Notas iniciais:

Oiii!
Voltei com mais um capítulo!
A partir desse capítulo tudo vai mudar...


As Memórias Felizes

Dumbledore, anunciou que a Ordem havia desistido do plano de viagem no tempo na reunião seguinte, assim como Cassy havia pedido que ele fizesse. Depois disso, a Ordem voltou sua atenção em vigiar a ocorrência de novos ataques realizados por supostos Comensais da Morte e em pensar uma nova estratégia para derrubar Voldemort, de preferência que não envolvesse o sacrifício de ninguém.

As semanas seguintes ao anúncio de Dumbledore passaram muito rápido, quando Cassandra se deu conta, já estava há um mês estudando o livro Magicae Temporis na casa de Dumbledore. Moody e Bones lhe ajudavam bastante, já que Dumbledore não podia estar sempre com eles, pois ele ainda tinha as responsabilidades como Diretor de Hogwarts para cumprir.

Além de estudar o livro, Cassy também estudava o passado de Voldemort, Damien havia conseguido mais informações sobre ele, informação que Cassy achou realmente relevantes, como ele ser filho de um trouxa, apesar de ter uma mãe de sangue puro, uma Gaunt.

~ x ~

Em uma tarde de sexta-feira, enquanto Cassy revisava o feitiço no livro pela décima vez naquele dia, surgiu uma nova frase no topo da página, assim como havia acontecido no dia em que tocou o livro pela primeira vez.

"Peregrina, você está pronta. O passado a aguarda ansioso."

Cassy quase não acreditou naquilo que estava lendo. Ela iria ler de novo, mas a frase mudou.

"Na próxima lua cheia, prepare tudo. E lembre-se, não recite, cante."

Cassy franziu as sobrancelhas, o livro realmente estava se comunicando com ela.

A bruxa fez um rápido calculo mental, a próxima lua cheia seria em três dias, ela teria pouquíssimo tempo para se preparar. Além disso tinha que pensar em como explicar essa repentina seleção de data aos três homens que estavam trabalhando com ela, já que ela tinha prometido ao livro que não revelaria seus segredos.

Cassy olhou para o topo da página outra vez, leu a frase novamente, dessa vez se atentando a segunda parte, que dizia para cantar e não recitar. A frase então mudou novamente.

"Não recite, cante, cante com toda a sua magia."

Cassy passou os dedos sobre as letras, o que aquilo significava, 'cantar com toda sua magia' era uma frase no mínimo confusa.

A bruxa foi tirada de seu transe pela voz de Edgar, que a chamava.

— Senhorita Barthe, já passa das 18h, pode ir para casa, já trabalhou muito por hoje. — Disse o homem.

Cassandra, que tinha se virado na direção do homem apenas assentiu. Quando voltou seu olhar para o livro novamente, a frase havia desaparecido, não havia mais nada no topo da página.

Cassy suspirou e passou a mão pelo rosto, precisava descobrir logo o que aquela última frase que o livro lhe mostrou queria dizer. Mas tentaria isso em casa, pois estava realmente cansada e só queria jogar-se no sofá, com uma boa taça de vinho em mãos.

A bruxa pegou suas anotações, colocou no bolso de seu casaco, despediu-se de Bones e Moody, que pelo jeito continuariam a trabalhar por mais algumas horas e saiu da casa de Dumbledore. Caminhou um pouco pelo gramado, até encontrar um espaço onde pudesse aparatar.

Cassandra suspirou de alívio quando seus pés tocaram a conhecida rua de sua casa. Ela passou pelo portão, depois pelo caminho de dolomita, em seguida parou em frente à porta de sua casa.

Cassy colocou a mão na maçaneta e a girou, dentro de sua casa já não havia mais o habitual silêncio que reinava após a morte de Heitor. Tinha barulho e também risadas.

Cassy entrou e logo dirigiu-se a sala de estar. Damien estava sentado no chão, brincando com sua gata, ele aprecia ter voltado a ser criança. Quando o bruxo avistou Cassy, deu um largo sorriso e disse:

— Olha quem chegou, Hera, — disse Damien pegando a gata no colo e a virando na direção de Cassy — a rabugenta da Cassandra, que só implica com seus pelos espalhados pela casa.

Cassy revirou os olhos e foi sentar-se no chão, junto com Damien. Pegou Hera no colo e disse:

— Não ligue para esse ciumento, Hera, isso é inveja, por que ela sabe que você me ama mais, né. — Cassy deu um beijo na cabeça da gata, que estava adorando o carinho e a atenção que estava recebendo.

Damien riu e disse:

— Hera, você é uma traidora.

Cassandra recostou a cabeça no sofá, com Hera ainda em seu colo, Damien logo notou que ela parecia exausta.

— Tudo certo com sua missão secreta? — ele perguntou enquanto se ajeitava ao lado de Cassy, para também escorar-se no sofá.

