Boa noooite, pessoal!
Mais um capítulo para vocês! Esse é grandão também, viu? Hahahah Espero que gostem!
.
Capítulo 4
.
.
.
A expressão tranquila e satisfeita de Danzo na reunião em que Sakura lhe propôs a união entre ela e seu sobrinho fez Sakura pensar que ele deveria ser um homem que recebia propostas extraordinárias como aquela com certa frequência, pois seu olhar não demonstrou surpresa alguma quando ela fez sua oferta.
''Vossa Majestade me honra muito, isso é muito mais do que eu poderia esperar receber'' ele disse com a voz tranquila, os olhos pouco expressivos não deixavam transparecer o que passava pela sua mente, por mais que Sakura quisesse muito saber ''Fico extremamente contente com o nosso acordo, tenho plena convicção de que ambas as partes serão em muito beneficiadas''
Danzou, em pé atrás de Sakura, que sentava em uma grande poltrona bordô na sala, assentiu com a cabeça.
''Acertaremos os detalhes e o início das provisões ainda hoje, Senhor Uchiha, peço que se junte a mim e aos outros membros do conselho no início da tarde. Quanto à cerimônia, acredito que dentro de um mês estaremos prontos para realizá-la, se estiver de acordo''
Sakura engoliu em seco. Ontem concordara em se casar com alguém que mal conhecia, e pelo visto mal teria tempo para conhecê-lo bem antes de a cerimônia acontecer. Como seria esse Sasuke?
''Perfeito'' Madara ofereceu-lhe um sorriso satisfeito ''Providenciarei para que meu sobrinho visite o palácio tão logo Vossa Majestade desejar, tenho certeza de que ele será do seu agrado, minha senhora''
Sakura ofereceu-lhe um meio sorriso, completamente desanimada, e se levantou.
''Amanhã seria ótimo, senhor Madara. Estou ansiosa para conhecê-lo. Agradeço novamente pelos seus bons serviços e pela excelente proposta, espero poder contar com um relatório semanal do progresso e dos custos que estaremos tendo. Meus conselheiros ficarão a sua disposição para resolver quaisquer assuntos que venham a surgir''
Madara curvou-se respeitosamente para Sakura, garantindo que mandaria seu melhor homem preparar semanalmente um relatório minucioso para sua avaliação. Sakura assentiu com a cabeça. Mesmo não entendendo nada do que quer que fosse ser escrito no relatório semanal, ela sabia que apenas o fato de eles precisarem prestar contas com ela garantiria que o que quer que fosse feito seria muito bem calculado, e que eles levariam esse acordo com seriedade. Afinal, se era para se casar com um completo estranho, era bom que esse investimento valesse e muito a pena.
Saindo do palácio, Sakura se dirigiu à grande estufa no fim do enorme jardim do castelo, onde combinara de se encontrar com Ino para tomarem um chá e conversarem. Com certeza ela se beneficiaria muito de conselhos da amiga.
O jardim do castelo de Konoha era impressionante e sempre recebia uma longa lista de elogios de todos que o visitavam. Localizado na parte de trás do palácio, o espaço era realmente gigante, com plantas dos mais diversos tipos zelosamente plantadas e cuidadas pelos funcionários. Havia plantas tanto típicas do reino quanto de países estrangeiros distantes, o caminho era feito de pedras brancas cuidadosamente polidas e dispostas no chão, estátuas de grandes artesãos na forma de pessoas e animais enfeitavam alguns pontos nas laterais das calçadas, fontes das mais belas estavam espalhadas pelo jardim, jorrando jatos fortes de água cristalina, e vários mamíferos dóceis de médio porte caminhavam livremente pelo enorme jardim, cuidados por funcionários atenciosos que faziam de tudo para que eles sempre tivessem seu espaço preservado.
Ao fim do jardim surgia uma imponente estufa, onde além de plantas era possível encontrar alguns animais exóticos que o rei recebia de presente para viverem no habitat criado dentro da estufa: aves, lagartos, pequenos mamíferos, peixes e quaisquer outros animais que o rei viesse a receber que não fossem desestabilizar o ecossistema ali criado. Rochas, fontes, altas árvores e até um rio passava pelo meio da estufa, fazendo qualquer um ali dentro sentir como se estivesse realmente em um local encantado. Sakura se lembrava de como seu pai adorava os animais dos mais diversos tipos, o que motivou seu avô a construir a grande estufa para servir como um habitat particular onde Kizashi pudesse estar em contato com vários tipos de animais que, ao mesmo tempo em que fossem dóceis pelo contínuo contato humano, pudessem viver com qualidade em um grande habitat criado especialmente para eles. Mas a área onde Sakura gostava mesmo de tomar chá era no Santuário de Borboletas, no fundo à direita da estufa, uma área reservada apenas para esses pequenos insetos coloridos e que conferiam um ar calmo e tranquilo para relaxar e ter uma boa conversa.
Sakura encontrou Ino já sentada em uma cadeira branca no canto do santuário, onde era possível ter uma boa visão de todas as plantas e ver as borboletas voando. Ela tinha um livro no colo que de relance Sakura percebeu se tratar de dicas para um casamento feliz.
''Vou precisar de algumas dessas dicas'' Sakura comentou ao se aproximar. Ino sobressaltou-se um momento, tão concentrada estava em sua leitura, antes de soltar uma risada baixa e fechar o livro, colocando-o sobre a mesa de canto ao seu lado.
''Ainda estou no começo, a mãe de Sai me emprestou'' ela sorriu envergonhada e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha ''Anotarei todas as melhores dicas e passarei as notas para você, pode ter certeza!''
Sakura sorriu de volta e tomou um lugar ao lado de Ino.
''Estou bastante ansiosa com tudo isso'' admitiu ''casamento é algo sério e eu nem conheço esse rapaz''
''Quando irão se ver pela primeira vez?'' Ino indagou
''Ele deve vir amanhã para o castelo''
A loira concordou com a cabeça algumas vezes
''Perguntei para alguns conhecidos da vila sobre os Uchiha quando saí para comprar tecidos, fiquei curiosa quando esse tal de Madara apareceu no palácio, quis saber mais sobre quem ele era. Apesar de serem uma família da alta burguesia e frequentarem vários eventos reais, admito que não os vi muitas vezes, não consigo me lembrar de uma única vez em que conversei com eles. Seu noivo, Sasuke, vi apenas uma vez, antes mesmo de me mudar para o palácio quando pequena. Lembro apenas que na época o achei muito atraente, mas não sei até que ponto isso não era apenas paixão infantil'' disse com um sorriso envergonhado ''Desde então, sempre brinco que é minha paixão platônica! Mas para ser sincera, nunca conversamos e não me lembro de nada de suas feições. Sobre os Uchiha no geral, as palavras mais usadas para descrevê-los foram 'reservados' e 'bonitos' '' ela soltou uma risadinha, divertindo-se ao se lembrar de todas as mulheres - e até homens - que usaram o segundo adjetivo para descrevê-los ''parecem ficar bastante em família, não conversam mais do que o estritamente necessário com as pessoas de fora. Para você ter ideia, eles possuem um distrito só deles, o Distrito Uchiha, uma área na vila em que só eles moram, afastados do resto. Algumas pessoas disseram que isso se deve ao fato de eles serem arrogantes e soberbos, dizem que é até mesmo ofensiva a falta de interação que eles têm com as outras famílias, ninguém fala muito com eles. É uma família antiga então já houve muitos boatos sobre eles, mas parece que no final todos concordaram que eles são apenas antissociais mesmo. A maioria deles serve como militar para proteção do povo, então apesar de seu jeito taciturno eles são bastante respeitados, especialmente seu noivo, Sasuke Uchiha''
Sakura inclinou a cabeça, bastante interessada em tudo o que Ino tinha a lhe dizer. Como era bom ter uma amiga que sempre possuía informações sobre os outros para lhe contar!
''Não cheguei a vê-lo agora como adulto, mas ao perguntar sobre os Uchihas para saber mais sobre esse tal de Madara o nome dele invariavelmente foi citado várias vezes. Pela descrição, parece uma pessoa difícil de passar despercebida: um rapaz jovem, alto e bastante forte, de uma beleza indescritível segundo todos que conversaram comigo. Quieto e reservado, como todos os Uchiha, ele é órfão, seus pais e único irmão foram mortos, ninguém soube me dizer como ou porquê, achei essa história bem curiosa. Esse tal de Uchiha Madara é seu tio e tomou sua guarda e o criou como se fosse seu próprio filho. Além disso, nada mais se sabe. Sasuke é capitão do exército responsável pela guarda do povo e foi elevado a esse cargo ainda jovem por ter demonstrado possuir um pulso firme e exímias habilidades no combate, sendo considerado até mesmo um herói por alguns aldeões por ter resolvido vários problemas locais. Alguns dizem que ele é fruto de feitiçaria, pois não há homem com tantos atributos como ele - e você sabe como os homens são invejosos, não é? A contragosto, todos admitiram que Sasuke é um homem excepcional''
O coração de Sakura palpitou no peito quando Ino terminou a descrição. Será que a situação dela não era assim tão ruim quanto imaginava e esse tal de Sasuke Uchiha até que poderia ser um rapaz legal?
''Ino, temos que ir à vila hoje! Preciso ver esse rapaz de perto e julgá-lo com meus próprios olhos sem que ele saiba quem eu sou!''
A loira jogou a cabeça para trás e riu
''Sabe que eu tinha certeza que diria isso? Inclusive, já comprei dois vestidos simples e pouco chamativos e arrumei uma capa longa antiga que tinha no meu baú para cobri-la, ninguém irá reconhecer você!'' ela sorriu abertamente para Sakura e em seguida apontou para o cabelo de Sakura ''Seu cabelo é a única coisa que com certeza pode denunciá-la, então vamos prendê-lo muito bem e cobrir com um pano para que nenhuma mecha fique à vista!''
Os cantos dos olhos de Sakura lacrimejaram e ela abraçou Ino fortemente, os braços ao redor de seu pescoço quase deixando a loira que soltava muxoxos, resmungando baixinho, sem ar. Ter Ino como parceira para tudo era o maior presente que a vida havia lhe dado.
.
''Estou um pouco nervosa, nunca andei na vila desta forma antes'' Sakura admitiu, nervosa, segurando firmemente o braço de Ino ''Nas pouquíssimas vezes em que saí do castelo e visitei a vila, papai me acompanhou''
Ino colocou uma mão sobre a pequena e fria mão de Sakura que repousava em seu braço e a afagou gentilmente.
''Está tudo bem, eu conheço todos aqui e sei quais locais têm mais encrenqueiros e quais menos. Além disso…'' ela se virou sutilmente para enxergar por trás do ombro e localizar os homens há poucos metros de si ''Nada de ruim vai acontecer com eles na nossa cola''
Como Ino previra, não havia jeito de Sakura sair do palácio sem os guardas decididamente acompanhá-la. A pedido da rainha, concordaram em manter certa distância, mesclando-se com a multidão para não atrair atenção para as duas garotas e aproximando-se apenas se notassem alguma situação perigosa. Sendo época de comércio, os aldeões estavam acostumados a verem soldados caminhando em seu período de descanso para comprar itens para si próprios ou para suas famílias, então sua presença não levantaria suspeitas.
