Na cozinha da casa de Sesshoumaru:

Nunca fizemos no banho. - Rin comentava para Sesshoumaru. Os dois estavam em uma muito interessante e acalorada discussão sobre os lugares da casa onde ainda não haviam mantido relações.

Sesshoumaru que já tomava o desjejum, enquanto Rin lavava a louça que tinha sujado, ficou pensativo durante alguns minutos e depois falou:

Bem, isso é verdade. – ele murmurou meio pensativo – Se bem que, da última vez que tentamos, você estava irritada porque aquela música do "Shin-chan" não saía da sua cabeça.

Mas é claro que não dava! Por acaso acha que poderia me concentrar se aquele maldito trecho de "Eu sou o garoto do bairro" não sai da cabeça?

O rapaz ficou pensativo alguns instantes e depois começou a murmurar/cantarolar baixinho só para ele mesmo:

"Zo-san, zo-san..."

Rin, porém, tinha uma audição aparentemente excelente como o de um cachorro.

PARA! PARA! PARA! – ela gritou ao ouvi-lo, tapando os ouvidos.

Sesshoumaru parou imediatamente e voltou a comer em silêncio.

Também nunca fizemos nada na cozinha. - ele falou depois de alguns minutos.

Já sim. - ela falou.

Ainda não. - ele replicou.

Já sim. - ela insistiu.

Ainda não. – ele a contrariou.

Já sim. Foi no dia do meu aniversário, esqueceu? – ela estreitou os olhos.

Um momento de silêncio.

Já sim. – Sesshoumaru confirmou.

Aposto que nem lembra onde foi. - ela murmurou.

Lembro sim.

Lembra nada.

Lembro sim. - Sesshoumaru insistiu.

Lembra nada.

Lembro sim.

Onde foi então?- Rin perguntou.

Sesshoumaru ficou um instante pensativo, depois arregalou os olhos e olhou para a mesa, largando as coisas que comia e afastando-se dela com evidente asco.

Ei, ei, ei! Qual é o problema?- Rin perguntou indignada, colocando as mãos na cintura.

Nada. - ele respondeu, sem tirar os olhos da mesa.

Se está com nojo, então nem conta para os outros ou eles nunca mais virão comer de graça aqui.

Os dois se olharam durante alguns segundos, depois falaram ao mesmo tempo:

Depois contamos para eles.


Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no junjou na omoi

Owarinai geemu – dai ikai

Crônicas de Tokyo: Nossos verdadeiros sentimentos

O jogo interminável – Primeira parte


Disclaimer: "Inuyasha" ainda não é meu; por enquanto é apenas da Rumiko-sensei.

Para LP Vany-chan.


Miroku passou pelo portão do muro e entrou no quintal da casa de Sesshoumaru, indo em direção da porta dos fundos e entrando pela cozinha.

— Bom dia. - ele saudou aos presentes do local.

Sango, Inuyasha, Kagome, Rin e Sesshoumaru o saudaram à própria maneira. O rapaz, então, sentou-se na única cadeira vaga da mesa.

— O jornal já chegou? – Miroku perguntou, servindo-se de chá e torradas.

— Em cima da geladeira, Miroku-sama. - Rin respondeu apontando para o alto da geladeira, onde o gato Buyo usava o jornal como confortável cama.

Miroku pediu licença e levantou-se, dirigindo-se até o lugar para onde Rin tinha apontado.

— Licença, Buyo... - ele puxou o papel, mas o gato não saía. – Sai gato, sai!

— "Mi"...

— É, é! "Mi" de "Miroku"! Eu mesmo! – ele conseguiu puxar o jornal e voltar para a mesa. – Droga, tá com cheiro de gato! – ele tirou a parte dos classificados e abriu a parte de empregos, escondendo o rosto atrás dela.

— Vai procurar emprego hoje?- Inuyasha perguntou, pegando a parte de esportes para ler.

— Sim... Ano novo, vida nova... Tô precisando de dinheiro e de fazer alguma coisa.

— Ano novo? - Sesshoumaru perguntou com as sobrancelhas arqueadas, pegando a parte de política do jornal. – Já estamos em março, se não percebeu.

Miroku pegou um marcador e começou a fazer círculos em alguns trechos dos classificados, não respondendo ao comentário.

— Não vai responder? - Inuyasha perguntou, admirado com o rapaz.

— Ontem nós brigamos. – Sango começou a falar. – Porque ele conseguiu dois meses de seguro-desemprego e só tava vivendo disso desde o início do ano. – ela encheu uma xícara com mais café. – Só que este mês ele não recebeu, e ainda não procurou um único emprego decente até agora.