Cassy virou seu rosto na direção de Damien e deu um leve sorriso.

— Sim, tudo certo. — Mas isso não era verdade, ela na realidade estava apavorada com as mensagens do livro, com o que não tinha entendido e com o prazo de três dias para viajar ao passado.

Damien, que conhecia Cassy muito bem, não acreditou em nenhuma das palavras dela.

— Sério, pirralha, vai mentir pra mim?

— Tá, — Cassy cedeu — está tudo indo um pouco rápido demais, só isso.

— Vou fazer de conta que acredito nisso. — Damien disse.

— Obrigada — sussurrou uma cansada Cassy.

Desde o dia que Damien havia aparecido em sua casa, com aquela sacola com duas porções de macarrão ao molho branco, ele não havia ido mais embora. Já morava com Cassy há cerca de um mês, ela havia lhe convidado para ficar alguns dias, ele prontamente aceitou, pois além de estar preocupado com ela, não queria deixá-la sozinha.

Mas os dias foram virando semanas e logo um mês se passou. Ela não lhe pediu para ir embora, então ele decidiu ficar ao lado dela. Trouxe inclusive sua gata para a casa de Cassy, que reclamou do animal de estimação nas primeiras horas, mas no momento em que Hera sentou-se no colo de Cassy, toda reclamação virou amor.

Damien continuava trabalhando no pedido de Cassy, mas também estava se dedicando a cuidar da amiga, fazia ela comer todas as refeições e também não a deixava beber demais, ele queria que Cassy voltasse a ser aquela garota radiante de sempre.

— Damien, você conhece um pouco de tudo, não? — Cassy perguntou enquanto encarava o teto. — Inclusive sobre livros antigos, não?

Damien estranhou a pergunta, mas respondeu.

— Bem, conheço um pouco de vários assuntos, se é isso que quer saber. Livros antigos é um desses assuntos. Porquê?

— Eu vi uma frase hoje enquanto eu estava lendo um livro, a frase me chamou muito a atenção, mas eu não entendi bem. — Cassy não estava mentindo, só omitindo um pouco de informações de Damien.

— Vamos lá, me diga a frase, talvez eu consiga te ajudar.

— A frase era mais ou menos assim: 'cante com toda a sua magia'. O que isso significa?

Cassy agora olhava para Damien.

— Viu isso onde? Em qual livro?

— Em um livro de feitiços que estava lendo hoje de tarde. — Disse ela.

Damien ponderou por alguns segundos.

— A frase era parte de um feitiço?

— Não exatamente, era uma nota no topo da página. — Respondeu a bruxa enquanto acariciava Hera.

— Se essa frase for uma 'instrução', provavelmente o feitiço deve ser cantado, não apenas proferido como fazemos quando usamos varinha. — Damien passou os dedos sobre a barba, refletindo. — Agora sobre a parte de usar toda a sua magia, deve ter a ver com colocar todos os seus pensamentos no resultado daquele feitiço, um pouco como o feitiço do patrono, onde você concentra a sua lembrança mais feliz. Só que no caso, toda a sua mente precisa estar focada nesse feitiço. Entende?

De repente tudo fez sentido na cabeça de Cassy, e ela achou-se ridícula por não ter compreendido a mensagem do livro de primeira.

— Sabe Damien, você teria sido um excelente professor, você consegue explicar coisas complexas com muita facilidade. — Disse Cassy voltando a encarar o teto.

Damien riu alto.

— Você realmente acha que alguém como eu, com a família que eu tenho, poderia ser professor em Hogwarts? Os pais dos alunos pediriam a minha cabeça.

Cassy lembrou-se da família de Damien, ela não gostava deles, todos eram envolvidos com artes das trevas, e assim como como Damien, eram um tipo de 'investigadores'; porém, Damien nunca havia matado alguém, muito diferente de seus familiares, que pelo certo, matavam sem questionar. Damien era diferente de sua família, ele era bom.

— Heitor também nasceu numa família conhecida por se envolver com artes das trevas e ter conseguido grande parte de sua fortuna por meios ilícitos, eu sei disso por que essa é a minha família também. — Disse Cassy. — Mas ele quebrou esse ciclo, se tornou um auror, um dos mocinhos. E agora eu também estou do lado dos mocinhos. — Cassy virou-se para ele. — Se algum dia quiser mudar de profissão, não esqueça o que eu disse, você seria um excelente professor.

Damien deu seu típico sorriso de lado, com um leve ar de deboche.

— Não vou esquecer, pirralha, e você será a primeira a saber se eu tiver vontade de mudar de profissão.

Cassy queria lhe dizer que quando isso acontecesse, provavelmente ela já não estaria mais ali. Mas não queria fazer Damien sofrer, então apenas disse de forma divertida:

— Mas por outro lado eu teria pena dos seus alunos, já que você é um grande chato.

Damien pegou uma das almofadas atirou em Cassandra.

