Veritaserum
Era sábado de manhã, Hermione Granger completava dezenove anos. Seu aniversário no dia 19 de setembro, sempre foi comemorado com seus dois amigos em Hogwarts, desde o primeiro ano, quando fez doze anos. Mas não desta vez, neste último ano algo inesperado aconteceu logo de manhã cedo.
Após a terceira semana do reinicio das aulas, que foi interrompida por causa da batalha, muitos professores já haviam marcado trabalhos e datas de provas. Na sexta-feira Hermione ficou na biblioteca até tarde, só saiu de lá quando a bibliotecária quase a expulsou para fechar. Ela nunca deixou acumular nada, por isso ficou até de madrugada estudando e escrevendo as redações solicitadas para a semana seguinte. Estava cansada, dormiria quase a manhã toda, se não fosse a coruja da escola picar freneticamente o vidro da janela até acordá-la.
- Quem será que lembrou do meu aniversário, Bichento? Deve ser da mamãe, ela sempre dá um jeito de conseguir uma coruja para me parabenizar neste dia.
- Miau!
Hermione calça o chinelo e vai feliz receber a coruja. Passava das dez horas, ela estava sozinha no dormitório. Pelo adiantar das horas, não havia mais ninguém na torre da Grifinória, e o café da manhã já tinha sido retirado há tempo.
- Ok, mocinha! Muito obrigada! Mas quem lhe mandou? Não reconheço essa letra. Não é da mamãe, e tem um pacotinho...
Hermione retira com cuidado o cartãozinho e a caixinha. Assim que liberou a ave, ela abriu o pergaminho com extrema curiosidade.
Hermione,
Feliz Aniversário!
Professora McGonagall
A caixinha estava encolhida com um feitiço, ao retirar o laço nas cores da Grifinória, ela voltou ao tamanho normal. Era uma pequena caixa, contendo quatro bombons. Dois embalados na cor vermelha, com recheio de morango, e dois com a cor amarela recheado com creme de baunilha.
- Hum, nada mal... mas é estranho, a letra de dentro é da professora, mas a do envelope não reconheço. Já que fiquei sem o café da manhã, vou comer um de cada! Preciso agradecer a professora Minerva! – Ela falou para o Bichento que começou a farejar o doce.
Hermione comeu o de morango, estava delicioso. Depois comeu o de creme, não estava tão saboroso, mas ainda assim estava bom. Resolveu comer mais um, porque estava com fome. Optou pelo de morango.
- Vou comer o último depois do almoço. Não vai mexer, hem Bichento?
Ela foi tomar um banho para espantar a preguiça. Vestiu sua calça jeans favorita, uma camiseta, calçou o tênis e foi para o pátio aproveitar os últimos dias de verão.
Assim que Harry e Rony a viram, correram para lhe dar um abraço e desejar feliz aniversário.
- Bem que poderíamos ir festejar em Hogsmeade hoje à tarde.
- Não é uma boa ideia, Harry. Teríamos que sair fugidos, e estamos no último ano. – Hermione o lembra. - Além do mais, a capa agora mal cobre um.
- É, você tem razão! Então, o que vamos fazer? – Harry pergunta.
- Que tal umas partidas de xadrez bruxo? Eu começo com o Harry. Quem vencer joga contra você, Mione! – Rony sugeriu.
Hermione não sabe de onde surgiu toda aquela ira de dentro dela, provavelmente porque nunca gostou de xadrez bruxo. Colocou as mãos na cintura e esbravejou:
- Ronald Weasley! Você não tem vergonha na cara? Estamos com todas as provas marcadas e duas redações para entregar durante a semana, fora o pergaminho de no mínimo um metro do professor Snape. Que tal vocês dois subirem já para a biblioteca, e começarem a estudar?
- Parece minha mãe falando. – Rony se encolhe todo com o sermão da amiga.
- Ela tem razão, Rony. É melhor mesmo adiantarmos os trabalhos. Até a professora Minerva disse que estará exigindo mais da gente neste último ano.
