EXPRESSO DE HOGWARTS

Primeiro de setembro de 1998, o expresso de Hogwarts parte de manhã bem cedo da Plataforma 9 ¾ em Londres com destino a estação de Hogsmeade, no mundo mágico. Era um ano atípico, pois não iniciava outro ano letivo, e sim finalizava o anterior, que foi brutalmente interrompido por causa da guerra.

Atípico também estava o calor infernal daquela manhã, totalmente fora do normal, por ser quase final de verão. O trio de ouro se encontra ainda na plataforma, mas não tem tempo de se abraçarem, pois, o apito estridente indicava que o trem estava partindo. Dos três, Hermione foi a última a chegar, por isso quando embarcam, o trem já estava lotado. Eles conseguem uma cabine vazia somente no último vagão, porque batia muito sol, e ninguém queria.

Meia hora depois de colocar somente uma parcela das conversas em dia, os três já estavam suando. Havia um bilhete grudado na janela com letras graúdas que dizia ar condicionado em manutenção.

- Temos que abrir a janela! – Hermione determinou, após apontar para o bilhete, que ninguém reparou.

- Melhor acharmos outro vagão. – Rony sugeriu.

- Vou ver se tem lugar para nós três na cabine onde Gina está.

- Por que ela não nos esperou? – Hermione perguntou.

- Porque você demorou, então ela entrou com o pessoal do sexto ano.

- Desculpe, mas eu não consegui dormir esta noite. Mamãe me acordou em cima da hora. Quase perco o trem.

- Pesadelos? – Harry perguntou. - Eu ainda tenho, desde maio...

- Sim. – Hermione responde. Ela não queria dizer o real motivo, apenas se concentrou em prender mais alto seu rabo de cavalo.

- Vou achar a Gina. Já volto.

- Vou com você. – Rony se apressa e segue Harry. Não queria ficar sozinho com Hermione.

Depois daquele beijo que trocaram na câmara secreta, Hermione se arrependeu e começou a se distanciar. Durante o recesso, não respondeu nenhuma coruja do ruivo, preferiu ficar na casa dos seus pais pensando em como seria o regresso a Hogwarts. Nada mais seria como antes. Partia seu coração só em pensar que não o veria novamente. A imagem do professor de poções morrendo não saía mais da sua mente.

Hermione emagreceu, estava pálida, abatida, com olheiras. De repente começou a suar frio, sabia que estava passando mal. Os garotos não voltavam, ela se obrigou a sair daquele vagão e encontrar outro. Logo no vagão seguinte estava sentado apenas um homem todo vestido de preto. Ela estremeceu ao reconhecer o professor taciturno lendo um livro. Os cabelos divididos ao meio, caídos na lateral do rosto e o nariz grande enterrado no meio do livro, não deixou dúvidas.

É ele! Mas como? Ele nunca anda de trem, e depois... ele está morto!

- Senhor, desculpe interromper sua leitura. Eu posso ficar? O restante do trem está cheio. – Controlou sua voz com dificuldade para não demonstrar o quanto emocionada estava.

- Ora, ora... se não é a senhorita Granger?

- Como vai, senhor?

- Se ficar aqui... boca fechada, sim?

- Obrigado, senhor.

Ele lança um olhar penetrante, de profundo desagrado, e volta a ler o livro.

Hermione chegou a colocar a palma da sua mão na boca, mas era tarde, já havia agradecido. Ela sentou no banco de frente ao banco dele, preferiu ficar na ponta extrema, quanto mais longe, melhor. Só a presença dele já lhe deixava inquieta, sem contar a surpresa de vê-lo vivo. A cabine estava refrigerada, mas não melhorou em nada o calor que sentia. Agora seu corpo parecia entrar em combustão, o coração disparava no peito. Milhões de perguntas se formavam, e ela mordia o lábio inferior para não deixar escapar nenhum som.

Hermione havia deixado suas coisas na outra cabine, não tinha nada para se abanar. O calor só aumentava, principalmente por estar diante dele. Primeiramente ela abriu os três primeiros botões da camisa branca do uniforme, após afrouxar o nó da gravata. Severo Snape a observava de canto de olho.

De nada adiantou abrir a camisa, porque o calor maior ela sentia entre suas coxas. Levantou a saia, e se sentou cruzando as pernas em cima do banco. Usou a própria saia para fazer vento. Tal movimento para cima e para baixo chamou a atenção do professor que não queria ser perturbado. Ele retira o livro de sua frente e se depara com a moça libertina em posição exposta ao extremo, com sua calcinha branca aparecendo cada vez mais. A cada ventilada entre as pernas, a saia subia mais. Severo Snape ficou pasmo, sem ação alguma no momento. Os olhos arregalados naquele tecido branco rendado, a boca seca aberta, e o ar lhe faltando nos pulmões, de repente lembrou que precisava respirar. Junto com a golfada de ar inspirada, ele sente não apenas o pulmão inflando. Seu membro já estava ereto e começava a apertá-lo dentro da calça.

Sem saber o que fazer, ele levanta o livro para esconder seu rosto ruborizado, procurando ignorar, mas era impossível. Seus olhos cismavam em espionar fugindo da beira da página. Como se tivesse vontade própria, a cabeça de baixo comandava seu cérebro. Hermione com os olhos perdidos na parede da frente da cabine, estava alheia ao que se passava com o professor.

