Ele virou um gole de sua cerveja nos lábios, e quando baixou teve a mesma tomada de si pela garota de cabelos ruivos que bebeu um bom gole enquanto o encarava. Os olhos negros cintilavam com um misto malicioso e debochado ao mesmo tempo.
—Vai em frente, tome toda a minha cerveja, afinal, o que é meu é seu também, querida esposa...
—Ridículo! – ela murmurou sorrindo.
—Não, não... é totalmente sério. A gente casou sem qualquer acordo pré-nupcial – disse displicente, embora sentisse aquele arrepio miserável subir pela coluna ao imaginar ter que lidar com Fugaku Uchiha ante a isso.
Sentado na cama da sua então esposa, Itachi Tinha com Mei uma conversa franca e – falhamente madura – para lidar com aquela situação que se encontravam. Samui, a colega de quarto da garota, apenas gargalhara quando ficou sabendo do caso e agora o Uchiha empurrava Mei adiante com aquilo enquanto a ruiva se esquivava pela tangente. bom, era um pouco idiota, também precipitado, ele sabia, mas já estava feito, e não era como se não houvesse motivos o bastante para ao menos tentarem, afinal já se pegavam mesmo. Foi como acordar em uma sexta-feira se espreguiçar e dar bom-dia ao sol dizendo: que belo dia para se tomar um porre e casar.
boas lembranças para os filhos...
— Vamos anular isso! – ela resmungou enquanto as mãos dele dançavam lentamente em seus quadris até parar sobre a bunda e a puxar para si. ele beijou lenta e eroticamente a barriga nua dela enquanto ronronava.
— Vamos manter e oficializar.
—Não tá falando sério, não é? – ele resmungou qualquer coisa e ela parecia um tanto assustada. – Itachi... um casamento é...
—Vamos descobrir isso. O que temos a perder? divorcio agora, depois... – gesticulou para mordiscar o ventre feminino a fazendo gemer baixinho quando ele finalmente a lançou para a cama montando sobre ela. – Odeio seu medo de compromisso.
—Odeio sua displicência e cabeça-dura.
—Sou um Uchiha, baby... tá nos genes sem um pé no saco para qualquer um – ele deu um risinho beijando os lábios de Mei lentamente. – Vamos fazer isso. pegue suas coisas e levamos para o apartamento. Somos dois adultos, temos uma vida, pagamos contas...
—Você mora com seu irmão – ela ralhou com um bico.
—Façamos um teste legal, e se for isso vamos ter um apartamento para nós. – ela apertou a cintura dele cravando suas unhas e o fazendo rosnar baixinho enquanto sentia o membro duro encaixar em seu eixo facilmente.
—E se não der certo? você for o chato que eu sei que é, e descobrir que odeia todas minhas manias e que eu não sou... modelo de esposa Uchiha.
Ele fez uma careta e sorriu um pouco cínico.
—Então lançaremos uma nova moda de mulheres Uchiha, que tal? suas manias não são piores que as minhas. Você pode pegar um pouco leve. até a última sexta éramos solteiros, e agora legalmente essa sua bunda é minha – ele abocanhou o pescoço dela a fazendo rir.
—Isso foi tão grosseiro e machista – resmungou gemendo.
—Não acha machista quando eu te fodo.
Ela o beijou com lascívia mordendo dolorosamente os lábios dele.
—Isso é um sim para sua bunda?
—Isso é um sim para esse casamento estupido – ela riu vendo a careta dele.
—ótimo, ótimo senhora Uchiha... no próximo final de semana então enfrentaremos o primeiro evento como casal.
Ela arqueou a bonita sobrancelha o impulsionando a continuar.
—Meus pais... almoço e possivelmente gritos e choro.
Ela o empurrou sentando-se na cama.
—Tá brincando?! puta que pariu, Itachi!
—Pois é... quem mandou se deixar encantar por um Uchiha tão gostoso e mal comportado com sérios problemas com bebidas. oh, é verdade, você é igual! – ela o estapeou quando ele a virou na cama a montando outra vez e a beijando com selvageria. – Isso vai ser tão divertido!
