Notas iniciais:

Capítulo novo!
Já vou avisando preparem os lencinhos para esse e também para o próximo capítulo!

Boa leitura!

OBS: Imagem retirada do site Unsplash, crédito a Debby Hudson.


A Carta

Damien acordou cedo na manhã seguinte. Antes de fazer qualquer outra coisa, ele foi até o quarto de Cassandra pegar a carta que ela havia lhe deixado. A carta estava sobre a penteadeira, onde ela disse que estaria. Damien aproximou-se e pegou o envelope em suas mãos, quebrou o lacre com o brasão da família Barthe e retirou de dentro um pedaço de pergaminho dobrado.

Damien largou o envelope sobre a penteadeira e abriu o pergaminho, imediatamente ele reconheceu a caligrafia fina e delicada de Cassy.

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"Querido Damien,

Desculpe-me por deixar uma carta, mas aqui deixo escrito algumas coisas sobre as quais eu não teria coragem de lhe falar pessoalmente.

Primeiramente eu quero agradecer a você, por ter ficado ao meu lado, mesmo que tenha sido por apenas um mês. Eu fui muito feliz ao seu lado e de Hera nesse tempo. Vocês dois devolveram a minha vontade de viver. Quero agradecer por ter cozinhado pra mim todos os dias e quero agradecer também seu esforço para tentar me ensinar a cozinhar algo. Mas foi em vão, eu não sei nem fazer um ovo mexido.

Damien, foi maravilhoso esse tempo que passamos juntos.

Eu preciso lhe contar sobre a 'missão' que recebi de Dumbledore, não era uma missão qualquer, era algo extremamente perigoso e eu menti pra você, eu não queria que se preocupasse comigo e também eu não queria que você tentasse me deter.

Eu parti nessa missão essa noite e eu não sei se um dia voltarei. Damien, eu estou entregando a minha vida em nome dessa missão. Eu sei que será um choque para você, mas eu espero que compreenda a minha decisão. Eu peço perdão por isso, mas não tinha como ser diferente.

Como minha última decisão, eu estou deixando essa casa para você e para Hera, além de um cofre no Gringotts, com uma soma considerável em dinheiro. Não se preocupe, os documentos já estão assinados, está tudo em seu nome.

Além disso, eu pedi a Dumbledore que lhe desse uma chance e ele concordou em chamar você para ser o Professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. Assim que iniciar o próximo semestre letivo você será professor, Damien. Por favor, aceite, sei que será um professor maravilhoso, eu já lhe disse isso.

Por fim, eu não pretendia revelar isso, nunca, mas sinto que devo fazer, meu coração pede. Damien, quero que saiba que eu o amo, de todo meu coração. É por isso que quero que seja feliz, muito feliz.

Por favor, me prometa que vai mudar de vida.

Com amor,

Cassandra Barthe."

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Damien sentiu seu peito doer, ele não podia acreditar que estava lendo aquilo, era cruel demais, doloroso demais. Ele não conseguia acreditar que Cassandra havia feito isso. Ele não compreendia o porquê.

Ele desabou sobre o banco da penteadeira, passou a mão pelo rosto e então suas lagrimas brotaram, ele não pode segurar mais. Damien gritou em meio as lágrimas, ele não conseguia creditar que havia perdido Cassandra também para os malditos "mocinhos". Cassandra era a garota que ele amava e foi tirada dele assim como Heitor, seu melhor amigo. Aquilo era injusto.

Ele não iria permitir que isso ficasse assim, ele iria atrás daquela maldita Ordem da Fênix e arrancaria de Dumbledore a localização de Cassy e então a traria de volta para casa, em segurança. Damien só precisava descobrir aonde aqueles malditos costumavam se reunir.

~ x ~

Damien chegou a residência dos Black um pouco antes das 17h, bateu na porta, que foi aberta por um elfo doméstico, que era conhecido como Monstro.

— Senhor Delacroix, — disse Monstro — os senhores não esperavam sua visita.

— Não, não esperavam. — Disse Damien tentando conter sua impaciência. — É uma visita surpresa, Monstro. Regulus está em casa?

— Monstro vai ver — ele deu passagem para Damien e depois indicou um cômodo lateral. — Espere aqui.

Damien entrou na casa e sentou-se sobre uma das poltronas que haviam naquela pequena antessala.

Ele estava nervoso, sacudia sua perna sem parar. Monstro estava demorando a retornar com seu senhor. Mas Damien esperava que Regulus o recebesse, já que ele lhe devia um ou dois favores.

— Senhor Delacroix, há quanto tempo não nos dava a honra de uma visita. — Disse Walburga Black, mãe de Regulus.

Damien lembrou-se da última vez que havia estado naquela casa, foi cerca de uma semana antes do filho mais velho, Sirius, abandonar a família Black. Mas ele achou prudente não mencionar isso. Preferiu apenas se levantar e cumprimentar a matriarca da família.

— Senhora Black, é um prazer revê-la. Desculpe não vir visitar com mais frequência, o trabalho tem me tomado muito tempo. — Damien curvou-se e deu um beijo na mão da senhora.

— Eu entendo, meu jovem, seus pais sempre o mencionam em nossas conversas. Comentam como você sempre está cheio de trabalho. — Ela disse.

O que ela não sabia era que os pais de Damien certamente estavam mentindo a ela, já que Damien não falava com sua família há alguns anos.

