Quando ela apertou o saco de gelo sobre a região pélvica do marido, esse gemeu tão dolorosamente com a brutalidade da esposa.

—Porra...pensei que teríamos filhinhos – murmurou choroso enquanto sentia um pouco do alivio do gelo sobre suas adoradas bolas. – Porque você é tão... vil, mulher?

Ela exibiu um grande sorriso malicioso, e inclinando-se contra o sofá, aproximou os lábios do de Itachi.

—Isso é apenas um pequeno motim pelo almoço com seus pais... querido marido.

Ele imediatamente se lembrou de todo o contexto, da sua mãe que era um pouco dramática quando queria, e um tanto passiva/agressiva, se lembrou do seu pai com um interrogatório para a garota, algo que mais parecia um cadastro socioeconômico do que um sogro conhecendo sua nora. isso sem contar os pequenos motins do casal Uchiha sobre o quão abrupta foi a união. fora que, Mikoto recusou-se a usar aquele casamento. em posse das fotos ela torceu a cara dizendo que aquilo era terrível para a imagem não só da família perante os parentes, mas também diante da sociedade, ainda mais a parte pública governamental da qual estavam sempre atrelados. Ela não sugeriu sutilmente, ela impôs que fariam uma nova cerimônia com tudo que se tinha direito. O Uchiha conhecia o temperamento de Mei, conhecia o da sua mãe que, embora doce e compreensiva, também era incisiva e de opinião forte. A troca hostil entre as duas foi inevitável e assustador...

— Justo – ele murmurou – tudo para ver meu mozão feliz.

ela se aproximou perigosamente dele que se encolheu. o sorriso dela gelou sua espinha.

—Para eu ficar feliz de verdade, Itachi, só se eu pisar nas suas bolas, sambar nelas, e com salto quinze agulha, amor...

Ele engoliu em seco e sorriu.

—Porra... porque quanto é a assustadora é tão sexy?

Ela se afastou indo em direção a cozinha enquanto um sorriso brincava em seus lábios. Ok, não foi de todo ruim, Mikoto tinha suas qualidades, Fugaku também, era uma família como qualquer outra, mas isso não impediria a mulher de atormentar o marido.

—Sabe o que eu considerei? suspensórios...

—Nãooo!

—é... e sua mãe adorou a ideia.

—Complô tão perverso!

(...)

Um ato um tanto incomum desde dos seus dezesseis era ela estar no café da manhã ou almoço com seus pais, no entanto, ali estava ela sentada a mesa de refeições desfrutando da companhia dos progenitores que ignoravam o fato de por exemplo, seu olho direito estar inchado e com uma coloração peculiar mesmo com a maquiagem. tomava algumas notas com a mãe a respeito de Mikoto Uchiha e do que poderia ser pertinente, já que a mãe da garota sempre estava metida no meio dessas pessoas dada a empresa de eventos que possuía.

Poderiam pensar que era pouca coisa, só que não. Mebuki até poderia dizer que rainha da sucata é algo real, só que ela tivera a sorte de nascer na família certa com os privilégios adequados para construir seu caminho. escalou ainda mais alcançando aquele primeiro estágio do topo. Ela possuía um nome, referência, estava consagrada naquele mercado e lançava tendências ditando moda e acompanhando as internacionais e isso a lançava sempre a frente. Obviamente, andando em círculo de altas pessoas, ela conhecia, tinha contatos, conhecidos, favores, amigos...

O smartphone da garota de cabelos rosados vibrou sobre a mesa iluminando na tela o nome "Ino porca" da qual ela tão raivosa desviou o olhar ignorando completamente enquanto voltava a atenção para o seu filé recém servido no prato. Uma maldita insistência desde cedo. uma insistência da qual ela estava afiada, ultrajada e porque não, demoníaca? Ino era uma filha da puta traidora, isso sim!

—Não vai atendê-la? Ainda são amigas, certo? – a malícia do olhar materno não a incomodava, pareciam sempre prontos a destilar veneno. o senhor Haruno desviou o olhar de seu almoço dando pouca atenção ao significado daquilo quando sugeriu.

—Minha bonequinha brigou com a amiguinha, está chateada, deixe-a. Talvez devesse sair com aquele rapaz, como é o nome dele, o seu namoradinho...

Sakura revirou os olhos enquanto as unhas afiadas batiam contra a mesa de forma irritante.

—Cale a boca, papai! – rosnou o fazendo rir negando – como se eu quisesse passar algum tempo com aquele... imbecil de merda!

Mebuki sorriu.