(...)
Durante o todo o trajeto de ônibus, Hinata encarou aquele papel lendo e relendo como se não acreditasse mesmo naquilo. A Hyuuga tentava de alguma forma acompanhar o raciocínio da chiclete, tentava ver além das entrelinhas e principalmente, o que Sakura ganharia com tudo aquilo, porque sinceramente, ela não o via. Tenten passou toda a viagem olhando para a amiga sem falar nada, tinha certeza que se abrisse a boca não sairia nada além de ameaças com direito a cadáveres. Ok, ela era superprotetora demais.
Quando chegaram a faculdade, as teorias apenas surgiram, mas foi apenas quando ambas puderam encarar a Haruno a distância que a Mitsashi indagou o óbvio:
—Vai contar ao Sasuke?
Hinata suspirou longamente enquanto sustentava os olhos perolados na garota. Era algo bobo, e ela certamente deveria fazê-lo sem problemas, o problema é que não sabia se isso era algo que importasse a Sasuke, e se importasse, que tipo de reação ele teria? Ela estremeceu um pouco ao se lembrar do Uchiha no ensino médio e seu temperamento de merda. Ele não era do tipo de brigar, mas era bem assustador quando decidia fazê-lo.
—Ainda não... – ela soprou. Estavam indo tão bem, e ela ainda tinha aquela coisa do próximo passo e não era a hora ideal para confusões em sua cabeça – Eu... sou idiota, eu sei, mas primeiro vou apelar para a consciência desse ser humano horrível – ela apontou para Sakura que ria entre as amigas como se o dia fosse o mais perfeito e azul.
A Mitsashi não aguentou, ela gargalhou gostosamente enquanto elas se afastaram pelo campus.
—Como se Sakura Haruno soubesse o que é consciência dolosa. – Ditou, e apertou a alça da mochila. ela virou Hinata para si a puxando para o canto – Escuta o que você vai fazer, antes de depor você precisa entender o jogo dela. você tem 72 horas para isso. E depois... se for o caso, precisa mesmo de um advogado para acompanhá-la e todo resto.
—Não acha exagerado? – Hinata fez uma careta – eu apenas posso ir e contar toda a verdade.
—Vou te dizer o que eu aprendi nessa porcaria de curso esses anos, em um tribunal, a verdade absoluta é a que pode ser provada. Palavra e reputação não são nada. Vai por mim, descubra o joguinho dela e se arme contra. Como num jogo de futball.
—Eu nunca joguei isso.
—Então hockey – ela deu um tapinha nas costas da amiga e a empurrou para o corredor. – Arrasa gostosa!
...
Não foi uma aula inteiramente tranquila para a Hyuuga, longe disso, estava tendo uma dor de cabeça infernal porque se forçava a concentrar nos estudos enquanto o outro lado do seu cérebro tentava entender e se preparar emocionalmente para confrontar a Haruno. Talvez se ela estivesse menos centrada e mais descontraída, teria, por exemplo, visto o quanto o Uzumaki apenas a fitava e havia sentado três cadeiras mais próximo dela.
Algo estava mudando rápido demais e ela nem ao menos se dava conta.
Assim que aquele tempo acabou e ela teria alguns minutos livres, ela não hesitou em sair quase que antes de todos. Tinha uma direção em mente, uma pessoa em mente então quando ela esteve naquele dito corredor e seus olhos perolados alcançaram os verdes intensos, a Haruno soube que Hinata já havia sido intimada, e mais ainda, seus lábios curvaram-se em um sorriso um tanto malicioso demais para ser mal interpretado. Um gesto simples e sutil da garota de olhos perolados apontando para a porta da escada de incêndios foi o bastante para Sakura entender e seguirem na mesma direção. Estava bastante curiosa, mas honestamente era tudo que ela esperava, porque ter a Hyuuga ali significava que seu plano ia de vento e polpa.
