- Entendi. – Harry anunciou no dia seguinte em Feitiços após lançar Muffliato. - Eu tenho a memória.
- Muito bem, Harry! – Hermione disse alegremente.
- Sim, como você fez isso? – Ron perguntou, seus olhos focados em Harry enquanto ele apontava sua varinha para o pote a sua frente.
O professor Flitwick atribuiu a todos a prática de Feitiços Inquebráveis em potes de vidro finos como um sussurro. Hermione já havia usado o feitiço quando prendeu Rita Skeeter em sua forma animaga e não teve problemas para executá-lo. Ron, no entanto, continuava enviando cacos de vidro pelos ares sempre que testava o seu para ver se o feitiço funcionava. Isso tornou um pouco difícil para Harry contar sua história, já que ele e Hermione tinham que continuar se lançando para o lado para ficar fora da linha de fogo. Finalmente, tendo se cansado de se esquivar das lascas no ar, Hermione agarrou o braço da varinha de Ron para fazê-lo abaixá-lo por um momento.
- Você estava dizendo, Harry? – Ela cutucou, esperando que ele continuasse.
Os três ficaram tão absortos na conversa que se esqueceram de trabalhar com seus potes de vidro. Somente quando Ron começou a acenar distraidamente a ponta de sua varinha para o teto, enviando flocos de neve grandes e fofos para o topo de suas cabeças, o Professor Flitwick veio e pacientemente disse a eles em sua voz estridente para voltarem ao trabalho.
Agora que Harry havia dado a memória de Slughorn ao diretor, ele esperou todos os dias para ver o que aconteceria a seguir. Ele estava constantemente em guarda a ponto de Hermione sugerir estudar para tentar distraí-lo das coisas. Ron gargalhou com a sugestão até que Hermione disse-lhe categoricamente que ela não o ajudaria com aquele dever de casa naquela noite, pois ela estava muito ocupada com o seu próprio.
Dias depois, Hermione estava se refugiando na biblioteca quando um bilhete chegou, não para Harry, mas para ela. Ela tinha ido colocar alguns livros de volta em suas prateleiras designadas, não querendo que Madame Pince viesse e lhe desse uma bronca. Quando Hermione voltou para sua mesa, seu livro uma vez aberto agora estava fechado, com algo aparecendo secretamente entre as páginas. Ela levou uma fração de segundo para abrir o livro avidamente e arrebatar a missiva. 'Nove horas' foi a única coisa rabiscada no minúsculo pedaço de pergaminho. Cada letra mantinha um rabisco estreito e afiado que só poderia pertencer a uma pessoa.
Quinze dias se passaram desde a última vez que Hermione falou com Snape. A noite na Torre de Astronomia quando ele a puxou para seus braços e a beijou até que ela se esquecesse de tudo, continuava vindo à mente, mesmo nos momentos mais inoportunos, como durante a aula ou na hora das refeições. Certa manhã, durante o café da manhã, um pouco de sucrilhos desceu pelo caminho errado e Hermione ficou vermelha em meio a um ataque de tosse. Simus teve que se inclinar sobre a mesa, derrubando seu próprio café da manhã, uma garrafa de leite, além de virar um prato flutuante com torradas, para bater nas costas dela até que ela pudesse respirar novamente.
O professor nunca havia planejado com antecedência que Hermione o visitasse. Deixar uma mensagem para ela era algo inédito. No fundo de sua mente, ela ainda se perguntava como o homem era capaz de rondar sem ser visto, ou pelo menos deixar um bilhete sem ninguém perceber.
Mas isso não era importante. O que ela realmente queria saber era o raciocínio repentino de Snape para deixar o dito bilhete. Aconteceu alguma coisa? Alguém descobriu sobre eles?
A respiração de Hermione prendeu em seu peito com essa ideia.
Ah não. Por favor, diga-me que ninguém descobriu sobre nós. Por favor, diga-me que não é o caso.
Era junho e quase o fim do período escolar. Depois de quase um ano inteiro se esgueirando, a ideia de agora ser descoberto era completamente irônica. Verdade, ela passou a maior parte dos dias sem ser puxada para o escritório de McGonagall ou chamada para falar com o diretor, então talvez ela estivesse se preocupando por nada ...
Como sempre, Granger. Fique tranquila, pelo menos até as nove, está bem? Não há sentido em ficar todo nervosa sem motivo.
Conforme o dia passava, Hermione entendia ainda mais o fascínio da espontaneidade. Se cada um dos encontros dela e de Snape tivesse sido planejado, então provavelmente a expectativa estaria estampada em seu rosto. Era claro que ela estava ansiosa, embora a maioria de suas amigas já a considerassem nervosa. Eles provavelmente atribuíram seu estado de inquietação a trabalhos escolares, já que essa era geralmente a razão de seu comportamento frenético.
A única coisa trabalhando a seu favor foi logo antes do jantar, quando Jimmy Peakes entregou a Harry uma mensagem de Dumbledore. O diretor estava solicitando sua presença mais tarde naquela noite, e isso foi o suficiente para desviar a atenção de Hermione de seu próprio encontro com Snape. Também distraiu Harry e Ron de perguntar por que ela estava mais nervosa do que o normal.
Os meninos saíram por conta própria depois de comerem apressadamente. Eles mal lançaram um olhar para Hermione enquanto corriam para fora do Salão Principal, e ela foi incapaz de reunir forças para se sentir insultada. Harry nem mesmo ofereceu a Gina um adeus apropriado, e ela apenas revirou os olhos para Hermione enquanto eles trocavam um olhar de cumplicidade.