— Tá difícil, Sango, tá difícil! – ele falou irritado, baixando o jornal e encarando a garota. – Acha que eu gosto de viver à custa do governo?

Os presentes à mesa fizeram um movimento afirmativo de cabeça, deixando o rapaz completamente sem jeito.

— Miroku-sama acorda depois de dez da manhã. - Kagome comentou.

— Você gasta todo o dinheiro do seguro com bobagens. – Sango falou, bebendo o café depois.

— Você fica sem fazer nada durante o dia. - Inuyasha falou, embora estivesse consciente de que fazia o mesmo.

— Você não me ajuda nas tarefas da casa. - Rin comentou com um sorriso doce.

— Por fim, você gosta de ficar desempregado. - Sesshoumaru falou, escondendo o rosto logo em seguida por trás da parte que lia.

— Isso é complô, é?- Miroku falou, estreitando os olhos. – Muito bem! – ele se levantou, esvaziou a xícara de chá, dobrou o jornal para melhor carregar e afastou-se do grupo, indo em direção da porta. – A partir de hoje, o meu horário é: se eu não conseguir emprego, voltarei às seis da tarde e ajudarei Rin-sama nas tarefas de casa; se conseguir voltarei só depois que acabar o expediente! E olha que eu vou procurar até os empregos noturnos!

— Tá bom. – eles responderam em uníssono.

— Tenham um bom dia! – ele bateu a porta atrás de si.

O silêncio predominou o local, até que a porta foi aberta de novo um minuto depois.

— Er... - Miroku apareceu. – Será que alguém poderia me dar o dinheiro para o metrô?

O rapaz ficou surpreso ao ver uma enorme gota surgir no rosto dos amigos.


Em algum bairro afastado, horas depois:

— Ei, Hachi... E quais são os horários?- Miroku perguntou ao velho conhecido, um amigo trambiqueiro conhecido no bairro, quase pulando de alegria como uma criança.

— Só aos finais de semana, de seis da tarde às cinco da manhã. Você fica com todas as gorjetas.

— Legal! Legal! – o rapaz falava, sorrindo meio que abobalhado. - Meu primeiro emprego do ano! Uhuu! – jogou o jornal para o alto e deixou cair no chão. – Valeu, Hachi! - ele abraçou o homem a sua frente e depois se abaixou para pegar o papel que deixara cair.

— Mas se a polícia fuçar o local, a responsabilidade é sua.

Miroku deixou o jornal cair de novo, chocado com aquela informação.

— O... O... O cassino é ilegal? – ele perguntou um pouco trêmulo.

— Bem... – Hachi coçou a cabeça. – Pôquer é ilegal, cassinos são sempre mal vistos pelo governo, e ainda tem que ter cuidado com os roubos. Geralmente a polícia aparece e prende quem não consegue fugir.

Miroku se sentou num banco sujo e quebrado da calçada, amparando a cabeça com as mãos, num total estado de desânimo.

— Geralmente? – ele repetiu, num total estado de desespero.

Hachi se aproximou do rapaz e bateu nas costas dele de modo consolador.

— Vai desistir?

— Não, não... - ele falou, meneando a cabeça com violência. – Vou procurar um emprego pra trabalhar durante a semana... - ele se levantou. – Pode dar o meu nome para o gerente do cassino que eu irei com certeza.

— Pra onde cê vai agora?

— Vou procurar trabalho... - começou a andar para sair dali, mas parou na entrada e se virou para perguntar. – Pode me dar o dinheiro pro metrô?

Uma gota surgiu no rosto do pobre trambiqueiro.

— Por que todo mundo me olha assim? Acha que desempregado pega transporte de graça? - perguntou Miroku.

Depois de alguns minutos, Miroku saiu daquela oficina, localizada em um bairro um tanto quanto suspeito, para ir até um dos endereços que marcou no jornal. Olhou para o relógio e viu que ainda tinha a tarde toda para procurar um emprego que Sango aprovasse.


Quase seis da tarde:

— O banho está nos esperando... - Sesshoumaru falava para Rin, os dois na cozinha.

A garota preparava o jantar e fingia que não ligava para o que o outro falava, reprimindo um sorriso.

— Larga logo isso e vem tomar banho... –ele sussurrava no ouvido dela e beijava-lhe o ombro.

— Tenho que terminar o jantar. - ela tentou ficar séria, fazendo o máximo de esforço para não rir.

— Vem logo... – ele pediu de novo, beijando o pescoço dela. – Antes que eles cheguem para o jantar... Ou vou cantar aquela música.

