Na cozinha da casa da família Higurashi, Sesshoumaru e Miroku se "divertiam" com Inuyasha.
-Role. – Miroku ordenou a Inuyasha, este com os pés e as mãos amarrados.
-Nunca! – vociferou ele. – Vocês me pagam! Assim que eu sair daqui!
-Role, Inu-chan! – Miroku falou de novo, assoviando como se estivesse falando com um cachorro de verdade. – Seja um bom menino e me obedeça. Sou o seu veterinário!
-Acham que eu...
-Inuyasha... – Sesshoumaru, que estava cortando algumas frutas a pedido de Kagome, que queria fazer salada para a festa, falou na habitual voz fria, mas também um pouco ameaçadora, mirando a ponta da faca no pescoço do irmão. – Obedeça a seu veterinário.
Inuyasha suou frio ao olhar para a ponta brilhante do metal que estava em seu pescoço, fechando os olhos e rolando no chão depois como se fosse um cachorrinho.
Miroku teve um ataque de risos e caiu no chão, tentando inutilmente se controlar. Sesshoumaru apenas observava a cena curiosamente.
-Ai, ai... – Miroku recuperou o fôlego e olhou para Inuyasha, que lhe lançava olhares mortais. – Muito bem, muito bem... Agora mostre a língua.
-Não! – ele exclamou.
-Mostre a língua! – Miroku ordenou. – Vamos, Inuyasha, colabore! Já está acabando, falta só se fingir de morto e fazer a seqüência: deitar, rolar, mostrar a língua e se fingir de morto! Depois, já era!
-Nunca! – o rapaz falou, agitando-se para tentar se soltar. – Vocês são uns...
-Inuyasha... – Sesshoumaru estendeu a faca e a apontou para o pescoço do irmão – Mostre a língua.
Com medo, o rapaz obedeceu ao irmão, imitando assim um cachorrinho mostrando língua. Miroku teve outro acesso de risos e batia os punhos no chão de tanta graça que achava naquilo.
Um som vindo do lado de fora indicava que alguém se aproximava, e este alguém era Kagome, reconhecida pela voz.
-KAGOME! – gritou Inuyasha. – RÁPIDO, EU... MFFFF! – Sesshoumaru tapou a boca do irmão com um pedaço de maça que estava cortando e o empurrou, com a ajuda de Miroku, para dentro do armário de panelas.
-Oi, Sess, Miroku-sama... – a garota entrou no recinto na hora em que Sesshoumaru e Miroku voltavam a cortar as frutas em pedacinhos. – Vocês não escutaram o Inuyasha gritando?
-Não. – Sesshoumaru mentiu. – Estávamos conversando e não prestamos atenção nisso.
-Onde ele está?
-Não sei. – o rapaz mentiu de novo. – Ele só nos disse que ficaria escondido da senhora Yamada pra não arrumar confusão.
-Ah... tá bom... – Kagome piscou duas vezes e depois se virou para sair do local, dando um sorriso para os amigos ao dizer. – Vou tentar acordar Rin-chan.
-Ok. – eles responderam.
Kagome saiu da cozinha e os dois correram até o armário onde estava Inuyasha. Assim que abriram a porta, viram uma curiosa cena: Inuyasha estava sem o pedaço de maça na boca, mas estava desacordado devido aos últimos acontecimentos pelos quais passou.
-Olha só como ele tá virando um bom garoto... – Miroku começou. – Nem precisei pedir a ele para se fingir de morto.
Sesshoumaru apenas revirou os olhos.
Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no junjou na omoi.
Otanjoubi Omedetou!
Crônicas de Tokyo: Nossos verdadeiros sentimentos.
Feliz Aniversário!
Disclaimer: Os direitos de Inuyasha não são meus. Quando forem, eu aviso vocês para que mudem o nome da dona no disclaimer de vocês.
Para Thais.
-Rin-chan, acorde... – Kagome sacudia a amiga, que se recusava a abrir os olhos e resmungava algumas coisas incompreensíveis. – Acorde, Rin-chan, está na hora...
-Não quero... – a garota mudou de posição e cobriu a cabeça com o lençol. Kagome se impacientou com aquilo e puxou a coberta com raiva, rasgando uma parte do tecido.
-Acorde, Rin! – ela falou irritada. – Precisa se arrumar para a festa!
-Mamãe vai tá lá... não quero ir... – ela murmurou, cobrindo a cabeça com o travesseiro.
