Silêncio na cozinha.
Miroku olha para o relógio.
— Seis da manhã, pessoal.
— Agora há pouco eram quase duas. – Inuyasha comentou ao ajeitar as cartas na mão.
— Ele disse isso quatro horas atrás, irmãozinho.
Outro silêncio.
Sesshoumaru baixou as cartas e olhou para os dois, preocupado.
— O que foi? – eles perguntaram.
— Lembrei que não dormi com Rin hoje.
— Esqueci Kagome lá no quarto...
— Sango disse para não pôr o pé no quarto até que eu arranje um emprego.
Os irmãos olharam para o amigo e balançaram a cabeça negativamente.
Mais um momento de silêncio.
Miroku estendeu as cartas para que Sesshoumaru tirasse uma.
— Full House, pessoal. – o irmão mais velho falou.
-MAS QUE DROGA! – Miroku e Inuyasha exclamaram, jogando as cartas com raiva na mesa.
Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no Junjou na Omoi
Owarinai Geemu- Dai Nikai
Crônicas de Tokyo: Nossos Verdadeiros Sentimentos
O Jogo Interminável – Segunda Parte
Disclaimer: Quando "Inuyasha" for meu, vocês lerão meu nome dos créditos. Por enquanto, o nome que aparece lá é Takahashi Rumiko.
Para LP Vany-chan
Rin acordou sentindo frio em uma manhã de primavera. Sem abrir os olhos, ela passou a mão no lado onde Sesshoumaru sempre dormia, notando o lugar vazio. Abriu os olhos e percebeu que, além disso, dormira de roupão enquanto o aguardava para tomarem banho juntos.
Um pouco decepcionada com o que havia acontecido, resolveu se levantar e se arrumar. Teria um dia cheio, já que iria sair com Kagome para fazer as inscrições para as provas das bolsas de mestrado da Universidade de Tokyo.
Já arrumada, ela foi até a cozinha e abriu a porta.
— O QUÊ? – ela exclamou, os olhos arregalados.
— Bom dia, Rin. – Sesshoumaru falou.
— Bom dia. – Inuyasha e Miroku a cumprimentaram também, mas sem tirar os olhos das cartas.
A garota ficou perplexa com a cena. Os três estavam calmamente jogando com biscoitos recheados no lugar de fichas, cuidadosamente arrumados em um prato. Sesshoumaru tinha todas as fichas no momento, naturalmente, enquanto que os pratos de Miroku e Inuyasha estavam às moscas.
— Algum problema, Rin? – Sesshoumaru perguntou, notando uma expressão meio que aborrecida no rosto da namorada.
— Nenhum... Eu apenas esqueci de tomar banho ontem à noite. – deu as costas para o rapaz e calmamente encheu uma chaleira e pôs no fogo para ferver.
Um momento de silêncio se passou e Sesshoumaru mantinha uma expressão preocupada no rosto.
— E você está com raiva porque não tomou banho ontem? – ele arriscou cuidadosamente.
Rin jogou um copo sujo na pia com tanta força que os presentes julgaram que tivesse quebrado.
— Eu? É claro que não. – falou com tranquilidade, fechando com força a porta de uma das despensas, fazendo os três se encolherem por causa do barulho.
Sesshoumaru deu um suspiro e olhou para o irmão e Miroku, notando que os dois não tiravam os olhos curiosos daquela discreta briga do casal.
Kagome apareceu de repente visivelmente furiosa, batendo a porta com força, fazendo os três se encolherem de novo.
— Olá. – falou, friamente. Não olhou para os presentes e passou direto por Inuyasha, indo até o armário e abrindo uma das portas, de onde tirou uma xícara e bateu a portinhola, indo depois até a mesa e puxando uma cadeira para sentar-se.
— Bom... Bom dia, Kagome. – Inuyasha falou igualmente constrangido.
— O que tem de bom? – ela perguntou, fixando um olhar furioso no rapaz, fazendo-o esconder o rosto atrás das cartas.
Rin agora lavava a louça e jogava tudo no escorredor com raiva, quebrando ou rachando alguns pratos. Depois que terminou, tirou do armário algumas xícaras e as colocou em cima da pia, batendo com força outra vez a pobre portinhola.
— Rin, você por acaso está... zangada? – Sesshoumaru perguntou, pausando as palavras como se estivesse calculando o efeito que cada uma teria na garota.
— Não. – ela respondeu com calma – Acordei com vontade de quebrar os móveis. O que você acha?
Dito isso, ela abriu uma porta do armário e a bateu com tanta força que os fechos quebraram e a porta caiu.
— Bom dia, pessoal! – Sango entrou radiante pela porta dos fundos.
— Bom dia, Sango-chan. – Rin e Kagome falaram alegremente.
