"Raramente se engana quando se liga o exagerado a vaidade, o medíocre ao costume e o mesquinho ao medo" Friedrich Nietzsche.


A senhorita Kiritani olhava curiosa para a jovem na sala de espera. Ela era muito bonita e parecia ter somente 19 anos. Os olhos castanhos dela transmitiam uma força e autoridade que a secretaria de Trunks só tinha visto em uma outra pessoa: o próprio vice-presidente. Quando seu chefe se decidia, ela sabia que ninguém dentro da empresa seria capaz de lhe dizer não, até Bulma tinha dificuldades. Era a segunda vez que a jovem vinha para falar diretamente com o sr. Briefs e a senhorita Kiritani estava surpresa. Em 8 anos trabalhando neste cargo, era a primeira vez que ela via o senhor Briefs ansioso para terminar uma reunião antes da hora. Tudo isso para poder estar pronto quando a jovem moça chegasse.

"Com licença senhorita Son, o senhor Briefs me pediu para deixar esses documentos com a senhorita, acaso você chegasse mais cedo." uma pasta lacrada é depositada nas mãos de Pan. "E eu achei que seria interessante deixar esse flyer também. Não sei se a senhorita gosta de j-dramas, mas eu adoro. O semestre que vem promete, hein!"

"Obrigada." Pan olha o flyer rapidamente e começa a abrir a pasta, mas percebe o olhar curioso da secretária. Ela se lembra do que Bra disse: 'se quiser saber o que passa na mente do Trunks você precisa perguntar pra secretária dele. Ela sabe tudo. Mais até do que o senhor Murakami'.

"Me desculpa a curiosidade. Mas você é a neta do senhor Satan? Eu imagino que todos devem te perguntar isso toda hora né…" a senhorita Kiritani parecia um pouco insegura. Ajeitava os cabelos várias vezes enquanto olhava para Pan.

"Sim. Ele é o meu avô." Pan a olha desconfiada.

"Oh! O sonho do meu pai era conhecê-lo pessoalmente um dia. Seria muito abuso pedir um autógrafo do senhor Satan por seu intermédio." Pan olha para ela segurando o riso. Já estava acostumada com as pessoas terem esse tipo de reação ao lado dela. Na maioria das vezes isso era extremamente desagradável, mas a senhorita Kiritani parecia estar falando a verdade. Muitas pessoas abordaram Pan porque queriam aproveitar do poder que a neta do senhor Santan poderia proporcionar. Não parecia ser o caso.

"Senhorita Kiritani, por favor, não incomode a senhorita Son com essas bobagens. Pan por favor, ignore a falta de profissionalismo da minha secretária." Trunks intervém antes que Pan pudesse responder.

"Trunks, não se preocupe. Não é incomodo nenhum. Na próxima vez que eu vier falar com o senhor Briefs eu trago um autógrafo do meu avô." Pan dá uma piscadinha para ela e deixa Trunks para trás caminhando em direção a sala dele. "Achei que nós tínhamos uma reunião, sr. vice-presidente." ele a segue e os dois entram na sala.

Pan não gostava de usar a influência do seu avô. Já tinha passado por várias situações desagradáveis por causa disso. Seu avô a expunha demais quando era criança, sempre diante das câmeras, e a deixava completamente envergonhada depois. Ou quando as pessoas a tratavam diferente por causa do seu avô, ela não gostava disso. Já bastavam os 4 anos na faculdade com professores com medo dela. Mas para descobrir os segredos do senhor vice-presidente ela faria um sacrifício. Afinal, era só um autógrafo.


"Eu estava olhando esse documentos. Então, a empresa com a qual teremos reunião esta semana é a Miura Entretenimento?" Pan perguntava ao se sentar na poltrona em frente a Trunks.

"Exato. Tem muitos anos que a Cápsula e a Miura trabalham juntas. Na verdade a empresa Miura é um grupo muito grande do mundo do entretenimento. Eles possuem diversas empresas do ramo no Japão, como o NHK+ NHK8 e NHK-today e a rádio Asia Forever. Só pra citar as mais conhecidas." Pan ouvia tudo com atenção. "A minha mãe começou uma relação de confiança com eles há muitos anos. Somos patrocinadores de alguns programas e eles nos dão espaço para a propaganda. Na maiorias dos casos fazemos product placement nos j-dramas, ou um atleta usa nossos produtos no canal de esportes."