No momento em que Hermione estava voltando para a sala comunal, um Harry de aparência perturbada quase trombou com ela. Ele explicou apressadamente que estava pegando sua capa de invisibilidade, mas disse a ela e Ron para irem ao dormitório com ele. O restante de seu Felix Felicius foi colocado nas mãos de Ron, e seu Mapa do Maroto na de Hermione.
- Harry... – Hermione começou, sendo interrompida.
- Eu não tenho muito tempo,. – Ele interrompeu, explicando que iria procurar uma Horcrux com Dumbledore. - Fique de olho no Malfoy e fique de olho no Snape. Eu não confio em nenhum deles.
Os dois não conseguiram trocar uma palavra enquanto Harry continuava dando instruções antes de sair correndo do dormitório. Ela e Ron concordaram em ficar de olho nas coisas, mas Hermione disse a si mesma que as suspeitas dele em relação a Snape eram ridículas. Ele não poderia ter feito muito se tivesse pedido para vê-la naquela noite. Claro, ela não poderia apontar isso para Harry e apenas concordou com as coisas pelo bem da paz.
Às quinze para as nove, Hermione começou sua jornada para as masmorras. Normalmente ela descia mais tarde, pois havia menos pessoas para ela encontrar. Entre o mapa de Harry e a sorte de estar do seu lado, ela desceu sem problemas.
Snape não especificou se ela deveria ir ao seu quarto particular ou ao seu escritório, e Hermione se viu em um dilema. Havia um pouco de distância entre os dois lugares, e mesmo que ela pudesse visitar um primeiro, ainda havia a questão de se esquivar dos Sonserinos que poderia passar. Abaixando-se em uma alcova escura, Hermione prendeu a respiração enquanto decidia seu próximo melhor curso de ação, quando uma centelha negra chamou sua atenção.
O professor estava passando por ela, e não deu nenhuma indicação de saber que ela estava abrigada. Hermione interpretou isso como sua deixa para seguir atrás, e rapidamente deixou seu pequeno buraco escondido. Harry pegou sua capa de invisibilidade quando saiu para ver Dumbledore, e ela teve que se desiludir. Caminhando três passos atrás de Snape, certificando-se de não pisar em suas vestes arrastando, Hermione percebeu que eles estavam indo para seu laboratório pessoal. Assim que eles finalmente entraram com a porta fechada e trancada, Snape sacudiu sua varinha e fez as arandelas se acenderem.
Sem saber o que dizer, Hermione parou ao lado da mesa de trabalho na qual um monte de suprimentos havia sido colocado. Ela ficou feliz em ver o professor, mas sua curiosidade continuou a arder com o motivo do encontro.
- Então ... recebi seu bilhete...
- Aparentemente sim, vendo que você está aqui. – Snape respondeu, ficando a um braço de distância de Hermione. - Lupin precisa da poção de novo e eu achei benéfico você tentar mais uma vez.
É isso? Hermione se perguntou, sentindo-se um pouco tola e também decepcionada. Ele só quer que eu faça poção para ele? Não que eu me importe, mas ...
- Claro. – Ela finalmente respondeu, puxando a varinha do bolso de trás e colocando-a sobre a mesa. Ela então percebeu que os suprimentos espalhados eram na verdade ingredientes para fazer a Mata-cão. - Eu só preciso lavar as mãos. – Ela continuou, usando o elástico esquecido que havia sido deixado em volta de seu pulso para amarrar os cachos para trás.
Snape acenou com a cabeça e deu um passo para o lado para deixar Hermione passar. Puxando um banquinho e empoleirando-se em cima dele, ele observou a jovem bruxa enxaguando as mãos na bacia no canto. Isso era decepção em seu rosto?
- Tenho a impressão de que você esperava outra coisa. – Afirmou.
Hermione jogou as mãos para se livrar do excesso de umidade. Ela abriu a boca para falar, fez uma pausa e tornou a abrir a boca.
- Eu honestamente não sabia o motivo da sua mensagem. – Disse ela depois de caminhar de volta. - Admito que não pensei nisso. – Ela gesticulou para espalhar os ingredientes e ferramentas. – Mas não me importo. Sério, não me importo.
- Estou surpreso que não tenha lhe ocorrido imediatamente. – Snape respondeu. - Você foi a única que seguiu os mapas lunares em primeiro lugar.
- Estou surpreso que você tenha me chamado, considerando as milhões de vezes que você me importunou por vagar sozinha.
As bordas da boca de Snape se curvaram apenas uma fração de centímetro, e Hermione nem percebeu. Ela nunca soube que ele sempre estivera alerta quando ela e seus amigos estivessem preocupados. Mas depois que Hermione foi atacada quando ela mergulhou entre Potter e a varinha de Draco, o professor tinha sido extremamente cuidadoso quando se tratava de seu bem-estar pessoal.
- Já lhe ocorreu que você está simplesmente andando por aí com a ilusão de andar por aí sem ter outro par de olhos em você?
Um olhar vagamente suspeito apareceu no rosto de Hermione. - Eu quero saber o que isso significa?
- Claro que quer. O dia em que Hermione Granger não quiser saber que algo nunca vai acontecer. Se acontecer, vou assumir que você recebeu um Imperius.
Isso fez Hermione sorrir. - Nesse caso, acredito que você fará a coisa certa. – Ela riu suavemente. - Onde estão suas anotações para a Mata-cão?
