Olá, pessoal! Cá estou eu com mais uma narrativa! Ando bem distante das fanfics ultimamente, estou meio enferrujada hahahah Mas me diverti muito desenvolvendo a ideia para esta fanfic e escrevendo este primeiro capítulo, espero que gostem!

Gostaria de dedicar essa estória ao meu amor, カイオゆたか林, que sempre me apoia e me incentiva a não desistir do meu sonho de escrever e de criar mundos de fantasia!

Um beijo grande e boa leitura, pessoal!


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A Rainha

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Capítulo 1

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Aquele que carrega a coroa deve ser capaz de suportar o seu peso.

Para Sakura, felizmente, esse ensinamento não causava nenhuma preocupação: esbanjava-se dos privilégios da nobreza sem moderação e, sendo a terceira dos filhos de um rei forte e saudável, as chances de algum dia ter as responsabilidades de um monarca eram muito, mas muito ínfimas. Obviamente, quando criança ela se aborrecera muito quando soube que, segundo a ordem, primeiro seu pai governaria, depois seu irmão mais velho, depois sua irmã mais velha e depois ela mesma, mas que muito provavelmente nem mesmo sua irmã chegaria ao trono pois quando seu irmão se casasse e tivesse seus próprios filhos, sua linhagem tomaria a linha de sucessão do trono. Essa notícia muito chateara Sakura. Como uma criança que crescera com muitas regalias, ela gostava de mandar e, principalmente, de ser obedecida. Que posto melhor para satisfazer esses simples desejos que o de rainha de uma nação?

À medida em que crescia, entretanto, e via seu pai cansado após longas reuniões com conselheiros e noites em claro lendo pilhas de papéis em seu escritório, a ideia começou a não parecer mais assim tão agradável. Então, quando seu querido irmão precisou se afastar das brincadeiras entre os três irmãos para passar horas aprendendo com tutores e com o pai coisas sobre geografia e política, aí sim Sakura teve certeza de que ser um monarca não tinha tantas vantagens assim. Vantagem tinha ela! Brincava no palácio por horas, pouquíssimas pessoas lhe diziam ''não'', participava de festas e vivia uma vida cheia de alegrias e poucas responsabilidades até então.

Aos poucos, o sonho de se tornar rainha se tornou uma aversão. Responsabilidades sem fim não combinavam com Sakura, e ela mal esperava pelo momento em que seu primeiro sobrinho nascesse e acabasse de uma vez por todas com qualquer chance por menor que fosse de que ela, algum dia, se tornasse a monarca.

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''Joga logo uma carta, Ino!'' Sakura aborreceu-se, bufando enquanto olhava sua melhor amiga franzir o cenho pela trigésima vez para as cartas em sua mão tentando decidir qual jogar.

''Calma, eu ainda estou pensando!'' retrucou a loira

''Pensar não vai colocar mais cartas na sua mão, joga uma logo!''

Ino trocou uma carta do baralho em sua mão de lugar e franziu o cenho novamente

''Sai disse que temos que antecipar os movimentos do inimigo e nunca tomar decisões às pressas'' respondeu calmamente

Sakura colocou suas cartas viradas para baixo em seu colo e começou a bater os dedos da mão direita na mesa de vidro à sua frente com impaciência.

''Se fosse um inimigo de verdade e você levasse tanto tempo para tomar uma decisão ele já teria passado por cima de você''

Ino apenas lhe lançou um olhar feio e continuou analisando suas cartas.

''Se você não jogar uma carta agora eu não jogo mais com você!'' Sakura deu um ultimato, cruzando os braços na frente do corpo ''você já está pensando faz uns 20 minutos, esse jogo não vai acabar nunca nesse ritmo!''

Ino impacientemente jogou qualquer carta na mesa, visivelmente aborrecida por não conseguir decidir a melhor estratégia.

''Ganhei'' Sakura disse, lançando uma carta de seu baralho e abaixando as outras. Ela reclinou-se na cadeira em alívio por aquela partida eterna ter finalmente terminado e suspirou. Ino arregalou os olhos e abaixou suas cartas na mesa insatisfeita.

''Está vendo! Você não me deixa pensar e eu perco as partidas!''

''Você perde as partidas porque você não tem experiência'' Sakura corrigiu

Ino fez uma careta e se encostou na cadeira. Sakura soltou uma risadinha e empurrou-a levemente pelo ombro.

''Vamos! Você está fazendo progresso! Sai realmente é um bom professor'' disse com um sorriso

Ao ouvir o nome do pretendente, Ino abriu um sorriso ''Realmente é! Temos passado muito tempo juntos!''

Sakura sorriu e se levantou, indo se sentar no sofá de frente para a lareira da sala. Ino sentou-se do seu lado e começou a contar-lhe sobre a tarde maravilhosa que passaram juntos no dia anterior. Sakura ouvia tudo com um sorriso no rosto, muito feliz por ver o sorriso da amiga de infância tão radiante. Depois do que passara, um bom companheiro seria excelente para elevar os ânimos de Ino.

Foram interrompidas minutos depois quando uma servente entrou na sala onde conversavam:

''Vossa Alteza, Lady Ino'' cumprimentou ''Alteza, eles chegaram'' informou, curvando-se e posicionando-se ao lado da porta.

''Ah, muito obrigada! Desceremos neste instante!'' Sakura respondeu com animação, levantando-se e se dirigindo à porta, seguida de perto por Ino ''faz tempo que Temari e seus filhos não vêm visitar, estou com muita saudade das crianças!''

Ao chegarem ao salão principal, rapidamente foram avistadas pelas duas crianças que acompanhavam a princesa, que abriram um largo sorriso ao avistar a tia.

''Sakura onee-san!'' gritou o menino enquanto corria em sua direção

Sakura abriu os braços e o envolveu em um abraço apertado, afagando seus cabelos loiros

''Sakura onee-san, veja! Já caíram mais dois dentes meus!'' disse ao alargar o sorriso e apontar com o indicador os dois buraquinhos que se formaram onde os dentes caíram

''Caramba! Você realmente está crescendo, não é?'' Sakura sorriu com orgulho, bagunçando seu cabelo

A menina, poucos anos mais velha, aproximou-se para abraçar Sakura também, em seguida olhando com desaprovação para seu irmão

''Só um dos dentes era pra cair, o outro foi de quando ele caiu das escadas do salão de festas enquanto se dependurava no corrimão''

Sakura suprimiu uma risada. Realmente, o castelo ficava muito mais animado quando as crianças vinham visitar.

''Comportem-se'' disse Temari, aproximando-se do grupo ''Sakura! É bom vê-la, vejo que não mudou nada''

Sakura soltou um sorriso divertido

''Não se muda o perfeito, Temari''

A mais velha revirou os olhos e se virou para Ino

''Lady Ino, é um prazer revê-la! Por favor, perdoe as crianças''

Ino sacudiu uma mão na frente do rosto

''Não é nada, Vossa Alteza! Os pequenos duques sempre contagiam tudo com essa energia!'' disse quando as crianças correram para outra sala. Temari soltou um leve sorriso.

