Um dia antes do aniversário do irmão de Kagome, os seis amigos estavam fazendo as compras do presente que cada casal levaria na loja de brinquedos mais conhecida do Tokyo Dome:

O que vocês acham desse aqui? – Inuyasha perguntou em voz alta para todos, mostrando um jogo de futebol de botão.

Ah, claro... – Kagome respondeu em tom sarcástico – Ele vai adorar pegar cada peça e atirar nas vidraças da vizinhança.

Inuyasha deu de ombros e atirou o jogo no meio da prateleira.

As crianças de hoje não gostam dos mesmos brinquedos que nós gostávamos, irmãozinho. – Sesshoumaru falou enquanto olhava para um videogame último modelo ao lado de Rin.

Cada brinquedo esquisito, por sinal... – Sango comentou, pegando um relógio digital de última geração que permitia até mandar SMS para celulares – E muito caros, diga-se de passagem...

Sociedades mudam, Sango. – Sesshoumaru falou sabiamente, pegando uma caixa do videogame e colocando-o no carrinho. – Já decidiu o que vai levar, irmãozinho?

Um discman de MP3's... – o rapaz falou, vagamente. – Será que ele vai ficar chateado se descobrir que troquei o meu discman pelo dele?

Inuyasha! – Kagome o censurou.

Mas o dele é melhor que o meu... – ele tentou se justificar.

Qual o problema com as crianças de hoje? – Miroku perguntou subitamente, enquanto o grupo fazia a caminhada pelo corredor de brinquedos, chamando a atenção dos amigos. – Quer dizer, até hoje eu ainda acho legal brincar de jogo de botão, mas um moleque de agora tem até úlcera se for forçado a assistir.

Já disse que gerações mudam, Houshi. – Sesshoumaru falou.

Eu entendi, mas não concordo, sabe? – o outro parou em frente a uma prateleira com certa marca de bonecos de guerra. – Olhem só isso: quando era criança, eu fiz inveja para os meus colegas porque tinha um desses! Era o sonho de todo garoto ter um boneco do "Comandos em Ação"!

Olha só... – Sesshoumaru falou, aproximando-se do rapaz ao lado do irmão.

Você lembra quando a mamãe não quis comprar um desses pra gente?

E nos falamos que quando crescêssemos e começássemos a trabalhar, compraríamos toda a coleção?

E olhe só pra nós agora... – Miroku completou.

Os três ficaram calados, olhando para a coleção. Do outro lado, a conversa era quase a mesma.

Olhe só, Kagome-chan... – Rin começou. – Essa cozinha completa é tão bonitinha...

A casinha toda é linda... – a garota falou, sonhadoramente. – Gostava tanto de brincar disso!

E eu chorava quando não ganhava uma dessas... – Sango segurava uma boneca de certa marca mundialmente famosa.

Meninas, hora de ir... – Sesshoumaru falou, aproximando-se delas ao lado de Inuyasha e Miroku. – Ou querem levar mais alguma coisa?

Os seis ficaram se olhando em silêncio. Depois cada um correu para pegar um brinquedo para si.


Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no junjou na omoi.

Souta-kun no Tanjoubi.

Crônicas de Tokyo: Nossos verdadeiros sentimentos.

O aniversário de Souta.


Disclaimer: (Shampoo-chan pega a carteira e a abre, de onde sai um mosquito. Dá um suspiro desanimado depois de fechá-la) Ainda não dá para comprar Inuyasha... =(

Para Lan Ayath.


No dia seguinte, os seis amigos pegaram um trem para Yokohama, onde morava a família de Kagome. Passariam o dia ajudando nos preparativos da festinha no Templo Higurashi. A ala masculina não estava nem um pouco contente, mas, sob o olhar de censura da ala feminina, ninguém reclamou.

Exceto por Inuyasha, ansioso por ver um jogo de futebol:

— Tem tevê a cabo lá? – Inuyasha perguntou, olhando para a paisagem.

— Por que, Inuyasha? – Kagome perguntou em tom de desconfiança.

— Vai começar o campeonato e eu quero ver, ué.

Kagome estreitou os olhos. Os outros quatro amigos disfarçaram as risadas o máximo que podiam. Exceto, obviamente, por Sesshoumaru.

— Já estamos chegando? – Sango perguntou, folheando uma revista visivelmente aborrecida com a monotonia.

— Mais alguns minutos. – Kagome começou a se impacientar.

— Quanto tempo? – Rin perguntou, que estava estranhamente quieta até aquela hora.

— Uns dez minutos... – a amiga respondeu.

Rin pegou o braço de Sesshoumaru, que tinha um bonito relógio digital, e começou a olhar fixamente para os ponteiros. Para o espanto de todos, ela ficou daquele jeito, forçando o braço de Sesshoumaru, por mais de um minuto.

Curioso, Miroku perguntou:

— O que está fazendo?

— Estou contando o tempo... Exatamente em oito minutos e 43 segundos chegaremos lá.

— Puxa, Rin-chan…. – Kagome começou. – Até você não está gostando de vir?

— Oh, não, Kagome-chan! – ela respondeu depressa para tirar a má impressão deixada – É que eu acho um tédio viagens de trem, mas é um prazer sim ir até à festa de Souta-kun.

— Rin... – Sesshoumaru falou calmamente.

— Sim? – ela perguntou sorrindo.

— Meu braço está doendo. – ele respondeu no mesmo tom calmo.

Sem graça, a garota soltou o braço e cruzou os dela, começando a olhar desinteressadamente para a paisagem.

