Notas iniciais:

Olá, voltei com novo capítulo!
Este capítulo já vem cheio de surpresas!
Boa leitura!


Capítulo 14: O Cálice Virado

Cassandra chegou ao Cálice Virado por volta das 22h, ao aproximar-se da entrada havia um homem enorme, que aparentemente estava controlando a entrada das pessoas. Assim que Cassy chegou perto o suficiente, o homem perguntou a ela seu nome e se alguém a havia convidado para vir ao bar.

Cassy empinou seu nariz e respondeu com a voz mais esnobe que pode criar naquele instante:

— Sou Cassandra Barthe, não tenho um convite, precisarei de um para entrar? — Cassy usou uma voz que definitivamente não parecia pertencer a ela.

O bruxo rapidamente abriu a porta e deu passagem para Cassandra.

— De forma alguma, senhorita Barthe, desculpe-me por não reconhecê-la. Aproveite a noite, senhorita.

Cassy acenou para o homem e entrou no local, pela primeira vez estava feliz em ter o sobrenome que tinha.

Assim que entrou, Cassandra entregou seu casaco para um jovem bruxo que aparentemente era o responsável pela chapelaria e então deu uma olhado no salão, que estava lotado de bruxos e bruxas, muitos deles passando o tempo na pista de dança.

Cassandra seguiu salão adentro, passou pela multidão e dirigiu-se ao bar. Olhou em volta e se deu conta que o local estava completamente diferente do que era no futuro. Agora havia diversas mesas espalhadas na frente do bar, mais adiante uma extensa pista de dança, coisa que já não existiam mais no futuro.

No fundo, uma banda bruxa tocava música agitada e incentivava todos a dançarem. Cassy nunca esperou que o passado fosse daquela forma.

Os pensamentos de Cassy foram interrompidos pela chegada do bartender.

— Boa noite, bela senhorita, o que deseja beber? — Perguntou o homem em tom jocoso.

Cassy sorriu, entrando no personagem que havia criado para aquela noite e disse:

— Aceitou uma sugestão.

O homem retornou o sorriso e disse:

— Lhe farei uma surpresa.

O bartender voltou minutos depois com uma taça em mãos, com um líquido verde. Ele largou a taça em frente a Cassy e disse:

— Um Grasshopper para a bela senhorita.

Cassy sorriu e agradeceu, logo deu um gole na bebida, que carregava um delicioso gosto de licor de menta.

— E então senhorita, está aprovado?

— É claro. — Disse Cassy mantendo seu personagem.

— Ótimo — disse o bartender que logo voltou ao seu trabalho.

Cassandra então aproveitou para dar uma olhada nos frequentadores do local, naquele momento não buscava ninguém em específico, apenas estava "reconhecendo" o território. Os bruxos ali pareciam muito interessados em flertar, nada mais que isso. Cassy revirou os olhos, aquilo parecia tão ridículo, porém, se fosse necessário ela teria que fazer esse mesmo tipo de coisa.

Cassy engoliu o restante de seu drink em apenas um gole, somente a bebida lhe ajudaria a suportar aquilo. O bartender, vendo que Cassy havia terminado seu drink, voltou a aproximar-se.

— Gostaria de beber mais um? — Disse o rapaz já recolhendo o copo de Cassy.

— Sim, gostaria de mais um. — Cassy respondeu.

O bartender fez o drink de Cassy e voltou. Logo que largou o copo em frente a ela, perguntou:

— Percebi que a senhorita parecia buscar algo? Estou certo? — Ele deu uma piscadela. — Tenho certeza de que a senhorita não veio até aqui somente para conversar com alguém como eu, não?

Cassy o mirou e disse:

— Você está certo. — Respondeu após tomar um novo gole de seu drink.

— O que a senhorita busca? Posso lhe ajudar a chegar a seu objetivo.

Cassandra riu e disse:

— Se eu precisasse da ajuda de alguém, eu não carregaria o sobrenome que carrego. Mas agradeço a cordialidade.