"Ah! Eu me lembro de ter visto! A Bra me fez assistir aquele j-drama horrível 'O amor dura para sempre' eles pegavam direto as cápsulas para liberar os carros e salvar a mocinha indefesa. Ah, me poupe. Não tenho paciência com essas mocinhas frágeis e indefesas." Trunks ria dela.

"Era aquele drama com a Mone Kamishiraishi?"

"Esse mesmo!"

"Mas eu achei que você gostasse dessa atriz…"

"Ela é ela graça, mas…" Pan percebe que caiu como um patinho no jogo de Trunks.

"Você sempre reclama de assistir os j-dramas com a Bra, mas no fundo você adora!"

"Até parece!" Pan cruzou os braços e olhava pra ele irridada. Trunks começou a rir o que a deixou mais incomodada. No fundo Trunks não conseguia evitar o pensamento 'ela fica uma graça toda irritadinha.'.

"Pan, eu sei que falar dos dramas da Mone Kamishiraishi é muito mais interessante, mas…" ele fez uma pausa e ela olhou feio pra ele. "Desde o início deste ano eu estou tendo dificuldades fechar acordos com a empresa Miura." Pan concordou com a cabeça e deixou a irritação de lado. "O filho mais novo do principal acionista da empresa começou a fazer parte da direção do grupo e ele está com metas novas, querendo que as empresas que patrocinam os programas invistam o dobro. E o pior é que duas empresas já assinaram esse novo contrato com eles. Eu reescrevi várias vezes esse contrato. Tentando deixar claro que se a Cápsula conseguir o dobro do lucro depois das novas emissões dos nossos produtos nas canais da Miura, nós pagaremos o dobro. Mas eles não estão satisfeitos."

"Hum… E não tem como negociar com as outras empresas de entretenimento?"

"Pretendo fazer isso somente em último caso. Meu objetivo é tentar conseguir um acordo com eles o mais vantajoso possível. E é aí que voce entra nessa missão." Ela o encarou desconfiada. "Quero que você me acompanhe até a proxima reunião e use a sua influência como neta do senhor Santan. Foi seu avô que ajudou a transformar a Miura neste grande grupo do entretenimento. O torneio de artes marciais sempre foi emitido pela NHK+ e no ano que foi divulgado que o senhor Santan salvou o nosso planeta, o seu avô apareceu em várias propagandas, programas e qualquer tipo de evento. Todos do canal NHK+. O canal era o terceiro mais assistido. Depois do torneio ele se tornou o primeiro e foi assim que acabaram criando os outros e a rádio também."

"Sempre podemos contar com a boa e velha influência do vovô…" Pan acha graça da situação. "Trunks eu gostaria muito de poder te ajudar mas, não sei se você sabe, uma das coisas que eu mais odeio na vida é usar a influência do meu avô."

"Você não precisaria dizer nada. Simplesmente venha como minha acompanhante e diga seu nome."

"E isso não traria nenhum problema para a empresa Satan?" Trunks sorri.

"Não. Vocês não têm mais nenhum vínculo com a Miura. E pelo que eu ouço dizer são eles que estão desesperados para ter uma conexão com vocês."

"Como você sobre disso?"

"Então é verdade?" Pan deu de ombros.

"Talvez." Pan suspirou. "Eu não sei os detalhes. Uns anos atrás, minha mãe cortou todos os contratos que se baseavam em usar a imagem do meu avô. Eles eram desvantajosos para nós e as empresas lucravam muito. Meu avô ficou ofendidíssimo e parou de falar com minha mãe por uns meses. Depois ligou pra ela de uma praia no Havaí falando que ela tinha razão que ele estava se divertindo mais assim." Pan deu risadas. "Depois que eu comecei a trabalhar lá eu ouvi esse boato sobre um grande grupo do entretenimento querendo negociar com a Santan. Mas nunca li nenhum contrato do tipo e minha mãe nunca me falou nada."

"A postura da sua mãe só confirma o que eu disse: não tem problema nenhum pra empresa Santan que você venha nessa reunião comigo."

"Hum… eu não sei Trunks, preciso pensar." ele olha preocupado para ela.

"Pan, me desculpa se eu te ofendi. Não era minha intenção. Eu sei o que é crescer ao lado de uma pessoa pública e ver várias pessoas ao seu redor querendo te usar por isso." ele tenta pegar na mão dela e ela foge.