— Quanto tempo falta? – ela perguntou novamente, quebrando o silêncio.

Sesshoumaru olhou para o relógio e respondeu:

— Seis minutos e 28 segundos, Rin.

Seis minutos e vinte e três segundos depois

— Cinco, quatro, três, dois, um... meio... zero vírgula vinte e vinco... zero... – Rin contava, forçando novamente o braço de Sesshoumaru para contar o tempo. Assim que chegou a zero, o grupo percebeu que o trem não tinha parado e a garota voltou a olhar para o relógio do namorado para contar – Menos um, menos dois, menos três, menos quatro, menos cinco...

— Já chega, Rin-chan. – Kagome falou.

Rin parou de contar e soltou o braço de Sesshoumaru, que começou a massageá-lo.

— Caramba, está demorando... – Miroku comentou intrigado.

— Eu estou começando a ficar preocupada. - Kagome olhou pela janela do trem.

— Eu não sabia que Yokohama tinha mudado de lugar e ficado tão longe de um mês pra outro. – Sango cruzou os braços – Não faz nem um mês que tive que fazer um curso lá.

— E não mudou. Já deveríamos ter chegado. Yokohama é bem ali! – Kagome reiterou, apontando para fora e dando a noção de espaço curto.

— Ah, é... – Sango falou, não escondendo a ironia. – Dá pra ver por esta viagem que Yokohama é bem aliiiiii, ó! – apontou o máximo que podia para fora para indicar um ponto tão longe quanto o chão e o cume do Monte Everest.

— Nós deveríamos reclamar com o cobrador... Aliás, você deveria ir reclamar com os atendentes, Higurashi. – Sesshoumaru falou, passando a mão no cabelo de Rin, que começou a adormecer nos braços dele.

— Inuyasha, você comprou o bilhete de trem bala, né? – Kagome quis saber.

Ao escutarem a pergunta, os amigos olharam para o casal com espanto.

— Claro que sim! Pergunta pro controlador se não é um trem bala! – o outro respondeu.

— Quer dizer que... – Miroku começou – Inuyasha comprou os bilhetes?

Kagome fez um movimento afirmativo com a cabeça.

— Só um momento... – Sesshoumaru tentou se levantar, mas Rin continuava dormindo agarrada a ele, quase babando na roupa dele – Rin, só um instante, acorde... Agora me solte.

Quando finalmente conseguiu acordá-la e soltar-se, ele saiu em busca de algum controlador no trem enquanto a namorada ficava aos cuidados de Kagome e Sango.

— Que estranho ela dormir agora... será que não dormiu? – Sango fazia carinho na cabeça da amiga.

— Estranho mesmo...

Sesshoumaru apareceu depois, igualmente aborrecido.

— Vamos descer em cinco minutos. – falou secamente.

— Yokohama mudou realmente de lugar? – Sango perguntou meio intrigada.

— Não. Um certo alguém... – estreitou os olhos dourados ao olhar diretamente para Inuyasha, causando um arrepio no irmão – Comprou os bilhetes errados. Estamos indo para Kyoto e o trem fará uma parada antes em Nagoya, onde desceremos.

— O QUÊÊÊÊ? – todos gritaram.

Cinco minutos depois

— Vamos logo! – Kagome ordenou, pegando as sacolas que trouxera. – Desta vez quem irá comprar a passagem será Sesshoumaru.

— Eu não tive culpa! - Inuyasha tentou se defender. – Kagome, eu quero explicar!

— Não, idiota! Estamos atrasados!

— Rin... – Sesshoumaru levantou Rin, ainda tendo seu ataque de risos. – vamos, precisamos ir.

— Sesshoumaru, o que ela tem? – Miroku perguntou.

— Ela disse que tomou uns remédios pra dor de cabeça e ficou com sono. – ele fazia Rin apoiar-se nele – Espero que ela não tenha tomado um vidro inteiro.

— E ela pode tomar essas coisas? – Sango perguntou, ajudando o rapaz com a garota.

— Se eu descobrir que aquele trambiqueiro do Hachi conseguiu isso sem receita e deu pra ela, ele morre. Sango, segure a bolsa dela. Vou carregá-la.

O rapaz jogou Rin às costas, fazendo-a segurar-se firmemente nele.

— Sess... – ela murmurou num tom triste.

— Rápido! – Kagome implorou. – Vamos pegar o primeiro trem pra Yokohama!

O grupo saiu do trem e desceu na estação de Nagoya sob os olhares curiosos de alguns transeuntes por causa de Rin.

— Sesshoumaru, por favor, compre nossas passagens. – Kagome pediu. – Vou cuidar de Rin.

— Certo. – ele falou, passando cuidadosamente a namorada para os braços de Kagome. Depois dirigiu-se ao caixa automático com a carteira na mão.

O grupo resolveu esperar pelo rapaz e os cinco sentaram-se em um banco. Rin ainda murmurava coisas aleatórias e, aparentemente, chamava Kagome de "mamãe".

— Mamãe...

Sesshoumaru apareceu logo depois com seis bilhetes na mão.

— Vamos, vamos, vamos... – ele entregou o papel a cada um.

Rin acordou nos braços de Kagome e esfregou os olhos.

— Sess... já chegamos?

— Ainda não. – ele a segurou nos braços novamente – Pode andar? Precisamos pegar o trem.

— Zzzz... – ela voltou a dormir.

— Ela tava me chamando de mamãe, Sesshoumaru. Daqui a pouco ela chama o Inuyasha de papai.