Quem mais corria o risco de chamar a atenção, indubitavelmente, era Sakura. Mesmo sob vestes simples, uma capa surrada e os longos e volumosos cabelos róseos - que a tornavam reconhecida à distância - escondidos, ainda assim ela era uma pessoa difícil de passar despercebida: sua pele clara e lisa como porcelana, com algumas sardas claras pontilhando o topo da maçã do rosto, seu rosto fino e delicado, seus lábios bem delineados e cheios, sempre rosados, cílios negros longos e fartos como uma cortina ao redor de olhos grandes e espertos, cor de esmeralda, com um brilho que nunca os deixava, hipnotizando a todos que os encaravam, e sobre eles sobrancelhas delicadas, abundantes e bem desenhadas, que chamavam ainda mais a atenção para seu olhar penetrante, somados à postura delicada que ela sempre assumia ao caminhar, como se seus pés mal roçassem no chão e ela apenas deslizasse, os braços pendendo suavemente ao lado do corpo e os movimentos delicados... Não, era definitivamente impossível que uma dama como ela não chamasse a atenção de todos que cruzassem o seu caminho.
Algumas pessoas cumprimentavam Ino enquanto elas caminhavam, muitos a conheciam. Ela brevemente acenava com um sorriso para eles e continuava seu caminho, guiando Sakura ao seu lado. A ideia era se aproximar do distrito Uchiha o suficiente para darem uma boa olhada e tentarem encontrar Sasuke.
''Ino!'' gritou um senhor de uma bancada repleta de pães e doces ''Vai um bolinho? Assei os de maçã verde hoje, seus favoritos!''
A loira estava prestes a gentilmente negar, dizendo que tinha algumas compras para fazer, mas percebeu Sakura lamber os lábios sutilmente enquanto olhava os doces da frente da padaria e imaginou que ela provavelmente gostaria de provar alguma coisa - afinal, Sakura sempre adorara doces, mas a Rainha Mãe restringia tanto que fossem feitos no castelo que Sakura se acostumou a não comê-los.
''Ah, Hiruko-san, você sabe como arrancar as moedas do meu bolso!'' exclamou com tom de divertimento, aproximando-se da tenda com Sakura em seu encalço ''Pois bem, veja-me dois então!''
Sakura namorou os doces em exposição, todos em bandejas simples de madeira e cobertos com um tecido fino para que insetos não pousassem sobre os alimentos ao mesmo tempo em que os fregueses pudessem ver o que havia a venda. O senhor Hiruko, o padeiro, era um homem alto e magro, diferente da imagem que Sakura sempre teve de padeiros. Ele devia ser uns 15 anos mais velho do que ela, tinha um rosto fino e cabelos castanhos embaixo de uma touca que mal conseguia segurar todos os fios rebeldes e uma barbicha no queixo, dando-lhe um ar engraçado.
''E quem é sua amiga, Ino?'' ele perguntou enquanto colocava em uma pequena sacola os dois bolinhos
Sakura estremeceu e se enrijeceu, abaixando levemente a cabeça para que a capa cobrisse mais seu rosto.
''Minha prima! Comentei tanto sobre a riqueza de produtos na época de comércio de Konoha que ela precisou vir conhecer!'' Ino disse com uma risadinha, respondendo com tanta naturalidade que Sakura fez uma nota mental de pedir para que ela a ensinasse a confabular como ela.
''Espero que esteja gostando da nossa vila, senhorita!'' ele exclamou alegre, terminando o pacote e o entregando para Ino
''Obrigada'' Sakura murmurou baixinho. Quando levantou o olhar, Hiruko estava bastante próximo, tentando enxergar por sobre o capuz que a cobria. Sakura se assustou e deu um passo para trás.
''Ino, sua família possui um sangue muito bom!'' ele comentou, encarando Sakura com olhos semi-arregalados ''Sempre a achei uma das jovens mais bonitas da cidade, mas essa sua prima é uma verdadeira princesa! Diga-me, a senhorita está procurando marido?'' ele tentou sorrir de forma galanteadora, mas seu jeito desengonçado acabou tornando a situação um tanto cômica e Sakura não pode resistir e soltou uma risada baixa.
''Ela está noiva, Hiruko-san'' Ino interviu, colocando um braço ao redor de Sakura e a virando para que fossem embora ''Mas eu lhe aviso se alguma parente vier a procurar marido'' garantiu, acenando para ele em despedida.
''Engraçado esse seu amigo'' Sakura comentou quando se afastaram, abrindo a sacola e pegando os bolinhos, entregando um para Ino e dando uma mordida generosa no seu.
Ino sorriu e assentiu
''Ele é sim. O que achou do bolinho?''
Sakura assentiu repetidamente com a cabeça
''Muito bom!''
.
Precisaram caminhar por um tempinho até finalmente chegarem no distrito Uchiha. Como haviam lhes dito, ele ficava completamente no final da vila, cercado por muros e com apenas uma grande entrada.
''Será que teremos alguma sorte?'' Sakura perguntou, mordendo a lateral do indicador direito enquanto esticava o pescoço para tentar enxergar alguma coisa.
''Nessas horas, eu uso uma estratégia ótima'' Ino garantiu, aproximando-se de uma tenda de vendas próxima a entrada do distrito
''Bom dia, vizinha!'' cumprimentou a senhora de idade que montava brinquedos em uma cadeira. A senhora olhou para cima e sorriu para Ino ''Nos disseram que rapazes bonitos moram por trás daquele muro. A senhora poderia ajudar duas jovens damas solteiras em busca de bons partidos e nos dizer como conseguir dar uma espiada neles?''
Sakura ficou vermelha como um tomate perante o discurso de Ino e sua maior vontade foi de sair correndo de vergonha. Para sua surpresa, a velhinha riu com gosto e assentiu com a cabeça.
''Na idade de vocês, eu fazia o mesmo!'' admitiu, rindo novamente alto e as olhando com um ar de… aprovação? ''Digo-lhes o que fazer: meu neto ficou de ajudar o senhor da tenda da frente a levar uma encomenda para dentro do distrito Uchiha agora pela manhã, mas como minhas encomendas hoje foram muitas ele está bastante ocupado. Vão até esse senhor e digam a ele que Chiyo as enviou para ajudar com as encomendas no lugar de seu neto, com essas encomendas poderão entrar no distrito''
Os olhos de Sakura brilharam.
''Muito obrigada, Chiyo-baasan!'' ela agradeceu, sorrindo largamente para a senhora. Chiyo arregalou levemente os olhos por um momento quando viu o rosto de Sakura, então rapidamente se recompôs e sorriu de volta.
''Não é nada, não me agradeça. Agora vão, não devem ter muito tempo até que o senhor encontre outro entregador''
Concordando com a cabeça, as duas garotas saíram da tenda e começaram a caminhar até a tenda da frente. Sakura estava pensando nas mil possibilidades de coisas que encontraria dentro do distrito, completamente animada, quando Ino a puxou pelo braço levemente e sussurrou.
''Sakura'' ela chamou ''Acho que apenas você vai poder entrar''
O rosto de Sakura virou rapidamente para Ino em pânico
''O quê? Por quê?!''
Ela apontou suavemente com a cabeça para algum lugar atrás de Sakura
''Vejo dois guardas daqui, deve haver mais uns 3 na área pelo menos, eles jamais vão permitir que entremos sem eles, e o distrito Uchiha vai suspeitar se os guardas entrarem conosco para a entrega''
Sakura olhou de relance por cima do próprio ombro e conseguiu ver as vestes de alguns guardas. Ela praguejou baixinho. O plano era tão bom…
''Escute o que vamos fazer. Vamos conversar com o senhor e pedir para levar a encomenda. Trocaremos de capa e você irá entregar o pacote, eu ficarei dentro da tenda com a sua capa, para que os guardas pensem que é você quem está aguardando na tenda enquanto eu entro no distrito sozinha''
Sakura relutou um instante
''Estou com medo, Ino'' admitiu, o corpo começando a tremer de leve
''Está tudo bem, você vai como entregadora e voltará em um instante, o mais provável é que eles mal prestarão atenção em você. Se você demorar eu entrarei com os guardas atrás de você, não se preocupe'' garantiu
Ainda assim, Sakura estava com medo. Ela não sabia dizer exatamente do que, mas sentia medo. Estava prestes a dizer para Ino que era melhor voltarem e esquecerem tudo aquilo quando o medo trouxe uma lembrança à sua mente:
''Papai, o senhor lutou em batalhas de verdade já?'' ela perguntara quando, ainda pequena, ela e seu pai mantinham o hábito de jogar xadrez quase todas as noites. Ela aborreceu-se tanto que ele sempre ganhava que ele começou a deixá-la ganhar, o que a aborrecera mais ainda e ela voltou a pedir para que ele jogasse seriamente, porque queria uma vitória de verdade.
''Já, Sakura. Já lutei sim''
A pequena garota olhou com o cenho franzido para suas peças, pensando muito antes de fazer qualquer movimento.
''Eu tenho medo de mexer alguma peça, prefiro sempre deixar tudo como está''
O rei levantou uma sobrancelha
''E por que isso?''
''Eu tenho medo de errar''
Kizashi assentiu com a cabeça algumas vezes, analisando o olhar pensativo da filha enquanto ela se esforçava muito para decidir qual movimento fazer.
''Tenho uma notícia ruim para você, minha filha. Você vai errar, e vai errar muito. Provavelmente, até adquirir certa experiência, vai errar muito mais do que acertar''
Sakura bufou irritada e jogou-se na almofada da poltrona, que usava para ficar alta o suficiente para enxergar a mesa de xadrez, cruzando os braços.
''Então é melhor não fazer nada! Assim não acerto, mas também não erro!''
O rei balançou a cabeça
''Não fazer nada também é fazer alguma coisa, Sakura. E isso pode ser um erro ou um acerto também. Como rei, as minhas decisões afetam a vida de muitas pessoas, eu preciso sempre decidir por algo. Seja por fazer alguma coisa, seja por não fazer nada. A omissão também é uma escolha''
Sakura não entendeu direito o que ele quis dizer, então franziu ainda mais profundamente a testa
''Papai, o senhor não tem medo de errar?''
Kizashi riu
''É claro que tenho. Mas isso não pode me impedir de decidir algo nem de agir. Se tiver tomado a sua decisão e estiver com medo, faça-a mesmo com medo. Não deixe que o medo paralise você''
Sakura podia garantir que seu pai não apoiaria de forma alguma a decisão de entrar no distrito Uchiha disfarçada de entregadora para tentar conhecer seu noivo - até mesmo porque o conheceria de qualquer forma no dia seguinte, ainda que sob outras circunstâncias. Mesmo assim, ela julgou que aquele seria um bom exercício para que ela superasse seu medo. Afinal, o que de ruim poderia acontecer?
