Notas iniciais: Voltei! Espero que gostem do capítulo!


O Passado

1952

Cassandra olhou ao redor, tudo estava escuro. Ela se sentia tonta e seu estômago estava embrulhado. Cassy apoiou suas mãos no chão, que estava molhado, para tentar se levantar, não teve sucesso.

Ela esfregou os olhos com um pedaço de sua capa, para tentar clarear um pouco sua visão. Dessa vez parecia que seus olhos haviam se acostumado a relativa escuridão.

Cassy olhou para cima, a lua estava cheia. Ela voltou a olhar a sua volta, a luz da lua estava iluminando o terreno. Aquele lugar lhe parecia familiar, Cassy apertou mais seus olhos, os forçando um pouco. Ao longe, viu uma pequena construção, que ela reconheceu de imediato. Ela estava no terreno da casa de Dumbledore.

Cassandra se esforçou um pouco mais, então finalmente conseguiu se levantar do chão enlameado. Passou a mão sobre sua capa, para tentar limpá-la, mas só fez piorar o estado, agora sua capa tinha duas marcas de mãos enlameadas. Ela olhou para o local onde estava sentada há pouco, era uma poça de água suja, deveria ter chovido há pouco tempo.

Ela parou para pensar por alguns instantes, não poderia ir até a casa que acreditava ser de Dumbledore, era melhor não se envolver com os 'mocinhos' por enquanto. Então olhou ao redor, precisava achar um local mais afastado para limpar suas roupas e também para aparatar dali o mais rápido possível.

Cassy avistou um amontoado de árvores há alguns metros dali. Se dirigiu até lá.

— Merda! — Ela praguejou enquanto andava, já era a segunda vez que tropeçava em algo não identificado.

Cassy andou até o amontoado de árvores, que era pequeno demais para ser considerado uma floresta. Se embrenhou em meio aos galhos baixos e assim que estava certa de estar oculta pelas árvores, usou sua varinha.

Lumus. — Ela olhou para sua roupa, para ver o real estrago que a poça e suas mãos sujas haviam feito.

Sua capa estava completamente enlameada, inclusive com pedaços de grama grudados a ela. A roupa por baixo da capa também não saiu ilesa.

— Não acredito. — Ela bufou enquanto olhava para o tecido.

Cassy puxou em sua memória um feitiço específico para limpar a roupa suja, mas não se recordou de nenhum. Então usou um conhecido feitiço que tinha como função 'sumir' com as coisas.

Evanesco.

Cassy voltou a acender a ponta de sua varinha e passou a buscar vestígios de sujeira que eventualmente tivessem ficado em sua roupa. Ela não estava completamente certa de que a sujeira sumiria de sua roupa, mas deu tudo certo, ela estava completamente limpa novamente.

Cassandra então se lembrou do corte que havia feito na palma de sua mão. Ela encarou os dedos e levantou a mão, acendeu sua varinha novamente para olhar com mais atenção. Não havia nenhum ferimento em sua palma, apenas uma leve cicatriz no local exato onde havia feito o corte. Ela achou aquilo estranho, mas não perderia tempo questionando-se, tinha coisas mais importantes com as quais ocupar sua mente. Como em encontrar um local para passar a noite e também precisava descobrir se havia chegado ao seu destino, dia 5 de janeiro de 1952.

~ x ~

Cassandra não fazia a menor ideia de que horas eram quando aparatou naquele beco estreito e escuro de Londres. Ela tomou cuidado ao passar pelas lixeiras jogadas umas sobre as outras, não queria sujar sua roupa novamente e nem fazer um escândalo ao derrubar aquilo.

Assim que saiu do beco, olhou em volta. Não estava muito diferente do que era em seu tempo, ela ficou receosa, tudo parecia tão igual, teve medo da viagem não ter dado certo.

Mas seu receio foi substituído por alivio, assim que viu um casal cruzar por ela. A moça usava um vestido um pouco acima dos joelhos, rodado e com cintura marcada. Por cima, um casaco que parecia ser de pele. O rapaz usava um terno de estampa quadriculada e tinha um chapéu Fedora na cabeça, que ele tirou quando passou por Cassandra, num movimento de respeito. Cassy acenou a cabeça em retribuição e sorriu.

Sim, ela sorriu, um sorriso genuíno. Ela parecia estar na época certa. Cassy apressou seu passo, queria chegar logo até o Caldeirão Furado, iria averiguar mais informações por ali e também passar a noite.

