A/N: Essa é minha primeira fic. Pelo menos, a primeira que lanço em público. Escrita originalmente em Inglês, como forma de desenvolver minha habilidade de escrita nessa língua. Resolvi publicá-la também em português, visto que: 1) É minha língua materna; e 2) Se já temos poucas fics de Harry/Luna em inglês, imagina em português. A maioria dos termos foi traduzida conforme a versão brasileira, menos nomes próprios. Algumas pequenas estrofes de música foram mantidas em inglês, com uma tradução livre logo abaixo [entre parênteses].
Sobre Esmeraldas e Luas Pálidas
Harry chegou ao Salão Principal às oito horas, sentindo-se internamente incomodado, mas tentando não deixar transparecer em sua expressão. Ele estava em um estado de espírito particularmente reflexivo, e começando a se arrepender de ter decidido ir à festa. Um grupo de garotas próximas estava olhando para ele, lançando-lhe graus variados de olhares de ressentimento, inveja e pena. Ele fechou a cara e devolveu o gesto, fazendo com que o grupo desviasse o olhar, ligeiramente envergonhadas. Não demorou muito, porém, para que elas começassem a cochichar rapidamente, seus olhos se voltando para alguém no topo da escadaria, e os olhos de Harry se arregalaram e seu coração deu um pulo involuntariamente quando ele identificou seu par descendo as escadas.
Luna estava usando um vestido deslumbrante — cetim azul-celeste, sem alças, que descia até seus pés. Ela também se absteve de usar seus Espectrocs e os brincos de rabanete, em vez disso optando por usar um par de brincos de jóias de prata discreto. Ela estava usando seu cabelo dourado solto, aparentemente um pouco mais arrumado. O rímel em seus cílios e o delineador levemente aplicado e a sombra emolduravam seus olhos de lua clara perfeitamente. Harry não se importava com o que as outras garotas estavam pensando; ele estava sorrindo, honestamente surpreso com o quão linda a garota estava.
"Hey", ele cumprimentou seu par. "Você está maravilhosa," disse ele, antes que ela pudesse cumprimentá-lo de volta. Ele tentou não transparecer surpresa demais, temendo que ela pudesse se ofender.
"Obrigada, Harry. Você está muito bonito também," ela sorriu amplamente.
"Podemos ir?" perguntou Harry, oferecendo-lhe educadamente o braço.
"Com certeza. Zonzóbulos estão na espreita, devemos partir," ela apontou seriamente, antes de aceitar seu braço estendido. "Onde é a festa?"
"Sala do Slughorn. Vamos indo." Ele a guiou escadaria acima, finalmente se afastando dos olhares e sussurros. Depois de algumas curvas, Harry diminuiu o ritmo. "Eu sinto muito por antes, uh, elas —"
"Harry," ela interrompeu, apertando suavemente sua mão. "Estou tão acostumada com as pessoas falando de mim quanto você está. Tá tudo bem."
Harry acenou com a cabeça, triste por ela estar certa: os dois eram alvo de fofocas e comentários maldosos há anos. Esse pensamento o fez sentir-se estranhamente mais próximo de sua amiga loira. Ele a admirou em sua visão periférica, sorrindo (e quase tropeçando no processo). Ela estava com o olhar fixo à sua frente, com uma expressão serena; deste ângulo, ela parecia angelical.
"Você chegou a ouvir que um vampiro supostamente estará na festa?" ele perguntou depois de alguns momentos.
"Ah, Rufus Scrimgeour?" perguntou Luna.
"Eu — o quê?" disse Harry, estupefato. "Tipo, o Ministro da Magia?"
"Sim, ele é um vampiro", disse ela com naturalidade. "Embora poucos saibam disso. Meu pai escreveu um extenso artigo a respeito..." ela seguiu contando sobre como o Ministério estava supostamente encobrindo a verdade — a verdade sendo que Scrimgeour era um vampiro. Harry duvidava que fosse verdade, mas estava acostumado com Luna repetindo as visões ridículas de seu pai e, honestamente, não estava com humor para discutir, já que sons de música, risos e vozes indicavam que eles estavam se aproximando do escritório de Slughorn. Talvez esta noite não seria tão ruim, afinal.
"Olha, chegamos! É lindo!" ela exclamou. E, de fato, era.