''Não achei que fosse vir tão cedo, o casamento é apenas daqui duas semanas'' comentou Sakura enquanto acompanhavam Temari e seus criados para o quarto onde ela ficaria durante sua estada.

''Alguém precisa ajudar mamãe com os detalhes do casamento, não é mesmo?''

Sakura cruzou os braços

''Oras, eu estou aqui!''

Temari lhe lançou um olhar cético e instruiu as criadas que deixassem as malas para que ela mesma as desfizesse antes de se dirigir a Sakura sem olhá-la.

''Esse casamento precisa ser impecável, pensado nos mínimos detalhes. Você, que não dá a mínima para as tradições reais e desconhece o significado das palavras responsabilidade e dever, não pode ser encarregada de uma tarefa desse porte''

Sakura e Ino trocaram olhares arregalados e Ino não conseguiu suprimir uma risadinha. Sakura fechou a cara:

''Bom, divirta-se arrumando os preparativos do casamento com mamãe então. Se precisar de mim, não se incomode em me chamar, porque depois dessa não vou ajudar nem que papai peça'' disse e saiu batendo o pé para fora do quarto.

Não conseguiu dar nem três passos resmungando antes de dar de cara com seu pai e seu irmão, que subiam a escada para aquele andar discutindo algo com olhares preocupados.

''Papai! Gaara!'' Sakura cumprimentou ''Não apareceram para o jantar ontem''

Os dois homens, que não haviam notado a presença das duas até que Sakura falasse, levantaram os olhares para elas e responderam rapidamente que havia muito a se fazer, mas que estariam presentes no jantar aquela noite. Após o rei depositar um leve beijo na testa de Sakura e Gaara bagunçar os fios rosas com uma mão, os dois continuaram a passos largos para a sala de reuniões.

''Eles andam bastante ocupados, não é?'' comentou Ino, olhando para o final do corredor onde suas figuras acabaram de desaparecer.

Sakura deu de ombros e seguiu em direção às escadas.

''Não é fácil ser rei, Ino'' começou ''que bom que tem gente para fazer isso por nós, não é?''

Ino deu uma risada

''Ah Sakura, sinto tanta pena de seu irmão. Logo irá se casar e deve ter visto a noiva o quê? Umas duas vezes? Está sempre enfurnado com Sua Majestade debatendo assuntos políticos''

Sakura parou em frente a uma janela e olhou vagamente para o horizonte

''Sinto falta dos tempos que passávamos juntos também'' comentou baixinho

A expressão no rosto de Ino murchou; ela sabia que apesar de Sakura tentar não demonstrar, sentia muita falta mesmo do irmão. Sempre fora mais próxima dele do que de Temari, que procurava ser muito rígida com os protocolos reais e se incomodava com a forma desleixada de Sakura de levar as coisas.

Ainda quando eram crianças, Sua Majestade, o rei, começou a se concentrar em educar Gaara para as tarefas reais, deixando as duas meninas aos cuidados da rainha. Ela, por sua vez, não demorou para perceber que Temari levava muito mais jeito para a realeza do que Sakura, e que deveria focar seus esforços em conseguir para ela um bom casamento e moldá-la para ser um modelo de princesa. Sakura, bem, ela era a mais jovem e com baixíssimas chances de assumir o trono, então sua formação poderia ser delegada para outra pessoa, já que sua única obrigação seria se casar com alguém em benefício do reino. As rédeas sempre foram mais frouxas para Sakura, já que nada se esperava dela. Sakura nunca reclamara de nada disso; sentia-se grata por não exigirem nada dela e por ter pouquíssimas obrigações. Mesmo assim, não podia deixar de sentir-se mal por lhe ter sido tirado seu irmão, o único da família que realmente se importava com ela e a tratava como se fosse importante para a família.

''Bem, e a noiva, como é? Não cheguei a conhecê-la'' perguntou Ino na tentativa de mudar de assunto

Sakura desviou o olhar do horizonte e voltou a descer as escadas

''Nem eu''

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Quando Ino se despediu de Sakura para ir a um compromisso, Sakura se dirigiu aos estábulos. Estar entre os cavalos sempre a ajudava a espairecer.

Como seriam as coisas quando sua nova cunhada se mudasse para o castelo? Disseram-lhe que ela também era de alta nobreza e bastante conservadora; que diria ela quando encontrasse Sakura? Já lhe restavam poucos momentos com seu irmão, como ficaria quando tivesse que dividir esse pouco tempo com a esposa dele? No futuro, quando seu irmão fosse o rei, que tipo de rainha ela seria? Que mudanças faria no castelo?

''Sofrendo com problemas da nobreza?''

Sakura deu um pulo quando ouviu a voz vir do teto do estábulo

''Naruto! Não faz mais isso!" ela repreendeu enquanto o loiro pulava do alto e aterrissava ao seu lado, batendo as mãos nas roupas para tirar o excesso de poeira.

''Não me culpe se você se assusta fácil!'' ele respondeu sorrindo, fingindo dor quando Sakura lhe bateu no braço em repreensão

''Isso não foi assustar'' ela corrigiu ''isso foi surpreender''

'' 'Tá certo'' ele sorriu

Sakura revirou os olhos e continuou penteando o cavalo

''Soube que Temari veio visitar'' ele comentou, pegando outra escova para ajudar Sakura na tarefa ''Isso quer dizer nada de aprontarmos no palácio?''

Sakura resmungou

''Ela não mora mais aqui, podemos fazer o que sempre fazemos e se ela se incomodar ela que volte para a nova casa dela, lá ela pode mandar e desmandar à vontade''

Naruto tirou um lenço branco do bolso e tocou no canto da boca de Sakura com ele gentilmente.

''Escorreu um pouco de veneno aqui''

Sakura afastou a mão dele e soltou uma risada, Naruto gargalhando ao seu lado

''Você é muito idiota'' ela balançou a cabeça, ainda sorrindo ''seu pai não volta para casa mais não? Faz mais de cinco dias que o vejo direto aqui no castelo''

Naruto revirou os olhos

''Esse serviço de chefe da guarda não é moleza, ele tem trabalhado bastante, mamãe só tem eu em casa para descontar sua raiva de ter que gerir tudo enquanto ele está fora''

Sakura riu

''Gosto muito de sua mãe, acho que vou fazer-lhe uma visita amanhã, o que acha?''

Naruto sorriu

''Ela iria adorar, sempre fica muito feliz quando vê você. Acho que dragões se reconhecem''

Sakura jogou a escova nas costas de Naruto

''Você vai ver quem é o dragão!'' ela exclamou, pulando nas costas dele e lhe bagunçando o cabelo

Naruto ria e corria pelo estábulo com Sakura nas costas gargalhando

''Mamãe ainda guarda o seu 'paninho' como uma relíquia, e suas bonecas estão todas guardadas no meu quarto, uma injustiça!'' ele comentou entre risos

''Até a Yuuki?''

Naruto colocou uma mão na testa

''Ela está na prateleira e às vezes me causa pesadelos''

Sakura riu alto e Naruto a colocou no chão

''Parece que foi ontem que você decidiu modificar o cabelo da boneca e cortou o meu cabelo enquanto eu dormia para fazer o novo cabelo dela'' Naruto balançou a cabeça ''não pude sair de casa por semanas e o resultado na boneca ainda ficou horrível!''