— Bom dia, Sangozinha. – Miroku falou alegremente, puxando uma cadeira para que ela se sentasse ao seu lado.
Sango puxou outra cadeira e sentou-se entre Inuyasha e Sesshoumaru.
— Bom dia pra você também, Houshi-sama. – ela falou sorrindo. – Pelo que estou vendo, você viciou os rapazes em pôquer.
— Sango-chan – Rin interrompeu. – Você quer chá?
— Claro.
Rin pousou uma xícara em frente à amiga, colocando outra em frente de Kagome.
— Rin. - Sesshoumaru falou. – Eu também gostaria de um pouco de chá.
A garota jogou a chaleira quente na frente do rapaz, colocando também com raiva a xícara para que ele enchesse, sentando-se depois entre Miroku e Inuyasha.
A primeira refeição do dia começou num silêncio tenebroso, apenas com o som das xícaras tocando os pires ou o som da faca passando manteiga na torrada, tudo isso sem que os rapazes largassem as cartas.
— Alguém pode passar o bacon e o pão? – Inuyasha perguntou, olhando discretamente para a namorada.
Rin olhou para os lados, esperando que alguém fizesse aquilo, mas apenas ela manifestou. Sob essa ação, os olhares de Sesshoumaru e Miroku se fixaram no pão.
— O que foi? – o irmão mais novo perguntou.
— Mostre esse pão. – Sesshoumaru ordenou.
— Como é? – os olhos de Inuyasha se arregalaram.
— Já vi uma vez um Full House escondido dentro de um pão com manteiga. – Miroku falou.
— Mas quem passou esse pão foi a Rin e...
— Abra esse pão e nos mostre o que tem. – Sesshoumaru ordenou.
Depois desse incidente, a refeição prosseguiu com chás, frutas, legumes grelhados, misôshiro, torradas, bolachas de água e sal e pães besuntados de manteiga, ao mesmo tempo em que o jogo de pôquer rolava solto à mesa.
— Sua vez, Sesshoumaru. – falou Inuyasha, estendendo as cartas ao rapaz. O irmão pegou uma e deu um sorriso.
— Ok... – falou, mostrando as cartas e pousando-as triunfantemente no centro da mesa ao lado do pote de manteiga. – Full...
— Ah, não! – os dois exclamaram, levando as mãos às cabeças.
—...House. – Sesshoumaru completou. – Bem, bem... Quanto estão me devendo agora?
— Mais uma, Sesshoumaru! – Miroku falou, arrancando as cartas das mãos de Inuyasha e pegando as que Sesshoumaru pôs no centro da mesa para embaralhá-las. – Desta vez, eu irei...
— Eu gostaria que vocês fizessem silêncio nesta casa. - Rin falou num tom de voz esquisito, numa perfeita mistura de crueldade e frieza, quase beirando ao macabro.
Imediatamente os três ficaram em silêncio.
— Rin-chan... – Kagome falou. – Pode me passar o chá?
Rin encheu a xícara de chá da amiga estampando um sorriso no rosto.
— Rin... – Sesshoumaru começou, estendendo a dele. – poderia encher a minha?
A garota ignorou o pedido dele, fingindo que não escutou e continuando a beber o chá calmamente. Sesshoumaru piscou duas vezes e pegou a chaleira, notando que estava vazia.
— Miroku, tire uma carta. – Inuyasha mostrou as cartas ao rapaz.
— É a vez do seu irmão.
— Claro que não! Só por que ele ganhou?
— Na verdade, isso é regra do jogo. – Sesshoumaru falou, estendendo a mão para alcançar as cartas de Inuyasha e quase encostando no nariz de Kagome.
— Não concordo com essas regras! – Inuyasha recomeçou, aumentando o tom irritado na voz. – Ele ganhou uma vez e...
— Vocês podem parar com isso enquanto estou comendo? – Kagome falou num tom de voz esquisito, beirando ao macabro, muito parecido com o que Rin usou.
Imediatamente os três baixaram as mãos, escondendo-as debaixo da mesa.
— Ai, ai... – Sango comentou, sorrindo. – Parece que algumas coisas estão bem erradas hoje.
— E estão mesmo, Sangozinha... – Miroku começou, segurando o chá com uma das mãos. – Nós não dormimos juntos hoje.
Sango cruzou as mãos e apoiou o queixo nelas de modo gracioso, sorrindo sarcasticamente.
— Houshi-sama, querido... É comum não dormimos juntos já que você não toma iniciativa para isso.
Miroku reagiu, de tão ofendido que ficou com que a noiva disse.
— Eu não tomo a iniciativa? Você é quem nunca...
Miroku parou de falar e se encolheu ao ver Sango limpar a faca em um guardanapo de modo um tanto quanto suspeito, como se a estivesse polindo.