-"Mamãe"? Daqui a pouco vão fazer piada sobre ela ser namorada do tio. – Sesshoumaru tentou desgrudar Rin dos braços para que ela ficasse às costas novamente, falando mais sério – Vamos, Rin, precisamos ir agora!

— Zzz... O moço bonito vai me levar pra onde?

— Meu nome é Sesshoumaru e vamos agora pra Yokohama.

Rin se agarrou a ele e o abraçava com força.

— Eu gosto do Sesshoumaru-moço bonito. – falou docemente.

— Ela me parece normal agora. – Miroku comentou. – Será que se ela continuar dormindo resolve?

— Acredito que sim. – Sesshoumaru falou, segurando Rin como se fosse uma noiva e chamando a atenção de mais pessoas – Vamos pra Plataforma cinco, o trem sairá em oito minutos. Perguntei a um funcionário quanto tempo de viagem era daqui até Yokohama e ele respondeu que chegaremos por volta de dez e quinze.

Dez e quinze da manhã, Yokohama

— Finalmente! – Kagome descia do trem junto com as sacolas, abrindo os braços e respirando profundamente. – Ai, ai, é tão bom estar em casa!

— A sua casa não é a minha? – Sesshoumaru ergueu uma sobrancelha ao lembrá-la de que ainda dividiam as despesas da mesma residência enquanto ela não mudava de vez para a casa de Inuyasha.

— Vamos pegar táxi? – perguntou Miroku, ajudando Sango com algumas sacolas.

— Sim. Minha casa é perto daqui e chegaremos lá em dez minutos. Inuyasha, vai chamar um táxi.

— Tudo eu, tudo eu! – ele falou mal-humorado.

— Ora... – Kagome começou, vendo o rapaz afastar-se inconformado com a tarefa – Foi culpa dele nosso atraso! Espero que mamãe não esteja preocupada... Prometi que chegaríamos às oito!

— Ainda bem que descobrimos antes de chegar ao destino final. – Sesshoumaru falou, ainda segurando uma Rin adormecida nos braços – Só espero que desta vez aquele idiota faça o serviço direito.

— Espero que ele não chame um táxi ilegal. – Sango falou.

— É bem capaz disso acontecer também. – Miroku comentou.

O grupo se dirigiu até a saída da estação e viram um pequeno amontado em uma furiosa discussão, notando Inuyasha no meio:

— O que ele está fazendo? – Kagome correu com sacola e tudo até um ponto em que estavam Inuyasha, um táxi, o motorista e uma senhora segurando a mão de uma criança.

— Mais confusão, só pode. – Miroku falou.

Sesshoumaru (com Rin nos braços), Sango e Miroku se aproximaram da confusão que tinha ali. Viram Inuyasha brigando com a senhora e o motorista tentando acalmá-lo, mesmo com medo do rapaz.

— O que está acontecendo, Inuyasha? – Sesshoumaru perguntou num tom extremamente sério - O que foi que aprontou agora?

— Ela! – o mais novo apontou para a senhora – Quer pegar o nosso táxi! Cheguei primeiro!

— Vocês são amigos desse rapaz mal-educado? – a senhora perguntou, fixando o olhar no rosto sério de Sesshoumaru, mesmo segurando Rin adormecida e babando na camisa dele.

— Não. Nunca o vimos antes. Só pedimos que ele procurasse o táxi. – Sesshoumaru respondeu, ignorando o olhar furioso que o irmão lançou a ele. – Pode ficar com o táxi, minha senhora. Vamos procurar outro.

— Ei, eu cheguei primeiro! – Inuyasha replicou indignado. – O táxi é nosso!

— Inuyasha! – Kagome o repreendeu, furiosa.

— Inuyasha, cale essa sua maldita boca! – Sesshoumaru ordenou.

— Mas... – ele tentou falar, mas Miroku e Sango o fizeram calar-se com um golpe que deixou o rapaz desacordado no chão.

— Sentimos muito pela falta de educação desse cara. Somos pesquisadores e ele é uma cobaia, está agindo assim por causa dos efeitos dos remédios. – Miroku falou, pegando a mão da mulher e levando as costas aos lábios.

— Ah... – a mulher sorriu ante o ar cavalheiro do rapaz. – Entendo... Vocês deveriam ver se ele tem algum problema, ele é meio estressado, sabem?

— Estamos estudando isso, madame... Agora temos que procurar outro táxi. – Miroku falou, fazendo uma reverência ao ver a mulher afastar-se e entrar no veículo com a criança.

— Acorda, animal! – Sesshoumaru ordenou para o rapaz caído no chão.

— Inuyasha, seu idiota! – Kagome o fez se levantar ao perceber que ele estava despertando. – Você me paga se fizer algo errado de novo!

— Aí... – ele murmurou, massageando a cabeça.

— Táxi! – Sango chamou para um que passava na rua onde estavam. O carro parou e o motorista abriu a porta.

— Templo Higurashi, por favor. – Kagome falou.

— Sinto muito, mas não dão seis pessoas no meu carro. – o motorista falou ao ver os seis juntos.

— Claro que dão. – Sesshoumaru falou. – Rin vai no meu colo, Houshi irá ao lado do motorista, Sango e Kagome irão ao meu lado no banco de trás.

— E eu? – perguntou Inuyasha.

— Você irá no porta-malas junto com as sacolas. – o irmão respondeu, mantendo a expressão mais séria que possuía.

EU NÃO... – Inuyasha começou.

Imediatamente parou de falar ao ver o olhar furioso que o grupos lançou seguido de uma ordem:

ENTRA LOGO!

— Tá bom, tá bom! – ele abriu o porta-malas e se jogou lá dentro.