—Oh querida, mal começaram e já estão assim. Um casamento seria um fiasco.

Sakura bateu na madeira da mesa rapidamente.

—Deus me livre! jogue praga para outro. Naruto é só... um degrau, como um mal necessário. E depois... estou dispensando a companhia da porca por razões lógicas. E chega dessa conversa! – ela cortou com raiva um pedaço de carne e praticamente o enfiou na boca com ódio. enquanto mastigava e mastigava a mente a levou a noite passada.

Os olhos verdes encaravam em choque aquela tatuagem de casal enquanto rezava mentalmente para aquele lixo ser de henna. seu coração palpitou tão forte e era como se seu ódio assumisse seu corpo, sua mente, seu sangue o tornar-se em forma líquida e fluida em si. Aqueles dois... nojentos, além de estarem pagando de casalzinho ainda estavam fodendo em algum canto imundo? talvez o ódio maior dela fosse o desejo de ser ela a estar no maldito cantinho asqueroso. Seu ódio era canalizado em apenas um ser, como se essa carregasse toda a culpa.

—Que porra é essa? – praticamente cuspiu as palavras enquanto seu corpo reagia sozinho em direção a eles. vergonha alheia? para o seu azar o álcool havia levado o pouco que ainda havia, bom, isso e o bom senso, responsabilidade dentre outras coisas... – não se esconde não, sua vadiazinha imunda, eu avisei a você, sua ratinha! – rugiu a garota não notando que Sasuke que empunha a Hyuuga atrás de si.

—Cala a boca, Sakura! – rosnou em um tom ameaçador – não ouse falar de...

—Hahaha, eu calar a boca? parece que não me conhece, amor – ela estava tão alterada e fora de si. e enquanto ela pouco pensava, a Hyuuga observava. e via coisas como: a câmera de segurança a um nó deles posicionada no ângulo certo, embora ser chamada de vadia imunda tenha a desestabilizado momentaneamente.

Sasuke, sem dúvidas alguma não estava para brincadeira, e Hinata sabia que, baixa como estava mostrando ser, se ele fizesse algo contra a rosada, esta poderia virar a mesa fácil, então com seu jeito dócil, ela segurou o braço do namorado pedindo apenas calma e para irem embora. mas a resposta de Sakura ao temperamento manso da garota foi ofendê-la, coisas como: sonsa, ridícula, manipuladora, mentirosa e dali para mais baixo. e quando o Uchiha estava quase perdendo a cabeça, eis que uma nova loira surgiu.

—Gente – ela gargalhou parecendo tão bêbada – que zona é essa? meu deus, uma festa rolando e vocês aqui...hm...

Os olhos ciano da Yamanaka lançaram-se direto para a loira a analisando de cima a baixo. dos saltos de grife, a roupa da última coleção da Montesguard, e a bolsa linda. aquela mulher tinha grana, não era uma qualquer. e bêbada daquele modo?

Os olhos de Hinata arregalaram, enquanto um olhar um tanto... interessante fora trocado rapidamente entre o Uchiha e a Sabaku.

A língua afiada da Haruno adiantou-se a dispensa que Ino daria em Temari que literalmente fazia a pêssega bêbada. Sakura não perdeu tempo em desafiar ainda mais Hinata, e acusá-la infundadamente de roubar o que era seu, que era uma manipuladorazinha de quinta.

—Eu não deixava barato – pronunciou-se a Sabaku – se fosse o meu homem, eu arrebentava essa nanica, amor, ninguém, absolutamente ninguém encosta no que é meu. – Ela piscou para a Haruno enquanto Ino estava centrada na situação e em tentar conter o gênio da melhor amiga. aquilo era tão estranho. Sakura já estava pilhada, a circunstâncias eram as erradas, e quando aquela loira surgiu ali, as coisas ficaram ainda mais estranhas, foi só quando Ino se atentou a Hyuuga apontando sutilmente para a câmera de segurança para o Uchiha, que pareceu menos tenso, foi que a ficha dela caiu

— E como se não bastasse colocar essas... tatuagens ridículas e fora de moda de casal. Quando o circo acabar, você cobre com um palhaço, que vai combinar com você, foquinha gorda! – alfinetou a Haruno olhando diretamente para a Hyuuga que arregalou os olhos.

—Isso, acaba com essa folgada do cacete! – estimulou Temari. Sakura soltou-se de Ino finalmente, e a loira viu que Sasuke saiu da defensiva da namorada, como se esperasse que isso acontecesse.