''Seu cabelo que era ruim, meu implante capilar ficou perfeito'' Sakura empinou o nariz

''Você odiou e pediu para que jogassem a boneca fora, mamãe quem insistiu que ela adorou e quis guardar. Achei que ela fosse ficar em choque pelo que você fez em meu cabelo, mas ela só riu alto e chamou papai para ver'' Naruto relembrou com um suspiro ''acho que se ela pudesse teria adotado você, não sei como pode alguém gostar tanto de uma menina arteira assim!''

Sakura mostrou-lhe a língua

''Acho que sou especial'' ela respondeu sorrindo

''Especialmente atentada, isso sim!'' ele corrigiu

''Vamos ver se nossos pais aceitam nos trocar então, não me importaria de passar as tardes com sua mãe enquanto você passa com minha irmã chata e seus discursos sobre minha inadequação à família!'' riu ''abençoado seja o dia em que ela se mudou daqui ao se casar com o príncipe herdeiro vizinho Shikamaru, pobre homem de pouca sorte''

''Mas que dramática! Pois saiba que sua irmã costumava me tratar muito bem quando crianças!''

''Isso foi antes de ela descobrir que ao invés de ajudá-la a me colocar na linha você entrava na minha onda e ainda colocava lenha!''

Naruto concordou com a cabeça em derrota

''Acredito ter mandado informar aos dois que são esperados para o jantar em duas horas'' uma voz imperativa soou do outro lado do estábulo. Ao virarem-se para a direção da voz, Naruto e Sakura puderam ver contra o sol uma figura imponente e visivelmente aborrecida.

''Vossa Alteza'' Naruto fez uma reverência

''Senhor Uzumaki, como Marquês jurado à coroa, esperava que não compactuasse com a imaturidade de minha irmã. A coroa espera muito de você, e seu pai também''

Naruto retesou um momento e abaixou a cabeça. Sakura virou-se inteiramente para a irmã e cruzou os braços.

''Estaremos no jantar daqui duas horas, Temari, você deveria ir se aprontar logo, pode faltar-lhe tempo''

Mesmo contra o sol, foi claramente visível para Naruto e Sakura o enrijecer da postura de Temari e como seu rosto se contorceu. Ela começou a andar a passos largos e imponentes na direção da dupla e Naruto estremeceu.

''Ai, Sakura, agora você nos colocou em uma situação delicada''

Mas Sakura não se deixou abalar, não estremecendo nem mesmo quando Temari postou-se bem à sua frente com lábios crispados e olhos zangados.

''Permita-me refrescar sua memória, Sakura'' começou, a voz controlada, mas extremamente ameaçadora ''Você não está na mesma posição que eu. Ponha-se no seu lugar, sua rebeldia não combina com a posição de alto cargo que lhe foi agraciada. Sua irreverência não será mais tolerada. Espero você no jantar impecavelmente arrumada, como condiz com sua posição, mas não se esqueça que, de nós, você é a menor''

Ditas essas palavras, a princesa se virou e graciosamente caminhou para fora dos estábulos.

Naruto ficou um tempo parado sem saber o que fazer, então suspirou e virou-se para Sakura. Sua surpresa foi vê-la visivelmente se esforçando para não deixar cair as lágrimas que se formaram no canto de seus olhos.

''Sakura...''

Ela engoliu as lágrimas e virou-se de costas para Naruto.

''Essa garota!'' disse soltando uma risada forçada ''Bem, meu irmão tem mais com o que se preocupar do que comigo. Só temos uma coisa para fazer agora'' terminou com seriedade

Naruto esperou temeroso até que ela completasse

''Temos que estar lindos para roubar as atenções de Temari neste jantar!'' ela terminou, virando-se para ele e lhe oferecendo um sorriso e uma piscadela.

Naruto soltou a respiração aliviado e engajou-se na animação:

''Vou vestir minhas melhores roupas!''

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O jantar estava relativamente tranquilo. Ino trocava algumas palavras com a rainha, que esteve ensinando-lhe técnicas de bordado nos últimos dias; o rei conversava com Minato sobre a última caçada e enaltecia repetidas vezes as habilidades do chefe da guarda com uma arma; já Naruto tentou conter suas brincadeiras com Sakura na presença de seu pai e do rei, mesmo com Sakura provocando-o algumas vezes. Os olhares repreensivos de Temari de nada a assustaram, pois sabia que ela não ousaria repreendê-la na frente de Sua Majestade, não cabia a ela essa função. O jantar foi interrompido quando um criado entrou no salão de jantar com uma reverência e disse que um mensageiro trouxera uma mensagem de grande importância para Sua Majestade. Rapidamente, o rei, Gaara e Minato pediram licença e saíram do grande salão, trocando olhares cheios de expectativas.

Quando as grandes portas que davam ao salão foram fechadas, um silêncio pairou na mesa de jantar. Sakura o quebrou:

''Pergunto-me do que se trata essa mensagem urgente que tirou os três da mesa de jantar''

Temari fechou os olhos em aborrecimento

''Isso são assuntos que não lhe dizem respeito''

Sakura lançou-lhe um olhar irritado e retrucou

''Pelo visto nem a você''

Naruto encolheu-se na cadeira quando as duas princesas travaram um olhar mortal de seus lugares à mesa. Mebuki tentou amenizar a situação, limpando a garganta e comentando enquanto depositava seus talheres na mesa:

''Temos apenas que agradecer que temos homens fortes na liderança para resolverem esses assuntos. Resta-nos apenas confiar neles e fazer nossa parte para garantir o bem-estar da família''

Temari engoliu o pedaço de frango que mastigava e soltou:

''Que bom que alguns de nós se importam com isso''

Sakura bateu uma mão na mesa e se levantou, pronta para brigar com Temari

''Sakura!'' sua mãe repreendeu, olhando-a com reprovação ''isso não são modos de uma princesa''

Sakura sentou-se novamente, visivelmente irritada

''Eu não quero mais ser princesa! Deixem-me ir embora deste palácio e ir morar em qualquer outro lugar! Não aguento mais viver aqui!''

Mebuki chocou-se com a declaração de Sakura e precisou de um segundo para se recompor, visivelmente triste com o que ouvira.

''Não pode mudar o que você é, Sakura. Resta a você aceitar a tarefa que lhe foi dada pelos céus e cumpri-la com a maior excelência possível, isso é o que é esperado de nós da realeza''

Sakura torceu o nariz

''Então mande-me para outra casa nobre, longe daqui! Posso cumprir minhas funções muito bem de outro lugar''

Temari soltou uma risada irônica

''Que funções? Ridicularizar nossa família com sua imaturidade? Menosprezar os pilares da nobreza que mantiveram os reinos em pé durante séculos? Convenhamos, Sakura, pouco é esperado de você e mesmo assim um cão de caça faria um trabalho melhor''

Sakura abriu e fechou a boca repetidas vezes, mas não encontrou as palavras que procurava para dizer. Seu rosto se contorceu enquanto dentro de seu corpo passavam milhares de emoções diferentes, mas nenhuma palavra saiu de sua boca.