O teto e as paredes foram adornados com cortinas de esmeralda, carmesim e ouro, de modo que parecia que todos estavam dentro de uma vasta tenda. A sala estava lotada e abafada, e banhada pela luz vermelha lançada por uma lâmpada dourada ornamentada pendurada no centro do teto, na qual fadas reais esvoaçavam, cada uma uma partícula de luz brilhante. [...] [Príncipe Mestiço, p.315]
"Harry, meu garoto!" ele estremeceu, chateado ao reconhecer a voz familiar chamando por ele. Alguns segundos depois, eles foram arrastados por Slughorn para um semicírculo de pessoas que Harry nunca tinha visto antes. Lá se ia sua esperança de que a noite não fosse ser tão ruim.
"Harry, gostaria que você conhecesse Eldred Worple, um antigo aluno meu ..." mas os olhos de Harry, em vez disso, se concentraram na figura alta e morena ao lado de quem quer que seja que Slughorn o estava apresentando. Era definitivamente o vampiro sobre o qual ele tinha ouvido falar; seu nome era aparentemente Sanguini, e ele parecia tão entediado quanto o próprio Harry estava de ser apresentado ao dito Sr. Worple.
"Eu estava justamente dizendo ao Professor Slughorn outro dia, 'Onde está a biografia de Harry Potter pela qual todos nós estamos esperando?'" disse o homenzinho de óculos.
"Er," Harry semicerrou os olhos em confusão, "você estava?"
"Tão modesto quanto Horace descreveu!" gritou o homem. "Mas, falando sério," — o homem assumiu um ar todo profissional — "eu ficaria muito feliz em escrever eu mesmo — as pessoas estão ansiosas para saber mais sobre você, meu garoto! Ansiosas! Bastam algumas entrevistas, podemos terminar o livro em questão de poucos meses!"
"Eu definitivamente não estou—" Harry começou, mas o homem o interrompeu, já sentindo a negativa.
"Oh, não há necessidade de tomar sua decisão no calor do momento! Tome o tempo que for para refletir sobre isso!" o homem acrescentou apressadamente, esfregando as mãos. "Só estou dizendo que é melhor ouvir tudo de você do que da boca de outra pessoa, não concorda?" ele perguntou, e Harry não conseguiu identificar pelo seu tom se o comentário era um conselho ou uma ameaça. Ele franziu a testa.
Um momento depois, o homem voltou ao seu jeito profissional como se nada tivesse sido dito. "Imagine! 'A Vida Mágica de Harry Potter: Biografia Autorizada do Menino que Sobreviveu'! A infância do Escolhido! Seus primeiros desafios em Hogwarts! Aventuras de arrepiar o sangue! Do ostracismo a garoto-propaganda do Ministério! A luta épica contra Você-Sabe-Quem! Fama, família, futuro! Interesses amorosos… "O homem continuou falando, dizendo tudo com tanto entusiasmo que deixou de notar a expressão de Harry endurecendo exponencialmente com cada frase que ele dizia.
O homem pareceu perceber que havia dito algo errado, enquanto pateticamente tentava consertar o inconsertável. "Mas não há necessidade de entrar em detalhes, veja bem — nós apenas daríamos um gostinho, para saciar as massas, quero dizer —"
"Eu vou pegar uma bebida," cortou a voz fria de Harry. Ele abruptamente deu as costas para eles, sua expressão sinalizando que ele não tinha a menor intenção de retornar.
Ele vagou por entre os grupos de bruxas e bruxos, reconhecendo alguns de relance, mas sem prestar atenção em ninguém em particular. Sua cabeça estava cheia e ele se sentia nauseado. Ele tirou sua capa de invisibilidade do bolso, sem se importar se alguém poderia vê-lo, e a jogou sobre a cabeça. Ele se dirigiu ao balcão do bar, onde um duende de aparência carrancuda estava limpando algumas xícaras, parecendo particularmente incomodado.
"Cerveja Amanteigada, Whisky de Fogo, Escama de Dragão, Hidromel?" ele perguntou, nem mesmo levantando os olhos de sua tarefa enquanto Harry se sentava no banquinho em frente ao balcão. Harry não ficou surpreso que o duende pudesse ver que ele estava ali, mesmo estando invisível.
