Capítulo 17: O Lorde

1980

— Por que me chamou aqui? — Lucius perguntou a Damien enquanto sentava em uma das mesas do Cálice Virado.

— Quero pedir algo. — Disse Damien enquanto girava as pedra de gelo dentro de seu copo já vazio.

Lucius o mirou seriamente. Eles haviam sido colegas de casa em Hogwarts, então Lucius podia dizer que conhecia Damien bem o suficiente para saber que ele era alguém que não costumava pedir favores. Algo grande deveria ter acontecido para mudar Damien, mas isso não importava, Lucius não deixaria de ajudá-lo.

— Se eu puder ajudar... — finalmente Lucius respondeu

— Quero ver o Lorde das Trevas. — Falou Damien em voz baixa largando seu copo vazio sobre a mesa.

Lucius o mirou com as sobrancelhas franzidas, ele sabia que Damien seria um grande aliado, mas ele nunca havia mostrado interesse em se juntar ao Lorde antes. Então Lucius, querendo entender melhor as motivações de Damien, perguntou:

— Por que agora, Damien? Por muitas vezes pedi que se juntasse a nós e você sempre negou.

— Agora é diferente. — disse Damien sério.

Lucius suspirou e perguntou:

— É por Heitor? Sei que ele era seu melhor amigo.

— Não só por ele, Lucius. Eu perdi Cassy também, perdi a Cassy para essa maldita Ordem da Fênix.

Lucius não sabia sobreo sumiço de Cassy.

— O que houve com Cassy? — Lucius estava genuinamente preocupado.

Ele conhecia Cassy desde pequena, assim como também conhecia Heitor e Damien.

— Ela foi mandada para uma missão suicida, foi Dumbledore quem a mandou a essa missão. — Damien encarou suas mãos sentindo-se impotente outra vez.

Lucius percebeu que os olhos de Damien perderam totalmente o brilho quando ele levantou a cabeça e pronunciou as seguintes palavras:

— Eu quero vingança, Lucius, já que não posso tê-los de volta.

Lucius sem saber exatamente o que dizer a Damien, visto o sofrimento que estampava o rosto do homem, apenas assentiu. Mas ele não podia permanecer o restante da tarde e silêncio, então disse:

— Entendo a sua motivação, o Lorde certamente também vai entender.

Damien apenas se manteve em silêncio. Lucius então levantou-se e disse:

— Venha comigo. Eu vou levá-lo até ele.

Damien sequer questionou, levantou-se e seguiu Lucius. Os dois bruxos saíram do bar, caminharam por algumas das ruas do Beco Diagonal, adentrando cada vez mais na parte sombria do local. Quando chegaram a uma viela totalmente deserta, Lucius pediu:

— Damien, segure meu ombro, vamos aparatar.

Damien atendeu ao pedido.

Damien viu o cenário ao seu redor mudar drasticamente, a calçada de pedra suja foi substituída por uma grama verde e viçosa, as construções de pedra foram substituídas por grandes árvores com seus troncos cobertos de hera e musgo. Damien analisou o seu entorno, o ambiente era sombrio, as árvores que cercavam a propriedade davam esse ar ao local.

Lucius aproximou-se mais alguns passos da propriedade, tocou o portão com sua varinha e recitou um feitiço que Damien não conhecia. Os grandes portões se abriram, com um ranger alto e sofrido, dando passagem para os dois homens.

— Siga-me, — disse Lucius — o Lorde certamente vai nos receber.

Os dois homens seguiram por um caminho longo de pedras de seixo, que faziam barulho a cada passo dado por eles. Quando chegaram em frente as grandes portas de madeira escura, Lucius bateu com a aldrava, em forma de serpente, na madeira.

A porta não tardou em ser aberta por um bruxo jovem, que Damien concluiu ser um dos servos do Lorde das Trevas.

— Senhor Malfoy, havia marcado algo com o Lorde? — Perguntou o jovem bruxo.

— Não, senhor Mills. Mas preciso de uma audiência com o Lorde, se possível agora. — Disse Lucius.

O senhor Mills deu passagem aos dois homens e pediu que eles aguardassem na antessala enquanto ela veria a possibilidade do Lorde de atendê-los.

