escrito na tela por longos 5 minutos, diversos suspiros se seguiram antes que ela apertasse o botão verde.

Estava chamando. Pan podia sentir seu coração acelerando. O que ela ia dizer ? "Ah, meu deus, eu nem pensei no que vou dizer! Mas não posso simplesmente desligar agora, ele vai ver". Terceira chamada e nada, ainda.

"Alô." ele atendeu. 'Ai meu deus, ai meu deus. E agora?'uma voz gritava na sua cabeça.

"Alô, oi Trunks."

"Pan? É você? Está tudo bem?" O tom de voz dele soava preocupado.

"Sim, sim. Tudo ótimo, e você ?" Ela tentava manter o tom casual.

"Pan, eu ainda estou no trabalho. Tenho 2 relatórios pra terminar. Se você pudesse ir direto ao ponto facilitaria muito a minha vida hoje…"

"Ah, certo. Entendo. Você está sempre tão atarefado. Normal, né, vice-presidente da empresa." ela pôde ouvir um longo suspiro ao terminar de falar.

"Me liga amanhã às 10h. Agora não tenho tempo pra jogar conversa fora. Tchau"

"Espera, espera. Eu preciso da sua ajuda." ela falou apressada e suspirou derrotada. "Eu não consigo analisar os contratos nem relatórios financeiros que minha mãe me pede. Eu…Ah..

Trunks, você é a última pessoa pra quem eu iria querer pedir ajuda. Depois do que você me falou semana passada eu só queria mostrar pra você e pra todo mundo que…" Ele interrompe a fala dela.

"Pan, como eu te disse : amanhã às 10h eu tenho um tempo livre na minha agenda. Traz os documentos que você precisa analisar."

"Você vai me ajudar?" Ela estava impressionada, ele nem sequer a humilhou.

"Se você estiver aqui às 10h amanhã, sim."

"Estarei! Estarei! Obrigada, Trunks! Obrigada."

"Pan, eu gostaria de ir pra casa ainda hoje. Se você não tiver mais nada pra falar eu preciso desligar."

"Era só isso. Pronto. Até amanhã."

Trunks desliga o telefone com um sorriso enorme no rosto. Ele se sentia o mestre da administração de empresas. Ou melhor, o príncipe da administração. Isso, príncipe da administração. Perfeita definição pra quem ele era nesse momento. A aniversariante do mês podia ter feito todo o showzinho dela, mas quem entende mesmo de negócios era ele. E no fim ele sabia disso. Mas fazia um tremendo bem pro ego dele ver ela admitir isso também. Ainda com um sorriso no rosto, ele terminou de digitar o último relatório do dia antes de ir para casa.


Pan estava sentada em uma das poltronas eletrônicas que modelavam o estofado de acordo com quem a utilizava. Ela se sentia nas nuvens. Parecia que estava recebendo uma massagem na sua lombar. Ainda mais depois do treino com Vegeta esse fim de semana, suas costas ainda estavam se recuperando daquela queda.

"Você está pior do que aquele moleque que não sai mais do escritório. Tsc…tsc..tsc" Pan se lembrou da última frase de Vegeta. Ele sabia exatamente como provocá-la.

Ela se mexeu um pouco na poltrona e o acolchoado se remodelou ao seu corpo. Agora, ela sentia que até aquela dorzinha no início da coxa tinha sumido. Esse conforto só se encontrava na sala de espera da Corporação Cápsula. E somente Bulma poderia ter a genialidade de inventar isso.

"Senhorita Son, Pan Son. O Senhor Briefs está à sua espera." a jovem que a tinha recebido e mostrado a sala de espera veio chamá-la e apontava para uma outra porta.

Era a primeira vez que Pan visitava Trunks no escritório dele. Nunca tinha existido tamanha formalidade entre eles. Tudo era muito estranho pra ela, dava a impressão que ia encontrar um empresário importante pela primeira vez na vida. Neste momento Trunks parecia viver numa realidade distante da dela. Longe de ser o melhor amigo do seu tio. Ou o irmão mais novo adotivo do seu pai. E muito muito longe de ser o 'moleque atrevido' filho do Vegeta.