"Talvez mais tarde, obrigado," Harry murmurou de volta, não recebendo resposta do duende. Ele suspirou profundamente.
Era difícil entender o que ele estava sentindo. A beleza da sala ao seu redor de repente não conseguia mais alcançá-lo; ele parecia tão raso e, ao mesmo tempo, o buraco era tão profundo que ele poderia ser engolfado e se afogar nele.
"Você parece triste. Se importa se eu sentar com você? " Luna sussurrou, tirando-o fora de seus pensamentos.
"Oh, claro," foi tudo que Harry conseguiu dizer. Ele não queria conversar agora, principalmente porque ele ainda estava transtornado com as palavras que acabara de ouvir, mas de alguma forma ele não estava irritado com a presença de Luna. Ela emitia uma aura tão calmante ao seu redor. "Desculpe ter deixado você sozinha lá."
"Ah, está tudo bem. O vampiro era bastante interessante."
"Como você sabia que eu estava aqui?" Harry perguntou, começando a se questionar por que diabos ele trouxera a capa de invisibilidade se todos pareciam saber onde ele estava.
"Se eu te contasse, você acreditaria em mim?," ela perguntou simplesmente.
Harry considerou sua resposta. Luna frequentemente dizia e fazia coisas difíceis de acreditar; ainda assim, depois dos Testrálios — e depois das vozes atrás do Véu — Harry começou a questionar se isso era verdade, afinal. As visões e opiniões de Luna eram realmente tão ridículas assim? "Claro que sim, Luna. Você é minha amiga."
Luna sorriu, visivelmente saboreando ser chamada de amiga, mas ainda assim não entrou em detalhes. Ela simplesmente se sentou ao lado dele, enquanto o duende irritado perguntou se ela queria algo para beber, e por que diabos ninguém no balcão do bar estava realmente pedindo bebidas.
"Posso continuar com isso um pouco? Eu não queria que ninguém me visse. Se estiver tudo bem para você, quero dizer — deve ser estranho conversar com ninguém, não é? " Harry ofereceu a garota. Ele realmente não queria ser visto pelos outros agora, mas também não queria ser rude com ela.
"Não seja bobo, Harry! Você não é ninguém. Você é alguém," disse a garota, com seu tom usual de naturalidade. Harry suspirou. Ele não quis dizer isso nesse sentido, mas ele amava a maneira como ela pensava sobre as coisas. "Sim, acho que você está certa", respondeu ele.
Mas ele não conseguia parar o influxo de tristeza de voltar à sua mente. Ele ficou quieto por alguns longos momentos. Luna permaneceu sentada ao lado dele, imitando sua postura e olhando para o teto encantado da sala. Uma pequena parte dele, ciente do momento presente, estava feliz pela paciência dela.
As palavras "Vida Mágica de Harry Potter" ainda estavam gravadas em sua mente. Mágica…? Sim, ele estava feliz que a vida tivesse mais a oferecer do que sua existência miserável antes do Mundo Bruxo... e ainda assim, agora tudo parecia que nem importava mais. Bruxo ou não, famoso ou não... teria ele sido mais feliz, afinal? Certamente sua vida atual era melhor do que viver em uma casa tóxica com parentes abusivos. Mas, levando em conta todas as coisas, ele havia sofrido mais em seus últimos dois anos "mágicos" do que em todos os seus anos anteriores somados.
Tendo descoberto a verdadeira causa da morte de seus pais, apenas para que isso fosse sua própria sentença de morte — na mira de um assassino em massa. Tendo descoberto que era famoso, só para ser uma maldição — virando a mídia, o governo e até amigos contra ele. Tendo conhecido Sirius, apenas para tê-lo tirado dele. Tendo conhecido tantos amigos, para eles sofrerem constante perigo mortal só por serem amigos dele — sendo ele, Harry, o único capaz de acabar com esse sofrimento. Nenhum pode viver enquanto o outro sobreviver. No final das contas, o que a magia lhe trouxe, senão o desespero, a perda de entes queridos e o medo de perder ainda mais deles?
"Eu sei que você está triste. Você pode desabafar, se quiser. De qualquer forma, estou aqui," finalmente disse Luna, e ela agora estava pedindo duas bebidas coloridas, balançando os pés para frente e para trás enquanto descansava os braços cruzados no balcão do bar.