Decidida, ela assentiu para Ino e as duas entraram na tenda.
.
''Tem certeza que consegue, jovenzinha?'' o senhor, pela aparência bastante velho, indagou quando Sakura pegou a pesada caixa de madeira que deveria entregar, olhando o corpo magrelo dela.
''Isso não vai dar certo'' Sakura admitiu, abaixando a caixa no chão e colocando as mãos na cintura ''Vou procurar alguma coisa para usar para carregar essa caixa''
''Use o burro!'' o velhinho exclamou, apontando com o dedo magro para um burro velho atrás da tenda.
Sakura franziu o cenho
''Mas por que precisa de um entregador se o senhor já tem a encomenda e um burro? Não há nenhum cliente aqui e o distrito Uchiha fica a poucos metros desta tenda''
O senhor apontou para as duas pernas, mais magras do que o normal para qualquer homem, e deu um tapa forte em uma delas, sobressaltando as duas garotas.
''Viu? Não prestam! Não mexem nem sinto nada! Não posso sair se não com ajuda!''
Sakura coçou a cabeça e se pôs a pensar. A caixa era pesada demais para que ela carregasse sozinha, mas ela sentiu pena do velho burro. Olhando para o velhinho à sua frente, notou que a cadeira na qual ele se sentava havia duas rodas grandes de carruagem, permitindo a locomoção da cadeira.
''Se o senhor me emprestar sua cadeira com rodas, devolvo-a assim que entregar a encomenda!''
O velho olhou para baixo para a cadeira e depois voltou seu olhar para Sakura com desconfiança.
''Não vai roubar minha cadeira com rodas, vai?'' disse com suspeição
Sakura trouxe uma cadeira tradicional e a colocou ao lado de onde ele estava, ajudando-o junto com Ino a trocar de cadeira.
''Para que eu usaria uma cadeira com rodas?'' disse enquanto o ajeitava na nova cadeira, as pernas molengas e desengonçadas ficando desajeitadas na nova posição.
''Para levar encomendas dos outros!'' ele acusou, cruzando os braços finos na frente do corpo magro e a olhando com uma carranca ''trate de trazer minha cadeira de volta, jovenzinha!''
Sakura concordou com a cabeça
''Não se preocupe com isso, a tratei de volta intacta. Minha amiga ficará aqui com o senhor até eu voltar como garantia'' ela dirigiu um olhar rápido para Ino e a loira assentiu, rapidamente trocando de capa com ela.
A contragosto, o velho homem assentiu, deixando Sakura colocar a caixa de madeira no assento da cadeira e empurrando-a para fora. Sakura ajeitou o capuz na cabeça e o manto em volta do corpo e foi com a cabeça baixa em direção aos portões da frente do distrito Uchiha, Ino sentando-se na entrada da tenda com o corpo todo coberto para que os guardas achassem que Sakura estava aguardando ali.
Juntando coragem, Sakura deu duas batidas no grande portão de madeira na frente do distrito.
.
Após alguns segundos, um homem alto, forte e corpulento de cabelos escuros abriu o portão, encarando Sakura de cima.
''Eu… tenho uma encomenda'' ela gaguejou, engolindo em seco.
O rapaz olhou para a cadeira com roda e para a caixa em cima dela e sorriu
''Ah! Deve ser a encomenda de Shisui! Entre, senhorita, é a quarta casa à direita!''
''Obrigada'' ela conseguiu murmurar antes de entrar dentro do distrito.
Sakura se surpreendeu ao perceber que o Distrito Uchiha não era tão diferente assim do resto da vila, com exceção de ser muito mais organizado e monocromático. Algumas crianças corriam pela calçada, mulheres estendiam roupas ou cuidavam dos jardins e homens talhavam equipamentos. Como Ino havia descrito, todos lá possuíam cabelos negros e olhos negros, e apesar de nenhum deles chamar especialmente a sua atenção, ela admitiu que eram todos muito bonitos, era difícil encontrar tantas pessoas com boas feições reunidas.
Chegando na quarta casa à direita, ela parou a cadeira de rodas com a caixa na frente da entrada e foi até a porta bater para ver se aquele tal de Shisui apareceria.
Pouco tempo depois de ela ter batido na porta, entretanto, ela ouviu um barulho atrás de si e se virou apenas para encontrar dois homens abrindo a caixa e mexendo na cadeira com rodas.
''Ei, o que estão fazendo?'' ela exigiu, irritada
Os rapazes se entreolharam e riram, continuando a mexer na cadeira e retirando uma espada de dentro da caixa de madeira que Sakura trouxera.
''Shisui encomendou uma espada nova!'' comentou um deles, sacudindo a espada no ar ''Vai entrar agora para a guarda e já está com equipamento escolar novinho, viu só?'' ironizou, rindo alto com o colega
Sakura irritou-se e se aproximou dos dois homens. Ela não costumava ser valente quando as pessoas se dirigiam a ela, mas nenhum daqueles itens era dela e ela era responsável por eles, não deixaria que dois homens idiotas estragassem coisas que não lhes pertenciam!
''Peço que coloque a espada no lugar, senhor, e que ambos se afastem da cadeira'' disse com a voz firme, os olhos verdes brilhando de irritação
Os homens dirigiram seus olhares novamente para ela e o rapaz que manuseava a espada se virou para ela com ar intimidador.
''Uma jovenzinha dando ordens para mim?'' ele riu, mas apesar da ameaça Sakura não estremeceu. Ela sempre se sentira mais forte defendendo objetos e causas alheias do que próprias, e ela não deixaria que estragassem nem a espada nem a cadeira do velho senhor.
''Onde está Shisui? Quero entregar a encomenda que vim entregar e ir, não dificultem as coisas'' ela pediu, o olhar sério encarando os dois rapazes que agora tinham sua atenção voltada completamente para ela
O homem que brincava com a cadeira trincou os dentes e se aproximou de Sakura, chegando bem perto dela. Ela tentou não estremecer, mas por dentro estava com muito medo, não saberia se defender se as coisas ficassem sérias.
''Você sabe com quem está falando, mocinha?'' ele sibilou, o olhar estreito
''Acho que é você quem não sabe com quem está falando'' ela devolveu o olhar sério, a postura firme e imponente por um momento fazendo o rapaz retesar.
O rapaz com a espada irritou-se e levantou a espada, mirando-a para o pescoço de Sakura.
''Talvez possamos descobrir depois que seu corpo estiver caído no chão'' ameaçou
Sakura não teve tempo de responder, pois no instante seguinte o rapaz urrou de dor e derrubou a espada no chão, ajoelhando-se e segurando a mão que antes segurava a espada e que agora tinha uma agulha encravada na pele. Todos os rostos se viraram para o lado de onde a agulha viera e avistaram um rapaz sentado embaixo da marquise de uma casa afiando sua espada. Uma senhora de idade em pé perto dele, após o choque inicial, virou-se irritada para o rapaz e acusou:
''Não lhe dei as agulhas de acupuntura para fazer isso, jovenzinho!''
Sakura não conseguiu ver seu rosto bem, apenas sua forma: era um rapaz jovem, forte, com algumas cicatrizes no braço, corpo esbelto e cabelos rebeldes e negros caindo sobre os olhos enquanto ele olhava para a espada que polia.
''Sasuke, seu-!'' gritou o homem no chão, arrancando a agulha da mão e lançando-a no chão. O outro, ao seu lado, rapidamente apanhou o colega no chão e o guiou para longe dali, ainda ouvindo o praguejar do homem que amaldiçoava o rapaz sob a marquise.
Quando os rapazes já estavam longe, Sakura se virou novamente em direção ao rapaz para agradece-lo. Era Sasuke? Era seu noivo? Tão logo se virou, entretanto, e ela se deparou com a figura do homem parada diante de si, a apenas um passo de distância.
Como ele se movera tão silenciosamente?
Agora mais perto, Sakura pode finalmente enxergar as feições do rapaz, e ela involuntariamente prendeu a respiração. O rapaz a sua frente parecia uma escultura: a pele, o formato do rosto, a forma como o cabelo se rebelava e algumas mechas caíam em seu rosto, o nariz, os lábios e o corpo em tamanha harmonia que fizeram Sakura ficar sem fôlego. Sakura poderia jurar que nunca vira aquele homem antes - e ele com certeza não era alguém fácil de se esquecer - mas, por algum motivo, aqueles olhos lhe eram familiares: negros, frios e… vazios.
Sasuke analisou-a de cima a baixo, a garota era pequena comparada ao corpo forte dele, e os olhos dela o hipnotizaram por um momento, verdes e brilhantes como duas esmeraldas. Ele correu os olhos pelas feições delicadas de seu rosto e pode notar caindo da touca que segurava os compridos e volumosos fios de cabelo uma pequena mecha rosa.
''Isso é para Shisui?''
Sakura precisou de um momento para orientar-se novamente e entender a pergunta que ele lhe havia feito. Virando-se para trás, ela agachou-se para juntar a espada e colocá-la novamente na caixa, erguendo-a com um pouco de esforço e entregando-a para o rapaz a sua frente. Ele pegou a caixa de suas mãos e, para descontentamento de Sakura, suas mãos não roçaram no processo.
''Entregarei isto a ele'' garantiu.
Sakura queria ter mais alguma coisa a dizer para justificar ficar ali mais um pouco, mas não encontrou nada. Concordando uma vez com a cabeça, ela se virou para a cadeira com rodas para virá-la e voltar para a saída, mas algo brilhando no chão chamou sua atenção.
A agulha de acupuntura, um pouco de sangue em uma de suas pontas.
Ela se abaixou para pegá-la, encontrando a desculpa perfeita para se dirigir ao rapaz de novo. Mas quando se virou para entregar a ele, Sasuke havia sumido. Ela olhou ao seu redor procurando aonde ele fora, mas não o encontrou. Ele havia simplesmente desaparecido.
Ao analisar a agulha em suas mãos, parecia um objeto comum, como qualquer outra agulha para acupuntura. Mesmo assim, ela decidiu guardá-la. Enrolando-a em um pequeno pedaço de pano e colocando no bolso do vestido, ela colocou as mãos na cadeira e começou a empurrá-la para a saída do distrito.
.
''Bonito quanto?'' Ino indagou com um sorriso no rosto, analisando cada centímetro do rosto de Sakura em busca de informações.
Elas estavam já dentro dos muros do palácio, caminhando de volta para dentro do castelo para o almoço. Até então, Sakura havia se limitado a sorrir bobamente e a responder apenas com a cabeça as perguntas de Ino, incapaz de falar qualquer coisa sobre aquele rapaz com medo de soltar sem querer algum grito agudo de emoção.
''Você vai me matar desse jeito!'' reclamou Ino, batendo as mãos na frente do vestido com impaciência ''conte logo!''
