Finalmente estou conseguindo postar o capítulo 5! Estava ansiosa para retomar esta estória!

Espero que goste! Boa leitura!


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Capítulo 5

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Dois dias depois da visita ao quartel, Ino terminou de arrumar suas coisas e partiu para seu novo lar. Ela prometeu vir o mais frequentemente o possível até o castelo visitar Sakura, mas com certeza não seria a mesma coisa. Sakura crescera com Ino em seu encalço, as paredes do castelo haviam se tornado seu lar também e Sakura não tinha dúvidas de que o lugar se tornaria menos alegre sem ela lá todos os dias. Uma parte dela queria pedir para que Ino reconsiderasse a ideia e ficasse no palácio, ela ficaria feliz em oferecer o melhor quarto para ela e Sai. Ao mesmo tempo, Ino sempre quisera ter sua própria casa, seu próprio cantinho para cuidar, e ela nunca teria a privacidade e liberdade que queria dentro dos muros do palácio. Afinal, ali ela era apenas dama de companhia de Sakura.

No dia em que ela desceu as escadarias da entrada do castelo, carregando consigo apenas uma pequena maleta com pertences, Sakura sentiu que Ino levava um pedaço de seu coração com ela. Ino se restringiu a levar consigo apenas itens pessoais, deixando tudo o que havia recebido da realeza para trás. A jovem loira caminhou para longe da entrada do castelo pelo caminho de pedras amarelas que levava até o portão principal, Sakura a observando partir do topo da escadaria. Por um momento, Ino retesou, olhando ao seu redor, inspirando profundamente os ares puros e frescos do jardim do palácio. Seu olhar tornou-se preocupado por um segundo, cheio de incertezas. Ela virou-se para Sakura, que, mesmo temerosa, ofereceu-lhe um sorriso confiante e encorajador. Os portões recobertos por flores que se enroscavam no ferro se abriram no lado oposto ao palácio e, esperando do lado de fora, Sai acenou para Ino, um sorriso tímido e feliz no rosto, o sol quente e forte em seu rosto o impedido de abrir os olhos completamente, tornando sua expressão ainda mais calorosa.

Finalmente, um sorriso tranquilo adornou o rosto de Ino e seus pés correram em direção ao noivo, com a certeza renovada de que estava tomando a decisão correta. Sai tomou a maleta com uma mão e entrelaçou os dedos da outra com a de Ino, oferecendo-lhe um olhar gentil.

Sakura ainda conseguiu enxergar mais um pouco os dois juntos caminhando para longe do palácio, Ino com um olhar apaixonado no rosto, antes de os portões se fecharem.

Uma brisa soprou os cabelos longos de Sakura, sozinha exceto pelos guardas no topo da escadaria. Ela delongou seu olhar para os portões fechados mais um tempo antes de se virar novamente para a entrada principal do palácio, a porta grande, fria e dura com dois guardas imóveis nas laterais.

Ainda teria um longo dia pela frente.

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Sem Ino para fazer-lhe companhia todos os dias, Sakura começou a se sentir deprimida. Muito deprimida. Ino e Naruto eram dois pilares fundamentais para sua saúde mental. Sem eles, seus dias começaram a parecer mais monótonos, chatos e tristes.

''Majestade?'' Sarutobi chamou, erguendo uma sobrancelha.

Sakura levantou a cabeça e piscou algumas vezes para o conselheiro, parando de brincar com a pena em sua mão ao ser retirada de seus devaneios melancólicos.

''Uh? Desculpe, eu me distraí. O que dizia?'' respondeu, limpando a garganta, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha e simulando um olhar interessado para a parte do livro que Sarutobi apontava para ela com um dedo.

O conselheiro fez uma careta e prosseguiu sua explicação. Obviamente, não passara despercebido por ele o estado aéreo de Sakura nos últimos dias, sua falta de concentração e sua expressão constantemente cabisbaixa.

Pois bem, como conselheiro, ele não poderia permitir que as coisas continuassem assim, decidiu. Com uma resolução em mente, ele deixou esse assunto de lado por um instante e concentrou-se novamente em prosseguir com a lição do dia, esforçando-se ao máximo para manter a atenção de Sakura no livro.

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Na manhã que se seguiu, Sakura foi pega de surpresa quando logo após a reunião com o conselho Sarutobi a chamou para se encontrarem em um dos salões para um chá.

Esperando o pior, ela se dirigiu ao salão relembrando mentalmente tudo o que fizera nos últimos dias em busca de um motivo para sermão. Para sua surpresa, Sarutobi a recebeu com um sorriso acolhedor na sala, oferecendo-lhe uma xícara quente de seu chá favorito.

''Fico feliz em ver que está de bom humor, já pensei que estava enrascada'' ela admitiu, sorrindo nervosamente enquanto levava a xícara à boca.

Sarutobi concordou com a cabeça.

''Sua falta de atenção nos últimos dias tem realmente sido motivo de consternação, Majestade, especialmente tendo em vista como você vinha progredindo até então. Para ser sincero, pensei em alertá-la quanto às possíveis consequências desse comportamento, um monarca não pode jamais perder seu foco e concentração, quanto menos quando está lidando com assuntos pertinentes ao reino''

Sakura fez uma careta. Pelo visto havia sim repreensão reservada para ela naquele encontro.

''Mas'' Sarutobi continuou ''Tendo em vista os eventos recentes como a partida da senhorita Yamanaka e o ingresso do senhor Uzumaki no exército, limitando suas visitas à Senhora, optei por ao invés de uma simples advertência realizar uma abordagem diferente''

Os olhos verdes o encararam em confusão e ela levantou uma sobrancelha.

''Achei que talvez devesse entregar seu presente de casamento mais cedo'' ele completou.

Batendo palmas duas vezes em direção a uma das entradas que davam ao salão, dois guardas abriram as portas e atrás deles uma servente entrou sorrindo carregando uma grande cesta enfeitada com flores e laços coloridos. Dentro, uma coberta e mais alguma coisa que Sakura não conseguiu identificar.