- Mas é aniversário da Mione! Não podemos deixar passar em branco... – Ainda mais que eu ainda não consegui o que queria. Sei que venço fácil o Harry no Xadrez e depois fico a sós com ela... Hoje será um dia especial! – Pensou, mas não disse.
- Não ficará em branco, porque logo cedo eu recebi uma caixa de bombom da professora Minerva! – Hermione disse sorridente.
- Assim que acabarem as provas marcamos uma cerveja amanteigada no Três Vassouras, topam? – Harry teve a ideia.
- Estou dentro!
- Eu também! – Rony finalmente cedeu.
- Bom, então vamos passar o resto do sábado na biblioteca. Você já fez suas redações? – Harry pergunta já imaginando a resposta.
- Sim, e também o pergaminho do Snape!
- Que pena, mas poderia nos acompanhar para nos ajudar, não é, Harry? – Rony faz a cara de menino indefeso.
- Desculpe, mas está na hora de você caminhar sozinho, Rony, não acha? Quando você vai crescer? Eu tenho mais o que fazer! Preciso agradecer meu presente à professora Minerva, e responder a coruja da minha mãe, que já deve ter chegado.
- Está bem. Nos vemos na hora do almoço. – Harry quebra o silêncio mortal que se formou, tocando o ombro do amigo para voltar ao castelo.
- O que deu nela? – Rony estava vermelho como seu cabelo.
- Eu é que pergunto. Vocês não estavam namorando?
- Isso foi antes do recesso, e nem sei direito se estávamos. Ela só me beijou. Vai entender as mulheres... – Rony estava confuso.
Hermione antes de voltar ao castelo resolve dar uma volta ao redor do lago. Sabia que era uma longa caminhada que lhe ocuparia um bom tempo, mas estava com seus trabalhos em dia e queria ficar sozinha para pensar em sua vida.
Ela estava carente afetivamente. Seu namoro com Rony terminou tão rápido quanto começou. Afinal, ver seu amado morrer foi o principal motivo, mas depois que soube que ele sobreviveu à picada da cobra, não conseguia mais nem olhar para o ruivo. Estava muito arrependida do beijo que trocaram na câmara secreta. Não respondeu nenhuma coruja dele durante o recesso, propositalmente para afastá-lo. A princípio funcionou, porque ele se mostrava distante, mas não tanto quanto ela gostaria.
A questão agora era como se aproximar do professor. Ele estava sempre com aquela armadura e máscara que repelia qualquer tipo de ser vivo, até mesmo um mosquito. Agora que virou diretor, seu tempo estava ainda mais escasso. Só o via mesmo uma vez por semana durante as aulas de Poções Avançadas, e eventualmente no salão principal para as refeições. Severo Snape sempre acordou cedo, mas depois da batalha, quando retornou do St Mungus, era o primeiro a tomar café da manhã, seguido da professora Minerva. Assim que os alunos começavam a chegar, ele terminava seu café e ficava no escritório até o horário da primeira aula. Raramente almoçava no salão.
E por falar nele, quando Hermione fez a metade do percurso, o encontra vindo em direção contrária.
- Bom dia, professor! – Ela o cumprimenta sentindo seu coração acelerar pela proximidade.
- Pensei que estaria na biblioteca, adiantando os trabalhos como todos os alunos do sétimo ano. – Ele resmunga sem cumprimentá-la.
- Estive ontem à noite. Já terminei, inclusive o seu! – Ela responde com um sorriso genuíno.
- Não fez mais que a obrigação! – Ele cospe.
- Obrigação? Quem é o senhor para falar de obrigação?
- Olhe este tom de voz, senhorita Granger... – Ele ergue sua sobrancelha.
- É o tom de voz que começará a ouvir a partir de hoje, senhor Snape! O senhor tem a "obrigação" de tratar TODOS os seus alunos com cordialidade! E não apenas os da Sonserina!
- Detenção, hoje à noite na sala da masmorra, senhorita Granger!
- Inferno sangrento! – Ela deixa escapar.
Severo Snape continuou sua caminhada em direção ao castelo com um sorriso nos lábios.