"Eu preciso pensar. Prometo te ligar até amanhã com a resposta." ela se levanta e começa a caminhar em direção à porta. Trunks segura a respiração e a observa sair da sala. Quando ouviu o barulho da maçaneta se fechando ele deu um longo suspiro.


Trunks começou a descer em direção a adega da sua casa. Essa noite ele precisava de um vinho francês para esquecer a reunião com a Pan. Ele não imaginava que uma proposta como aquela iria ofendê-la. Ele só queria unir o útil ao agradável. Ela viria em uma reunião de negócios e aprenderia muitas coisas sobre contratos e negociações contratuais com isso. E em troca ela retribuiria somente com a presença dela, a neta do senhor Satan e futura herdeira do império Satan.

Ele olhou para as duas opções de vinho branco que estavam na sua frente e se lembrou do último email do senhor Dubois dizendo que o Roulot Bourgogne Blanc tinha ganhado um prêmio esse ano. Podia não ser a mesma safra, mas era um dos melhores vinhos brancos que ele tinha. Pronto, estava decidido.

Com uma taça na mão, o telefone na outra, Trunks assentou a cabeça na ponta do sofá e largou o seu corpo no chão da sala. Ele iria negar a todos que lhe perguntassem, mas estava esperando a resposta dela. Tomou mais um gole e olhou discretamente para o celular. Nenhuma mensagem. Ele estava querendo enganar a si mesmo. O problema é que se ele admitisse a verdade para uma coisa ele teria que ver a realidade completa. E isso ele não estava pronto para ver. Ainda nāo.


"Estarei na reunião com a empresa Miura amanhã."

Pan enviou essa mensagem às 18h32, e às 18h33 recebeu a resposta "eu te busco na sua casa às 19h. Será um jantar no restaurante Chez Tellier". Ela decidiu dar um google no restaurante e ficou exausta só com a ideia de se arrumar pra ir pra esse tipo de lugar.

"Bra, o quanto você gostaria de ser minha estilista pessoal e maquiadora pra amanhā a noite?"

"Ah! O mundo caiu. Pan Son me autorizando a dar um banho de loja nela. Um sonho que finalmente se realizaaaaa! À que horas? Qual é o evento?"

Pan responde a mensagem mesmo sabendo que ia se arrepender. Suspira. Na verdade, ela ia se arrepender disso tudo e Bra seria o menor do seus problemas. 'Por que diabos era tão dificil dizer não ao Trunks?'. Pan se fazia essa pergunta desde o dia em que saiu do escritório dele. Ele era sexy, bonito e sim tinha um sorriso dificil de desviar os olhos. Mas ele era só uma paixonite da adolescência…

Ela olha para o celular novamente. Mais uma mensagem de Trunks "Você precisa de ajuda? Posso pedir para minha secretária comprar um vestido pra você…". Ela ignora a mensagem e fica olhando para o teto. Ela já tinha decidido. Iria na reunião e faria esse favor para ele, sentia que tinha que retribuí-lo. Ele a ajudou diversas vezes nessas últimas semanas.

Claro que ele a ajudou de bom grado e ele sempre fazia isso com um sorriso no rosto. Já no caso de Pan ela terá que retribuir o favor com um sorriso falso no rosto. Sem vontade nenhuma de fazê-lo. Era nessas horas que ela tinha dúvidas se poderia ter sucesso como a presidente da empresa Satan. Será que poderia ser fria como Trunks e colocar os negócios acima da amizade? Ela tentou se imaginar pedindo um favor desse tipo para ele. Nunca seria capaz. Outro suspiro. Se um dia ela achou que Trunks era um profissional incompetente hoje ela pensava exatamente o contrário. Ele é extremamente competente, até demais. Do tipo que perde o amigo mas não pede o contrato.


Uma parte dela pensava que eles estavam começando a se entender. Voltando a ser os velhos amigos de anos atrás, antes dele se fechar no mundo da Corporação Cápsula. Ela tinha adorado os encontros com ele, os conselhos dele, o jeito que ele explicava as coisas e a elogiava. Nunca se sentia burra ao lado dele. E quando sua mãe voltou de viagem e viu a sua evolução, ela finalmente começou a se sentir capaz de liderar a empresa.

"Você está me ouvindo?" Bra chamou Pan pela segunda vez.

"Claro que estou." Pan abre um sorriso falso.

"Ah então o que foi que eu perguntei?" Pan abriu ainda mais o sorriso.