Rin largou o que fazia e virou-se para olhar o rapaz, enlaçando o pescoço dele com os delicados braços e aproximando o rosto para beijá-lo.

— Aê, galera! Cadê o jantar?- Miroku entrou de súbito no local, assustando o casal. Aparentemente, ele não percebeu que estava interrompendo um momento romântico e continuou, jogando-se em uma das cadeiras – Tô feliz! Tô feliz! Consegui um emprego! Tô tão cansado...

Ao perceber a expressão assassina de Sesshoumaru – rosto sombrio e olhos quase vermelhos, se observasse bem –, perguntou:

— O... O que foi? O que eu fiz?

— O que faz aqui numa hora dessas?- o rapaz perguntou rispidamente. – Não disse que se arranjasse emprego voltaria só mais tarde?

— É um emprego diferente. – ele falou, pegando uma das maçãs da cesta que tinha em cima da mesa e dando uma mordida depois. – Vou contar depois. Agora vou tomar banho.

Miroku levantou-se e saiu da cozinha tão subitamente quando entrou. Sesshoumaru não conseguiu evitar de passar a mão nos longos cabelos e dar um suspiro.

Rin voltou a fazer a comida, mas parou ao sentir os braços dele em sua cintura.

— Aquele idiota...- ele murmurou, beijando o ombro dela.

— Fique calmo... Ele conseguiu emprego.

— Eu sempre estou calmo. Vem tomar banho comigo... - ele sussurrou meio impaciente no ouvido dela.

— RIN, O QUE TEM PRA COMER HOJE?Miroku gritou de algum lugar da casa.

— Eu odeio que gritem aqui. - Sesshoumaru falou entre dentes.

— ESSE BANHO AQUI TÁ BOM! FOI VOCÊ QUEM PREPAROU, RIN-SAMA?

Enquanto Rin assumia uma expressão de choque, Sesshoumaru tinha o olhar de assassino profissional, assustando a garota.

— Posso colocar veneno no prato dele?

— Sess, ele tá cansando... - Rin estava evidentemente mais preocupada em impedir que um assassinato ocorresse debaixo de seu nariz. – Deixe-o e...

ZO-SAN, ZO-SAN... EU SOU O GAROTO DO BAIRRO... SHINNOSUKE...!

Rin estreitou os brilhantes olhos castanhos ao escutar aquilo e depois falou ao namorado:

— Só não deixe que os outros descubram.


Na hora do jantar:

— QUÊÊÊÊÊÊÊ?- Sango gritou, fazendo Miroku se proteger atrás de Inuyasha por precaução.

Enquanto Rin não trazia a comida, pelo simples motivo de estar preparando um prato especial para Miroku misturado com um laxante, todos os outros já estavam à mesa esperando o jantar começar.

Em meia hora, a notícia de que Miroku tinha arranjado emprego se espalhou rápido pela vizinhança como se fosse uma epidemia, deixando muitos curiosos em saber qual era o novo trabalho dele. Descobrir foi apenas uma questão de segundos para Sango, que o ameaçou de diversas formas, não deixando de ficar horrorizada ao saber que o noivo trabalharia em um cassino.

— Veja pelo lado bom, Sango... - Inuyasha começou. – Se ele for preso, seu noivo vai ser um cara famoso. Pode até ir praqueles reality shows. Já pensou se ele ganha o prêmio principal?

— Não quero saber! – ela batia os pés no chão como uma criancinha, deixando Miroku ainda mais trêmulo de medo. – Você não vai trabalhar lá! Não vai! Não, não, não!

— Sango-chan, fique calma... - Kagome tentava conter a amiga.

— Calma, calma, pessoal... - Rin falou, trazendo alguns pratos na mão. – Hoje é um dia especial. Miroku-sama conseguiu um emprego depois de tanto tempo.

— Eu vou procurar outro, tá? – Miroku falou, voltando a se sentar depois de perceber que Sango estava mais controlada – O do cassino é aos finais de semana, trabalho noturno. Vou procurar um durante a semana. É sério!

— Como Miroku-sama está responsável... - Kagome falou com um sorriso. - Você podia fazer o mesmo e procurar um emprego, Inuyasha.

— Feh!- foi a resposta dele.

— E como você conseguiu esse emprego?- Sango perguntou, abrindo um guardanapo e colocando-o sobre o colo. – Aposto que aquele safado do Hachi tem parte nessa história...

— Bem... - Miroku deu um sorriso sem graça.

— MIROKU!- Sango repreendeu, voltando a bater os pés embaixo da mesa – Não com Hachi! Não, não, não!