Ao abrir a porta do escrito, Pan pensava que o vice-presidente da Corporação Cápsula e o homem que ela queria derrotar em um combate na frente do príncipe dos Saiyans não podiam ser a mesma pessoa. Ela fechou a porta e começou a entrar devagar na sala. Não era um simples escritório com uma mesa. Tinha uma sala com sofá, uma mesinha de centro e duas poltronas ao lado. No fundo ela podia ver uma janela imensa com vista pra uma cobertura da cidade. E no meio tinha uma grande mesa, onde poderiam se sentar umas 15 pessoas. Trunks estava sentado no sofá, concentrado, lendo um documento na poltrona mais perto da porta. Parecia que nada o perturbava.

"Aham." Pan limpou a garganta, tentando chamar a atenção dele.

"Pan, fique a vontade. Deixa só eu terminar de ler esse relatório." ela se sentou ao lado dele no sofá e colocou o notebook em cima da mesinha de centro.

Pan admirava o escritório com atenção. Aquilo era muito mais suntuoso que a sala da sua mãe. E ele era somente o vice-presidente… Olhou para Trunks de canto de olho. Ele parecia tão concentrado e ocupado. E ainda tinha separado um tempo pra se dedicar a ela… Em uma reação rápida, Pan colocou a mão direita em cima do seu notebook e estava pensando em pegá-lo pra ir embora. Afinal, o que diabos ela estava fazendo ali? Roubando o preciso tempo desse empresário tão ocupado?! Imagina se ele visse as dúvidas tão básicas que ela tinha?! Ela tinha que dar o fora daquele lugar. Urgentemente. Já com o notebook em cima de suas pernas e pronta para guardá-lo, ela ouve :

"Me desculpe, Pan. Não queria fazê-la esperar. Mas não queria que fossemos interrompidos por causa desse relatório." ele se virou para ela com um sorriso leve. "Ótimo você já estava abrindo o notebook. Me mostra quais são suas dúvidas."

Ela não tinha mais como fugir dali. Ainda mais com ele sendo tão educado e gentil. Nem parecia ser a mesma pessoa que tinha a criticado da última vez. Goten e Ubb o conheciam bem demais. Trunks estava adorando isso. Ela engoliu em seco e começou a abrir os arquivos que tinha separado.

"Ok. Vamos começar com Finanças. Eu tenho 2 tabelas para analisar. E eu não entendo direito essa parte aqui." Ela apontou os detalhes que tinha dificuldade. Trunks não percebeu mas neste momento ela prendeu a respiração, insegura. Esperando uma crítica dele.

"Ah!" Ele deu uma risadinha de leve, o que fez Pan suar frio. "Isso é confuso mesmo. Eu só fui entender esse cálculo depois de algumas discussões com o professor de finanças na universidade. Mas na verdade é bem mais simples do que aparenta. Não sei porque eles dificultam tanto nas explicações. Você só precisa pegar essa parte aqui, somar com essa parte aqui e esta aqui também" ele apontava as cédulas da tabela do excel. "Dividir por 3 e comparar com o trimestre anterior. Fica bem mais fácil assim. No fim é só ver se esse número ficou positivo ou negativo na tabela e você tem as informações que você precisa." ele pega o notebook dela e resolve todos os cálculos que faltavam em segundos.

Pan fica quieta, em choque e impressionada com a rapidez dele em resolver os cálculos. Ele fez em segundo o que ela não conseguiu fazer durante a tarde inteira de ontem. Ela respira profundamente e decide continuar

"Certo. E este aqui." ela aponta pra outra cédula na mesma tabela.

"Este aqui está ok." ele olha pra ela sem entender.

"Sim. Mas eu não entendo… O que isso quer dizer?" ele parecia impressionado com ela também. Será que ele pensava que ela era estúpida?

"Quer dizer que a Satan está indo muito bem." ele deu uma risadinha de leve.

"Trunks, se você vai ficar tirando da linha cara isso não vai dar certo. Eu realmente não entendo de finanças e…" ela pegou o notebook da mão dele e estava pronta para fechá-lo, mas ele a interrompeu apontando o indicador pra tabela.

