Notas Iniciais:

Olá! Voltei com capítulo novo!

Esse capítulo tem somente a visão de Damien.
Eu espero que gostem e não sofram tanto.

Boa leitura!


O Confronto

Damien tentou encontrar uma forma de chegar até a casa dos Longbottom sem fazer alarde, isso certamente não seria muito difícil. A parte complicada seria entrar na casa, invadir aquela reunião. Ele suspirou derrotado, não parecia haver uma forma de entrar naquela casa sem causar uma grande comoção.

Foi nesse instante que a ideia brilhou em sua mente, uma comoção, era isso que ele precisava para conseguir entrar na residência dos Longbottom. Eles moravam em um bairro trouxa, certamente não gostariam de um escândalo em frente à porta de sua casa.

Um pouco antes das 19h, Damien já circulava pelo bairro de Willesden Green, um local pacato, cheio de casinhas praticamente iguais. Damien havia visto movimentação na casa, a porta já havia sido aberta diversas vezes e algumas pessoas tinham entrado. Ele só reconheceu Sirius, devido aos seus cabelos longos. Ainda não havia visto Dumbledore chegar, mas havia a possibilidade do homem vir pela rede de flu.

Damien, acreditando que já havia esperado demais, foi até a casa dos Longbottom e bateu a porta. Assim que a porta foi aberta, ele mudou de ideia e apontou a varinha para a mulher, que mudou sua expressão sorridente no instante seguinte.

— Faça silêncio. — Disse Damien. — Eu não pretendo machucar ninguém, só quero explicações.

A bruxa, que era Alice Longbottom, assentiu e não reagiu, pois não estava em posse de sua varinha.

— Eu prometo que não vou te machucar, mas terei que te usar de escudo para entrar em sua casa. Não quero ser estuporado logo nos primeiros passos. — Damien disse. — Eu sei que está acontecendo uma reunião da Ordem da Fênix em sua casa, por isso estou me precavendo.

Ela pareceu genuinamente surpresa.

— Como sabe disso? — Ela falou no mesmo tom que ele usava, quase um sussurro.

— Não posso revelar, eu prometi isso. — Disse Damien. — Agora vire-se e ande em direção ao interior da casa.

Alice obedeceu, Damien colou sua varinha o pescoço da mulher.

— Desculpe por isso, não é muito cavalheiresco de minha parte, mas é necessário.

Alice não sabia exatamente quem era o bruxo que estava invadindo sua casa, mas ele não lhe era totalmente estranho.

— Quem chegou, querida? — Perguntou Frank assim que viu a esposa se aproximar.

Quando viu que havia alguém com ela, ele empalideceu instantaneamente.

Damien olhou para a sala de estar, onde todos estavam reunidos, estava repleta de jovens, a maioria deveria ter a idade de Cassy. Um ou outro deveria ser mais velho.

— O que está acontecendo? — Frank perguntou, seu tom de voz agora demonstrava certo nervosismo.

— Eu só quero respostas. — Disse Damien sem vacilar.

Frank usou seu treinamento como auror naquele momento, as táticas de negociação teriam que ter alguma utilidade.

— Certo. Respostas sobre o que? — O bruxo perguntou.

— Onde está Cassandra Barthe? — Damien falou sem tirar a varinha do pescoço de Alice.

— Cassy? — Foi Alice quem falou. — O que aconteceu com Cassy?

Damien ficou desconcertado por alguns segundos. Mas retomou sua pose rapidamente.

— Eu esperava que vocês soubessem onde Cassy está. Já que ela estava trabalhando para vocês.

— Espera, vamos nos acalmar. — Disse Frank. — Você está aqui para buscar informações sobre Cassandra. É isso?

— Exatamente. Eu não pretendo machucar ninguém, eu só quero saber onde ela está. — Damien disse. — Assim que descobrir, vou embora.

— Não sabemos onde Cassy está. Ela estava participando das reuniões normalmente. A vimos na semana passada. — Quem falou foi Lily Potter.

Damien virou seu rosto na direção da ruiva, sua paciência se esvaindo.

— Não minta! — Disse ele.

— É a verdade — James se colou em pé na defesa da esposa.

— Sim, é verdade. — Lupin se levantou. — Ela inclusive deveria vir para essa reunião.

— Vocês estão mentindo! — A voz de Damien soou mais alterada. — Vocês são mentirosos! Onde está Cassy?

Sirius saiu de seu lugar e se colocou mais à frente.

— Delacroix, — disse Sirius — o que está fazendo?

— Eu só quero saber onde está Cassy! — Damien gritou. — Ela está numa maldita missão para essa organização ridícula de vocês.

Os membros da Ordem se olhavam e não entendiam o que estava acontecendo.

— Não sabemos de nada, — Alice disse — não sabíamos de missão alguma.

Damien inconscientemente apertou mais a varinha contra o pescoço de Alice.

— Cassy deixou uma carta, escreveu que estava em missão, que partiu ontem à noite. E certamente era uma missão suicida. — Damien estava perdendo sua compostura. — Eu não vou perder a Cassandra por causa dessa maldita Ordem da Fênix! — Damien gritou novamente.