—Puta merda! – rosnou a Yamanaka que não perdeu tempo em se jogar na frente de Sakura e proteger a Hyuuga. Os gritos chamaram atenção enquanto Sakura mandou a loira sair da sua frente.

—Saky, amiga, me escuta, por favor me escuta, você tá muito bêbada e fora de si.

—Pro inferno, sua piranha loira!

oh deus, ela estava tão insana. vendo que não conseguiria parar a Haruno, Ino tomou medidas drásticas e desesperadas da qual jamais pensou, mas sem hesitação, pelo bem da melhor amiga, foi ela a fechar o punho e acertar um soco em cheio na garota a derrubando no chão igual um saco de batatas, e como castigo, sua própria mão estava doendo como um inferno inchando rapidamente.

—Caralho! – urrou sacudindo a mesma enquanto desnorteada, Sakura gritava levando os dedos ao local do impacto.

—Merda, sua porca nojenta, o que... INO SUA FILHA DA PUTA!

—Amiga, foi pro seu bem!

—Bem o caralho! não chega perto de mim! – urrou enquanto a loira tentava ajudá-la.

Sasuke olhou aquilo com um pouco de choque, tinha que legitimar como Ino o surpreendeu. Só que ali não era mais lugar para eles, não iria prolongar aquele show de merda da sua ex, por isso tratou logo de sair dali levando Hinata consigo.

Temari empurrou a porta do toalete feminino e olhou para Ino que chorava mais que Sakura que a recusava como uma imunda de rua.

—Você é bem esperta, Rapunzel – sussurrou baixinho e piscou para a loira.

—Vadia! – ronronou Ino como resposta tendo apenas o sorriso de Temari.

o bip do match soou em seu notebook a despertando de lembranças que tivera da noite passada. depois de uma recusa de Sakura em lhe atender, Ino não sabia exatamente o que fazer. os olhos verdes passearam rapidamente em seu breve dossiê recém conseguido sobre Temari Sabaku. Claro que depois de toda aquela confusão, a loira conseguiu uma foto boa mesmo a distância da mulher. um bom programa de busca e uns contatos e voilá, ela conseguiu...

—Temari No'Sabaku... uma ficha invejável de direito, formação com honra e méritos, artigos publicados, teses, atualmente ocupa o cargo sênior no departamento jurídico enquanto atua de forma particular ainda... – a loira recostou-se em sua cadeira enquanto mordia o polegar analisando e analisando – víbora... e das grandes. Se ela é amiga da sonsa... talvez você esteja fodida, Saky, e nem se deu conta ainda de onde se meteu. – Ela abaixou a tampa do note enquanto tentava ligar mais uma vez em vão. desistiu, se espreguiçando, ela mandou uma nova mensagem para Shikamaru que continuava também a ignora-la... – porra, qual o problema com todo mundo? Hoje é o dia, chute a bunda da loira gostosa do grupo?

(...)

O óculos de sol estavam ligeiramente caído sobre o nariz enquanto ela segurava um copo com um bom suco de morango com água de coco. o dia estava perfeito, o sol brilhante no céu, o azul perfeito e sem nuvens e ela deliciosamente de bom humor na beira da piscina aproveitando não apenas o dia, mas a visão do namorado que nadava na imensa piscina da mansão Ootsutsuki. Sugou do canudinho um pouco mais do refrescante líquido quando algo fez uma sombra enorme atrás de si. a ponta do dedo fora de encontro ao aro do óculos o descendo enquanto inclinou a cabeça ligeiramente para trás e para cima vendo a detestável figura de Momoshiki parado igual uma estátua estúpida.

—Tá atrapalhando meu sol, xô! – gesticulou com imensa indiferença ao segundo herdeiro do grupo. Esse não gostou nem um pouco da atitude da loira, aliás, não gostava nada dela como um todo, bem... nem tanto assim...

rosnou aborrecido ignorando o atrevimento da Sabaku e sentou-se na cadeira de sol ao lado dela, para total desgosto da loira. veja bem, não é como se ela se importasse com aquela coisa toda de agradar a família e blá, blá... ela apenas detestava os irmãos mais velhos de Toneri, e isso já era de bem antes de terem qualquer coisa. certamente os filhos mais pareciam com a avó Kaguya, do que com qualquer outro... e olha que a velha era do tipo vaso ruim não quebra, no auge dos seus noventa e oito anos ainda era infernal.

Em silêncio, ela observou de canto de olho quando ele recebeu da empregada um copo de coquetel o bebendo calmamente enquanto se esticava na espreguiçadeira.

