Sutileza, Srta. Granger. Sutileza.
Hermione se perguntou quantas mensagens ocultas estavam enterradas nessas quatro palavras. Ela ainda estava se recuperando de Snape se inclinar até que seus lábios estivessem quase se tocando, apenas para ele se afastar e deixá-la para trás com uma mente distorcida por uma sensação de desejo e confusão. Quando ficou evidente que ele não voltaria para a sala de aula enquanto ela estivesse lá, Hermione finalmente se levantou de sua mesa. Ela então teve que correr a maior parte do caminho para a próxima aula.
Hermione raramente se atrasava para a aula de Estudos Avançados de Aritmancia e ganhou um olhar curioso da Professora Vector quando entrou correndo.
- Desculpe, professora! – Hermione ofegou enquanto se dirigia para seu assento, ainda tentando recuperar o fôlego enquanto começava a tirar os livros da mochila.
A Professora Vector não se intimidou, pois sabia que Aritmancia era a matéria favorita de Hermione, que sempre encontrava a bruxa na hora certa para suas aulas, e ela apenas acenou com a cabeça e continuou para a frente da sala de aula.
- Agora, como eu estava dizendo, eu tenho gráficos mais extensos para vocês trabalharem, mas eu gostaria que todos vocês os traduzissem usando o método Agripa, bem como o método caldeu. Compare e contraste, e observe qualquer diferença drástica.
Finalmente outra coisa para eu me concentrar, Hermione pensou, agarrando-se ansiosamente à pilha de gráficos numéricos que a Professora Septima Vector enviou à deriva pelos corredores com um aceno de sua varinha. Números e símbolos e traduzi-los e dar sentido a todos eles eram uma segunda natureza para Hermione. Qualquer outra pessoa teria olhado para isso como uma miscelânea e meia, mas Hermione achou isso reconfortante do jeito que alguém era embalado pelo estalo surdo de agulhas de tricô batendo juntas.
Ron achou Hermione louca quando ela continuou com Aritmancia, alegando que 'todos aqueles números e gráficos sangrentos' lhe davam dor de cabeça. Hermione sabia que Ron não era idiota, não julgando pela maneira como ele ajudou a ela e a Harry a vencer aquele jogo de xadrez do bruxo durante o primeiro ano. Mas o pudim dava dor de cabeça a Ron se ele não estivesse focado nisso.
Balançando a cabeça para si mesma e afastando os pensamentos de sua amiga preguiçosa, Hermione ficou tão profundamente absorta em seu trabalho que ela rapidamente terminou o primeiro gráfico que a Professora Vector deu a ela. A professora riu quando Hermione pediu um segundo, apenas para terminá-lo quase tão rapidamente quanto o primeiro.
- O que você está tentando quebrar um recorde, Hermione? – Perguntou Mandy, uma estudante do sexto ano da Corvinal.
Hermione olhou para a bruxa loira de olhos azuis e sorriu para ela. Se fosse qualquer outra pessoa, Hermione os teria ignorado ou respondido com uma observação ríspida, mas ela estava familiarizada o suficiente com Mandy para saber que ela estava apenas brincando de uma forma bem-humorada.
- Você sabe que esta é minha aula favorita. – Hermione respondeu, olhando para seu gráfico numérico.
- Mesmo? – Mandy respondeu, fingindo ignorância. - Eu poderia jurar que era Adivinhação. Na verdade, Trelawney estava procurando por você esta manhã.
- Eu preferiria ter Lockhart de volta como professor novamente, obrigada! – Hermione disse, fazendo Mandy bufar.
A professora Vector tinha acabado de distribuir o dever de casa daquela noite momentos antes do sinal da tarde tocar. Mandy estava esperando por sua amiga Nikki, outra corvinal, que aparentemente estava demorando muito para arrumar seus livros, porque Mandy estava bufando impacientemente e mudando seu peso entre os dois pés. Assim que Hermione estava passando por elas em seu caminho para fora da sala de aula, Mandy zombou dela uma última vez sobre seus dois professores favoritos enquanto acenava para se despedir.
- ... então Jorge me disse que eu poderia vomitar na minha primeira tentativa na aparatação. – Ron estava dizendo a Harry e Simas quando Hermione entrou no Salão Principal para almoçar. - Mas Fred disse que eu poderia desmaiar. Não quero desmaiar como uma garota, isso é constrangedor.