Naruto limpou a garganta.

''Este frango está uma delícia'' comentou para Ino do outro lado da mesa.

O jantar seguiu com um clima pesado, Sakura dirigindo olhares repletos de ódio para a irmã do outro lado da mesa, enquanto Temari continuava sua refeição sem se incomodar.

Após a janta, todos foram se reunir na biblioteca a pedido do rei, que logo se juntaria a eles para um chá antes de se deitarem.

Sakura escolheu o canto mais distante dos outros, próximo a uma janela, e começou a folhear um livro qualquer, esforçando-se para parecer concentrada e com isso evitar que alguém viesse importuná-la. Não estava em clima de conversa. Em sua mente, milhares de pensamentos sobre como se vingar de sua irmã surgiam - nenhum que Sakura tivesse coragem de realizar, mas mesmo assim, ela se satisfazia imaginando a postura rigorosa de sua irmã se desfazendo ao ser pega por alguma de suas ideias de vingança.

Demorou mais um pouco até que finalmente as portas se abrissem e os três homens entrassem com um largo sorriso no rosto. Sua Majestade, o senhor Kizashi, mal podia esconder sua felicidade quando andou em direção a sua esposa e deu-lhe um selinho, sorrindo abertamente para todos. Sakura estranhou a mudança de humor no pai, que nos últimos meses estava geralmente com um semblante preocupado e que, mesmo tentando esconder nos momentos em família para não preocupar ninguém, Sakura notava seu olhar distante e pensativo mesmo quando estavam apenas os dois conversando. Gaara não andava muito diferente, sempre alerta e andando de um lado para o outro no palácio, saindo para várias pequenas tarefas de seu pai e, quando não estava fazendo algo para seu pai, estava com ele e com o chefe da guarda na sala de reuniões com os membros do conselho resolvendo que quer que fosse que eles tanto discutiam.

Hoje, porém, tudo parecia diferente: Gaara estava sentado confortavelmente em uma poltrona, os ombros - pela primeira vez em bastante tempo - relaxados, enquanto seu pai batia levemente com orgulho em seu ombro e sorria abertamente para todos. Minato, sempre muito sério com seu serviço, parecia verdadeiramente contente também, emitindo uma energia positiva de dever cumprido.

''Por favor! Os melhores vinhos!'' esbravejou o rei, e - mesmo sem entender nada -, os serviçais se apressaram a atender seu pedido com certa animação, tão contagiante era a alegria do monarca.

''Mas que é que estamos celebrando?'' indagou Mebuki sem entender, mas também sem conseguir esconder a felicidade que a contagiara.

''O fim de um longo conflito, minha querida!'' explicou o rei ''Um longo e desgastante conflito! Finalmente foi colocado um ponto final nele, com termos muito mais que vantajosos para ambos os lados!'' respirou fundo, como se o ar que entrasse em seus pulmões agora fosse outro, mais limpo e agradável ''Finalmente teremos um período sem problemas por - se tudo correr bem - um longo tempo!'' finalizou, murmurando a última parte para Minato, que sorria abertamente também.

''Ah, a situação que tanto discutiam com o conselho?'' concluiu Mebuki

''Essa mesma!'' concordou Kizashi ''Como estendeu-se essa situação... Somente Deus para entender! Mas'' puxou pelo ombro o capitão da guarda ''com um grande homem como esse ao meu lado, orientando-me a todo o momento, não tinha como o final se desenrolar de qualquer maneira se não com a glória e paz!''

Minato corou e tentou dizer que sua parte foi ínfima e sim Sua Majestade quem tivera o papel fundamental para boa diplomacia, mas Kizashi não quis ouvir, chamou tudo de baboseira e voltou a enaltecer seu velho amigo e melhor conselheiro. Naruto não podia esconder o orgulho que sentia do pai, o sorriso de orelha a orelha e os olhos marejados denunciavam tudo o que sentia.

Sakura estava feliz que tudo havia acabado bem. Mas tudo o quê? Ela nem sabia o que estava acontecendo.

''Hmmm então, agora podem contar para todos o que era essa situação?''

O rei fez sinal para Gaara e pediu, com orgulho, para que seu filho explicasse toda a situação e como tudo se resolveu nos devidos conformes.

''Perdoem-nos por não as deixar a par das reuniões que viemos tendo com o conselho e entre nós três há tanto tempo, realmente nossa intenção era não as importunar ou preocupá-las com esse tipo de situação'' gracejou ''Como sabem, temos vizinhos rebeldes que no passado faziam parte do reino, mas após uma conspiração-''

''Oh, poupe-nos de política, Gaara!'' interrompeu Temari, fazendo sinal para que uma servente entregasse-lhe uma taça de vinho, enquanto ela própria pegava duas em suas mãos e levava uma para seu pai ''O que importa é que nosso maravilhoso pai, honroso capitão da guarda e amado príncipe herdeiro resolveram a situação com maestria, como sabíamos que fariam''

Sakura largou o livro e se aproximou de Gaara

''Continue, quero ouvir mais!'' pediu

''Um brinde aos homens deste castelo! Os pilares desta família e protetores deste reino!'' a voz de Temari soou alta e todos se uniram ao brinde.

''Gaara, conta, vai!'' suplicou baixinho para o irmão, mas Gaara parecia entretido com a celebração

''Mais tarde, está bem? Acho que agora finalmente terei um pouco mais de tempo para passarmos juntos e prometo deixá-la a par de tudo o que couber a você saber'' prometeu, depositando-lhe um beijo na testa e se afastando para conversar com o pai.

Sakura ficou visivelmente aborrecida, gostava de saber das coisas. Mas mesmo assim, não podia deixar de se sentir tranquila e feliz vendo a tranquilidade e despreocupação que seu pai e irmão emitiam; sabia que andavam muito estressados e que quer que fosse que haviam resolvido com certeza faria bem à família.

''Não sei do que se trata, mas que bom que tudo acabou bem!'' alegrou-se Ino ao seu lado, oferecendo-lhe uma taça ''Agora sim o casamento vai ser bom, com o clima ansioso dos homens antes nem mesmo eu estava animada para a celebração!''

Sakura soltou uma leve risada

''Realmente''

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Como Ino previra, as organizações para o casamento sofreram um aumento exponencial. O rei dizia que teriam mais convidados e que ele queria que fosse a maior festa de todos os reinos, pois seu filho era um herói. Praticamente todos os funcionários do palácio estavam engajados de alguma forma com o casamento, ajeitando os mínimos detalhes. Ino e Sakura gostavam de passear pelas áreas que estavam sendo montadas e opinar sobre as decisões de Temari sobre a decoração.

''Até parece que o casamento é dela'' caçoou Sakura ''pelo menos mamãe está entretida, ela gosta de uma festa como ninguém'' Sakura disse e pensou por um momento ''como ninguém além de você'' corrigiu, sendo acompanhada de risadas da melhor amiga.