— Não gritem na minha casa. - Sesshoumaru sussurrou/ameaçou.

— Desculpaaaa... – Sango falou num tom envergonhado. Nem havia percebido o que havia feito.

— Calma, calma. - Rin interrompeu e colocou um prato em frente de Sesshoumaru, dando um sorriso ao fazê-lo, e outro em frente de Miroku. – O prato de Miroku-sama é especial hoje porque ele conseguiu arranjar um emprego. Parabéns!

— Obrigado, Rin-sama. - ele falou com um sorriso – Você não se cansa de ser tão gentil e amada assim?

Rin e Sesshoumaru sorriram enigmaticamente um ao outro, comunicando-se apenas com o olhar (ou com os corações, se preferirem assim). A garota sentou-se ao lado do namorado e os dois viram Miroku pegar o hashi para comer.

Quando ele ia levar a primeira porção à boca, Inuyasha o fez parar com uma pergunta, fazendo com que o casal se aborrecesse:

— Mas você é bom mesmo, Miroku? Quer dizer, eu já percebi que vive falando que joga, mas não sabemos se é bom ou tá apenas contando mentindo, como sempre faz.

— Mas é claro que sou!- o rapaz protestou indignado - Eu fui muito bem treinado, tá? E que história é essa que eu vivo mentindo?

— Feh! – foi a resposta de Inuyasha.

Novamente levou a porção à boca, de novo sob os olhares ansiosos de Sesshoumaru e Rin, mas Sango o interrompeu a centímetros de consumir o alimento:

— Não sabemos jogar, oras... Como podemos saber se o que diz é verdade?

O casal reprimiu um suspiro de cansaço para que ninguém notasse.

— Bem... - Miroku parou e ficou pensativo. - Nisso vocês têm razão...

Novamente Miroku fez menção de que ia comer, mas desta vez quem perguntou foi Kagome:

— Que tal se Miroku-sama nos ensinar um pouco?

— CARAMBA, KAGOME! - gritou Rin, indignada por ver que todos já comiam menos Miroku.

— Não grite, Rin. - Sesshoumaru murmurou, os olhos fechados como se estivesse com dor de cabeça. Naturalmente que ela ficou envergonhada ao perceber que tinha feito bobagem.

— O que eu fiz? - Kagome perguntou muito confusa com aquela explosão da amiga.

— Hã... - Rin comeu uma das porções do prato e sentiu a mão de Sesshoumaru tocar na sua por baixo da mesa, como se estivesse apoiando a garota a contar uma mentira. Com isso, a garota pensou rápido numa desculpa – Eu quis dizer... Bem... É que eu achei a sua ideia excelente, mas acho que me empolguei um pouco pra dizer...

— Eu também pensei nisso... - Miroku falou, largando o hashi e mostrando-se mais sério que o normal. - Eu vou comandar as mesas de apostas, mas talvez me peçam para me disfarçar em um dos apostadores e ganhar algumas para o cassino...

— E o que achou da minha ideia?- Kagome perguntou.

— Achei boa. Eu queria treinar um pouco, sabe? Faz tempo que eu não jogo.

— Vai nos ensinar, Miroku? - Inuyasha perguntou, bebendo depois um pouco de suco.

— Bem... - Miroku pegou o hashi e Rin e Sesshoumaru fixaram os olhares novamente nos movimentos dele - Eu acho que será um pouco difícil pra vocês entenderem, mas posso tentar...

Ia levando outra vez uma porção à boca quando desta vez Sesshoumaru o interrompeu, sob o olhar perplexo de Rin. Miroku chegou a largar a comida na mesa tamanho o susto que levou:

— O que você quis dizer com isso, Houshi? - ele perguntou num tom incrivelmente frio e controlado.

— Eu... - Miroku falou devagar. – Quer dizer... Sem querer ofender, mas acho que vocês são lentos demais pra jogatinas.

O rapaz ia pegando outra porção da comida quando Sesshoumaru puxou o prato e o trouxe para perto dele.

— Ensine todos nós agora, Houshi. - ele ordenou frio e calmamente.

— AGORA? Mas... - Miroku começou.

— Sesshoumaru... - Rin murmurou, com uma gota ao lado da cabeça e olhando absolutamente perplexa para ele.

— Vá pegar o baralho e nos ensine. - Sesshoumaru repetiu controlando as palavras.

— Mas eu ainda nem jantei... - Miroku começou, mas parou assustado ao ver Sesshoumaru se levantar da cadeira.

— Se eu tiver de repetir... - ele falou, quebrando o par de hashi em sua mão – Você vai se arrepender.