- Você não vai desmaiar. - Hermione retrucou, pegando a garrafa de suco de abóbora para encher sua taça. - E da última vez que verifiquei, qualquer um pode desmaiar, não apenas as meninas.
- E daí? Eu ainda não quero, de qualquer maneira. – Ele resmungou.
- Honestamente, Ronald. E você realmente precisa falar sobre ficar doente assim enquanto as pessoas estão comendo? Pelo menos tente e finja ter boas maneiras à mesa. – Hermione fungou, ignorando a indignação em seu rosto.
- Você vai ficar bem, cara. – Simas disse a Rony. - E, além disso, vomitar ou desmaiar não é a pior coisa que pode acontecer com você. Alguém sempre consegue div ...
- Dividir-se! – Acrescentou Neville em tom de medo, seus olhos se arregalaram. Ele estava sentado a alguns lugares do grupo quando se virou para interromper a conversa. - Vovó disse que talvez eu devesse esperar até o próximo ano para tentar aparatar; disse que a última coisa que ela quer é uma coruja dizendo que eu me dividi em pedaços.
- Oh, Neville! – Hermione disse a ele suavemente. - Você não vai se machucar. Você ficará bem; nós o ajudaremos.
- Eu não estou fazendo nada! – Simas gargalhou. - Sem ofensa, Longbottom, mas não acho que mamãe ficará muito satisfeita se eu acabar com metade da minha bunda na Escócia e a outra metade em outro lugar na Grã-Bretanha.
- Não entendi. – Neville disse-lhe tristemente enquanto abaixava a cabeça. Hermione tinha acabado de dar uma mordida em seu sanduíche e murmurou algo com raiva na fala de Mulher Furiosa, fazendo Simas encolher os ombros.
- Sem ofensa, Simas, mas você consegue explodir caldeirões, mesmo quando não estamos em Poções. – Harry apontou. - Não importa se não há fogo, ou caldeirão, ou ingredientes voláteis, de alguma forma você sempre consegue causar uma explosão.
Simas então usou uma palavra que fez as orelhas de Neville ficarem vermelhas e Hermione gritar com ele, como normalmente fazia com Ron.
Enquanto o corpo discente tirou um tempo para almoçar, passando metade do período comendo e a outra metade se socializando, Snape foi chamado ao escritório do diretor.
- Como você está, Severus? – Dumbledore perguntou quando Snape entrou no escritório e parou diante de sua mesa.
- Bem, como se pode esperar. – Snape respondeu secamente, desejando que o diretor continuasse com o motivo de sua convocação.
Snape estava cansado e mentalmente esgotado, algo que não gostaria de mudar em um futuro próximo. Para piorar, ele estava zangado, principalmente porque estivera no meio de uma correção de redações para que não precisasse fazer isso mais tarde naquela noite. Não era um inconveniente terrível ser interrompido; Snape estava corrigindo deveres de casa e testes por tanto tempo que levava apenas um ou dois minutos, se tanto, por papel. O principal problema era que ele sentia vontade de ficar sozinho em sua sala de aula na masmorra escura.
Agora seus olhos viajaram para a mão direita murcha de Dumbledore, e ele viu que a pele de couro enegrecida havia viajado bem além do pulso do diretor.
- A última coisa que eu queria fazer era perturbá-lo, mas como você pode ver. – Disse Dumbledore suavemente, levantando levemente sua mão destruída para dar ênfase.
Snape não disse nada enquanto retirava sua varinha e caminhava até a mesa de Dumbledore. Cuidadosamente tomando a mão do mago mais velho na sua, ele correu a ponta de sua varinha sobre a área infligida pela maldição.
- A maldição mudou; marginalmente, mas mudou mesmo assim. – Snape proclamou depois de um minuto.
- Ah, foi o que pensei. – Disse Dumbledore casualmente, como se tivesse acabado de saber que alguém comeu o resto de suas gotas de limão. - Algo mais?
Snape olhou fixamente para Dumbledore por um minuto, e seu olhar fixo foi o suficiente para transmitir o que não foi dito.