"Sobre o batom?" Bra largou os pincéis de maquiagem que tinha nas mãos e olhou séria para a amiga.

"Ok. Olha para mim. Meu irmão é um babaca, ok? Ele consegue ser extremamente frio às vezes. Você não gosta dele e você não quer nada com ele. Estamos entendidas?"

"Estamos?" Bra suspira ao perceber que era um fato. Pan tinha caido na lábia do seu irmão. De novo.

"Olha, você vai lá nessa reunião pra retribuir um favor e ponto. Mostra pra ele como você é maravilhosa e depois não mande mais nenhuma mensagem pra ele. Eu só não digo que ele é um filho da p*ta porque amo muito a minha mãezinha. Então vermelho vinho ou vermelho pálido?" Pan a olhou perdida. "O batom, Pan. Qual cor você prefere?"

"Vermelho pálido."

"Então vou passar vermelho vinho, porque quero fazer o coração daquele saiyan sangrar."

Pan se olhou no espelho quando Bra finalizou o trabalho. Estava vendo o reflexo de uma modelo ou atriz de televisão. Alguém que se parecia um pouco com ela mesma, mas não se reconhecia de jeito nenhum. Não gostava desse novo visual, dessa nova imagem de si mesma. Ela reconhecia o poder de sedução nos seus lábios vermelhos vinho e o leve decote do vestido preto. Sua cintura fina estava bem marcada o que a fazia ficar com a coluna bem ereta e muito elegante. Pan se sentia uma boneca, um objeto a ser usado pelo Sr. Briefs para conseguir um contrato assinado.

"Ele pode não ter coração mas vai morrer de tesão por você hoje à noite. Ah, ele vai!" Bra batia palminhas e dava saltinhos ao lado de Pan.

Bra começou a recolher suas coisas e ficou observando a amiga. Ela parecia muito triste. Aquilo era de quebrar o seu coração. Tinha vontade de ligar para sua mãe e contar tudo o que estava acontecendo.

"Pan, você não precisa fazer nada disso. Liga pro ridículo e cancela essa reunião. Eu vou ligar para a minha mãe e explicar…"

"Não! Eu vou. Não quero ficar devendo nada pra ele." Pan se levantou da cadeira e abriu um sorriso falso.


Videl bateu na porta do quarto da filha e encontrou Bra sentada na cama sozinha. A garota a olhou e balançou a cabeça. Videl sabia o que isso significava : Bra não tinha conseguido animar Pan. Sua filha ainda estava chateada. Pan não tinha contado nada a sua mãe, mas toda mãe percebe quando sua filha está chateada. Videl só teve certeza que algo não ia bem quando viu Gohan abrir a porta para Trunks. Enquanto Videl caminhava para a porta do banheiro do quarto de Pan, Trunks conversava com Gohan no cômodo debaixo.

"Pan, querida, o que você quer que eu faça? Peço pra ele ir embora?"

"Não. Eu vou descer. Espera um pouco." Videl ouviu a voz da filha de dentro do banheiro.

"Devo estar preocupada?" Videl cochichou pra Bra.

"Mãe, eu ainda consigo te ouvir" Videl fez uma careta e saiu do quarto.

"Bra" Pan a chamou saindo do banheiro com alguns papéis na sua mao. "Eu tive uma ideia! Eu vou mostrar pra aquele babaca que eu sou muito mais do que a neta do Senhor Satan e herdeira do império Satan."

"Isso! É assim que se fala!" Bra levantou o polegar da mão direita. "O que voce pretende fazer? E esses papéis?"

"Isso. Na verdade esse aqui." Pan mostrou um flyer de propaganda para Bra. "Esse é o segredo do meu sucesso essa noite." Pan deu uma piscadinha e saiu em direção a porta do quarto. "Você não vem?"

"Espera, mas me explica essa ideia aí!" Bra saiu correndo atrás da amiga.

"Eu te ligo quando voltar da reunião. Agora, não vai dar tempo. Mas pode ter certeza que vou calar boca do seu irmão."

"Eu entendo que isso seja um dos seus maiores objetivos. Inclusive metade da população feminina do Japão gosta muito da ideia de calar a boca do meu irmão. Principalmente se for com a boca delas"

"Bra!" Pan dá um gritinho e olha feio pra amiga. "Não é o momento de falar nisso, por favor."