Apenas quando as duas jovens entraram nos aposentos de Sakura para que esta se trocasse para o almoço, Sakura largou toda a sua compostura e começou a rir. Ino piscou algumas vezes, sem entender, observando a amiga rir sem parar, o rosto vermelho e a mão direita tentando cobrir ao sorriso largo enquanto a esquerda abanava o rosto, os olhos espremidos de tão forte que sorria e seus cantos lacrimejando.
''Ai, Ino'' ela conseguiu dizer em meio a risadas, sua barriga doendo pelo esforço em tentar, ao menos um pouco, conter os risos ''Eu estou rindo, mas é por nervoso, está bem? Não tem nada engraçado!'' garantiu, caindo na gargalhada em seguida.
Ino não conseguiu deixar de se contagiar pela risada e tentou esconder o risinho que soltava com uma mão, seguindo Sakura com o olhar enquanto ela andava em direção ao armário de madeira para escolher um vestido, ainda rindo. Ela esperou até que Sakura respirasse fundo, preparando-se para falar:
''Minha barriga está doendo de tanto rir!'' confessou, caindo novamente em gargalhada e fletindo o corpo para frente na tentativa de amenizar a dor abdominal.
Ino pegou uma das almofadas e lançou-a na amiga
''Recomponha-se logo, Sakura! Quero saber dos detalhes, conte!'' exigiu em meio a leves risadas
Sakura aproximou-se da cama e deitou de barriga para cima, concentrando-se em respirar fundo para suprimir as risadas. Ino sentou-se ao seu lado e aguardou.
''Todos os detalhes'' informou com o olhar sério, mas um sorriso no rosto
Sakura sorriu e cobriu o rosto com um travesseiro
''Muito bonito'' confessou ''Alto, forte… Ino, não tem como descrever, só vendo para entender!'' ela finalizou com uma leve risada
''Ah, não! Você não vai me deixar só com isso de informação, eu quero todos os mínimos detalhes!''
Sakura revirou os olhos e se virou de lado na cama
''Bom, assim que entrei no distrito, fui informada que deveria ir até a casa de um tal de Shisui, a quarta casa à direita…''
.
.
.
Assim que os primeiros raios de sol entraram no quarto de Sakura na manhã seguinte, antes mesmo de as primeiras camareiras entrarem no quarto, ela despertou. Geralmente uma pessoa de sono pesado, ela não dormira quase nada aquela noite, mil pensamentos atravessando sua mente sobre como o encontro oficial entre Sasuke e Sakura ocorreria naquele dia. Levantando em um pulo da cama, ela correu até a penteadeira para se olhar no espelho. As olheiras sob seus olhos, frutos da noite mal dormida, já estavam visíveis. Ela estava prestes a reclamar quando as portas de seu quarto foram abertas estrondosamente, fazendo-a pular na cadeira em sobressalto.
Ela não havia sido a única a acordar cedo naquele dia.
''Bom dia, minha noiva predileta!'' exclamou alto Ino, entrando no quarto e abrindo todas as cortinas o máximo possível enquanto as camareiras entravam apressadas dentro do quarto, começando a aprontar o banho quente e as roupas de Sakura ''Vamos logo nos aprontar, eu mal dormi esta noite de tanta ansiedade!''
Sakura soltou um riso baixo e foi para trás do biombo se despir para o banho.
A conversa tornou-se tão entusiasmada que logo todas as camareiras dentro do quarto se envolveram também, dando suas opiniões sobre roupas para vestir, joias para usar e quais temas abordar ou não no primeiro encontro do casal.
''Homens costumam não gostar que falemos muito, majestade!'' alertou uma ''Se queres impressioná-lo, deves ser quieta e reservada!''
''Oras, mas que absurdo!'' interviu outra ''A rainha deve ser quem mais fala na conversa, seus assuntos com certeza são muito mais importantes do que qualquer um que o rapaz possa trazer!''
''Acho que devias começar perguntando sobre o que ele gosta, majestade!'' sugeriu uma mais nova ''dessa forma, ele sentirá que está interessada nele e em seus lazeres!''
''Isso é verdade! Todos gostam quando mostramos interesse, não há assunto mais prazeroso para uma pessoa do que ela mesma!'' concordou uma quarta senhorita
Sakura assentia com a cabeça enquanto elas falavam entre si, tentando concordar na melhor abordagem. Sendo a maioria delas de idade próxima à de Sakura, todas gostavam muito de opinar sobre assuntos que envolviam romances, a maioria ainda em busca do próprio.
Após um tempo, Sakura acabou revelando sua maior preocupação:
''Tomara que ele goste de mim''
Todas as garotas ficaram quietas de repente. A verdade é que aquela era uma preocupação que todas tinham em relação a si próprias e aos próprios interesses românticos, e nenhum possuía uma resposta para aquilo. Elas gostariam de saber o que dizer para consolar a rainha, mas não puderam pensar em nada.
Ino levantou uma sobrancelha, ainda penteando o cabelo de Sakura atrás da cadeira onde ela escolhia um colar para colocar, e em seguida bateu levemente com a madeira da escova na cabeça de Sakura.
''Ai!'' reclamou Sakura, levando uma mão à região atingida e fazendo uma careta feia para Ino.
''Boba! Que importa isso? Sua preocupação deveria ser: 'tomara que eu goste dele'! Desde quando deve se importar em agradar e em ser aceita por estranhos? Bobagem! Ele quem deveria estar preocupado, afinal, é ele quem irá conhecer a rainha. De que adiantará se ele a adorar e você não se sentir à vontade? Nós controlamos apenas a nós mesmos, não aos outros. A impressão que ele terá de você cabe apenas a ele, se ele não gostar de você, está tudo bem, você não está aqui para agradá-lo. Preocupe-se em ser você mesma, nada mais!''
As camareiras concordaram repetidamente com a cabeça, mas Sakura estava mais concentrada na dor na cabeça da escovada que levara.
''Aliás…'' Ino começou, abrindo e fechando a boca algumas vezes como se escolhesse as palavras. Sakura se virou na cadeira e ergueu uma sobrancelha, curiosa ''Não sei se é o melhor momento para contar isso, mas acho que deveria estar preparada: notícia já correu que você está noiva de Sasuke Uchiha, acho que devemos esperar uma visita espalhafatosa de Naruto hoje''
Ao som do nome do amigo, Sakura sentiu o chão sumir debaixo de seus pés.
Naruto. Ela havia se esquecido completamente disso. Céus, o que diria a ele?
.
Como que para combinar com a mudança de humor de Sakura, logo na metade da manhã o tempo mudou da água para o vinho: o sol radiante e o céu azul rapidamente foram substituídos por nuvens cinzas e trovões, uma ventania forte sugerindo que uma grande tempestade estava por vir.
Pelo menos isso há de dissuadir Naruto de vir ao palácio hoje - Sakura pensou amargamente, com sorte ela teria mais tempo para pensar no que dizer a ele quando viesse. É claro, ele havia aceitado casar-se com ela apenas como uma favor para uma grande amiga, mas ele ficara tão animado com a ideia… Sakura não podia adivinhar quais os reais sentimentos que Naruto guardava em relação ao noivado arranjado deles, mas podia apostar que ele ficaria triste em saber que ele foi desfeito tão rápido.
Sakura levou as pontas dos dedos às suas têmporas, massageando devagar. Nem ao menos fora ela quem propusera a mudança no noivado, e ainda assim ela quem precisaria enfrentar Naruto quando ele viesse. Isso não era justo. Ela queria que alguns problemas pudessem simplesmente sumir.
''Trata-se de uma tempestade de verão, majestade, logo deve passar'' garantiu um dos funcionários do palácio.
Ela, Ino e os membros do conselho estavam em uma espaçosa sala a espera dos convidados, mas Sakura, olhando para fora da janela em direção ao pátio do palácio, duvidada que eles chegariam tão cedo dada a tempestade que se formava.
''Avisem-me quando os convidados chegarem, sim?'' pediu, dirigindo-se para fora da sala. Ela realmente gostaria de um tempo sozinha para pensar.
A animação que sentira pela manhã enquanto imaginava o encontro oficial entre ela e seu noivo fora completamente substituída pela ansiedade em encontrar o amigo e explicar toda a situação. O tempo cinzento em nada ajudava; Sakura sempre sentiu que seu humor era muito influenciado pelo tempo lá fora, e momentos de profunda tristeza podiam facilmente aparecer quando o céu estava tão feio.
Colocando uma capa por cima do corpo, ela saiu pelos portões da frente do castelo em direção ao gazebo no centro de um lago próximo ao jardim. Ela gostava de se sentar em um dos bancos de madeira ali e ver as gotas de chuva caindo na superfície do lago e, como o teto da estrutura era largo, ela confiava que não se molharia ali.
Quando as primeiras gotas começaram a cair do céu, os últimos patos do lago correram para se abrigar. Sakura contou quatro: três brancos e um marrom. Os outros já haviam saído da água ao primeiro sinal de que uma tempestade viria. O vento começou a soprar forte e todos os pássaros já estavam abrigados em seus ninhos nas árvores, nenhum mais voava pelos céus. Algumas folhas começaram a ser arrancadas dos galhos pela força do vento e rolar no gramado do jardim. Sakura pensou que deveria ter se agasalhado melhor, apenas o vestido longo e a capa provavelmente não a protegeriam do frio. Para ser sincera, ela nem mesmo deveria estar ali fora: mesmo que a chuva não a atingisse, com certeza a ventania a traria um bom resfriado. Como os quatro patos, ela só pensava no que era o certo a se fazer quando os problemas já haviam chegado. Agora era tarde para correr de volta para o palácio.
A chuva começou a engrossar. Os chuviscos do começo se transformaram em pesadas gotas que colidiam com violência nas beiradas do gazebo e na superfície do lago. Sakura se encolheu e tentou cobrir-se melhor com a capa, mas quando a direção do vento mudou e a chuva começou a alcançar até o centro da estrutura ela começou a se preocupar. O que seria pior: manter-se ali, sofrendo com a chuva e o vento que só piorava, ou tentar correr até o palácio ou outro local mais fechado, molhando-se inteira no caminho? Pelo menos se alcançasse um local fechado, pensou, a partir de então não sofreria mais com o vento nem com a chuva.
Sakura olhou ao seu redor, a chuva espessa e a fumaça branca que subia do chão pela diferença de temperatura que a chuva gelada tinha com o chão antes quente pelo sol prejudicando sua visão, e conseguiu localizar a estufa. Uma de suas portas dos fundos ficava sempre destrancada e não estava assim tão longe. Abraçando-se com a capa, ela tomou coragem e correu.
O vento forte contra a direção para a qual ela corria não só a impedia de abrir os olhos e enxergar corretamente aonde ia como também servia como resistência para que seu corpo alcançasse a estufa. A capa escapou-lhe e voou longe um segundo antes de ela alcançar a maçaneta da porta da estufa e entrar, fechando-a rapidamente atrás de si. Sakura se recostou na porta e respirou ofegante.
Aquela ideia havia sido péssima.