Assim que a porta se fechou, Hinata a encarou fazendo uma única pergunta:
—O que você ganha com isso?
Os olhos esmeraldinos arregalaram-se e então ela sorriu.
—Direta... gosto disso. Bom, pelo menos certas percepções você é bem inteligente, admito.
—Sakura eu só quero entender, juro. Isso tudo é por ciúmes?
Sakura gargalhou alto de forma muito verdadeira ao ponto de constranger ligeiramente a Hyuuga.
—Ciúmes? uau... deveria mesmo baixar sua bola, Hyuuga. você é uma coisinha tão inútil e estúpida – zombou dedilhando os cabelos rosados e bem tratados – Porque eu tô fazendo isso...hm – ela colocou o dedo no queixo e de forma zombeteira fingiu pensar – porque eu posso, Hinatinha. Eu sou a vítima, não é? – deu um risinho debochado vendo a face de pasmem da garota de cabelos escuros – você é a mesma estúpida bobinha do ensino médio, não mudou nadinha.
Ela viu os punhos de Hinata apertarem-se enquanto a fitava mantendo o orgulho que possuía.
—Deixa eu te explicar uma coisa: algumas garotas como eu, não precisam de esforço, elas nascem para ser grandes e protagonizam sempre, já outras, como você – apontou com desdém – no máximo vivem a sombra, como coadjuvantes, sabe? Por exemplo, você se esforçou tanto para ter a atenção do idiota do Naruto, sempre tão... boa – gesticulou insinuante – tão gentil e cuidadosa, tão esforçadinha. você deixou o cabelo crescer, tirou os óculos, mudou parte do seu comportamento irritante como um ato de rebeldia gritado desesperada pela atenção do garoto que era loucamente apaixonada, mas ele? continuava não ligando, e agora sei que ele deve ter tido pena. é isso, pena... de uma garota como você, porque ele só passou a te enxergar quando finalmente precisou de algo que você poderia oferecê-lo. comodismo e conforto.
Os lábios da Hyuuga tremeram enquanto os olhos finalmente se desviaram para o chão enquanto tentava se concentrar em não estourar e se descontrolar, em não deixar suas emoções tão claras para serem usadas e zombadas por aquela garota horrível que Sakura era.
— É... eu vejo como se sente, não te culpo em se sentir intimada. veja, eu estalei os dedos e aquele pateta veio igual um cachorrinho sem pensar duas vezes. é doloroso, mas você não teve relevância real na vida dele. – Hinata mordeu o lábio com força enquanto sentia o coração acelerar raivoso.
No passado ela sempre se acuou, ela sempre aceitou ser menosprezada e por vezes achou que tinham razão. ela não tinha confiança alguma em si, mas o mundo gira, as pessoas mudam, as pessoas crescem e trabalham nas suas fraquezas e isso, Hinata Hyuuga vinha fazendo dia após dia e por isso era doloroso ouvir aquelas coisas, porque a magoava e ela sabia em parte ser verdade.
—Eu conheço toda essa história – murmurou mais baixo do que queria e fez com que Sakura a fitasse enquanto mordia o lábio ligeiramente. – Não preciso ser relembrada dos meus erros.
—Erros... – sussurrou – você entende que, tudo está se repetindo outra vez? você é um desafio, uma novidade divertida para o Sasuke, e é por isso que não tenho ciúmes. você não é risco pra mim.
—Ainda assim estamos aqui – Hinata sorriu suavemente e a encarou. Sakura tornou a gargalhar.