- Que homem intransigente! Mas hoje à noite na detenção vai ouvir tudo que tenho guardado engasgado, se vai! – Ela disse para si mesma.
Quando voltou do passeio, era quase meio dia. Severo Snape e Minerva conversavam na porta do castelo aguardando o elfo anunciar que o almoço seria servido.
- Professora Minerva! – Ela exclama assim que viu a maga vestida de verde, com seu enorme chapéu.
Depois que deu um abraço afetuoso na professora, roubando os olhares do diretor, ela disse:
- Muito obrigada pela caixa de bombons, não precisava...
- Que bombons, senhorita Granger?
- Aqueles que a senhora mandou entregar hoje de manhã, com o cartãozinho me felicitando pelo meu aniversário...
- Desculpe, eu não lhe mandei nada. A propósito, parabéns pelo seu aniversário, minha querida!
Minerva a abraça novamente.
- Mas, se não foi a senhora... – Ela olha para o diretor, talvez lá no seu inconsciente existia alguma esperança.
- Um admirador apaixonado? – Severo Snape pergunta em tom de deboche, com um leve sorriso se formando no canto dos lábios.
- Olha aqui, seu idiota: aposto que não foi você! Sonserinos não tem esta coragem, não é? – Hermione mordeu seu lábio inferior após deixar escapar a frase já formulada na ponta da língua.
- 50 Pontos da Grifinória! – Severo Snape entoou.
- Filha, vá buscar a caixa e o cartão. Pode ser algo muito sério... Ficaremos lhe esperando aqui mesmo, não é Severo? – Minerva estava visivelmente chocada. Severo Snape deu de ombros.
- Está bem.
Assim que Hermione entrou no castelo, Minerva pergunta a Severo:
- Precisava arrancar tantos pontos da minha casa?
- Você foi testemunha, e ouviu muito bem o que ela disse.
- Oh, Merlin, ela não é assim! Será que os bombons estão envenenados?
- Alguém que está interessado nela. Coisas de adolescentes, nada demais. – Severo faz pouco caso.
- Mas quem será que mandou? E por que colocaram meu nome no cartão?
- Deve ter sido o patético do Weasley. – Ele responde para dar fim na conversa.
Em seguida a elfa anunciou que o almoço estava sendo servido.
- Já vamos, Winky. Obrigada! – Minerva responde, mas não se mexe, aguardando o retorno da aluna.
Hermione chega com a caixinha e o cartão, entrega nas mãos da Minerva, procurando ignorar totalmente a presença do diretor. Algo impossível, porque seu coração sempre se manifestava quando estava próxima dele.
- Revele seus segredos! – Minerva toca com sua varinha.
O cartão brilhou e a assinatura foi apagada.
- Severo? – Ela olha preocupada para o rosto do diretor.
- Vou analisar o bombom para ver se tem algo tóxico. – Ele pega a caixa e se retira.
Hermione começa a chorar. Não sabe dizer por qual motivo. Medo de morrer? Por que ele retirou pontos da sua casa? Ou por que ele saiu ignorando-a mais uma vez?
- Não chore, filha. O professor Flitwick é muito bom com feitiços ocultos. Depois do almoço tenho certeza que ele desvendará o misterioso remetente. Venha, vamos almoçar.
Severo Snape não apareceu no salão para almoçar. Hermione estava com seu olhar fixo na cadeira vazia. Estava sem fome. Sua preocupação maior agora era saber como iria se comportar na detenção. Havia algo dentro dela gritando para não ficar calada e dizer tudo que ensaiou desde quando soube que ele saiu do hospital.
Hermione foi a primeira a deixar a mesa, depois de deixar Harry e Gina magoados por dizer umas verdades sobre o relacionamento dos dois. Foi para seu dormitório chorar. Nem a presença da coruja com o cartãozinho de seus pais a alegrou.
- O que houve? – Gina aparece toda preocupada.
- Nada. – Ela procura disfarçar.
- Nada? Você nem almoçou...
- Me desculpe por ter dito aquilo.