Severo Snape precisava fazer algo, mas a única coisa que ele conseguia pensar era em sexo. Mesmo antes da guerra, ele nunca teve namorada ou parceira sexual. Quando a vontade de transar aumentava, ou como os trouxas diziam, a vontade de afogar seu ganso chegava no limite, era fácil encontrar as bruxas profissionais na Travessa do Tranco. Passou meses internado no hospital St. Mungus, primeiro em coma, depois sob medicações fortes, achava até que precisaria fazer uso de poções para voltar a ter uma ereção. Foi uma surpresa e tanto.

Hermione sentia sua calcinha pegajosa com o suor, precisava arejar ainda mais. Olhou de canto seu professor e certa de que ele não queria ser interrompido, afinal parecia estar enterrado nas páginas daquele livro, resolveu retirar a peça que lhe incomodava. Fechou as pernas. Com uma mão buscou apoio no banco, e com a outra começou a deslizar a calcinha. Ergueu seu quadril para passar a peça, e retirou com gestos delicados. Jamais imaginou que estava sendo observada a cada movimento sutil que fazia.

- Uma vez espião, sempre espião! - A frase surgiu em sua mente, escondendo o sorriso lascivo, enquanto salivava por assistir à cena que se passava bem à sua frente.

- Assim é bem melhor. – Ela pensou ao sentir o ventinho entre as pernas.

Voltou a se sentar com as pernas cruzadas e passou a abanar com a saia. Os olhos negros do mestre brilharam ainda mais, pareciam saltar das órbitas.

- Por Merlin! Que tortura! – Estava decidido. Sua vida foi regada a torturas. Primeiro na casa dos pais, depois na escola, por último como comensal. Não, ele não iria tolerar mais. Não saberia dizer se a tortura maior era ver a aluna nua, com os lábios rosados entreabertos lhe convidando, ou se era se sentir vivo com o pênis pulsando, louco para penetrá-la.

Severo fecha o livro com um forte estalo. Hermione se assusta e abaixa a saia, descruzando as pernas.

- Detenção hoje à noite, senhorita Granger! – A voz de barítono ecoava em seus ouvidos.

- Mas professor, eu não fiz nada.

- Por isso mesmo! – Um sorriso cínico de canto.

- Hermione! Hermione! – Os dois amigos chamavam por ela, assim que entraram de volta na última cabine.

- Será que desmaiou? – Rony pergunta preocupado.

- Não, só está dormindo. – Harry o tranquiliza ao ver o corpo deitado na horizontal, ocupando todo o banco.

- Tem certeza?

- Ela disse que não dormiu bem à noite. Melhor deixar dormir. Vou transfigurar meu malão em ventilador. Logo a temperatura da cabine ficará aceitável.

- O que é ventilador? – Rony pergunta.

- Aparelho trouxa que faz vento.

- Papai iria adorar!

Horas depois, Harry sacode os ombros da amiga para acordá-la.

- Estamos chegando, Hermione!

- Ah, puxa...

- O que foi?

- Nada não... Por que vocês demoraram? – Nossa, o sonho que eu tive parecia tão real.

- Porque ficamos ouvindo as últimas novidades de Hogwarts! Você não vai acreditar, Mione... Snape está vivo e vai continuar a dar aulas de poções.

- O QUÊ? – Ela chegou a dar um pulo do banco.

- É isso mesmo!

Hermione se senta após arrumar seu uniforme. Disfarçando seu rosto o máximo que conseguiu para não deixar transparecer o rubor e a alegria súbita que sentiu.

- É muito azar, não acha? Ter que aguentar o morcegão até a formatura. - Rony comenta.

- Azar? – Ela deixa escapar, quase aos berros.

- O que foi? – Rony pergunta encarando a amiga.

- Você chama de azar ter aulas com o melhor mestre de poções do mundo mágico? Ele é simplesmente magnífico! – Em todos os sentidos! – Pensou, mas não disse.

- Mione tem razão, Rony. Não é à toa que foi inocentado da morte de Dumbledore. Ele é mesmo magnífico, nosso melhor professor!

- E o mais ranzinza, o mais exigente, o mais irônico...

- Chega, Rony! Vamos indo. Quase todos já saíram do trem e estamos aqui ainda discutindo o tamanho do nariz do Snape. – Harry dá uma gargalhada.

- Nariz? Será mesmo que tem relação com o pau? Uma vez Fred e Jorge me disseram. – Rony pergunta intrigado.

- Bom, eu não sei, nunca vi. Quem sabe a Hermione possa responder... – Harry riu.

- Eu? Enlouqueceram? A guerra realmente não fez bem a vocês dois.

- Você não é a Sabe-tudo?

- Não enche, Harry! Já chega ter que aturar o Rony! – Ela riu.

O percurso até o castelo deixava Hermione cada vez mais ansiosa para vê-lo. Seu coração batia forte.

Durante o jantar, Minerva fez um belo discurso sobre o retorno após a guerra. Fizeram um minuto de silêncio para aqueles que partiram, e por fim, apresentou Severo Snape como diretor geral.

- Vamos aplaudir nosso novo diretor, e agradecer a Merlin por ele ter sobrevivido! Não se preocupem, ele continuará com as aulas de poções para todos vocês! Alguma palavra, professor?

- Que sirvam o banquete! – Ele não queria dar nenhum discurso após o sonho estranho com o expresso de Hogwarts, que teve pela manhã. Seus pensamentos ainda estavam na aluna de cabelos cacheados presos num rabo de cavalo elegante. Se não fosse por Minerva lhe chamar, estaria até agora na masmorra sonhando com a detenção da semana.

Fim