Em minutos, todos estavam bem acomodados no táxi e o motorista deu a partida.

Por volta de dez e meia da manhã, em Yokohama

— Chegamos, mamãe! – Kagome falou ao pôr os pés na casa do Templo. Ela era a única que não estava ofegante depois de subir as escadarias da entrada do Templo Higurashi.

— Meus pés... Minhas costas... – reclamava Sango.

— Água... Água... Água... – implorava Miroku quase desmaiando.

— Minha perna tá dormente... – Inuyasha tentou mexer o braço, mas não conseguiu. – Acho que meu braço também...

— Kagome, onde posso colocar Rin? – Sesshoumaru perguntou, ainda carregando a garota e mantendo a expressão séria mesmo quando ela falava algo incompreensível durante o sono ou puxava a roupa dele.

— No stress, no stress! – Kagome falou alegremente – Sintam-se em casa! Mamãe! Souta-kun! Vovô! Já chegamos!

Uma correria foi ouvida pela casa e logo depois um senhor idoso e uma mulher de cabelos curtos apareceram na sala.

— Kagome-chan! – gritou a mulher.

— Kagome! – o senhor falou e os dois abraçaram a garota.

— Mãe! Vovô! – Kagome os abraçou. – É tão bom ver vocês! Ah, é mesmo... – ela se virou para os amigos. – A senhora já conhece Inuyasha e Sesshoumaru-sama... Rin-chan também, mas trouxe outros dois amigos: Sango-chan e Miroku-sama! Eles moram conosco no Tokyo Dome.

— Prazer. – Sango, o avô e a mãe de Kagome falaram ao mesmo tempo.

Ignorando a sede que sentia, Miroku adiantou-se e falou com um sorriso brilhante:

— Prazer em conhecê-la, Higurashi-sama.

— Ora, ora... Obrigada.– ela falou com a mão graciosamente na frente da boca.

— Mamãe, o meu quarto está livre ainda? Rin-chan precisa de um lugar para descansar.

A senhora Higurashi olhou para a garota nos braços de Sesshoumaru e ficou visivelmente preocupada.

— Está sim, não mexemos em nada. Pode deixá-la dormindo lá. A coitadinha não deve ter dormido de novo, né?

— Vamos lá, Sesshoumaru-sama... - Kagome falou para não ter que responder ao questionamento da mãe, subindo depressa as escadas, seguida por Sesshoumaru com Rin nos braços, como se nem tivesse acabado de subir a enorme escada do templo que dava acesso à rua.

— Vocês também querem descansar? – a senhora Higurashi perguntou assim que os três subiram sem desmanchar o sorriso do rosto.

— Tem banho quente? – Sango perguntou, esperançosa.

— Água... Por Buda... Quero água... – Miroku implorava.

— Tem TV a cabo? - Inuyasha arriscou.

Ainda sorrindo, a mãe de Kagome respondeu a cada perguntar sem perder a graciosidade:

— Sim, sim, não.

Sango e Miroku respiraram aliviados e Inuyasha ficou com uma expressão aborrecida no rosto. Logo em seguida, Sesshoumaru e Kagome apareceram na sala.

— Mãe... – a garota começou – Cadê Souta-kun?

— Ah, o Souta? Acho que ele está com a namorada dele.

— NAMORADA? – a irmã não conseguia esconder o choque que sentiu com aquela informação.

— Sim. O nome dela é Hitomi. Ela vem hoje aqui e você vai poder conhecê-la! Não é o máximo?

— Mãe! Souta-kun só tem onze anos! – Kagome protestou com o rosto vermelho. Ela com aquela idade ainda nem pensava em namorado, como o irmãozinho já tinha uma? – Como permitiu isso?

— Não vejo nada de errado... – Miroku cruzou os braços para assumir uma pose mais séria – Tive minha primeira namorada aos oito.

— E o primeiro tapa e o xingamento de tarado foram quando? – Inuyasha quis saber.

Pensando por três segundos, Miroku respondeu:

— Aos oito.

— Kagome-chan... – a senhora Higurashi começou – Quem vai fazer o bolo?

— Ah, é... Rin-chan disse que podia fazer.

— Ah, que bom, pelo menos não é outra pessoa... – a senhora Higurashi parecia muito aliviada com a informação – Então descansem um pouco até a hora do almoço. Vou preparar o banho e um lanche pra vocês.

Por volta de meio-dia

Na cozinha, os cinco amigos estavam reunidos para tentar solucionar alguns problemas que surgiram desde que chegaram ali. Rin, por exemplo, ainda dormia sob efeitos de algum remédio.

Decidiram então escolher alguém para fazer o bolo através de sorteio. Sango foi a felizarda e ela aproveitou para protestar veementemente dizendo que não sabia cozinhar nem ramen.

Mas Sango aceitou o desafio apenas para mostrar os outros o que poderia acontecer na cozinha e ficar de fora dos próximos eventuais sorteios relacionados à cozinha. O resultado foi a criação de uma massa que parecia uma argamassa que cheirava mal.

Outro problema surgiu: Souta havia sumido e todos estavam preocupados. A senhora Higurashi e o avô de Kagome saíram em busca do garoto, deixando a casa e o templo sob os cuidados dos amigos, com Inuyasha e Kagome atendendo a lojinha de quinquilharias.

— Eu me pergunto onde se meteu Souta-kun... – Kagome comentou durante uma conversa com Inuyasha na lojinha – Ele não some assim...