Kagome deu um suspiro, entendendo que Rin estava sonhando com a família. Sabia dos problemas familiares pelos quais Rin passou antes de ir morar com Sesshoumaru, mas ficou surpresa ao ver que ela ainda pensava – ou pior, podia estar sofrendo – com aquilo. Balançou a cabeça e decidiu sair do quarto para deixá-la dormir sossegada.
Descendo as escadas, Kagome viu Sesshoumaru tentando esconder alguma coisa dentro do armário de casacos antes que a senhora Yamada se aproximasse dele para conversar.
-Mas você é tão novo e já é professor e escritor...
-Muita gentileza sua em dizer isso.
-ABRAM ESTA MALDITA PORTA! – Inuyasha, amarrado e estendido no chão do cômodo, gritou de lá.
-O que foi isso? – a senhora Yamada perguntou quando era gentil e discretamente afastada de perto daquela porta por Sesshoumaru, ficando ao pé da escada e próximos de Kagome.
-Souta está jogando videogame. Acredito que tenha sido isso... – Sesshoumaru respondeu com a habitual seriedade.
-Sess... – Kagome interrompeu a conversa e chamou a atenção dos dois. – Não consegui acordar Rin-chan... E Sango-chan foi antes de mim e também não conseguiu... – ela olhou seriamente para o rapaz antes de continuar. – Ela... ela estava falando durante o sono algo sobre a mãe dela...
-Eu vou lá agora. – ele falou e virou-se depois para a mulher a seu lado. – Depois continuaremos esta conversa.
-Claro. Será um prazer. – ela falou sorrindo.
Kagome deu passagem para o rapaz passar na escada, descendo os dois últimos degraus e resolvendo puxar uma conversa com a mulher.
-O que está achando da casa? – ela perguntou.
-É muito bonita, tirando o fato de escutar uns gritos estridentes por todos os cantos.
-Gritos? – Kagome perguntou, arqueando as sobrancelhas surpresa.
No quarto de Kagome, onde Rin repousava, Sesshoumaru entrou silenciosamente, aproximando-se do mesmo modo da cama. Sentou-se na beirada e procurou os vidros de remédios que ela deveria ter deixado em cima do criado-mudo. Não os encontrou e olhou para o corpo adormecido da namorada, que naquele momento se remexeu.
-Pai... – ela murmurou quando o travesseiro caiu no chão, deixando a cabeça descoberta.
Depois de alguns minutos em silêncio, Sesshoumaru deitou-se na cama e segurou Rin pela cintura e de costas para ele.
-Mamãe não gosta de... mim... – ela murmurou numa voz mole.
-É claro que gosta, Rin... – ele falou, fechando os olhos e colando o rosto ao dela. – Gosta da maneira dela... Mas ela também te ama...
-Pai... não me... deixe com… ela…
-Você está com saudades dele, Rin? – ele perguntou, abrindo os olhos e cheirando o cabelo dela, esperando por uma resposta, mesmo sabendo que a garota estava falando dormindo. – Você não gosta de viver comigo?
Fechou os olhos de novo, lembrando-se de uma vez em que foi à casa da garota no início do relacionamento deles.
''-Sesshoumaru... – o pai de Rin falou, chamando a atenção do rapaz sentando em uma poltrona em uma rica casa num bairro de classe média alta de Tokyo. O rapaz olhou para ele e viu que o pai sorria. – É seu nome, não? Muito prazer. Rin me falou muito sobre você.
-É um prazer conhecê-lo também, Nozomu-san.
-Está na hora do jantar! – Rin apareceu na sala usando um avental. – Venham antes de mamãe voltar.
-Rin! – o pai dela falou em tom de censura.
-Sim, papi? – ela perguntou com um sorriso. O pai apenas lançou um olhar de censura e ela fez que não ligou.
Os três se dirigiram até uma mesa onde uma refeição já estava servida em três lugares. O jantar começou em meio a uma agradável conversa, com alguns fatos engraçados que o pai de Rin contava a Sesshoumaru sobre ela, deixando a garota se encolher envergonhada na cadeira, sentindo-se também feliz em ver que os dois estavam se dando bem.
-Ora, ora... Visitas! - uma voz feminina falou na entrada da sala de jantar.
As três cabeças olharam para a mulher e apenas o pai de Rin falou:
-Chegou cedo hoje...
-Quem é? – ela perguntou, puxando a cadeira para sentar-se.
-Este aqui é Sesshoumaru, mãe... – Rin começou um pouco nervosa. – Meu namorado.
-Ah...
-Sesshoumaru, esta é minha mãe.
-Muito prazer, senhora.
-O prazer é todo meu. Rin parece ter um bom gosto para namorados, você é muito bonito.