Sem a capa para se aquecer e com o corpo encharcado, não demorou para que ela começasse a tremer de frio. Ela caminhou pela trilha dentro da estufa a procura de algum funcionário que pudesse ajudá-la a encontrar algo com o que se cobrir, mas parecia que não havia ninguém ali naquela área. Os trovões do lado de fora estavam altos e os relâmpagos haviam assustado todos os animais, que correram para suas tocas dentro da estufa.
Sakura estava quase optando por deitar-se no chão e se encolher para se proteger do frio quando um tecido quente foi colocado sobre seus ombros por trás. Ela se virou rapidamente, assustada, e seus olhos encontraram um par de ônix a fitando.
Sasuke estava em pé bem diante dela, próximo o suficiente para ela temer que ele pudesse ouvir seu coração acelerado batendo freneticamente. Ele estava seco da cabeça aos pés, lindo como na primeira vez como Sakura o vira. Seu rosto completamente inexpressivo, mas os olhos fixos nos dela.
De sua parte, Sakura estava completamente encharcada, o cabelo antes impecavelmente arrumado estava agora completamente molhado, liso até pouco abaixo dos quadris, pingando, e com algumas partes tão embaraçadas quanto um ninho de passarinho. Mesmo assim, ninguém poderia negar que seu rosto delicado, ainda que com a expressão surpresa, mantinha a mesma beleza angelical. Não era como ela esperava ser vista em seu primeiro encontro oficial com Sasuke, mas não havia forma de ele conhecer Sakura de forma mais verdadeira do que aquela: uma garota jovem e assustada embaixo de deveres e obrigações que ela não sabia como dar conta sozinha, tentando seu melhor, mas ainda assim errando e sofrendo com isso.
Gentilmente, ele pegou o capuz da capa que havia colocado sobre os ombros de Sakura e o ajeitou sobre sua cabeça, cobrindo os longos cabelos róseos e deixando somente o rosto pálido à vista, os olhos grandes e brilhantes esverdeados o fitando atentamente durante todo o processo.
Ainda sem dizer nada, ele deu um passo para trás e se curvou.
''Vossa majestade'' disse.
O som de sua voz fez uma onda de eletricidade correr por todo o corpo de Sakura. Sim, ela já havia ouvido sua voz antes, no distrito Uchiha, mas ela sentia que era um som que ela nunca se acostumaria ouvir, e que sempre haveria uma resposta de seu corpo ao som daquele timbre.
Rapidamente, ela fez sinal para que ele se levantasse.
''Sakura. Pode me chamar de Sakura'' disse, a voz trêmula ''Acho que não há motivo para formalidades entre nós, certo…Sasuke?''
Os olhos dele encontraram os dela novamente e ela prendeu a respiração, desviando o olhar. Ele não respondeu.
''Obrigada por isto'' ela apontou para a capa, abraçando-a contra o corpo. Tinha um cheiro tão bom…
Sasuke assentiu com a cabeça, o silêncio dele começando a deixar Sakura desconfortável. Ele não gostou dela? Bom, não era de se surpreender, dado o estado em que ela estava. Ela fechou os olhos com força e se repreendeu por ter sido tão tola em sair do palácio quando o tempo se fechou, ela com certeza havia arruinado de vez sua primeira impressão com ele.
''Acredito que tenha algo que pertence a mim'' ele disse, os olhos ainda analisando Sakura, interessados.
Sakura olhou para cima para encará-lo, visivelmente confusa. Ela pensou por um momento e então seus olhos se espertaram, sua mão direita escorregando para dentro do bolso do vestido, onde um tecido vermelho e grosso delicadamente encobria um objeto fino e pontiagudo. Ela tirou o tecido do bolso e o abriu na frente do corpo, revelando a fina e delicada agulha de acupuntura.
O rosto de Sakura ficou vermelho da cor do tecido e ela não conseguiu levantar os olhos para encará-lo quando murmurou:
''Então você sabia?''
Sasuke soltou suavemente o ar pelo nariz, e por algum motivo Sakura entendeu que ele achava aquela pergunta claramente boba, era claro que ele sabia.
Ela estendeu-lhe o pano e ele fez menção de pegar a agulha.
''Fique com o pano também, pode se machucar se a agulha ficar solta no bolso'' ela disse rapidamente antes que a mão dele tocasse na agulha.
Ele parou por um momento e então assentiu com a cabeça, pegando o pano e envolvendo a agulha com ele novamente, guardando o conjunto em algum lugar que Sakura não pode enxergar embaixo da longa e escura capa que ele vestia.
Por algum motivo, ela ficou feliz que ele teria alguma coisa dela com ele. Com esse pensamento, ela riu baixinho.
Sasuke levantou uma sobrancelha e o rosto dela tornou-se vermelho novamente. Rapidamente, ela se afastou e se abaixou perto de uma flor, e a primeira coisa que lhe veio à cabeça foi:
''Sei o nome de todas as plantas desta estufa, vou dizê-las a você!''
Sakura sabia que muito provavelmente Sasuke pouco se interessava por qualquer uma daquelas plantas, então agradeceu mentalmente quando ele apenas recostou-se embaixo de uma das árvores e a acompanhou com o olhar enquanto ela passava de uma em uma dizendo seu nome segundo os botânicos e suas características principais. Falar, ao menos, fazia seu nervosismo extravasar de alguma forma e a impedia de ter um surto de ansiedade.
Sakura ficou ao mesmo tempo nervosa e feliz que olhos escuros como a noite a acompanharam a todo momento enquanto ela falava.
.
Quando a chuva finalmente cessou e o sol começou a surgir por trás das nuvens, Ino e alguns funcionários entraram correndo na estufa. Não havia levado muito tempo, como o funcionário de antes previra, era realmente uma breve tempestade de verão. Mesmo assim, o silêncio entre ela e o rapaz que a acompanhava tornaram aqueles minutos parecerem uma eternidade. Sakura se sentiu grata quando Ino correu em sua direção, mesmo que sua face estivesse completamente transtornada em irritação.
''Procuramos por toda a parte por você! Veja só, está encharcada!'' esbravejou, enrolando o cobertor grosso que trazia nos braços ao redor do corpo pequeno de Sakura e o ajeitando como uma mãe faz para certificar que ela estava bem aquecida.
''Obrigada'' Sakura murmurou, incerta sobre o que mais poderia dizer. Vindo logo em seguida pela entrada principal da estufa, Sarutobi, Danzou e Madara logo se aproximaram delas.
''Que susto nos deu, majestade!'' disse Sarutobi, trazendo uma mão ao peito e suspirando em alívio ''Graças aos céus tudo está bem! Vejo que pegou bastante chuva!''
Sakura assentiu com a cabeça, tentando ignorar o olhar desaprovador que Danzou dirigia a ela.
''Peguei sim, mas por sorte Sasuke estava aqui para me emprestar sua capa. A minha voou com a tempestade''
Apenas nesse momento todos os presentes tomaram consciência da presença do rapaz, em pé encostado em uma árvore, sua figura tão silenciosa e os movimentos tão sutis que ele facilmente passava despercebido.
Sakura notou o vermelho que tomou as bochechas de Ino quando seu olhar pousou no rapaz e ela suprimiu uma risada - pelo visto não era apenas nela que ele causava esse efeito. Rapidamente, Ino limpou a garganta e desviou o olhar, ajeitando melhor o cobertor ao redor de Sakura e ficando em silêncio.
''Agradeço por ter cuidado de nossa rainha, senhor Uchiha'' adiantou-se Sarutobi, fazendo uma leve reverência para Sasuke ''Apesar de não ser nas circunstâncias esperadas, fico satisfeito que já se conheceram. Peço que me acompanhe junto com seu tio para a sala onde deveríamos nos encontrar. Senhorita Yamanaka, por gentileza leve Sua Majestade para trocar essas vestes molhadas, logo mais nos encontraremos todos no salão''
Ino assentiu e apressadamente tomou o braço de Sakura e a guiou a caminho do palácio. Sakura conseguiu esticar o pescoço um momento para olhar para trás, mas os olhos de Sasuke não estavam nela, estavam em Madara, e algo lhe disse que eles travavam um diálogo naquelas trocas de olhares.
.
.
.
''Você não fez isso!'' Ino exclamou, boquiaberta, parando por um segundo de pentear o cabelo de Sakura
''Vá mais devagar com essa escova, está doendo!'' Sakura reclamou, trazendo uma mão para onde a escova parou e fazendo uma careta de dor
''Plantas, Sakura, francamente…'' a voz de Ino deixou claro seu desapontamento
Sakura deu de ombros e se justificou:
''Antes isso que o silêncio, não?''
A loira negou com a cabeça
''Antes o silêncio! Agora pare de mexer a cabeça, estou quase terminando''
Sakura bufou em descontentamento e ficou quieta por um instante, então acrescentou:
''Bonito, não é?''
Ino sorriu também
''Sakura, você é uma garota de muita sorte!''
Com uma expressão presunçosa, Sakura concordou.
.
O encontro na sala de reuniões foi mais curto do que Sakura esperava. Como rainha, ela ainda possuía outras pendências a tratar, claro, mas será que era pedir demais que a deixassem alguns momentos a mais com o Uchiha?
Com bastante esforço, Sakura tentou não encarar o rapaz muitas vezes durante a reunião, tentando parecer interessada no que os membros do conselho e Uchiha Madara discutiam. Ela culpou-se mentalmente por não conseguir manter o foco, ela realmente precisava se concentrar no que era debatido. Afinal, era o reino dela que estava em questão. Mesmo assim, a cada poucos segundos sua mente divagava e pousava em Sasuke: o que ele estaria pensando? Será que ele estava olhando para ela? O que achava dela agora que estava devidamente arrumada como uma rainha? Ele a achava bonita? Talvez jovem demais?
O olhar repreensivo de Sarutobi em sua direção, ao ver pela sua expressão que ela estava divagando e muito, a fez voltar a tentar se concentrar no assunto.
''O recrutamento de homens para iniciar o projeto já se iniciou?'' ela indagou, imaginando que se participasse da conversa seria mais fácil se concentrar nela.
''Homens foram enviados hoje mesmo assim que a tempestade cessou para todos os povoados do reino, Majestade'' disse Mitokado ''Eles irão anunciar o projeto e iniciar o recrutamento ainda hoje. Já pela manhã os primeiros homens irão até as terras para começar sua preparação para cultivo''
''Sei que essas terras não são tão próximas da maioria dos povoados, especialmente se os trabalhadores tiverem que se deslocar a pé para o serviço'' Sakura pensou alto ''há alguma forma de oferecermos alimento e local para descanso para esses homens que virão de longe, para que não precisem viajar um percurso tão longo diariamente?''