— Ele deve estar com a namoradinha, Kagome. – Inuyasha tentou alegrá-la – Daqui a pouco ele volta. Ele vai ter que apresentar a Hitomi pra todo mundo, né?

Kagome tinha a expressão mais miserável do mundo e Inuyasha a puxou para perto de si e procurou os lábios dela para beijá-la.

— Inu... Inuyasha... – ela murmurou ao abraçá-lo.

- Não fique tão preocupada... – ele murmurou no ouvido dela. –Ele volta logo... Daqui a pouco ele aparece...

— Obrigada... – ela murmurou, abraçando-o.

Depois de alguns minutos abraçados, Kagome se afastou, falando com um sorriso doce:

— Vou ver se Sango-chan conseguiu fazer um bolo melhor.

— Vai lá... Depois volte aqui. – ele enfiou um dedo no ouvido para coçar – Depois vou procurar um lugar pra ver o jogo.

Kagome deu um beijo no rosto dele e saiu da loja pulando animadamente.

— Espera só voltarmos para Tokyo... – ele murmurou com os olhos estreitados.

Ficou apoiado no balcão, sentindo-se aborrecido por ter que esperar algum cliente aparecer ali.

Cerca de dois minutos depois, sentiu alguém puxar a camisa. Olhou para baixo e arregalou enormemente os olhos, levando um choque ao ver o que, ou melhor, quem era:

Inu no nii-chan... – Souta falou numa voz infantil demais para um garoto de onze anos – Minha irmã já foi?

— Sou-Souta! – Inuyasha falou num fio de voz – Há quanto tempo você tá aí?

— Tô aqui a manhã toda... – ele falou num tom muito inocente – Minha irmã tá por perto?

— Souta, você... – Inuyasha ficou pálido. – Você... você viu... escutou... viu tudo?

— Se eu vi vocês dois se beijando? – ele fechou os olhos e sorriu ao mover a cabeça afirmativamente - Sim.

Souta não entendeu o motivo de Inuyasha ficar chocado com a resposta.

— Mas... – Inuyasha murmurou, depois fechou a boca e suspirou desanimado – Souta, por que você sumiu? Tá todo mundo te procurando!

O garoto baixou a cabeça e começou a desenhar no chão com o pé.

— É que aconteceu uma coisa...

— Vamos pra sua casa! – Inuyasha falou de modo autoritário. – Vou fechar a loja agora pra gente ir lá. Sua irmã tá preocupada! Você vai ter que explicar tudo que aconteceu!

— Tá... Tá bom... – ele falou desanimado.

Inuyasha fechou o caixa, colocou a plaquinha de encerramento e saiu detrás do balcão com o garoto.

— Espere lá fora enquanto eu guardo os produtos, tá?

O garoto fez "sim" com a cabeça e saiu da loja. Inuyasha, concentrado em guardar os vários produtos místicos em oferta, mal percebeu a entrada de uma cliente acompanhada de uma criança.

— Queremos um daruma. – ela falou atrás dele.

Inuyasha virou-se.

— Sinto muito, mas estou fechando a loja.

— Mas ainda não são nem três da tarde! – ela protestou. – Exijo que me atenda!

— Já disse que estou fechando a loja!

— Espera! Ah... – ela franziu o cenho. – Você é aquele rapaz do táxi!

Inuyasha lembrou-se que a mulher em questão era a envolvida no incidente ocorrido naquela manhã ao chegarem à estação e tentou disfarçar:

— Pois é, tô fechando a loja, minha senhora. Sinto muito.

— Menino mal-criado! – ela falou, pegando a mão da criança e saindo da loja. – Vamos, Hitomi. Falaremos com o proprietário depois.

— Feh! – Inuyasha resmungou. - Como se eu me importasse...

Terminou de guardar os produtos e fechou a porta da loja, virando a plaquinha para "fechado".

Depois, olhando para os lados, ficou apreensivo ao não encontrar Souta esperando do lado de fora como havia pedido.

— Sou... Souta! Onde você está? Soutaaaa!

Andou pelos arredores da loja e parou em frente ao hokora do Templo Higurashi, ficando de costas para a porta, olhando para os lados.

A porta do pequeno templo abriu e alguém puxou a camisa de Inuyasha, fazendo-o gritar de susto.

Olhou para trás e viu parte do rosto de Souta na fresta, a mão ainda esticada segurando a roupa entre os dedinhos.

Inu no nii-chan! – ele falou – Desculpa por te deixar preocupado... Não tem ninguém aí?

O rapaz fez o garoto sair do hokora, notando que o rosto incrivelmente sujo.

— Vamos lá falar com sua irmã... Ela está muito preocupada, sabia?

Dentro da casa

Na cozinha, Rin estava parada atônita na porta, olhando ora para Sesshoumaru, ora para Miroku, ora para Sango, ora para Kagome.

— Rin, já está se sentindo melhor? – Sango perguntou, entoando a esperança na voz.

— Vocês estavam brincando de guerra de comida? – ela perguntou ao notar a bagunça.

— Sango quis deixar você dormindo e resolveu fazer o bolo, Rin. – Sesshoumaru falou sério.

— "Quis", uma ova! Eu tô reclamando desde que me forçaram a ficar aqui! Rin, por favor, fique em meu lugar. – Sango limpou as mãos num guardanapo e saiu da cozinha de forma majestosa, exclamando um "argh" atrás da porta.

— Como vocês pediram isso pra Sango-chan? – Rin perguntou com um sorriso sem graça. – Ela não sabe cozinhar.

— Ela se ofereceu, eu já disse. – Sesshoumaru mantinha a expressão mais séria que tinha.