O rapaz não respondeu, mas olhou para a garota com carinho, achando estranho a garota não dirigir um único olhar para a mãe e continuar comendo, olhando fixamente para o prato.
-O mesmo eu não posso dizer sobre as mulheres que você escolhe... – ela continuou, abrindo um guardanapo e deixando-o cair elegantemente sobre o colo.
O rapaz desviou rapidamente o olhar para a mulher, que agora se servia calmamente, como se tivesse dito a coisa mais normal do mundo. Rin permanecia de cabeça abaixada, olhando para a refeição como se fosse mais interessante que as pessoas ao seu redor, levando uma porção à boca como se não tivesse escutado o que a mãe falou sobre ela. O pai de Rin parecia aborrecido com aquele comentário, mas apenas lançou um olhar de censura à mulher.
-O que está achando da refeição? – a mãe de Rin perguntou ao rapaz. – Não estranhe se não estiver boa, Rin não é lá grande coisa como cozinheira.
-Mai! – o pai de Rin exclamou em um tom muito irritado. Sesshoumaru estava com a boca ligeiramente aberta, muito surpreso com aquela forma com que Rin era tratada pela mãe. Mal percebeu quando a garota se levantou, segurando a refeição que comia, e se dirigiu à cozinha.
-O que foi? – a mulher perguntou inocentemente.
-Mai, você me paga se continuar...
-Com licença, eu irei me... retirar... – Sesshoumaru falou, levantando-se e deixando o casal discutindo, indo procurar a namorada na cozinha.
Ao entrar, viu a garota de frente para a pia e ligeiramente trêmula.
-Rin... – ele começou. – A refeição estava... estava muito boa.
-Obri... obrigada. – ela murmurou em meio aos soluços.
Sesshoumaru se aproximou dela e a abraçou pela cintura.
-Não chore, Rin...
-O quanto eu... – ela começou.
-O quê?
-O quanto eu... Eu sou especial pra você, Sesshoumaru? – Rin virou o rosto e o rapaz notou que os olhos estavam vermelhos, enquanto as lágrimas escorriam furiosamente no rosto.
-Você... – ele ficou preocupado com aquela crise de choro. – Não ligue para o que ela disse... Sabe que não é verdade.
-Responda... – ela abaixou o rosto e tremia violentamente esperando pela resposta – Por favor, me responda...
-Você é... – ele começou, fechando os olhos e pousando o queixo no ombro dela. – Você é especial para mim...
Rin chorava ainda mais, virando-se e abraçando o rapaz, que tentava acalmá-la, embora também estivesse preocupado com uma discussão que havia na sala e podia ser ouvida na cozinha.
-Você é especial para este Sesshoumaru, para seus amigos, para seu pai...
Rin não parou de chorar e o rapaz a abraçou mais forte.
-Você é a única para este Sesshoumaru..."
Sesshoumaru assustou-se com um grito que veio do andar de baixo ao quarto em que estava. Cuidadosamente retirou os braços que envolviam o corpo de Rin e a cobriu o melhor que pôde, saindo do quarto silenciosamente e descendo as escadas apressado.
-O que foi? – ele perguntou ao entrar na cozinha e ver Miroku e Kagome, segurando uma panela cada, de pé e em frente a Inuyasha, este caído no chão. – Alguém morreu?
-Inuyasha! – Kagome apontou para o rapaz estendido no chão.
-Morreu? – Sesshoumaru entoou a esperança e a surpresa na voz.
-Não! – Kagome respondeu irritadíssima. – Ele tava fazendo não sei que diabos lá no armário de casacos, daí saiu de lá e veio pra cá pra cozinha atacar Miroku-sama!
-Você não contou pra ela, contou? – Miroku perguntou, olhando para Sesshoumaru.
-Não.
-Não vai contar?
-Contar o quê? – ela perguntou.
-Acho que deve contar.
-Você contaria? – Sesshoumaru perguntou.
-Contaria o quê? – ela perguntou de novo.
-Acho que é sempre bom contar. – Miroku opinou.
-Contem logo! – Kagome gritou.
Cinco minutos de explicações de Sesshoumaru:
-O QUÊÊÊÊ? - Kagome exclamou, avançando em Sesshoumaru após ele contar a história do veterinário e o que Inuyasha sofreu nas mãos dos dois.
Miroku correu para segurá-la.
Dois minutos depois:
-Calma, calma, calma, calma... – Miroku repetia, segurando a garota pela cintura, esta com as mãos estendidas para pegar o pescoço de Sesshoumaru, que calmamente se servia de um copo cheio de água.