- Bem, não é como se eu tivesse planejado ficar vivo para sempre. – Acrescentou o diretor. - E você disse que a maldição acabaria se espalhando. Mas chega disso; como está nosso jovem amigo?
- Não estou satisfeito com ele no momento. – Respondeu Snape.
Mesmo que Snape não estivesse mais ensinando Poções, ele ainda mantinha seu próprio estoque particular de ingredientes. Ultimamente, certos suprimentos estavam diminuindo. As quantias arrecadadas eram viáveis e, para qualquer outra pessoa, poderia ter passado despercebido. Mas para o olho de falcão de Snape, tinha sido flagrantemente óbvio. Além disso, ele sempre arrumava seus potes de tal forma que, se movesse até um quarto de polegada, ele teria notado.
Em qualquer outro momento, Snape teria assumido que os culpados eram Potter e seus amigos. Mas pelo que ele percebeu das divagações de Slughorn sobre o garoto irritante, foi que o professor de Poções recém-nomeado provavelmente entregaria a Potter qualquer coisa que ele precisasse, poupando-o assim do trabalho de roubar suprimentos.
É verdade que sempre houve um ou dois alunos estranhos que o roubaram ao longo dos anos, mas isso geralmente era para fazer alguma mistura banal, como uma Poção do Amor. Eles certamente não precisavam disso agora; os gêmeos Weasley estavam ganhando dinheiro com o lixo que vendiam em sua loja de piadas. Claro, embora os produtos Weasley Wizard Wheezes tenham sido proibidos por Filch, Snape ainda encontraria os invólucros espalhafatosos espalhados pelo Salão Principal ou pelos corredores, óbvio com o conjunto dourado de W na frente. Ele realmente não dava a mínima se um dos pequenos canalhas ingeria uma poção do amor ou algo parecido, e não via razão para se preocupar com toda aquela provação.
Além disso, Filch gostava de fazer verificações surpresa nos alunos para ter certeza de que eles não estavam abrigando nenhum contrabando. Seu sorriso torto ficou mais torto quando ele teve sucesso, e o zelador se comportou como se o Natal tivesse chegado novamente quando ele roubou o dito item ilícito. Snape ficou muito feliz em relatar aquele trabalho tedioso para o aborto, pois isso significava que Filch não teria tempo para importuná-lo sobre Pirraça ou algum outro tipo de bobagem.
- Eu espero que você esteja de olho nele. – Disse Dumbledore casualmente, pegando uma revista por cima de sua mesa. - Eu preferiria reduzir ao mínimo os acidentes infelizes.
Snape queria retrucar grosseiramente que é claro que sim, o que mais ele fazia com seu tempo, mas o diretor começou a comentar sobre o que quer que estivesse lendo no Pasquim.
- Uma última coisa, Remus enviou uma coruja esta manhã, perguntando se você poderia fazer a gentileza de preparar um lote de Poção Mata-cão. Eu disse a ele que o avisaria se você pudesse.
Assim que Snape abriu a boca para perguntar se Dumbledore precisava de mais alguma coisa dele, talvez para limpar o nariz do Garoto Maravilha, Sybila Trelawney irrompeu pelas portas duplas da sala e tropeçou no escritório, parecendo uma pessoa sempre esquiva de olhos de coruja arregalados com seus óculos redondos ridiculamente grandes.
- Diretor! Eu gostaria de... – Ela gritou, obviamente prestes a lançar um discurso até que ela viu que havia outro bruxo na sala. - Oh, eu não percebi que você estava ocupado. Severus... – Ela cumprimentou friamente, pronunciando o primeiro nome de Snape como se deixasse um gosto desagradável em sua boca.
- Trelawney. – Snape respondeu com um leve ar de desgosto. Torta velha e bêbada, persistente.
Enquanto a maioria das pessoas acreditava que Snape não tinha modos, ele poderia facilmente provar que estavam errados. Snape tinha muitas maneiras e sabia quando morder a língua, mas às vezes era por puro entretenimento e autossatisfação que ele dizia o que quer que estivesse em sua mente. Um desses momentos aconteceu ser agora.
- Devo adivinhar... veio reclamar que Firenze está usurpando sua posição de novo? Ou talvez a previsão de mais uma morte iminente ainda não tenha acontecido? Não, está faltando xerez para cozinhar! Ah, deve ser isso, você está chateada porque você está prestes a ser forçada à sobriedade. Como você vai administrar?