MENTIROSO! – Sango gritou de algum lugar da casa.

— Pode deixar, eu assumo a partir daqui. – Rin pegou um avental jogado em cima de uma das cadeiras.

— Está se sentindo bem? – o namorado perguntou preocupado.

— Sim... Só com sono ainda... A que horas vamos voltar pra casa?

— Nós só voltaremos para casa amanhã. Vamos passar a noite aqui.

— Oh. Eu não sabia. Hmm...

O "hmm" chamou a atenção dos outros.

— "Hmm" o quê?

— Acho que não temos nada. – ela procurou ovos em cubas vazias, sacodiu caixas sem leite, procurou trigo em vasilhas jogadas de qualquer jeito na pia – Não tem nada aqui! Vocês deixaram Sango-chan usar tudo?

Silêncio se fez.

— O que a gente precisa comprar? – Sesshoumaru tirou a carteira do bolso e verificou se tinha todos os cartões de banco necessários.

Balançando a cabeça, Rin foi ao bloquinho de notas e caneca de canetas que sempre existem em todas as casas do mundo para escrever muitos itens.

Segundos depois, ela entregava a Sesshoumaru e os outros olharam por cima do ombro o que ela havia escrito.

— PANELA ANTIADERENTE DA TOSHIBA? Qual é o problema com a nossa? – Kagome quis saber?

— Pra que você precisa de oito quilos de chocolate pra fazer um bolo? – Miroku quis saber.

Sesshoumaru apenas olhou o papel.

— Sango-chan estragou a sua forma, só podemos jogar fora. – Rin mostrou a vasilha com o que parecia uma argamassa e virou-a – Dá até pra usar como arma.

— Não vamos jogar fora, então. Pode ser útil em algum momento. – Sesshoumaru pegou tudo da mão dela e jogou dentro de uma gaveta qualquer.

— E o chocolate? – Miroku perguntou.

— É pra gente levar pra casa também.

Os outros simplesmente concordaram com a cabeça porque aquele item era sempre necessário em casa.

— Acho que também podemos fazer um bolo de morango. E um de maçã. Ah, tragam mais formas, vou fazer três!

Todos se entreolharam.

— Rin, você não acha que é muito? – Sesshoumaru perguntou.

A namorada imediatamente ficou sensível e lacrimejou.

— Você não gosta do que eu faço, né? Você prefere o bolo de Sango-chan ao meu!

— Mas que diabos está...?

A garota começou a chorar como uma criancinha, tentando enxugar as grossas lágrimas com as costas da mão.

— Sesshoumaru-sama não gosta do que eu faço! Sesshoumaru-sama não gosta de mim!

— Isso não é verdade, Rin. – ele não sabia o que fazer com aquelas súbitas mudanças de humor. Puxou-a para si e sentiu as lágrimas molharem a camisa – Você sabe que é a única para este Sesshoumaru.

— Ver-Verdade? – ela perguntou soluçando.

— Sim. – ele falou, sério.

— Verdade verdadeira?

A resposta dele foi erguer uma sobrancelha.

— Estou com sono... – ela falou, fechando os olhos – Vamos dormir, Sess...?

Segundos depois, ela desmaiava de sono nos braços de Sesshoumaru e ele a segurou como em uma cena de novela.

Novamente ele a carregou nos braços e a tirou da cozinha para levá-la de volta para descasar no quarto de Kagome. Ao chegar na sala, viu o irmão chegar com Souta. A presença dele atraiu a atenção de todos, inclusive a de Kagome, que correu para abraçá-lo.

— Souta-kun! Onde você se meteu?

O menino olhou para o chão se sentindo extremamente culpado.

— Desculpa, mãe... mana... vovô...

— Souta! – Kagome o abraçou. – Como pôde fazer isso?

— Desculpa, mana...

— Sua cara está suja, Souta... – Kagome pegou um lenço e começou a limpar o rosto dele.

— Eu cai no chão do hokora... – ele explicou – Tá muito sujo lá. Pensei que tinha alguma coisa no poço.

— Vá se lavar e se arrumar. Hitomi vem aqui mais tarde e você precisa estar muito bonito.

Ao escutar aquilo, o garoto corou, depois saiu correndo e subiu as escadas com pressa.

Miroku, observando toda a cena, ficou pensativo e murmurou:

— Hmm... Interessante...

— O que foi, Houshizinho? – Sango perguntou ao escutar aquilo.

O rapaz não respondeu de imediato. Simplesmente tocou pensativo o queixo com a ponta dos dedos e falou segundos depois:

— Vou ter uma conversa de homem pra homem com Souta.

E saiu da sala para procurar o garoto.

— Será que devo ficar preocupada com o que ele disse? – Kagome falou.

— Eu acho que deve. – Inuyasha comentou. – Sabe como ele é.

— Rin está dormindo de novo. – Sesshoumaru falou, descendo as escadas com pressa e voltando para a cozinha – Quero uma equipe comigo... agora!

Naturalmente que todos sentiram a ênfase dramática dada na última palavra. Era uma emergência e Sesshoumaru estava ali para resolver a situação.

Sango, Inuyasha e Kagome trocaram olhares e obedientemente seguiram o mais velho. Na cozinha, eles o encontraram voltado para a pia, mãos apoiadas na cômoda.

— O que tá pegando, Sesshoumaru? – Inuyasha perguntou.

Outra pausa dramática seguiu antes de ele finalmente responder:

— Como vamos resolver o problema do bolo?

— Rin-chan não vai poder? – Sango quis saber.