Sakura não via Naruto desde aquele dia: Kizashi insistiu que Minato passasse os próximos 5 dias com sua família para descansar de seus deveres e aproveitar a sensação de um trabalho bem-feito. Naruto, é claro, voltou com ele para casa. A melhor parte de todas era que Gaara finalmente tinha um tempo livre para passar com ela, e estava tão mais feliz e despreocupado que tinha prazer em acompanhar a irmã e Ino em algumas atividades. Elas o encontraram nos estábulos penteando seu cavalo.

''Onde está sua pontualidade, Vossa Alteza?'' ironizou Sakura com um sorriso

Gaara desviou o olhar para as duas

''Mas já está na hora? Céus, perdi o tempo nesta tarefa!'' ele disse, rindo de si mesmo enquanto guardava a escova e acariciava o cavalo ''Agradeço por ter mantido Suna em forma enquanto eu não podia cavalgar, ele realmente gosta de você'' disse para a irmã enquanto colocava o grande cavalo novamente no estábulo.

''Deixou-o todo arrumado, vai a algum lugar hoje?'' Sakura perguntou, olhando como o cavalo aprontado para quando a família saia em visitas reais. Geralmente, o tratador de cavalos se incumbia de preparar os garanhões para tais eventos, mas Gaara gostava de aprontar Suna ele mesmo.

''Ah sim, Papai e eu vamos'' ele disse ''Sobre o assunto do outro dia, a rebelião foi controlada e estamos finalmente em paz com esses vizinhos que por tantos anos nos causaram problemas. Agora, vamos fazer uma confraternização entre os líderes para selar o acordo de forma amistosa'' explicou ''Mas primeiro eu tenho um piquenique com minha querida irmã e com a adorável Lady Ino, não pensem que deixarei de comparecer!''

Ino sorriu e Gaara ofereceu a Sakura seu braço, guiando a dupla para o local onde haviam combinado o café da manhã.

''Aliás, você não me contou ainda essa história completa'' exigiu Sakura

Gaara soltou uma gargalhada

''Sakura é interessada em política, é?''

Sakura deu de ombros

''Eu sou só curiosa mesmo''

''Então vou deixar-lhe mais umas horas curiosa e contar-lhe quando voltar, tudo bem? Precisamos tomar nosso café e logo em seguida tenho que encontrar papai, nosso encontro está programado ainda pela manhã e não seria bom nos atrasarmos'' disse Gaara, soltando o braço de Sakura quando chegaram embaixo da árvore de cerejeira onde todos os seus piqueniques ocorriam - por mais infrequentes que eles costumassem ser.

Sakura não discutiu, seria bom ter uma conversa mais leve durante o café da manhã.

''Experimente os biscoitos!'' disse, oferecendo ao irmão biscoitos em formato de coelho

''Oh, são da Marta?'' ele indagou, colocando um na boca ''Delicioso!''

Sakura e Ino trocaram olhares travessos

''Eu os fiz!''

Gaara arregalou os olhos por um momento e em seguida fez uma careta cética

''Conte outra, Sakura''

''É verdade!'' ela insistiu, rindo, e empurrou levemente o braço de Ino ''Conte a história, você sabe contar histórias melhor!''

Ino esboçou um leve sorriso

''Certa vez, Sakura viu um coelho e quis ficar com ele, mas Sua Majestade, a rainha, não deixou'' ela começou

''Lembro dessa história'' Gaara sorriu ''mamãe ficou horrorizada quando trouxe o coelho todo encardido para o meu quarto e começou a brincar que era seu filho''

''Isso mesmo'' Ino riu ''Pois bem, Sua Majestade se livrou do coelho na primeira oportunidade, e Sakura ficou dias procurando o coelho achando que ele tinha se perdido no castelo. Uma vez estávamos eu e ela procurando por ele na cozinha do palácio, e Marta nos viu e perguntou o que estávamos procurando. Quando dissemos que estávamos procurando pelo coelho, ela fez uma cara triste, descobrimos depois que Sua Majestade havia entregado o coelho para o abate para ser usado na cozinha, mas por sorte outra cozinheira teve pena e convenceu o abatedor a soltá-lo, mas isso que fique em segredo!'' disse baixinho ''Para amenizar a situação, Marta disse que o coelho havia ido procurar uma cenoura mágica, e que deveríamos parar de procurar por enquanto, pois quando ele a encontrasse voltaria para mostrar para nós, e pediu que voltássemos no dia seguinte pois ela tinha algo que gostaria de nos entregar. Foi ótimo, toda frustração de não encontrar o coelho se dissipou e foi substituída por ideias das aventuras que o coelho passaria para encontrar a tal cenoura mágica! Quando voltamos no dia seguinte, Marta tinha feito vários biscoitos em formato de coelho para nós, e eles eram deliciosos! Íamos todos os dias comer biscoitos, até que um dia Temari descobriu e disse para Sua Majestade ordenar que Marta não nos desse mais nenhum biscoito, pois espalhávamos farelo por todo o corredor. Marta, que de boba não tem nada, nos ensinou a fazer os biscoitos, e deu para cada uma de nós uma forma que seu marido, escultor, fez em forma de coelho para darmos forma à massa. Desde então de tempos em tempos fazemos esse doce para nos lembrarmos dos velhos tempos''

Gaara assentiu com a cabeça várias vezes

''É uma boa história! E fico aliviado que apesar dos esforços de mamãe o coelho conseguiu sobreviver! Mesmo tendo sujado minha cama inteira, eu gostava dele também'' sorriu

Sakura sorria também, meio presente no momento e meio perdida em memórias. Realmente, teve várias boas aventuras no palácio, não podia negar.

''E Marta?'' indagou Gaara

''Ah, ela não trabalha mais aqui...'' começou Ino, cabisbaixa

''Seu pai adoeceu e ele mora longe daqui, disse ela'' Sakura continuou ''Ela teve que ir cuidar dele, faz alguns anos já... Sinto muito a falta dela''

Gaara assentiu com a cabeça. Sentia-se mal por não saber isso; apesar de até então não saber totalmente o porquê, sabia que Sakura gostava muito de Marta.

A conversa não pode se estender muito mais, pois logo um servente veio chamar Gaara para irem ao tal encontro que ele mencionara antes.

''Guarde alguns biscoitos para mim, comerei de noite!'' pediu

Sakura colocou um biscoito inteiro na boca e fez uma careta para ele

Gaara gargalhou e levantou uma mão em despedida, seguindo o criado que apressadamente guiava o caminho.

''Bem, acho que ficaremos ocupadas hoje também'' começou Ino, colocando uma última uva na boca e limpando as mãos ''A rainha pediu para que revisássemos pessoalmente se todos os convites para o casamento foram respondidos e para que você mesma escrevesse uma carta para os que não foram reforçando como a presença do convidado no evento seria de grande prestígio para a família''

Sakura franziu o cenho

''Achei que Temari tivesse dito que ficaria responsável por isso?''

Ino deu de ombros e se levantou

''Parece que a rainha queria que você ficasse mais envolvida no casamento e pediu para que Temari delegasse essa função para você, e já adianto que ela atendeu a essa solicitação com muita má vontade, então devemos nos esforçar para que tudo saia dentro dos conformes, se não ela vai implicar com você''

Sakura suspirou e se levantou também, passando a mão no vestido para ajeitá-lo antes de começar a caminhar de volta para o palácio ao lado de Ino.