Após dirigir um olhar curioso para o conselheiro, Sakura se levantou e caminhou até a cesta. Envolto pelo cobertor estava um pequeno felino filhote adormecido, sua pelagem uma mistura de branco como a neve e cinzento como nuvens que anunciam chuva, manchas arredondadas escuras distribuídas por todo o seu corpo, incluindo o rabo peludo que se enrolava perto do corpo, um nariz rosado lhe conferindo uma aparência delicada. Quando Sakura se adiantou e tomou o filhote nos braços como um bebê, trazendo seu corpo pequeno para próximo do seu e aproximando seus rostos, o felino abriu os olhos, revelando duas orbes azuis brilhantes e espertas. Ele soltou um baixo muxoxo de reclamação por ter sido acordado, encarando Sakura com olhos desconfiados. Em seguida, abaixando a cabeça e se encolhendo no colo, voltou a adormecer.

''Eu não acredito, é tão lindo!'' ela exclamou, os olhos vidrados no filhote em seu colo, o coração derretendo e a vontade de encher de beijos se tornando quase irresistível, mas ciente de que não era um animal de estimação comum e que ela deveria agir com cautela ''Não parece muito arisco, onde o encontrou?''

Sarutobi fez sinal para que a servente depositasse a cesta no chão e se retirasse. Então, após Sakura ajeitar o animal novamente na cesta e retomar seu lugar na poltrona, ele se sentou também.

''Um amigo de longa data vive na região mais norte do reino, em Yuki no Mura. Como caçador experiente, ele faz ótimas caças por lá e consegue um bom preço pelas peles dos animais. Em uma conversa com ele há pouco mais de uma semana, quando veio resolver assuntos na capital, ele me contou que seu cunhado o visitara duas semanas antes e, na tentativa de se mostrar um bom caçador - algo que ele, pela descrição que recebi, claramente não é -, importunou uma criatura nativa. Veja, Majestade, apesar de ser um caçador, meu amigo tem grande respeito pelas épocas certas para caçar cada fera e não persegue animais nativos ao bel-prazer. Pois bem, para salvar o cunhado da morte certa pelas garras de uma Besta das Montanhas Nevadas, foi preciso abater o animal. Qual foi sua surpresa ao ver um filhote agarrado sobre o dorso do corpo da mãe. Obviamente, a violência da mãe se devia não apenas à estupidez - perdoe-me a palavra - do homem que se aproximara, como também ao seu instinto materno. Foi evidente para mim durante a narrativa a ira que meu amigo sentiu contra o cunhado após o ocorrido, culpando-o pela tragédia por sua insensatez. Como punição, fez com que ele se comprometesse a cuidar do filhote a partir de então, mas o jovem é um tolo incapaz até mesmo de cuidar de si mesmo. Meu amigo considerou abater o filhote para encerrar a situação, mas eu, apiedando-me da situação e tendo em vista que seu casamento logo aconteceria e que Vossa Majestade tem grande paixão por felinos, entreguei-lhe uma boa quantia de moedas pelo incômodo e peguei o filhote. Planejava entregá-lo apenas no dia da cerimônia, mas vendo como a falta do senhor Uzumaki e da senhorita Yamanaka afetaram seus ânimos, pensei que talvez uma companhia tornaria seus dias mais agradáveis''

Sakura comoveu-se com as palavras de Sarutobi e, inconscientemente, esticou uma mão para segurar carinhosamente a mão do conselheiro, que descansava sobre o braço da poltrona. Apesar de ele tentar ao máximo fazer parecer que não fora nada demais, Sakura ficou feliz em saber que ele percebera o quanto ela se sentia solitária e como se mobilizou para tentar fazer com que ela tivesse companhia. Ela estava realmente muito grata pelo carinho que ele demonstrara por ela.

Sarutobi se alarmou quando a mão pequena e delicada de Sakura pousou sobre a dele, por um momento ficando sem jeito. Nenhum monarca antes havia feito um gesto daqueles para ele, ele não podia lembra de nenhuma passagem dos protocolos reais que o pudesse ajudar a saber como agir.

Mas não precisou fazer nada, logo em seguida Sakura se afastou dele e voltou seu olhar para o filhote.

''Estou muito agradecida, senhor Hiruzen! Com certeza, ele não poderia ter vindo em hora melhor''

Sarutobi assentiu com a cabeça e limpou a garganta.

''Não sou especialista em feras selvagens, Majestade, mas fui informado se tratar de uma fêmea''

Sakura aproximou o rosto da pequena felina adormecida e se pôs a pensar.

''Você precisa de um nome, mocinha'' disse para si mesma ''Mas para ser sincera, não consigo pensar em nada agora… Nomes são importantes, vou pensar com carinho em um''

Sarutobi concordou com um sorriso satisfeito. Sim, com certeza aquilo faria bem a ela.

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Levou pelo menos quatro dias até que a pequena felina começasse a se acostumasse o suficiente com Sakura a ponto de não se incomodar quando ela a tocava. No começo da adaptação, Sakura procurou não a importunar muito: deixava-a solta para brincar em algum ambiente fechado e se sentava no chão com um livro por horas, lendo em voz alta para ela. Dessa forma, aos poucos o filhote foi se acostumando tanto com a presença quanto com a voz de Sakura, até finalmente começar a vir algumas poucas vezes pedir atenção e permitir que Sakura acariciasse seu pelo macio.

''Acho que vou chamá-la de 好意, Kooi'' disse em voz alta para a felina sentada em seu colo ''Gentileza, afeição, amor e amistosidade. O que acha?''

A felina continuou olhando-a com seus olhos grandes e Sakura decidiu que sim, aquele era um bom nome. Quando se aproximou para depositar um pequeno beijo no topo da cabeça do filhote, Sakura recebeu um miado insatisfeito de Kooi, que rapidamente saiu de seu colo e foi até a cesta ao lado da cama da rainha para poder descansar sem ser incomodada.

''Bom, talvez com o tempo, não é?''