Trelawney ficou zangada de ódio e puxou todo o que parecia ser pelo menos dez xales de contas com babados em volta dos ombros. - Bem eu nunca! – Ela balbuciou, levantando o nariz para um Snape sorridente e caminhando vagarosamente na direção da mesa de Dumbledore.
Casos em que Trelawney realmente previu algo que se tornou verdade eram tão comuns quanto dentes de galinha. Suas habilidades eram tão reais quanto uma nota de três libras, e todos sabiam que isso era verdade. Então, por que Dumbledore manteve a mulher maluca era um grande mistério para todos. Então, novamente, houve muitos professores que enfeitaram os corredores de Hogwarts, muitos dos quais provaram ser psicóticos, no caso de Quirrell, assim como Dolores Umbridge, embora ela tivesse sido nomeada pelo Ministério da Magia. A nomeação de Lockhart foi desconcertante para aqueles que enxergavam além de seu exterior brilhante, mas Snape suspeitava que esse exterior tinha sido o único motivo de sua contratação. E enquanto Snape preferia comer sua própria língua do que admitir, Lupin tinha sido o professor mais aceitável até então. Ele ainda pensava que Lupin não devia estar perto de crianças,
- O que posso fazer por você, Sybila? – Dumbledore perguntou gentilmente, embora houvesse um brilho em seus olhos azuis que claramente desejava que a mulher voltasse para sua sala de aula na torre excessivamente perfumada.
Trelawney lançou um olhar furtivo para Snape, um olhar que não foi tão furtivo no final considerando a forma como seus óculos de fundo de garrafa aumentaram seus olhos, e se comportou como se ela não quisesse falar com ele presente.
- Eu preferiria que pudéssemos falar sozinhos. - Disse ela, dando grande ênfase à última palavra.
- Terminamos, Diretor? – Snape perguntou.
- Sim, isso é tudo, obrigado! – Dumbledore respondeu.
Incapaz de responder, Snape caminhou até estar bem na frente de Trelawney. - Minha ausência, como você deseja. – Ele disse a ela sarcasticamente, mas não antes de oferecer uma reverência baixa e obsequiosa. Snape então se levantou, lutando contra um bufo quando viu a expressão antagônica no rosto dela. - Bem... – Disse Snape em uma voz suave enquanto continuava passando por ela. - Eu percebi que você ainda não bebeu aquelas garrafas de xerez de reserva, mas suponho que o dia ainda mal começou.
Trelawney soltou um grito alto e indignado quando as vestes de Snape roçaram nela enquanto ele descia os degraus e saía do escritório de Dumbledore. Entre viajar da saída da gárgula para o corredor, Snape soltou uma risada rouca ao se alegrar com a professora de Adivinhação que se irritava facilmente.
Trelawney ainda estava irritada quando passou por Snape nos corredores mais tarde naquela noite. Quando os alunos e funcionários foram reunidos no Salão Principal para o jantar, ela fez um grande show ao juntar seus xales, ajeitar o cabelo crespo (sem sucesso) no lugar e arrastar os pés até o fim do estrado.
Pouco depois que a refeição da noite apareceu em cada mesa, Snape ouviu Trelawney dizendo a qualquer um que quisesse ouvir que ele tinha as maneiras de um javali.
Bem feito; por que não aumentar seu repertório de travessuras juvenis e mostrar a língua em seguida? Dê aos primeiros anos algo para rir.
McGonagall não disse nada porque estava mais interessada em seu jantar, mas Madame Hooch, em sua própria maneira direta, murmurou que se Trelawney deixasse o xerez de cozinhar e deixasse o professor de Defesa sozinho, talvez ela não fosse mais suscetível a seu desagradável comportamento. Hooch então disse à mulher de cabelos crespos que ela seria a próxima para sua própria marca de ira se ela não calasse a boca e a deixasse comer seu jantar em paz, que ela tinha lidado com alunos desajeitados o dia todo que mantinham indo atrás de cotovelos em suas aulas de vôo, e a última coisa que ela sentia vontade de ouvir era o tagarelar incessante de Trelawney.