-Que espécie de irmão você é? – ela bufava.
Mais dois minutos depois:
-Calma, calma, calma, calma... – Miroku continuou repetindo, segurando a garota com mais força.
Sesshoumaru agora comia calmamente alguns petiscos que seriam servidos na festa, como se não tivesse ninguém tentando agarrar seu pescoço para torcê-lo.
-Por que você trata Inuyasha assim? – ela exclamou furiosamente.
Dez segundos depois:
-O que foi que eu fiz? – Miroku perguntou, massageando o local no rosto que estava dolorido depois de receber um tapa de Kagome.
-Nunca mais passe a mão em mim, Miroku... – ela falou friamente.
Sesshoumaru falou após palitar os dentes, limpando-os depois de comer a maior parte dos petiscos:
-Bem, mas o fato é que Inuyasha vai se esconder da senhora Yamada até o final da festa. – ele se levantou e ficou em pé ao lado do corpo de Inuyasha. – Acho melhor acordá-lo, ou ela pode aparecer aqui para conhecer a cozinha. Tem algum quarto para onde podemos levá-lo?
O irmão mais velho de Inuyasha, falando daquele jeito tão sereno, fez Kagome acalmar-se. Ela cruzou os braços e depois de alguns momentos, falou:
-Acho que podemos deixar lá no quarto da minha mãe.
-Vamos levá-lo pra lá, Houshi... – Sesshoumaru falou quando pegou Inuyasha pelo pé. O amigo se aproximou também e pegou o amigo desacordado pelos ombros.
-Caramba, Kagome... – Miroku reclamou. – Você bateu muito forte nele com aquela panela...
-Eu deveria ter deixado ele te dar uma surra?- ela perguntou, adiantando-se para abrir a porta para eles. – É a porta ao lado de onde Rin está descansando...
-Vamos lá, Houshi. – Sesshoumaru falou, adiantando-se.
Os dois caminhavam cuidadosamente pela casa, dando cada passo calculadamente e temendo que alguém aparecesse ali a qualquer momento. De repente, escutaram algumas vozes.
-É ela, Sesshoumaru! – Miroku falou, nervosamente.
-Maldição! – este exclamou. Os dois olharam para os lados, procurando desesperadamente por algum lugar para jogar o corpo.
-E então Souta-kun apareceu para dar um buquê para Hitomi-chan e... – os dois reconheceram as vozes da senhora Yamada e da senhora Higurashi.
-O armário de limpeza! – Miroku falou. – Rápido, Sesshoumaru!
Sesshoumaru soltou um dos pés de Inuyasha para abrir a porta, mas infelizmente os dois não tiveram tempo de colocar o rapaz cuidadosamente lá dentro, já que as vozes estavam praticamente atrás deles.
-O que vocês estão fazendo? – perguntaram as duas senhoras, poucos metros atrás de Miroku.
A única reação de Miroku foi empurrar o corpo de Inuyasha, e consequentemente o de Sesshoumaru também, para dentro do armário de limpeza, fechando a porta antes que as duas vissem o que aconteceu.
No instante que empurrou a porta com os dois irmãos para dentro da pequena sala, escutou muitos barulhos de baldes, vidros quebrando, corpos caindo e até um palavrão. A cada barulho, Miroku encolhia os ombros, suando frio e fechando os olhos ao perceber o que tinha acontecido.
-Está com algum problema, senhor veterinário?
-Hã... – ele gaguejou, mas encolheu de novo os ombros ao escutar mais um vidro quebrar – Eu... não, só joguei alguns produtos de limpeza aí dentro. O cachorro fez sujeira de novo.
-Ora, ora... - a senhora Higurashi falou. – Vamos mostrar mais algumas coisas pela casa... Quer vir conosco, Houshi veterinário?
-Hã... bem... Eu irei depois. Esqueci que preciso pegar o carrapaticida.
-Ok. – as duas se afastaram e Miroku deu um suspiro desanimado. Colocou a mão na maçaneta e olhou para o teto, como se quisesse ver Buda olhando por ele.
-Por favor, Buda... Que ele tenha piedade de mim.
Abriu a porta e viu Sesshoumaru sujo e lançando-lhe olhares assassinos, apoiando cada mão nas batentes da porta.
-Hã... desculpa? – Miroku perguntou, assumindo um aspecto mais pálido.
A resposta de Sesshoumaru foi puxar o rapaz pela camisa com força para dentro do pequeno armário e fechar a porta depois, numa cena que lembrava alguns filmes de terror.
