Notas iniciais do capítulo:

Mais um capítulo para vocês ❤
Boa leitura!


Capítulo 19: O Jantar

1952

O plano que Cassy havia arquitetado com Riddle e Malfoy estava correndo perfeitamente bem. Vários jovens bruxos haviam conseguido, devido a conexões familiares, entrar no Ministério como funcionários. Abraxas era um desses jovens, ele estava trabalhando próximo aos Aurores, consequentemente também perto do Ministro, já que os Aurores eram o "braço direito" de Ignatius Tuft.

Tuft, o Ministro, era apenas um idiota, que tinha um plano mirabolante de "melhorar Azkaban", gostava muito de bajuladores, o que era algo muito bom para os planos de Riddle.

Abraxas, como um excelente ator, havia conseguido chamar a atenção do Ministro em poucas semanas, em parte por ser excelente naquilo que fazia e em parte por ter Malfoy como sobrenome.

— O Ministro convidou-me para um jantar em sua casa. — Disse Abraxas enquanto tomava um gole de seu Firewhisky. — Ele disse-me que eu poderia fazer algumas "boas" amizades nesse jantar.

— Me parece realmente interessante. — Riddle respondeu enquanto se recostava em uma das cadeiras do escritório. — Talvez você deva ir, Abraxas.

Riddle mirou Cassy, que estava sentada próximo aos dois, revisando alguns cronogramas que eles haviam estipulado para o plano de infiltrarem Comensais no Ministério.

— A senhorita Barthe deveria ir com você, Abraxas. — Riddle concluiu.

Tanto Cassy como Abraxas viraram-se levemente surpresos com as palavras de Riddle.

— O que quer dizer, meu Lorde? — Cassy perguntou.

— Não seria de bom tom um homem ir sozinho a um jantar. — Riddle disse. — Além disso, quatro ouvidos são melhores do que apenas dois. Vocês dois são bons espiões, poderiam conseguir informações interessantes.

— Quer que nós dois finjamos ser um casal? — Perguntou Abraxas um tanto incerto das intenções de Riddle.

— Exato, meu amigo. Seu pai inclusive já viu você e a senhorita Barthe juntos naquela festa que aconteceu em sua casa. Nada mais natural que vocês "iniciarem" um relacionamento diante da sociedade. — Riddle sorria.

— Quer que sejamos seus olhos e ouvidos nas festas da alta sociedade? — Cassy perguntou.

— Exato, senhorita Barthe. É isso que quero de vocês. — Riddle respondeu.

— Se isso for o que o senhor deseja, meu Lorde, eu o farei. — Cassy disse seriamente.

— Excelente. — Riddle disse. — Quanto a você, Abraxas?

— É claro, tudo pela causa. — Abraxas riu. — E também por uma boa bebida.

— Se eu não o conhecesse o suficiente, Abraxas, poderia dizer que não está levando nosso planos a sério. — Riddle comentou.

— Mas você me conhece bem o suficiente para saber que, se for preciso, darei minha vida para concretizarmos nossos planos, meu amigo. — Abraxas disse.

Riddle riu de lado.

— Certamente.

O loiro então dirigiu-se a Cassy.

— Prepare-se, senhorita Barthe, que o jantar será amanhã à noite.

— Estarei pronta às 18h.

— Gosto de sua eficiência, senhorita Barthe. — Disse Abraxas com um leve ar divertido.

~ x ~

Cassy aparatou próximo a Mansão Malfoy exatamente às 18h horas, como havia prometido a Abraxas no dia anterior.

Abraxas já a esperava do lado de fora dos portões da mansão.

— Pontual, como sempre, senhorita Barthe. — Abraxas aproximou-se e beijou a mão de Cassy. — Além de estar linda, obviamente.

Cassandra usava um vestido azul escuro de cetim, o vestido era longo e tinha luvas que combinavam. Sobre seus ombros, apenas uma estola de pele de cor preta.

Cassy sorriu e disse:

— Também está deveras lindo esta noite, senhor Malfoy.

Abraxas usava um smoking preto, com uma casaca combinando.