Retirando a varinha da manga, Snape a sacudiu na direção da mesa de trabalho. O familiar pedaço de pergaminho desintegrado apareceu e Hermione o pegou. Snape tinha permitido que ela fizesse Mata-cão em várias ocasiões, mas Hermione ainda estava preocupada em estragar a poção e matar Lupin. O maior elogio que ela recebeu do professor até agora sobre sua habilidade de preparar foi um conciso 'muito bom', e essa foi a primeira vez que ela fez a poção. Cada vez depois disso, a aprovação de Snape só tinha sido exibida por um breve aceno de cabeça. De qualquer forma, ele não reclamou, e para Hermione isso fez uma grande diferença.
Enquanto Hermione estava ocupada adicionando o primeiro dos ingredientes ao caldeirão, Snape assistia em silêncio. Ele tinha fé nas habilidades meramente suficientes de Hermione, mas não era indiferente o suficiente para entregar completamente as rédeas. Não, sua mente estava focada em outra coisa.
Desde seu último encontro secreto na Torre de Astronomia, Snape se perguntou por que Hermione tinha um recorte antigo de sua mãe escondido entre as páginas de seu livro. Ele sabia que a garota era intrometida, embora como ela encontrava o tempo fosse um mistério para ele. Ainda assim, como diabos ela passou a possuir a pequena sinopse escrita sobre Eileen Prince?
Snape havia se esquecido daquele recorte. Na verdade, da última vez que ele viu, ele era mais jovem do que Hermione. Ele tinha cerca de quatorze anos e passou uma noite folheando jornais antigos na biblioteca. À primeira vista, Snape ficou chocado ao ver a foto de uma adolescente Eileen Prince, duplamente porque ela nunca mencionou jogar Gobstones ou qualquer outra coisa, por falar nisso, enquanto estava em Hogwarts.
Madame Pince era petulante, mesmo em sua época, e Snape sabia que não deveria pegar o jornal da biblioteca porque ela notaria sua ausência. Em vez disso, ele usou um feitiço de duplicação e deixou aquele para trás, levando o original com ele. Ele estava com tanta pressa de sair da biblioteca que não notou Filch parado do lado de fora. Snape esbarrou no zelador grisalho, deixando cair sua mochila e o jornal no processo.
Filch deixou escapar algo entre um grunhido e uma maldição, mas se curvou e ajudou Severus a se levantar pela nuca, emitindo um forte "Cuidado com os passos, rapaz!"
Snape se lembrou de seu rosto queimando até as orelhas enquanto se abaixava para recuperar seus pertences caídos. O homem de olhos argus, sem trocadilhos, imediatamente olhou para o jornal cortado e arrancou-o das mãos de Severus. O jovem sonserino então deixou escapar, "Isso é meu!" apenas para o zelador rosnar para ele ficar quieto.
Filch olhou para o garoto magricela de cabelos escuros, que tremia de raiva em suas vestes surradas, olhou para o artigo em que o jornal havia sido deixado aberto, depois de volta para o jovem bruxo.
- Essa é sua mãe, não é? – Ele perguntou, cutucando o papel com um dedo nodoso. Quando Severus não respondeu, ele continuou examinando o artigo, segurando-o mais perto do rosto. - É sua mãe, tudo bem. Parece que ela acabou de cuspir você.
Com isso, Filch empurrou o jornal de volta para a mão de Severus, murmurando. - Não deixe a velho morcega te ver com isso. Aquela é louca, ela é. Ela vai pegar sua cabeça por roubar de sua preciosa biblioteca. – E continuou pelo corredor, resmungando algo sobre punir os alunos mais tarde naquela noite se encontrasse algum fora da cama.
Severus estava mais preocupado com Filch pegar o jornal e denunciá-lo para Pince. Mas ele não contou, e Snape percebeu que Filch estava bem. Felizmente, porque ele realmente queria levar o artigo com ele quando fosse para casa nas férias para mostrar para sua mãe.
Severus esperou até que seu pai estivesse fora, provavelmente no pub, antes de puxar o artigo. Isso provocou um dos raros ataques de fala de sua mãe, e ela disse ao filho que gostava de Gobstones quando era menina. Até hoje, Snape se lembrava de ser uma das raras vezes em que o rosto retraído de Eileen parecia menos severo. O jogo aparentemente tinha sido uma boa lembrança para a bruxa, e a única coisa para apresentá-la a uma garota de seu ano chamada Sadie, a única pessoa em Hogwarts que ela considerava uma amiga.
Uma vez que Tobias Snape estava morto e a mente de sua mãe começou a vacilar, Severus tinha ouvido aquela história do Torneio de Gobstones muitas vezes, até que ele quase poderia recitar a história literalmente. Ele nunca invejou Eileen a oportunidade de contar sua história, especialmente porque parecia ser um dos poucos momentos felizes em sua vida monótona.
Vendo-se relembrando os últimos dias de sua mãe na terra, Snape percebeu que havia se desviado de sua pergunta original não dita: Como Hermione descobriu sobre sua mãe?
Havia uma chance de que ela não tivesse feito a conexão. Às vezes, quando o óbvio era plantado bem embaixo do nariz de alguém, estava perto demais para que eles notassem. Snape era quase a cara de Eileen Prince; ambos eram magros, pálidos e seus rostos emitiam constantemente uma aparência azeda, mesmo que estivessem de um humor menos severo. Seu cabelo era outra história. Era grosso e caía sobre seus ombros em ondas naturais, ao contrário de seus próprios fios retos que haviam sido herdados de seu pai. Severus se lembrava de sua mãe certa vez lhe dizendo que sua própria mãe constantemente a lembrava, enquanto crescia, de que seu cabelo era sua única característica atraente, e talvez ela pudesse usá-lo para cobrir o rosto, já que era a única maneira de conseguir um marido.