-O que foi isso? – a senhora Higurashi perguntou ao escutar alguns gritos vindos do corredor, mesmo estando na cozinha.
-Parece que Souta e Hitomi estão jogando videogame. – a senhora Yamada falou. – Esses jogos são tão barulhentos...
-Ora, ora. – a senhora Higurashi comentou com um sorriso.
Dez minutos depois, já no quarto da senhora Higurashi...
-Ai, ai... – Inuyasha murmurou, despertando e massageando a cabeça, sentando-se na cama em que Sesshoumaru e Miroku o deitaram alguns segundos antes.
-Já está melhor? – Sesshoumaru perguntou, limpando o rosto com a própria camisa que tirou do corpo para aquela tarefa.
-O que... O que aconteceu?
-Fique aqui neste quarto até que a festa termine. – Miroku falou, massageando o rosto e passando a camisa em alguns pontos do rosto em que apareciam hematomas. – Você vai arrumar uma confusão e tanto se for lá pra fora... ai...
Inuyasha fez que não ouviu e desceu da cama, indo em direção da porta. Rapidamente os dois correram para agarrá-lo.
-Eu quero sair, caramba! – o mais novo bufou. – Soltem, ou...
-Sesshoumaru, abra a boca dele! – Miroku falou. Sesshoumaru conseguiu abriu a boca de Inuyasha o máximo que pôde e viu Miroku tirar algo do bolso. Rapidamente Miroku abriu o que o mais velho reconheceu ser um dos remédios de Rin e jogar todo o conteúdo no na língua de Inuyasha.
-Faça-o mastigar, depressa! – Miroku falou e Sesshoumaru obedeceu.
Depois de alguns instantes, Inuyasha parou de se debater e ficou quieto, começando a rir sem parar. Sesshoumaru o conduziu para a cama e o jogou lá.
-Como foi que conseguiu esses remédios? – Sesshoumaru perguntou, enxugando com o braço o suor da testa.
-Sango trouxe para eu guardar depois que foi lá tentar acordar Rin antes de Kagome-sama. – Miroku tirou os remédios e os entregou para Sesshoumaru. – Disse que estavam jogados no chão.
O mais velho passou a vista pela primeira vez no rótulo e empalidecendo a tal ponto que Miroku pensou que fosse desmaiar.
-O que foi? – o rapaz perguntou preocupado.
-Você... você... você foi com ela... com ela até a farmácia um dia para comprar esses remédios, né? – Sesshoumaru perguntou, respirando fundo e tentando se controlar.
-Hã... sim... – o amigo tinha até medo de responder.
-Você deixou... – Sesshoumaru começou a se enfurecer. – VOCÊ DEIXOU QUE ELA COMPRASSE ANTIDEPRESSIVOS, SEU IDIOTA? – ele agarrou Miroku pelo pescoço e mostrou os rótulos dos antidepressivos.
-EU NÃO SABIA! CALMA AÍ, CARA!
Miroku fechou os olhos depois que viu Sesshoumaru soltar os vidros no chão e fechar o punho. Esperou por um soco, mas depois de alguns segundos, não sentiu dor alguma, e o único som que tinha no quarto era o de algumas risadas de Inuyasha, que começava a adormecer. Miroku abriu os olhos e viu que o amigo estava com os olhos fechados e largando o pescoço dele.
-Mas... mas o quê...? – Miroku perguntou, confuso.
-Rin... – Sesshoumaru começou. – está se viciando nesses remédios... Ela já está tomando escondidos de mim. – ele se abaixou e pegou os vidros no chão, juntando também alguns comprimidos que caíram. – Ela mentiu pra mim dizendo que eram pra dor de cabeça... por isso eu a deixei tomar...
Miroku não falou nada, mas abaixou-se para ajudar Sesshoumaru a pegar algumas pílulas que o rapaz não tinha visto.
-Ela começou quando morava com a mãe... Já tinha parado quando veio morar comigo, mas acho que a depressão voltou. – o mais velho continuou, terminado de juntar o que caiu e tampando os vidros.
-Eu acho que... – Miroku começou, respirando fundo. – Você deveria conversar com ela...
-Eu irei. – ele respondeu, colocando de novo a camisa no corpo e se dirigindo até a porta. – Vamos deixá-lo dormir e continuar a arrumar essa maldita festa.
-Sesshoumaru? – Miroku o chamou antes de ir.
-Não me dê nenhum de seus conselhos, ou te darei uma surra.
-Na verdade, só ia falar que você precisa tomar um banho antes de começar a festa. Está cheirando a desinfetante.
O rapaz se virou e encarou Miroku.