Snape e Hooch tiveram seu quinhão de cabeças batendo, especialmente quando se tratava de Quadribol e o que ela chamava de membros 'irracionais e altamente competitivos' no time de Quadribol da Sonserina. Snape sabia que seus alunos tinham um desprezo flagrante pelas regras enquanto jogavam; Marcus Flint foi um excelente exemplo disso. A única coisa que Snape disse ao capitão excessivamente zeloso foi que se ele matasse outro dos alunos, a culpa seria do Diretor da Casa e, por isso, ele pessoalmente faria da vida de Flint um inferno. Caso contrário, Snape fez vista grossa para o resto das travessuras entre seus sonserinos e os outros times. Hooch era o árbitro, e era seu trabalho resolver isso.
No entanto, naquele momento, se ele fosse o tipo de bruxo que elogia outro, Rolonda Hooch definitivamente teria ouvido seus elogios pela maneira como ela ordenou Trelawney antes de espetar sugestivamente o garfo no meio de sua torta, tudo sem tirar os olhos amarelos mulher maluca.
Flitwick havia notado toda a troca, mas parecia manter-se firmemente enraizado em território neutro. Ainda assim, ele tinha uma pequena mão estrategicamente cobrindo a boca que parecia estar se contorcendo em um ataque de riso reprimido. Slughorn estava sentado à direita de Snape, embora ele estivesse muito ocupado escolhendo e separando o que ele queria comer, e nunca piscou na direção das duas bruxas.
Quando a hora do jantar finalmente acabou, Snape saiu pela porta atrás do estrado dos funcionários. Ele estava ansioso para começar a tarefa tediosa de preparar a poção de Lupin da maneira que alguém está ansioso para fazer um exame médico; quanto mais cedo ele começasse, mais cedo terminaria.
Quando Snape assumiu o cargo de mestre de Poções em Hogwarts, tornou-se dolorosamente óbvio que se ele fosse o responsável pela cerveja, ele precisaria de aposentos adequados para fazê-lo. Considerando as salas de aula dos alunos inaceitáveis para propósitos pessoais de fermentação, Snape encontrou e manteve trancada uma sala menor, porém mais limpa, nas masmorras. Desde que encontrou o laboratório, Snape tinha certeza de que ninguém mais sabia sobre ele e estava tudo bem, já que ele havia colocado proteções nele que só ele poderia passar.
Este laboratório era tão mal iluminado quanto os outros, mas sempre que Snape precisava dele, ele podia preparar suas poções sem ter que usar três rodadas de Scourgify em cada superfície. O professor sabia que ele tinha mania de limpeza, quando se tratava de higiene das áreas em que fabricava, mas a menor quantidade de ervas indesejadas ou outros ingredientes era a pequena diferença entre uma poção que saía errada ou quase se matava. Os alunos tinham o estranho hábito de não limpar seus espaços de trabalho como deveriam, e Snape tinha testemunhado muitas explosões como resultado de resquícios de poções antigas que ainda permaneciam em superfícies reagindo com outras.
Depois de recuperar tudo de seus estoques particulares e carregá-lo de volta para o laboratório, Snape alinhou tudo na bancada de mármore e colocou um caldeirão sobre a mesa. Ele nunca gostou de fazer as coisas no último minuto, e internamente amaldiçoou Lupin por lhe dar um aviso tão curto para preparar a complicada poção.
Muitos ficariam surpresos que Snape estava até mesmo fazendo algo que talvez pudesse ser interpretado como bom para um bruxo com quem ele mal compartilhava o básico de sutilezas. No entanto, os dois tinham um certo entendimento, e muito depois de Lupin deixar seu cargo de professor em Hogwarts, Snape continuou a preparar para ele a poção Mata-cão.
A palavra compreensão talvez fosse um exagero, mas do jeito que estava, Lupin fazia parte da Ordem e precisava reter cada pedacinho de seus sentidos após cada ataque de transformação. Mas Snape jurou há muito tempo que faria sua parte pela Luz, e se ele não tivesse mais nada a que recuar no mundo, ele tinha sua palavra. Ele sempre cumpriria suas promessas, mesmo que não gostasse de fazer isso.
No entanto, uma dor repentina e ardente no braço esquerdo de Snape apagou todos os pensamentos anteriores de sua tarefa ingrata. A poção Wolfsbane de Lupin teria que esperar.