"Obrigado. Por estar aqui," disse Harry. Ele finalmente tirou a capa para olhá-la nos olhos. Ele se perguntou se deveria deixar sair o que estava sentindo, e o que ela pensaria dele. Ela devolveu o olhar dele, e lá ficaram eles, olhando um para o outro por um período de tempo indefinível.
"Está tudo bem. Estou ouvindo", ela o encorajou, enquanto colocava a mão em seu joelho e o apertava levemente. As bebidas chegaram e Harry tomou um bom gole enquanto organizava seus pensamentos. Era cremosa e doce, mas sem dúvida alcoólica, e ele podia sentir o gosto de abacaxi e o que parecia ser côco. Era uma delícia. Harry respirou fundo antes de se dirigir a Luna.
"Eu... eu sinto que nada mais faz sentido, como se não houvesse significado no que eu faço ou deixo de fazer." Ele parou um pouco, já que estava ficando emocional de novo, mas fez o possível para manter a calma. "Você ouviu o que ele disse, eu só sou famoso por eventos horríveis e dolorosos. Já passei por tantas coisas — coisas terríveis, e agora acho que estou quebrado, sabe?" ele suspirou, mexendo em sua bebida, depois deu outro grande gole, enquanto Luna bebia um pouquinho de seu próprio drink, sem tirar os olhos dele.
Ele olhou para o nada. "Cada vez que estou feliz, algo ou alguém vem para roubar essa felicidade. Eu não tive infância. Nem família. Minha vida nunca foi de aventuras; eu estava sobrevivendo! Depois eu perdi minha única família, e agora meu futuro também." Ele olhou para todas as pessoas ao redor deles, dançando e conversando na festa, e fez um arco com a mão.
"Elas são alheias a tudo isso. Elas são apenas... pessoas normais. Elas não vão entender. Eu… não sei se você vai entender, mas... eu me sinto... vazio, sabe?" Mas desta vez sua voz falhou, e ele não conseguiu conter o fluxo de lágrimas que caía lentamente por seu rosto. Ele terminou sua bebida antes de continuar. "Eu sinto como se tivesse perdido algo que não sei o que é, e depois esquecido... e agora sua ausência é um lembrete constante desse vazio em mim. Como uma sombra que não consigo definir," elaborou Harry.
Ele não queria soar tão dramático; talvez toda aquela coisa de que o 'álcool te deixa falante' fosse verdade, afinal, ou talvez ele apenas precisasse tirar isso tudo do peito, de uma forma ou de outra. Mesmo assim, ele pensou que, se alguém iria entender, seria Luna. A garota deu um suspiro profundo.
"Bem... eu me sinto assim, às vezes," e Harry percebeu que ela tinha um sorriso triste no rosto. "Quando penso na maneira como perdi minha mãe, ou na maneira como as pessoas me tratam. É difícil…" ela disse, e descansou a cabeça no ombro dele. Ela respirou fundo antes de continuar. "Mas às vezes... às vezes eu gosto da ideia de ser vazia. Isso significa que posso preencher o vazio dentro de mim com o que eu quiser. É um pouco assustador, mas também me faz sentir livre. Como se eu tivesse uma escolha."
Harry considerou as palavras dela por um momento. Ele nunca tinha pensado nisso dessa forma. Certamente era assustador; embora também fosse libertador. Ele também ficou triste com a admissão dela de como se sentia sobre o bullying que recebia das outras pessoas. Como alguém podia machucar e dizer coisas maldosas para o anjo que agora estava descansando em seu ombro? Ele gostaria de poder amaldiçoar cada uma dessas pessoas. Eles ficaram assim por alguns momentos, Harry acariciando seus cabelos enquanto ela descansava a cabeça nele.
"E se você não souber com o que preencher?" perguntou Harry, depois de alguns momentos. "E se nenhuma escolha parecer certa?"
"Como você pode saber se não escolhe?" ela respondeu lentamente.
"Mas e se eu escolher errado?"
"Então escolha novamente," disse Luna simplesmente. Ela se endireitou para terminar sua bebida, então sorriu e colocou a mão na dele.