"Eu não estou tirando com a sua cara, Pan. Este é um dos indicadores financeiros mais importantes da tabela. E neste caso ele mostra que a Satan está indo muito bem." ela não parecia convencida.

"Você estava rindo da minha cara." ele suspirou e olhou para frente.

"Não é pela razão que você está pensando. Você é honesta, direta e não tem medo de se colocar numa posição de vulnerabilidade." ele suspira de novo. "Por isso eu estava rindo"

"Você acha engraçado uma pessoa ser honesta e direta? Você é muito estranho, Trunks" ele deu de ombros. Ela o olha desconfiada.

"Me mostra outra dúvida."

Pan ainda não estava completamente convencida, mas achou melhor continuar com a missão. Trunks podia ser um grande arrogante, mas ele entendia bem demais dos documentos necessários para administrar uma empresas e ele sabia explicar muito bem. Ela abriu mais dois relatórios e começou a mostrar todas suas dúvidas para ele. Ele parecia mais natural, sem risinhos e sorrisos que a deixassem constrangida. O último documento era um contrato de marketing com uma empresa estrangeira.

"Essa parte aqui." ele apontava uma cláusula no contrato. "Você precisa falar com o advogado de direitos internacionais da empresa antes. Espera um pouco." Ele pegou o telefone e ligou rapidamente pra uma pessoa. Assim que terminou a ligação ele explicou as alterações que ela precisava fazer no contrato.

"Nossa, já são 12h30 ! Você está com fome ? Eu posso pedir pra minha secretária nos trazer almoço e a gente continua."

"Não precisa. Isso já está mais do que bom." Pan estava mais leve, a tensão que tinha entre eles no início havia desaparecido. "Eu ainda tenho várias dúvidas. Principalmente na parte financeira, mas isso tudo já me ajudou muito! Obrigada, Trunks." ela abriu um enorme sorriso que o deixou um pouco constrangido. "Você é muito bom nisso. Impressionante! Não sei como você consegue analisar, corrigir e interpretar os relatórios financeiros tão rápido. Ė tipo super saiyan dos contratos!" Ela riu da própria piada e ele a olhava constrangido.

"Ja faz anos que eu trabalho com isso. Simplesmente tenho o hábito de lidar com esse tipo de coisa." ela o olhou de maneira suspeita.

"Algo me diz que você estava sendo bem modesto." ele ri sem graça.

"Pan, se você tiver mais dúvidas, pode me ligar. Não tem problema nenhum."

"Verdade? Olha que eu vou ligar mesmo, hein!" Ela sorria malandra, enquanto o cutucava com os dedos indicadores.

"Hey hey." ele segurou as duas mãos dela, a impedindo de atacá-lo. "Me liga sempre que precisar. Prometo que vou dar um jeito de te encaixar na minha agenda" ele falou olhando profundamente nos olhos dela.

"Certo. Tchau" ela respondeu um pouco constrangida fugindo daqueles olhos azuis.

Ela começou a caminhar em direção a saída. Deu um último sorriso pra ele e fechou a porta. Aquilo tinha sido agradavelmente estranho. Ela sabia que esse encontro ia ser atípico, difícil e tenso. Mas não esperava que fosse prazeroso. Colocar Trunks e 'prazeroso' na mesma frase deixava tudo confuso. Era como se ela voltasse a ser a pré-adolescente apaixonada pelo irmão mais velho da sua melhor amiga.


Trunks aperta o botão do telefone e chama sua secretária.

"Senhorita Kiritani, você poderia me trazer o menu do dia do restaurante L'arpège? Não tenho tempo para almoçar fora hoje. Preciso recuperar o atraso dessa manhã. Ah! E a próxima vez que a senhorita Son vier pode deixá-la entrar direto."


Pan revisava todos os relatórios que tinham deixado na mesa dela durante a ausência da sua mãe. Ela os atualizou com o que tinha aprendido com Trunks. Os números na tabela estavam ficando mais claros. E as análises, aos poucos, ficavam mais compreensíveis. Os conselhos de Trunks eram bem básicos e simples, mas essenciais para ela. Pan abriu o arquivo chamado "perguntar ao Trunks" e anotou mais uma pergunta. Ainda faltava um relatório pra finalizar antes da chegada da sua mãe, e esse era o que ela menos entendia. Não pensou duas vezes e ligou para ele impulsivamente

"Hey senhor vice-presidente." ela sorria enquanto falava.