— Eu até estava estranhando sua repentina gentileza, já iria te perguntar se estava doente.

Cassy riu e mostrou a língua para o bruxo.

— Então, mudando de assunto, o que quer jantar hoje, pirralha?

— Acho que poderíamos ir comer uma pizza. O que acha? Faz muito tempo que não como pizza. — Disse Cassy. — Você, que conhece os melhores restaurantes da região, — ela tinha um tom levemente debochado — me leve em algum lugar que tenha uma pizza incrível.

Damien levantou as sobrancelhas.

— Você, querendo sair para comer? Isso é quase um milagre. — Ele riu.

Cassandra, na verdade, queria aproveitar seu tempo ao lado de Damien e ela sabia que ele gostava de ir em restaurantes e provar os mais variados tipos de comidas, fossem elas trouxas ou bruxas.

Cassy preferia ficar em casa, mas naquele momento apenas queria deixar boas lembranças suas para Damien.

— Não posso ter vontade de sair? — Cassy disse rindo, escondendo o verdadeiro sentimento que a motivou a propor a ida a um restaurante.

Damien estreitou os olhos e a mirou.

— Tudo bem, vou levar você na melhor pizzaria de Londres. — Ele cedeu.

~ x ~

Cerca de uma hora mais tarde, Damien e Cassandra encontravam-se em frente a "La Antica Pizzeria".

— Vamos, pirralha. — Disse Damien pegando Cassy pela mão e a conduzindo para dentro da Pizzaria. — Eu só espero que o lugar não esteja lotado.

— Eu não sou pirralha — protestou Cassy.

Damien virou-se para ela e disse:

— Essa sua resposta mostrou que é sim.

Cassy só revirou os olhos dessa vez.

Damien aproximou-se da recepção, pediu uma mesa para duas pessoas. O recepcionista lhes indicou um garçom, que os levou até a mesa, eles tiveram sorte, havia uma mesa livre naquela noite.

— Posso lhes trazer o menu de bebidas? — Questionou o garçom.

— Não será preciso, — disse Damien — quero um vinho branco suave, não tenho preferência por safra ou por ano.

O garçom assentiu e se afastou.

— Você já veio aqui antes? — Cassy perguntou curiosa.

— Sim, algumas vezes, gosto da pizza daqui. — Disse Damien.

— Falando em pizza, estou com fome, quando pedimos a pizza?

Damien sorriu.

— Assim que ele voltar com o vinho, podemos pedir a pizza.

Quando o garçom retornou com o vinho, Damien pediu uma pizza napolitana para eles.

— O que vai nessa pizza — Cassy perguntou assim que o garçom se afastou da mesa novamente.

— Não sei exatamente, — admitiu Damien — mas é uma delícia.

Cassy riu.

O jantar deles foi animado, eles comeram a pizza, que realmente estava uma delícia e tomaram duas garrafas de vinho, também conversaram muito, falaram inclusive sobre Heitor. Agora Cassy já conseguia falar sobre seu irmão sem ter uma vontade absurda de chorar, isso graças a Damien.

Quando estavam se preparando para ir embora, Cassy pegou o dinheiro, para pagar a conta, mas dessa vez Damien negou.

— Dessa vez eu pago, na próxima você paga. — Ele deu uma piscada.

Cassy não sabia o que dizer, então apenas assentiu.

~ x ~

Quando chegaram em casa, Hera os esperava na porta. Os dois entraram e Damien logo pegou sua gata no colo.

— Vou te dar comida. — Disse ele se dirigindo a cozinha.

Cassandra olhou a cena e logo uma bola se formou em sua garganta. Ela tinha que sair dali o mais rápido possível.

— Damien, eu vou ir dormir. — Ela disse usando toda sua força de vontade para manter-se controlada. — Boa noite e obrigada pelo jantar.

Damien virou-se para ela e sorriu, um de seus sorrisos mais brilhantes, concluiu Cassy.

— Boa noite, pirralha. — Ele disse.

Cassandra foi para seu quarto, jogou-se sobre a cama e então deixou as lágrimas correrem de seus olhos.

Quando viu Damien entrar em casa, junto dela, há alguns minutos, se deu conta de que estava apaixonada por ele, estava apaixonada pelo seu amigo.

Ela havia se candidatado para aquela missão suicida, pois não tinha nada a perder naquele momento. No entanto, agora ela tinha algo a perder, Damien.

Novas lágrimas correram de seus olhos, ela não podia desistir de sua missão agora, ela não podia deixar as coisas como estavam.

Cassy sentiu uma dor terrível no peito, era seu coração sendo quebrado por suas próprias escolhas.

— Me perdoe, Damien, — ela sussurrou para o nada — mas eu não posso ficar aqui com você, me perdoe.

O sono chegou para Cassy enquanto algumas lágrimas ainda desciam por suas bochechas.


Notas Finais:

Então, o que acharam?

Comentem!