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Faltavam dois dias para o casamento de Ino e pouco mais de uma semana para seu próprio; Sakura não conseguia disfarçar sua ansiedade. Mesmo assim, ela se esforçou durante aquela reunião de manhã com o conselho para prestar o máximo possível de atenção.

''Com o intuito de reduzir gastos desnecessários no palácio, tomei a liberdade de verificar todos os cargos distribuídos para funcionários e investigar furos por onde poderíamos estar desperdiçando dinheiro'' começou um dos conselheiros, um homem com seus quarenta anos cujo nome Sakura nem ao menos se lembrava, tão pouco ele interagia nas reuniões, entregando uma folha de papel para Sakura ''Creio que alguns cortes podem ser feitos''

Os olhos de Sakura, entretanto, estavam mais atentos a Mitokado, que sentava no lado oposto ao seu da mesa, fazendo anotações em um caderno de capa vermelha.

''Gostaria de sugerir algum?'' ela disse ao conselheiro que lhe entregara a folha após um momento, voltando seus olhos para o papel à sua frente.

''Os funcionários da cozinha e alguns da limpeza. Creio haver mais do que o necessário. Sua Majestade, seu pai, havia solicitado a contratação de várias pessoas durante um período em que a oferta de trabalho era pouca. Mesmo após a resolução do problema, os funcionários continuaram empregados aqui, gastos que podem ser podados. Afinal, há bastante emprego do lado de fora do palácio''

Sakura franziu o cenho para o papel. Sim, com certeza havia um número grande de funcionários nos dois setores, mas seu salário era irrisório comparado a outros de alto cargo que - esses sim, em sua opinião - poderiam ser revistos.

''Deixe os funcionários da cozinha e da limpeza onde estão. A situação até que nosso acordo com o Sr. Madara gere frutos é delicada e eu não gostaria de levar ao desemprego súditos tão dedicados a seus deveres no palácio'' disse com a voz firme, abaixando a folha e olhando nos olhos do conselheiro ''Entretanto, acredito, sim, que alguns cargos do palácio podem ser revisados. Começando inclusive por esta mesa''

Rapidamente, todos os homens endireitaram a coluna e voltaram seus olhares para a rainha, alguns visivelmente agitados.

''Tenho oito conselheiros à minha disposição. Mesmo assim, alguns aqui nunca trouxeram discussões relevantes à mesa de reuniões. Inclusive o senhor'' olhou acusadoramente ao homem que lhe entregara a folha de papel ''Da forma como vejo, para mim bastam os senhores Hiruzen, Shimura e Homura nesta mesa. Suas vozes são as únicas que escuto nesta sala além da minha, enquanto os outros senhores desta mesa apenas concordam com suas opiniões, homens de mente pequena!'' disse com a voz severa, olhando cada um dos outros 5 conselheiros nos olhos firmemente ''Sugiro que comecem a mostrar sua utilidade neste conselho, ou serão seus cargos que sofrerão cortes''

Os conselheiros se mexeram desconfortavelmente na cadeira, desviando o olhar da rainha e abaixando a cabeça, envergonhados. Mitokado encarou Sakura por um momento, intrigado, então se voltou ao caderno e anotou alguma coisa.

Respirando fundo e recostando-se na cadeira novamente, Sakura continuou:

''Voltando ao que discutíamos ontem…''

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Quando a reunião se encerrou e os conselheiros estavam se retirando da sala, Sakura se dirigiu a Mitokado:

''O que anotava no caderno com capa vermelha, Sr. Homura?'' indagou.

Colocando o objeto em questão dentro de uma caixa de madeira, trancando-a com uma chave e guardando as duas em locais separados, Mitokado respondeu:

''Esse é um livro preenchido por um ou mais membros do conselho, geralmente por mim e por Sarutobi. Ele é usado para monarcas antes de sua coroação, sejam eles ainda no cargo de príncipes ou já de governantes, com o propósito de os conselheiros anotarem as evoluções do futuro rei - ou rainha -, e permitir entre nós discussões sobre como melhor auxiliar nessa trajetória. Seu irmão tinha um, e todos os reis antes deles tiveram o seu também; a partir do momento em que a senhora se tornou a soberana, a senhora passou a ter um também''

Sakura considerou suas palavras por um momento

''E eu posso ler o meu?''

Mitokado soltou uma leve risada, como quem conversava com uma criança e estava prestes a negar-lhe um doce.

''Lamento, Majestade, mas por ora, não. O livro será seu para ler a partir do dia da coroação, quando ele estiver pronto. Então, a senhora poderá acompanhar sua trajetória desde a ascensão ao trono até a data da coroação. Antes disso, não''.

Sakura fez uma careta, mas sabia que, diferente de Sarutobi, Mitokado não seria facilmente persuadido por ela. Assentindo com a cabeça, ela se virou para ir embora, decidida a abandonar o assunto.

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Era noite daquele mesmo dia. Sakura havia tido um dia bastante cheio, especialmente porque o casamento de Ino seria dali a dois dias e ela se propôs a ajudar a loira com toda a organização. Ela pensou que deitaria na cama e logo cairia no sono, tão cansada estava, mas algo não saía de sua cabeça:

O caderno vermelho.

O que será que estavam escrevendo sobre ela? Bom, não deveria ser nada muito indiscreto, dado que na coroação ela teria o direito de ler e poderia ficar irritada se lesse algo ruim. Onde estava o caderno de seu irmão? O que eles escreviam sobre ele? Será que ela poderia aprender alguma coisa se lesse o caderno de Gaara? Quais as impressões que o conselho estava tendo sobre ela e anotando no caderno?

Esses pensamentos não a deixavam dormir. Ela precisava ver o caderno.

Levantando-se da cama silenciosamente, ela vestiu um robe e se dirigiu à entrada de seu quarto. Estava quase abrindo a porta quando sentiu algo se enroscando em suas pernas.