- Eu e Harry não ficamos chateados, você só disse a verdade. Tem razão, eu não posso me anular e viver nas sombras do Harry.
- Eu quero o melhor para você, Gina.
- Eu sei, por isso não estou chateada. Hoje é seu aniversário, devia ter ficado na mesa. A gente ia cantar os parabéns para você. Aproveitar que o Snape não estava no salão...
Ao ouvir o nome dele, nova crise de choro.
Minerva foi a segunda a deixar a mesa. Saiu quase correndo em direção a masmorra. Entrou no laboratório sem bater.
- Então, Severo? Está envenenado? – Sua preocupação estava no limite. As mãos trêmulas, a voz embargada.
- Não terminei ainda, mas está recheado de veritaserum!
- Que estranho, se fosse algum adolescente apaixonado colocaria a poção do amor...
- Foi a primeira a ser descartada.
- Você acha que ela corre algum risco?
- Considerando a dose de veritaserum encontrada neste bombom... – Ele mostra o papel do embrulho, e um copo de Becker com o chocolate derretido para a análise.
- Sim?
- Ela pode ser linchada se começar a dizer as verdades por aí...
- O que vamos fazer?
- Leve-a na enfermaria. Ela precisa ficar em observação.
- Está bem! Agora releve os pontos que tirou da minha casa. Ela está sob efeito da poção.
- Por que eu deveria? Ela me chamou de idiota!
- Ela só falou a verdade, Severo. Muitas vezes você se faz de idiota!
- Até você? – Uma sobrancelha arqueada.
- Agora venha almoçar! Vou com você até o salão. Estou esperando o Fílio terminar o almoço para ver quem foi o engraçadinho que usou feitiço avançado justo hoje no aniversário de 19 anos dela!
- Já vou. Vou testar mais uma coisa.
Assim que Minerva saiu, ele começa a refletir a conversa que teve de manhã com ela.
- "Obrigação? Quem é o senhor para falar de obrigação?"
Será que ela já estava sob o efeito?... Azar, vou manter a detenção... Considerando que está completando 19 aninhos... Esta detenção será inesquecível, senhorita Granger! Vou lhe mostrar que sou capaz de ser cordial com Grifinórios também!
Severo sorriu e estalou o dedo solicitando a presença de um elfo para lhe trazer o almoço.
Minerva volta para o salão. Todos já haviam terminado de almoçar ou estavam terminando.
- Professor Flitwick, por favor, pode me acompanhar até o escritório do diretor?
- Sim, senhora. Algum problema?
- Espero que não, mas preciso de suas habilidades com feitiços avançados para descobrir uma assinatura.
Assim que chegaram no escritório Minerva entregou o cartãozinho para ele.
- Revele seus segredos ocultos! – O professor sacudiu sua varinha no local onde estava a assinatura.
Lentamente as letras apareciam, e Minerva colocou sua mão para tapar a boca impedindo-a de dizer um palavrão. Não saberia dizer se o palavrão era por ter se esquecido da palavra 'oculto', ou se era por saber quem foi o engraçadinho que quis se passar por ela.
- Muito obrigado, professor.
- Não precisa agradecer.
Minerva foi correndo em direção a torre da Grifinória. Ela encontrou com Rony e Harry voltando do almoço.
- Onde está a senhorita Granger? – Ela pergunta afobada.
- Deve estar no dormitório, Gina está com ela. Estamos preocupados. – Harry respondeu.
- Bom, então eu vou até lá.
Os demais alunos na sala comunal olhavam assustados, não era comum a presença da diretora da casa. Minerva frequentava o local somente em ocasiões especiais: no início do ano letivo, na entrega dos boletins e no encerramento do ano letivo.
- Senhorita Granger, como se sente?
- Estou me sentindo esquisita, mas estou bem.
- Venha, temos que ir até a enfermaria.
- O professor Snape encontrou algo? – Ela pergunta preocupada.
- Ele ainda não terminou, mas quer que você fique em observação na enfermaria.
- Está bem.
- Melhoras, Mione! – Gina abraça a amiga antes dela deixar o quarto.