Remus se aproximou e perguntou:

— Ela disse que missão era? — Ele estava desconfiando de algo.

Damien passou, nervoso, a mão pelo rosto.

— Não, ela só deixou uma carta, que é praticamente uma carta de despedida. Só escreveu que era uma missão com Dumbledore.

Remus então entendeu.

— Você tem a carta? — Lupin perguntou.

— O que está fazendo? — Perguntou James puxando Remus pelo braço.

— Eu sei o que estou fazendo. — Ele disse.

Depois virou-se para Damien novamente e voltou a perguntar:

— Você tem a carta?

— Sim, está aqui comigo. Porquê? — Damien disse.

— Pode me deixar ver. Eu prometo, em nome de todos nós, ninguém vai te atacar, vamos te ajudar. — Disse Lupin. — Certo? — Ele se dirigiu aos outros membros da Ordem.

A grande maioria assentiu.

Damien tirou a varinha do pescoço de Alice, que correu até o marido. Damien balbuciou um pedido de desculpas para ela. Então remexeu no bolso de seu casaco e dali tirou a carta que Cassy havia deixado a ele.

Remus leu apenas os primeiros parágrafos e teve certeza de sua suspeita.

— Provavelmente você nunca mais verá Cassandra. — Lupin baixou seus olhos pesaroso.

— Que merda está acontecendo! — Damien partiu para cima de Lupin e o agarrou pelo colarinho da camisa. — Onde está Cassy?

— Se acalma, Delacroix. — Sirius interveio. — Quer ser estuporado?

— Cassandra foi numa maldita missão para Dumbledore! O que estão escondendo? Eu já achei inclusive essa organização secreta de vocês! Inferno! — Damien esbravejou e soltou Lupin.

— Nós não sabemos! — Disse Sirius.

— Na verdade, sabemos. — Disse Lupin.

Todos os presentes se voltaram a ele.

— Há um tempo, cerca de um mês, Dumbledore nos propôs uma missão. — Lupin falava a Damien e também aos seus colegas da Ordem. — Aparentemente ninguém aceitou. No entanto, Cassandra pode ter falado com Dumbledore a sós.

— Isso é impossível. — Disse James.

— Não é. Você não leu esta carta. — Lupin levantou o papel. Depois leu um pedaço da carta. — "Eu preciso lhe contar sobre a 'missão' que recebi de Dumbledore, não era uma missão qualquer, era algo extremamente perigoso e eu menti pra você, eu não queria que se preocupasse comigo e também eu não queria que você tentasse me deter. Eu parti nessa missão essa noite e eu não sei se um dia voltarei. Damien, eu estou entregando a minha vida em nome dessa missão. Eu sei que será um choque para você, mas eu espero que compreenda a minha decisão. Eu peço perdão por isso, mas não tinha como ser diferente.

Naquele instante muito rostos dos membros da ordem pareceram iluminar-se em compreensão.

— Dumbledore não pode ter feito isso. — Marlene parecia chocada.

Assim como Lily e Alice, Frank também havia sido pego de surpresa.

— Me expliquem, porra! — Damien não estava entendendo nada.

— Cassandra viajou no tempo. Voltou ao passado para matar Voldemort enquanto ainda não havia ascendido como Lorde das Trevas. Foi usado um feitiço, e não há nenhuma garantia de que ela esteja bem ou viva. — Sirius foi direto.

— Isso é ridículo, — disse Damien — algo assim nem é possível.

— Acreditamos que possa ser possível, sim. — Lupin respondeu.

Remus então explicou a situação de forma detalhada, pelo menos o que havia sido revelado a eles e o pedido de um voluntário.

Damien ficou paralisado por alguns segundos, lembrou-se do pedido de Cassy, para ele investigar o passado de Voldemort. Tudo pareceu juntar-se em sua mente. Damien passou a mão pelos cabelos, lutando muito para conter suas lágrimas, todos ali estavam vendo seu lado frágil, mas ele não se importava, nada mais importava.

— Eu não posso acreditar. — Foi só o que ele sussurrou.

Nesse instante Dumbledore, acompanhado de Moody e Bones entram na casa.

— A porta estava aberta — Moody disse — fomos entrando.

Quando Damien viu Dumbledore partiu para cima dele com a varinha em punho.

— É tudo culpa sua! Seu maluco! Como pode fazer isso? Como pode jogar toda essa responsabilidade nas costas dela? Você é um monstro! Cassy acabou de fazer vinte anos! Porque você não foi no lugar dela?

Damien precisou ser contido por Sirius e Remus.

— Bom, eu vejo que a notícia da partida de Cassandra já chegou a vocês. — Dumbledore simplesmente disse.

Os membros mais jovens da Ordem o encaravam incrédulos. Principalmente Sirius e Remus, que estavam segurando Damien.

— O senhor não pode estar falando sério. — Disse James.