O bartender deu um sorriso de lado e disse:

— Eu sei exatamente a quem eu devo lhe apresentar.

Cassy levantou as sobrancelhas e o mirou, havia dito que não precisava de ajuda.

— Eu lhe disse que não é necessário.

— O homem que posso te apresentar carrega um orgulho parecido com o seu. — Ele insistiu. — Além dele ser extremamente rico e também dono desse estabelecimento.

Cassy levantou o queixo em um claro sinal de superioridade e respondeu:

— Apresente-me então, eu só espero não me arrepender de permitir que você faça isso.

O bartender assentiu e então disse:

— Não se arrependerá, pelo menos nenhuma das mulheres que levei até ele reclamaram para mim. — O bartender riu convencido. — No entanto, preciso de seu nome, senhorita, para poder apresentá-la.

Cassy sorriu, mantendo sua pose convencida, e disse seu nome:

— Sou Cassandra Barthe.

O sorriso do bartender aumentou exponencialmente.

— Tenho certeza que ele adorará conhecer a senhorita.

O bartender afastou-se de Cassy e seguiu por trás do balcão, indo até umas mesas que ficavam mais afastadas do tumulto. Cassy logo notou o ar sofisticado de todos os homens e mulheres que encontravam-se naquelas mesas "vip".

O bartender aproximou-se e falou com um homem de cabelos loiros extremamente claros e longos, que assentia à medida que ouvia as palavras do bartender.

Logo o bartender retornou e se aproximou de Cassy, lhe estendeu a mão e disse:

— O senhor Malfoy está muito interessado em conhecê-la, ele me pediu que a acompanhasse até um as mesas mais privadas, para que possam conversar adequadamente.

Cassy riu, a fama de galanteadores dos Malfoy vinha de muitas gerações ela concluiu. Mas não falou nada, apenas seguiu o bartender.

O Malfoy levantou-se e foi encontrar Cassandra na metade do trajeto até a mesa onde ele estava com seus amigos.

— Senhorita Barthe, — ele pegou a mão de Cassy e deu um leve beijo — é um prazer conhecê-la. Eu sou Abraxas Malfoy, ao seu dispor.

Cassy sorriu ao Malfoy e disse:

— É um prazer conhecê-lo, senhor Malfoy.

Ele sorriu de forma encantadora.

Cassy logo viu de quem Lucius havia herdado seu charme, havia sido do pai, Abraxas.

— Me acompanhe, senhorita Barthe, sente-se conosco.

— Será um prazer — disse Cassy seguindo Abraxas, que a conduzia delicadamente pela mão.

Cassandra foi conduzida até uma mesa onde diversos homens estavam sentados e duas jovens mulheres, que eram extremamente bonitas.

— Senhores, esta é Cassandra Barthe.

As pessoas na mesa a cumprimentaram.

— Está visitando o bar pela primeira vez esta noite? — Perguntou um homem alto e de cabelos castanhos.

— Sim, é minha primeira visita. — Respondeu Cassy.

— Então seja bem-vinda — disse um sorridente Abraxas.

O Malfoy indicou uma cadeira para Cassy sentar-se e então apresentou cada uma das pessoas sentadas naquela mesa:

— Este é Orion Black, ao lado dele está Cepheus Carrow, Perseus Yaxley e Cygnus Black. As belas jovens que nos acompanham são Druella Rosier-Black e Walburga Black, ao lado delas está Aquila Nott. E por último, aqui ao meu lado, está meu grande amigo, Tom Riddle.

Cassy mirou um de cada vez, mas seu olhar se deteve principalmente em seu objetivo, Tom Riddle Jr., ou Lord Voldemort como ele passou a ser chamado no futuro. Ela não podia negar que ele possuía uma beleza estonteante, com seus cabelos negros e olhos da mesma cor, que carregavam uma profundidade sufocante, e combinavam perfeitamente com sua pele pálida.

— É uma prazer conhecê-los — disse Cassy finalmente afastando seu olhar de Riddle.