Chegou em frente ao bar, que para os trouxas parecia apenas um lugar abandonado. Cassy olhou para ambos os lados, não havia sinais de trouxas por perto, ela então adentrou o local. Atravessou a porta e foi recebida por dezenas de olhares curiosos, o bar estava lotado naquela noite, deveria ser final de semana, concluiu ela.

Cassandra, ignorando os olhares foi até o atendente do bar, que incrivelmente ainda era Tom, o proprietário, só que muitos anos mais jovem; não havia sequer um fio branco em sua cabeça, nem sua protuberante barriga estava ali.

Ele acenou com a cabeça e a cumprimentou:

— Boa noite, senhorita, o que precisa?

— Boa noite, — disse Cassy — eu preciso de um quarto. Tem algo disponível.

— Certamente. — Disse o homem.

Ele virou-se para a parede atrás de si, que estava repleta de chaves.

— Um quarto simples com banheiro? — Ele perguntou sem se virar.

— Está ótimo — Cassy respondeu.

Ele pegou a chave e colocou sobre o balcão, então retirou um livro enorme e velho de debaixo de balcão, largou-o com um baque surdo e o abriu.

— Quantas noites, senhorita?

— Duas — Cassy achou melhor reservar uma noite a mais.

— Seu nome?

Cassy havia decidido usar seu nome verdadeiro, havia pesado os prós e contras e não pareceu haver problemas, já que ela ainda não havia nascido.

— Cassandra Barthe. — Disse arrumando sua pose, para parecer mais imponente, o que era bem difícil, já que Cassy mal tinha um metro e sessenta de altura.

O homem levantou seu olhar para a jovem mulher. Tom sabia quem eram os Barthe, não eram as melhores pessoas, obviamente, mas eram riquíssimos, assim como os Malfoy ou os Rosier.

Ter uma Barthe em sua hospedagem poderia ser tanto uma boa coisa, como uma péssima coisa. Ele torceu para que fosse a primeira, pois ele não teria como expulsá-la dali.

— A senhorita vai pagar adiantado ou na saída? — Ele questionou, pois se ela fosse uma golpista, apenas usando o nome da família Barthe para causar medo, desconversaria.

Cassy remexeu na bolsa que tinha consigo e retirou dali três galeões.

— Isso paga minha estadia e minhas refeições?

Os olhos do homem brilharam ao ver o dinheiro.

— Certamente, senhorita Barthe.

Cassy colocou o dinheiro sobre o balcão, o homem então lhe passou a chave do quarto.

— Tenha uma excelente estadia. Se precisar de algo pode tocar a campainha do quarto que um de meus funcionários irá atendê-la.

Cassy assentiu e agradeceu.

— Mais uma coisa, — disse Cassy — o senhor tem um exemplar do jornal de hoje.

— Mas é claro — Tom remexeu em baixo do balcão, logo tirando dali um exemplar do Profeta Diário.

Cassy tirou um nuque da bolsa e deu ao homem.

— Pelo jornal. — Ela disse.

Então se dirigiu as escadas, que Tom havia indicado como sendo o caminho para os quartos. Ela olhou para a chave que tinha em mãos, o quarto era o de número 13.

Cassy subiu as escadas e andou pelo longo corredor repleto de portas numeradas. Ela buscou atentamente o número de seu quarto, encontrou-o rapidamente, logo abrindo a porta e entrando no aposento.

Só quando ela sentiu-se segura, dentro do quarto, que abriu o jornal que tinha em mãos. Cassy, não conseguindo manter-se em pé, desabou ainda olhando para o jornal, que indicava exatamente a seguinte data "05 de janeiro de 1952" no topo da primeira página.

Lágrimas correram de seus olhos, havia conseguido chegar exatamente no dia que havia planejado e completamente inteira.

Naquele momento Damien lhe veio à mente, gostaria de poder dizer a ele que estava bem e que estava viva, mas não havia uma maneira de fazer isso.

Pensou também em Heitor, queria contar a ele como havia sido corajosa e destemida, que desta vez estava agindo junto com os mocinhos, não completamente, pois ainda planejava vingar-se do Ministério, mas ainda havia feito planos com eles.

Cassy suspirou, gostaria de vê-los. Os amava com todo seu coração, queria tê-los perto dela, mas não havia possibilidade disso acontecer. A bruxa balançou a cabeça, não deveria distrair-se com esse tipo de pensamento, ela tinha uma missão a cumprir e deveria se focar nisso.

Ela colocou o jornal sobre a mesa de cabeceira, retirou sua capa, jogou-a sobre a cama, assim como sua bolsa. Então sentou-se e passou a revirar a pequena bolsa, ainda tinha algumas coisas que deveria organizar antes de realmente poder deitar e dormir.


Notas Finais: Então, o que acharam?