—Hinata...você é muito divertida, não conhecia esse seu lado comediante. Deixa eu te explicar, eu conheço Sasuke a muitos e muitos anos, desde o colegial, bem antes de você aparecer ou qualquer coisa assim. inclusive eu conheço muito bem também os truques dele, as palavras e frases... toda a sua "fórmula" perfeita que faz qualquer garota abrir as pernas para ele sem hesitar. oh e ele fazia muito isso. – Ela se aproximou da Hyuuga quebrando seu espaço pessoal, segurou uma mecha escura e lisa entre os dedos e brincou enquanto os lábios rosados aproximaram do ouvido da morena. – Você é tipo um bichinho fofo, engraçado e manipulável, e quando ele se cansar...– sorriu maliciosa. Hinata sentia seu coração pulsando com força na altura da garganta quase a sufocando naquele momento, o asco tomava seu corpo. – Poupe a si mesma de mais humilhação, Hinata. Dois caras para mim? patética...
Hinata sorriu quando queria gritar, os olhos um pouco frios e calculistas encararam as esmeraldas outra vez quando ela finalmente impôs seu espaço para a chiclete.
— C-certo... é isso que quer? digo, para tirar a acusação?
—Claro – sorriu – se afaste dele, dessa estupidez e ele volta a cair em si vendo que me pertence, somos perfeitos um para o outro. E como eu sou uma garota... justa e gente boa, você ainda fica com o resto do Naruto de brinde, já que parece mesmo gostar daquele imbecil.
Em silêncio um pouco constrangedor, Hinata a encarou e por um instante Sakura sentiu como se ela fosse capaz até mesmo de ler sua mente. Aqueles olhos eram tão bizarros e nojentos!
—E... – Hinata finalmente quebrou o silêncio pesado – se eu não quiser me afastar? S-se achar que... sei lá, vale a diversão?
Sakura se surpreendeu. Sim, chocada, admitia, mas passou tão rápido quanto veio. Seu ar leve foi substituído pelo ameaçador deixando sua máscara de boa garota de lado.
—Bom... eu jogo, você joga... e qual vadia vai terminar de pé no final com a reputação intacta?
Hinata esboçou um sorriso pequeno.
—Simples assim, um jogo?
— Claro, Hyuuga nojenta. Eu quero e eu sempre tenho. não importa por cima de quem eu tenha que passar por cima.
—Ok, já vi que pedir para desistir é perda de tempo, embora a nossa conversa tenha sido muito esclarecedora para mim.
—Hm? você é retardada? – ela agarrou o braço da Hyuuga o segurando e encarando a garota ligeiramente menos que si. – Deixa eu te explicar para ver se entende. eu vou acabar com a sua reputação, mérito... quando eu acabar, você vai precisar pedir emprego em uma corretora pequena de contabilidade porque é tão... merda.
Hinata empurrou a mão da Haruno para baixo mostrando que não era tão fraca e fragil assim.
—Você não me conhece, não sabe mesmo nada sobre mim e o que eu cativo ao longo da vida. Quer me chantagear? pro inferno você, Sakura. Quer um jogo? prepare-se – sorriu – eu sou nerd, campeã em decatlo, clube de astronomia e xadrez. é bom ser boa com suas estratégias. – Ela virou-se de costas – só um lembrete, ganhar batalhas pequenas, não é como ganhar todo o jogo no fim.
—Você é tão nerd e nojenta, Hyuuga. tediosa – rosnou, mas teve apenas a batida da porta como resposta.
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— Ela é detestável e arrogante, e... – Ela mordeu o sanduíche com certa ferocidade fazendo o molho escorrer ligeiramente. – Merda! – pegou alguns guardanapos para se limpar enquanto tentava dissipar aquela raiva reprimida. Naquele momento apenas sentiu com susto o beijo pressionado no topo da cabeça.
—Arrogante e detestável, que é esse ser? Espero que não seja eu – zombou ao se sentar com as garotas fazendo a Mitsashi dar um risinho.
—Falamos de outro monstrinho, Uchiha.
—Devo me enciumar? – ele arqueou a sobrancelha olhando para Hinata, essa revirou os olhos e com um suspiro mais longo tirou da mochila o papel da intimação o entregando. Era isso, ela não queria só esconder dele porque não sabia os limites de Sakura, e se havia alguém que a conhecia muito bem, esse era Sasuke. Ela não era estúpida, cada pessoa joga com as peças que tem.