Cassandra finalmente sentou-se na cadeira que Abraxas havia lhe indicado, logo depois o Malfoy sentou-se ao lado dela. Antes que o bruxo sequer pudesse puxar assunto com Cassy, Druella tomou a frente.

— Então, senhorita Barthe, — disse Druella — minha família é muito próxima a família Barthe, mas eu nunca ouvi falar da senhorita.

Cassy sabia que em algum momento teria que acabar respondendo a esse tipo de pergunta, só não esperava que fosse tão rápido, mas o lado bom é que ela havia se preparado.

— Eu acabei de chegar da França, meu pai era um Barthe que acabou se distanciando da família. — Disse Cassy.

Mas Druella parecia decidida a descobrir mais.

— Então a senhorita é uma bastarda que está retornando ao seio da família. — Druella insistiu, sua voz tinha um ar debochado.

Cassy não se deixaria abater, ela havia se preparado para isso.

— Não, meu pai foi um Barthe que preferiu dar prioridade ao trabalho. Não à família. — Cassy usou o mesmo tom de Druella.

— E então, o que a traz a Londres? — Walburga perguntou.

— Um herança bem interessante que me foi deixada por minha tataravó. — Cassy disse com um sorriso nos lábios.

Os homens da mesa, que até o momento apenas acompanhavam o debate das jovens mulheres, resolveram intervir.

— Mas nós não estamos aqui para discutir esse tipo de questão, não? Estamos aqui para nos divertir. — Disse Orion Black.

— Exato, — completou o Malfoy — então vamos beber.

Todos concordaram, inclusive Riddle.

— O que a senhorita gostaria de beber? — perguntou Abraxas — Eu pedirei ao garçom que nos traga.

— Algo forte. — Disse Cassy. — Firewhisky seria perfeito.

Abraxas riu e disse:

— Uma senhorita que bebe Firewhisky? É realmente um prazer tê-la em minha mesa.

Abraxas chamou um de seus garçons e fez o pedido. Assim que as bebidas chegaram, o Malfoy entregou o copo de Firewhisky nas mãos de Cassy e ofereceu um brinde:

— A novas amizades!

Cassy retribuiu o brinde e repetiu a frase do Malfoy.

— A novas amizades.

Ao longo da noite Cassandra permaneceu junto à mesa do Malfoy e o acompanhou na bebida.

— Nunca havia visto uma mulher beber tanto e não cair pela bebida. — Abraxas comentou.

Cassy riu e respondeu:

— Eu tenho uma tolerância muito grande ao álcool. Posso beber tranquilamente mais algumas doses de Firewhisky.

— É uma grata surpresa, senhorita. — Malfoy disse. — Então, apenas Druella e Walburga lhe fizeram perguntas, posso fazer algumas também?

Cassy o mirou e disse:

— Pode, só não lhe garanto que as responderei.

Abraxas deu um sorriso de lado, ele realmente havia gostado daquela mulher.

— Veio até meu bar com alguma intenção?

Certamente Cassy tinha diversas intenções, mas não as revelaria, então apenas disse após beber mais um gole de Firewhisky de seu copo:

— Talvez... — Ela tinha um pequeno sorriso sobre os lábios.

— Buscar uma marido talvez? Alguém rico e de boa família? — Walburga se intrometeu.

Cassy riu e respondeu:

— De forma alguma, eu não busco um marido, nem sei se algum dia buscarei um. — Ela virou-se para Abraxas, encaixando também Riddle em seu olhar. — Eu não tenho a intenção de pertencer a nenhum homem.

Pela primeira vez na noite Cassy viu uma reação vinda de Riddle, ela viu claramente ele mexer a sobrancelha e estreitar os olhos na direção dela, parecendo não crer em tais palavras.

— A senhorita não quer uma marido? — Abraxas voltou a falar com Cassy.

— Não — Cassy disse e voltou a bebericar seu Firewhisky.

— Isso é uma pena, pois eu me interessei na senhorita. — Abraxas jogou a frase.

Cassy lhe mirou e sorriu:

— Infelizmente eu não tenho a intenção de cair em seus encantos, senhor Malfoy.