— A quem eu devo anunciar junto com o senhor, senhor Malfoy?

— Damien Delacroix. — Foi o próprio Damien quem respondeu.

O senhor Mills apenas assentiu, então deixou os dois homens na antessala e foi até o Lorde das Trevas. O bruxo foi até onde ficava o escritório do Lorde, bateu na porta com cautela.

— Meu Lorde, tem visitas. — Disse Mills.

O jovem bruxo abriu a porta, então concluiu sua frase.

— Ele está aqui, como o senhor havia dito que aconteceria, Damien Delacroix chegou. O senhor Malfoy o está acompanhando.

Voldemort riu, um sorriso maquiavélico.

— Excelente, senhor Mills, mande-os entrar.

— Sim, meu Lorde. — Mills fez uma reverência leve e saiu do escritório.

Minutos mais tarde, o bruxo retornou a antessala com a resposta de Voldemort.

— O Lorde os aguarda em seu escritório.

Os dois homens acenaram a cabeça em agradecimento.

— Quer que os guie, senhor Malfoy? — Ofereceu Mills.

— Não será necessário, eu sei o caminho.

O senhor Mills fez um aceno de cabeça e retirou-se.

Os dois homens então saíram da antessala e dirigiram-se para o longo corredor que levava ao escritório de Voldemort. Lucius parou em frente a uma porta dupla de madeira escura, muito parecida com a porta de entrada, Damien o acompanhou.

Lucius bateu uma vez e aguardou.

— Entrem. — Disse uma voz fria do outro lado da porta.

Lucius abriu a porta e entrou, Damien o seguiu.

— Meu Lorde, — Lucius fez uma leve reverência — trouxe alguém comigo que expressou um forte desejo em tornar-se um de seus seguidores.

Voldemort estava sentado em uma cadeira, que muito lembrava um trono. Ele tinha os olhos frios, seus cabelos ainda eram negros mesmo no alto de seus 54 anos. Não era possível negar que Voldemort tinha uma boa aparência, só era possível saber quem ele era quando falava, sua voz era gélida, parecia com o sibilar de uma cobra.

Se Damien não soubesse que aquele homem era Lorde Voldemort, certamente o confundiria com mais um bruxo aristocrata qualquer, os quais faziam parte do círculo de amizades de Lucius.

Damien, deixando esses pensamentos de lado, imitou a reverência de Lucius e logo depois apresentou-se.

— Meu Lorde, sou Damien Delacroix.

Voldemort encarou Damien com seus olhos frios e depois sorriu, um sorriso, que era, no mínimo, assustador.

— Senhor Delacroix, eu ouvi falar muito do senhor, sei que é alguém com talentos em diversas áreas. — Voldemort disse. — O que o traz até mim?

— Eu soube que o senhor, meu Lorde, tem a intenção de destruir a Ordem da Fênix. — Disse Damien. — Eu quero ajudá-lo. Eu quero ver a Ordem da Fênix tombar, quero ver seus membros perecerem, um a um, mas principalmente, quero ver Dumbledore cair. Quero vê-lo em desespero e sem esperança. — Damien deu um leve sorriso, que só poderia ser definido como cruel.

— Meu jovem, nós temos dois objetivos em comum: destruir Dumbledore e a Ordem da Fênix. — Voldemort levantou-se e caminhou até Damien, o encarando, olhos nos olhos. — Senhor Delacroix, se eu lhe garantir que vai obter sua vingança, o senhor se tornaria um de meus fiéis seguidores? Um de meus Comensais?

— Eu lhe seguirei, meu Lorde, farei o que me ordenar, sem questionar.

Voldemort sorriu de forma macabra e disse:

— Excelente, senhor Delacroix.

O Lorde voltou a sentar-se e encarou o jovem bruxo mais uma vez, com um leve movimento de varinha ele conjurou uma máscara prateada e a estendeu na direção de Damien.

Damien pegou a máscara entre seus dedos e voltou a olhar para Voldemort, que lhe diz:

— Será um prazer tê-lo entre meus Comensais, senhor Delacroix.


Notas finais:

O que acharam? Comentem!