—Então é assim que pretende sair de sênior para diretoria? – sorriu malicioso, despertando um olhar de pura afronta para a garota.

—Como é? – ela tornou a descer os óculos escuros e virou-se o encarando. Ele deu de ombros.

—Conheço bem o seu tipo.

—é? e qual é o meu tipo? alpinista, vadia, vaca manipuladora? Estou bem curiosa, senhor Ootsutsuki – ela virou-se de lado enquanto mexeu na tira do pequeno biquíni que usava atraindo o olhar azulado para si e todas as curvas do seu quadril.

—Um pouco de cada – ele sentou-se – uma vadia esperta que sabe escolher sua presa. Toneri? Todos sabem que ele não passa de um... garotinho assustado e mimado.

—Então... é fácil manipulá-lo e usá-lo, é isso? – ela gargalhou

—Você é bonita, mas tão prepotente. a questão é, quanto ou o que realmente quer para acabar com circo estupido com meu irmão. eu posso ser bastante generoso, ou... bem sádico.

Ela gargalhou ainda mais alto divertindo-se com a cara do herdeiro que pareceu se irritar tanto com aquela mulher abusada. Ela era mais velha que Toneri, mais experiente e tantas outras coisas. A situação era mais que óbvia.

—Qual é a graça, sua puta?

—Você! é uma... piada ambulante.

—Você...

— Deixa eu deixar bem claro meu ponto de vista. Eu acho que você é um garotinho tão acostumado a ter todos os holofotes, a ser tão... – ela mordeu o lábio contendo o riso – Mas sabe o que eu realmente vejo? um cão covarde e envaidecido. Um que fica o dia todo correndo atrás do próprio rabo. além do mais... não quero seu dinheiro ou qualquer coisa que possa oferecer. eu tenho o meu... e depois... sabe o que é realmente delicioso no seu irmão? O quão bem dotado ele é, coisa que eu sei por fontes bem seguras que você passa longe – ela fez um gesto com o dedo mindinho o fazendo ficar vermelho de raiva. – Tá com vergonha, querido? eu acho que não, porque no fundo, bem lá no fundo, todo esse seu controle, todo esse prazer em se mostrar por cima, superior, é pra esconder o fato de que bem lá no fundo todos sabemos que é o oposto, você adora ficar por baixo, de preferência com um grandalhão se afundando no seu rabo, não é?

—Como você ousa, sua...

—Puta, vadia, vaca, piranha... ai ai... troca o disco. é patético. Ela sentou-se e o encarou, agora com o olhar real de uma verdadeira águia do deserto. – Deixa eu te falar uma coisinha. eu nasci em uma família que é cobra engolindo cobra. Eu já nasci aprendendo a lidar com peçonha, ela não me intimida, muito pelo contrário, eu tenho imunidade. Se eu realmente quisesse qualquer coisa da família Ootsutsuki, eu estava fodendo com seu pai, e acredite, chance não faltou pra isso. Agora xô, tá atrapalhando a minha visão gostosa que é o seu irmão nadando, ainda mais que ... – ela o olhou de baixo para cima dando uma parada na região íntima o deixando ainda mais desconfortável – ele é um verdadeiro animal, em todos os sentidos da coisa – piscou e voltou a sugar seu suco virando-se para frente e decidida a ignorá-lo.

Com ódio real, Momoshiki levantou saindo, mas antes murmurou.

—Não ficará tempo o bastante nessa família. – Mas como resposta teve o dedo do meio dela erguido para si.

(...)

Era por volta das seis quando ele desceu pelas escadas já colocando sua jaqueta, Sasuke deu uma olhada para o irmão que vislumbrou ainda o resquício maléfico no seu caçula.

—Não ouse falar nada – rosnou Sasuke pegando suas chaves e capacete da moto.

—Divirta-se, maninho.

Ódio, era tudo que ainda corroía o Uchiha que pegou um capacete extra, já que levaria Hinata para sair em um encontro. claro que a ponte nasal ainda estava cortada e arroxeada agora, e o tecido mostrava claramente que ele se fodeu, mas isso já era outros quinhentos.

Quando ele chegou ao apartamento da Hyuuga, essa arregalou os olhos quando viu o namorado machucado. Seu coração acelerou e imediatamente, enquanto o puxava para dentro, ela indagou:

—O-o que aconteceu? E-eu tentei te ligar, eu estava preocupada, falei com Neji e... – ela mordeu o lábio com força – foi o papai, não foi?

Ele esboçou um sorriso miúdo e negou.