''Kooi, fica! Eu já volto''

A pequena felina a encarou com olhos curiosos e saiu junto assim que ela abriu a porta, esperando do lado de fora para acompanhar Sakura. Os guardas na porta se curvaram para ela quando ela a seguiu.

''Gostaria de pegar algo na cozinha'' ela se justificou, sem jeito.

''Vossa Majestade, posso ir buscar para a senhora, não se incomode com isso'' disse um dos guardas.

Sakura balançou a mão na frente do rosto.

''Não é necessário! Minhas pernas estão formigando também, caminhar um pouco vai ajudar! Fiquem aqui''

Assentindo com a cabeça, os guardas retomaram sua posição, observando Sakura caminhar até desaparecer do outro lado do corredor, Kooi em seu encalço.

Chegando na sala de reuniões, Sakura agradeceu mentalmente pelos guardas terem ido se alimentar. Com certeza eles comentariam se a vissem ali àquela hora, e conversas sobre ela ter ido à noite até a sala de reuniões correria pelo palácio, chegando até Mitokado, que indubitavelmente saberia que ela havia ido atrás do caderno. Ela entrou e fechou a porta atrás de si, caminhando até a gaveta onde ela achava ter sido guardada a chave.

Kooi fez barulho ao correr rapidamente até uma das estantes e Sakura a repreendeu:

''Não faça barulho! Lembre-se, estamos aqui sem ninguém saber''

A felina pareceu entender suas palavras, ficando em silêncio e se deitando no chão.

Sakura já havia encontrado a chave e estava procurando a caixa certa quando ouviu um estrondo e viu Kooi correndo atrás de alguma coisa até o canto da sala.

''Kooi!'' repreendeu baixinho, irritada, descendo da escada em que subira para alcançar o armário com as caixas e indo em direção à felina ''não disse para ficar quie- ECA!''

Preso entre as garras das duas patas dianteiras de Kooi estava um rato cinza, seu rabo enorme sacudindo enquanto tentava se desvencilhar.

''Largue isso já, Kooi!'' Sakura exclamou, agarrando a felina pelas costas e arrastando-a para longe do rato. O roedor se bateu um pouco e saiu correndo até um canto da sala, onde parou, ofegante, e ficou encarando as duas. No trajeto que ele percorrera havia pingos pequenos de sangue.

''A vontade que tenho de te devolver para Sarutobi é grande'' admitiu Sakura, olhando com repreensão para Kooi, que se encolhera com a reprimenda.

Sakura queria apenas desistir da sua jornada e simplesmente voltar para o quarto, mas não poderia deixar o rato machucado ali. Afinal, querendo ou não, era um animalzinho e foi por culpa de Kooi que ele se machucou, logo, culpa de Sakura também.

Suspirando, ela se aproximou do rato e se agachou perto dele, segurando Kooi com uma mão para impedir que ela se aproximasse. Assustado, o ratinho olhava para ela com olhos arregalados, o peito pequeno expandindo rapidamente com a respiração acelerada de medo. Se não fosse pelo rabo enorme e nojento, Sakura sentiria mais compaixão pelo pequeno animal.

''Vamos ver onde você se machucou'' disse baixinho, espremendo os olhos para enxergar no corpo pequeno o ferimento: havia um corte no rabo e um dos dedinhos da pata dianteira estava faltando, sangrando ''Olha só o que você fez, Kooi!'' censurou, suspirando e balançando a cabeça. Apesar de não serem pontos críticos, estava sangrando bastante, e se não fosse estancado provavelmente o rato não iria muito longe. Além disso, a chance de aquilo infeccionar era enorme, especialmente considerando que o roedor deveria andar por todo tipo de lugar sórdido que ela conseguia pensar ''Acho que vamos ter que sacrificar para que não sofra…'' disse em voz alta, mas sabia que não teria coragem de fazer aquilo ela própria. Também não poderia chamar ajuda ou todos iam saber que ela estava ali aquela hora da noite.

O olhar assustado do rato, seu peito subindo e abaixando com a respiração, e a posição que seu corpo assumia de tentar se proteger fez com que Sakura quisesse apenas sair correndo para não ter que lidar com aquilo. Após um momento de hesitação, ela soltou um pequeno palavrão e procurou um pano na sala.

''Certo, vou levar você para meu quarto e vamos tentar cuidar desses ferimentos, está bem? Tenho alguns remédios lá que podem ajudar. Pelo amor de Deus, não me morda'' disse para o roedor antes de envolvê-lo com o pano e, garantindo que ele estava afastado o suficiente do seu corpo, carregando-o para fora. O rato ficou quietinho, temeroso quanto ao seu destino, enquanto Sakura se concentrou em não vomitar com o cheiro de esgoto que vinha dele.

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De banho improvisado tomado, remédios passados e com curativos feitos, o rato era quase outro. Ainda era feio, claro; era um rato afinal, mas sua aparência estava bem mais agradável, e já era mais fácil ficar próximo sem o conteúdo do estômago querer subir pela garganta.

Enrolado em panos limpos, Sakura o deixou sobre a cama. Kooi rapidamente foi se deitar ao lado do roedor, encarando-o com a cabeça baixa e olhos pidões, como quem se desculpava.

''E no final não consegui o caderno. E os guardas da minha porta devem me achar louca'' Sakura balançou a cabeça ''Você vai ficar aqui e descansar esta noite, amanhã solto você, está bem?'' disse para o rato, que apenas a encarou, mexendo o nariz em sua direção.

Suspirando, Sakura apagou a luz e se deitou.

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O som característico de um Koto sendo tocado podia ser ouvido de todos os cômodos da residência principal do distrito Uchiha naquela manhã. Os dedos do líder dos Uchiha deslizavam pelas cordas do instrumento com destreza, arrancando sons melodiosos. O ritmo em que ele tocava oscilava entre uma melodia baixa e obscura e o que parecia fazer alusão a um prelúdio de guerra.

''Estava esperando por você'' ele disse quando uma sombra apareceu na entrada do grande salão principal da residência, onde ele se sentava sobre o que parecia um altar e tocava.