Sarutobi assentiu com a cabeça algumas vezes
''Sua preocupação é bastante válida, Majestade. O conselho já aventou essa possibilidade e o senhor Uchiha providenciará tendas para serem usadas pelos trabalhadores durante os momentos de descanso. Quanto à alimentação, se a senhora permitir, gostaríamos de utilizar alguns dos veículos reais e seus cavalos para manter abastecido um armazém próximo, de modo que os homens tenham acesso mais fácil a suprimentos''
''É claro que permito, usem quantos forem necessários!'' Sakura exclamou contente, alargando o sorriso. Parecia que estava tudo indo muito bem ''E agradeço, senhor Uchiha, pela gentileza em oferecer as tendas! Com certeza serão muito úteis''
''Por favor'' ele começou, curvando-se levemente e levando uma mão ao peito ''Chame-me de Madara. Seremos parentes, afinal''
Sakura soltou uma leve risada e assentiu com a cabeça, aproveitando a oportunidade para olhar para Sasuke, sentado ao lado de Madara no lado oposto à sua poltrona. Sua expressão serena não havia se alterado, mas seus olhos cruzaram com o dela e ela sentiu que ele podia enxergar sua alma com aquele olhar penetrante.
''Sobre isso, devemos dar início aos preparativos para o casamento'' disse Sarutobi, virando-se para Sakura ''O casamento precisa seguir os moldes tradicionais, mas há alguns detalhes que podem ser escolhidos. A senhora gostaria de participar na tomada de decisões ou prefere deixar que o conselho cuide disso?''
''Por favor entreguem-me uma lista com tudo o que posso escolher, gostaria de participar em todas as decisões possíveis'' ela disse sem hesitar ''Afinal, é o meu casamento, gostaria que fosse um momento especial''
Sarutobi assentiu em aprovação e ofereceu a ela um sorriso, que ela timidamente retribuiu. Ele ficava feliz em saber que a ideia não parecia desagradá-la tanto agora quanto o fazia antes.
Segurando as mãos uma na outra para tentar conter o nervosismo, Sakura virou-se para Sasuke e disse:
''Você… gostaria de participar também? Nas decisões do casamento?''
Sasuke encontrou o olhar dela e inclinou-se um pouco na cadeira em uma leve reverência.
''Se Vossa Majestade ordenar''
Rapidamente, o rosto de Sakura tornou-se vermelho e ela negou veemente com a cabeça
''Não é uma ordem!'' apressou-se em dizer ''É apenas um… convite. Sinta-se à vontade para aceitar ou recusar´´
''Mesmo um convite, quando vindo da rainha, não deve ser recusado. Entretanto, se minha rainha me concede a escolha, optarei por reservar esse tempo para finalizar meus deveres com o exército''
Sakura não sabia se ficava chateada pela recusa no convite ou nas nuvens com o 'minha rainha'. Não teve tempo de decidir, pois logo em seguida Madara informou que deveria partir, pois ainda havia muito a ser feito. Os dois Uchiha estavam prestes a deixar a sala quando Sakura pediu:
''Será que… posso ter um minuto com você, Sasuke?''
Os conselheiros se entreolharam e assentiram, deixando a sala. Madara foi o último a sair, dirigindo um último olhar significativo a Sasuke antes de a porta se fechar. O rapaz se virou para Sakura e se curvou levemente.
''É exatamente sobre isso que quero falar'' ela começou, fazendo sinal para que ele se levantasse ''Olhe, sei que isso tudo foi planejado e que provavelmente não estava nos seus planos se casar comigo. Não estava nos meus também. Mesmo assim, gostaria que não fosse um fardo para nenhum de nós, acharia ótimo se pudéssemos ser amigos''
A expressão no rosto de Sasuke não se alterou quando ele respondeu:
''Seu pedido é uma ordem, Vossa Majestade''
Sakura soltou o ar todo pela boca e gesticulou com as mãos
''Não, não é para ser uma ordem, entende? Eu gostaria que fôssemos amigos, mas não é uma ordem. Vamos nos casar, então passaremos muito tempo juntos... Gostaria de pedir que não me tratasse com tanta formalidade, especialmente quando estivermos sozinhos. Eu não vou ser só a rainha, serei também a sua esposa''
Sasuke a observou por um momento, os olhos negros estudando cada movimento dela, a forma como mexia com as mãos para tentar esconder o nervosismo e impaciência, as sobrancelhas levemente erguidas em expectativa, os lábios sendo constantemente crispados como se pensasse se deveria acrescentar algo mais e o corpo levemente inclinado em sua direção, mostrando que estava genuinamente tentando chegar até ele.
Ele voltou seu olhar às jades grandes e suplicantes que aguardavam uma resposta dele.
''Jamais prometeria a Vossa Majestade algo que não posso cumprir''
Os olhos de Sakura se arregalaram em surpresa. Ela abriu e fechou a boca algumas vezes pensando no que dizer. Ele não queria ser amigo dela?
Aproveitando a falta de resposta de Sakura, Sasuke fez uma nova reverência e se retirou. Ela ficou mais um tempo ali, em um estado quase que de puro choque.
O que era aquilo, ele não a achava boa o bastante para ser sua amiga? Sakura lhe fez um pedido singelo e nada absurdo, gostaria apenas de iniciar a relação deles formalmente de forma amistosa, para que se dessem bem. Ele recusara isso?
Sakura sentiu que levara um tapa na cara. Como assim não poderia se comprometer a tentar ser seu amigo? Apertando os dentes com raiva, o sangue subindo até seu rosto, Sakura bateu com força o pé direito no chão, irritada, o olhar fuzilando a porta por onde ele acabara de passar. Ele não queria sua amizade? Pois que assim fosse. Afinal, ela havia temido mesmo que a figura masculina que ela tomasse como marido começasse a governar em seu lugar, era mesmo melhor que seu marido fosse submisso a ela e que não se intrometesse em seus assuntos. Ela precisava dele apenas por conveniência mesmo, pouco lhe importava se ele não interagisse muito com ela.
Havia depositado muita expectativa no rapaz por conta das primeiras impressões que ele causara nela, mas a verdade era que ele era um homem frio e soberbo, nada como ela imaginava. Não, a paixão do momento não a cegaria mais. Ele tinha razão: seu casamento era meramente uma conveniência, ela não queria mais nada a ver com ele.
Sakura saiu do salão repetindo aquilo pra si mesma várias vezes em sua cabeça, na esperança de que assim se convencesse disso.
.
.
.
Ino estranhou quando o discurso de Sakura quando se referia ao Uchiha mudou completamente de um discurso sonhador para um de puro ódio. Por algumas vezes ela tentou indagar o que havia acontecido para motivar aquela mudança, mas Sakura sempre respondia apenas que ele era um imbecil e que ela não queria mais que falassem dele. Quando ela perguntou quando ele viria visitá-la novamente, Sakura respondeu que deixou claro para os conselheiros e para os funcionários que não queria visita dele no palácio até a data do casamento, pois estaria ocupada e não o receberia. Não querendo contrariá-la, apesar da curiosidade, Ino apenas concordou.
Já era tarde do dia seguinte ao dia da visita do Uchiha quando receberam uma lista entregue por uma das funcionárias do palácio com as partes dos preparativos para o casamento nos quais Sakura poderia livremente opinar. Elas rapidamente correram os olhos pela lista e começaram a conversar alto sobre suas ideias e preferências.
Não tiveram muito tempo para debater, apenas o suficiente para discutir sobre as flores da decoração e alguns dos pratos que gostariam que fossem servidos, pois logo em seguida um soldado veio informar Sakura que Sarutobi a aguardava na biblioteca. Sakura havia decidido retomar seus estudos a partir daquele dia, resolvendo deixar de lado a birra que havia criado com Sarutobi. Afinal, ela realmente gostava dele, e tinha certeza de que ele se importava com ela também.
Quando sua sessão de estudos finalmente terminou, já era quase hora do pôr-do-sol. Ino havia saído para se encontrar com Sai então Sakura resolveu usar aquele tempo para fazer uma breve caminhada por um dos campos próximos ao palácio - desta vez, acompanhada por seus guardas.
Ela já havia caminhado cerca de vinte minutos quando, aproximando-se do mirante mais próximo do palácio, ela avistou uma figura familiar sentada em um banco, os olhos fixos no horizonte onde logo o sol se poria. Retesando por um instante, mas ciente de que não poderia fugir daquilo para sempre, Sakura fez sinal para que os guardas se mantivessem a uma certa distância para dá-la privacidade e se aproximou do banco.
Os olhos azuis de Naruto se espantaram quando a viram se sentar ao seu lado, e ele exclamou um 'Sakura-chan!' em surpresa. Após Sakura dirigir-lhe um sorriso, ele a analisou por um instante e então voltou seus olhos para a frente.
''Não esperava encontrá-lo aqui!'' Sakura finalmente disse, tentando quebrar aquele silêncio desconfortável, oferecendo-lhe um sorriso nervoso
Naruto sorriu levemente de canto e assentiu
''Queria pensar um pouco sozinho''
Sakura mordeu o lábio inferior
''Gostaria que eu o deixasse só?''
O loiro negou com a cabeça
''Acho que nunca chegaria à resposta perfeita, se me desse um ano eu poderia passar ele todo pensando e acho que não chegaria em uma resposta. Estava pensando em como deveria agir quando a visse novamente, se deveria ser sincero e deixar transparecer que estou triste, ou se deveria apenas fingir que está tudo bem e que não era grande coisa para que você não se preocupasse comigo. Acho que agora que você está aqui e me pegou desse jeito não há mais decisão a ser tomada'' ele deu uma risadinha e a olhou, mas Sakura desviou o olhar, nervosa
''Você sabe que vou sempre preferir a sua sinceridade, mesmo que me magoe'' ela disse ''Acho que se você fingisse algo assim nossa relação não estaria sendo verdadeira, e sempre fomos verdadeiros um com o outro, não é?''
Naruto umedeceu o lábio inferior e desviou o olhar dela
''Exceto quanto a uma coisa'' ele soltou uma risadinha ''Eu nunca havia confessado meus sentimentos para você. Fico me perguntando se deveria tê-lo feito''
Sakura engoliu em seco e começou a apertar uma mão na outra em nervosismo
''Ah, bem, isso não importa tanto mais!'' ele gesticulou com a mão como se afastasse um pensamento da sua frente ''Só espero que seja sempre feliz, Sakura-chan!''