— Sim, realmente, não me sobra tempo para rever os amigos. — Ele disse, mentindo obviamente, pois não havia um Black na face da terra que ele considerasse um amigo. — Inclusive hoje, só passei para conversar rapidamente com Regulus, preciso de ajuda dele em algo que estou trabalhando.

— Sim, Monstro me disse que veio visitar Regulus. — Walburga suspirou sem perder sua pose naturalmente imponente. — Tente colocar algum juízo naquela cabeça oca de meu filho.

Damien iria perguntar o que Walburga queria dizer com "colocar juízo" na cabeça de Regulus, mas não pode, pois o jovem entrou na antessala naquele instante.

— Delacroix, — disse Regulus — como está?

Regulus aproximou-se de Damien e lhe apertou a mão.

— Estou bem, Black. — Disse Damien.

— Podemos resolver o assunto que tem comigo em meus aposentos? Certamente é um assunto delicado. — Disse Regulus, deixando claro que não queria ninguém por perto enquanto conversavam.

— Certamente. — Disse Damien.

Depois ele virou-se para Walburga e disse:

— Foi um grande prazer revê-la, senhora Black, prometo arrumar um espaço em minha atarefada semana para vir tomar um chá com a senhora. — Damien fez uma leve reverência a mulher.

— Será um prazer, aguardarei sua coruja. — Disse ela.

Regulus seguiu para fora da sala, em direção a uma larga escadaria, Damien o seguiu. Depois de subirem as escadas, andaram mais alguns passos pelo corredor, Regulus então parou em frente a uma porta de madeira, abriu-a e entrou.

— Feche a porta. — Disse para Damien, que entrou no aposento logo depois.

Damien fez o que ele pediu.

Regulus virou-se para Damien e fechou a cara, então perguntou:

— O que quer, Delacroix?

— Quero saber daquela ridícula organização que seu irmão traidor pertence. — Damien foi direto.

Regulus arregalou os olhos por alguns segundos, depois retornou a uma expressão séria.

— Eu não falo com meu irmão há muito tempo, não sei do que está falando. — Regulus desconversou.

— Regulus, eu sei que você sabe do que eu estou falando. — Damien agora usava um tom de voz ameaçador. — Eu quero saber onde aqueles babacas da Ordem da Fênix se reúnem e quero saber agora! Quero saber também a data da próxima reunião deles.

Regulus virou-se para a janela do quarto e disse:

— Já lhe disse, eu não sei de nada sobre Sirius.

Damien, perdendo completamente a compostura, partiu para cima do garoto Black.

— Não pense que eu não seria capaz de matá-lo dentro de sua própria casa, Black. — Damien havia agarrado Regulus pelo colarinho de sua camisa. — Ou posso revelar algumas coisas que eu sei aos seus pais, aí quem vai te matar são eles.

Regulus se debateu e se soltou das mãos de Damien.

— Mate-me, acha que me importo?

Damien tentou recuperar sua compostura, respirou fundo, passou a mão pelos cabelos e então disse:

— Regulus, — Damien tentou usar uma voz mais calma — uma pessoa que eu amo pode estar em perigo por causa dessa Ordem da Fênix, uma pessoa que inclusive você conhece, é a Cassandra.

Regulus voltou seu olhar para Damien, agora estava prestando atenção no que o outro bruxo dizia.

— Continue. — Disse o Black.

— Cassy foi numa missão para a Ordem, algo perigoso. Eu só quero saber onde ela está e trazer ela de volta, nada mais. — Explicou Damien. — Eu não quero que nada aconteça com ela, como aconteceu com Heitor.

Regulus conhecia Cassy, haviam estudado juntos, em Hogwarts, haviam inclusive estado na mesma casa, Sonserina. Cassy sempre havia sido legal com ele, ela era uma boa pessoa e não merecia a família que tinha, assim como ele mesmo.

— Merda! — Praguejou o Black.

Ele não podia deixar de ajudar Cassy.

— Eu sei onde a Ordem vai se encontrar hoje à noite. — Regulus falou. — Mas eu só irei lhe contar se prometer não machucar ninguém e também não revelar a ninguém que fui quem te deu a informação.

— Não posso prometer não machucar ninguém, pois dependendo da resposta de Dumbledore, eu talvez tente matá-lo. — Damien deixou as palavras escaparem de seus lábios, quando se deu conta, já havia falado.

Regulus apenas balançou a cabeça.

— Então prometa que não vai atacar ninguém além de Dumbledore e que não vai revelar que fui eu quem lhe disse onde seria a reunião de hoje.

— Eu prometo. — Disse Damien.

— Certo, a reunião de hoje será na casa dos Longbottom, às 19h. Você sabe a localização? — Perguntou Regulus.

— Sei — disse Damien já pensando em como chegaria no local sem chamar a atenção.

Damien já estava virando-se para sair, quando escutou a voz de Regulus.

— Quando encontrar Cassy, peça para ela me mandar notícias.

Damien virou-se rapidamente e encarou o garoto, ele parecia ser sincero no pedido.

— Claro, eu pedirei para ela lhe mandar uma coruja.

Damien saiu da casa dos Black o mais rápido possível, já maquinando uma maneira de entrar na casa dos Longbottom de forma discreta.


Notas Finais:

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