— Ela começou a fazer uns pedidos estranhos e depois chorou até dormir. – Kagome explicou.

— Vamos fazer um agora. – Sesshoumaru falou autoritário para deixar aquele assunto de lado por um instante, voltando-se para eles – Comecem.

Sango, Inuyasha e Kagome olharam um para o outro. Depois balançaram a cabeça e deram as costas para irem embora.

— Fiquem onde estão. – Sesshoumaru falou em um tom de aviso.

Os três pararam e olharam por cima do ombro assustados.

— Não sabemos fazer bolo, Sess – Kagome começou timidamente. – Rin é muito melhor que nós.

— Não vamos acordá-la agora. – ele falou friamente. – Façam o bolo no lugar dela.

— Eu não sei. – Sango falou.

— Nem eu. – Inuyasha se pronunciou.

Un-Un – Kagome balançou a cabeça de modo negativo.

— Deem o jeito. – o irmão de Inuyasha falou. – Ou vou escolher um.

— Escolhe então! – falaram os três ao mesmo tempo, mesmo temendo quem fosse escolhido.

— Tirem a sorte, joguem pedra-papel-tesoura ou par ou ímpar.

Os três ficaram se olhando.

AGORA! – ele falou furioso.

— E por que você não participa também? – Inuyasha protestou – Por que só nós?

Sesshoumaru estreitou os olhos e se adiantou para o grupo.

— Par ou ímpar?

— Ímpar. – Kagome falou.

— Ímpar. – escolheu Sango.

— Par – Inuyasha falou.

— Par – Sesshoumaru pronunciou calmamente.

Os quatro estenderam a mão ao centro da roda que formaram.

— Sango e Kagome saíram. – o mais velho falou. – Inuyasha, escolha logo.

— Par – ele falou.

Os dois estenderam a mão e o número era "sete".

— Faça o bolo, Inuyasha. – Sesshoumaru falou, saindo da cozinha acompanhado de Sango e Kagome.

— E-Ei ! - Inuyasha gritou e se principiou a sair também, mas não pode porque o irmão batera a porta em seu rosto.

— Cara mais teimoso. – Sesshoumaru falou ao lado das amigas. – Onde está Houshi?

— Acho que tá no quarto de Souta... – Kagome começou. – Disse que teria uma conversa de homem pra homem com ele...

— O que ele pretende fazer? – Sesshoumaru começou. – Transformar o garoto num tarado?

— Sess! – Sango o repreendeu.

— Eu não tenho razão? – o rapaz falou.

Os três caminhavam devagar até chegarem a sala, quando viram a mãe e o avô de Kagome conversando com uma senhora que tinha uma criança a seu lado.

— Ah, Kagome-chan... – a mãe dela começou - Esta aqui é a senhora Yamada, e esta aqui é a quase-namorada de Souta, Hitomi-chan.

Os amigos sentiram o sangue correr gelado. A mãe de Hitomi era ninguém menos que a mulher que encontraram durante a manhã durante a confusão com o táxi.

— Prazer. – a senhora Yamada falou gentilmente, aparentemente sem reconhecê-los.

— Pra... Prazer. – os três balbuciaram.

A mulher não percebeu a expressão de surpresa deles e continuou a conversa que tinha antes com a senhora Higurashi:

— E então, né, amiga, quando pedi o daruma, aquele rapaz impertinente se recusou a me atender!

— Hm... Isso é muito grave, Yamada-san... – o avô de Kagome cruzou os braços – Vamos tomar as providências necessárias e... Oi, Kagome, você contratou alguém pra tomar conta da loja?

— Hã... Bem...

— Quem estava tomando conta de loja hoje? – a mãe dela perguntou.

— Era... Bem... Era o... –

Uma gritaria interrompeu tudo.

Sesshoumaru, seu idiota! – a voz de Inuyasha soou e se aproximava cada vez mais de onde estavam.

Os três correram para a porta para impedir que abrisse, mal percebendo que a senhora Higurashi, a senhora Yamada e o avô de Kagome iam atrás deles.

Sesshoumaru, maldito! – Inuyasha abriu a porta nesse momento. – Você vai me... – parou de falar ao sentir novamente a porta bater na cara com tanta força, mas tanta força, que ficou tonto e precisou de apoiar numa cadeira próxima para não cair.

— O que era aquilo? – a senhora Yamada perguntou, curiosamente.

— É o cachorro. – Sesshoumaru falou, mantendo o rosto sério e ignorando os olhares arregalados de Sango e Kagome – Está vigiando o bolo.

— Vocês trouxeram o cachorro de Tokyo? – a senhora Higurashi perguntou.

— Sim, ele veio no porta-malas.

— Ah, que gracinha! Podemos vê-lo? - ela uniu as mãos e perguntou com um ar gracioso.

— Não, não pode. – Sesshoumaru continuou – Estamos esperando o veterinário voltar para ele ser vermifugado.

— Caramba. – o avô, a mãe de Kagome e a senhora Higurashi estavam impressionados.

No quarto de Souta

— Entendo... - Miroku falava para Souta enquanto jogavam a versão mais recente de Ghost of Sengoku Jidai – Vocês ainda não têm nada certo e quer falar o que sente, mas acha que ela vem pra sua festa por causa de um cara estúpido que brigou com a mãe dela lá na estação?

— Sim. – Souta respondeu, tristemente – A mãe dela está muito mal-humorada.

— Nossa, mas ela tem razão! – Miroku balançou a cabeça afirmativamente. – Que cara mais chato, brigar por causa de um táxi! Tsc, tsc... Parece até quando chegamos aqui, quando o Inuyasha...