Sakura abaixou o rosto e manteve os olhos tristes nas mãos em seu colo
''Sinto muito, Naruto… Eu realmente não queria que isso tudo envolvesse você, muito menos que se magoasse''
A mão de Naruto em seu ombro a fez levantar os olhos para ele
''Eu sempre amei você, sabe? Mesmo quando crianças. Você sempre foi especial para mim de um jeito diferente'' ele sorriu brilhantemente para ela ''Gostava de imaginar como seria quando eu pudesse viver para sempre com você, em como eu me esforçaria para que sempre fôssemos felizes juntos. Mas, sabe, lá no fundo, acho que já sabia que o destino não tinha reservado você para mim… Foi um saco ter tido a sensação de realizar um sonho e no final ver ele escorrendo por entre meus dedos, mas eu não culpo você nem um pouco, nada mesmo! Pensei se haveria algo que eu pudesse fazer, mas Sakura-chan sempre está cheia de problemas para resolver e eu não queria me tornar mais um, jamais aguentaria atrapalhar ou causar problemas para você. Sabe, Sakura-chan… eu ainda acho que nossos destinos estão ligados fortemente, só não é da forma como eu gostaria que fosse. Não importa o que aconteça, você sempre será, ao menos, a minha irmãzinha, e eu sempre vou amar você''
Os olhos de Sakura se encheram de lágrimas e ela não conseguiu conter um soluço quando o sentimento lá de dentro começou a transbordar e precisou sair. Ela abraçou Naruto bem forte e escondeu o rosto em seu pescoço, fungando. Ela queria nunca fazer ninguém sofrer, ela odiava isso. Ele ficaria bem, ela tinha certeza que sim, mas ela não gostaria que o final de toda essa trama que ela acabou o envolvendo fosse tão amargo. Ela criou expectativa nele e então aceitou a proposta do conselho e tirou essa possibilidade dele. Ela o magoara, e mesmo que Naruto não a culpasse por nada daquilo, ela sabia que era a responsável pelo sofrimento dele agora. Sakura jurou a si mesma que se redimiria com ele.
Quando seu coração se acalmou, ela se afastou do abraço e enxugou o rosto cheio de lágrimas com a manga do vestido.
''Isso tudo me fez até decidir algo!'' Naruto quebrou o silêncio, alargando o sorriso no rosto. Sakura o olhou com curiosidade ''Quero treinar como um soldado e me tornar Chefe da Guarda real, no lugar de meu pai quando ele se aposentar! Dessa forma, sempre estarei por perto para protegê-la!''
Sakura sorriu e balançou a cabeça em negativa
''Naruto! Você tem que fazer as coisas por você, não pode viver em minha função! Tem que fazer algo de que goste, que faça você se sentir realizado, independente dos outros!'' repreendeu
''Ah, mas será bom para mim, Sakura-chan!'' ele contestou ''Sempre vivi na mordomia com meus pais, está mais do que na hora de aprender a me defender e a defender as pessoas que amo! Se não apenas por você, para que algum dia eu possa realizar nosso sonho de desbravar todo o continente e conhecer terras longínquas! Lembra-se disso?''
Sakura suspirou, sentindo um peso sobre seu corpo
''Acho que você terá que realizar esse sonho por nós dois, estou presa aqui com meus deveres… Era mais fácil quando as responsabilidades passavam longe de mim'' riu ''Treine muito então, Naruto! Treine muito e no futuro desbrave todo o continente, vá até onde acaba o horizonte! Depois, volte e me conte todas as suas aventuras, eu esperarei ansiosa para ouvir todas!''
''Conte comigo, Sakura-chan!'' ele exclamou com vigor
Ainda rindo, Sakura encostou a cabeça em seu ombro para assistir ao pôr-do-sol.
''Preciso prestar uma visita a seus pais, quero me certificar de que seu pai está bem. Diga a sua mãe que levarei algo gostoso para comer, e prepararei alguns biscoitos eu mesma!''
.
Três dias após seu encontro com Naruto, Sakura prestou uma visita à sua casa. Além dos guardas que ficavam de vigia na casa para certificar-se de que Minato não fosse longe, nada mais estava diferente por lá, e apesar do capitão da guarda queixar-se de gostaria muito de voltar a trabalhar logo, Kushina estava bastante feliz com a presença constante do marido em casa. Sakura observou com admiração todas as invenções que ela havia criado para a casa de modo a facilitar seu trabalho de todos os dias. Kushina era realmente muito criativa, e as soluções inusitadas que ela encontrava para problemas comuns e para precisar de menos esforço para realizar qualquer tarefa realmente impressionavam Sakura.
''Não gosto de ter muitos serventes em casa, mas seria puxado para eles se houvesse poucos para tantas funções, por isso gosto de inventar coisas que otimizem seu tempo. Eles adoram e eu fico satisfeita com o quão brilhante minha mente é!'' Ela explicou, cheia de orgulho, o que gerou risos de Naruto e Minato. Bastou um olhar extremamente irritado de sua parte na direção dos rapazes, entretanto, para que eles rapidamente concordassem que ela era certamente a mulher mais genial daquelas terras.
Nesse mesmo encontro, Naruto compartilhou com seus pais sua vontade de treinar para o exército, para aprender como ser um bom soldado e poder tanto prestar um bom serviço para a sua nação quanto viajar pelo mundo no futuro. A expressão no rosto de Minato deixou claro para Sakura que ele se sentia culpado pela sua situação ter interferido nas chances de seu filho casar-se com ela, levando-o a precisar tomar uma decisão como essa para tentar um rumo diferente em sua vida. Gentilmente, Sakura colocou uma mão em seu ombro e lhe ofereceu um sorriso caloroso, tentando transmitir o máximo possível com aquele olhar tranquilo que as coisas estavam bem, e que Naruto seria feliz.
''Você terá que treinar muito, está entendendo? Não pode fazer seu pai passar vergonha!'' alertou Kushina ''Precisa ser um dos melhores soldados da sua divisão! Não… O melhor! Quero contar para todas as vizinhas como meu filho é o melhor militar do reino!''
Naruto coçou atrás da cabeça e disse para a mãe que ela deveria tentar abaixar um pouco suas expectativas, o que lhe rendeu um tapa forte na nuca e uma repreensão de Kushina, que frisou que não aceitaria nada menos do que o melhor.
Apesar dos eventos dos dias anteriores e das incertezas dos dias que viriam, Sakura sentiu seu coração se aquecer com aquela família que, em seu coração, sempre seria também a sua.
.
.
.
O treinamento de Naruto para poder entrar na guarda do povo - necessário para só após alguns anos de serviço e demonstração de boas habilidades ele pudesse tentar entrar na guarda real - já começo bastante intenso. Devido a seu físico e espírito batalhador, ele foi rapidamente admitido para iniciar seu treinamento de soldado na guarda do povo, mas logo descobriu que os primeiros anos da vida de um soldado podiam ser bastante desgastantes, o treino diário e extenuante o privava da maioria das outras atividades que antes fazia. Agora, seu dia era praticamente todo dedicado ao quartel e durante o primeiro mês ele não poderia sair de lá nem mesmo uma vez, o que o privou de todo o seu tempo com sua família e com Sakura. Apesar disso, ele se sentia feliz por estar a cada dia mais próximo de se tornar um grande soldado.
''Eu vi Naruto hoje'' comentou Ino, virando uma página do livro que lia ''Convenci os soldados a me deixarem dar uma espiadinha pelos portões para ver como um amigo estava indo e o avistei no pátio principal esfregando umas armaduras, as roupas todas surradas'' ela balançou a cabeça ''Ele podia ter escolhido uma profissão mais fácil!''
Sakura levantou os olhos do papel onde escrevia o seu trigésimo convite para o casamento e descansou a pena sobre a mesa. Por orientação do conselho, ela pegou a lista com o nome de todas as famílias e convidados para o casamento e se pôs a escrever de seu próprio punho uma carta para cada um convidando-os para o casamento. Afinal, todos os convidados eram pessoas importantes e Sarutobi insistiu que um convite vindo da própria rainha aumentaria sua estima e os incentivaria a comparecerem e verem como o reino estava prosperando, dizimando assim especulações de que a situação de Konoha estava instável pela troca de monarca por uma princesa jovem. Até mesmo seu tio - quem Sakura passara a detestar - e seu primo estavam na lista de convidados. Afinal, ainda eram parte da família. Sakura pessoalmente garantiria que eles fossem colocados nos piores quartos, decidiu com um sorriso, satisfeita com sua vigarice.
''Não deve estar sendo fácil mesmo, espero que ao menos ele esteja se divertindo um pouco'' Sakura suspirou ''Já faz oito dias desde a última vez que o vi, espero que estejam tratando-o bem por lá e que ele tenha feito amigos''
A expressão na face de Ino deu a entender a Sakura que ela realmente duvidada que fosse o caso. Com um suspiro, a jovem monarca retomou sua tarefa de redigir as cartas. Com sorte, terminaria em breve.
''O que acharia se eu deixasse o palácio neste fim desta semana?'' Ino disse de repente ''Sai e eu encontramos um lugar para morar''
A mão de Sakura congelou no meio da escrita e ela demorou um tempo até assimilar a informação e levantar os olhos para a amiga de infância.
''Tão cedo? Achei que demorariam mais para encontrar uma casa!''
Ino riu baixo, tentando esconder sua preocupação
''Na verdade faz tempo já que estamos procurando, o tempo passou bastante rápido com tantas coisas para fazer, não é? Encontramos uma casa bastante bonita faz alguns dias e Sai gostaria que eu decidisse as mudanças que gostaria de fazer e coordená-las. Ele se propôs a fazer qualquer mudança que eu julgue necessária'' ela riu, cobrindo levemente a boca com uma mão ''Como é um pouco longe para visitar todos os dias, pensei em já me mudar antes dele para ajeitar as coisas à minha maneira, e após o casamento ele poderá se juntar a mim na nossa nova casa''
Sakura sentiu seu coração acelerar em seu peito e um sentimento de medo crescer dentro de si. Apesar de saber que esse dia inevitavelmente chegaria, ela ainda não se sentia preparada para que Ino fosse embora. Como ela lidaria com tudo sem ela para apoiá-la, aconselhá-la e cuidar dela? É claro, ela jamais seria egoísta o suficiente para pedir para que Ino não fosse, mas o simples pensamento de estar exposta naquele castelo sem Ino para ajudá-la com tudo a causava arrepios bastante desconfortáveis.
''Eu gostaria de conhecer em breve sua nova casa!'' conseguiu dizer. Ela estava feliz por Ino, realmente estava, sabia o quanto Sai havia se esforçado para que pudessem comprar uma casa de seu agrado. Sakura apenas gostaria que seu medo e preocupações não a impedissem de aproveitar esse momento feliz tão bem junto com a amiga ''E quando pretendem se casar?''
''Já adianto que apenas poderá visitar a casa quando ela estiver impecável!'' alertou Ino com um sorriso largo no rosto ''Sabe como sou perfeccionista, não vou receber minha melhor amiga antes de a casa estar nos trinques. Sobre o casamento, planejamos realizá-lo o quando antes, acredito que em duas semanas, uma semana antes do seu casamento. Quero uma cerimônia simples, mas bem organizada''
Sakura concordou com a cabeça
''Enviarei várias flores na manhã da cerimônia para a decoração, avise-me depois quais você acha que combinariam mais com o estilo que tem em mente'' ofereceu
Ino soltou um pequeno gritinho de animação e levantou-se para abraçar Sakura em sua cadeira.
''Vai ser incrível! Obrigada!''
O abraço caloroso de Ino veio como uma chama dissipando todas os anseios de Sakura, e finalmente ela pode experimentar verdadeiramente apenas a felicidade que compartilhava com o sucesso de sua melhor amiga.
.