"Hey, senhorita futura vice-presidente."

"Você acha realmente que minha mãe vai me dar esse cargo? Eu ainda tenho tanto que aprender…"

"Acho que vai ser bem mais rápido do que você imagina."

"Hum… no outro dia você disse que eu era uma menina mimada incapaz de interpretar um contrato.." ela pôde ouvir o suspiro dele pelo telefone.

"Me desculpe, Pan. Eu não devia ter dito aquilo."

"Só desculpo se você me ajudar de novo. Tenho uma outra pergunta."

"Manda"

"Tem um relatório que eu não consigo entender direito…."

Ela começou a explicar os detalhes do documento. Trunks a ouvia com atenção e dava conselhos pontuais. Pan não sabia, mas ele tinha saído de uma reunião com dois diretores da Corporação Cápsula para atender a ligação. Ele estava do lado de fora da sua própria sala e a sua secretária, a senhorita Kiritani, podia ouvi-lo e vê-lo. Os sorrisos que ele dava a cada brincadeira de Pan ou a passada de mão na nuca toda vez que ela o elogiava eram as provas que a senhorita Kiritani precisava para ter certeza que ele tinha finalmente abandonado a ideia de passar sábado à noite rodeado de contratos dentro da empresa.

"Mais alguma dúvida?"

"Era só isso." Pan responde do outro lado da linha. "Trunks, tudo bem se eu te ligar de novo pedindo ajuda? Esses contratos são tão complicados.." ele a interrompe.

"Me liga quando você precisar."

"Obrigada." Pan não queria desligar o telefone, mas não sabia mais o que dizer. "Então, tchau, senhor vice-presidente."

"Tchau, senhorita futura vice-presidente." Ele desliga o telefone e fica olhando para a tela.

Senhorita Kiritani não tinha o hábito de se intrometer na vida do seu chefe, mas quando o assunto era romance ela não conseguia se conter. Afinal, ela adorava um k-drama e esses dois estavam parecendo estar vivendo o primeiro capítulo de uma série que poderia durar somente 16 episódios com um felizes para sempre ou ultrapassar 4 temporadas.

"Por que o senhor não a chama para jantar? Poderia dar a desculpa que preparou um documento pra ela com alguns conselhos…" Trunks olha para sua secretária e fica sem palavras. "Me desculpe a intromissão, sr. Briefs. Se o senhor não gosta da ideia de jantar só vocês dois, então poderia chamá-la para observar suas reuniões de negócios… Não tem aquele jantar com a família Miura na semana que vem?"

"Senhorita Kiritani, você acha que eu estou interessado na senhorita Son?" ele ri balançando a cabeça em negação. "Nos conhecemos desde que ela nasceu. Ela tem 14 anos a menos do que eu. Sem falar que ela é como um molequinho… hahaha" ele ria sozinho. "Mas essa ideia do jantar com a família Miura pode ser interessante. Ela tem uma habilidade incrível de persuasão. Acho que pode me ajudar a convencê-los a assinar o contrato."

Ele voltou para sua sala. Os diretores ainda estavam esperando por ele. Depois do comentário da senhorita Kiritani Trunks não conseguia mais se concentrar em nenhuma reunião. Ele só pensava no jantar com Pan. Os dois sozinhos num restaurante. Um encontro completo com entrada, prato principal e sobremesa. E talvez a sobremesa terminasse fora do restaurante. Trunks balançou a cabeça enviando esses pensamentos pra bem longe dele.


Videl folheava os papéis em sua mesa. Fazia somente algumas horas que ela tinha voltado de sua viagem. Ela analisava o resultado de ter deixado sua filha sozinha na presidência. Tudo parecia ok. Nada fora de ordem. Pan estava na sua frente, sentada na cadeira oposta à sua mesa, esperando ansiosamente pela resposta de Videl. O telefone toca:

"Videl falando… Oi? Sim….." Pan conseguia ouvir tudo do outro lado da linha.