Parou de falar e ficou pensativo.

Oh. – murmurou mais para si mesmo do que para Souta ouvir.

— Tio Houshi...

— Sim, Souta-kun? – ele perguntou ao garoto que estava ao lado dele usando um roupão infantil.

— Não vai me dizer como faço pra dizer pra Hitomi que eu gosto dela?

— Ah, sim... É mesmo. – ele deu "pause" no jogo e se virou para Souta. – Prestenção, rapá! As minhas dicas são infalíveis e você conquistará sua garota na hora!

— Sério? – o pequeno arregalou os olhos.

— Sim, sim. – Miroku falou com tanta firmeza que qualquer um acreditaria – Está preparado?

— Sim! – o garoto respondeu num tom determinado.

— Primeiro passo: quando a mãe dela estiver longe... – ele começou e baixou o tom de voz para continuar – Você deve pegar na mão dela.

Uma expressão de choque apareceu no rosto de Souta, forçando-o a levantar-se dramaticamente da cama e dar um passo para trás.

— E-Eu? Pe-pegar na-na mão de-dela?

— Sim. – Miroku respondeu com o rosto sério.

— Mas... Mas... Mas e se ela pensar que sou alguma pessoa ruim pegando na mão assim desse jeito?

Miroku fez um esforço para não rir daquilo.

— Souta, ela gosta de você. Ela não vai achar. - ele respondeu.

— Ah... – ele tinha um sorriso triste.

— Não se preocupe, você vai conseguir. – Miroku se levantou e desligou a tevê e o videogame. – Eu acho melhor você tomar banho; daqui a pouco te chamam e...

A porta do quarto abriu e Sesshoumaru entrou majestosamente no quarto, fazendo outra pausa dramática na frente de Miroku.

— Houshi... – ele começou. – Quanto você cobra pra fingir ser um veterinário?

— Hã? – ele obviamente não entendeu a pergunta.

— Quero que finja ser um veterinário na frente de uma pessoa. – ele tirou a certeira do bolso e a abriu, tirando duas notas de dez mil ienes de lá. – Vinte mil está bom?

— Meu amigo... – Miroku correu e pegou as notas, sorrindo satisfeito. – Se você me pedir pra ser a Coelhinha da Playboy, em cinco minutos eu fico pronto pra me apresentar.

Sesshoumaru lançou ao rapaz o olhar mais fulminante que sabia fazer e Miroku engoliu em seco.

— Mas eu não farei isso, claro. – completou segundos depois.

— Tio Houshi... – Souta falou, puxando a camisa dele.

— Sim, Souta-kun?

— Quem é a Coelhinha?

— Hã... Bem... – Miroku empalideceu ao lembrar que uma criança estava ali e resolveu inventar logo. – É uma apresentadora de programa infantil.

— É? De qual canal?

— Souta, vá tomar seu banho. – Sesshoumaru falou autoritariamente – Sua namorada já chegou e está esperando lá embaixo.

Ao escutar aquilo, o garoto saiu correndo e foi para o banheiro que ficava no fundo do corredor do segundo andar.

Sesshoumaru aproveitou a ausência do garoto para continuar a lançar um olhar de ódio ao amigo.

— Eu só não mato você por causa desses comentários na frente de criança porque preciso de alguém para ser o veterinário de Inuyasha – saiu do quarto e bateu a porta com força.

Alguns minutos de silêncio se passaram e Miroku deu uma risada alta, falando despreocupadamente:

— Ai, ai... Acho que tô ficando surdo. Podia jurar que escutei Sesshoumaru falar que sou o veterinário de Inuyasha! – balançou a cabeça e começou a rir de novo.


No intervalo que se deu depois do banho de Souta e o regresso de Sesshoumaru e Miroku para junto da família e dos amigos, ocorreu a seguinte conversa no quarto do garoto:

Então eu posso pegar na mão dela? – Souta perguntou depois de escutar a explicação de Sesshoumaru sobre o que ele achava da ideia de Miroku.

Pode, mas só se for rápido. Não mais de trinta segundos. – Sesshoumaru falou sério.

O garoto arregalou os olhos e depois se recuperou, dando um sorriso triste ao falar:

Puxa... Logo agora que eu estava pensando em pegar em outros lugares dela...

Miroku e Sesshoumaru trocaram olhares.

Em quais lugares? – os dois perguntaram ao mesmo tempo.

Bem... - o garoto baixou o rosto e corou ao falar – Eu acho o pé dela muito bonito...

Ah, não. – Miroku balançou a cabeça com veemência – Isso não.

Aí é muito abuso, garoto - Sesshoumaru falou. – Ela vai pensar que você é um tarado.

Souta arregalou os olhos de novo e baixou o rosto. Suspirou profundamente e depois perguntou:

E se eu der um beijo?

Não, Souta, não. – Sesshoumaru falou, meneando a cabeça.

Definitivamente, não. – Miroku imitou Sesshoumaru ao mover a cabeça negativamente.

Continua...


Próximo capítulo:

Um bolo para fazer, um "cachorro" para cuida, duas crianças apaixonadas, uma garota que não acorda. Como resolver tudo isso? Jikai Tokyo no Nendaiki: Otanjoubi Omedetou! Não percam!

"Abram essa maldita porta!"


Notas:

Daruma é uma espécie de amuleto de sorte japonês. Se quiserem ver como é um, perguntem ao tio Google.

Hokora é um anexo de um templo xintoísta. No anime, o hokora do templo Higurashi guarda o poço por onde Kagome viaja no tempo.