Notas Iniciais:

Voltei com capítulo novo! Espero que gostem!


A Despedida

Cassy acordou na manhã seguinte sentindo-se péssima, não fisicamente, apenas mentalmente. Ter chegado à conclusão de que estava apaixonada por Damien certamente era o motivo para ela estar sentindo-se assim.

Cassy suspirou e passou as mãos pelo rosto, não sabia exatamente como deveria agir naquele momento, já que nunca esteve apaixonada por ninguém antes. Ela questionou-se se seria capaz de esconder seus sentimentos de Damien. Esperava desesperadamente que sim, pois não queria fazê-lo sofrer e também não queria que ele soubesse de nada.

Cassandra, depois de acalmar-se um pouco e colocar seus pensamentos em ordem, tomou uma importante decisão. Ela levantou-se da cama, escreveu um pequeno bilhete para Dumbledore, solicitando um encontro com ele, o mais breve possível, pois o assunto que ela queria tratar era urgente.

Saiu do quarto e foi até sua coruja, prendeu o bilhete na pata do animal e, por alguns momentos, ficou observando a coruja voar em direção ao horizonte.

— Não vai tomar café da manhã? — Questionou alguém atrás de Cassy.

Ela virou-se rapidamente.

— Você me assustou, Damien. — Disse Cassandra com a mão sobre o peito.

Ele riu.

— Não foi minha intenção. — Ele disse, mas era óbvio que não falava a verdade.

Cassy estreitou os olhos e lhe mirou.

— Sei...

— Vamos, vem tomar café. — Disse ele ainda com um sorrisinho debochado no rosto.

Cassy o seguiu e suspirou aliviada, tudo parecia normal, a única diferença estava nela, que agora sabia o que sentia.

~ x ~

A resposta o bilhete que Cassy havia mandado para Dumbledore chegou logo depois do café da manhã. O bruxo tinha aceitado encontrá-la em uma hora, em sua casa.

— Damien, vou ter que trabalhar agora pela manhã. Preciso tratar alguns assuntos com Dumbledore. — Disse Cassy depois de ler o bilhete. — Mas não vou demorar, antes da hora do almoço eu estarei de volta.

— Certo. — disse Damien — Eu também tenho que resolver um assunto com um dos meus clientes, agora pela manhã. Posso comprar nosso almoço na volta.

— Pode ser aquela massa ao molho branco que você trouxe no outro dia? Estava uma delícia.

— Claro.

~ x ~

Cassy aparatou próximo à casa de Dumbledore. Caminhou pelo gramado e passou pelo portão de madeira, só parando quando alcançou a porta da casa. Bateu uma vez e aguardou.

A porta logo foi aberta pelo bruxo de longas barbas brancas.

— Entre, senhorita Barthe. — disse o homem.

— Obrigada — Cassy agradeceu e entrou na casa.

Dumbledore a guiou até a sala de estar e lhe pediu que sentasse. Assim que ambos estavam acomodados, Dumbledore perguntou:

— Em que posso lhe ser útil, senhorita?

— Primeiro, eu gostaria de saber se estamos a sós. — disse Cassy.

— Sim, estamos. — Confirmou Dumbledore.

Cassy deu um suspiro aliviado, não queria que ninguém soubesse o que ela estava prestes a pedir ao outro bruxo.

— Nosso plano precisa ser colocado em prática em breve, — começou Cassy — muito em breve.

Dumbledore lhe mirou por sobre seus óculos de meia lua e perguntou:

— Quando?

— Em dois dias. Mas eu não posso lhe dizer o porquê. Só posso dizer que o feitiço do tempo deve ser conjurado na próxima lua cheia, que será na próxima segunda-feira, em dois dias.

O homem alisou a barba e pensou por alguns instantes antes de responder a jovem.

— Se a senhorita tem plena certeza disso, conversarei com Bones e Moody e organizaremos tudo para o feitiço ser conjurado.

Cassy suspirou aliviada.

— Obrigada, senhor. Eu tenho plena certeza sim.

Dumbledore assentiu.