E servi-lo bem por esperar até o último minuto terrivelmente inconveniente, Snape pensou amargamente enquanto protegia o laboratório antes de seguir na direção de seus aposentos para recuperar sua capa de viagem e máscara.
Hermione estava aninhada em sua cama e bem depois das dores do sono profundo, quando algo começou a fazer cócegas em seu rosto. Mexendo ligeiramente, ela empurrou o que quer que estivesse roçando a ponta de seu nariz. As cócegas pararam por um segundo e ela voltou a dormir. No entanto, começou novamente tão rápido quanto parou, e Hermione ficou frustrada, embora ainda não fosse o suficiente para acordá-la completamente.
Virando-se de barriga para baixo, Hermione cegamente procurou seu edredom e puxou-o até as orelhas. Assim que fez isso, ela percebeu como estava quente sob os lençóis; era uma noite tempestuosa e os elfos domésticos deviam estar colocando mais lenha no grande aquecedor que ficava no meio do dormitório. Estava tão quente atrás das cortinas da cama que a certa altura Hermione tirou as cobertas de seu corpo. Agora ela se lembrava por que havia feito isso em primeiro lugar, e só os deixou sobre sua cabeça por um minuto ou dois.
Depois de empurrar os cobertores de volta em sua cintura, Hermione resmungou em seu sono enquanto levantava a cabeça, puxando sua bochecha úmida do lado quente de seu travesseiro e virando-o. Segundos depois que ela estava descansando confortavelmente no lado fresco, algo deu um puxão poderoso em seus cachos, fazendo com que o topo de sua cabeça se agitasse ferozmente.
- Ow! – Ela gritou grogue, cegamente estendendo a mão para empurrar sua fonte de dor. As pontas dos dedos de Hermione roçaram em algo quente e difuso. - Bichento! – Ela murmurou em seu travesseiro, ainda se recusando a olhar para cima. - Vá embora, estou tentando dormir.
Mas Bichento considerava outras coisas mais importantes do que o descanso de beleza de sua dona. Capturando outra seção de seus cachos espessos entre os dentes, ele deu outro puxão, desta vez efetivamente fazendo com que Hermione se colocasse em uma posição semi-vertical para olhar para ele na escuridão de sua cama de dossel envolta por cortina.
- Bichento! O que é? – Hermione retrucou, agora um pouco mais lúcida.
O gato estava sentado ereto ao lado de seu travesseiro, seus olhos amarelos brilhando para ela enquanto a luz entrava por entre os espaços nas cortinas da cama. Bichento continuou olhando para Hermione até que de repente ele se jogou no chão, parando ao lado da cama.
- O que?! – Hermione sibilou em voz baixa, tentando não acordar suas colegas de casa. Ela se arrastou para o lado da cama e abriu as cortinas para colocar a cabeça para fora. Quando ficou claro que o gato estava esperando que ela saísse da cama, Hermione deu um suspiro enquanto jogava para trás os cobertores, deslizando-se por entre eles e tremendo com a perda brusca de calor. Bichento então disparou para a frente do dormitório, seu rabo de escova preso diretamente no ar.
- Espere um minuto, Bichento! – Hermione disse a ele, perguntando-se o que a deixara familiar em tal estado de agitação enquanto ela ficava cambaleante, esfregando os olhos de sono.
Bichento parecia estar perdendo a paciência com seu humano, porque ele correu para fora da sala. Hermione tinha acabado de baixar uma mão do rosto quando avistou a cauda espessa dele desaparecendo pela porta, e ela teve que correr para ver aonde ele estava indo.
- Volte aqui! – Ela se agitou enquanto Bichento descia apressadamente os degraus curvos de pedra que levavam à sala comunal. Ela correu pela sala comum às escuras, saiu pelo buraco estreito do retrato e entrou no corredor gelado.
- Bichento, se eu tiver problemas por correr atrás de você... ow! – Ela gritou, pisando em um pedaço áspero de laje e chegando à conclusão de que estava descalça. Descalça, sem varinha e em sua camisola, ela correu pelos corredores assustadoramente silenciosos de Hogwarts, perseguindo o ruivo peludo meio amassado.