— O que você dizia, Houshi-sama? – ela passou de leve o dedo nas serras e olhou com carinho para o rapaz.
— Nada, Sangozinha. – ele falou num fio de voz.
— Que bom. – ela usou a faca para passar manteiga em uma torrada.
O silêncio predominou novamente até que as garotas notaram que os rapazes estavam quietos demais, olhando um para a cara do outro e mantendo as mãos abaixadas, tirando-as de vez em quando para levar uma xícara ou um pedaço de pão à boca.
— Mas o quê...? – Rin perguntou, levantando o pano que cobria a mesa e se deparando com uma cena inusitada: os três estavam jogando por debaixo do pano normalmente.
— Tire as mãos de Rin, Miroku! – Sesshoumaru o agarrou pelo pescoço com a mão esquerda enquanto a direita segurava as cartas.
— Foi sem querer querendo! – o rapaz tirou depressa a mão da perna da garota, tentando se afastar do outro.
— Não percam a seqüência! Estava na vez do Miroku! – Inuyasha exclamou, mantendo-se afastado daquela briga.
— Bem, vou trabalhar. – Sango comentou calmamente, levantando-se e limpando o canto dos lábios com um guardanapo.
— Tenha um bom dia, Sango-chan. – Rin falou, ignorando a briga que acontecia debaixo do nariz dela.
— Obrigada. Boa sorte com as inscrições! – Sango saiu da cozinha e deixou Rin e Kagome conversando animadamente sobre o que iam fazer na universidade enquanto os três discutiam e se esganavam.
— Já vai se arrumar, Kagome-chan?
— Sim, sim. – ela respondeu.
— Pode me esperar? Daqui a alguns minutos podemos sair.
— Ok, Rin-chan... – as duas saíram da cozinha e foram se arrumar, deixando para trás os rapazes.
Quase meio-dia:
Rin e Kagome estavam cansadas depois de enfrentarem uma longa fila de candidatos. Conversaram durante o caminho de metrô sobre como castigar os dois irmãos.
No entanto, as duas também admitiram que era difícil pensar em um plano de vingança contra os dois, porque...
— Sesshoumaru-sama pede desculpas de um jeito que eu fico toda... – Rin colocou uma mão no rosto, corando e fechando os olhos de modo sonhador. – Eu adoro o jeito que ele pede desculpas!
— Rin-chan! Você tem que ser forte! – Kagome pegou a mão dela e apertou com força. – Você tem que resistir!
— Mas você não entende... – ela falou num tom choroso. – O que ele faz pra que eu o perdoe...
— Sorte sua. – Kagome falou, fechando os olhos e dando um suspiro.
— E você e Inuyasha? – Rin perguntou, dando um sorriso ao ver o jeito sem graça de Kagome. Justamente nessa hora, as duas chegaram na estação do Tokyo Dome, descendo e indo para casa a pé.
— Ainda não me disse o que Inuyasha faz quando quer que você o perdoe...
— Nada. – ela falou secamente. Rin abriu a boca para falar algo, mas demorou tanto que Kagome continuou. – É nada mesmo... Geralmente, converso com ele e fazemos as pazes, principalmente quando vejo aquela carinha dele de "o que foi que eu fiz?".
— Tão sem graça assim? – Rin não pôde evitar uma careta.
— Deve ser completamente diferente do irmão, com certeza.
— O que vamos fazer com eles? – Rin perguntou de novo, fazendo uma cara zangada.
Um momento de silêncio se seguiu. E então as duas começaram clamar o nome dos namorados apaixonadamente e com os olhos brilhando:
— Sesshoumaru-sama!
— Inuyasha, Inuyasha!
Depois de alguns minutos de rápida caminhada, as duas chegaram em casa. Tiraram os casacos e os sapatos no genkan, e perceberam então que havia algo estranho.
— Kagome... Será que eles saíram? Tá tão quieto.
— Não sei... Tô com tanta fome.
— Vou aquecer a comida de ontem... Estou tão cansada... Não quero nem me imaginar fazendo comida. – Rin e Kagome começaram a andar em direção da cozinha, abrindo a porta e quase desmaiando ao ver uma curiosa cena.
— Oi! Já voltaram? – Miroku perguntou, acenando com a mão que segurava as cartas. – Sejam bem-vindas.
— Rin, depois eu posso falar com você? – Sesshoumaru perguntou, já com uma enorme pilha de biscoitos no prato.
— Eu tô com fome! – Inuyasha resmungou, tentando olhar as cartas que Sesshoumaru baixou durante segundos quando viu Rin entrar.
Rin revirou os olhos e Kagome deu um suspiro. As duas fingiram ignorar a presença deles e prepararam o almoço. Ou melhor: aqueceram apenas a parte que iriam comer, não se importando em fazer o mesmo com a comida dos três. Por um ato de extrema benevolência de Kagome, as duas colocaram os pratos frios em frente aos rapazes para que os devorassem, sentando-se depois em cadeiras longes dos namorados.