Sasuke pisou dentro do cômodo e caminhou até ficar de frente para Madara.

''O casamento é em uma semana, você deve se mudar para o palácio amanhã'' o mais velho orientou, sem tirar os olhos do instrumento.

Sasuke franziu o cenho.

''Não vejo por que a pressa''

Os olhos de Madara se estreitaram levemente, mas ele retomou a postura e não parou de tocar.

''Sabe que sua presença é aguardada no palácio. A propósito, chegou ao meu conhecimento que você e a senhorita Haruno não estão em bons termos. Não preciso lembrá-lo de seu papel em tudo isso, preciso?''

Sasuke fez uma careta e virou o rosto para o lado.

''Seja lá qual for a desavença que você criou com a rainha, sugiro que resolva o quanto antes. Precisamos que fique próximo dela se quisermos obter êxito. Arrume suas coisas e mude-se para o palácio no mais tardar amanhã. Nosso companheiro de dentro do palácio garantirá que tudo esteja pronto para a sua chegada''

Com desgosto, Sasuke assentiu, virando-se de costas para o líder dos Uchiha e se dirigindo à saída.

''Conto com você'' a voz de Madara ressoou por todo o local e acelerou os batimentos do coração de Sasuke. Ele fechou o punho em determinação.

Não iria desapontá-lo.

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O rapaz estava quase terminando de separar os poucos itens que levaria consigo ao palácio no dia seguinte quando alguém entrou no quarto e parou ao seu lado. A jovem mulher de longos cabelos vermelhos curvou-se para Sasuke e, sem levantar a cabeça para olhar em seus olhos, disse:

''Sasuke, peço permissão para acompanha-lo no palácio. Servirei ao senhor lá, assim como sirvo aqui''

O Uchiha lançou-lhe um olhar desinteressado e passou por ela para pegar uma peça de roupa no armário.

''Vai precisar de alguém conhecido pra lhe ajudar, eu estarei sempre com você para o que quer que precise, e prometo não causar confusões ou chamar atenção'' ela insistiu, ainda com a cabeça e o corpo curvados.

''Não, Karin'' ele respondeu ''Fique e auxilie Shisui''

Determinada a não desistir, a ruiva insistiu mais algumas vezes até que, diante de repetidas negativas, apelou:

''Sabe que só aceitei servir ao clã Uchiha para estar perto de você, por favor não me afaste! Sabe que eu faria tudo por você! Pode precisar de alguém leal ao seu lado lá''

Mesmo assim, Sasuke se manteve firme em sua resposta. Ele tinha um propósito bem definido, quanto menos pessoas intervissem, melhor. Além do mais, se precisava se aproximar da rainha e fazê-la confiar nele, uma outra mulher inserida na história colocaria em risco o sucesso do plano. A rainha poderia dificultar as coisas se fosse tomada por ciúmes.

Patéticas, Sasuke pensou, todas elas.

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Do outro lado da cidade, Sakura ajudava Ino a se preparar para o casamento, que estava previsto para ocorrer em menos de uma hora agora.

''Relaxe um pouco, Sakura! Quem vai casar hoje sou eu, guarde essa ansiedade toda para semana que vem!'' brincou a loira. Ela sempre sabia quando Sakura estava ansiosa, mesmo quando ela se esforçava para esconder: a sobrancelha levemente curvada, a mandíbula tensa indicando que ela apertava os dentes e o fato de ela estar em silêncio eram dados bastante sugestivos de seu estado mental.

''Não estou ansiosa'' Sakura tentou negar, crispando os lábios e suspirando fundo enquanto prendia as últimas flores no cabelo trançado de Ino.

A noiva revirou os olhos.

''E quanto ao rato? Por favor me diga que já se livrou dele''

Sakura se permitiu relaxar um pouco.

''Depois de um dia de luxo sendo cuidado no meu próprio quarto, hoje mesmo pela manhã estava bom para voltar para seu próprio lar, seja lá onde isso for. O ferimento fechou rápido, mas ele vai ficar sem um dedinho na pata para sempre'' Sakura olhou significativamente para Kooi, deitada sob a cadeira de Ino. A pequena felina se encolheu, culpada ''Mas parecia um ratinho bem esperto, acho que vai ficar bem. Soltei-o bem longe do palácio, espero que não volte mais''

Ino concordou repetidamente com a cabeça. Já havia achado um absurdo que Sakura levara o roedor nojento para seus aposentos. Só em pensar em como deveria ser a aparência do rato já sentia calafrios.

''Terminei'' disse Sakura, dando dois tapinhas leves na última flor que acabara de ajeitar nos longos cabelos loiros e dando um passo para trás para avaliar melhor o resultado.

Levantando-se da cadeira com cuidado para não enroscar a barra do longo e fino vestido amarelo, Ino se dirigiu à frente do espelho. Mesmo com vestes bastantes simples, ela estava deslumbrante.

''Deveria ter deixado que lhe emprestasse um vestido, ficaria parecendo uma verdadeira princesa'' Sakura comentou.

''Não queria ofuscar a rainha com minha beleza deslumbrante, é claro'' ela brincou ''Mas há, sim, algo que gostaria de pedir a você''

Sakura levantou uma sobrancelha em curiosidade.

''É claro, qualquer coisa''

Ino virou seu corpo totalmente para Sakura e segurou suas duas mãos firmemente:

''Você me levaria ao altar?''

Os olhos de Sakura se arregalaram.

''Meu pai e minha mãe já se foram há muito tempo'' Ino começou ''E seu pai foi a única figura paterna que tive por anos, desde quando me tornou sua protegida. Nenhum deles pode estar comigo neste dia para representar meus pais, mas você, a quem tenho como minha irmãzinha querida, você é a única família que me resta. Gostaria que fosse você''

Os olhos de Sakura se encheram de lágrimas e ela não pode impedir que algumas escorressem, abraçando Ino com força.

''É claro que sim!''