"Mas às vezes... não podemos escolher de novo," disse Harry, desviando os olhos. "Às vezes, nossas escolhas mudam tudo. Isso é o que me assusta," confessou, quase em um sussurro. Ele sabia que estava sendo contraditório. Mesmo que ele sentisse que nada do que fazia importava... às vezes ele também desejava que o destino do mundo repousasse sobre os ombros de outra pessoa.
"Não seja tão duro consigo mesmo, Harry. Ninguém sabe como viver," disse Luna, movendo o rosto dele com a mão para que ele a olhasse em seus olhos. "Temos que ir descobrindo à medida que avançamos. Então, por favor, não se coloque pra baixo assim, nem se afaste," disse ela, enquanto acariciava a linha de seu queixo, com um toque carinhoso que o fez estremecer por todo o corpo. "Como tenho certeza de que você se importa comigo, eu também me importo com você. Nós somos amigos. Posso não ter suas respostas, mas sempre podemos dividir nossas perguntas."
Ela sorriu calorosamente para ele. Harry estava feliz por tê-la escolhido para falar sobre seus sentimentos. Ela tinha razão, não era uma resposta, mas a ideia de ter alguém que realmente se importasse com o que ele estava sentindo foi o suficiente para ele sorrir de novo, embora ainda estivesse um pouco triste.
"Obrigado, Luna... Estou um pouco triste agora, mas não vou me isolar. Vai passar, eventualmente…," ele concluiu, sorrindo para ela. Ele se levantou do banquinho e estendeu a mão para ela. Segurando-a pela mão, ele a conduziu pela sala, movendo-se lentamente. Eles vagaram um pouco, Harry guiando-a através dos grupos de pessoas.
Ele estava indo para o centro da sala, onde as pessoas estavam dançando, até que então — sobre o mar de cabeças e chapéus — ele viu Slughorn se aproximando deles, rapidamente. Segurando sua mão com força, ele sinalizou para ela. Eles intensificaram o ritmo, mudando o curso e se abaixando ligeiramente para se fundir sob o mar de pessoas. Eles se esconderam apressadamente em um canto distante, atrás de um grande pilar e flanqueados por uma adega alta.
Espiando além da quina, ele murmurou para ela, entre profundas transpirações. "Ufa — nós escapamos dessa!" Eles riram, encostando-se um no outro para ganhar fôlego, a adrenalina fazendo-os respirar mais rápido. Ele nem sabia por que era tão engraçado, mas compartilhar este momento com ela, depois do que ela fez por ele... isso o encheu de alegria renovada. Então, ainda tentando controlar o riso um pouco e recuperando seu fôlego, ele a abraçou instintivamente — surpreendendo à garota e até a ele mesmo. No entanto, não parecia errado. De jeito nenhum. Harry se sentiu mais calmo, mais feliz. Luna era uma companhia tão boa…
"É engraçado, não é?" disse ele em seu ouvido, recompondo-se depois de alguns momentos. "Eu sempre pensei que a magia pudesse resolver qualquer coisa, mas... foram suas palavras que me ajudaram esta noite." Ela sorriu para isso, embora ele não pudesse ver.
"Bem, meu pai diz que minha mãe costumava dizer a ele: embora vivamos em um mundo mágico, com palavras mágicas... a verdadeira magia está nas pessoas que amamos."
Ele estremeceu, seu coração começou a bater mais rápido. Ele poderia se acostumar com esse tipo de conversa. Esse tipo de toque...
'Espera aí, de onde veio essa ideia?' ele se perguntou, arrepiando-se levemente enquanto Luna acariciava o cabelo de sua nuca, e ele a apertava contra seu peito. Seu cheiro o atingiu como um trovão — seu perfume era intoxicante, uma fragrância doce com uma mistura de girassol, baunilha e algo que ele não conseguia identificar. Isso o fez sentir-se como se estivesse sendo transportado para um pomar, pela sombra de árvores frutíferas, deitado com ela na grama, a luz do sol refletindo em suas mechas douradas... o vento soprando ao redor deles...