-Isso não é conselho, é? – Miroku perguntou, não escondendo uma enorme gota na testa e suando para que Sesshoumaru não se aborrecesse.
-Não. – o mais velho respondeu, fazendo Miroku respirar aliviado.
-Boa sorte. – Miroku falou quando Sesshoumaru se virou para sair, fazendo-o para na entrada do quarto. – Deve ser muito difícil ter que enfrentar uma situação dessas...
-Obrigado. – o rapaz falou, saindo do quarto seguido de Miroku.
Os dois desceram as escadas correndo e se dirigiriam para a cozinha se Sesshoumaru não tivesse parado de repente no caminho entre a sala e a cozinha, fazendo Miroku esbarrar sem querer nele.
-O que foi? – Miroku perguntou, massageando o nariz.
-Olha só. – o rapaz apontou para o sofá, onde Souta e Hitomi estavam sentados.
-Vamos ver, vamos ver... – Miroku e Sesshoumaru se esconderam atrás do corrimão da escada, conseguindo ter uma visão muito boa dos dois sem serem percebidos.
No sofá, Souta ainda suava para tomar coragem de dizer o que sentia para a menina.
-Hitomi, eu... eu...
-Sim? – ela perguntou, inocentemente.
-Você... – o garoto ainda gaguejava.
-Vamos, Souta... – Miroku fazia torcida e Sesshoumaru já estava apreensivo também. – Diga uma frase inteira...
-Eu... eu... eu... – o garoto continuou, corando até a raiz dos cabelos.
-Ele só sabe esse pronome? – Sesshoumaru falou, revirando os olhos.
-Você... você... você... vocêêêê... – Souta continuou.
-Isso responde à sua pergunta? – Miroku comentou, olhando para o rapaz.
-... gosto... de...
-Fala logo... – Miroku estava quase para ter um ataque de úlcera de onde estava.
Souta estava para completar a frase quando, de uma forma escandalosa, Sango apareceu bufando na entrada, carregando algumas caixas e sacolas.
-Águaaaaa... – ela gemeu, deixando cair algumas sacolas. Miroku e Sesshoumaru correram para socorrê-la, deixando Souta de olhos arregalados e se perguntando se eles estavam observando aquela tentativa de declaração dele.
-Sangozinha! – Miroku a segurou antes que desmaiasse. – Você está bem?
-Ela subiu todas aquelas escadas carregando tudo isso? – Sesshoumaru pegou algumas caixas para levar para a cozinha. – Leve-a para a cozinha, ela precisa se hidratar.
-Sango... – Miroku olhou com pena para ela, balançando a cabeça negativamente como se a noiva tivesse enfrentado alguma batalha perigosa e perdido a luta final.
Os dois foram para a cozinha, já esquecidos do casalzinho que foi interrompido no momento de uma declaração.
-O que você ia me falar, Souta-kun? – Hitomi perguntou.
O garoto tremeu, corou e depois ficou azul ao olhar para a garota.
-Mãeeeeee! – gritou, depois saiu correndo.
Cinco da tarde:
Na cozinha, Kagome, Sango, Miroku e Sesshoumaru estavam reunidos novamente. Inuyasha e Rin ainda dormiam e precisam unir Souta e Hitomi, além de arrumarem um bolo antes da festa começar, dali a uma hora. Algumas crianças já haviam chegado e alguns brincavam com Hitomi e Souta.
-Sango-chan, já está melhor? – Kagome perguntou depois que a amiga acordou daquele desmaio, ocorrido uma hora e meia antes, entregando a Sango uma xícara de chá.
-Vocês deveriam colocar um elevador no lugar daquelas escadas lá da entrada do templo, ou então uma escada rolante. Ou isso ou processar o engenheiro que construiu aquilo... Quase morri ao subir aquelas escadas...
Kagome apenas sorriu, totalmente sem graça.
-Os salgadinhos estão bons. – Sesshoumaru falou, comendo alguns salgadinhos que Sango trouxe da loja a pedido da senhora Higurashi, razão de ter ficado longe da casa durante a tarde.
-Sesshoumaru, isso é pra festa! – Kagome tirou um salgado das mãos de Sesshoumaru e o colocou de volta na cestinha em que seria servido. – Só temos isso pra mais tarde: nem bolo tem...
-Ainda sem bolo? – Sango comentou, se servindo do chá que Kagome a ofereceu. – Achei que já tivessem resolvido isso...
-Rin-chan não acordou ainda... E acredito que não vá acordar tão cedo. – Kagome suspirou. – O que faremos?