Intrigado, Sasuke não demorou a ler o conteúdo daquilo e ao que se referia, e claro, nada o impediu de ficar puto.
—Tá de sacanagem! – rosnou querendo se levantar, mas bastou um toque da mão pequena e delicada contra seu braço para ele tornar a sentar.
—E-eu vou resolver isso – ela murmurou dando seu sorriso um pouco entristecido, mas calmo.
—Não, Hinata. Eu vou falar com ela. Vou intimá-la a acabar com essa palhaçada.
—Então vai estar fazendo exatamente o que ela quer. – Bufou um pouco frustrada.
—Eu quero ajuda de vocês, mas não desse modo. Resolver minhas próprias brigas é... mais que ego ou qualquer coisa. Isso com ela se tornou pessoal, e pra mim, é questão de honra, agora.
Sasuke estava ligeiramente chocado e emburrado, por mais que a entendesse, e de certo modo concordasse, ainda estava puto. cedendo a pequena Hyuuga, ele massageou com paciência sua têmpora enquanto raciocinava melhor a questão.
—Vai precisar de um advogado – ditou.
—Eu disse isso – cantarolou Tenten
—eu vou arranjar um – ela tornou a morder o sanduíche.
—Eu posso contatar um – Sasuke se prontificou
—Ei, eu tenho predileção, eu tenho ótimas indicações e...
—Olha, eu amo vocês, mesmo – ela sorriu sem se dar conta da parte "amo vocês" e de como o Uchiha se sentiu com aquilo – mas eu vou fazer isso. Prometo que se não der certo a minha maneira, então...
—é a coisa do orgulho Hyuuga? – Tenten pediu.
—é!
—Orgulho Hyuuga? – Sasuke indagou confuso e a garota apenas sorriu.
O Uchiha puxou Hinata pela altura dos ombros e depositou em sua fronte um beijo demorado e carinhoso enquanto puxava outro assunto com ela que queria saber como ia ficar Itachi e Mei, mudando completamente aquele foco de conversa para distração. À medida que falavam, Tenten podia apenas estreitar o olhar, em meio aos risos próprios e provocações, em direção a algo peculiarmente estranho: Naruto stalkeando Hinata. Não, não era só... observar, era um tipo de olhar que secava como de alguém morrendo de sede no deserto e vislumbrando uma garrafa com água, e essa era a verdade. Maliciosa, ela esboçou um sorriso e pigarreou, ganhando atenção do casal que discutia muffins.
—Então... tirando toda essa confusão deliciosa do final de semana, eu... notei alguns olhares e pessoas falando contigo, Hina...
Sasuke fechou um pouco a cara, mentiria se dissesse que não sentia um ligeiro ciúme, afinal, sentia. Até porque grande parte dessa atenção vinha de caras e não garotas, ele não era cego. Já Hinata pareceu se constranger muito com aquilo e suas bochechas denunciavam o incômodo.
—Eu estava feliz no meu cantinho. Sou apenas eu, o que essas pessoas querem afinal? eu sou a mesma Hinata do primeiro ano.
—Popularidadeeee – cantarolou novamente a melhor amiga enquanto fazia um arco-íris com os dedos. – Você é como... um ícone das nerds. Se uma plebeia pode virar rainha, então qualquer uma pode – zombou vendo Sasuke ligeiramente confuso – não se acha não, Uchiha. Aliás, vocês são um casal bastante... bonito esteticamente falando, as pessoas apenas shippam, criam histórias, fantasias... é assustador.
— Ok, é assustador. – Sorriu. – e também bem cafona, e se eu posso ver isso, então é trágico. – Tenten apenas começou a mexer no celular como se procurando algo – Porque me considerariam popular? não faz sentido.
—Bom, quem aprendeu sobre marketing foi você, fofis – piscou.
—Isso é besteira – Sasuke ralhou. afinal, tudo isso era superficial, estupido e sufocante às vezes e ele sabia bem.