Hermione escolheu este momento preciso para aparecer, meio abaixada, meio correndo para o canto discreto e sombrio deles; ela estava vindo de uma direção em que só Harry podia ver. Mais tarde, ela lhe diria que estava apenas fugindo de McLaggen. Ela parou imediatamente, congelada no espaço, ao ver o abraço do casal; e foi nesse momento que Harry percebeu que estava abraçando a loira já por alguns bons minutos agora, em uma proximidade bastante íntima.
Hermione deu a ele o mais leve dos sorrisos, fazendo-o corar profundamente, então se virou e rapidamente desapareceu de vista. Embora estivesse envergonhado, ele se surpreendeu ao perceber que não queria deixar Luna ir de jeito nenhum, então eles apenas ficaram lá, balançando um pouco no mesmo lugar enquanto sentiam o calor um do outro.
À distância, ele podia ouvir uma música lenta dos anos 70 começando a tocar. Seu coração começou a bater mais rápido e sua garganta ficou subitamente seca. Esta última hora com Luna tinha sido tão... diferente. Um milhão de pensamentos começaram a pipocar em sua cabeça, pensamentos que ele nunca esperaria mentalizar...
'Pare. Não pense demais.'
It's a little bit funny
This feeling inside
I'm not one of those who can
Easily hide
[É um pouco engraçado
Esse sentimento por dentro
Eu não sou daqueles que conseguem
Simplesmente esconder]
"Você gostaria de dançar essa comigo?" sussurrou Harry em seu ouvido, reconhecendo que a música era, de fato, Your Song de Elton John.
"Ah, eu adoraria!" ela exclamou, iluminando-se. Ela ergueu as mãos até que estivessem posicionadas sobre os ombros dele, então deu meio passo para trás para que pudessem se olhar nos olhos. Ele estava feliz por ainda poder sentir o cheiro do doce perfume dela àquela distância. Eles sorriram um para o outro, mas apenas por um momento. Ela olhou para ele com firmeza, balançando lentamente em resposta a seus movimentos.
Enquanto dançavam, Harry estava tendo dificuldades para se concentrar na melodia, letra ou mesmo no ritmo da música, porque o lindo rosto de Luna tinha roubado todos os seus pensamentos. Ele nunca a tinha visto tão de perto — ela sempre teve aquelas pequenas manchas de verde e azul-oceano em seus olhos? E aquelas bochechas inchadas e rosadas, contrastando sua pele de porcelana? 'Merlin, no que estou pensando...?'
Eles balançavam de forma descoordenada, mas Harry não se importou. Ele tentou um pequeno giro e ficou encantado ao ver Luna rodopiar graciosamente sob sua mão, seu cabelo brilhando em um movimento rápido, fluindo como se fosse feito para isso. Ela girou de volta para seus braços, batendo suavemente em seu peito.
"Nós somos péssimos dançarinos", ela comentou com indiferença, sorrindo pacificamente. No entanto, o sorriso dela não impediu Harry de rir nervosamente. Luna percebeu sua rigidez repentina. "Ah, mas estou gostando! Eu nunca dancei com outra pessoa! E um amigo, ainda por cima! Estou tão feliz!"
"Mesmo? Eu também nunca dancei com ninguém. Estou gostando também, de verdade... — disse Harry em voz baixa. E ele estava. A pequena figura de Luna se movendo contra seu corpo o estava fazendo suar por razões diferentes do que deveria. As palavras escaparam de sua boca antes que ele pudesse suprimi-las. "E estou muito feliz por ter sido com você."
E com essas palavras, e com o brilho que ele tinha em seus olhos de esmeralda, o sorriso dela mudou.
I hope you don't mind
I hope you don't mind…
That I put down in words
How wonderful life is
While you're in the world…
[Espero que não se importe
Espero que não se importe…
Que eu coloquei em palavras
Como a vida é maravilhosa
Enquanto você está no mundo…]
O que era isso que ele estava sentindo? O tempo parecia estar quase parando, mas, ao mesmo tempo, parecia que estava tudo acontecendo rápido demais. Seus olhos dispararam para os lábios rosados e brilhantes dela, e ele sentiu seu coração saltar com a imagem. Sua mente ficou nublada. O som da música era um sussurro em seus ouvidos. Como ele chegou a isso? Em um momento ela o estava confortando, no próximo ele estava tendo todos esses pensamentos engraçados sobre a textura de sua boca e a suavidade de sua pele...