— Olha a sequência, olha a sequência! – Miroku comentou, colocando as cartas sobre a mesa e sorrindo triunfantemente. – Ganhei, ganhei! O que me diz dessa, hein, Sesshoumaru?
O rapaz mantinha a expressão impassível, ajeitando as cartas e suspirando profundamente.
— Não sei como vai reagir depois dessa, mas... – ele pousou as cartas dele ao lado das de Miroku. – a minha seqüência é maior que a sua.
Miroku arregalou os olhos e amparou a cabeça com as mãos, completamente desolado.
— Full House, Houshi. – Sesshoumaru falou, levando uma porção do prato à boca, cuspindo logo depois – Mas... Mas o quê...?
— Essa comida tá fria... – Inuyasha falou, mastigando a comida com asco.
— Caramba, eu esperei alguém voltar pra fazer o almoço e ainda tenho que comer a mesma de ontem e ainda fria? – Miroku reclamou.
— Do quê está reclamando, Miroku-sama? – as duas perguntaram, calmamente.
— Essa comida tá horrível... – ele falou, passando o guardanapo nos lábios. – E cadê o óleo de soja?
— Acabou. – Rin falou, tranquilamente.
— Ah, não... – Miroku balançou a cabeça, indignado. – Não tem mais nada aqui nesta casa?
— Você está na minha casa, Houshi – Sesshoumaru falou friamente. – Não fale assim com Rin como se ela fosse sua empregada.
Rin deu um sorriso, satisfeita em perceber que pelo menos uma parte de Sesshoumaru não estava tão absorvida no jogo.
— Pode aquecer essa comida pra mim? – Sesshoumaru perguntou, estendendo o prato para a namorada.
Kagome arqueou as sobrancelhas, esperando pelo ataque da amiga. Rin levantou-se da mesa e foi até a porta, abrindo-a gentilmente e fazendo um gesto.
— Saiam, por favor. Minha paciência se esgotou com isso. – a garota falou, tentando manter a calma.
— O quê? – os três perguntaram, fazendo uma cara de quem não tinha entendido o recado.
— Por – favor – saiam – da – cozinha. – Rin repetiu, pausando as palavras como se estivesse falando com alguém débil.
— Mas a gente ainda não terminou de jogar... – Inuyasha começou.
— FORA DA COZINHA!
Dois segundos depois, na cozinha só ficaram Kagome e Rin. Os três fugiram de lá levando os pratos de comida, de fichas e com o baralho.
Alguns minutos de silêncio se seguiram e Kagome e Rin começaram a almoçar tranquilamente como se não tivesse ocorrido nada. Rin estava mais calma, lendo agora uma revista Vogue com um interessante artigo sobre como fazer um homem trabalhar a serviço de uma mulher sem ganhar nada em troca.
— Mi...
Kagome virou o rosto e procurou o lugar de onde vinha o miado.
— Mii...
— Buyo? Cadê você, querido? – ela se levantou da mesa e Rin baixou a revista, preocupada.
— Acho que é fome, Kagome-chan... Ainda não demos a comida dele.
— Mas onde ele está? – Kagome saiu da cozinha pela porta dos fundos para procurar o gato no quintal.
Segundos depois, Rin escutou a amiga chamá-la em um tom de voz angustiado.
— O que foi? – ela perguntou, saindo da cozinha correndo.
— Olha só, Rin-chan. – Kagome mostrou Buyo em seus braços. – Ele está passando mal!
De fato, o gato não parecia bem. Tinha os olhos fechados, estava sujo e mal conseguia mover as patinhas. As duas notaram que Buyo havia comido algumas folhas de plantas dos fundos da casa e vomitado tudo, pois o chão estava cheio de sujeira.
— Acho que está com dor de barriga... Parece que os animais comem as folhas pra parar com a dor.
— Buyo... – Kagome murmurou, olhando com pena para o bicho em seus braços.
— Quer levá-lo ao veterinário? – Rin perguntou, passando a mão na cabeça do bicho. – Eu vou com você.
— Você sabe dirigir? – Kagome perguntou sorrindo sem graça.
— Hã... – a amiga engoliu em seco. – Não.
Kagome baixou a cabeça de tão decepcionada que ficou com a resposta.
— Por que não pede pra Inuyasha? – Rin perguntou, caprichando em entoar a esperança na voz.
— Ora... – Kagome virou o rosto, orgulhosamente. – Até parece que ele vai largar aquele jogo só pra me levar ao veteriná...
Buyo saltou dos braços dela e correu até um canto para vomitar de novo.