—Besteira? olha só isso. a uns três meses atrás, você Hinata por exemplo, deveria ter uns duzentos, trezentos seguidores no máximo. já o Uchiha aqui tinha o que? – ela o encarou e ele chupando o canudo do suco parecia entediado, mas mesmo assim respondeu:
— Setenta... mil.
—Cacete! – Hinata pareceu chocada e logo depois tampou a boca e riu consigo mesma – eu não saberia lidar tão bem com isso. Acho que estou mal acostumada com lidar apenas com burocracia.
—é rede social, não precisa conhecer ou fazer muito, é puro engajamento, marketing e bajulação. Fora que tem questões de trabalho, viagens, a empresa, o fato dos Uchihas serem conhecidos...
—Humm, não sei... me parece que torna você um entretenimento. é diferente de uma empresa, quer dizer, é sua vida pessoal. é estranho.
—Então... – Tenten riu tornando o assunto – agora, com vocês chamando tanta atenção e vídeos legais, fotos... hm... interessantes, por assim dizer, as coisas esquentaram. tipo, Sasuke... nem precisa citar números – Hinata ainda tinha os lábios ligeiramente abertos com certa surpresa. – Já você, pequena miss Sunshine, pulou daquilo para nada mais, nada menos que trinta e cinco mil.
—Uau!
—Francamente, miga, você não olha rede social não?
—E-eu... olho... ocasionalmente? – os dois a encararam – eu não reparo nisso, tá bom?! satisfeitos?!
—Isso parece tão lerdo – Tenten zombou – você é muito displicente, garota Hyuuga. você tem fãs, alimente-os com um pedaço de você e diga adeus a sua individualidade oculta no universo da inexistência. aceita, está se tornando a chamada pessoa pública lentamente... e isso não é tão ruim. o que acha que vai acontecer quando vocês engatarem um relacionamento oficialmente?
Francamente? Ela não fazia ideia, e aquilo bastou para ser tão assustador para ela que nem ao menos havia pensando tão profundamente e nunca havia de fato ponderado quem Sasuke Uchiha era fora de sua bolha de garota boba.
—Para de assustar ela – Sasuke rosnou empurrando o celular da garota de volta. Ele não precisava de um abismo entre si e Hinata outra vez. – Vem, vamos dá uma volta antes de ir para o próximo tempo – estendeu a mão para ela que, mesmo um pouco envergonhada a aceitou, precisava mesmo se acostumar com aquilo.
...
Quando a Hyuuga decidiu voltar para a sala de aula, ela ainda ponderava seu problema chamado Haruno. Estava mais distraída que no início, só que agora, diferente do começo ela sabia que algo podre estava vindo da garota de cabelos rosados, mas também pensava em como toda a sua vida simples virou completamente de cabeça para baixo, ao mesmo tempo que ela apenas não era capaz de ter seu controle. Só que... sem toda aquela bagunça não existiria Sasuke, e de alguma forma, sem ele, ela se sentiu... incompleta, mas não era amor! não... ele era uma coisa boa em sua vida e coisas boas deveriam ser mantidas pertos, mas não era amor, talvez a paixão química que tanto conhecia. Em qualquer tempo, se sentiria apenas feliz por tê-lo por perto, mesmo que fosse como amigo. Seria esse o desespero de Sakura? bem, não a culparia de certo modo, mas preferiria que a garota fosse mais honesta não apenas com as palavras, mas os atos.