Mas todos esses pensamentos foram rapidamente deixados de lado quando, mais uma vez, as esmeraldas se encontraram com pálidas luas cheias, ambos em brilho pulsante. Aqueles olhos pareciam adentrar em sua própria alma, procurando por respostas para uma pergunta que ele nem sabia que havia feito.
Yours are the sweetest eyes I've ever seen
[Seus são os olhos mais doces que eu já vi]
Maldito seja você e sua Legilimência, Elton John. No crepúsculo de distantes luzes douradas, Harry não pôde evitar finalmente admitir para si mesmo: ele queria se afogar naqueles olhos.
"Harry?" ela sussurrou, seus olhos disparando entre os olhos dele e seus lábios.
"S-Sim?" ele meio gaguejou, meio murmurou; sua garganta seca tornando difícil emitir qualquer som sem quebrar.
"Eu fico tendo esses pensamentos bobos..." ela deixou escapar, sem tirar os olhos dos dele um único momento, e Harry poderia jurar que a viu mordendo o lábio de relance.
"Talvez sejam os Zonzóbulos?" Harry murmurou de volta, antes de engolir em seco com a proximidade deles.
"Não ... eu não acho que sejam," Luna deu um tipo diferente de sorriso, um que Harry nunca tinha visto em seu rosto: um de provocação. Como se ela estivesse tentando decifrar a mesma coisa que ele. E embora as engrenagens em sua cabeça já tivessem desistido, as de seu coração tinham acabado de entrar em pleno movimento...
Uma crescente mistura de desejo e ansiedade começou a fazê-lo se aproximar dela lentamente. Os olhos dela eram como labirintos, onde ele procurou e procurou, até finalmente encontrar o vislumbre de um espelho — um reflexo do mesmo desejo que ele próprio sentia. Seu coração poderia explodir em seu peito a qualquer momento. Ele queria espiar mais de perto. Só um pouco mais perto...
How wonderful life is
While you're in the world…
[Como a vida é maravilhosa
Enquanto você está no mundo…]
Eles estavam impossivelmente próximos. Luna engoliu em seco, piscando rápido — enquanto a respiração de Harry já podia acariciar seu nariz. Ele segurou sua bochecha esquerda por instinto, e seus olhos finalmente deixaram suas esmeraldas para olhar para seus lábios, a alguns centímetros de distância. Ele olhou para ela, um olhar buscando um sinal — sua última pergunta muda. Ela cruzou o resto do espaço até que seus lábios se tocaram suavemente.
E então Harry a beijou. Com ternura e lentamente no início, prendendo o lábio inferior dela e massageando-o com os seus; em seguida, exigindo entrada em sua boca. Ela tinha um gosto suave de cereja, com apenas um toque quente de álcool. Seu gosto, sua mão apertando em sua nuca... isso o enfeitiçou. Seu cérebro entrou em curto-circuito e, de repente, tudo o que existia em seu mundo era o gosto dela, sua fragrância, seu calor. A sensação da pele dela contra a dele.
Depois de um tempo indefinível, ele deu uma mordida suave em seu lábio inferior, antes de se afastar alguns centímetros. Seus olhos continuavam focando alternadamente dos olhos dela para seus lábios, suas bochechas coradas, seu corpo tremendo.
"Que sorte..." ela sussurrou, respirando apressadamente entre suas palavras. "Ter minha primeira dança... e meu primeiro beijo... na mesma noite... com você..." ela olhou profundamente em seus olhos com a última frase.
O coração de Harry saltou em queda livre. Ele sorriu brevemente, mas não conseguiu conter a expressão de encanto em seu rosto. "Não... eu sou o sortudo..." ele enquadrou as maçãs de seu rosto com os polegares, enquanto entrelaçava os dedos em seus cachos dourados. "Vagando sozinho, no escuro... eu finalmente encontrei a luz da lua que estava procurando," ele sussurrou. Ele não se importava se estava sendo cafona ou clichê. Tudo o que importava era...
Ele a beijou novamente, desta vez colocando tudo o que estava sentindo em seus lábios. Ela aprofundou o beijo, massageando sua língua e traçando carícias com a mão em seu peito; ele precisou de todo o seu autocontrole para não prendê-la na parede ali mesmo. Suas mãos vagaram pela parte superior do corpo dela, primeiro seus braços, então suas costas, descansando finalmente com uma mão em sua cintura e outra em seu rosto.