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A cerimônia se deu em um bosque usado para pequenos eventos bem próximo a onde seria a nova casa de Ino - mas Sakura ainda assim não conseguiu saber exatamente qual casa era porque Ino se recusara a revelar. Alguns bancos de madeira haviam sido dispostos na grama para que os convidados pudessem se sentar, mas a maioria precisaria ficar em pé. Flores estavam espalhadas por todos os lugares: algumas soltas, algumas na forma de guirlandas e outras fazendo faixas e trilhas para guiar o caminho dos convidados. Casamentos na vila nunca eram eventos privados, todos na aldeia sempre podiam comparecer; por conta disso, todos tinham o costume de contribuir com alguma atração para a festa: seja trazendo mesas para jogar cartas ou jogos de tabuleiros, seja trazendo instrumentos para tocar música, seja fazendo pequenos espetáculos ou oferecendo souvenirs gratuitos para divulgar seu ofício e atrair possíveis futuros consumidores dentre os convidados.

O casamento de Ino teve ainda mais espectadores do que o habitual; afinal, não era em todos os casamentos que a própria rainha comparecia. Aldeões vindos até de locais um pouco mais distantes da capital vieram para oferecer suas felicitações ao novo casal e aproveitar para conhecer sua Majestade. Alguns aproveitaram para trazer inclusive seus pedidos e queixas para Sakura, pois que forma melhor havia de deixar a monarquia saber de suas demandas do que falando diretamente com a própria monarca?

Sakura paciente e respeitosamente ouviu todas as demandas de todos os que vinham conversar com ela, orientando seus guardas que deveriam deixar que todos se aproximassem livremente. Ela se engajou em conversas dos mais diversos assuntos com representantes de todos os tipos de ofício, ouvindo atentamente suas preocupações e queixas e esforçando-se ao máximo para tomar notas de tudo o que poderia ser feito. Aplicando um conhecimento adquirido em uma de suas sessões de estudo com Sarutobi, ela pediu para que cada um trouxesse a ela sua queixa principal, para que trabalhando com um problema de cada vez aos poucos sanassem todos. Afinal, dada a oportunidade, todos sempre podem apresentar mil e um motivos para demonstrar insatisfação, e trabalhando com uma coisa de cada vez ela poderia garantir que todas as queixas seriam levadas para discussão em momento oportuno e que todas as opiniões seriam ouvidas e bem-vindas.

A abertura que Sakura ofereceu à população para conversar e sua disposição em ouvir suas demandas com certeza em muito agradou a todos, que deixaram de se sentir tão distantes da monarquia e se sentiram acolhidos pela forma atenciosa e respeitosa com que Sakura procurou tratar todos que se aproximaram dela. Acostumados com a ideia de que a monarquia pouco se importava com seus problemas, seu cotidiano e sua atual situação, ter a própria rainha como ouvinte enquanto discorriam sobre suas angústias aqueceu seus corações quanto à imagem da monarca.

Sakura, de seu lado, estava ainda mais nervosa quanto no dia em que proferiu seu primeiro discurso. Ali, não havia papel para ser lido, e ela estava completamente exposta a críticas de qualquer cidadão. Em um primeiro momento, ela pensou em pedir para que os guardas impedissem a aproximação de qualquer civil, visando acalmar seu próprio coração; todavia, o olhar esperançoso da população ávida por ter algum contato com ela a fez decidir por deixar que eles ao menos pudessem se aproximassem para que ela pudesse cumprimentá-los e fazer a tão famosa política de boa vizinhança: sorrir, acenar e conversar sobre assuntos triviais. Quando se deu por conta, os cidadãos já contavam a ela tudo sobre suas vidas e solicitavam fervorosamente que atendessem a seus pedidos. Sakura percebeu, no decorrer das conversas, que a maioria dos camponeses apenas queria ser ouvido. Não havia nenhum sério problema em suas vidas, mas parecia que apenas de serem escutados por alguém como ela seus pequenos problemas eram amenizados. Por vezes, Sakura quase nada falava durante toda a conversa, mas apenas com seus pequenos comentários demonstrando que estava prestando atenção a conversa terminava com um cidadão satisfeito e extremamente feliz por ter tido a oportunidade de dialogar - ou monologar - com a rainha.

Apesar do nervosismo inicial, Sakura se pegou sentindo prazer em conversar com a população, em ouvir suas queixas e em acalmar alguns corações, garantindo que suas necessidades eram, sim, muito relevantes e que ela levaria todas para discussão no palácio. Para algumas queixas, inclusive, Sakura foi capaz de sugerir soluções ali mesmo, durante a conversa, pois enxergando de fora a situação sua visão era mais clara quanto a possíveis rumos a serem tomados. Ademais, seus anos de educação a permitiam chegar a soluções diferentes das habitualmente pensadas na hora de resolver um problema, visto que já havia lido muito e tido contato com ideias das mais variadas para resolver diferentes empecilhos.

Quando finalmente chegou a hora da noiva entrar e Sakura precisou se retirar da presença dos outros convidados, ela já possuía um caderno com uma lista de assuntos a serem pensados sobre e discutidos para ajudar a resolver alguns problemas enfrentados pelos camponeses. Havia também recebido alguns presentes de alguns aldeões, que ficaram felizes em vê-la entre eles – frutas, verduras, enfeites de madeira e até mesmo um porco para a cozinha! Sakura se sentiu satisfeita por ter conseguido, ao menos um pouco, contribuir naquele dia para o bem-estar de seu povo: todos com quem conversara tinham o rosto muito mais iluminado agora do que tinham quando chegaram ao casamento, e ela se sentiu feliz isso.

Chegada a hora, Sakura se dirigiu até onde Ino aguardava para caminhar até o noivo. Sai já estava em posição no altar a aguardando, o rosto inexpressivo de sempre não permitindo que ninguém pudesse decifrar seus sentimentos.

''Está pronta?'' Sakura perguntou com um sorriso ''Não vá vomitar''

Ino lhe dirigiu uma careta.

''Semana que vem é a sua vez, você só aguarde'' retrucou.