"Ok. Ok. Então, você não vai calar a boca dele com a sua própria?" Bra podia ver faiscas saindo dos olhos da amiga. "Bom, um pouco de sexo não faz mal a ninguém. Certeza que vocês dois iam dar uma boa relaxada." Antes que Pan dê um outro gritinho, Bra levanta as mãos.

As duas amigas chegam na sala e encontram Trunks conversando com Gohan e Videl. Os três pareciam muito confortaveis juntos. Videl e Gohan agiam como se nada nesta situaçao fosse estranha. O amigo da família que era 14 anos mais velho do que a filha deles de 24 anos levando-a pra jantar. E o fato que Pan aparentava estar chateadíssima desde que chegou em casa antes de ontem.

"Eu deixo vocês sozinhos por 5 minutos e já estão falando de negócios." Ela ponta o indicador para Trunks que estava lindo, de parar o trânsito, com aquele terno azul marinho. "Você é uma péssima influência."

Trunks estava pronto para retrucar, mas quando olha para Pan vestida daquele jeito ele fica sem palavras. Desvia o rosto e engole seco. Se ele continuasse olhando para ela, tinha certeza que ele não conseguiria mostrar o devido respeito que Gohan e Videl mereciam.

"Pan! Nunca te vi tão linda! Você está maravilhosa, não é Han?" Videl sai correndo pra pegar seu celular e tirar fotos. "Não saia daí eu quero várias fotos."

"Mãe, por favor. Eu já estou atrasada."

"Nem pensar. Eu concordo com sua mãe. Quero fotos da minha obra de arte."

"Bra, me desculpe mas essa obra de arte quem criou fui eu e Videl. Você está linda, minha filha." Gohan dá um beijo na bochecha da filha e a olha com carinho.

Depois de muitas fotos sozinha, muitas outras com Bra e algumas com Trunks, Pan se viu no banco do carona no carro do vice-presidente da Corporação Cápsula. Ele estava quieto. Ela olhava para o lado dele de vez em quando e não entendia o porquê ele estava tão quieto. Ela suspirou. Essa noite prometia…


O restaurante era extremamente elegante. Exatamente o que Bra tinha explicado para ela. Bulma gostava de convidar seus clientes mais difíceis para os restaurantes mais requisitados da cidade. Até mesmo os restaurantes com estrelas Michelin tinham vaga para a familia Briefs no último minuto. Trunks segurava o braço esquedo dela, os dois haviam feito uma entrada que tinha atraído os olhares de todos dentro do restaurante, inclusive dos três homens que Trunks queria impressionar: o senhor Fukuhara o filho mais novo do principal acionista da empresa, o senhor Shiroki CEO do grupo e o senhor Moriguchi, o secretário do CEO.

"Boa noite senhor Fukuhara" Trunks o cumprimentou quando se aproximaram da mesa com os três homens. "Senhor Shiroki e senhor Moriguchi. Espero que não tenham nos esperado por muito tempo. Pedi para reservarem a melhor mesa." Trunks abriu um sorriso orgulhoso e puxou a cadeira para Pan se sentar. "Gostaria de apresentá-los à minha acompanhante essa noite. Ela vai me ajudar nesta reunião e espero que a fechar o contrato com vocês" Trunks a olha pedindo que ela se apresente enquanto ele se sentava ao lado dela.

"Obrigada. Eu estou muito feliz que o Sr. Briefs me convidou para estar aqui com os senhores hoje a noite." o garçom passa distribuindo os menus para todos na mesa. "Acho que seria adequado começarmos pelo mais importante: a comida. O senhor teria alguma recomendação?" Pan perguntava diretamente para o gerçom. Trunks a olhava intrigado. Não esperava que ela fosse ser tão comunicativa, só tinha pedido para ela dizer seu nome e pronto.

"O filet mignon bourguignon au cookeo seria a minha recomendação para àqueles que apreciam a carne bovina. Morue aux pommes de terre é o nosso prato do dia e a opção vegetariana é o gratin de chou fleur." O garçom anota o pedido de todos.

"Sr. Briefs espero que o senhor tenha tido tempo de refletir sobre o nosso contrato. Nossa proposta continua a mesma. Queremos mudar a relação entre a Corporação Cápsula e o Grupo Miura Entretenimentos. Como dissemos na última vez, estamos seguindo os números de um contrato antigo que já deveria ter sido atualizado há muito tempo. Continuar com os valores atuais representaria uma desvantagem para o nosso grupo."