Com isso, Miroku saiu correndo para ir para a casa ao lado e pegar a ferramenta de trabalho.


Alguns minutos depois:

— Tô com fome! - Miroku reclamava enquanto arrumava a mesa para jogar.

— Tome, Miroku-sama. - Rin trouxe outro prato, desta vez só com verduras e legumes para substituir o outro que jogou fora a pedido de Sesshoumaru, colocando-o em frente ao rapaz. – Faça bom proveito.

— Mas aqui só tem verduras! - Miroku murmurou em tom de criança malcriada.

— Coma logo. – Rin e Sesshoumaru falaram ao mesmo tempo num tom sombrio, fazendo com que Miroku começasse a comer depressa e quase sem mastigar.


Mais alguns minutos depois:

Com a mesa arrumada e todos os amigos sentados em seus respectivos lugares, Miroku começou a falar:

— Muito bem. – ele pegou as cartas e começou a embaralhá-las rapidamente de modo profissional. – Primeiro começamos a embaralhar as cartas e distribuir para cada jogador. Alguém quer tentar?

— EU! EU! EU! - Kagome começou a gritar e a pular, erguendo os braços.

Miroku entregou as cartas e a viu começar a misturar as cartas devagar, tão devagar que alguns pensavam que fosse parar. Parecia que ela estava colocando todas em ordem.

— Isso ia ficar mais interessante se fosse em câmera lenta.- Inuyasha comentou.

— Tá bom, Kagome, tá bom. - Miroku falou, impacientando-se com aquilo. Tirou as cartas à força, pois ela não queria entregar.

Assim que conseguiu, viu Kagome cruzar os braços e ficar com cara de criança zangada.

— Alguém mais quer tentar? – ele tentou.

— Eu quero. - Inuyasha se prontificou. Assim que as recebeu, começou a misturar as cartas um pouco mais rápido.

— E depois de misturar, nós entregamos cinco cartas para cada um, porque somos seis jogadores. - Miroku continuou. – O pôquer é um jogo de apostas, mas como é a primeira vez que vocês jogam, não iremos apostar o cacife, que são as fichas.

— E como sabemos que ganhamos?- Sango perguntou, já um pouco mais interessada em jogar.

— Se você tiver uma sequência que seja a maior entre todos os adversários.

— E nós perdemos todo o dinheiro?- Kagome perguntou.

— Não, só o que você apostou naquela partida. Se tiver em sua mão 500 ienes e tiver apostado só 200, perderá os 200 ienes para quem venceu.

— Ah... - todos pareciam mais esclarecidos.

— E perderá também a peça de roupa que ele pedir.

Um momento de silêncio se fez.

— Eu não entendi. - Kagome falou, sorrindo sem jeito.

— Bem... Se ele pedir qualquer peça, você terá que dá-la... Na frente dos outros, claro.

— Mas isso aí não é strip poker? - Rin perguntou timidamente.

— É... – Miroku coçou a cabeça – Não era isso que vocês queriam que eu ensinasse?

— Não sabemos. – Rin e Kagome responderam ao mesmo tempo.

— Ah, mas vai ser muito legal... Ué, o que vocês têm agora?- ele perguntou ao perceber que Sango, Inuyasha e Sesshoumaru olhavam sanguinariamente para ele.

— Rin... - Sesshoumaru começou. – Você poderia trazer chá para nós?

— Mas aqui não tem chá... Só lá na casa do Inuyasha.

— Você poderia ir lá, por favor?- ele perguntou, sem tirar os olhos de Miroku.

— Você pode ajudá-la, Kagome?- Inuyasha falou calmamente, ainda segurando as cartas.

— Vamos lá, Kagome-chan?- Rin perguntou, levantando-se para ir até a outra casa.

— Sim. - ela se levantou e as duas saíram da cozinha, deixando os outros sozinhos com Miroku.

— Segurem. - ordenou Sesshoumaru enquanto estalava os dedos. Sango e Inuyasha se levantaram para segurá-lo, para espanto de Miroku.

Strip poker, é?- ele perguntou, avançando no rapaz, que se debatia para se soltar da noiva e do amigo.

— NÃO! NÃO!


Depois de mais alguns minutos:

— Chazinho, pessoal... - Kagome entrou acompanhada de Rin. – Ué, o que foi que aconteceu?- perguntou ao ver Miroku com um pedaço de bife cru num olho roxo para aliviar a dor.

— NADA! – ele respondeu mal-humorado, fazendo Kagome e Rin se encolherem assustadas com aquela reação.

— Rin... - Sesshoumaru falou de novo. – Eu queria um limão para deixar o chá mais forte.