Ao ver aquilo, Kagome entrou correndo na casa e gritou:
— INUYASHAAA!
Rin viu a amiga correr e depois pegou Buyo de novo, levando-o até um lavatório da área para limpá-lo para que a amiga pudesse levá-lo ao médico.
Dentro da casa, Kagome entrou como um furacão na sala, onde os rapazes ainda jogavam, aproximando-se de Inuyasha.
— Inuyasha, Inuyasha... – ela puxava a manga da camisa dele. – Precisamos ir pra um veterinário, Buyo está muito mal!
Inuyasha demorou alguns segundos para responder, olhando ora para as cartas ora para a namorada.
— Hein? O que é, Kagome? – ele olhou para as cartas de novo. – De quem é a vez agora?
— Inuyasha, o Buyo tá passando mal! – Kagome estava quase para arrancar a camisa do rapaz. – Vamos pra emergência com ele!
— Kagome, estou quase pra vencer Sesshoumaru pela primeira vez. – o rapaz não olhou para a garota e ficou observando o irmão. – Amanhã eu levo vocês...
— Quase pra me vencer, irmãozinho? – Sesshoumaru perguntou, sarcasticamente. – Eu perdi a conta de quantas vezes você e Houshi falaram isso.
— Mas agora é sério! Eu tenho como te vencer! – ele arrumou nervosamente as cartas que segurava.
A garota observou a cena em silêncio, não contendo a indignação e raiva quando falou, pausando as palavras:
— Esse jogo de cartas é mais importante do que eu?
— Kagome... Não pire com isso. – Inuyasha falou, fechando os olhos e dando um suspiro. – Vá cuidar de Buyo que ele já vai melhorar.
Ao escutar aquilo, Kagome teve vontade de chorar, mas a única reação foi sair da sala pisando duro e rumar à cozinha onde Rin segurava Buyo já completamente limpo, já embrulhado como um bebê em um pano decorado de pratos.
— E então?
— Nada. – Kagome respondeu, sentando-se na cadeira completamente desolada. – Está completamente viciado...
— E se a gente colocasse o Buyo numa sacola escondido e for de metrô?
— Não, não. – Kagome balançou a cabeça, enfatizando o "não" – Não vai dar certo. Ele vai sujar a bolsa.
— Você conhece alguém que pode nos levar?
— Bem, tem aquele amigo doido do Miroku, o Hachi...
— Então esquece. – Rin falou apressada. – Mais alguém?
— Não sei... Houjo-kun? – Kagome falou, sem graça.
— Ele é tão distraído que vai pensar que quem precisa ir ao veterinário é você, Kagome-chan... – Rin sorriu sem graça ao notar o desânimo mais uma vez no rosto da amiga. Mas ficou totalmente sem jeito ao ver os olhos de Kagome se arregalarem brilhantes.
— Rin, pegue o telefone. – ela tinha um brilho estranho de vingança no olhar – Já sei pra quem ligar.
— Tá... Tá bom. – ela falou.
Minutos depois, Rin entregava na mão dela o telefone sem fio da casa.
— Pra quem vai ligar, Kagome-chan? – Rin perguntou quando a amiga teclou um número.
— Já vai saber... – ela falou, ficando em silêncio e esperando que alguém atendesse. – Alô? Ah, Kouga-kun!
Rin quase caiu da cadeira, completamente surpresa ao descobrir quem era a tal pessoa.
— Sou eu, Kagome. – ela continuou. – Ah, eu vou bem... Ah... Kouga-kun... Sim, sim... Errr... Sim, sim, eu entendo... Ah... – Kagome se esforçava para entrar no assunto de interesse dela. – Ótimo que goste da minha voz... Eu entendo... Errr... Então... Siiiim, Kouga, dá pra eu falar só um minuto? Até dois? Ah, que ótimo! – ela deu um suspiro aliviado e tomou fôlego para falar. – Eu preciso que me leve a um lugar... Hein? Ah, não... não é o templo... é ao veterinário, meu gatinho está passando mal... Você não sabia? O nome dele é Buyo... Isso não vem ao caso agora, você pode me levar ou não? – ela ficou em silêncio durante alguns segundos, até se levantar da mesa de repente e assustar Rin de novo. – Sério? Quanto tempo? Dez minutos? Ah, sim, eu aguardo! Muito obrigada, Kouga-kun! Até loguinho!
Desligou o telefone e olhou para a amiga para falar:
— Eu sabia que ia conseguir se pedisse a ele!
— Kagome-chan... – Rin falou, mostrando-se preocupada. – Mas por que ele? Digo... Nem Sesshoumaru nem Inuyasha gostam dele, então...
— Kouga adora me fazer favores, só tinha ele mesmo.
— Mas... Quer dizer... Sesshoumaru não vai gostar disso, ele também o odeia... E Inuyasha não vai gostar de saber que você vai com ele...