"Sim, eu tive tempo de estudar e analisar tudo com detalhes. Mas infelizmente não concordo com a opinião de vocês. Os números foram atualizados em todos os contratos que fizemos. Sempre seguindo o valor de mercado e da inflação. Essa mudança que vocês estão exigindo é o resultado de uma alteração na direção do grupo. E isso tem nome, se chama senhor Fukuhara." atacou Trunks já perdendo a paciência.

"O que o Sr. Briefs está tentado dizer senhores" interrompeu Pan rapidamente "é que deveriamos analisar essa decisão com mais cuidado. Acredito que esse contrato deve ser assinado se for interessante para os dois lados. E por incrível que pareça atualmente o que eu vejo é que essa proposta é desvantajosa para o Grupo Miura." todos os homens direcionaram a atenção à Pan, Trunks a olhava como se ela fosse louca.

"O que você está falando, Pan? Pare com isso…" Trunks cochichou de uma forma que somente um saiyan poderia ouvir o que foi dito.

"Vejam bem" ela continuou "para um contrato ser bom ele precisa ser interessante para os dois lados. A Corporação Cápsula não pode estar em desvantagem e nem o grupo Miura."

"Por favor, senhorita, não me venha querer ensinar o padre a rezar." Pan sorriu para ele.

"De jeito nenhum senhor Shiroki. Acredito que estou falando com os profissionais mais qualificados do Japão. Me desculpe se pareceu muito didático. Como eu estava dizendo, acredito que um contrato como esse seria extremamente desvatajoso para o grupo Miura. Apesar dos números indicarem o contrário. Em um primeiro momento o grupo Miura terá muitas vantagens, como o dobro do investimento da Corporação Cápsula e menos tempo de emissões dos produtos Cápsula na televisão, o que deixa a oportunidade de procurar outros investidores. Mas como vocês podem ver na cláusula 76 da página 52, seria a Corporação Cápsula que selecionaria os momentos de product placement, patrocínio, anúncios, propaganda e divulgações dos produtos Cápsula de maneira geral." todos os homens viravam as páginas do contrato para procurar essa informação. "Na última reunião da nossa empresa, ficou decidido que não faremos mais product placement em nenhum j-drama e não pretendemos mais patrociná-los também. Ficaremos somente com as propagandas clássicas." Trunks a olhava sem entender.

"Pan, pare com isso agora. O que você está fazendo?" ele sussurrou para ela. O que a fez dar dois tapinhas de leve na coxa dele. O toque, quase íntimo, fez com que ele se paralisasse.

"Esses detalhes vocês podem definir com o diretor de marketing do grupo Miura após assinarmos o contrato. Não precisam negociar esse tipo coisa com o CEO e um dos diretores do grupo." falou o senhor Morigushi, secretário do CEO.

"Desculpe-me fazê-los perder um pouco do seu tempo, senhor Fukuhara e senhor Shiroki. Mas achei que essa informação era relevante já que vocês tem 3 dramas em andamento cuja utilização dos produtos cápsula são indispensáveis. Recebi essa atualização da secretaria do Sr. Briefs, ela adora esses dramas japoneses e não parava de falar deles pra mim outro dia." Pan sorri inocente e mostra o folheto com os dramas que vão lançar nos canais do grupo Miura nos próximos seis meses. "Acho que vai ser dificil filmar um drama chamado 'Socorro, me encapsularam' cuja ideia é falar de pessoas que são encapsuladas e não conseguem voltar ao tamanho normal, sem os produtos Cápsula fazendo product placement." Pan aponta para o segundo drama da lista. "Tem também esse segundo que conta a historia de uma garota que queria encapsular o seu carro e acabou viajando no tempo." ela olha para Trunks e pergunta. "Esse parece que vai agradar a Bra, não acha?" ela volta a olhar para os homens da mesa e diz : "a irmã dele adora dramas sobre viagem no tempo".

Trunks não acreditava no que estava acontecendo. Pan havia encontrado uma brecha no contrato. Não era somente uma brecha. Era a salvação. Com essa carta na manga eles poderiam fazer o que quissessem.

"Não tenho certeza. Ela gosta muito de dramas românticos." Trunks decidiu seguir a estratégia de Pan.