— Mas aqui não tem limão...Vou ter que comprar ou ver se tem na casa do Inuyasha...

— Você poderia ir lá?

— Ah, não. Acabei de voltar de lá. – ela cruzou os braços.

— Por favor? – ele perguntou com o olhar mais sedutor que sabia fazer.

Com isso, Rin suavizou a expressão e saiu correndo para voltar à casa vizinha.

— Eu também queria, Kagome... - Inuyasha perguntou, fazendo a cara mais fofinha que possuía.

— Por que você tá fazendo essa cara, Inuyasha?- ela perguntou.

— Por favor?- fez uma cara ainda mais fofinha.

Com isso, Kagome também saiu da cozinha correndo e foi até a outra casa.

Desta vez, quem falou foi Inuyasha:

— Segurem.

Sesshoumaru e Sango seguraram o rapaz, que novamente fazia o possível para escapar dali. Inuyasha se aproximou dele, mostrando o punho fechado.

— Quem te deu liberdade de gritar com elas, hein?

— Não! Por favor, não!


De novo, minutos depois:

— O que houve agora com sua cabeça, Miroku-sama?- Rin e Kagome perguntaram assim que voltaram e encontraram Miroku ainda mais arrebentado, com um bife cru ainda no olho e uma bolsa de gelo na cabeça.

— Foi um pequeno acidente, Rin-sama, Kagome-sama... - Miroku respondeu calmamente como se nem estivesse passando mal. - Buyo subiu no alto da despensa e eu tentei ajudar, mas acabei caindo e me machucando...

— Ah... Coitadinho do Miroku-sama... - Kagome se aproximou e passou a mão na cabeça dele, vendo o rosto do rapaz se contrair em dor ao tocar no galo – Tudo porque tentou salvar Buyo.

— Vou cuidar desse seu ferimento no olho, Miroku-sama... - Rin foi até uma das gavetas e pegou uma caixa de primeiros-socorros, aproximando-se depois do rapaz. – Caramba... Parece mais que você levou uma daquelas surras do Sesshoumaru...

— Há-Há-Há... - ele riu sem graça.

Os responsáveis por aquilo permaneciam em silêncio.

As duas estavam cuidando muito bem dele, bem até demais, causando certo incômodo nos que estavam ali. Kagome terminou um curativo na cabeça e Rin passou uma pomada na região dos olhos.

— Prontinho, Miroku-sama. - Kagome deu um beijo no rosto dele e Inuyasha ficou estarrecido.

— Você merece um meu por ter se arriscado a pegar o Buyo. - Rin deu outro beijo, agora na testa dele e Sesshoumaru estreitou os olhos dourados. - Obrigada, Miroku-sama.

Miroku ficou apreensivo ao perceber que Sango quase não conseguia esconder a expressão demoníaca no rosto.

— Pessoal... - Sango começou. - Vocês poderiam sair um instante? Eu gostaria de recompensar Miroku por salvar Buyo.

— Ah, não... - Miroku gemeu, escondendo o rosto com as mãos, totalmente arrasado ao perceber que apanharia de novo.

— Vamos lá, vamos deixar os dois se amarem. - Inuyasha falou, satisfeito em ver quem resolveria aquilo.

— Mas ele não ia nos ensinar a jogar?- Rin perguntou, guiada para fora da cozinha por Sesshoumaru.

— Nós temos que respeitar as vontades de Sango, Rin. - Sesshoumaru falou com seu jeito impassível.

Assim que foram para o quintal, os casais ficaram muito longe, longe o suficiente para não escutar a seguinte conversa:

— Gostou do tratamento, Houshi-sama?

— Sango, não foi culpa minha!

— Quem foi que se fez de coitadinho, hein?- ela avançou, mostrando também as enormes e bem tratadas unhas.

— NÃO, SANGO!


Finalmente, depois de alguns minutos:

— Caramba! Então foi isso que aconteceu com seu rosto? - Kagome perguntou, depois de escutar uma interessante explicação a respeito de como Miroku conseguiu ficar com o rosto arranhado graças a uma pequena confusão que fez entre um sabonete e uma lixa em forma de pedra que tinha no banheiro.

— Eu falei que um dia isso poderia acontecer... - Rin comentou, segurando algumas cartas – Vou mudar as coisas de lugar quando eu tomar banho hoje... Né, Sess?

Sesshoumaru nada comentou e pareceu nem perceber a insinuação dela.

— Vamos... ai... mudar de... ui... assunto...- Miroku falou, sentindo os músculos da face doerem depois de levar três surras, ainda auxiliado por outra pomada que Rin passou nas partes arranhadas por Sango - Quem tiver um Full House ou uma sequência inteira, ganha.