— No momento, só o jogo interessa pra ele. E como sempre diz Sesshoumaru-sama quando Miroku está enrascado e pede ajuda a ele... – ela abriu a porta para ir ao quarto para arrumar-se. – "Não me importo nem um pouco".
Rin viu a amiga sair da cozinha e depois se sentou novamente, agora preocupada com uma possível guerra que fosse ocorrer quando Kouga chegasse e os irmãos resolvessem acertar velhas contas com ele. Foi até o quarto e se arrumou, voltando depois para a cozinha para pegar Buyo quando o telefone tocou:
— Alô?
— Rin-chan? – a voz de Sango soou no outro lado. – Tudo bem por aí?
— Ah... Tirando o fato de Buyo estar doente e os três não terem terminado de jogar... Sim.
— Háháhá... Meu Houshizinho não presta mesmo... – Sango continuou. – Buyo está mal?
— Kagome e eu vamos levá-lo ao veterinário, Sango-chan... E por que você ligou?
— Ah, é mesmo... – escutou a amiga tomar fôlego para falar. – Eu gostaria de um favor seu...
— O quê?
— Eu esqueci uma pasta muito importante em cima da minha cama e preciso urgentemente dela hoje... – a voz de Sango tinha um tom de tristeza. – Você pode trazer aqui no escritório?
— A-Agora? – Rin olhou para a porta, onde Kagome apareceu segundos depois, já pronta. – Eu ia com Kagome-chan ao veterinário e...
— Você pode vir de táxi, a empresa paga depois... Diga que sim, Rin, por favor... Eu só confio em você e em Kagome-chan pra fazerem isso...
— O que foi? – Kagome perguntou, colocando um casaco e pegando Buyo nos braços.
— Sango-chan quer que eu leve uma pasta pra ela lá no jornal. – Rin colocou a mão no aparelho para que Sango não escutasse. – Mas estou explicando que eu ia com você...
— Pode ir, Rin-chan... Eu vou sozinha com Kouga-kun. – Kagome falou, sorrindo. – Aproveite o táxi e passe em algum lugar que precisa.
Rin ficou olhando para a amiga, pensando no que seria melhor fazer, até que decidiu falar:
— Sango-chan, estou indo.
— Ai, que bom... Fico tão aliviada... Pegue um táxi, tá? A pasta está em cima da cama e preciso dela antes das três da tarde.
— Tá bom. Estou indo. – Rin a cortou. – Até logo, Sango-chan.
— Até.
— Rin... – Kagome abriu a porta da cozinha, segurando com carinho o gato. – Daqui a alguns minutos, Kouga vai aparecer e você não pode perder o espetáculo.
A garota balançou a cabeça, imaginando qual a graça que Kagome via em saber que Inuyasha tentaria atirar Kouga de alguma janela próxima ou jogá-lo debaixo do carro e passar por cima.
Seguiu a amiga e foi até a sala, onde viu Sesshoumaru ganhar mais uma partida e deixar Inuyasha e Miroku transtornados de novo.
— Vou sair, Inuyasha. – Kagome falou. – Vou levar Buyo ao médico.
— Eu não sabia que tinha uma sequência! – Inuyasha exclamou. – Eu deveria ganhar porque eu pelo menos possuía!
— Inuyasha... Seria bem melhor se AVISASSE que tinha uma seqüência ANTES de Sesshoumaru falar que ele TINHA uma SEQUÊNCIA. – Miroku falou, entoando algumas palavras como se estivesse falando com uma criancinha. – Caramba, que cara mais lento...
— E agora ele ganhou de novo e tá rindo da nossa cara... – Inuyasha falou, olhando para o irmão.
Sesshoumaru observava a cena com o rosto impassível.
— Sesshoumaru, mais uma! – Miroku pegou as cartas e começou a embaralhar de novo.
— Inuyasha, vou levar Buyo ao médico... – Kagome tentou de novo chamar a atenção dele.
— Ah... – ele olhou para a namorada e a analisou como se a estivesse vendo pela primeira vez. – Quem é Buyo?
— O quê? – ela perguntou, espantada. Rin teve que conter a vontade de rir e resolveu sair da sala para não ver a confusão.
— Quem é Buyo? – ele perguntou de novo sem olhá-la, pegando as cartas que Miroku separou de novo e abrindo-as em sua mão.
— Vou sair agora. – Kagome deu as costas ao rapaz, orgulhosamente. – E uma pessoa não viciada em pôquer me levar ao...
Uma buzina soou do lado de fora e Kagome correu até a janela e gritou:
— AH, KOUGA-KUN! VOCÊ CHEGOU!