-Que tal comprar um? – Sango sugeriu, colocando açúcar na bebida. – Na loja em que fui, havia muitos bolos confeitados e... – parou de falar ao ver Kagome e Sesshoumaru correrem para a porta dos fundos, gritando antes de sair:
-Tentem cuidar de Souta e Hitomi!
Sango olhou curiosa para Miroku.
-Que história é essa?
Quarenta e cinco minutos depois:
-Souta, é sua vez. – Sango falou, no centro de uma roda na qual estavam ela, Miroku, Souta, Hitomi e mais um monte de crianças, todos jogando verdade ou desafio.
-De-desafio. – o garoto gaguejou.
-Souta... – Sango começou – O desafio é...
Souta ficava azul com cada segundo que Sango demorava em falar o que era.
-... você tem...
-S-sim?
-... que...
Souta suava.
-... beijar...
-Chegamos! – Kagome entrou triunfantemente na sala, interrompendo mais um plano de tentar unir aquelas duas crianças. Sango e Miroku lançaram-lhe um olhar mortal, mas a garota não entendeu o motivo. Atrás dela, Sesshoumaru apareceu ligeiramente ofegante, segurando uma grande caixa enfeitada com um nome de uma loja famosa de doces do Japão.
-Quero água. – ele ordenou, falando num só fôlego.
-Vocês conseguiram! – Sango se levantou e Miroku fez o mesmo. – Crianças, voltamos já. Precisamos resolver um problema com titia Kagome e titio Sess.
Felizmente para Sango, a garota não percebeu o olhar assassino que Sesshoumaru lançou-lhe.
-Tá, tia! – as crianças responderam em coro.
O grupo saiu da sala e se dirigiu para a cozinha.
-Vocês parecem cansados... – Miroku comentou assim que todos entraram. – O que aconteceu?
-Tivemos que brigar pelo bolo. – Kagome falou ao sentar-se em uma das cadeiras. – Este era o último.
Sango tirou a tampa da caixa e teve um acesso de risos, deixando Miroku curioso.
-O que foi?
-Acho que ela está rindo da inscrição do bolo, Houshi. – Sesshoumaru falou, bebendo uma garrafa inteira de água pelo gargalo.
-Ah, que bonitinho, Sess. – Sango falou, tirando cuidadosamente o bolo de dentro da caixa - Que coisa mais fofa...
No bolo, a inscrição era "Mamãe, eu te amo".
-Bolo é tudo a mesma coisa. – Sesshoumaru falou, limpando água que escorria pelo seu queixo com a mão e pousando a garrafa no centro da mesa – Só precisamos apagar isso.
Miroku trouxe o bolo para frente de si e perguntou:
-Cadê a borracha?
Sango teve outro acesso de risos, Sesshoumaru estreitou os olhos e Kagome mordeu os lábios para não rir.
-Por que vocês não pediram para o confeiteiro apagar na hora? – Sango perguntou quando se recuperou.
-Não tivemos tempo. – Kagome respondeu, olhando para Sesshoumaru como se estivesse hesitando em contar o que realmente aconteceu.
-Não? – Miroku perguntou. – O que realmente aconteceu?
-Tivemos que fugir de duas senhoras que queriam comprar. – Sesshoumaru começou – Nós as despistamos, mas aí...
-Esquecemos de um pequeno detalhe... – Kagome falou, torcendo as mãos em sinal de nervosismo.
-Que detalhe? – os dois amigos perguntaram ao mesmo tempo.
-Sesshoumaru correu da loja sem pagar pelo bolo. – Kagome respondeu, mordendo levemente o lábio inferior.
Sango e Miroku abriram ligeiramente a boca e olharam para Sesshoumaru como se o rapaz tivesse cometido o pecado mais mortal do planeta.
-É apenas um detalhe. Qualquer um esquece um de pagar por alguma coisa. – ele se justificou, sem parecer o mínimo desconcertado.
-Sess... – Sango começou. – Você roubou uma loja.
-Digamos que peguei fiado. – Sesshoumaru falou, trazendo o bolo para perto de si.
-Cara... – Miroku comentou. – Estou realmente impressionado com você.
-Nós chegamos na loja... – Kagome começou. – Só tinha esse bolo na prateleira, só que duas senhoras também o queriam. Sesshoumaru e eu começamos a negociar com elas, mas elas não queriam de jeito nenhum nos ceder. Daí, começamos a discutir, e num momento de distração delas, Sesshoumaru pegou o bolo dentro da caixa quando o atendente trouxe embalado e saiu correndo da loja, se esquecendo de pagar e quase arrancando meu braço quando me puxou para correr. Depois percebemos que tinha uns policiais correndo atrás de nós, nos escondemos em um beco, pegamos um táxi e viemos pra cá... Foi isso!