Os amigos olharam para as cartas em mãos.

— Vocês ainda não têm porque acabamos de partir o baralho. – Miroku explicou e imediatamente sentiu olhares furiosos nele, tratando de completar depressa antes que Rin e Kagome resolvessem bater nele também - Mas se vocês tiverem alguns pares que ajudem a completar uma sequência, separe para começar a trocar as cartas com o adversário.

Na mesa, alguns começaram a mover dedos e pares.

— Aqui tem alguma sequência, Sess? - Rin encostou-se no namorado para mostrar o que tinha separado.

— Não tem nenhuma aí, Rin. - ele falou, juntando três cartas. - Todas são diferentes.

— Mas eu achei tão bonitinho, tão colorido... Um coração, uma folhinha, um...

— Rin-sama, não é para mostrar o que você tem pra ele! Lembre-se que ele é seu adversário!- Miroku a repreendeu.

— Ele não é meu adversário, é meu namorado!

— Rin... – Sesshoumaru mantinha-se extremamente sério em meios aos que queriam rir daquilo – Ele tem razão... Guarde para si as cartas, tá?

Rin fez uma expressão aborrecida. Vendo isso, Sesshoumaru se aproximou do ouvido dela e falou:

— Não ligue pra esse idiota... Eu vou ajudar, ok? - sorriu ao ver o rosto da garota se iluminar e mordiscou a orelha dela.

— Não é pra passar a sequência, tá?- Inuyasha falou.

— Ele tem razão! Já viu muitos golpes assim... O cara dá uma mordida na orelha da namorada e coloca uma sequência fechada na perna dela.

— Cês tão pirados?- Sango perguntou. – Nós acabamos de dividir as cartas!

— Chega de conversa. - Miroku falou com ar sério. – Vamos começar.


Uma hora e meia depois:

— Bem, bem, bem... Foi muito legal mesmo. – Miroku recolheu as cartas e as arrumou, passando depois os olhos num caderninho surrado. De dez partidas, nove foram vencidas por Sesshoumaru e uma por Rin-sama...

— Êêê!- ela comemorou.

— Só que não valeu. – ele avisou.

— E POR QUE NÃO? – ela quis saber.

— Não grite, Rin. - Sesshoumaru murmurou.

— Porque Sesshoumaru te ajudou, oras... - Inuyasha falou mal-humorado.

— Vocês estão com raiva porque eu praticamente venci todas?

— Claro! - todos, exceto Rin, responderam.

— Isso é pra você aprender a não subestimar a inteligência dos outros, Houshi.

— Você nos aniquilou, Sesshoumaru. - Kagome falou em tom revoltado.

— Claro. – ele comentou tranquilamente.

— Tá bom, tá bom...- Miroku começou. – Vamos dormir, pessoal... Fiquei arrasado depois dessa.

Miroku saiu da cozinha acompanhado de Sesshoumaru e de Inuyasha, enquanto as garotas ficaram na cozinha.

— Rin... - Kagome começou. – Vou dormir lá com o Inuyasha, tá?

— Você não acha melhor mudar pra lá? – Rin perguntou e viu Sango engasgar e rir ao mesmo tempo.

— Ei... - Kagome falou sem graça.


Na sala:

— Sesshoumaru, se quiser blefar durante a partida e passar as cartas pra Rin, não fique com as mãos durante muito tempo debaixo da mesa. - Miroku falou, sentando-se no sofá.

— Tentando me dar lição, mesmo depois que acabei com você?

— Cê não teve piedade. Só deixou a Rin vencer porque ela tava quase chorando. – Inuyasha falou, sentando ao lado de Miroku.

— A verdade... - Miroku começou, jogando a cabeça para trás e olhando para o teto. – É que eu não dei tanta importância porque não tinha dinheiro no meio.

— Essa é a melhor desculpa que você tem?- Sesshoumaru perguntou, cruzando os braços.

— Se estivéssemos jogando de verdade, eu teria ganhado a maioria, isso eu posso garantir. - Miroku falou, encarando o rapaz.

— E se jogássemos agora uma partida da verdade?- Sesshoumaru perguntou, depois de encarar o amigo durante alguns minutos.

Um outro momento de silêncio se seguiu. Inuyasha tirou a carteira e a abriu, contando o dinheiro que tinha dentro.

— Não tenho nada contra. - falou por fim.

— Eu também não. - Sesshoumaru falou, seguro de quanto dinheiro possuía.