Severus tinha apenas sete anos de idade quando Eileen repetiu essa afirmação enquanto estava em pé no espelho, penteando o cabelo, e mesmo assim ele achava que era uma coisa cruel uma mãe contar ao seu próprio filho. Mas a maçã não tinha caído longe da árvore; embora Eileen nunca tenha chamado abertamente seu filho de "feio", ela também nunca disse a ele que ele era bonito. Na verdade, ela nunca o chamou de nada, exceto pelo nome de batismo, e isso apenas quando ele estava sendo convocado para as refeições ou para fazer alguma coisa para ela. Tobias, por outro lado... ele tendia a ignorar seu filho, a menos que tivesse que chamá-lo, caso em que ele se referia a Severus como qualquer coisa, exceto seu nome de batismo.
Por um tempo, Severus não conseguia entender por que seu pai era tão cruel. Às vezes, Tobias ficava quieto como um rato de igreja, mesmo sem estar sob o efeito da bebida. Incomum foi a ocasião em que ele falou com sua esposa e filho sem um tom de raiva. Mas ajude os dois quando ele teve a ideia de citar coisas da Bíblia. Seu favorito era a parte sobre crianças honrando sua mãe e seu pai, e Severus ficou tentado a perguntar se também havia algo escrito ali sobre os pais não abusarem de seus entes queridos. Mas ele sabia que era melhor não falar nada, já que teria acabado com as costas da mão na sala da frente de sua pequena casa.
Durante toda a sua infância, Severus se perguntou se estava faltando alguma coisa. Uma pequena cruz que pertencia a seu pai estava ao lado do manto da sala da frente. Estava lá desde que Severus nasceu. Havia também uma velha Bíblia em uma das gavetas e parecia ter para sempre uma espessa camada de poeira.
Fiel à sua natureza livresca, Severus tentou ler trechos e pedaços da Bíblia em várias ocasiões. Ele queria saber o que havia lá, já que seu pai gostava tanto de recitar passagens sempre que considerava a situação adequada. Essas situações costumavam ser ilógicas e arbitrárias para Severus e sua mãe, mas faziam todo o sentido para Tobias. Severus achava que seu lunático delirante pai bêbado achasse apropriado abandonar a religião, especialmente porque Tobias tinha sido o criador do inferno por excelência desde que ele conseguia se lembrar.
- O que você estava fazendo com aquele artigo? – Snape perguntou de repente.
Hermione estava nos estágios intermediários da poção e terminou de contar suas mexidas com a haste de agitação antes de olhar para cima.
- Qual?
- O artigo que caiu do seu livro na noite em que estávamos na Torre de Astronomia. Aquele sobre o Torneio de Gobstones.
- Oh! Isso... – Hermione parou, nervosamente mudando seu peso para o outro pé.
Por alguma razão, ela começou a olhar para tudo menos para ele, e era mais uma razão para deixar Snape desconfiado.
- Pelo amor de Deus, Hermione, foi uma pergunta simples. Você parece que alguém acabou de assinar papéis para a sua execução.
- Bem... eu te diria, mas... – Ela continuou em uma voz incerta, ainda se recusando a olhar Snape nos olhos.
Snape estudou Hermione por um momento. Seus ombros estavam visivelmente tensos e sua linguagem corporal demonstrava ansiedade. Ele não tinha a intenção de colocá-la no limite, mas agora ele definitivamente queria saber o que estava acontecendo.
- Vá em frente. – Ele pressionou em um tom que era mais uma ordem e menos um pedido.
- Eu não acho que deveria. Há, err, algum conflito de interesses.
Hermione sabia que estava sendo observada: os olhos de Snape estavam praticamente cavando um buraco na lateral de sua cabeça. Mas se ela contasse a verdade, o que aconteceria com Harry? Ele já havia sido suspenso do Quadribol e tinha detenção todos os sábados. E só porque o professor também era seu amante, Hermione sabia que esse fato não influenciava o papel dele como um disciplinador implacável, especialmente quando se tratava daqueles em sua Casa.
- Eu não dou a mínima para as coisas mesquinhas entre os alunos, se é isso que você quer dizer. – Snape zombou, embora soubesse que esse ponto era discutível, já que Hermione nunca se preocupou com trivialidades também.
- Se eu te contar, isso vai ficar entre nós? – Ela perguntou, antes de definir sua mandíbula com firmeza. - Não, eu vou te dizer unicamente se ele permanecer entre nós. Isso significa que não irá perder a cabeça para Harry ou a tentar dar-lhe mais detenção. Acordado?
Snape soltou um pequeno bufo, recusando-se a dar um sim ou não às exigências dela. Ele então saiu de seu banquinho e pegou a vara de agitação da mão, empurrando Hermione para fora de seu caminho com o cotovelo para verificar a Mata-cão.
Snape sabia que Hermione estava olhando para ele enquanto esperava por uma resposta, e ele finalmente deu uma, embora seus olhos estivessem focados na poção a sua frente.
- Você tem minha palavra. – Ele ofereceu a contragosto.
- Obrigada. – Hermione se sentou no banquinho que Snape estava usando e notou que ainda estava distintamente quente do calor de seu corpo. - Tudo bem, bem... Harry encontrou este livro de Poções no armário da sala de aula, e ele era antigo e tinha todas essas notas estranhas nas margens, algumas das quais tenho certeza que são contra as regras. Ele usou algumas delas para ajudar com o trabalho dele, mesmo depois que eu o avisei para não fazer isso. Embora eu tenha que admitir, alguns desses feitiços são completamente horríveis - e nojentos, especialmente esse feitiço da unha do pé - mas quem os fez não poderia estar certo da cabeça.