Era o diretor de finanças. Ele estava dizendo que tinha recebido quase todos os documentos que ele tinha enviado para serem avaliados pela presidência. Estava faltando o último relatório para enviar pro departamento de marketing. A voz dele transmitia estresse e o tom era de urgência.

"E quantos documentos o senhor recebeu?" Pan pôde ouvi-lo dizer 'todos os 8, as 2 tabelas e as 6 apresentações'. "E está falando o contrato final que aprova todo esse trâmite?" Ele confirmou do outro lado do telefone. "Certo. Estou com o documento em mãos. Você o receberá ainda hoje." Ele não parecia muito contente, mas não discutiu.

Videl desligou o telefone e olhou para a filha. Pan parecia ansiosa para a mãe.

"Eu sei que esses documentos eram para ter sido entregues ontem, inclusive o contrato final. Me desculpe. Eu achei melhor esperar por você para avaliar o documento decisivo final." Videl podia ver as mãos dela contraídas e os músculos dos braços da filha salientes.

"Pan, esse contrato está correto. Eu não vou estar sempre aqui pra verificar se você está analisando e lidando com os documentos da maneira certa. Você precisa ser responsável pelo que faz." Pan abaixou a cabeça e apertou suas mãos com mais força. "Mas eu estou impressionada. Nenhum erro em nenhum documento! E você lidou com tudo muito bem sozinha. Muito bom. Filha, seja mais confiante no que você faz. Você não precisa mais da minha avaliação final." Videl sorriu para a filha e Pan ficou surpresa.

"Claro que preciso, mãe. Eu não entendo nada desses contratos!"

"Nao é o que parece. Você lidou muito bem com tudo na minha ausência." Videl entregou o contrato que o diretor do departamento de finanças tinha pedido nas mãos de Pan. "Vá. Entregue o documento ao senhor Yamamura. Se tudo continuar assim eu vou me aposentar mais cedo do que eu imaginava."

"Mãe!"

"Estou brincando. Eu adoro esse trabalho." Videl fazia sinal com as mãos pedindo pra Pan se apressar na entrega do contrato.

Pan sai da sala da presidente e Videl fica sozinha com seus pensamentos olhando para o céu azul através da janela. Ela se lembra de quando a sua única preocupação era conseguir controlar o seu ki para poder planar. Ela tinha dado um bom trabalho pra Gohan naquela época. 'Ah, seria ótimo poder voar livremente com ele ao meu lado. Sentir o vento batendo no meu rosto, o calor do sol de um dia bonito como hoje. E os dedos dele que se entrelaçam nos meus no meio das nuvens'. Ela estava precisando de férias.


Era 17h e ela já tinha saído do escritório. Sua mãe a tinha dispensado. Disse que ela merecia uma noite de repouso depois de toda a dedicação e do trabalho muito bem feito. Pan olhava para a lista de nomes no seu telefone. Briefs. Ela não queria repouso. Queria chamar Bra e Marron pra ir pro L'enfer dançar, beber e brindar! Briefs. 'Será que eu chamo ele também…afinal foi graças a ele.'. Na dúvida, ela liga pra Bra que atende na segunda chamada.

"Yes, Pan-no?" Bra gostava de inventar diferentes apelidos pra quem ela mais amava.

"L'enfer hoje?"

"Hell yeah! Horário?"

"Eu acabei de sair do escritório…" Bra a interrompe.

"Vem pra cá e vamos juntas!"

"Perfeito. Chama a Mars também?"

"Yes, Pan-no."


Na mesa mais próxima da pista de dança estavam as três beldades. Marron chamava atenção com seus cabelos loiros e olhos cinza. Bra e Pan já estavam acostumadas. Os homens chegavam esperando se tornar o Ken e descobriam que na verdade a Barbie preferia outra Barbie. Bra atraia os olhares pela sua elegância. Ela sempre estava bem vestida, bem maquiada e sem exageros. Tinha essa alma francesa que fazia todos admirarem-la. Com Pan a coisa era diferente. Ela era o centro das atenções, mas não por causa do seu corpo atlético e cheio de formas que ela tinha herdado de Videl. Mas pela sua personalidade.