— Estou recebendo um elogio da senhorita? Sinto-me um homem realmente especial esta noite. — Abraxas disse.

Cassy apenas revirou os olhos para o bruxo.

Abraxas sorriu de novo, mas dessa vez também estendeu o braço na direção de Cassy.

— Pronta para essa missão?

Cassy enlaçou sou braço ao do Malfoy e respondeu:

— É claro, senhor Malfoy.

— Então vamos.

Abraxas segurou o braço de Cassy e aparatou para a casa do Ministro. Os dois aparataram em frente a portões de ferro, guardados por alguns seguranças, junto deles havia um homem pequeno e atarracado, que tinha algo que parecia uma lista de convidados flutuando a sua direita. Cada casal que se aproximava o pergaminho alado era rabiscado por uma pena enfeitiçada.

Quando Cassandra e Abraxas se aproximaram, o homem os cumprimentou e disse:

— Nomes, por favor.

— Abraxas Malfoy e acompanhante.

O bruxo fez uma leve reverência com a cabeça e indicou a entrada ao casal.

— É uma honra tê-los aqui essa noite. Por favor desfrutem do jantar.

Abraxas e Cassy seguiram pelos portões até a entrada da casa. As portas estavam abertas, então os dois apenas seguiram adiante. Quando Cassy e Abraxas adentraram o hall alguns suspiros e sussurros puderam ser ouvidos. Era inegável que Cassy e Abraxas eram um casal perfeito. Ambos muito bonitos, era de dar inveja em grande parte da sociedade bruxa. Era improvável que eles passassem despercebidos.

Assim que o Ministro Tuft viu o burburinho que se formou pela entrada dos dois, foi até o casal, para recepcioná-los.

— Senhor Malfoy, que bom que pode vir ao jantar. — Disse o Ministro.

— Eu não poderia faltar, não é, caro Ministro. — Disse Malfoy com a voz mais bajuladora possível.

Cassy teve que se conter para não rir, pois era nítida a falsidade de Abraxas, só o Ministro não parecia notar.

— E quem é a bela dama que o acompanha, senhor Malfoy?

— Essa é minha noiva, Ministro, Cassandra Barthe. Uma Barthe recém chegada da França. — Disse Abraxas.

Cassy não teve tempo de reagir, a palavra "noiva" não havia sido acordada entre eles. Mas agora ele já havia falado, não tinha como consertar aquilo, então Cassy apenas estendeu a mão na direção do Ministro, que a apertou cordialmente.

— É um prazer conhecê-lo, Ministro. Meu noivo fala muito do senhor. — Cassy seguiu com aquela encenação.

— Espero que fale somente coisas boas. — Disse o Ministro com um largo sorriso.

— É claro, Ministro. Abraxas fala somente coisas maravilhosas sobre o senhor. — Disse Cassy tentando disfarçar o cinismo em sua voz.

O Ministro ainda com um grande sorriso nos lábios disse:

— Acredito, senhorita Barthe, que encontrará alguns membros de sua família aqui esta noite. Convidei os Barthes que residem aqui na região.

Cassy naquele instante ficou paralisada, havia esquecido dessa possibilidade, poderia encontrar seus pais ali, isso não era bom.

Abraxas provavelmente havia percebido que algo estava errado, pois encerrou a conversa com o Ministro o mais rápido possível.

— Certamente mais tarde iremos cumprimentar os parentes de minha noiva, senhor Ministro. — Abraxas disse. — Mas primeiro queremos aproveitar o jantar que o senhor está oferecendo esta noite.

— Claro! Sintam-se à vontade. — O Ministro indicou com a mão um pequeno bar montado no lado esquerdo da entrada. — Aproveitem, as bebidas estão divinas esta noite.

— Obrigado, Ministro. — Disse Malfoy ao outro bruxo.

Então dirigiu-se a Cassy:

— Querida, gostaria de uma bebida?

Cassandra respondeu rapidamente.

— É claro.

Cassy se despediu do Ministro.

— Foi um prazer, Ministro Tuft.

— Igualmente, senhorita Barthe.

O casal se afastou do Ministro e foi em direção ao bar.