Hermione fez uma pausa, esperando para ver se ela deveria continuar quando Snape cantarolou sua concordância.
- Mas há esse personagem chamado 'Enigma do Príncipe' e não conseguimos descobrir quem era. Harry e Rony presumiram que era um menino, mas eu encontrei aquele artigo e vi o sobrenome 'Prince'. Então, depois de verificar a escola datas, eu imaginei que poderia ser uma combinação. Pena que aqueles amáveis amigos meus riram de mim; eles ainda pensam que este príncipe mestiço é um bruxo e não uma bruxa.
Enquanto Hermione tagarelava, emoções contrastantes passaram pela cabeça de Snape. Ele estava grato por Hermione não ter descoberto quem era Eileen Price em relação a ele. Por outro lado, sua declaração sobre o criador por trás dos feitiços ... o que ela diria se soubesse que era ele?
Snape já sabia que Potter estava usando seu antigo texto de Poções. Ele não precisava de provas físicas para solidificar suas suspeitas. Claro, a declaração de Hermione validou a mesma coisa sobre a qual Potter havia mentido. Não, ele não contaria ao diretor ou mesmo a Slughorn sobre o livro. Quando Potter fizesse suas provas finais e não tivesse nenhum livro na frente dele, a verdade certamente seria revelada.
- Você está bravo? – Hermione perguntou, olhando de lado para Snape.
- O que importa se eu estou? – Ele perguntou categoricamente, ainda olhando vagarosamente para o caldeirão. - Eu não vou desistir de outra manhã para cuidar do Potter, e sua sempre charmosa Diretora de Casa ameaçou trocar meu café da manhã por uma Bebida Balbuciante se eu pegasse mais pontos da Grifinória.
Saber que Snape não puniria Harry deixou Hermione chocada. Ambas as sobrancelhas estavam erguidas no alto da cabeça, e ela estava olhando para o professor como se o visse sob uma nova luz.
- Tente não parecer tão chocada, Srta. Granger. – Snape disse a ela suavemente sem olhar para cima. - E feche a boca. Não acho que você goste da ideia de explicar como conseguiu ingerir acidentalmente a Mata-cão se alguma dessas salpicasse.
Sentando-se ereta e pressionando os lábios com força, Hermione continuou silenciosamente se perguntando o motivo da repentina mudança de opinião de Snape.
- Granger, deixe-me terminar esta maldita Mata-cão. Então você pode perguntar o que quer que seja que a tenha literal e figurativamente sentada na beirada da cadeira.
- Eu não estou chocada. – Hermione protestou, o que lhe rendeu um olhar do professor que beirava a incredulidade.
- O inferno que você não está; eu não preciso usar Legilimência para saber o que você está pensando. Sobre o qual, a propósito, tenho certeza de que já a avisei repetidamente.
- Falando francamente, você e eu sabemos que ninguém pode enganar seus olhos. – Hermione apontou. - Eu sei que não posso, então por que me preocupar em tentar?
Embora as palavras de Hermione fossem verdadeiras, já que ela nunca seria capaz de colocar nada além dele, Snape também entendeu a implicação não dita, que era sua confiança nele. Ele ainda achava difícil se acostumar com essa noção, e secretamente se maravilhava sempre que Hermione reiterava o sentimento.
- Justo. Agora, se você fizer a gentileza de guardar tudo. – Snape gesticulou para os restos de seu trabalho. - Eu responderei sua pergunta.
- Eu ainda não sei como você sabe o que estou pensando. – Hermione comentou enquanto descia do banco. - Não é como se você pudesse dizer tudo apenas pela minha expressão.
- Isso é o que você pensa. – Snape disse a ela enquanto despejava a poção quente e com cheiro de mofo de Lupin em seu cálice de costume. Ele então acenou sua varinha fazendo com que o cálice desaparecesse.
- Eu infinitamente não gosto de trapacear. – Ele começou sem preâmbulos assim que Hermione terminou de limpar a área de trabalho e se sentou novamente. - Ainda mais, eu detesto que mentem. Mas chegará um momento em que Potter não será capaz de trapacear ou mentir para sair de uma situação difícil. Mentir para passar em Poções será o menor de seus problemas ao longo prazo. Mas Deus ajude todos vocês se alguém for envenenado e Potter for o único por perto para preparar um antídoto. Agora, isso aguça seu desejo intenso por informações?
- Bem, terá que ser. – Hermione riu. - Se não, não é como se eu pudesse fazer você me contar mais.
Snape deu um leve aceno de cabeça, mais preocupado em se sentar por um minuto. Havia apenas um banco na sala, onde Hermione estava sentada. Ele poderia ter transfigurado outro, mas sabia que, se sentasse ou se deitasse, provavelmente não estaria inclinado a se levantar.
Várias vezes naquele dia, Snape secretamente se arrastou atrás de Draco quando notou o loiro se dirigindo para áreas fora dos limites. Infelizmente, ele não descobriu muito. Além de correr para Dumbledore na semana passada e ter apenas algumas horas de sono entre as aulas (ele quase se amaldiçoou por fazer Potter vir ao seu escritório todos os sábados de manhã e esteve prestes a mandá-lo embora no fim de semana anterior) Snape se sentiu prestes a desmaiar. Ele estava seriamente prestes a acreditar que seu único descanso aconteceria somente depois de ser deixado sob uma pilha de terra compactada.