Só então, quando chegou a porta é que Hinata finalmente despertou para o mundo externo, quando se viu presa entre a divisa da porta e um loiro de um metro e oitenta e brilhantes olhos azuis. um esbarrão meramente acidental, talvez ela não tenha reparado o caminho já que estava distraída, jamais diria qualquer coisa diferente disso. No entanto, foi impossível impedir os olhares de se cruzar, ou de sentir as mãos dele sobre seus ombros a impedindo, depois daquele esbarrão, de cair. Mera questão de segundos, talvez frações deles, mas ali estava os olhos solares com os lunares como nunca haviam se olhado antes. Por um misero momento, Hinata fora capaz de sentir uma fagulha de empatia pelo ex namorado ao se lembrar da forma que Sakura falava dele pelas costas, mas ao mesmo tempo ela achava que cada um colhia exatamente o que plantava e Naruto não era isento disso. Já o Uzumaki estava perdido em um misto pra lá de confuso, afinal, tanto tempo ao lado de Hinata, e só agora ele se dava conta de como os olhos dela eram incrivelmente bonitos e cristalinos. uma janela perfeita da alma, ou se dava conta de como o perfume da garota era incrivelmente refrescante e levemente adocicado ao ponto viciante. Como quando você apenas quer inspirar aquele cheiro mais e mais sem parar ou até ele misturar ao seu...
misturar... estupidamente a imagem da foto de Hinata de lingerie sexy veio com tudo a sua mente, e tudo que ele conseguiu fazer fora engolir em seco sentindo o entalo na garganta.
—D-desculpe por isso – Hinata adiantou-se finalmente quebrando aquele contato, embora não tivesse reparado que, não estava tão nervosa quanto antes e muito menos sentia suas entranhas revirarem, tão pouco sua face enrubesceu.
algo havia quebrado definitivamente, mas nenhum dos dois ainda havia percebido isso.
Ele apenas afastou o corpo dando passagem para a garota de cabelos marinho vendo esta sentar-se mais próximo ao meio, os pés de Naruto, apenas o levou até o mais próximo que poderia estar dela e sentiu-se tão... estupido, porque ele queria apenas olhá-la, como os cabelos sempre sedosos e brilhantes da qual ele se lembrou repentinamente do cheiro de morango, ou dos lábios rosados, ou como parecia encantador de repente a forma como ela mordia a ponta da caneta quando estava concentrada em algo.
demorou até cair sua ficha e perceber que não conseguia desviar aquele caminho, e ele estava simplesmente o acelerando totalmente.
—Que merda tá acontecendo comigo? – sussurrou consigo mesmo enquanto as mãos desmanchavam o cabelo outrora tão arrumado com fixador.
(...)
Eles estavam no refeitório tomando um café e dividindo algumas roscas açucaradas enquanto a Hyuuga escancarava com o platinado todo o alvoroço do seu dia. Ao mesmo tempo que indignada estava pensativa em seu próprio plano de ação, e embora tivesse garantido não apenas a Tenten, como a Sasuke que ela resolveria, ela mal sabia por onde começar. Maldito orgulho idiota!
— Olha, vou falar o que eu sei de pessoas assim, sabotadoras. Elas são muito manipuladoras e conseguem facilmente virar a mesa. são chantagistas e principalmente, são amorais, então para elas os fins justificam os meios. porque eu digo isso? para você entender que não pode ser a doce e gentil Hinatinha a lidar com ela. Cobra precisa de um predador natural para combater, um gavião ou um falcão... entendeu?
—Eu sou a presa dela, né? – fez um muxoxo – eu sei que sou muito... boba! é um fraco estupido acreditar que as pessoas podem ser melhores.
—é algo raro e bonito, mas... a vida real é trágica. – Toneri piscou – Ela é uma garota abastada, mas ingênua. porque ela tem a crença nos próprios meios. avaliando, eu considero que ela se vale do que tem ao seu alcance, de quem ela pode manipular e de quem sustenta os mimos dela. Nunca ouvi falar tanto dos Haruno. Se eu fosse colocar em um nível hierárquico, diria até que eles estariam na base dessa pirâmide.
—Então minha família seria a plebe, da plebe – Hinata sorriu achando graça.
—Sem exageros! você sabe que não é bem assim, até porque o senhor Hyuuga tem muito contato realmente importante e o tipo de serviço que ele tem prestado tem uma puta visibilidade. os negócios estão crescendo muito rápido e depois que Neji investiu aprimoramento abraçando isso, as coisas melhoraram ainda mais, e a prova é você que está aí se preparando academicamente para se juntar a eles em uma gestão ainda mais profissional.