—Não foi nada, só um acidente, que inclusive quebrou meu celular junto. Amanhã eu compro outro, ok?

—T-tem certeza? seu nariz está... inchado e roxo – ela deixou um biquinho formar nos lábios e ele aumentou o sorriso a laçando pela cintura.

—Tenho... é uma história engraçada... de pescador.

As bochechas femininas assumiram o bonito tom carmesim.

—E então, onde quer ir hoje?

(...)

Muito remédio, gelo e uma puta maquiagem conseguiram amenizar totalmente aquele desastre causado em seu olho por Ino. Ela tinha toda confiança necessária e por isso sorria tão docilmente enquanto mexia o seu copo de suco. O discurso da mulher a sua frente deveria ser tão inspirador, afinal, Mikoto Uchiha transpassava tanta paixão pelo que fazia, por sua fundação beneficente e sua organização de ajuda a órfãos e crianças carente da periferia de Konoha. no entanto, a Haruno estava sinceramente cagando para isso, felizmente, suas expressões eram sempre tão boas e convincentes. Deus, ela poderia mesmo ser atriz.

— Você me inspira, senhora Uchiha – sorriu e suspirou – é tão... incrível seu gesto. deveria mesmo ter mais pessoas assim no mundo, tão... engajadas em espalhar o bem a todos.

A mulher ruborizou ligeiramente e sorriu.

—Mikoto, querida, me chame apenas de Mikoto. Então... você está se formando esse ano também? – a garota consentiu – Sasuke me surpreendeu se formando um ano antes. Já se encontraram na UK?

—Oh, já sim, mas ele é sempre tão... corrido, atarefado.

A mulher bebeu o suco.

—Oh, ele tem o gênio difícil do pai. são iguaizinhos. Até desconfio que essa seja a principal razão do conflito constante deles. – Divagou e então sorriu – então... trouxe seu portfólio? deixe-me ver.

a garota retirou da bolsa a pasta bem organizada que havia trago. tudo cuidadosamente preparado com a ajuda de sua mãe e da porca traidora.

—Impressionante essa sua matéria no colegial. Você tem vários trabalhos voltados para isso. Trabalhou ao lado da sua mãe em eventos... me parece bastante adequada.

—Senhora... Mikoto – corrigiu-se e colocou a mão sobre a da mulher a olhando nos olhos. – Pode ter a mais absoluta certeza que se me der a oportunidade de lhe assistênciar, você terá a pessoa mais dedicada, eficiente e obstinada que existe. Eu quero me espelhar em você. Hoje cedo, antes de eu sair, eu olhei para minha mãe e disse: me deseje sorte, porque estarei tendo o privilégio de conversar com a mulher mais fascinante de Konoha.

Mikoto sorriu.

—Oh querida, sem exageros! Bom, é sempre de praxes que as coisas passem pelo meu escritório, e eles tem um controle tão rigoroso, mas não pude negar esse encontro com você como um favor pessoal. Sabe que é uma loucura todo o trabalho e não ficará só em escritório. precisa me acompanhar com a minha equipe e visitamos os lugares que apoiamos, lidamos com as crianças... nem tudo é o glamour das festas e leilões.

—Mikoto, eu estou completamente ciente de tudo isso. E sei também que é uma oportunidade única, não só de aprendizado pessoal, mas para minha própria carreira.

A mulher esboçou um sorriso analítico. enquanto olhava mais uma vez o portfólio da garota de cabelos rosados. Se indagava: porque não? Ela era tão jovem e parecia ter energia, vontade, interesse..., no entanto, era como se um pequeno alarme soasse na mente da mulher. Aexperiência de vida a ensinou tantas coisas.

Puxou o ar lentamente enquanto a unha batia sutilmente contra o vidro da sua taça de vinho.

— Tudo bem, bem vinda a bordo, Sakura. – Ela abriu a carteira e tirou um cartão com um número impresso e o nome Shion Nakamura. – Na segunda ligue para a Shion e avise que conversamos, ela vai te passar tudo certinho e vai cuidar do contrato.

Ela quase não se continha.

—Obrigadaaa! ai meu Deus, nem acredito!

Mikoto sorriu e então voltando a se concentrar no almoço, ela mudou de assunto:

—Então... o que aconteceu com seu rosto?

Os olhos da Haruno vacilaram um instante totalmente arregalados. um ar melancólico e tão triste formou-se.

—Ah... uma longa história. Tem a ver com uma garota que me persegue e me odeia.

—Meu deus, ela te agrediu?

A garota sorriu sem jeito.