- Você está bem? – Hermione perguntou, olhando para ele com preocupação. - Você parece morto em pé.
- Que encantador; obrigado.
- Não seja sarcástico, Severus. Estou preocupada com você. - Ela continuou. - Eu sei que não é muito, mas talvez uma xícara de chá?
Tentado a perguntar se o chá vinha com um pouco de feitiço Slugue que poderia ser direcionado para sua cabeça, já que poderia parar o latejar nas têmporas de estar excessivamente cansado, Snape resistiu. Em vez disso, ele apontou sua varinha para a mesa de trabalho limpa e conjurou uma bandeja de chá.
Hermione imediatamente se movimentou, derramando o líquido quente e perfumado em uma das xícaras e adicionando uma quantidade generosa de leite. Empurrando nas mãos dele com um forte "Beba isso", ela então preparou o dela e tomou um gole enquanto observava o professor por cima da borda de sua xícara.
Permitindo que a bruxa afirmasse seu domínio, Snape obedientemente aceitou o chá oferecido. Ainda assim, ele não achou que faria uma grande diferença. Sua dor de cabeça havia diminuído logo antes de ver Hermione, mas ficar em pé sobre um caldeirão quente não tinha sido a melhor ideia. Ele deveria apenas tê-la deixado terminar de preparar como ele pretendia em primeiro lugar.
Hermione continuou espiando furtivamente para Snape, imaginando se havia algo que ela pudesse fazer para ajudar. Sua cabeça estava abaixada e ele ergueu uma mão até a cabeça, arrastando as pontas dos dedos sobre a têmpora e o osso da testa, como se tentasse afastar a dor. Ele abandonou o esforço parcial de terminar seu chá, embora sua outra mão ainda agarrasse a xícara. Finalmente, ele acabou colocando a xícara de volta no pires. Sentindo-se um pouco tola por agora perceber as sombras roxas sob os olhos de Snape, Hermione colocou seu próprio chá na mesa e se aproximou do professor.
A cabeça de Snape se ergueu quando ela deu um passo à frente, e ele olhou para ela com uma expressão estranha no rosto. Pelo menos ele não disse a ela para parar quando ela gentilmente afastou os dedos de seu rosto e os substituiu pelos dela. Segurando a cabeça dele entre as mãos, Hermione começou a esfregar pequenos círculos em ambas as têmporas, alternando entre arrastar os polegares ao longo do vinco em sua testa.
- Deixe-me pensar: você aprendeu isso com um de seus livros. – Snape comentou depois de um tempo. Seus olhos estavam fechados e ele permanecia ereto no banquinho, o que era um tanto engraçado, considerando que ele estava recebendo uma massagem que deveria relaxá-lo. Quando ele finalmente cedeu e permitiu que sua postura caísse ligeiramente, Hermione lutou contra um sorriso.
- Na verdade não. – Ela admitiu, deslizando os dedos ainda mais para cima para esfregar o couro cabeludo dele. - Às vezes tenho dores de cabeça por ler por muito tempo. Eu meio que tive que aprender isso sozinha; não é como se alguém fosse esfregar minha cabeça.
A imagem mental de Hermione dando uma pausa na leitura para lutar contra aquele cabelo indomável e massagear sua própria cabeça o divertiu um pouco. Falando em cabelo, Snape tinha uma vaga lembrança de usar shampoo por alguns dias, e sentiu uma pontada de culpa ao perceber que as mãos de Hermione estavam totalmente enterradas em seu esfregão pegajoso. Mas se ela ficou desanimada, ela não deu nenhuma indicação, e assim continuou.
- Vou transfigurar um sofá como antes. – Hermione estava dizendo agora. - Eu acho que você precisa descansar.
- Descansar? Um conceito desconhecido. – Snape respondeu com uma ligeira carranca. - Infelizmente, não haverá descanso esta noite, ou qualquer outra noite. Não enquanto eu tiver deveres para cuidar.
- Certamente você pode se sentar por um minuto? – Disse Hermione em desaprovação. - Como você vai salvar o mundo se não consegue ver direito?
Snape tinha certeza de que o comentário dela 'salve o mundo' era para ser irônico, mas o atingiu perto demais para ele. Hermione definitivamente não sabia sobre a promessa que ele havia feito a Dumbledore, assim como a outros. Não havia como ele permitir esse risco.
- Minha visão está mais clara do que nunca, senhora.
- Se você diz. – Hermione murmurou. Isso ainda não a impediu de atravessar a sala de aula e transfigurar uma mesa em seu sofá de costume. Claro que Snape ia ser difícil para ela, mas indiferente, ela voltou para o lado dele e colocou a mão na dele, puxando até que ele se levantasse.
- Você nunca vai parar de me puxar? – Snape perguntou, parando bruscamente e encarando a bruxa.
Imperturbável pelo olhar fixo, Hermione apertou seu aperto e tentou fazê-lo continuar andando. Infelizmente, foi como puxar uma pedra e ela não chegou a lugar nenhum.
- Você nunca vai parar de me causar tristeza quando estou tentando ajudar? – Ela desafiou, lançando ao mago seu olhar mais ameaçador. Claro, no pior dia de Hermione, para Snape ela era tão ameaçadora quanto algodão doce.
- Você sabe que eu detesto ser incomodado. Não é nada pessoal e não quero ser insultuoso, mas isso é uma coisa com a qual não consigo me acostumar.
Hermione há muito superou o problema de Snape em aceitar qualquer coisa dela. Ou ele vinha cuidando de si mesmo há tanto tempo que não queria a ajuda de ninguém, ou talvez aceitá-la o fizesse se sentir uma espécie de inválido. Ou talvez ele não quisesse dever nada a ninguém. Seja qual for o caso, ela pensou que ele estava sendo irracional.