Sakura reprimiu uma risadinha e enganchou seu braço no de Ino, os músicos começando a tocar uma música animada no momento em que as duas pisaram para fora do toldo que as cobria e se tornaram visíveis a todos os convidados. Todos acompanharam com olhos curiosos, alguns cochichando um para o outro enquanto as duas garotas caminharam até o altar onde Sai esperava. O rosto sempre apático do rapaz se iluminou ao vislumbrar a noiva, que caminhava com um sorriso largo no rosto em sua direção.

''Sai'' Sakura disse ao se aproximar, e ele se curvou profundamente para ela ''Hoje eu estou lhe entregando a joia mais preciosa da coroa, minha irmã de criação, Ino''

Sai olhou para Ino e sorriu de canto, as bochechas da loira tingindo-se suavemente de vermelho.

''Acredito que não seja necessário advertir que qualquer dissabor que ela venha a sofrer vai ser considerado por mim um crime contra a nação e você será punido como tal'' ela o olhou significativamente, os convidados rindo atrás deles. Sai apenas concordou com a cabeça duas vezes e sorriu calorosamente para Sakura. Ele sabia que o laço que as duas tinha era insubstituível ''Cuide bem dela''

Ditas essas palavras, Sakura depositou um leve beijo na bochecha de Ino e se afastou, tomando seu lugar com os convidados ao lado de uma senhora de idade avançada, que se curvou desajeitadamente e lhe ofereceu um sorriso desdentado, mas genuíno. Sakura retribui o gesto com outro sorriso gentil.

O término dos votos foi recebido com muitos vivas e palmas, e logo em seguida todos se puseram a desfrutar das atrações que aconteciam durante o casamento: música, dança, competições valendo pequenos troféus, jogos de cartas e pequenos espetáculos de pessoas que engoliam fogo, que dançavam com espadas ou que faziam malabarismo com vários itens quebráveis ao mesmo tempo.

Enquanto Ino e Sai recebiam as felicitações dos convidados em um canto do bosque, Sakura encontrou diversão em acompanhar alguns convidados nos jogos de tabuleiro.

''Caramba!'' exclamou um rapaz quando Sakura terminou outra partida de xadrez vitoriosa ''A senhora é realmente boa nisso! Nossa rainha é com certeza uma grande estrategista!'' elogiou alto, outras pessoas ao seu redor concordando vigorosamente.

''Concordo que em jogos de tabuleiro tenho grande facilidade, mas sem dúvidas me faltam essas mesmas habilidades nos jogos de cartas! Adoraria aprender com os senhores, se estiverem dispostos a me ensinar!'' ela respondeu, convidando um jovem ávido por participar das jogatinas a se sentar do outro lado da mesa.

Animados com a perspectiva de ensinar algo à rainha e felizes com o clima amistoso que predominava no ambiente, um atrás do outro vários camponeses, homens e mulheres das mais diversas idades, se dispuseram a jogar uma partida com a rainha, ensinando-a novas táticas a cada rodada. A pena para o perdedor de cada rodada era fazer um círculo vermelho com tinta no dorso da mão, para que fosse visível a todos o número de partidas que o participante havia perdido. Quando já era quase hora do crepúsculo, Sakura possuía os dorsos das duas mãos e até o cotovelo do braço esquerdo com marcas vermelhas de tinta, tantas foram as partidas que perdera nos jogos de carta. Mas ah, como ela estava feliz! Há tempos não se divertia tanto! Levando de forma espirituosa cada derrota e convidando todos a interagirem abertamente com ela, ela cativou muitas pessoas naquela noite, e a visão que muitas pessoas tinham da rainha com certeza havia sido mudada para muito, muito melhor. Ela participara de várias brincadeiras, dançara com vários convidados, conversara com todos - e aprendera muito com eles - e assistira a todos os espetáculos da festa.

Já noite, Sakura decidiu descansar um pouco após tanto divertimento e se recostou em uma árvore próxima ao pequeno lago onde alguns convidados bêbados disputavam quem conseguia andar sobre uma tábua de um lado a outro sem cair no lago. Sakura ria ao ver os homens de marcha ébria se esforçando para cruzar o rio, almejando o beijo da moça bonita que os aguardava do outro lado - que pelo visto não beijaria ninguém naquela noite se dependesse dos homens alcoolizados para completar o desafio.

''Alguém precisa praticar mais'' uma voz soou ao seu lado, fazendo-a se sobressaltar por um momento. O dono da voz estava em pé ao seu lado, os olhos negros no braço esquerdo de Sakura.

''Não sabia que comparecia a esses eventos, você não parece o tipo de pessoa que se enturma'' ela retrucou, aceitando o copo de vinho que ele estendia em sua direção ''Mas sim, hoje perdi bastante, mas aprendi muito também. Na próxima vez não sofrerei derrotas!''

Sasuke sorriu de canto diante daquele espírito competitivo e concordou, tomando um gole de sua própria taça e se escorando na mesma árvore que ela. Sakura podia sentir o cheiro que exalava do corpo masculino e tentou evitar pensar em como aquele aroma a agradava. Ela repetiu para si mesma: ele é um homem estúpido e ignorante.

''Fiquei sabendo que a rainha havia aberto a adega do palácio para que todos pudessem beber de seus vinhos neste casamento, não pude ficar de fora''

Sakura sorriu e revirou os olhos.

''É realmente um bom motivo para comparecer hoje, não vou julgá-lo'' disse ''Naruto ainda está em seu período de reclusão no quartel e não pode vir, ele iria adorar. Não está mais o importunando, espero''

Sasuke sorriu de canto.

''No quartel ele não é seu amigo, é meu subordinado, Majestade. Mas não precisa se preocupar, afastei-me hoje de minhas funções no exército, ele não irá mais me ver com tanta frequência''

Sakura ligou alguns pontos em sua mente.

''Vi movimentação no palácio e que um novo quarto está sendo preparado. Considerando que já se afastou de suas atividades, presumo então que esteja perto de se mudar para o castelo?''

''Amanhã'' ele concordou.

