Notas iniciais:
Voltei com um novo capítulo!
Espero que gostem!
Boa leitura!
O Amigo
Cassandra chegou em casa exausta, já estava escurecendo quando passou pelo caminho de pedras de dolomita. Havia passado a tarde toda na casa de Dumbledore estudando o livro Magicae Temporis, lendo e relendo o feitiço que eles usariam para a viagem no tempo e decorando os passos necessários para realizá-lo.
Cassy passou pela porta de entrada e foi direto para a sala de estar, assim que pode, jogou-se sobre o sofá. Ela recostou sua cabeça e suspirou.
Pegou o pergaminho que estava em seu bolso, ela o havia usado para fazer anotações naquela tarde. Abriu com cuidado e releu o que havia escrito. Apenas questões técnicas do feitiço estavam ali, ela não havia anotado nada sobre a misteriosa frase que havia aparecido e logo depois sumido, da página do livro.
Cassy passou a mão sobre o rosto e depois sussurrou a si:
— Eu espero estar fazendo a coisa certa. — Disse referindo-se a missão suicida da qual havia aceitado participar.
Cassy largou o pergaminho sobre a mesa de centro da sala de estar e foi até a adega, pegou um dos vinhos que só eram servidos em 'ocasiões especiais' e uma taça, depois retornou ao sofá. Estava cansada demais para fazer algo para comer, então só beberia.
A bebida lhe ajudava a suportar a ausência de seu irmão naquela casa.
Cassandra colocou a taça sobre a mesa de centro, encheu com vinho, mas antes que pudesse tomar um gole sequer, ouviu uma batida na porta. Cassy estranhou, não estava esperando ninguém. Ela pegou sua varinha e foi até a porta.
Olhou pelo olho mágico e surpreendeu-se com quem estava do outro lado.
Abriu a porta e perguntou:
— Damien, o que está fazendo aqui?
Damien levantou uma sacola com a mão esquerda e disse apenas:
— Comida.
Cassy revirou os olhos e o deixou entrar. Damien, que já conhecia bem a casa, foi direto para a cozinha, colocou a comida em dois pratos e levou até a sala de estar, onde Cassy havia voltado a sentar-se no sofá.
— É massa ao molho branco, de um restaurante italiano trouxa que eu gosto muito. — Disse Damien enquanto se sentava no sofá. Ele entregou um prato para Cassy.
Cassy empurrou, sobre a mesa de centro, em direção a Damien, uma segunda taça de vinho.
— Já que trouxe a comida, eu ofereço a bebida.
Damien riu.
— Combinação perfeita, massa com um vinho branco.
Cassy experimentou a comida e estava realmente divina, Damien sempre sabia onde encontrar comida de qualidade.
— Porque veio Damien? — Cassy perguntou repentinamente.
— Por que desde que te vi, percebi que perdeu, no mínimo, uns dez quilos. — Respondeu Damien sincero. — Tenho certeza que, desde que Heitor se foi, você não fez uma refeição decente.
Cassy até pensou em retrucar, mas aquilo era completamente verdade, sempre era Heitor quem cozinhava, ele amava fazer isso.
— Não estou mentindo, não é?
— Não. — Respondeu Cassy.
— Talvez eu tenha que falar para isso para Rose, assim ela fará você voltar para a casa de sua mãe. — Disse Damien.
Rose era a elfa doméstica que cuidou tanto de Cassy como de Heitor, desde que ambos eram pequenos demais para lembrar.
Cassy fez uma careta, ela faria qualquer coisa para não retornar à casa da família Barthe, junto com sua mãe e seu pai.
— Prometo que vou passar a comer, nem que eu tenha que tentar cozinhar. — Disse Cassy.
Damien bagunçou os cabelos da garota.
— É isso que eu queria ouvir, pirralha.
— Dá para parar de me chamar de pirralha, eu só sou cinco anos mais nova que você. — Cassy disse fazendo um beicinho involuntário.
Damien riu.
— Para mim você sempre vai ser a pirralha que corria atrás da gente durante as férias inteiras, querendo participar de tudo que eu e Heitor fazíamos. Aos meus olhos, você sempre será a pirralha, irmã do meu melhor amigo.