Me preocupo com você porque te amo, estava na ponta da língua. Engraçado como ela aceitou tão facilmente essa ideia, porque amar Severus Snape agora parecia tão natural quanto respirar. Mas havia chegado o momento de fazer aquela pequena confissão.
- Eu fico preocupada com você porque me importo com você. – Ela disse a ele em vez disso. - Isso é tão ruim?
No meio da conversa, Hermione se aproximou mais, até que ela e Snape ficaram frente a frente. Ela ainda segurava a mão esquerda dele enquanto olhava para o rosto dele, que agora continha alguma emoção sem nome. Snape parecia distraído; ao mesmo tempo, ele parecia estar extremamente focado nela, pois seus olhos não piscavam e estavam focados nos dela.
- Sim, é ruim.
- Bem, então, vai ter que ser ruim, mas isso não vai mudar as coisas. – Hermione declarou desafiadoramente. - Sofá?
Soltando um longo suspiro de sofrimento, Snape permitiu que Hermione terminasse de conduzi-lo pela sala. Sua dor de cabeça havia passado, graças aos dedos calmantes, e as almofadas embaixo dele eram muito confortáveis. A presença de Hermione também foi um bálsamo eficaz para seus nervos em frangalhos, e se ele não tomasse cuidado, tinha certeza de que acabaria adormecendo ali mesmo. Não ajudou o fato de Hermione ter se enrolado em uma pequena bola e se acomodado ao lado dele. Ela descansou sua bochecha contra seu bíceps vestido e puxou sua mão para brincar com seus dedos.
Não havia sentido em puxar a mão dele e dizer a Hermione que ela deveria voltar para seu dormitório. Mas foi ele quem deixou o bilhete para ela e permitiu que ela acreditasse que o convite tinha sido apenas para fingir que estava lhe ajudando com a poção. Snape tinha preparado a mata cão inúmeras vezes e poderia ter feito isso facilmente sem a ajuda de Hermione. Puro e simples: ele queria vê-la. E se ela tinha visto através de sua farsa, bem, ele realmente não se importava. Verdade, era decididamente semelhante a algo que os impetuosos delinquentes juvenis de Hogwarts poderiam fazer, já que os adolescentes não tinham sutileza, mas o tempo estava se esgotando para ele.
- Obrigada por me deixar ver você. – Hermione murmurou, levando a mão de Snape ao rosto e beijando cada uma das pontas dos dedos.
Só assim, Snape sabia que Hermione entendia o verdadeiro motivo de seu convite, e estava feliz por ela não ter feito barulho com isso. Depois de alguns minutos, apenas sentar ao lado dele não foi o suficiente, e Hermione sentou-se em seu colo e montou em suas coxas. Entre os seios macios de Hermione empurrando em seu peito, seus lábios quentes em sua bochecha e sua bunda redonda vestida de jeans movendo-se em seu colo, a ereção de Snape logo se fez conhecida.
Hermione claramente não se importou; ela avançou, balançando-se contra a protuberância abaixo dela. Apertando seus lábios contra os do professor, ela o envolveu em um beijo que era um pouco estranho, mas doce do mesmo jeito, talvez porque ela estivesse tão entusiasmada. O hálito dela era quente contra sua bochecha e fez os cabelos de sua nuca se arrepiarem.
- Calma, Hermione. – Snape sibilou quando Hermione se contorceu contra ele de uma forma que fez mais mal do que bem.
- Desculpe. – Ela se desculpou sem fôlego, corando.
Puxando-a de volta por um momento, Snape se abaixou entre eles e ajustou seu pênis até que não estivesse mais sendo beliscado no assento de suas calças. Ele então envolveu seus braços em volta da cintura de Hermione e a puxou para frente até que ela estivesse aninhada contra seu peito.
No fundo de sua mente, Hermione se perguntou o quão longe eles iriam chegar naquela noite. Esperançosamente, não haveria nada para detê-lo, porque a sensação da ereção de Severus cutucando sua barriga já fazia com que entre as pernas dela latejasse. Seu aperto em seu corpo, para não mencionar seus beijos lentos que ela sentiu até os dedos dos pés, fez sua pele formigar de prazer. Mesmo que ela tenha sido pega pela sensação da boca dele se movendo insistentemente sobre a dela, Hermione se afastou o tempo suficiente para permitir que Severus deslizasse o suéter por sua cabeça. Ele não se incomodou em desabotoar seu sutiã, apenas puxando a engenhoca de algodão para baixo até que estivesse em volta de sua cintura.
A bruxa estava começando a tremer, embora tivesse menos a ver com a turbulenta sala de aula na masmorra e mais a ver com as palmas ásperas passando em seus mamilos duros. Gritando quando as mãos a deixaram, Hermione inalou suavemente quando lábios macios e dentes tortos, mas delicadamente arranhando, os substituíram. Apoiando seu peso contra Snape, Hermione permitiu que sua cabeça caísse para trás enquanto ele segurava firmemente um seio para mantê-lo perto de sua boca enquanto sua outra mão traçava ao longo da curva nua de suas costas. No momento em que seus lábios desviaram para a curva de seu pescoço, Hermione se sentiu como se ela fosse covarde.