—Eu odeio essas coisas violentas... bem, não foi a primeira vez..., mas tudo bem, eu conversei com ela.

—Não pode deixar coisas assim só... acontecerem impune!

—E não vai! Eu estou cuidando disso, eu já registrei ocorrência e to levando para a instância judicial é o certo.

—Faz bem, querida, faz bem! – Mikoto colocou a mão sobre a dela e a olhou nos olhos – Você é bastante controlada e correta, tenho certeza que tudo ficará bem.

Sakura sorriu e apoiou-se na mão da mulher e no seu conforto.

(...)

Ele sentiu a tensão no primeiro aperto de mão quando entrou naquele casarão. A família Hyuuga pareceu a Sasuke muito bem financeiramente. tinham uma boa propriedade, uma bela casa... obviamente, em um bairro bem afastado do centro já próximo a saída. era claro que Hiashi não era do tipo urbano e não parecia disposto a voltar a vivência da cidade cotidiana. pelo que entendeu, já bastava o trabalho na empresa familiar, da Neji também tomava frente. A coisa ficou ainda mais esquisita e um clima um tanto... problemático, enquanto Hinata – que nem o um pouco convencida da história acidente – tentava arrancar de Neji a verdade, Hanabi parecia um ser de outra dimensão e Konohamaru, sim, o jovem namorado e mais novo agregado da família, parecia ver tudo em cores vibrantes. Honestamente, Sasuke achava que o garoto poderia ser idiota por brincar com fogo logo com Hiashi Hyuuga. era claro o olhar maníaco do homem para ele. será que ele também foi esganado em algum momento e isso afetou a oxigenação do cérebro o deixando meio pancadinha? não... ou será que sim?

— Esse belo peixe foi pego por seu... namorado, canelinha – Sasuke engasgou-se ligeiramente com a água que bebia. ainda não conseguia aceitar um homem daquele tamanho, com aquela estupidez sanguinária tratando sua Hina como um bebe. canelinha? céus... Ele olhou para Hinata que tinha as bochechas em chamas enquanto Konohamaru achava fofo e expressava isso – cala a boca, é irritante – rosnou para o jovem que tocou no ombro do patriarca Hyuuga.

—Aí sogrão, fala sério... isso é fofo, tem algum apelidinho para a Hana também, hm?

A faca apertou mais forte contra a cerâmica do prato arranhando sinistramente. Hanabi estava vermelha segurando a vontade de rir, talvez fosse mais diabólica do que deveria. Neji, por sua vez, olhava atentamente como quem esperava uma reação. Hinata negava tão tensa, e o que os visitantes talvez não soubessem era que uma aposta havia sido feita pelos herdeiros sobre o que viria a seguir.

— Abelhinha! – Hinata bateu palmas atraindo a atenção e desviando o ódio líquido de Hiashi.

—Estraga prazeres – rosnou Neji baixinho enquanto Konohamaru ria.

—Abelhinha, que fofo... – então ele parou – mais porque abelhinha?

as duas irmãs se encararam rapidamente ruborizando, mas foi Neji que respondeu:

— Hinata adora canela e doce, e Hanabi...

—Não ouse – rosnou a Hyuuga mais nova.

—Era roliça como uma salsicha de Suna. viciada em porcaria e shakes doce.

—Papai! – gritou a garota

—E bem agressiva, a língua afiada como ferrão. – Neji completou.

Ela estava tão vermelha, mas não era só vergonha, era como um vulcão preste a explodir.

—Ela vai surtar – suspirou Hinata. Sasuke, naquela altura, não sabia se achava graça, loucura ou cotidiano, quer dizer, em parte era quase como ver uma reunião de família. obviamente Uchihas não eram tão controlados. eram temperamentais e muito sensíveis a determinados temas. intensidade é a palavra.

—Hanabi, não haja como se os seus irmãos tivessem culpa. vamos ter um jantar normal. temos visita.

—É... – Konohamaru concordou.

—Não você! – Hiashi fez uma careta para o garoto.

—Oi? magoei...

Ele pigarreou.

— Então, canelinha, já conheceu a família do seu namorado?

Pela segunda vez, Sasuke se engasgou enquanto Hinata ficava escarlate. Ela ia abrir a boca para negar, afinal, eles mal haviam começado aquela relação, e tais coisas não foram necessariamente conversadas. e indo mais fundo, a única razão para aquele jantar de oficialização Hyuuga estar acontecendo, era porque seu pai o adiantou e as coisas também só aconteceram seu controle.