Sem sua varinha, Hermione não foi capaz de se desiludir, embora Bichento a tivesse acordado tão abruptamente apenas para sair correndo em um ritmo tão rápido, lançar o feitiço tinha sido a última coisa em sua mente.
Eu seria uma péssima Auror, Hermione retrucou para si mesma. Se eu tivesse problemas, não teria como me defender. Muito bom, Hermione, muito inteligente da sua parte sair do seu quarto sem sua varinha ou chinelos. Ai! Este chão é mais áspero do que eu pensava!
Tropeçando mais uma vez e lutando contra um grito alto de dor enquanto batia com o dedinho do pé em outro pedaço de pedra, Hermione continuou correndo atrás de Bichento. O animal estava praticamente no ar enquanto ele fugia pelo castelo, não dando trégua enquanto sua dona corria atrás dele.
Os dois desceram um conjunto de degraus móveis, Bichento bem na frente. Felizmente havia apenas luz suficiente para Hermione seguir a visão do gato laranja brilhante, mas não o suficiente para que os retratos notassem a jovem bruxa correndo pelo castelo em seu corpo inteiro. Não importava que a camisola fosse de mangas compridas e a cobrisse da garganta aos tornozelos, certamente a visão era muito estranha, considerando que ela estava sendo conduzida por uma coleira invisível, um gato segurando suas rédeas.
Quanto mais eles desciam no castelo, mais fresco ficava e, apesar da grossa camisola branca, Hermione envolveu o corpo com os braços para não tremer.
- Bichento, não! – Ela protestou quando o gato começou a conduzi-la pelo longo conjunto de escadas circulares que levavam às masmorras. - Você vai me expulsar! Você sabe disso? Esqueça a detenção, eles vão me jogar na rua!
Bichento não podia se incomodar com a ameaça iminente da possível expulsão de Hermione; havia assuntos mais urgentes no momento.
As masmorras eram a parte mais escura do castelo, já que algumas arandelas de parede eram a única fonte de luz. No entanto, elas foram colocadas bem separadas entre cada parede, e Hermione sentiu um pressentimento de mal-estar por rastejar cegamente no escuro. A furtividade de Bichento parecia aumentar em uma centena, e ela nem tinha a desculpa do tamborilar de seus passos.
Por favor, não me deixe cair, por favor, não me deixe cair, Hermione cantou para si mesma. A última coisa que ela queria era que Filch a encontrasse fora da cama e vagando por aí. Snape ... bem, ela pode não ter se importado que Snape a encontrasse, mas ela sabia que ele provavelmente ficaria furioso.
Hermione nunca se esqueceu do jeito que Snape ficava cutucando em sua cabeça para não andar pelo castelo sozinha à noite. Ela praticamente podia ouvi-lo em seu ouvido enquanto contava suas palavras. Talvez ela pudesse fingir um surto de sonambulismo ... não, Harry já tinha feito isso uma vez, e não funcionou bem para ele.
Bichento já havia voltado tanto para as masmorras que Hermione teve que dar atenção extra em apenas ver onde ele estava. Diminuindo seus passos até que ela parou, Hermione sentiu Bichento torcendo o corpo em uma série de oito em torno de seus tornozelos. Ele então se afastou dela, como se estivesse tentando conduzi-la em outra direção.
A completa ausência de luz parecia intensificar o ar gelado nas masmorras, e Hermione envolveu os braços com mais força ao redor do torso, tentando reter o pouco calor corporal que lhe restava. Ela nunca tinha realmente notado como estava frio lá embaixo, já que ela sempre estava coberta com suas vestes de estudante ou um suéter grosso cada vez que ia visitar Severus. Agora ela se sentia como se estivesse no meio de um cemitério que havia congelado.
- Droga! – Hermione murmurou baixinho. As lajes geladas sob seus pés estavam começando a ficar afiadas e ainda estava muito escuro para ela fazer cara ou coroa de qualquer coisa. Um suave ' Mrroww!' de sua direita imediata de repente a levou na direção da correção. - Bichento, o que você... – Hermione começou, suas palavras foram interrompidas quando seu pé dolorido e descalço atingiu algo macio. - Oh!