— Por favor, sentem-se todos, incluindo o senhor, senhor Delacroix. — Disse Dumbledore olhando-o por cima dos óculos de meia-lua. — Moody e Bones eventualmente vão me ajudar na explicação.

Os dois homens assentiram.

Dumbledore parou em frente aos jovens, com Moody e Bones ao seu lado.

— Primeiro de tudo, a senhorita Barthe fez essa escolha conscientemente. — Disse o bruxo de longa barba branca.

Damien já queria levantar-se da poltrona e avançar sobe o pescoço de Dumbledore, só não o fez porque Remus segurou seu braço, num aviso para ele se acalmar.

Dumbledore explicou que Cassy aceitou a missão e pediu sigilo. Também explicou a rigorosa preparação que Cassy teve durante esse último mês, que ela conhecia o inimigo que estava indo enfrentar, que o havia estudado incansavelmente. Que Cassandra também havia estudado a época para onde estava indo, que ela estava preparada.

Damien abaixou a cabeça e a apoiou sobre as mãos, ele havia ajudado Cassy a estar preparada para essa missão maluca, ele nunca deveria ter aceitado o trabalho. Ele se culpou, mas agora já era tarde demais.

— Durante a execução do feitiço, tudo ocorreu corretamente. Acreditamos que a senhorita Barthe terá êxito em sua viagem e posteriormente em seu plano. — Moody completou.

— Nós aguardaremos ansiosos por mudanças, mas também não ficaremos de braços cruzados. — Disse Bones.

— No entanto, a viagem da senhorita Cassandra pode ser sem volta. — Disse Dumbledore. — A eficácia de nosso plano é incerta.

— Você sacrificou Cassandra por um maldito talvez! — Damien se colocou em pé e esbravejou. — Você não merece ser chamado de bruxo.

Damien se levantou, estava visivelmente desnorteado. Ele estava prestes a sair, mas foi detido por Dumbledore, que lhe estendeu um rolo de pergaminhos.

— A senhorita Barthe me pediu que lhe entregasse.

Damien pegou aquilo em mãos, desamarrou e abriu os pergaminhos. Era um título do Gringotts e a escritura da casa onde ele e Cassy estavam morando. Damien só apertou aqueles documentos entre os dedos e saiu dali, não aguentava mais aquele ambiente.

Dumbledore só fez um sinal para os membros da Ordem permanecerem na casa enquanto ele próprio foi atrás de Damien.

— Senhor Delacroix, espere. — Disse Dumbledore antes que Damien alcançasse a porta da casa. — Há mais um assunto que preciso tratar com o senhor, algo que a senhorita Barthe me pediu.

Damien virou-se.

— Ela me pediu que lhe desse uma chance como professor, eu tenho uma vaga aberta na escola para o próximo semestre.

— Eu não quero nada disso! Nunca quis! Eu só queria Cassy comigo!

Damien desaba, não conseguindo mais conter seu cansaço, ira, medo, raiva. Lupin, que não havia obedecido ao pedido de Dumbledore, foi até Damien e o amparou. Damien agradeceu a Lupin e voltou a colocar-se em pé.

Mas, ao contrário do que Dumbledore esperava, Damien tinha um sorriso no rosto, um sorriso triste, mas ainda assim, um sorriso:

— Sabe o que me alegre, Professor. — Damien disse a última palavra de forma irônica. — É que Cassy não vai agir de acordo com o seu 'plano'.

— O que quer dizer? — Dumbledore pareceu genuinamente curioso.

— Você não deve saber, porque não conhece Cassy como eu. — Ele riu de novo. — Ela foi até o passado para acabar com Voldemort, porque ele foi indiretamente responsável pela morte de Heitor. Tenho certeza disso. Mas o que o senhor não sabe é que foi um auror que matou Heitor, não um Comensal da Morte. Então ela não vai se vingar apenas de Voldemort, mas do Ministério também. — Ele riu, sua risada não era alegre, de forma nenhuma.

— O quer dizer? — Foi Lupin quem perguntou.

— Quero dizer que Dumbledore fez a sua pior escolha. Pois Cassy provavelmente vai fazer o Ministério cair e talvez ela até acabe se aliando a Voldemort para atingir seu objetivo, já que ela odeia o Ministério muito mais do que odeia Voldemort.

Ele abriu a porta, pronto para ir embora, mas antes direcionou um olhar de desprezo a Dumbledore:

— Você sacrifica os seus para atingir seus objetivos, sacrifica seus aliados. Você não merece o título de 'líder' dessa organização. Nem Voldemort faz isso, ele cuida dos seus, os protege. Ele é melhor do que você. — Damien passou a mão pelos cabelos, exasperado. — Não reclame quando seus seguidores o abandonarem e seguirem o Lorde das Trevas.

Damien saiu da casa, passou pelo jardim e aparatou, não queria saber se havia algum trouxa olhando ou não. Ele iria até o Lorde das Trevas, graças a Dumbledore, Voldemort havia ganhado mais um seguidor, Damien Delacroix.


Notas Finais:

E então, o que acharam?

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Beijão!