Ao ouvir aquilo, Inuyasha pareceu voltar momentaneamente à Terra e à realidade, pois baixou as cartas e olhou boquiaberto para a namorada antes de perguntar:
— Que-Quem vai te levar?
Kagome não respondeu. Ainda com os olhos meio que brilhantes pelas chamas da vingança, ela abriu a porta para um rapaz de cabelos compridos e amarrados em rabo-de-cavalo entrasse.
— Boa tarde, Kagome-chan. – ele pegou a mão dela e falou de modo apaixonado, tocando por cima a que segurava Buyo.
— Pontual como sempre, Kouga-kun... – ela falou, sorrindo. – Obrigada pela carona.
— Ka-Kagome! – Inuyasha se levantou da mesa, indignado – O que ele faz aqui?
— Ei, não pode levantar, Inuyasha. - Miroku falou.
— Tsc, tsc... Cuidado com a sequência... Está na vez de Houshi. – Sesshoumaru falou, sem emoção.
— Eu vou sair agora. – Kagome falou. – Volto mais tarde.
— O-Onde você vai com ele? – Inuyasha ignorou os companheiros de mesa e olhava com raiva Kouga.
— Ora, ora, Inuyasha... – Kouga começou. – Parece que foi deixado pra trás por Kagome.
— Pra onde vai levá-la, lobo?
— Ela me pediu pra levá-la em um lugar muito romântico e divertido, coisa que você não faz por ela!
— Kouga-kun. – Kagome interrompeu. – Vamos logo, Buyo está muito mal e tenho medo que esteja muito cheio lá!
Uma gota surgiu no rosto de Kouga.
— Já... Já estamos indo, Kagome... – este falou sem jeito.
— Você não vai com ele, Kagome! – Inuyasha falou.
— Inuyasha, tá na sua vez. – Miroku falou. – E a aposta aumentou.
— Tsc, tsc... Mais dinheiro pro meu bolso... – Sesshoumaru falou tranquilo. Separou algumas cartas e depois olhou surpreso para o irmão – Por que está em pé, Inuyasha?
— Inuyasha, você tem que sentar pra jogar... – Miroku falou. – Se ficar assim é dado como desistente.
— E é uma coisa que você e ele já deviam ter feito há muito tempo... Estão sem um tostão, não é mesmo? – Sesshoumaru comentou.
— E por que eu não posso ir com ele, Inuyasha? – Kagome perguntou, fingindo tranquilidade. – O seu jogo está muito interessante, você parece que está ganhando muito dinheiro.
Sesshoumaru deu uma risada alta pela primeira vez nesta história.
— Você pode ficar aí jogando. Vou cuidar de Buyo.
— E desde quando Buyo está doente? – Inuyasha perguntou furioso. – Por que não pediu pra mim?
Kagome lançou um olhar de desprezo ao rapaz.
— Vamos logo, Kouga-kun. – ela falou, saindo da casa. – Boa sorte do jogo, Inuyasha.
Inuyasha viu o rapaz de rabo-de-cavalo sair da casa com um sorriso de vitória no rosto. Ficou encarando a cena com a boca meio aberta, sentindo a raiva e a indignação crescerem.
— Kagome, espera! – ele gritou, quase correndo atrás da namorada.
— Ei, Inuyasha, aonde vai? – Sesshoumaru perguntou.
— Se sair agora, vai perder... – Miroku falou.
O irmão mais novo olhou para a mesa e para a porta da casa, onde viu Kouga galantemente dar passagem para a namorada que passava a mão carinhosamente em Buyo, depois olhou de novo para a mesa com um ponto de interrogação no rosto.
— Vai desistir? – os dois perguntaram ao mesmo tempo.
Inuyasha jogou as cartas na mesa, deixando surpresos os dois que ainda jogavam, depois correu atrás de Kagome.
— Como tínhamos combinado... – Sesshoumaru começou – se Inuyasha saísse, você ficaria com tudo que fosse dele, não?
— É. – Miroku comentou, desanimado.
Sesshoumaru pegou o prato vazio que estava reservado para as fichas de Inuyasha e entregou a Miroku.
— Isso aqui é seu, então. – falou, sorrindo sarcasticamente.
— Vamos começar de novo... – Miroku pegou o prato e colocou próximo dele e perto da mão direita de Sesshoumaru. Pegou todas as cartas e começou a embaralhá-las.
— Vou sair também... – Rin apareceu na sala com bolsa, pasta de Sango e tudo.
— Vai voltar antes do jantar? – Miroku perguntou. – Quero comida aquecida, viu?
— Se falar assim com ela de novo, vai ter o que merece. – Sesshoumaru falou, entre dentes.
Depois olhou para a namorada e perguntou:
— Vai voltar antes do jantar?
Rin contou mentalmente até dez para não atirar o vaso que tinha próximo dela na cabeça de uma certa pessoa.