— Dois Firewhiskys. — Abraxas pediu ao barman.

O bruxo prontamente alcançou as bebidas a Abraxas, que dá um dos copos à Cassy, que toma um grande gole da bebida logo que o copo alcança suas mãos.

Os dois afastam-se do bar e param em um canto do hall, onde havia poucos bruxos por perto.

— O que houve? — Abraxas perguntou assim que notou que não havia ninguém perto o suficiente para escutá-los.

— Minha família está por aqui, eu não havia cogitado essa possibilidade. — Cassy falou a verdade. — Não era algo que eu esperava.

— Isso pode ser um problema? — Abraxas perguntou levemente apreensivo.

Cassy encontrou uma desculpa rapidamente.

— Talvez. Se o Ministro espalhar que somos "noivos" isso poderia gerar um problema. Meu pai não tem nem ideia de que algo assim possa estar acontecendo.

— Entendo. — Disse Abraxas acreditando nas palavras de Cassy. — Procuraremos nos manter afastados do Barthe esta noite.

— Certo. — Cassy confirmou e logo depois tomou mais um grande gole de seu Firewhisky.

Não seria nada bom ela encontrar com seus pais, não saberia como isso poderia afetar o futuro dela e de Heitor. Era mais prudente manter-se afastada, como Abraxas havia sugerido.

Assim que terminou seu Firewhisky, Cassy olhou seriamente para Abraxas e perguntou:

— De onde surgiu essa ideia de sermos "noivos"? Nós não havíamos combinado nada disso.

— Foi improviso. Um homem comprometido tem mais chance de "fazer amigos". — Respondeu Abraxas. — Sinto por não ter avisado a você.

— Sem problemas, mas dá próxima vez que pensar em algo, por favor, me avise antes. — Disse Cassy com ar rude.

Abraxas riu, não conseguindo levar a rudeza de Cassy a sério.

— Certamente, senhorita Barthe.

— Me chame de Cassandra ou Cassy, já que somos "noivos" seria estranho nos chamarmos pelo sobrenome. — Cassy o mirou e revirou os olhos em seguida.

— Tem toda a razão, Cassy. — Disse Abraxas com um tom levemente malicioso.

Cassy suspirou.

— Tem sorte de ser um grande aliado, Abraxas, ou eu te estuporaria em meio a esse salão.

Abraxas riu novamente, não conseguindo adquirir nem o mínimo de seriedade.

— A pior parte disso é que sei que realmente seria capaz disso, Cassy.

~ x ~

Durante o jantar tudo correu bem, Cassy e Abraxas conseguiram aproximar-se de vários membros das altas cúpulas do Ministério. Tudo estava correndo perfeitamente bem, até o Ministro envolver-se em algo que não lhe dizia respeito. Tuft veio caminhando na direção de Cassy e Abraxas, com um casal a tiracolo.

— Eu lhes disse que havia mais uma Barthe nessa comemoração. — Disse Tuft assim que se aproximou o suficiente. — Esses são Abraxas Malfoy e Cassandra Barthe.

Cassandra ficou paralisada por alguns instantes, seus pais estavam em frente a ela, quase trinta anos mais jovens. Instintivamente ela segurou a mão de Abraxas, num pedido de apoio, ele logo entendeu o recado.

Abraxas deu um de seus mais belos sorrisos e estendeu a mão.

— É um prazer conhecê-los, sou Abraxas Malfoy.

Abraxas apertou a mão do homem, que lhe retornou o cumprimento.

— Sou Grannus Barthe e está é minha esposa Freya Barthe.

Abraxas beijou a mão da senhora Barthe. Logo depois ele apresentou Cassy.

— Está é minha noiva, Cassandra Barthe, chegou a pouco tempo da França.

Cassy finalmente se recompôs e estendeu a mão na direção de seu pai, que beijou-lhe a mão enluvada e depois ela apertou levemente a mão de sua mãe.

— É um prazer finalmente conhecê-los. — Disse Cassy.

— A senhorita veio da França recentemente? — Perguntou Grannus.

— Exato. Cheguei a cerca de um mês. — Disse Cassy.