Sakura assentiu e ficou em silêncio por um tempo, até que levou o copo novamente para a boca e o encontrou vazio.

''Aqui'' ele ofereceu sua mão para ela e ela lhe entregou o copo ''O mesmo?''

Sakura levantou uma sobrancelha em sua direção.

''Está tentando ser legal comigo, é? Bom, se não pode me chamar pelo meu nome, vou me contentar se ao menos mantiver minhas taças sempre cheias'' ela brincou, sorrindo presunçosamente.

Sasuke sorriu de canto.

''Acredito que precisará me explicar suas preferências de vinho então. Me acompanha?''

Com um sorriso maroto, Sakura assentiu com a cabeça, aceitando o braço que Sasuke a oferecera e o deixando guiá-la.

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Quando Sakura entrou em seus aposentos, ela estava exausta e com os pés doloridos de tanto dançar as famosas danças populares - que envolviam muitos, muitos pulos! Kooi a recepcionou já exigindo atenção - afinal, logo após a troca de votos ela havia sido trazida novamente ao palácio e perdera toda a diversão -, e Sakura se delongou em contar para ela e para as duas camareiras que a ajudavam a se despir tudo o que ocorrera naquele dia e como ela estava feliz. A felina ouviu atentamente a garota e a seguiu com o olhar até o momento em que as camareiras, contagiadas pela alegria da soberana, saíram do quarto com sorrisos no rosto, desejando-lhe um bom descanso.

''Sabe, Kooi'' ela começou, penteando os longos cabelos na frente da penteadeira ''Aquele Sasuke não é assim tão ruim. Ele foi seco e bastante rude no começo, mas hoje parecia outra pessoa. Acho que o julguei mal! Ele deveria estar aborrecido com toda essa história de casamento arranjado também e por isso agiu daquela forma antes, mas agora parece estar se abrindo um pouco mais para mim'' Sakura trouxe a escova para perto do peito e divagou um pouco em pensamentos, lembrando de como sua noite foi maravilhosa e de como passara momentos ótimos com o Uchiha, mesmo com seu jeito mais introvertido e pouco espontâneo. Pela primeira vez, ela sentiu que ele permitiu uma interação genuína entre eles, ela sentiu que ele estava dando uma chance para ela. Esse pensamento aqueceu seu coração.

Um barulho atrás de si atraiu a atenção de Sakura, e ela pegou Kooi escorada no parapeito da janela cheirando alguma coisa pequena. Aproximando-se para ver o que era, Sakura quase gritou ao ver ali um rato, mas então reconheceu a pequena criatura quando viu a pequena mãozinha com um dedo faltando empurrar Kooi pelo nariz, afastando sua cabeça para que ela não se aproximasse tanto e garantisse a ele um mínimo de espaço.

''Você de novo?'' Sakura colocou as mãos na cintura ''Deve ter percorrido um grande percurso para chegar até aqui, deixei você bem longe daqui e não estamos no térreo como ontem, na biblioteca''

O pequeno ratinho tirou de sua bochecha uma semente de girassol e, com as duas patinhas, a estendeu para Sakura.

O gesto deixou Sakura espantada.

''É um presente para mim?''

O ratinho deu dois passos para frente, caminhando apenas com as patas de trás até ela, e estendeu mais os dois bracinhos em sua direção, oferecendo-lhe a semente. O coração de Sakura quase se derreteu.

''Isso é muito gentil, obrigada!'' ela agradeceu, tomando a semente dele. O ratinho se virou para Kooi - que voltara a tentar cheirá-lo de perto e invadia seu espaço pessoal - e colocou novamente uma patinha entre eles na tentativa de afastar o rosto peludo ''Você é bastante corajoso'' Sakura comentou ''E muito espertinho também''

Dito isso, ela apagou as últimas luzes e se deitou na cama. Para sua surpresa, o pequeno ratinho seguiu Kooi até a cesta em que ela dormia e se aconchegou em um cantinho pequeno, sendo observado de perto pela felina - que não entendia por que de repente precisava dividir seu local de dormir com ele. Mesmo assim, ela não contestou, deitando-se com o rosto pertinho dele para observá-lo mais um pouco enquanto ele dormia.

Sakura riu.

''Sabe, até que você é bonitinho''

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Espero que tenha gostado!

Justificando um pouquinho a minha ausência: eu estou me formando daqui duas semanas, após longos e árduos anos de faculdade, então tenho me sentido muito ansiosa e com muito medo... Eu nunca trabalhei antes e para ser sincera, a vida adulta me assusta um pouco... Mesmo que eu ainda vá continuar morando com meus pais, estar formada coloca um peso um pouco maior nas minhas costas e eu quero poder contribuir na minha casa a partir de então, por isso ando bastante temerosa e com várias crises existenciais hahaha Aí ainda começam a falar sobre imposto de renda, sobre Pessoa Jurídica, contador, como buscar emprego, como receber o salário e essas coisas e eu to surtando! hahaha Tenho tido uns períodos meio deprimidos por conta disso e isso tem atrasado um pouco as coisas por aqui. Tenho uma prova ainda esta próxima terça (a última da faculdade!) então estou estudando bastante! Mas me esforcei para terminar de ajeitar este capítulo para poder, com sorte, alegrar um pouco o seu final de semana!

Estou um pouco temerosa com o que o futuro guarda e admito que a vida adulta me assusta MUITO, mas estou me esforçando para segurar as pontas por aqui, espero que por aí as coisas estejam bem também!

Obrigada pelo carinho de sempre que recebo!

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Respondendo à review da Carol, que como não tem conta não consegui responder no privado: Muito obrigada, Carol! Fico muito feliz por estar gostando da estória! E que bom que gosta da minha forma de escrever! Que gentil de sua parte! Obrigada pelo seu carinho e por ter dedicado um tempinho para me escrever uma review! Fiquei muito feliz em ler seu comentário, obrigada! Espero que tenha gostado deste capítulo também!

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Com muito carinho,

BlackfanDiamond