— O senhor me perguntou se eu tinha algum outro pedido no dia em que aceitei participar dessa missão e eu lhe disse que talvez eu tivesse algum pedido mais próximo da data em que eu fosse 'partir'. — Cassy falou.

— Sim, lembro-me disso.

— Então, eu tenho alguns pedidos para fazer ao senhor.

— Farei tudo ao meu alcance para realizar seus pedidos.

Cassy então listou o que desejava a Dumbledore, não eram poucas coisas, mas a maioria seria simples de conseguir.

Assim que Cassandra terminou de falar, Dumbledore a mirou seriamente.

— Tem certeza de que é isso que a senhorita quer? Sabe que pode gerar uma grande confusão em sua família, não?

— Sei disso, mas é o que quero.

— Então, considere aquilo que cabe a mim, feito. As demais questões, vou cobrar alguns favores e certamente até segunda à tarde estará tudo pronto.

Cassy engoliu em seco. Ela realmente estava se preparando para ir numa missão suicida.

— Senhorita Barthe, ainda há tempo de desistir. — Dumbledore lhe lembrou.

— Eu não posso desistir, eu quero mudar o passado para que ninguém precise sofrer no futuro. — Cassy foi firme em suas palavras.

Dumbledore deu um leve sorriso.

— Então, ainda é uma honra poder contar com a senhorita para essa missão.

Cassy apenas assentiu.

~ x ~

Quando a bruxa sentiu sob seus pés o tão conhecido chão de concreto, suspirou aliviada, o sentimento de familiaridade lhe fazia bem e também lhe tranquilizava.

Caminhou até a porta de sua casa, abriu-a e antes de entrar, ficou escutando os sons que vinham de dentro da casa. Ela sorriu ao ouvir Damien conversando com Hera, que miava certamente caminhando em volta dos pés dele.

Cassy fechou os olhos por alguns momentos e imaginou uma vida ao lado de Damien e Hera, ela seguramente conseguiria ser feliz com eles. Cassy crispou os lábios e balançou a cabeça, não deveria ficar pensando em coisas assim, ou acabaria hesitando e desistindo de sua missão.

A bruxa então entrou, fechando a porta atrás de si. Logo Hera veio até ela e esfregou-se em suas pernas.

— Oi, minha querida. — Cassy pegou Hera no colo e foi atrás de Damien.

Damien estava na cozinha, em frente a pia, estava cortando alguns legumes. Assim que escutou os passos de Cassy virou-se para ela e deu um grande sorriso.

— Pensei que você fosse demorar mais. — Damien disse.

— Eu também, mas tudo se resolveu mais rápido do que eu imaginava.

— Eu não comprei aquela massa ao molho branco que você pediu, o restaurante estava fechado, eu me esqueci que aos finais de semana eles atendem somente à noite.

Cassy fez uma cara desanimada.

Damien riu.

— Mas não se preocupe, eu sei fazer massa ao molho branco. — Disse com as mãos na cintura, como se estivesse salvando o mundo. — Você não vai ficar sem seu almoço.

Cassy deixou uma gargalhada escapar de seus lábios.

— Obrigada por salvar meu almoço, meu grande herói. — Ela disse ainda em meio ao riso.

Damien sorriu, gostou de vê-la gargalhar, ele gostava de vê-la feliz.

~ x ~

Depois do almoço, Cassy pegou um livro, um dos romances trouxas que Heitor lhe trouxe depois de alguma missão, que ela já nem se lembrava mais.

Ela deu um leve sorriso enquanto olhava para o livro que estava em suas mãos, já não doía tanto pensar em Heitor, ele era uma lembrança feliz em sua mente, uma lembrança que sempre estaria lá, mesmo que Heitor já não estivesse entre os vivos.

Cassy foi até a sala de estar, sentou-se sobre o sofá. Damien também estava ali, aparentemente trabalhando, pois havia diversos papéis espalhados sobre a mesa de centro. Ela já tinha perdido as contas de quantas vezes havia mandado o homem trabalhar na biblioteca, mas ele nunca a escutava. Então ela acabou se acostumando com ele sentado no chão da sala de estar, com Hera sempre por perto, analisado pilhas de papéis, que sempre ficavam, de forma pouco organizada, espalhadas pela mesa de centro.