Ao chegar na enfermaria, a madame Pomfrey barra a entrada das duas já na porta.
- Se for emergência, tenho que atender no dormitório da aluna. Ninguém pode entrar, por enquanto.
- Por quê, Papoula?
- A professora Trelawney está com suspeita de uma virose altamente infecciosa. Só amanhã cedo vou saber se ela ficará em quarentena, ou não.
- Bom, neste caso vou deixar a senhorita Granger no escritório do diretor sob observação.
- O que eu fiz para merecer? O que pode ser pior? Ficar com a professora Trelawney ou com o professor Snape? – Hermione pergunta para a professora, batendo o pé com força no chão.
- O que houve? – A medibruxa arregala os olhos com o comportamento insolente da melhor aluna da escola.
- Ela recebeu uma caixa de bombons recheados de veritaserum. O pior é que o covarde usou meu nome para ter certeza que seria consumido.
- Que estranho, geralmente os alunos usam a poção do amor, para presentear as meninas.
- Severo ainda não terminou, pode conter outras coisas, por isso estamos aqui.
- Eu estou bem, só quero dormir um pouco.
- Tem razão Minerva, é melhor ela ficar em observação por vinte e quatro horas. Doses fortes de veritaserum pode causar sono, agressividade, enjoos. Severo Snape saberá usar a poção mais adequada, caso haja qualquer outra reação. Se precisar de mim, pode me chamar, estarei aqui.
- Obrigada. – Minerva responde.
- Melhoras, senhorita Granger. – A enfermeira desejou antes de fechar a porta.
- Venha, nós vamos ficar no escritório do diretor. Lá tem um sofá confortável, onde poderá dormir.
Minerva seguia pelo corredor pensativa. Hermione seguia ao seu lado tagarelando. Sua língua estava solta, mais do que o normal. Porém, cada observação que fazia era uma verdade.
- Fique aqui, senhorita Granger! Eu vou procurar Severo Snape.
- Que droga! Até parece que estou de castigo. Professora, já descobriram quem fez isso comigo?
- Já, por isso preciso encontrar o professor Snape! Fique aqui, sim?
- Está bem! – Será que foi mesmo ele? – Hermione agora estava em dúvida ao ver sua professora tão preocupada.
- Isso não vai ficar assim. Ele terá que tomar sérias providências! – Minerva pensou ao aparatar na porta do laboratório da masmorra.
Ela encontrou a porta fechada. Abriu com feitiço, a luz estava apagada, e não havia ninguém.
Severo estava terminando de almoçar em seus aposentos, quando alguém bate na porta.
- Entre! – Ele grita de dentro, sem sair do lugar.
- Severo, precisamos conversar.
- Posso ter um pingo de sossego, mesmo em pleno horário de almoço no sábado?
- Severo, o horário de almoço já terminou, e se trata de algo muito sério.
- Não me diga... A propósito, a senhora não precisa de uma poção para memória? Já se esqueceu que fiquei fazendo várias análises naquele bombom, e perdi o horário do almoço?
- Não seja rabugento. Você não vai gostar nada do que eu tenho para lhe dizer... O professor Flitwick descobriu o autor desta brincadeira de mau gosto.
- E?
- Foi o seu querido afilhadinho, Draco Malfoy!
- O que ele pretendia com isso?
- Tirar pontos da minha casa! Ora o que mais? Faz favor de tirar 50 pontos da Sonserina também!
- O que será que tem por trás disso? Ele detesta a senhorita Granger.
- Se você não o deixar em detenção, eu deixarei. Ele usou meu nome.
- Agradeço, porque a senhorita Granger já está em detenção comigo. Ela ficou na enfermaria?
- Não, a papoula não me deixou entrar. A professora Trelawney está com virose.
- E onde ela está?
- A deixei no seu escritório, alguém tem que ficar de olho nela. Eu preciso descansar depois do almoço. Você sabe muito bem que meus cochilos dos fins de semana são sagrados.
- Então eu serei babá de aluna? – Ele lança um olhar fuzilante em sua direção.