No final das contas, ele de fato a prendeu contra a parede — embora não de maneira indelicada —, ganhando um gemido baixo contra sua própria boca, que foi o som mais excitante que ele já tinha ouvido. Eles quebraram o beijo sem fôlego, apenas para ela olhar para ele com os olhos semicerrados e as bochechas avermelhadas, convidando-o para mais.
A música começou de novo, mas ele não se importava nem um pouco com o mundo ao seu redor. Vendo aquela expressão, ele a atacou novamente, e agora sua mão esquerda brincava com a lateral de seu vestido, apertando-a logo acima da cintura, tocando sua pele nua. O corpo dela estava queimando como fogo e, embora fosse inverno, ele podia sentir que começava a suar. O êxtase, o calor, o gosto... era como nada que ele já tivesse experimentado antes. Isso o deixava absolutamente louco. Ele a pressionou involuntariamente contra a parede com o joelho sob a saia do vestido.
"He-hem", eles ouviram alguém limpando a garganta em tom zombeteiro à esquerda. Um Harry muito envergonhado soltou uma Luna sem fôlego e muito vermelha para ver Ginny e Dean olhando para eles com sorrisos maliciosos. Ele nem sabia que eles tinham vindo para a festa. Na verdade, Harry não tinha pensado em Ginny nas últimas horas.
"Não precisam ir pro quarto, sonho com este dia há tempos," comentou Ginny. Harry não sabia dizer se ela estava sendo sincera ou se ele podia ver uma sombra de tristeza em sua expressão, ou talvez ambos. "Sério, na real; vocês dois ficam tão legais juntos, e estou muito feliz por vocês," acrescentou ela, agora sorrindo amplamente.
"Obrigada, Ginny," foi Luna quem respondeu, ainda corada, mas com um lindo sorriso no rosto. Harry não pôde deixar de sorrir também.
"'Legais'? Acho que 'pegando fogo' seria mais preciso!" disse Dean, espantado. Ginny ergueu uma sobrancelha antes de arrastá-lo para longe, dando ao casal uma última piscada em seu caminho para o meio da sala lotada. Os olhos de Harry voltaram-se para Luna quase que instantaneamente.
"Bem... isso... uau," Harry respirou, olhando para os lábios de Luna. "Isso foi—"
"—incrível," Luna respirou de volta. Ela estava encostada na parede, uma das mãos mexendo na gola da camisa dele, a outra remexendo com os cabelos da nuca dele.
"Sim..." ele a pegou pela cintura com as duas mãos, prendendo-a novamente. "Foi incrível. Você é incrível. Luna—" seu coração ameaçou pular pela garganta. Ela o olhou, metade em expectativa, metade ansiosa para voltar ao que estavam fazendo. "Você... você quer sair comigo?"
"Sair? Sair tipo... como amigos?" ela perguntou tentando esconder um sorriso, e Harry ficou surpreso ao ver que a garota normalmente tão aérea estava, de fato, o provocando. Era outra nova parte dela que ele estava descobrindo de repente. E ele adorou.
"Não... não como amigos," ele respondeu em voz baixa, tentando transmitir todas as suas intenções em seu olhar. Ele não deu mais detalhes, mas sabia que ela entendeu a mensagem.
Ela se inclinou e sussurrou em seu ouvido: "Eu adoraria, Harry," acariciando seu pescoço com seus longos dedos enquanto ela se recostava, parando ainda mais perto dele. Eles estavam a apenas alguns centímetros de distância e ela só tinha olhos para a boca dele.
"Então, é um encontro," ele sussurrou. Ele acariciou seu lábio inferior com o polegar. "Eu meio que não queria ter interrompido o que estávamos fazendo."
"Bem, então..." ela entrelaçou as duas mãos na nuca dele. "Vamos voltar de onde paramos, antes que os Narguilés—" mas ela não teve tempo de terminar a frase, pois Harry atacou seus lábios outra vez. Ele não tinha a menor intenção de pensar em Ginny, ou profecias, ou qualquer outra coisa. Naquele momento, seu coração estava decidido — e ele só tinha olhos para aquelas luas pálidas.