Snape levou um segundo para manobrar o amontoado de bruxas amassada em seu colo para deitar embaixo dele no sofá. Enquanto Hermione estava claramente disposta a ser colocada de costas, ela se agarrou à frente de sua sobrecasaca como se houvesse uma chance de que ele pudesse voar para longe. Snape se acomodou entre suas coxas, enredando o dedo em seu cabelo e inclinando sua cabeça para beliscar sua garganta exposta. Ele então passou a maior parte de cinco minutos dando beijos quentes e úmidos ao longo do torso de Hermione, até que ela ficou nervosa a ponto de tentar despir os dois freneticamente.
- Você vai consertar isso sem uma varinha se rasgar. – Snape avisou próximo à orelha de Hermione quando ela quase abriu um botão em sua manga.
Rindo descaradamente daquele comentário, ela afrouxou o aperto. - Eu não sou ruim com agulha e linha. – Hermione respondeu, estendendo a mão para traçar a ponta dos dedos na ponta do nariz dele. Ela então passou a acariciar suas sobrancelhas grossas e os planos afiados de seu rosto. O bruxo ficou completamente em silêncio enquanto ela o tocava, embora pela forma como seus olhos estavam fechados, parecia que ele gostou.
Sem aviso, Hermione se viu completamente coberta pelo corpo de Severus, os botões da frente de sua sobrecasaca e mangas raspando em sua pele nua. Seu cabelo estava em seus olhos e seu nariz bateu no dela algumas vezes, mas isso só serviu para fazê-la agarrar-se firmemente às suas costas. Sua ereção, ainda facilmente sentida através de suas calças, pressionava sua coxa esquerda. Balançando os quadris um pouco, ela direcionou a pressão para um ponto mais frutífero, arqueando-se para cima e gemendo suavemente com a sensação. Enquanto isso, os lábios e a língua de Severus se moviam continuamente contra os dela.
Hermione esperava desesperadamente que eles fizessem mais do que apenas esfregar seus corpos vestidos um contra o outro. Ela tinha certeza de que ele queria, porque seus quadris estreitos estavam se esfregando nos dela, assim como fariam se estivessem nus. Por um momento se perguntando como ela podia sentir qualquer coisa através de seus jeans, já que eles não eram do mais fino dos materiais, Hermione perdeu a linha de pensamento quando Severus se moveu de uma maneira que a fez estremecer.
- Deixe-me tirar isso. – Ela murmurou entre beijos, tirando a mão das costas dele e tentando enfiá-la entre eles. - Ou o seu primeiro? – Atrapalhando-se para desabotoar a abertura da calça dele, Hermione ficou um pouco frustrada quando Snape pegou a mão dela e a pressionou contra o lado do corpo.
- O que? – Ela perguntou, preocupação rastejando em sua voz quando ela viu a maneira como ele de repente congelou no lugar. - O que há de errado?
Snape virou a cabeça, olhando por cima do ombro como se estivesse tentando encontrar algo. Sentando-se, mas ainda mantendo os olhos desviados, ele levou a mão ao rosto de Hermione e curvou dois dedos sobre os lábios dela.
- Vista-se. – Ele ordenou em um tom estranho. - E não faça barulho.
Seu corpo ainda estava vibrando de excitação, mas o comportamento repentinamente inexplicável e inquieto de Snape estava começando a mudar isso. Hermione começou a se sentir fria e exposta, deitada ali completamente nua da cintura para cima. Empurrando-se para cima, ela tateou em busca da camisa e do sutiã e puxou os dois com dedos desajeitados. Snape ainda estava focado na porta, mas ajudou a fechar o sutiã dela, assim como puxou os cachos que ficaram presos sob o colarinho.
O sangue de Hermione parecia ter virado gelo. O professor ainda estava de boca fechada enquanto caminhava pela sala, os olhos treinados na porta e nunca olhando na direção da mesa para onde sua varinha estava apontada. Um movimento rápido fez com que suas xícaras de chá abandonadas e a bandeja desaparecessem, assim como qualquer outra evidência de que alguém estivera na sala.
Ciente de como seus passos soavam altos, Hermione caminhou cuidadosamente até Snape e puxou sua manga para chamar sua atenção. O professor olhou para ela, exibindo um brilho perigoso em seus olhos negros que a fez ficar quieta.
O que eles estavam fazendo? Alguém estava lá fora? E por que Snape parecia como se alguém tivesse jogado um balde de água gelada em sua cabeça?
Mais perguntas continuaram a passar pela mente de Hermione, mas ela sabia que não devia abrir os lábios. Se Snape disse para ficar quieta, foi por um motivo.
Um segundo, Snape estava olhando para ela como se estivesse tentando descobrir algo. No próximo, sua varinha foi retirada abruptamente e bateu na cabeça dela. Agora se sentia como se tivesse um balde de água gelada misturado com ovos despejado sobre ela.
Feitiço de desilusão não verbal, ela pensou. Um perfeito, considerando que parece que uma gosma fria está na minha calcinha.
- Pegue sua varinha.
Fazendo o que ele disse, Hermione olhou para Snape, esperando com expectativa.
- Volte para a sua torre. Só quando tiver certeza absoluta de que não foi vista, retire o feitiço.
- Por que, Severus? O que está acontecendo?
- Hermione, eu não tenho tempo para explicar agora. Apenas siga minhas instruções e tenha cuidado. Você entendeu?
Acenando lentamente com a cabeça, Hermione fortaleceu seu controle sobre a varinha. Assim que ela se encaminhou para a porta, Snape segurou ferozmente o rosto dela com as duas mãos, pressionando um beijo contundente em seus lábios e testa. Aconteceu tão rápido que Hermione não conseguiu franzir os lábios, porque ela foi meio empurrada para fora da sala de aula e se viu sozinha no corredor escuro e vazio.