Ela sorriu um pouco ruborizada. Era verdade e ela sabia.
— Eu sei que é óbvio, mas já sabe que deve falar com a Tema, né?
—Ela é assustadora! e até parece que ela vai ligar para algo assim... fora que... não sei se tenho grana para bancar os honorários dela assim.
—Ela é foda, vai por mim! e até parece que eu ia deixar minha garotinha desamparada.
—Toneri... não...
—É um favor pessoal por eu gostar muito de você e, por Neji e sua família. viu? Isso que é ter os contatos certos. – Provocou-a.
—E-eu vou te pagar.
—Não vai não. eu tô oferecendo isso, e se vier com esse papo vamos brigar, ok? Bom, agora vamos falar em algo realmente importante. Garota, que foi esse final de semana, hein?
Ela soprou o chocolate quente e sorriu negando.
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Os olhos opalinos contemplavam a silhueta perfeita daquela mulher, ela exalava sensualidade, dominância, confiança e intimidação. Temari Sabaku era do tipo de mulher que faria outras mulheres duvidarem de sua própria sexualidade, e colocaria facilmente coleira em caras grandões. Não era à toa que Toneri estava de quatro por ela e agora Hinata entendia perfeitamente isso
—Então...
—Senhora! – Hinata corou nervosa quando os olhos verdes dela a encararam e a garota riu daquele nervosismo. – Desculpe, doutora Sabaku.
—Você é uma gracinha, Hyuuga, e embora eu pudesse dizer que te morderia todinha, seria muito antiético.
—E-e desconfortável – ela murmurou com as bochechas rubras demais e a loira gargalhou.
—Sim... seria. – ela então puxou seu caderno de anotações e até mesmo o click da caneta dourada sendo acionada parecia sexy para a Hyuuga. – Mas sabe? a parte boa nessa sua carinha é que ela transmite ingenuidade, confiabilidade e amabilidade. e é cientificamente comprovado que essas características costumam ser atrativas e ter mais credibilidade em um tribunal. entende? você já é naturalmente escalada na posição de vítima e isso é perfeito. você consegue... chorar quando deseja?
Hinata se constrangeu, desviou o olhar nervoso.
—T-talvez... e-eu nunca tentei, mas minha amiga me chama de dramática.
—Certo. então... me conte do início absolutamente tudo, com toda verdade mesmo onde existe sua culpa real para eu saber o que temos aqui e como vamos lidar. pessoas que abrem esse tipo de inquérito costumam manipular a situação, o que queremos é criar duas versões, e a sua tem que ser a que transmite mais realidade e credibilidade, porque até então não se existe provas palpáveis.
—Ok – murmurou Hinata, e então tomando fôlego e coragem ela começou literalmente do início de todo o problema, exatamente quando foi comprar suas calcinhas. Quando ela terminou confessou a Temari o que temia – E-eu acho que a Sakura é do tipo um pouco vingativa e eu tenho medo dela meter Hanabi nisso apenas para me pressionar.
—Com toda certeza! Ela parece esse tipo de caráter dúbio, entretanto, se ela disse para você sobre a reputação, é algo direto, entende? Ela quer tirar essa credibilidade sua. possivelmente passar a qualquer um que além de não confiável você é alguém que perde a cabeça e o controle e não é boa influência. De todo modo, Hanabi em parte está segura, porque se ela citar a garota agora, ela vai precisar mudar o depoimento e isso já tira a credibilidade dela, porque fica parecendo meias verdades. O problema especial é contigo. você pode ser fichada por agressão. Fora que, além disso, pode ser obrigada a indenizá-la e não queremos isso, por tanto, vamos começar a trabalhar agora no que exatamente você vai depor amanhã na delegacia, e não se preocupe, eu vou estar com você, ok?
—Obrigada... Temari – ela sorriu.