Essa noite Pan estava bem vestida porque Bra tinha escolhido suas roupas. As duas pareciam ter saído de uma revista de moda. O que fez Marron rir no início e depois elogiar como Pan estava bonita. Enquanto Bra passava algumas dicas simples de moda pra dar um upgrade no estilo de Marron e principalmente nas maquiagens, Pan estava distraída, percorrendo os olhos pelo bar.

"Está procurando alguém?"

"Humm… o príncipe encantado? Ninguém é interessante essa noite."

"Na pista tem um cara que me parece ser seu estilo Pan." Bra apontou na direção de um loiro sem timidez. Pan deu de ombros.

"Faz tempo que você não sai com alguém né?" Marron começava a sondar.

"Nossa, nem me fala…"

"Está vendo aquele cara de azul ali no bar conversando com a bartender?" Marron perguntou.

"Não faz meu tipo…"

"Haha Mas ela faz o meu. Me ajuda lá. Você distrai o cara e eu entro em cena."

"Ok. Mas você sabe que bartender é sempre complicado de xavecar…"

"Espera". Bra segurou as duas com seu tom agudo na voz. "Ela é a mesma bartender que o Goten estava praticamente assediando outro dia."

"É verdade. Haha Ia ser ótimo se você aparecesse com ela em uma das reuniões hahaha Ia ser perfeito na verdade. Bra você se lembra do que ela disse pro meu tio?" Pan não se lembrava mais do dialogo deles.

"SIIIIMM! Ela disse que o número dela não estava no menu." As três compartilharam um sorriso antes de Marron e Pan partirem.

Bra admirava tudo de longe. O cara de azul não se importou quando Pan desviou a atenção dele na sua direção. E Marron ganhou espaço. Com um sorriso sedutor e um olhar que fazia qualquer um ficar desconcertado, Marron pediu que a bartender recomendasse um drink pra ela.

"Certo. Um drink. Você prefere algo mais doce, ácido, rum, tequila? Alguma preferência" a bartender falou rapidamente.

"Humm… Qual o drink você mais gosta de fazer? É esse que eu gostaria de provar."

"Então vai ser um clássico italiano: Spritz!" Marron sorriu pra ela.

Pan rapidamente voltou para a mesa com Bra, as duas admiravam a evolução de Marron de longe. Tudo parecia ir muito bem. Elas conseguiam ouvir tudo mesmo estando do outro lado do bar. A bartender parecia simpatizar com a loira de olhos cinzas. Elas trocavam várias ideias de bebidas e Marron lhe dava bons retornos sobre os drinks que ela tomava. No fim do seu terceiro drink, Marron disse:

"Pro meu próximo, eu queria saber se posso pedir algo que não está no menu?" Pan e Bra se olharam sorridentes.

"Pode, claro"

"Qual o seu número?" o sorriso da bartender morreu na hora. Ela passou as costas da mão esquerda na testa e respondeu.

"Eu tenho namorada. Na verdade as coisas estão terminando entre a gente, ela está quase saindo do apartamento. Mas…" Marron toca na mão dela, pega uma caneta (que ela já tinha separado pra pegar o telefone da bartender) e escreve o número do seu telefone na palma da mão dela.

"Me liga quando você achar que é o momento certo." Marron se levanta e sai andando.

Do outro lado do bar as duas melhores amigas de Marron estavam de queixo caído:

"Marron é muito foda" Pan falava.

"Eu quero namorar a Marron." Bra nao desviava o olhar.

"Puta mina foda." Pan de novo.

"Eu achava que gostava de homens até conhecer a Marron." Bra

"Hell yeah!" Pan dava saltinhos agora. Bra chacoalhou a cabeça e quando Marron chegou ela disse:

"Marron, você é a mestra das mestras." Pan e Bra começaram a fazer reverências e inclinavam o corpo continuamente mostrando respeito pela amiga.


Era somente 20h30 e as três estavam no quinto copo de cerveja e o brinde era sempre o mesmo:

"À mestra!" três copos de cerveja se aproximavam.