— Ainda não, mas pretendo em breve. Minha mãe vai oferecer um jantar beneficente em sete dias e quero usar a ocasião para oficializar.

—Ou... certo, certo. muito bom. Isso mostra sua verdadeira intenção. Um homem correto, mantém a luz seus contratos.

—Isso é tão velho! – murmurou Hinata enfiando comida logo em seguida na boca. seu pai falava com os mesmos velhos costumes do interior. tinha certeza que se seu avô estivesse ali, Sasuke teria que lidar com uma espingarda, isso sim! graças a deus seus avós moravam tão, tão distante...

Sasuke esboçou um sorriso miúdo e por baixo da mesa agarrou a coxa da garota apertando a fazendo sobressaltar e ruborizar enquanto os dedos ligeiros dele subiram rápido demais pela saia do seu vestido. O rubor tomou sua face enquanto ela tentava só parecer "normal" diante da família.

—Oh, vamos lá, canelinha, não precisa ficar com vergonha do seu velho. Sabe como eu sou... protetor com minhas menininhas...

Ela mordeu o lábio ligeiramente com força enquanto o rubor atingia níveis absurdos quando os dedos do Uchiha atingiram o meio de suas pernas e acariciou sobre sua calcinha. Ela o olhou em um misto curioso para o garoto de olhos negros. Havia alguma súplica e também um brilho ganancioso, havia vergonha, mas também devassidão. oh deus, ele sentiu seu pau latejar naquele momento. estava brincando com fogo e na casa do diabo.

como se necessitasse disso, Hinata esboçou um sorriso e disse:

— Eu sei – segurou um gemidinho, mas no lugar suspirou – ainda bem que seus rifles de caça ficam bem guardados, tinha medo que pudesse... – ela nem precisou terminar, os dedos do Uchiha saíram bem rápido de onde estavam e ela sorriu mais o olhando.

Hiashi balançou a mão em um gesto de displicência.

—Eu já tive minha conversinha ontem com o Sasuke aqui, não é? tenho certeza que não preciso mostrar minha coleção de armas.

—N-não senhor.

—Já pro outro... – resmungou olhando para Konohamaru, que alheio ao peso da conversa, sorriu fazendo um joinha.

(...)

Ele digitava bastante enquanto repassava outra vez o que estava fazendo, e por Deus como aquilo era um saco. seus dedos doíam, sua cabeça doía, seu ego... acontece que, depois de acordar pelado ao lado de seu melhor amigo depois do porre, e depois de ter visto sua ex tão... ele não sabia o que o incomodava mais, a vergonha alheia de ter dado a bunda, ou a inconveniência de Hinata tê-lo "aparentemente" superado. Seu ego não foi só ferido, ele foi massacrado naquela noite, principalmente quando pequeninas coisas convergiam para um lugar que o assustava. odiava tanto ter incertezas, se sentir mais estupido do que de costume ou que as pessoas só...

ok, ele foi um merda, ele entendeu essa parte, ele entendeu que o cosmo também estava o punindo de algum modo, e agora ele entendia que teve a oportunidade de viver algo da qual ele nunca aproveitou de verdade. ele esteve tão centrado no futuro, que esqueceu o presente. ele tinha apenas olhos para a miragem que Sakura era em sua vida, que não notou o oásis que o universo lhe entregou de bandeja. talvez sua avó e sua mãe tivessem razão sobre sua maturidade, mas de fato não importava, não é? ele ainda se sentia atormentado com as próprias palavras para a Hyuuga, sobre ser egoísta pela felicidade. Ele não foi egoísta, foi mesquinho... era diferente. Ele sentia que perdeu algo importante, ele perdeu tanto porque ele nem mesmo conhecia aquela garota que esteve ao seu lado tantos anos. ele mal sabia detalhes dela. qual era sua cor favorita? sua bebida? ela teve um cachorro? Qual é o programa favorito? e o seu filme? Ao contrário disso, ele sabia tudo sobre Sakura e tais informações agora só pareciam tão pesadas como um fardo.

suspirou se afastando da mesa e se levantou. Assim que abriu a porta do quarto para pegar uma lata de energético, do final do corredor ele podia ouvir a nova discussão entre seus pais vinda do quarto do casal. Parecia que a coisa toda em vez de amenizar se tornava pior a cada dia. Seu pai mal parava em casa e sua mãe... bem...

ele não ligava de todo modo. com sorte, logo ele não estaria mais naquela casa. Ele voltou ao seu próprio quarto trazendo consigo logo o engradado da bebida, só para não ter que sair outra vez, e com raiva ele bateu a porta do quarto a trancando em seguida, não queria ser perturbado e muito menos ficar ouvindo a briga dos outros. Abriu uma das latinhas e se sentou frente ao notebook, só que dessa vez voltou com uma ideia mais interessante que o trabalho, e depois de poucos minutos ele tinha uma conta fake perfeitinha da qual ele mandou convites para todas as redes sociais da Hyuuga, afinal, mal não fazia dar uma leve stalkeada em como ela estava, não é?