Ter Damien ali, junto dela, já havia se tornado familiar.

Cassy não queria pensar nisso, então abriu seu livro e tentou dedicar-se a leitura. No início foi um pouco complicado, ela precisou ler o mesmo parágrafo diversas vezes, mas depois a história a prendeu e ela conseguiu relaxar um pouco sua mente.

~ x ~

O final de semana passou rápido, mas Cassy havia feito questão de aproveitar o seu tempo ao lado de Damien, havia sido divertido. Ela inclusive havia ajudado ele a cozinhar, ou melhor, tentado ajudar ele a cozinhar, porque depois de ter cortado os dedos três vezes, ele mandou ela sentar e apenas fazer companhia.

Na segunda-feira pela manhã, Cassy acordou com uma coruja batendo a pata na janela de seu quarto. Ela, ainda um pouco sonolenta, olhou para o relógio que ficava na mesa de cabeceira, ao lado da cama, não eram nem 7h da manhã.

Ela suspirou e levantou-se da cama, abriu a janela e recebeu os papéis que a coruja trazia consigo, era relativamente bastante coisa para uma coruja carregar. A coruja pareceu aliviada quando se viu livre do rolo de pergaminhos que estava preso aos seus pés.

Cassy liberou a coruja, voltou a fechar a janela e sentou-se sobre sua cama, abrindo o rolo de pergaminhos sobre ela. Havia ali diversos documentos, os quais Cassy havia pedido a Dumbledore. Também havia um bilhete com algumas instruções para a bruxa seguir.

Ela leu um por um dos pergaminhos e deixou aqueles, que pediam sua assinatura, assinados. Mais tarde ela voltaria a entregá-los na mão de Dumbledore.

Cassy voltou-se por último ao bilhete de Dumbledore, que a orientava a levar consigo itens de primeira necessidade, pois a chegada ao passado, se é que ocorresse, poderia ser complicada.

Cassy revirou seu guarda-roupas, retirou dali uma pequena bolsa, e usou um feitiço de extensão nela, pois ela não planejava levar pouca coisa.

Cerca de duas horas mais tarde, Cassy já havia terminado de organizar sua bolsa, a deixou junto com as roupas que usaria para sair, sobre a cama.

Assim que abriu a porta para sair de seu quarto, deu de cara com Hera, que aparentemente a estava esperando.

— Veio me chamar para tomar café da manhã? — Disse Cassy enquanto passava a mão sobre a cabeça da gata.

Hera miou em resposta e seguiu pelo corredor, Cassy seguiu-a até a cozinha. Damien estava terminando de passar café.

— E aí, bela adormecida! Achei que teria que ir te buscar.

Cassy lhe dirigiu uma careta.

— Sua sorte é que você cozinha bem — disse ela enquanto sentava-se em uma das banquetas da ilha da cozinha.

Damien mirou a bruxa e estreitou os olhos.

— Interesseira — ele disse quase em um sussurro.

Ela esboçou um pequeno sorriso.

Depois do café da manhã, Cassy ajudou Damien a organizar a cozinha. Ficou ao lado dele o maior tempo possível.

— Não precisa trabalhar hoje? — Damien perguntou enquanto Cassy secava os pratos que ele havia acabado de lavar.

— Lembra da 'missão secreta'?

Damien franziu as sobrancelhas e respondeu:

— Sim.

— Então, hoje à noite eu irei cumprir essa missão. Por isso estou em casa agora. E se você ficar em casa hoje, ficarei te perturbando o dia todo. — Ela deu meio sorriso.

— Coitado de mim... — ele disse simulando sofrimento.

O dia passou mais rápido do que Cassy realmente gostaria, mesmo estando toda a manhã e toda a tarde com Damien, ainda não parecia ter passado tempo suficiente ao lado dele.

Enquanto ela terminava de arrumar-se, em seu quarto, sentia que seu coração batia cada vez mais acelerado. Ela não sabia se realmente estava preparada para viajar no tempo, mas não podia desistir. Tinha que fazer aquilo por seu irmão e agora também por Damien, queria que eles pudessem ter uma vida feliz.