Abraxas gargalhou e respondeu:

— É uma pena.

Cassy deu apenas um sorriso de lado.

Durante as horas seguintes Cassy continuou a beber e conversar com os ocupantes daquela mesa. Mas havia notado que não tinha conseguido arrancar nenhuma outra reação de Riddle e nenhuma interação. Ela tinha que mudar isso e logo.

E o momento perfeito veio com algumas palavras ditas por Cepheus Carrow.

— Ouvi dizer que no próximo ano letivo, Hogwarts vai receber uma grande quantidade de alunos mestiços e sangues ruins. Nikolaus foi quem me disse, foi a esposa dele que descobriu a informação, eles até estão com receio de mandar o filho, já que os sangues ruins podem ser péssimas influências.

— Nossa sociedade deveria se livrar dessa escória, sangues ruins não deveriam poder conviver com sangues puros. — Cassy disse enquanto largava seu copo sobre a mesa. — É uma vergonha que eles tenham os mesmos direitos que nós.

Todos na mesa miraram Cassy, incluindo Riddle. O intento dela finalmente deu certo, Riddle finalmente a havia mirado com interesse e seu olhar continuava sobre Cassy, a observando com atenção.

Abraxas disse:

— Faço de suas palavras as minhas, é uma vergonha que esses sangues sujos tenham os mesmo direitos que nós.

— Realmente, a senhorita Barthe tem toda a razão. — Cepheus Também concordou.

Os debates seguintes foram sobre como os sangues ruins deveriam ser abolidos da saciedade bruxa. Riddle inclusive participou dos debates, deixando claro o seu desprezo por mestiços e nascidos trouxas.

Ao final da noite, Cassy despediu-se dos ocupantes da mesa e foi até o bar para acertar sua conta. Porém, o bartender lhe disse que o senhor Malfoy havia lhe passado que tudo o que ela havia consumido era por conta da casa.

Cassy iria voltar até o Malfoy para agradecê-lo, mas não foi necessário, pois ele aproximava-se a passos lentos.

— Eu poderia ter pago minha conta — Cassy comentou.

— Apenas aceite a gentileza, senhorita Barthe.

Cassy então apenas assentiu.

O Malfoy seguiu:

— A senhorita está convidada novamente para vir ao meu bar. Será uma grande prazer recebê-la amanhã também.

Cassy sorriu levemente e disse:

— Certamente virei amanhã, acredito que não se pode ignorar um convite de um Malfoy.

Abraxas sorriu jocoso e disse:

— Excelente constatação, senhorita Barthe.

~ x ~

Cassy chegou em casa exausta. Entrou em seu quarto e jogou-se sobre a cama. Colocou a cabeça sobre seu travesseiro e respirou fundo, instantaneamente grossas lágrimas correram de seus olhos. Mas por que ela chorava, se a primeira parte de seu plano havia sido posta em prática e também havia sido um sucesso?

Chorava porque nunca havia imaginado que palavras tão cruéis pudessem sair de seus lábios, palavras tão cruéis direcionadas a bruxos nascidos trouxas.

Heitor sempre havia lhe protegido, ele nunca havia deixado a família Barthe incutir essas ideias puristas em sua mente; Heitor sempre lhe disse que todos os bruxos nasciam igual, o sangue não era importante e sim o talento. Cassy nunca esqueceu o que Heitor lhe ensinou, por isso foi tão difícil dizer aquela palavras dirigidas aos nascidos trouxas. E Damien também sempre deixou claro que pensava da mesma forma que Heitor.

Cassy permitiu que as lágrimas continuassem caindo. Como ela desejava que Damien e Heitor estivessem ali, ao lado dela, para lhe ampararem. Era muito difícil ser forte sozinha.


Notas Finais:

O que acharam? Comentem!

* O Grasshopper (gafanhoto em inglês) é um drink doce, ideal para se beber depois do jantar. O nome diferenciado da bebida é derivado de sua cor verde que é fornecido pelo licor de menta.