"Verdade. Então, esse ultimo é o melhor pra ela! 'Amor nos tempos das cápsulas'. Pelo que eu entendi, eles pretendem mostrar o amor entre um robô e uma cápsula." ela ri e Trunks a acompanha. "Ao assinarmos esse contrato a utilização dos produtos da nossa empresa se torna incoreto em qualquer momento que não tenha sido autorizado. O grupo Miura terá que arcar com um processo jurídico pelo uso inapropriado da imagem dos nossos produtos. Ou vocês acham que o senhor Briefs não sofrerá as consequências de uma propaganda enganosa como 'cápsulas podem nos fazer viajar no tempo?'" Trunks olha impressionado para ela.

"Eu proponho que voltemos ao nosso acordo original. O nosso primeiro contrato já tinha os valores atualizados e seguia o mesmo modelo de 20 anos de parceria entre a Corporação Cápsula e o Grupo Miura. A nossa relação começou com a minha mãe entre o senhor, senhor Shiroki, e nunca sofreu nenhum problema, porque os acordos sempre foram justos e equilibrados. Os dois lados sempre saiam em vantagem." Trunks finalizou.

"Podem nos processar. Nós somos o grupo Miura. Não precisamos de contratos miseráveis…" o senhor Fukuhara começou a falar mas foi interrompido.

"Sr. Briefs, eu me lembro do primeiro contrato que assinei com a sua mãe. Sempre extremamente sábia. Vejo que o argumento da sua funcionária nos faz voltar a realidade original." o senhor Shiroki finaliza. "Senhor Fukuhara, entendo a sua frustração, mas uma parceria como essa de mais de 20 anos torna as coisas muito diferentes. A nossa relação com a Cápsula é como um casamento, quando você vê as empresas já estão muito mais entrelaçadas do que imaginamos."

Trunks sorri vitorioso e olha para Pan, sua arma secreta, tão secreta que nem ele mesmo sabia qual era o jogo dela. Ela o ignora e se concentra na sua comida que o garçom tinha acabado do colocar na mesa. O jantar foi de maneira geral silencioso, com poucos comentários do senhor Shiroki e de Trunks que tentavam amenizar o clima desagradável.

Enquanto comiam a sobremesa, Trunks decidiu negociar os últimos detalhes do contrato com os senhores Shiroki e Moriguchi. Pan pediu para retirar-se e ir ao banheiro. O fato não passou despercebido pelo senhor Fukuhara que a seguiu até a porta do banheiro.

"Não me surpreende que uma mulher tão bela e inteligente tenha atraído a atenção do senhor Briefs. O que me surpreende é o motivo dela ainda estar solteira." o senhor Fukuraha olha bem nos olhos de Pan quando diz essas palavras.

"Oi?!" Pan ja tinha achado esse senhor insuportável durante a reunião e agora ele tinha a cara de pau de persegui-la até o banheiro e dar em cima dela. Ele tinha sorte que ela não era mais adolescente. Se não, ela já ia sair dando um soco na cara dele.

"Gostaria de convidá-la para um jantar muito mais agradável do que esse. O que acha? Eu e você sozinhos nesse restaurante na semana que vem?" Pan levantou a sobrancelha desconfiada. Uma parte dela estava com nojo desse homem.

"Só pra avisá-lo: esse restaurante tem lista de espera e demora no mínimo 3 meses para conseguir uma mesa aqui. A não ser que o seu sobrenome seja Briefs e você tenha as portas abertas quando voce quiser, acho impossivel o senhor fazer uma reserva para a semana que vem." Pan virou o rosto e começou a caminhar de volta a mesa.

Alguns passos mais pra frente o senhor Fukuhara a segura pelo braço a impedindo de voltar para a mesa.

"E um jantar na minha casa? Vou pedir para os meus empregados fazerem o seu prato preferido. Depois podemos nadar na piscina térmica." Ele terminou olhando o corpo dela de cima a baixo. Aquilo estava começando a irritar Pan. Ela podia sentir sua garganta ficando mais apertada. Esse homem era ridículo, achava que podia ter qualquer mulher que desejasse por causa da sua posição de poder.

"Não, obrigada." Ela se desvencilhou da mão dele e voltou a caminhar para a mesa. Agora, ela podia ver o olhar de Trunks preocupado em sua direção. Com a audição saiyan ele provavelmente devia ter ouvido tudo o que tinha acontecido.

"Tem certeza?" Ela ouviu ele insistir.

"Absoluta". Ela responde ainda de costas para ele.