Um pouco antes das 18h30 Cassy estava pronta, tinha em sua bolsa tudo que achava necessário, inclusive os papéis que Dumbledore havia lhe enviado mais cedo. Ela colocou uma longa capa escura sobre o vestido que usava, estava pronta para ir. Mas antes de sair de seu quarto, colocou sobre sua penteadeira uma carta endereçada a Damien, explicando tudo o que estava acontecendo. Cassy suspirou e olhou para a carta uma última vez, logo depois disse num sussurro:

— Eu espero que possa me perdoar... — As palavras eram dirigidas a Damien, que sequer fazia ideia do que estava acontecendo e também não teria como escutar o que Cassy havia acabado de dizer.

Cassy saiu de seu quarto e foi em direção a saída da casa. Damien a esperava ao lado da porta.

— Não estava planejando ir sem se despedir, não é? — Damien tinha os braços cruzados sobre o peito, em uma típica pose de bad boy.

— Eu até pensei em tentar, mas meu plano acabou de fracassar. — Cassy tentou parecer divertida, mas foi difícil.

Cassy aproximou-se de Damien, que assim que pode, a envolveu em um abraço apertado. Ela retribuiu

— Tem certeza que quer ir nessa 'missão secreta'? — Damien perguntou. — Eu te ajudo a sumir daqui se quiser.

— Eu preciso ir, prometi a Ordem que ajudaria. — Cassy respondeu com as mãos em volta da cintura de Damien e com seu rosto apoiado no peito dele.

Damien suspirou pesadamente.

— Tudo bem, mas promete que vai se cuidar, eu estou com um mal pressentimento. — Ele disse.

Cassy quase chorou naquele momento. Lutou para manter seus sentimentos dentro de si.

— Prometo que vou me cuidar, Damien. — Ela disse se afastando para poder olhar nos olhos dele.

Cassy virou-se para a porta, já colocando a mão na maçaneta, mas antes que pudesse abrir, Damien segurou seu braço e puxou de volta.

— Damien, o que...

Cassy não conseguiu concluir sua frase pois Damien havia colado seus lábios aos dela. Ele envolveu novamente a cintura de Cassy com suas mãos e a puxou mais para perto.

Cassandra não resistiu, envolveu o pescoço de Damien com suas mãos e retribuiu o beijo.

Assim que Damien encerrou o beijo, mirou Cassy nos olhos e colou sua testa a dela.

— Promete, pirralha, que não vai demorar para voltar pra mim. — Damien deu um leve beijo sobre os lábios dela e depois lhe deu um beijo na testa também.

Cassy precisou ser muito forte naquele momento.

— Eu prometo — tentar voltar para você, Damien. — Ela disse a primeira parte em voz alta e segunda parte manteve em sua mente.

— Eu vou te esperar. — Damien disse.

Cassy assentiu e completou:

— Eu deixei uma carta para você. Está em cima da minha penteadeira, no meu quarto. Mas você tem que me prometer que só vai abrir a carta amanhã.

— É o que? Uma declaração de amor? Se for já posso abrir hoje, afinal você até já meu beijou. — Ele tinha um sorriso convencido sobre os lábios.

— Pode ser que seja, — disse Cassy — mas não pode abrir hoje, só amanhã. Promete?

— Se me der mais um beijo, eu prometo. — Damien disse.

Cassy sorriu, mas seu coração doía. Deixar Damien não estava sendo nada fácil. Mas ela precisava seguir com o plano. Cassy deu mais um beijo sobre os lábios de Damien.

— Eu prometo abrir a carta só amanhã.

— Obrigada. — Cassy deu mais um beijo sobre os lábios de Damien, um último beijo de despedida. — Eu preciso ir.

— Tudo bem, mas não esqueça de tomar cuidado. — Ele frisou.

Ela assentiu e seguiu porta afora, mas não sem antes olhar para trás e ver Damien escorado no batente, acenando para ela antes que ela aparatasse.

Notas Finais:

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