— Não lembro de ninguém que resida na França que seja da família — comentou Freya.

— Meu pai é Alistair Barthe, ele afastou-se da família para trabalhar com dragões. — Mentiu Cassy. — Ele nunca mais retornou ao seio da família, tornou-se um recluso.

Grannus alisou o queixo tentando lembrar-se de Alistair.

— Sim, havia um primo Alistair, que não ouço falar há uns vinte anos. — Disse o homem por fim.

— Ele não anda bem, não é mais o mesmo bruxo. — Cassy baixou a voz. — Ele é no mínimo, uma vergonha para a família nesse momento. Pouco antes de eu partir para Londres, ele estava estudando artefatos trouxas.

Cassy havia dito aquilo para tentar afastar todas as próximas perguntas de Grannus sobre o suposto primo.

— Entendo. Sinto muito, senhorita Barthe, pelo pai que tem. — Disse Grannus. — Vamos apenas evitar tocar no nome dele. Será melhor para nossa reputação.

Cassy assentiu.

— Concordo plenamente, senhor Barthe. E agradeço a consideração.

— A família sempre se ajuda, senhorita Barthe. Se precisar de algo, não hesite em nos contatar. — Disse Grannus.

Cassy assentiu.

Grannus voltou-se a Abraxas.

— Foi um grande prazer, senhor Malfoy. É bom saber que nossas famílias se unirão.

— Digo o mesmo, senhor Barthe. É uma honra saber que minha querida noiva vem de uma família tão prestigiosa. — Abraxas devolveu o cumprimento.

Os Barthe se afastaram, levando o Ministro consigo, deixando Cassy e Abraxas sozinhos novamente.

— Preciso de ar, Abraxas, vamos sair um pouco?

Abraxas assentiu e levou Cassy para fora. A noite estava fria, mas estava bonita. A lua brilhava intensamente, assim como as estrelas.

Cassy respirou profundamente assim que chegou ao jardim da propriedade.

— Está tudo bem? — Abraxas perguntou.

— Sim. — Disse Cassy. — Agora acredito que esteja.

— Seu pai realmente se interessa por objetos fabricados por trouxas?

Cassy riu alto e abertamente. Abraxas a mirou sem entender.

— Claro que não, um Barthe jamais se interessaria por algo produzido por trouxas. — Cassy respondeu.

— Mas você disse isso. — Argumentou Abraxas.

— Eu disse aquilo para evitar que Grannus tente entrar em contato com Alistair, meu pai. Eu já lhe disse que seria problemático se meu pai ficar sabendo que estou noiva, então apenas organizei uma estratégia para evitar que ele descubra. Precisei falar mal dele, mas foi por um bem maior. — Cassy disse para encobrir a verdade.

Abraxas riu.

— Você é uma excelente mentirosa, senhorita Barthe. Até eu acreditei em suas palavras. Foi uma atuação brilhante.

Cassy riu.

— Obrigada. — Disse com falsa modéstia.

— Então, está pronta para retornar? Pronta para continuar atuando como a linda noiva de Abraxas Malfoy?

Cassy o mirou com deboche e disse:

— Só se estiver preparado para atuar como o belo noivo de Cassandra Barthe.

Abraxas riu alto.

— Certamente estou preparado, Cassy. — Ele deu uma piscadela e estendeu o braço para ela.

Cassy pegou o braço dele e disse:

— Então vamos voltar, ainda temos muitos "amigos" para fazer esta noite.

~ x ~

Cassandra chegou em casa exausta, aquela noite havia sido longa. O encontro com seus pais também não havia sido fácil, tinha sido um choque muito grande vê-los tão jovens. Aquilo tudo havia sido tão arriscado.

Cassy jogou-se sobre a cama, fechou seus olhos e perguntou-se se tudo aquilo realmente valia a pena.

Imagens de Heitor e Damien passaram por sua mente.

— Vale sim! É por eles que estou fazendo isso.

Duas lágrimas correram dos olhos de Cassy.


Notas finais do capítulo:

Então, o que estão achando da história?
O que acharam do capítulo?
Comentem!
Beijão!