Pan senta-se na sua cadeira ao lado de Trunks. Ele a olha preocupado. O senhor Fukuhara senta-se logo em seguida, com uma cara emburrada. Trunks pediu a conta e pagou tudo, o que deixou os tres homens muito felizes, afinal a comida tinha sido extremamente deliciosa.

"Muito obrigado, senhores. É sempre um prazer fazer negócios com o grupo Miura. Fico muito feliz em dar continuidade ao trabalho da minha mãe nesta aliança entre as duas empresas. 20 anos de historia não é para qualquer um."

"Concordo, senhor Briefs. Temos que ter isso sempre em mente nas nossas futuras negociações." falou o senhor Shiroki.

"Agora, eu e minha acompanhante" Trunks segurou na mão de Pan e sorriu olhando nos olhos dela "pretendemos voltar para casa e aproveitar o resto da noite." Pan travou na cadeira. 'O que ele tava fazendo?' ela pensava.

"Se me permite, gostaria de dizer que o senhor está muito bem acompanhado. Além de bela ela é muito inteligente." Trunks sorri mais ainda com o comentario do senhor Shiroki.

"Obrigado."

"Boa noite senhores".

Pan não sabe como se levantou e cumprimentou todos os homens presentes na mesa. Ela nem sequer notou o olhar de raiva do senhor Fukuhara em cima dela e de Trunks. Aquele comentário absurdo de Trunks tinha a deixado desnorteada. Ela só foi voltar a realidade quando se viu sozinha no carro com o senhor vice-presidente.

"Pan, o que foi aquilo? Por que não me falou antes daquela ideia? Você foi perfeita. Cada frase perfeitamente bem colocada em cima da sua estratégia. Quando eles perceberam eles estavam sem saida." Trunks dirigia o carro e era só sorrisos.

"Você percebeu que eu não disse meu nome em nenhum momento durante toda a reunião e mesmo assim eles assinaram o contrato que você queria que eles assinassem?" ela mudou o tom da conversa. Estava séria e Trunks percebeu que tinha mais um homem que ia aprender uma lição com ela hoje: ele próprio. Sem resposta, Pan continuou. "Eu não gosto de usar da influencia do meu avô. Durante toda a minha vida eu fiz o que você me viu fazer hoje, criar uma estratégia para conseguir o que eu quero sem mostrar quem eu sou." Ela se virou para ele e o olhava enfaticamente. "Você me ofendeu quando me pediu para te ajudar daquela forma. Eu não gostei. Achei que me conhecesse, que se lembrasse das histórias nas quais eu me senti humilhada, envergonhada por ser a neta do senhor Satan."

"Pan, eu…"

"Eu te ajudei porque você me ajudou várias vezes com os contratos da empresa da minha mãe. Por favor, não me peça mais ajuda nenhuma, Trunks." ela respirou fundo. "E o que diabos foi aquela reação no fim da reunião? Que historia é essa que estamos juntos?" ela da um grunhido completamente revoltada.

"Eu ouvi a sua conversa como o senhor Fukuhara na frente do banheiro. Queria te proteger."

"Eu não preciso da sua proteção, Trunks. Consigo dar trabalho pra Vegeta em uma luta, você realmente acha que eu não posso me defender sozinha de um babaca como aquele?"

Trunks não sabia o que dizer. Ela tinha razão. Estava se sentindo tão envergonhado que nem conseguiu respondê-la e pedir desculpas para ela corretamente. Ele a deixou na casa dela e dirigiu ate sua própria casa. Ele sabia que essa noite ele iria até a sua adega e escolheria mais um vinho recomendado pelo senhor Dubois. Ele provavelmente faria como todas as outras noites: passaria metade da noite se enganando e a outra metade se lamentando. Mas desta vez, antes mesmo de escolher o vinho, ele sussurrava para ele mesmo 'me desculpe Pan'.

Deitado no sofá ele se relembrou de todos os momento daquela noite. Como ela era perfeita. Ela tinha tudo planejado, até mesmo o que ela ia falar com ele no carro na volta. O jeito que ela manipulou a conversa, se fazendo de inocente e sendo extremamente educada o tempo todo. Trunks suspira. 'Ela é incrível'. Olhando para o teto, e sentindo que uma lágrima estava prestes a escorrer ele admite para ele mesmo. 'Eu não disse aquilo para te proteger, Pan. Não era esse o sentimento que me fez dizer aquilo.'