Abriu a porta e não conteve uma exclamação de surpresa ao ver Kouga parado na porta, massageando a cabeça e com muita raiva.
— O que aconteceu com você? – ela perguntou, segurando o rapaz e levando-o para dentro da casa, fazendo-o sentar-se no sofá para olhar o ferimento na cabeça dele.
— Aquele idiota... – ele murmurou. – Me tirou pela janela do carro e levou Kagome!
A garota teve que conter a vontade de dar uma risada da cara arrebentada do rapaz. Saiu da sala e, depois de alguns minutos, voltou trazendo uma bolsa de gelo.
— Tome, Kouga-kun... Vai aliviar a dor… - entregou ao rapaz, que aceitou o gesto com muito agrado.
— Muito obrigado, Rin-chan. – ele falou sorrindo e com o rosto um pouco corado.
Sesshoumaru apenas observava a cena, fingindo prestar atenção no pôquer e controlando a raiva e a vontade de atirar o rapaz pela janela por tratar a namorada de forma tão carinhosa.
— De nada, Kouga-kun. – Rin falou, sorrindo. – Preciso sair agora, mas pode ficar aqui até passar a dor.
O rapaz se levantou e pegou nas mãos da namorada de Sesshoumaru.
— O carro de Inuyasha está aí… Quer uma carona? - perguntou subitamente.
Inesperadamente e ninguém sabe como, o prato de Inuyasha voou e foi parar na cabeça do pobre rapaz, que caiu desmaiado no chão. Rin olhou para Sesshoumaru, que tranquilamente tirava uma das cartas da mão de Miroku e colocava entre as suas, observando também que o outro rapaz tinha uma expressão assustada, como se ele tivesse apanhado em lugar de Kouga.
— Bem… - ela falou sem jeito. – Vou indo…
— Até mais, Rin. – Sesshoumaru falou.
Rin apenas balançou a cabeça e saiu da casa, fechando a porta suavemente.
Depois de alguns minutos, Kouga levantou-se e massageou novamente a cabeça, chamando a atenção dos dois que jogavam.
— Oi… - Miroku falou. – Quer jogar?
— Cadê… - Kouga falou, soltando um gemido de dor ao tocar num ponto machucado. – Cadê Rin-chan?
Desta vez, o prato vazio de Miroku voou e foi parar no rosto de Kouga, fazendo o rapaz cair desmaiado no chão de novo.
— Sua vez de jogar, Houshi. – Sesshoumaru falou friamente.
— Por que quebrou o meu prato? – o rapaz perguntou, irritado.
— Estava vazio. Não se preocupe. Não vai precisar dele.
— Como assim, "não vai precisar"? Eu ainda tô jogando, pô!
Sesshoumaru analisou o rosto de Miroku por alguns segundos e depois falou no habitual tom frio:
— Por acaso acha que vai ganhar de mim?
Miroku ficou tão sem jeito que baixou o rosto e pegou timidamente uma carta que Sesshoumaru estendia a ele, ficando decepcionado ao ver que ela não ajudava muito na sequência que iria formar.
— Se arrependimento matasse… Nunca teria te ensinado esse jogo… - ele comentou tristemente.
— Ah, não se preocupe, Houshi. – Sesshoumaru falou, sorrindo sarcasticamente. – Eu acabo com você no lugar desse arrependimento.
Dentro do carro de Kouga, Inuyasha e Kagome estavam em silêncio enquanto o rapaz dirigia nervoso.
— Me deixa explicar, Kagome… - ele tentou mais uma vez.
— Não fala comigo! – ela cortou, virando o rosto para o lado e apertando o gato em seus braços.
Outro silêncio.
— Quero explicar…
— Não quero saber, seu grosso! Você machucou o Kouga-kun e…
— CARAMBA, EU QUERO FALAR! – ele gritou.
— Tá bom. – ela falou, depois de alguns segundos – Pode falar.
Outro momento de silêncio.
— E então? – ela perguntou.
— Eu… - ele deu um suspiro. – Eu esqueci o que eu ia falar.
Kagome revirou os olhos.
— Eu queria… - ele começou.
— Já disse que não quero saber!
— EU QUERO FALAR, CARAMBA! – ele gritou de novo.
— Então fale! – ela respondeu, irritada.
Outro momento de silêncio.
— Quando eu lembrar o que é, eu falo. – Inuyasha falou, não desviando o olhar da direção.
Continua...
Próximo capítulo:
Restam apenas dois jogadores. Quem irá ganhar? Miroku, devendo até a alma nas apostas, ou Sesshoumaru, a grande revelação do mundo das jogatinas? Jikai Tokyo no Nendaiki: Owarinai Geemu – dai sankai. Não percam!
"— Você poderia ajeitar a banheira pra mim?"