''Deveríamos ter pedido para acompanhar Gaara e papai hoje, parece que vão se divertir mais do que nós hoje''

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Era metade da tarde e as duas garotas continuavam entretidas com a longa lista de convites enviados, comemorando que reveriam algumas pessoas e fazendo caretas ao ler a carta de confirmação da presença de pessoas de quem não gostavam tanto assim.

''O senhor Hyuuga e sua família irão comparecer!'' Sakura comemorou, os olhos na carta que enviaram em resposta ao convite ''Faz tempo que não vemos Hinata! E Hanabi deve estar enorme, ela sempre foi parceira nas travessuras contra Temari quando estava aqui, para terror do senhor Hyuuga'' ela riu ao relembrar ''Estou curiosa para rever Neji também, o vimos tão pouco, não é? Dizem que os anos lhe fizeram muito bem, que está muito bonito''

''Acho ele sério demais'' contra argumentou Ino, fazendo um risco ao lado do nome de mais uma família que confirmara presença ''Os Uchiha virão também''

''Não é surpresa, eles sempre comparecem em todos os eventos da família real'' Sakura fez pouco caso

''Aquilo sim é uma família com boa linhagem!'' Ino soltou uma risada ''Nunca vi homens tão bonitos em toda a vida!''

Sakura lhe lançou um olhar divertido

''Vou contar isso para o Sai''

Ino apenas deu de ombros

''Ele sabe que tenho uma paixão platônica pelo Uchiha mais novo, mas ele é sério demais para mim, prefiro meu Sai!'' riu

Sakura balançou a cabeça com um sorriso e então seus lábios se fecharam em um bico ao ler o próximo nome da lista de convites não respondidos

''A família Aburame não confirmou, terei que escrever uma carta para eles'' disse, em seguida virando-se para Ino e fazendo uma careta de sofrimento ''Temos mesmo que mandar uma carta para eles? Não podemos fazer vista grossa?'' em seguida arrepiou-se inteira ''O senhor Shino Aburame me deixa tão nervosa com aqueles insetos que ele sempre traz para estudar! Certa vez ele veio me mostrar uma aranha que encontrou no jardim de trás do palácio e eu quase desmaiei'' disse, deixando o corpo cair no encosto da cadeira ''Ele é legal, mas um pouco esquisito, e eu tenho medo dos insetos dele''

Ino apenas entregou-lhe uma folha de papel e a pena.

''Escreva sim, e seja educada, Sakura!'' repreendeu com um sorriso ''O senhor Shino é um ótimo rapaz, e sua família é muito importante para o reino todo atuando no controle de pestes e prevenção de doenças transmitidas por insetos, eles são excelentes pesquisadores''

Sakura bufou, pegou a caneta e o papel e se pôs a escrever.

Alguns instantes depois, um grito ensurdecedor, carregando pura agonia, foi ouvido vindo de outro canto do palácio.

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Sakura e Ino, alarmadas, abriram a porta da sala onde estavam e correram para o corredor, onde vários criados passavam apressadamente em direção a entrada principal do palácio.

''O que será que houve?'' Sakura perguntou para Ino, assustada, mas a loira sabia tanto quanto ela. Rapidamente elas seguiram os criados até o salão em frente a entrada principal do palácio.

A visão que tiveram fez seus corpos estremecerem, algo com certeza estava errado: a rainha estava de joelhos no chão chorando e gritando copiosamente, enquanto Temari passava uma mão em suas costas, o rosto branco e sua expressão denotando puro choque. Vários soldados estavam no salão, e - por mais incomum que isso fosse - todos os membros do conselho estavam presentes também. Minato conversava com outro soldado, de patente alta, e a expressão no rosto deles era assustadora.

Sakura sentiu um frio na espinha

O que estava acontecendo?

Ela não conseguia ouvir nenhuma informação dos cochichos entre os funcionários, tão alto era o choro copioso da mãe. Quando ela se aproximou, Temari lançou-lhe um olhar vazio, como se estivesse vendo através dela.

''Vamos, ajude-me a levar mamãe para seus aposentos''

Sakura concordou com a cabeça e olhou para Ino, que entendeu o recado e ficou ali para tentar retirar alguma informação do ocorido.

As duas princesas tiveram bastante dificuldade em levar a mãe para o quarto, seu corpo estava pesado e enfraquecido. O ajudante do médico da corte foi chamado e as acompanhou, ajudando-as a deitar a rainha na cama e oferecendo algo para beber que deveria ajudá-la a se acalmar. Quando ele terminou, Temari o dispensou e ordenou que ninguém mais entrasse no quarto. Sakura não ousou perguntar o que estava acontecendo, mas pela expressão de Temari e do auxiliar médico, a situação era bastante séria.

Ela só esperava que seu pai e Gaara retornassem logo para resolver tudo, eles saberiam como tranquilizar a todos e resolver o que quer que fosse que tivesse ocorrido, eles sempre resolviam crises de todas as causas com maestria. Com esse pensamento, Sakura tentou se tranquilizar.

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Ficaram no quarto por várias horas, a mãe deitada de lado na cama olhando para a parede com olhos vazios, o rosto vermelho e inchado de tanto chorar, e por vezes ela fungava e fechava os olhos com força e chorava mais um pouco. Temari estava sentada ao lado dela na cama, uma mão segurando a mão da mãe e a outra perto da boca, enquanto olhava para fora da janela com o olhar perdido em pensamentos.

O silêncio no cômodo, quebrado apenas pelo choramingar e fungar da rainha, era para Sakura como uma montanha sobre sua cabeça. Ela não sabia o que pensar, não sabia nada do que estava acontecendo e não tinha coragem de perguntar e desencadear outra crise de choro na mãe.

Após alguns minutos titubeando em perguntar se poderia sair pegar um copo de água para elas - pretexto para descobrir o que ocorrera e se já estavam resolvendo o problema -, houve uma batida na porta. Sakura apressadamente correu para abri-la. Era um dos membros do conselho. Ele olhou para ela um momento e não conseguiu fixar o olhar nas jades verdes repletas de perguntas, então desviou o olhar para baixo e limpou a garganta:

''Lamento ter que incomodá-las em um momento tão delicado, minhas senhoras'' começou ''Mas há uma reunião extraordinária do conselho e precisamos da presença da rainha e das duas princesas''

''Papai já chegou? E Gaara? Eles precisam estar presentes na reunião, parece importante, temos que esperá-los!'' Sakura perguntou com ansiedade

O membro do conselho abriu a boca para falar, mas Temari interrompeu de dentro do quarto:

''Estaremos lá em alguns minutos, por favor aguardem um momento''

O homem pareceu aliviado com a intervenção de Temari e, com uma reverência a Sakura, rapidamente sumiu no corredor.

O castelo parecia silencioso demais, Sakura pensou. Estariam em guerra novamente? Esse pensamento fez seu coração acelerar.

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Sakura e Temari ajudaram sua mãe a se levantar, lavar o rosto, arrumar o cabelo e se recompor. O rosto pálido e apático de sua mãe fez Sakura estremecer.