Cassy olhou para Damien, seu olhar brilhava devido as lágrimas que se acumularam.
— Seu melhor amigo? — Questionou Cassy.
— Sim, ele sempre vai ser meu melhor amigo, assim como vai ser sempre seu irmão, pirralha.
Uma lágrima escorreu pela bochecha de Cassy.
— Obrigada por ter vindo hoje, Damien.
Damien sorriu levemente e disse:
— Alguém precisa ficar de olho em você, não?
Após o jantar, Damien largou os pratos sobre a pia e voltou a sentar-se no sofá, próximo de Cassandra. Eles já estavam iniciando a segunda garrafa de vinho.
Damien recostou-se no sofá e largou suas pernas sobre o colo de Cassandra.
— Ei, pensa que está onde? — Reclamou Cassy.
Damien apenas riu, mas não se moveu nenhum centímetro sequer.
Cassandra bufou, mas também não fez nenhum movimento para afastar as pernas de Damien. Só voltou a beber seu vinho. Damien também fez o mesmo.
Depois de um período de confortável silêncio, Damien puxou a conversa.
— Sobre seu pedido, Cassy. — Damien agora aprecia sério. — Eu acredito que já tenha algumas informações relevantes.
Cassy virou seu rosto na direção de Damien.
— Você quer que eu deixe a entrega para amanhã?
Cassy deu um sorriso cansado.
— Quero. Agora eu só desejo beber meu vinho e evitar pensar em qualquer coisa que não seja o sabor doce dessa bebida.
Damien riu. Porém, por dentro ele estava demasiado preocupado com Cassandra, ela sequer era uma sombra da garota sorridente que sempre havia sido.
— Você quer que eu fique essa noite?
Cassy não o mirou, pois não sabia se conseguiria mirá-lo sem deixar suas emoções escaparem. Então só assentiu.
— Tudo bem, — disse Damien — tudo o que preciso é de mais uma garrafa de vinho.
Cassy não conseguiu se segurar e riu.
— Consigo mais uma, só se dividir comigo.
— Feito!
~ x ~
Cassandra acordou na manhã seguinte em sua cama, mas não lembrava de ter saído do sofá. Passou a mão pelo rosto e bocejou, ainda estava sonolenta. Levantou-se e foi lavar seu rosto.
Quando saiu do quarto, encontrou Damien na cozinha.
— Quer ovos mexidos? — Perguntou ele enquanto remexia algo na frigideira.
Cassy supôs que eram os ovos mexidos. Ela se aproximou de Damien, olhou sobre o ombro dele, havia dois pratos sobre o fogão, já com tiras de bacon fritas e uma fatia de pão torrado em cada um. E, realmente, dentro da frigideira havia ovos mexidos.
— Onde encontrou os ingredientes para fazer isso? — Cassy perguntou.
— Eu precisei sair para comprar, já que você não tinha nada nos armários e nem na geladeira. A minha sorte é que eu conheço a vizinhança e sei onde tem mercados. — Damien disse divertido.
Ele colocou os ovos mexidos nos pratos.
— Pegue umas xícaras para nós, eu também passei um café.
Cassy foi até o armário e pegou as xícaras e colocou sobre a ilha, que havia na cozinha. Damien logo depois colocou os pratos ali também. Cassy foi até a gaveta e pegou os talheres e depois os guardanapos. Enquanto isso Damien colocava o bule de café preto próximo aos pratos.
Os dois sentaram-se nas banquetas que haviam em volta da ilha e Damien disse:
— Espero que goste da refeição. — Ele riu. — E eu nem vou cobrar um extra por esse trabalho.
Cassy só revirou os olhos na direção de Damien. Cassy colocou a primeira garfada de ovos mexidos na boca. Ela não sabia o que Damien havia usado para temperar aquilo, mas estava divino.
— Está muito bom, — Cassy precisou admitir — o que você colocou aqui?
— Amor — disse Damien com voz afetada.
— Por Merlim, Damien, nem você acredita nisso.
Os dois riram.