Sentia os nervos ao máximo e a ansiedade consumi-lo. passou os dedos entre os fios loiros jogando-se para trás e encarando o teto do quarto.

—O que eu to fazendo? Eu tenho uma namorada e estou... igual um idiota atrás da minha ex...

"o que você sabe dela de verdade, seu imbecil?"

Ele levantou-se abruptamente depois de ter se lembrado de algo tão simplório. dirigiu-se ao seu armário e tirou de lá uma caixa de uma parte dos fundos e de dentro dela ele tirou um antigo, porém muito conversado anuário que tinha as letras relevos prateadas: Turma de 2016 e as iniciais do colégio. Ele jogou-se em sua cama e abriu as páginas que continham fotos, anotações, assinaturas e muitas lembranças com entrevistas e citações de tantas pessoas. Com um gesto natural, ele olhou de cara as suas. o time de futebol, os grupos, os amigos, as citações e aspirações... sorriu pensando como tanta coisa mudou e como tantas outras se concretizou, inclusive era estranho ver fotos suas junto de Sasuke ou de como eram tão próximos... a verdade era que aquele anuário parecia uma relíquia ou máquina do tempo.

Voltou do início e começou a procurar quem o interessava: Hyuuga Hinata. ela estava tão diferente ali, era uma garota estranha, sempre com aquelas roupas idiotas e largas. os óculos pareciam grandes demais para alguém tão miúdo e o aparelho não era um problema em si, só os eixos metálicos nele. ela quase sempre estava corada nas fotos. Ele notou como ela tinha extras. ela fez parte do clube de jornalismo, do de teatro, clube atlético – isso ele nem fazia ideia – ela estava na banda e laboratório extra de biologia. fazia parte do decatlo e clube de xadrez.

—Era tão nerd, credo! – murmurou notando algo simples que estava na sua frente e ele nunca se deu conta: Hinata era doce, delicada, empenhada e em uma das fotos que ela estava com o uniforme de física e sem os óculos, ele viu como na verdade ela era muito, muito mais bonita do que realmente se mostrava no dia a dia. era uma beleza singela, ímpar... pura e inocente.

Sorriu melancólico ao chegar à assinatura do seu anuário feito por ela. eram palavras gentis, estimuladoras e apaixonadas. havia o tom da declaração romântica que ele nem ao menos se dera conta na época. sendo sincero, ele nem se lembrava de ter lido aquilo e agora, depois de cinco anos ele percebia-se tão estupido. próximo a dedicatória da Hyuuga, estava a da Haruno, ele havia deixado uma parte apenas para a sua paixão obsessiva. e lá estava: comum, genérica, vazia e superficial de alguém que nunca se importou... aquelas palavras refletiam exatamente como Sakura era.

De repente, enquanto aprofundava-se mais naquilo e tentava descobrir mais coisas da morena, foi como se um tijolo tivesse acertado sua cabeça finalmente. um rompante e ele se sentou abruptamente com o anuário bem aberto em suas pernas. Sempre, sempre... de um modo ou de outro lá estava, ele custou a acreditar enquanto passava as páginas, uma após a outra e outra e mais outra até finalmente perceber em três fotos em conjunto de turma, time e banda e grupo de teatro. ele a olhava em todas elas, não estava louco. ele sempre esteve próximo e distância e aquilo parecia uma descoberta do século para o Uzumaki

— Sasuke era apaixonado pela Hinata! PUTA QUE PARIU, como eu não notei antes?

Ele gargalhou e de repente o sorriso morreu. era real, aquela porra era real...

—Sasuke sempre foi apaixonado pela Hinata!

Saiu com uma garota que odeio

Pela atenção

Ela só aguentou dois dias

Que bela conexão

É como se você fizesse qualquer coisa

Pela minha afeição

Você está fazendo tudo

Das piores maneiras

Eu estava a fim de você, mas já superei

E eu estava tentando ser legal

Mas nada está dando certo

Então deixa eu soletrar

A-B-C-D-E, foda-se você

E sua mãe

E sua irmã, e seu trabalho

E seu carro quebrado