- Bom, o afilhado é seu... Deveria ter educado melhor aquele moleque. No último ano ainda aprontando como se fosse da primeira série.
- Quando vou ter um final de semana sossegado? Semana passada foi o senhor Longbottom que resolveu nadar no lago e quase se afogou.
- Faz parte da função de diretor.
- Por isso passou esta responsabilidade para mim, não é?
- Você vai se sair bem. Mais tarde vou até o escritório para tomar chá com você, e ver como ela está!
Minerva deixou os aposentos dele e aparatou no seu quarto. Severo colocou sua capa e aparatou no escritório. A aluna dormia serenamente, com o corpo todo encolhido no sofá. Ele retirou sua capa e cobriu a aluna. Depois se abaixou, e com cuidado para não acordá-la, retirou os tênis. Sentou-se na poltrona próxima para ficar observando-a.
Seus pensamentos mais insanos a respeito da aluna brilhante voltavam com tudo em sua mente. Lembrava de cada sonho erótico que já teve com ela e ruborizou. Meia hora se passou. Hermione abriu os olhos, e encontrou os olhos de obsidiana lhe observando com uma expressão diferente, que nunca tinha visto antes. Ela sorriu ao constatar que ele a cobriu com sua capa. Passou a mão nos cabelos desgrenhado, com a intenção de melhorar sua aparência. Sentou-se, retirando a capa dele, dobrando-a com cuidado.
- Obrigada! – Ela tinha tanto para falar, mas aquele gesto dele a deixou sem palavras, apenas agradeceu.
- Eu só quis lhe mostrar que posso ser cordial com qualquer pessoa.
Severo se abaixa e calça os tênis nos pés delicados dela.
- Por que está fazendo isso? – Ela simplesmente não consegue segurar sua língua afiada.
- Porque fui eu quem tirou. Peço-lhe que tome mais cuidado ao rotular alguém. – Ele disse em tom suave.
- Eu não rotulo ninguém, o senhor que se rotula tentando se esconder por trás desta máscara.
- Que máscara? – Agora que ele terminou de amarrar os cadarços, se sentou ao lado dela, olhando-a firmemente.
Ela chegou um pouco para o lado. A proximidade deixava-a com os batimentos cardíacos ainda mais acelerados. Endireitou a postura e umedeceu seus lábios, antes de voltar a encarar os olhos negros.
- A sua fama de professor carrasco nunca funcionou comigo. Suas ironias com certo humor, até tornam suas aulas mais leves. Já os sarcasmos são ríspidos e o senhor os utiliza com a intenção de magoar mesmo os alunos. Eu sempre soube que é uma forma de se proteger. Acredite, não precisa mais bancar o espião com suas diferentes facetas. A guerra acabou, o lord está morto!
- A senhorita parece ter inclinação para psicologia...
- Não desconverse, o senhor sabe muito bem aonde eu quero chegar.
- Na verdade, não. Apesar de possuir legilimência, não tenho o hábito de invadir a mente de ninguém.
- Bom, então eu vou lhe dizer! O senhor fez péssimas escolhas na vida, e passa o tempo todo descontando nas pessoas! O que é lamentável, pois o senhor é um dos magos mais inteligentes que eu conheço.
- Continue... – Ele volta a se sentar mais próxima dela, deixando-a desestabilizada, por estar tão próximo.
- O senhor é um homem atraente, poderia se dar uma chance de ser feliz, é o que eu penso. – Ela consegue dizer ruborizando.
- O que a senhorita sugere que eu faça? – Ele pergunta olhando profundamente nos olhos castanhos, com um sorriso malicioso.
- Faça amor comigo! – Ela oferece os lábios entreabertos, sem saber onde conseguiu coragem para tanto.
Severo a beija suavemente, envolvendo totalmente a boca dela com seus lábios finos e macios. No início ela quase não acreditou, levou um tempinho para corresponder ao beijo. Ele aprofunda o beijo pedindo passagem com sua língua, o que ela responde prontamente, provando ainda mais do hálito quente e refrescante dele. Os corações em completo descompasso, os braços dele a envolvendo totalmente.