— É bom ver um sorriso nesse seu rosto, pirralha. — Damien conseguiu ver que, no fundo, aquela garota alegre, ainda vivia dentro de Cassandra.
Cassy mostrou a língua para Damien e voltou a atenção ao seu café da manhã. No entanto, ela precisava admitir que fazia tempo que não se sentia tão alegre e relaxada como naquela manhã ao lado do melhor amigo de seu irmão, que também era seu amigo, agora ela conseguia ver isso.
Depois do café da manhã, os dois sentaram-se no sofá e Damien mostrou a Cassy o relatório que havia prometido.
— Está aqui uma parte do que me pediu, — começou ele — mas antes de deixar você ver isso, quero saber exatamente para que você o quer.
— Não é você que trabalha sem fazer perguntas? — Cassy tentou descontrair e fugir da pergunta, mas não funcionou.
— Sem chance, Cassandra, fala logo. — Damien disse sério.
O ruim de conhecê-lo desde que tinha seis anos, era que ele a conhecia muito bem e Cassy não conseguiria enganá-lo. Porém, poderia omitir parte do porquê estava pedindo informações sobre Voldemort.
— Tem a ver com uma missão que estou trabalhando para a Ordem da Fênix, eu já te disse isso. Dessa vez estou do lado dos mocinhos, mas só estou fazendo isso em memória do Heitor, porque o que eu mais desejo é me afastar daquelas pessoas. — explicou Cassy — Eu não posso falar mais além disso, preciso manter segredo.
Damien analisou a expressão de Cassy e decidiu confiar nela.
— É algo perigoso? — quis saber ele.
— Não tenho certeza, mas acho que não. — mentiu ela — Acredito que Dumbledore não me daria uma missão perigosa.
— Bom, você deve estar certa, Dumbledore não parece a pessoa que sacrificaria jovens em prol de vencer Voldemort.
Cassy segurou-se para não contradizer Damien, já que era justamente o que Dumbledore estava fazendo, sacrificando uma jovem em nome de "um bem maior".
Finalmente Damien entregou o relatório nas mãos de Cassy.
— O que tenho é um pouco sobre a juventude dele em Hogwarts e um pouco sobre a vida adulta. Mas ainda não consegui nada sobre a infância, o que não é de estranhar, sendo ele quem é.
Cassy segurou o relatório entre seus dedos. Damien percebeu que ela pareceu hesitar.
— Cassy, você está bem? — Ele perguntou.
Cassy levantou seus olhos e encarou Damien.
— Estou. — Ela deu um sorriso fraco. — É só que tenho um pouco de medo do futuro. Parece que depois que eu ler seu relatório sobre Voldemort, não vai ter mais volta.
Damien a mirou um pouco confuso.
— Volta para onde, Cassy?
— Para minha vida, para minha vida normal e sem graça, triste também.
Damien colocou suas mãos sobre as de Cassy.
— Tem certeza de que sua 'missão secreta' não é perigosa? Você parece ainda meio incerta em entrar nisso.
Cassy fechou os olhos por alguns instantes, quando os abriu novamente, mirou os olhos verdes de Damien.
— Eu não sei, Damien. Eu só sei que preciso fazer isso, em memória de Heitor, sei que ele se orgulharia de mim me vendo trabalhar para os mocinhos. — Disse Cassy sabendo que estava mentindo, Heitor jamais a deixaria participar de uma 'missão' como essa.
Damien suspirou, não sabendo se acreditava em Cassy ou não.
— Cassy, se acontecer alguma coisa, qualquer coisa que te faça querer desistir dessa 'missão', fale comigo, entendeu?
Cassandra olhou com carinho para Damien, ela não conseguia entender como demorou tanto para ver como ele era um excelente amigo. Talvez estivesse ocupada demais sendo apenas uma pirralha, como ele costumava dizer.
— Damien, eu prometo, se eu quiser desistir dessa missão, você será o primeiro a saber.
Depois Cassy riu e completou:
— Você vai me ajudar a fugir dos mocinhos?
Damien lhe dirigiu um pequeno sorriso debochado.
— Pelo preço certo... — ele piscou para a bruxa.
Notas Finais:
O que acharam?
Comentem!
Beijão!