Naquela mesma tarde, com o intuito de aproveitarem ao máximo o tempo juntas antes de Ino se mudar, as duas garotas decidiram prestar ao quartel uma visita a fim de encontrar Naruto e oferecer-lhe um pouco de apoio. Afinal, já fazia uma semana desde que ele havia entrado para o exército e, a não ser pela visita extraoficial de Ino ao quartel, nenhuma das duas garotas havia visto o loiro desde então.
Sakura tentou não se deixar abalar pelo fato de que seus dois melhores amigos estavam sumindo ao mesmo tempo de seu dia-a-dia e que ela ficaria bastante sozinha dali para frente. Pelo menos, disse a si mesma, os dois estariam fazendo o que queriam e estariam felizes. Ela não poderia mesmo esperar que Ino e Naruto ficassem ao seu lado para sempre, mesmo que fosse exatamente aquilo que ela gostaria que acontecesse.
Acompanhadas por 6 soldados da guarda real, as duas jovens entraram no quartel avaliando os arredores com olhares curiosos. Para Sakura, era a primeira vez dentro de um local como aquele: as armas, armaduras e bonecos de treino rapidamente atraíram sua atenção. Vários rapazes jovens treinavam em uma metade do pátio, alguns lutando entre si e alguns contra bonecos. Na outra metade, um instrutor comandava exercícios físicos, que eram obedecidos em perfeita sincronia por todos os homens, como artistas performando uma dança em conjunto.
''Adorei ver os homens sem a parte de cima das roupas, precisamos vir mais vezes aqui'' cochichou Ino enquanto elas seguiam um guarda até uma parte mais de trás do quartel, onde os novatos praticavam.
Sakura deu uma cotovelada discreta em Ino e tentou conter o sorriso ao olhar para a amiga, que se divertia e muito com a situação toda.
Quando finalmente chegaram a um pátio menor, elas avistaram Naruto junto a outros rapazes, a maioria magro e evidentemente bastante inexperiente como soldado. Perto deles, Naruto com certeza teria muito mais facilidade, já tendo um porte mais robusto e movimentos mais leves que os aldeões que também buscavam um bom posto militar. Mesmo assim, Sakura não pode deixar de sentir bastante orgulho de todos os homens ali presentes, ciente de que dariam o seu melhor para proteger a população.
Assim que elas entraram no pátio, o soldado que os instruía enrijeceu a postura e exclamou, com a voz um pouco desafinada, aos soldados:
''Soldados! Em posição! Saldem a rainha!''
Desajeitadamente, todos os homens se organizaram, virando-se para ela, e tentaram manter postura firme enquanto batiam continência para Sua Majestade. Naruto arriscou um sorriso e um leve aceno para as duas garotas, que foi repreendido com um pigarro do soldado-chefe.
''Vossa Majestade, que grande honra a receber!'' disse o soldado, tentando engrossar a voz ao falar e curvando-se respeitosamente ''Como posso lhe servir?''
Sem saber ao certo o que dizer, Sakura fez sinal para que ele se levantasse e deu um passo na direção dos soldados.
''Vim conhecer os próximos heróis de nosso povo, aqueles que garantirão ordem e paz para todos os povoados'' disse com um sorriso para os rapazes. Diferente de com os soldados mais experientes, Sakura se sentiu bastante à vontade com aqueles jovens, sentia que ardia neles um grande espírito ''Continuem com o bom trabalho, meus soldados, eu espero muito de cada um de vocês''
Com as palavras da rainha, foi evidente a mudança de expressão e de energia que vinha dos jovens soldados: incerteza e nervosismo foram rapidamente substituídos por segurança e vontade de se aperfeiçoar, e até mesmo o soldado-chefe pareceu satisfeito com a renovação de disposição que eles demonstraram quando retomaram o treino.
O chefe do quartel rapidamente apareceu para recepcioná-las, desculpando-se repetidamente por não estar presente para receber Sua Majestade quando ela chegou ao quartel, mesmo após Sakura repetir que ela havia vindo sem aviso e que ele não deveria se preocupar. Sentados para conversar e tomar um chá em uma sala com vista para os rapazes em treinamento, Sakura se viu em uma agradável conversa com o chefe do quartel, Iruka, que contava alegremente sobre os avanços dos rapazes mais jovens e sobre a determinação dos mais experientes. Após um momento de conversa, percebendo que Sua Majestade era bastante tranquila para conversar, ele até mesmo se abriu para contar sobre eventos engraçados que já haviam ocorrido dentro do quartel, arrancando risadas animadas das duas garotas, que se divertiam ao ouvir as aventuras dos jovens. Sakura não tardou a indagar sobre quaisquer deslizes que Naruto já houvesse cometido nessa primeira semana, ávida por ter matéria para atormentar o rapaz quando tivesse oportunidade.
Uma voz familiar atraiu a atenção de Sakura e ela se virou apenas para ver uma figura conhecida se aproximar de Naruto no pátio.
Sasuke.
''Errado'' ele disse ao se aproximar do loiro, que realizava uma série de exercícios físicos propostos pelo instrutor.
Com uma careta, Naruto ignorou-o uma vez e prosseguiu para o próximo exercício.
''Errado'' o Uchiha repetiu, avaliando o loiro de cima a baixo.
Irritado, Naruto levantou-se do chão onde se exercitava e se aproximou do Uchiha com os olhos brilhantes de raiva.
''Escute, vá fazer algo que seja da sua conta e pare de se incomodar com o meu treino'' exclamou
Os outros rapazes congelaram em seus lugares, junto com o instrutor, que ficou paralisado e boquiaberto perante a fala de Naruto.
''Ei, Naruto...'' disse baixo um dos rapazes, evitando olhar para o Uchiha ''Sasuke é nosso superior, é Capitão da Guarda do nosso exército, não podemos falar com ele dessa forma...''
Naruto arregalou os olhos e apontou um dedo para o moreno
''Ah então você é o Sasuke?!'' disse, aproximando-se ainda mais do rapaz, os dois olhos na mesma altura devido à pouca diferença de estatura ''Pois fique sabendo que ficarei de olho em você! Nunca vou perdoar você se fizer qualquer mal à Sakura-chan e tenha em mente que se fizer qualquer canalhice eu mesmo vou acabar com você, escutou bem?!''
Mesmo de longe, Sakura pode enxergar o sorriso sarcástico de canto que Sasuke esboçou.
''Senhor Uzumaki!'' repreendeu o instrutor, finalmente recuperando sua voz ''Quanta insubordinação! Mesmo sendo um membro da nobreza, isto aqui é um quartel! O senhor deve respeito absoluto a seus superiores e jamais deve se referir a Sua Majestade pelo primeiro nome! Lamento, mas precisarei puni-lo por isso!''
Antes que o instrutor pudesse tomá-lo pelo braço para retirá-lo do pátio, entretanto, Sasuke levantou uma mão em sua direção, num gesto que ordenava que ele parasse.
''Vamos ver se tem tanta ousadia quanto habilidade'' disse com um sorriso malicioso ''Disse que vai acabar comigo? Pode vir agora então''
Naruto sorriu de canto
''Não precisa pedir duas vezes!''
Rapidamente, Naruto avançou na direção de Sasuke, os punhos fechados quando ele direcionou dois socos em sua direção, que foram facilmente desviados pelo Uchiha. Sasuke tranquilamente desviou de todos os golpes vindos de Naruto, seu sorriso debochador apenas incitando ainda mais raiva no loiro, que atacava cada vez menos racionalmente na tentativa de acertar pelo menos um golpe no Uchiha.
Com um movimento tão rápido que Sakura mal pode entender o que havia acontecido, em um segundo Naruto caiu fortemente no chão e foi imobilizado, se contorcendo na tentativa vã de se soltar. Olhando o loiro de cima, Sasuke dirigiu-lhe um sorriso confiante e debochou:
''E então?''
''Teme!'' Naruto exclamou, o rosto sendo esmagado contra o chão ''Quando eu me soltar você vai ver só!''
Sasuke riu com escárnio e se levantou, libertando Naruto, que rapidamente se pôs em pé, a bochecha esquerda escoriada pelo atrito com o chão e a testa esquerda com um leve tom de roxo devido ao baque.
''Para um nobre, você é bem decepcionante'' disse o Uchiha antes de dar as costas para Naruto e começar a se afastar.
O loiro trincou os dentes e gritou:
''Volte aqui! Ainda não terminamos!'' com a mão direita, alcançou uma espada de madeira no canto da arena e ficou em posição de ataque.
''Abaixe isso, garoto, ainda vai se machucar'' Sasuke respondeu, sem olhar para trás, ainda caminhando para longe do loiro, cuja mão tremendo e o rosto vermelho não deixavam restar dúvidas do quanto estava irritado.
Levantando-se de sua cadeira, Sakura saiu de dentro da sala e caminhou até a direção do loiro. Os olhos azuis lentamente se acalmaram quando a pequena figura parou na frente dele, os grandes olhos verdes o encarando carinhosamente. Ele sentiu o coração desacelerar e a respiração voltar ao ritmo normal quando ela pegou um lenço de seu bolso e gentilmente limpou a escoriação em sua bochecha, tocando suavemente a pele machucada.
O estreitar de olhos negros diante da cena poderiam até passar despercebido para olhos pouco treinados, tão sutil foi a alteração na expressão do Uchiha. Antes de se virar novamente para continuar seu caminho, soltou:
''Você é patético''
Uma onda de irritação subiu até as bochechas de Sakura, tingindo-as de vermelho.
''Um militar experiente e de alta patente vangloriando-se por sobrepujar e humilhar um soldado recém admitido no exército?! Esperava um pouco menos de orgulho e uma dose maior de honra em você, Uchiha!''
Pego de surpresa pelas palavras de Sakura, Sasuke hesitou por um momento antes de se curvar em silêncio para a jovem.
''Olhe nos meus olhos quando falo com você'' ela ordenou, a voz alta e clara.
Lentamente, Sasuke retomou a postura e orbes negras encontraram olhos verdes incendiados com a força do espírito da jovem Haruno. Por mais que o nervosismo estivesse tomando de seu corpo, Sakura não desviou o olhar.
Quando sentiu que sua mensagem havia sido suficientemente transmitida, Sakura virou-se para Naruto:
''Fico feliz com o seu progresso, posso não entender muito sobre isso, mas ao meu ver você estava fazendo os exercícios muito bem! Continue assim e me deixe orgulhosa!'' sorriu amavelmente para ele ''Vou avisar seus pais que não devem se preocupar, você está se virando bem. Não cause muita confusão por aqui, escutou? E não arrume problemas com seus superiores também!'' alertou, recebendo um sorriso amarelo de Naruto, que assentiu repetidamente prometendo se comportar.
Assim que Ino se aproximou, Sakura se virou para retornarem ao palácio, tentando ao máximo esconder o quão nervosa aquela situação toda a havia deixado. Esforçando-se para não tremer, ela se retirou do pátio, olhos escuros curiosos seguindo cada passo seu.
.
.
.
Espero que tenha gostado! O próximo capítulo deve vir fim de semana que vem (se nada der errado kkkk)!
Um grande abraço!
Com carinho,
Blackfan Diamond