''Pode ficar se quiser, mamãe, eu e Sakura podemos cuidar disso'' sugeriu Temari, olhando receosa para a mãe

A rainha ficou quieta por um momento e então negou com a cabeça

''É meu dever. Afinal, ainda sou a rainha'' disse, então olhou Temari fundo nos olhos por um instante e assentiu com a cabeça para ela. Temari pareceu entender algo que não fora dito, e assentiu de volta com hesitação.

Sakura se controlava ao máximo para não perguntar o que raios estava acontecendo. Parecia que, como sempre, todos sabiam tudo, menos ela, assim como acontecera na reunião alguns dias atrás.

As três caminharam em silêncio pelos corredores até a sala de reuniões com o conselho. Sakura nunca antes havia entrado ali, era uma sala onde apenas assuntos importantes de Estado eram discutidos e ela não deveria entrar e incomodar os homens que trabalhavam ali. Gaara certa vez descrevera para ela a sala como um lugar grande e intimidador, com estátuas altas que pareciam seguir você com o olhar e julgar suas atitudes. Tudo era marrom e os membros do conselho raramente sorriam, tratavam tudo com muita seriedade, tornando o ambiente bastante tenso para um jovem rapaz aprendendo a governar. Sakura entendeu pela primeira vez a sensação que ele descrevera: a sala de reuniões do conselho era espaçosa e com teto bem alto, com estátuas altas de pessoas sérias e olhos intensos e penetrantes olhando para o centro preenchendo três das quatro paredes. Na parede do fundo, havia o símbolo do reino e quadros com pintura dos reis do passado, todos expressando um olhar severo.

Todos se levantaram e fizeram uma reverência quando as três entraram no cômodo, dezenas de pares de olhos pairando sobre elas. Sakura encolheu-se e seguiu silenciosamente sua mãe e sua irmã até os lugares onde foram levadas para se sentar. Sakura olhou rapidamente os arredores em busca do pai e do irmão para ver se já haviam chegado, mas não conseguiu avistá-los em meio a tantas pessoas presentes.

Levou apenas um momento até que todos os membros do conselho se sentassem e apenas o membro mais velho se mantivesse em pé, ajeitando suas vestes antes de começar a dizer.

''No dia de hoje, um dia que deveria ser de celebração mediante a assinatura da paz entre o nosso amado reino e os Rebeldes, no encontro amistoso para caçar de Sua Majestade, o rei, Sua Alteza Real, o príncipe herdeiro, e o Líder dos Rebeldes, um ataque ocorreu. Uma explosão ocorreu no lugar de confraternização onde os três líderes e seus respectivos acompanhantes se reuniam, causando comoção até em vilas um pouco mais distantes do local'' o homem respirou fundo e limpou a garganta, fazendo seu melhor para não gaguejar ''Sua Majestade e Sua Alteza Real não sobreviveram ao ataque terrorista''

Houve barulho entre os presentes, mulheres começaram a chorar, homens tentaram esconder as lágrimas que insistiam em se formar no canto dos olhos, todos os funcionários do palácio pálidos e visivelmente afetados pela notícia. Até mesmo os sérios membros do conselho não conseguiram esconder sua profunda tristeza quando o representante mais velho proferiu aquelas palavras, dissipando qualquer esperança de que aquela notícia não era real.

Sakura estava paralisada. Seu corpo inteiro rígido, os olhos arregalados olhando para o homem em pé a sua frente procurando qualquer vestígio de que aquilo que dissera não fosse verdade. Suas pernas começaram a tremer e, se ela não estivesse sentada, tinha certeza de que cairia no chão. Sentia que um buraco havia sido formado sob seus pés e que estava sendo engolida na escuridão, caindo no silêncio e no escuro, sozinha. O homem voltou a falar algo sobre o médico da corte e todos os seus ajudantes estarem cuidando dos corpos para o velório, mas para Sakura sua voz estava distante; ela só conseguia ouvir o silêncio ensurdecedor de sua mente, que trabalhava incessantemente em possibilidades de eles estarem enganados e de seu pai e seu irmão entrarem pela porta dizendo que estava tudo bem e que tudo era um tremendo engano. Um terrível engano, tinha que ser. Sua cabeça começou a ficar leve e ela pensou que fosse desmaiar, mas uma mão no seu ombro a fez virar-se para ver Naruto sentado atrás de si, olhando-a fixamente como se pedindo para que fosse forte.

Os olhos de Sakura se encheram de lágrimas e ela segurou com força a mão do melhor amigo, abaixando a cabeça e se permitindo chorar até soluçar baixinho. Ino se aproximara na sua frente e se agachara para ficar na sua altura, acariciando seu braço e seu cabelo gentilmente, com uma expressão triste.

A reunião logo se encerrou, com o representante do conselho dizendo que era muito para se pensar e que outros assuntos importantes seriam abordados mais adiante em uma reunião futura, após a questão do velório ser resolvida. Logo, todos abriram caminho para que a família real passasse, curvando-se e desejando condolências enquanto as três mulheres passavam pela porta e se dirigiam para seus aposentos. Temari decidiu passar a noite com a mãe para que ela não se sentisse sozinha, mas Sakura foi para seu quarto. Ino ofereceu passar a noite com ela, mas Sakura recusou, dizendo que gostaria de ficar só. Com um olhar de preocupação, Naruto e Ino se despediram dela e a observaram voltar a passos arrastados para seu quarto.

Quando fechou a porta do quarto atrás de si, Sakura se encostou no batente e ficou quieta olhando para o chão por um momento. Seus olhos lentamente subiram para sua escrivaninha, repleta de seus pertences pessoais, e pousou na caixa de biscoitos que guardara para Gaara quando ele retornasse hoje.

''Guarde alguns biscoitos para mim, comerei de noite!''

Sakura não conseguiu mais se segurar e caiu no chão do quarto, chorando desesperadamente, liberando toda a angústia dentro de si e murmurando entre lágrimas o nome de seu pai e de seu irmão. O céu estava limpo e era possível ver a lua e as estrelas claramente, sua luz adentrando as janelas do quarto e iluminando o cômodo mesmo com todas as velas apagadas. Mesmo, assim, Sakura nunca se sentira em tamanha escuridão na vida.

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O velório ocorreu dois dias após o ocorrido, para que todos no castelo pudessem organizar o evento e para que os de fora pudessem vir. O clima que pairava no reino todo era sombriamente melancólico; todos amavam genuinamente o rei e o príncipe herdeiro, e sua perda foi sentida por todos os cantos do território. Pessoas de todas as classes sociais e de todos os lugares se mobilizavam para ir prestar suas homenagens aos líderes.

''Antes teríamos um casamento, agora temos um velório'' lamentou Ino, olhando pela janela as pessoas chegando para se reunir no local do velório.

Sakura não respondeu, estava deitada em sua cama desde a noite da reunião e não tinha a menor vontade de atender a um evento desses, de ter que ser vista e conversar com pessoas que viriam prestar suas condolências. Queria ficar sozinha.