- Eu quero você! – Ela sussurra no ouvido dele assim que se afastaram para ganhar fôlego.
- Só mais tarde, na detenção! – Ele sorriu ao ver a cara de decepção que ela fez.
No instante seguinte Hermione monta no colo dele deixando-o com o membro duro.
- Eu não fui claro o suficiente, senhorita? Só na detenção.
- Vai continuar me chamando de senhorita, 'senhor'? – Ela retruca, e ele permaneceu com ela em seu colo.
- A professora Minerva em breve virá para cá tomar o chá da tarde. Não gosto de ser interrompido, se é que me entende... Além do mais, a minha cama será mais apropriada do que neste sofá estreito.
- Eu nunca pensei em contar os minutos para uma detenção! – Os olhos dela brilhavam com a possibilidade de passar a noite com ele.
- A propósito, parabéns pelo seu aniversário!
- Será meu melhor presente de aniversário dos últimos anos! Eu sempre quis que o senhor, 'você', fosse o meu primeiro, mas nunca tive a chance de me aproximar desta forma.
- Hermione, para início de conversa, devo admitir que só uma legítima Grifinória teria coragem para se sentar no meu colo com as pernas abertas. Só tenho uma dúvida... Primeiro e 'único homem', você quis dizer, não é? Não pense que vou permitir lhe dividir com mais ninguém!
- Você me quer? – Ela pergunta com o coração querendo sair do peito.
- Perfeitamente. Só gostaria que me explicasse como a senhorita conseguiu compartilhar seus sonhos eróticos comigo?
- O quê? – Ela olha apavorada para ele, sentindo o rosto quente do rubor que se formou.
- Desde o dia primeiro de setembro que por algum motivo tenho os mesmos sonhos que você teve. Começou com o expresso de Hogwarts!
- Você entra na minha mente enquanto eu durmo? – A vergonha deixando suas bochechas cada vez mais vermelhas.
- Mesmo que eu quisesse não seria possível. Para isso, é preciso estarmos próximos. Nossos quartos são bem distantes, por sinal.
- Então como você sabe que tivemos os mesmos sonhos?
- Agora a pouco enquanto você dormia, sei que teve outro sonho comigo. Você estava gemendo, coloquei minha capa para lhe cobrir pensando que era frio. Mas seus gemidos aumentaram, então eu não tive outra escolha, precisei entrar na sua mente pensando ser efeito do bombom alterado. Me desculpe por invadir 'nossa' privacidade! – Ele riu.
- Eu não acredito nisso! Que vergonha! – Ela cobre o rosto com as mãos.
- Ei, devo admitir que você é muito criativa por ser ainda virgem! Mas me diga como fez isso?
- Isso o quê? – Ela continuou com as mãos escondendo o rosto. Severo delicadamente pega nos pulsos dela abaixando as mãos.
- Compartilhar seus sonhos eróticos comigo! – Ele sorriu ao encontrar os olhos dela.
- Eu não sei ao certo em qual livro que li, mas um deles ensinava a se concentrar no mago amado antes de dormir. E que se houvesse correspondência em relação aos sentimentos, o mago se manifestaria em poucos dias.
Severo ergue sua sobrancelha. Os sentimentos que ele nutria pela aluna, embora estivesse a nível inconsciente por muito tempo, não poderia mais permanecer escondido. Ele a beija ardentemente agora. Havia uma necessidade mútua de trocar carícias. As dela embora mais tímidas, ao tocar na nuca dele, o deixa completamente arrepiado. Ele toca os seios dela primeiramente por cima da camiseta, lhe arrancando um suspiro.
Quando se separam após um longo beijo, Severo a pega pela mão.
- Venha comigo!
Eles ficam de pé e aparatam na frente da bancada do laboratório da masmorra.
- Preciso fazer uma poção urgente.
Rapidamente ele corta algumas plantas e separa os ingredientes, colocando no caldeirãozinho pequeno para ferver. Hermione só observava a mão ágil dele, já imaginando o toque em sua pele nua.