A apreensão que ela já estava sentindo agora se transformou em pânico total; Hermione não tinha varinha, e havia a sensação inconfundível de um corpo a seus pés. Seu coração começou a bater tão rápido que quase doeu, e ela tinha certeza de que as batidas sozinhas eram altas o suficiente para alertar Filch e sua gata malvada, Sra. Norris, de sua presença, mesmo que estivessem dois andares acima. O corredor estava mortalmente silencioso e os instintos de sobrevivência chutaram e fizeram Hermione querer fugir, mas algo em seu intestino a fez cair de joelhos lentamente e rastejar mais perto da pessoa no chão.
Esticando os braços, hesitantemente, Hermione entrou em contato com o pelo de Bichento, imediatamente sentindo o barulho da respiração dele sob a ponta dos dedos. O gato miou novamente, mais baixo desta vez, e Hermione continuou tateando cegamente ao redor, logo descobrindo que Bichento estava aparentemente sentado em cima da perna da pessoa desconhecida.
"Bichento, estou confiando em você, por mais louco que pareça. – Hermione disse a ele, trêmula. - Porque obviamente você queria que eu viesse aqui e ...
Evitando esse pensamento, Hermione levantou uma mão e sentiu dobras volumosas de lã áspera, outro tecido duro por baixo e ... botões. Levantando a mão, ela descobriu que havia mais botões, cada um deles em uma única fileira.
- Não... – Ela sussurrou ferozmente para si mesma. - Não!
Havia apenas uma pessoa em Hogwarts que nunca se desviava de uma longa fileira de botões na frente do que Hermione tinha certeza que seria um terno preto de Severus, se ela tivesse sido capaz de ver. Continuando a remexer no escuro, Hermione encontrou a mão esquerda da pessoa, que estava flácida ao lado de sua coxa. Gemendo quando seus joelhos cravaram no chão áspero e irregular enquanto ela se apoiava engatinhando para alcançá-lo, ela sentiu a mão direita dele, presa em um punho apertado e agarrando a forma inconfundivelmente lisa de uma varinha.
- Professor? – Ela sussurrou, arriscando um palpite de que era na verdade Severus Snape sobre quem ela estava intimamente ajoelhada. - Isso é você?
Quando não houve resposta, nenhum tipo de reconhecimento de sua presença, Hermione cautelosamente curvou sua mão ao redor da mão que segurava a varinha. Se fosse de fato Snape, ela não tinha dúvidas de que ele iria azará-la por tentar pegar sua varinha, ou pelo menos ela acabaria presa embaixo dele com a varinha em sua garganta. Embora ele não parecesse tão paranóico quanto Alastor Moody, Hermione ainda não queria receber nenhum feitiço que viesse do igualmente notório e temperamental bruxo.
Incapaz de encontrar um meio-termo para ambas as razões de estar com medo, Hermione hesitou por um momento enquanto tentava pensar em seu melhor curso de ação. Ela não podia deixar quem quer que fosse no chão, nem podia ajudá-los sem ser capaz de ver.
Bichento pareceu perceber sua hesitação, porque seus dentes minúsculos e afiados agarraram a ponta da manga da camisola e ele puxou, como se quisesse que ela se apressasse.
- Tudo bem, mas pare de me apressar! – Hermione estalou quando um forte arrepio a atingiu. Estava frio o suficiente para que sua camisola grossa pudesse muito bem ser feita de gaze, porque seus dentes estavam começando a bater. - Eu não posso ver no escuro como você!
O corredor escuro como breu era intimidante o suficiente, mas o silêncio mortal e o corpo ameaçadoramente imóvel ao lado do qual ela se sentava era pior. Hermione ainda podia literalmente ouvir seu coração batendo, e ela teve que respirar fundo várias vezes para se preparar. Apertando a mão ao redor da mão da pessoa, ela orou fervorosamente para que o feitiço funcionasse.
"Lumos!"
Seu estômago estava dando voltas nervosas com a perspectiva do que ela estava prestes a ver. Hermione quase gritou quando o feitiço funcionou, sentindo sua magia fluindo através de sua mão e na de outra pessoa, seguido por um brilho de luz branca pálida saindo da ponta da varinha. O braço da pessoa era um peso morto, e Hermione lutou desajeitadamente com ele para ver seu rosto, e soltou outro grito agudo quando se viu encarando Severus Snape inconsciente e mortalmente pálido.