— Eu não tenho um centavo. Mas quero participar, porque sei que posso jogar sem dinheiro e ganhar.

Outro momento de silêncio se seguiu.

— Vamos lá. - Sesshoumaru falou, aceitando o desafio, vendo também o irmão mais novo e Miroku concordarem com a cabeça. – Vamos lá pra cozinha...

Os três voltaram para a cozinha e encontraram Kagome e Rin dando um banho no gato com detergente na pia da cozinha.

— Cadê Sango? – Miroku perguntou.

— Já foi. Disse que teria que trabalhar muito cedo amanhã e entregar uns relatórios. – Kagome respondeu, ainda tentando limpar Buyo.

— O que houve?- perguntou Inuyasha, olhando para a namorada.

— Buyo estava mexendo no lixo... Estava comendo o que sobrou do jantar.

Nem Rin nem Sesshoumaru lembraram do que haviam jogado fora e que agora estava no estômago do gato.

— Não fique tão zangada com ele, Kagome-chan... - Rin falava. – Acho que ele ainda estava com fome...

— Kagome, podemos conversar um instante?- Inuyasha puxou a namorada e a levou para o quintal.

Assim que ficaram sozinhos, Inuyasha perguntou:

— Cê vai dormir lá em casa?

— Eu estava pensando... - ela respondeu sorrindo, enlaçando o pescoço dele.

— Podemos dormir aqui? Eu vou jogar mais uma partida com Miroku e Sesshoumaru.

Kagome estreitou os olhos, sentindo uma leve suspeita.

— Agora vocês vão apostar?

— Ora... - ele virou o rosto. – É só uma partida... Miroku vai nos ensinar a blefar.

— Você não tá me olhando... Então estão apostando mesmo, né?

— É só uma partida, só uma partida!- ele continuou.


Na cozinha:

— Sess... - Rin se aproximou dele. - Você fazer alguma coisa antes de dormir?

O rapaz olhou para Miroku, que observava curioso aquela cena.

— Fora daqui. Conversa particular.

Miroku revirou os olhos e se retirou da cozinha.

— Por que você quer saber, minha Rin?

— Você vai tomar banho?- ela perguntou de novo, dando um sorriso doce.

— Eu vou jogar uma partida com Houshi... Ele vai nos ensinar a blefar. - ele colocou os braços em torno da cintura dela. – Já vou subir para nosso quarto.

— Vocês não vão jogar de verdade, né?- ela perguntou desconfiada.

— Não. – ele mentiu, mantendo a expressão mais séria que tinha. – Houshi não tem dinheiro, lembra?

— Mas ele pode muito bem ganhar de quem tem pra ter dinheiro, né? – ela perguntou, estreitando ainda mais os olhos castanhos.

— Como você é desconfiada. – ele estreitou de leve o olhar – Pode subir para o quarto. Irei em alguns instantes pra lá.

Rin deu um sorriso e se soltou dele, saindo da cozinha em direção ao quarto. Miroku a viu sair e voltou ao recinto, sentando-se e pegando o baralho para misturá-lo. Cerca de dois minutos depois, a porta dos fundos se abriu e Inuyasha apareceu com Kagome.

— Boa noite pra vocês... – ela os cumprimentou e foi para o quarto dela na casa.

— Boa noite, Kagome. - responderam Sesshoumaru e Miroku. Inuyasha se sentou e, depois que Miroku distribuiu as cartas e acertou o valor máximo de quinze ienes para aquela partida, eles começaram.


O silêncio predominava na cozinha.

Sesshoumaru, Inuyasha e Miroku ainda jogavam.

Miroku olhou para o relógio.

Duas da manhã, pessoal. - ele falou.

O silêncio predominou novamente na cozinha.

Um miado de gato soou no ambiente.

Sesshoumaru olhou para os lados, procurando por Buyo.

Acho que ele tá passando mal... Já o terceiro miado que escuto dele. - ele falou.

O silêncio predominou outra vez na cozinha.

Eu me arrependo de ter te ensinado esse jogo, Sesshoumaru. - murmurou Miroku, olhando para a quantidade enorme de fichas improvisadas que o amigo tinha.

Sesshoumaru deu um sorriso sarcástico.

E o silêncio predominou mais uma na cozinha.

Continua...


Próximo capítulo:

As garotas ficam abismadas em ver que os três passaram a noite jogando. Kagome enfrenta sua primeira briga com Inuyasha em seus primeiros meses de relacionamento, sem contar que Buyo está passando muito mal. Jikai Boku-tachi no Junjou na Omoi: Owarinai geemu - dai nikai! Não percam!

"FORA DA COZINHA!"