Marron estava completamente bêbada já. Depois dos três drinks bem alcoolizados mais a festinha da cerveja que as duas saiyans faziam questão de fazer ela era só sorrisos. Bra e Pan estavam bem longe disso. Elas precisavam beber o dobro (talvez até mais) pra poder sentir os efeitos do álcool no corpo.

"Hoje tudo é por minha conta! Minha mãe me elogiou e me deixou sair mais cedo. Ela disse que se eu continuar assim, pensa até em se aposentar antes da hora."

"Yey!" outro brinde, Marron batia as palmas euforicamente. Ela estava muito feliz.

"Mas isso é maravilhoso Pan! Da última vez que nos falamos você estava super insegura. Eu sabia que voce era foda. Parabéns!"

"Eu preciso ir ao banheiro." Marron se levantou e as duas amigas a seguiam pelo olhar.

Os saiyans estavam acostumados a cuidar dos amigos que ficavam bêbados. Mesmo sabendo que Marron não estava tão bêbada e que ela sabia muito bem cuidar dela e lutar sozinha, as três amigas sempre se ajudavam. O telefone de Pan começa a tocar. Bra vê o nome escrito na tela e franze a testa: Trunks Briefs. Pan não hesita e atende na hora.

"Alô"

"Pan, tudo bem? Ocupada?"

"Tudo e você senhor vice-presidente? Pode falar"

"Certo. Você parece estar em um lugar bem movimentado. Certeza que não te atrapalho?" Bra, que consegue ouvir tudo franze mais ainda a testa.

"O barulho está te atrapalhando?" Agora Bra olha assustada para a amiga. Pan vê a reação de sua amiga e vira de costas pra ela.

"Tranquilo. Viu, quinta que vem eu tenho um jantar com a família Miura, um cliente antigo da Cápsula. Eu acho que seria ótimo pra você ver tudo de perto. Vou te mostrar e explicar todos os contratos antes. E tem uma coisa."

"O que?"

"Você teria um papel estratégico neste jantar. Resumindo preciso da sua ajud…." ela o interrompe.

"SIM."

"Você vê na teoria e prática um case de sucesso e eu ganho esse help que preciso." só percebeu que ela já tinha concordado quando terminou de falar.

"Trunks, é claro que eu te ajudo."

"Perfeito. Te ligo amanhã para marcarmos uma reunião antes desse jantar."

"Certo."

"Boa noite" ele disse

"Boa noite"

Bra quase dá um berro no fim da ligação.

"Você vai me explicar TUDO o que está acontecendo senhorita Son. Agora mesmo!" Pan suspirou… ela sabia que uma parte dela estava derretida pelo senhor vice-presidente.


Trunks desligou o telefone e ficou olhando pro aparelho. 'Boa noite'. 'Quem diz boa noite… Olha as bobagens que eu vou dizer…'. Ele se jogou no sofá na sala do vice-presidente, passou a mão direita nos cabelos e suspirou. 'Ela devia estar num bar… será que o Goten sabe de alguma coisa? E se eu mandar uma mensagem pra ele?'. Ele chacoalhou a cabeça e ignorou esse pensamento.

Já na cama, antes de dormir ele decidiu mandar uma mensagem pra Bra. Sua irmã era a melhor amiga de Pan. Não custava nada jogar um verde.

Trunks : Se vc tivesse ido p um bar essa noite, pra qual teria ido?

Bra : Humm, depende. Estamos falando de 1 hipótese? Ou de 1 situação real?

Trunks : A situação real existe?

Bra : Eu estava ao lado da Pan quando você ligou.

Trunks : Qual bar?

Bra : L'enfer

Trunks : Na próxima vez me avisa quando forem lá.

Bra : Pan é a minha melhor amiga, Trunks. Papai n mostra, mas ele adora ensinar ela a lutar. E mamãe adora mimar ela. Se vc n quer nada sério, n brinque com ela

Essa mensagem o fez suspirar. Dava um aperto no peito ao ler isso.

Trunks : Vc se esqueceu que ela é filha do Gohan? Eu nunca ousaria despertar a ira dele.