''Vamos, precisa se arrumar'' Ino sentou-se ao seu lado na cama e tocou-lhe no ombro ''Sei que preferia ficar aqui, mas as pessoas esperam vê-la, e você poderá se despedir do seu pai e do seu irmão''

Sakura cobriu o rosto e se encolheu ainda mais na cama

''Não ligo para o que as pessoas esperam, e não quero ver os rostos queimados deles''

Ino abriu a boca para falar, mas a porta do quarto foi aberta estrondosamente e Temari entrou a passos duros, arrancando o cobertor de cima de Sakura. A mais jovem sentou-se na cama e dirigiu-lhe um olhar repleto de fúria.

''O que pensa que está fazendo?!'' exigiu

Temari puxou-a pelo braço para fora da cama e fez sinal para que as camareiras entrassem. Três mulheres entraram com a cabeça baixa e sem jeito, abrindo todas as cortinas, preparando a banheira e separando um vestido negro para Sakura.

''Você deve estar lá embaixo daqui uma hora, impecável, para irmos ao velório. Não vou permitir que desonre nosso pai e irmão''

Sakura desvencilhou seu braço e disse com a voz carregada de raiva:

''Não tem o direito de invadir o meu quarto! E eu não estou disposta para ir ao velório!''

Temari não se deixou abalar pela raiva de Sakura

''Vai descobrir que posso, sim. Mamãe e todos estão esperando, você já foi egoísta demais todo esse tempo se escondendo aqui, é hora de assumir suas responsabilidades de princesa de forma séria''

Com isso dito, ela se virou e saiu do quarto

Sakura soltou um grito irado e chutou uma cômoda antes de ir para o cômodo separado onde ficava o banheiro e se trancar.

Ino abaixou a cabeça e suspirou. Sabia que Sakura estava sofrendo muito e sentindo muitas emoções conflitantes, e as atitudes de Temari em nada ajudavam-na a lidar com tudo melhor.

Após alguns longos minutos, Sakura abriu a porta e voltou para o cômodo, aparentemente mais calma. Uma camareira ofereceu-se para ajudar Sakura a se despir para entrar na banheira e ela cautelosamente aceitou. Quanto antes terminassem isso, melhor.

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A cerimônia de despedida do rei e do príncipe herdeiro foi uma tortura para Sakura, que se esforçava para não chorar com aquele clima pesado que circulava. Olhando de revesgueio para sua mãe e irmã, percebeu que suas expressões estavam mais sérias, elas estavam sendo fortes. A rainha subiu para proclamar o discurso antes de os caixões serem enterrados, o céu nublado tornando o ambiente ainda mais soturno. Quando a cerimônia terminou e todos conversavam entre si sobre memórias queridas que tinham dos dois falecidos, Sakura tentou se esquivar para voltar para seu quarto. No meio do caminho, acidentalmente esbarrou em um homem. Quando ela olhou para cima, seus olhos encontraram orbes negros penetrantes, que pareciam poder ler-lhe a alma, mas não transmitiam nenhum sentimento, eram… frios. Sakura rapidamente desculpou-se e retomou seu caminho, ciente de que olhos negros como a noite a seguiam enquanto ela sumia no meio da multidão.

''Vossa Alteza!'' ouviu uma voz familiar chamá-la, era Minato ''O conselho fará uma proclamação em poucos instantes, por favor não vá ainda''

Sakura não conseguiu esconder seu olhar triste e desanimado, tudo o que queria era sair dali. Minato ofereceu-lhe um meio sorriso, sem jeito, e fez uma leve reverência antes de se oferecer para guiá-la até onde estavam sua mãe e irmã.

Não demorou muito para que os membros do conselho se reunissem e o mais velho se pronunciasse, chamando a atenção dos convidados e solicitando que as três mulheres se juntassem a ele a frente de todos, num palco para que todos os enxergassem.

''A perda de nosso amado rei e adorado príncipe herdeiro causaram um grande abalo no coração de todos nós, e sua falta será sentida por muitos anos. É com orgulho que afirmamos que tivemos os melhores governantes tomando conta de nós por tanto tempo, garantindo que o reino de Konoha permanecesse seguro e próspero por várias gerações, construindo fortes alianças que permitiram a paz entre todas as nações. Esse ataque não será esquecido, e providências serão tomadas para que os responsáveis por esse ato de terrorismo sejam capturados e punidos'' começou ''No entanto, há ainda uma questão a ser resolvida, a coroação de um novo monarca. Como todos sabem, nosso amado rei foi abençoado com três filhos; na primeira gravidez de nossa rainha, o reino foi agraciado com dois bebês, Suas Altezas Reais o Príncipe Gaara e a Princesa Temari; na segunda, a graciosa Princesa Sakura. Com a inestimável perda do Príncipe Gaara, a coroa pertence ao próximo filho na linha do trono''

Temari prendeu a respiração por um momento, crispando os lábios e enrijecendo o corpo. De seu lugar entre os convidados especiais, Shikamaru franziu o cenho para sua esposa, e um de seus filhos perguntou baixinho o que estava acontecendo e quando poderiam sair dali para ir brincar.

A rainha não se mexera, mantendo sua postura, enquanto Sakura dava seu melhor para não tremer estando diante de tantos olhares, que corriam entre as três mulheres enquanto o conselheiro falava.

''Como é de conhecimento de todos, Sua Alteza, a princesa Temari, seria a próxima na sucessão do trono, mesmo tendo casado-se com o Príncipe Herdeiro Shikamaru. Entretanto, seu marido é príncipe de um reino estrangeiro, e no momento da união em matrimônio, Sua Alteza precisou renunciar sua nacionalidade de Konoha e a todos os seus títulos desta nação para adquirir a nacionalidade do reino de seu marido, tornando-a não mais uma cidadã legítima de Konoha e privando tanto ela quanto seus descendentes do direito ao trono de Konoha''

Tanto Temari quanto a rainha franziram o cenho para o conselheiro, e na plateia Naruto e Ino deixaram seus queixos caírem e arregalaram os olhos.

''Dessa forma, a única herdeira legítima do trono de Konoha, descendente direta de Sua Majestade, o Rei Kizashi, é a sua agora e até a cerimônia de coroação Alteza Real, Princesa Sakura Haruno. Longa vida à rainha!''

O que se seguiu, Sakura não saberia descrever, pois o estado de choque que a tomara era absoluto. Não conseguia falar, se mexer e não tinha certeza nem mesmo se respirava. Uma salva de palmas se seguiu ao discurso do conselheiro. Seu momento de choque, entretanto, foi interrompido logo em seguida quando sua mãe desmaiou na sua frente e todos correram para acudi-la.

Quando as duas princesas começaram a seguir Minato, que levava a rainha para dentro do palácio para se recuperar, o único som que vinha do público deixado para trás, tanto nobres quanto plebeus, era um coro que dizia:

Deus Salve a Rainha

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Obrigada por ter lido até aqui! Agradeço pelo seu tempo! Espero que tenha gostado e que continue acompanhando capítulos futuros!

Não sei quando sairá o próximo capítulo, vai depender de muitos fatores incluindo ânimo, minha depressão, faculdade e etc... Mas gostei muito de escrever este primeiro capítulo e estou animada para continuar!

Obrigada novamente por prestigiar meu trabalho com seu tempo!

Um grande beijo!

Com carinho,

Blackfan Diamond