- Temos quinze minutos até a poção chegar no ponto... – Ele vira-se para ela, trancando a porta com um feitiço não verbal e reduzindo a claridade do laboratório.
- Quem me mandou os bombons? – Ela pergunta, ainda sem saber.
- O senhor Malfoy. Me lembre de agradecê-lo!
- Ele não vai receber nenhuma punição?
- Não se preocupe com isso. Ele estará em detenção nesta noite com a professora Minerva.
- Ainda bem!
Severo a beija enquanto suas mãos abrem a calça jeans dela, e a coloca sentada na bancada ao lado onde estava trabalhando. Os beijos dele descem pelo pescoço, fazendo-a estremecer com o hálito quente e os sussurros em seu ouvido.
- Hermione?
- Sim?
- Você tem mesmo certeza que me quer?
- Eu te amo, Severo! – Foi a resposta.
Se restava alguma dúvida, ele não tinha mais. Estava determinado a prosseguir. Colocou a mão direita dentro da calcinha dela, constatando de imediato a umidade que crescia a medida que seus dedos longos chegavam mais próximos a sua abertura. A mão esquerda por dentro da camiseta tocava os mamilos deixando-os mais intumescidos, enquanto sua boca ainda cobria a dela, abafando os gemidos com outro longo beijo.
Os movimentos circulares próximos ao clitóris a deixou na tênue linha de sua libertação, e ele retirou a mão. Hermione rosnou de desgosto.
- Calma... Já termino o que comecei, antes quero provar esses bicos empinados para mim...
Severo abre o fecho do soutien e abocanha um dos seios, enquanto a outra mão envolve o outro seio. Ele beija e chupa sem pressa cada um dos mamilos, deixando-a cada vez mais impaciente.
Hermione fecha os olhos para aproveitar mais aquele momento. Estava encantada com a delicadeza dele ao lhe tocar e lhe proporcionar o prazer que ela própria não conseguia atingir sozinha.
Ele busca novamente a boca dela para depois voltar com sua mão para dentro da calcinha. Com poucos movimentos ao tocar no clitóris já inchado, o orgasmo intenso é desencadeado, fazendo-a tremer por inteira. Hermione só não gritou, porque sua boca estava coberta com a dele.
Severo a abraça e permanecem alguns minutos até que a respiração dela voltasse ao normal. Quando o torpor passou, a poção ficou pronta. Severo a deixa sentada ainda na bancada e termina de preparar a poção. Ele verte num copo de Becker e bebe.
- Pensei que era para mim...
- Se você aparecer grávida, saberei que não é meu, e estará tudo acabado entre nós.
- Severo, isso nunca irá acontecer. Para quê vou buscar outro bruxo, se tenho certeza que não darei conta nem de você?
- Hum... é melhor se esforçar. Senão, eu terei que buscar outras bruxas!
- Se fizer, reforço suas palavras, estará tudo acabado entre nós!
- É ciumenta também, minha leoa?
- Não vou dividir você com ninguém! – Ela enfatiza.
- Venha, vamos voltar para o escritório. Minerva logo virá nos procurar. Ela não precisa saber sobre nós. Manteremos em segredo, sim? – Severo a pega pela cintura colocando-a de pé.
- Por causa do regulamento da escola? – Hermione pergunta enquanto arruma seu soutien após fechar o jeans.
- Também... Como diretor eu poderia mudar o regulamento, mas não acho necessário. Em breve você estará se formando e será minha, legalmente falando.
Ela sorri e o abraça. Eles aparatam de volta ao escritório.
Hermione pega o livro intitulado Hogwarts que estava na mesa do diretor. Se senta no sofá para ler. Severo senta próximo a sua mesa e responde alguns memorandos do ministério a respeito do aumento do salário dos professores.
Minerva chega logo em seguida, vendo-os dois concentrados, cada um num canto.
- Está tudo bem? Você está bem, senhorita Granger?
- Estou sim, obrigada. – Melhor impossível, e louca para começar minha detenção! – Ela pensou ao sorrir para a professora.
Fim