-Sango... – Miroku respirou fundo, balançando a cabeça negativamente. - Vamos cuidar das crianças. – pôs a mão na maçaneta e depois se virou para comentar – Nunca pensei que fosse capaz de fazer uma coisa dessas!
-Não tente me dar lição de moral, Houshi. – Sesshoumaru falou, entre dentes.
-Por favor! – Miroku falou, cortando-o violentamente e erguendo uma das mãos em sinal de protesto. – Eu quero ser um pai de pelo menos cinco filhos! – Sango arregalou os olhos e deixou o queixo cair o máximo que pôde segurar. – Acha que quero que meus filhos saibam como roubar um bolo de duas pobres senhoras? E se essas senhoras quisessem esse bolo para dar para a caridade?
-Ora, seu... – Sesshoumaru começou.
A senhora Higurashi apareceu de repente, novamente assustando a todos com aquelas aparições nas horas mais impróprias. A seu lado, estavam a senhora Yamada e o avô de Kagome.
-Nossa, como a cidade está violenta... – comentou a senhora Yamada.
-Sim, sim, verdade verdadeira. – o avô de Kagome concordou, balançando a cabeça afirmativamente.
-Vocês souberam? – a senhora Higurashi perguntou ao grupo.
-O quê? – eles perguntaram.
-A violência está aumentando demais aqui em Yokohama. – a mãe de Kagome começou. – Acreditam que agora estão roubando até os bolos que pessoas idosas compram nas lojas?
-Aposto que são esses malditos arruaceiros de Tokyo. – o avô de Kagome comentou.
-Sinto pena das pobres senhoras... – a senhora Yamada comentou, parecendo ligeiramente triste. Virou-se para Sesshoumaru e perguntou. – O que o senhor acha, senhor professor?
Sango, Miroku e Kagome olharam para Sesshoumaru arqueando as sobrancelhas, esperando por algum comentário do rapaz.
-Com licença... – Miroku pegou a mão de Sango para sair do local. – Esses assuntos de roubos de bolos de pobres senhoras deixam minha noiva muito sensível. – pôs novamente a mão na maçaneta e comentou antes de sair, olhando diretamente para Sesshoumaru. – O ar aqui também está carregado! – bateu a porta e saiu.
Do lado de fora, Miroku murmurou:
-Droga, droga, droga...
-O que foi, Miroku? – Sango perguntou.
-Quando Sesshoumaru quer ser malandro, ele se sai bem melhor que eu.
Sango teve um ataque de risadas.
-Não posso permitir, Sangozinha! Simplesmente não posso! Tenho que manter esse título sem concorrência e só pra mim!
Dentro da cozinha, os três ainda comentavam sobre a violência em Yokohama e Kagome e Sesshoumaru pensavam numa maneira de apagar a inscrição do bolo, quando a senhora Higurashi perguntou:
-Vamos visitar as nossas vizinhas. Foram elas que foram assaltadas. O bolo era dos netos dela para a filha de uma delas. – os dois arregalaram os olhos e abriram a boca em sinal de espanto. – Querem ir conosco?
-Hã... – Sesshoumaru passou a mão nos cabelos, tentando disfarçar que estava sem jeito. – Estou com muita pena dessas senhoras. – tirou a carteira do bolso e a abriu. – Poderia lhe dar esse dinheiro para comprar um bolo novo em outra loja?
-Oh...– o avô de Kagome arregalou os olhos.
-Oh, não se preocupe, Sesshoumaru-sama. – a senhora Higurashi falou, forçando-o a pegar o dinheiro de volta. – Acho que elas estão mais preocupadas em pagar o bolo na loja, já que elas tinham encomendado e não pagaram... A responsabilidade ficou com elas...
-Então... – o rapaz tirou mais dinheiro e entregou para a senhora Higurashi. – Este dinheiro vai ajudar a pagar pelo outro bolo e a comprar um bolo novo.
A senhora Yamada levou um das mãos ao coração e outra aos olhos, mostrando-se sensibilizada com aquele ato de generosidade.
-Esses jovens de Tokyo são umas almas tão caridosas... – ela comentou. O avô de Kagome balançou a cabeça afirmativamente.
-Nossa, Sesshoumaru-sama... – a mãe de Kagome pegou o dinheiro. – Vamos lá falar com elas... Não quer ir lá falar também? Acho que vão querer conhecê-lo!
-Não, mãe! – Kagome interferiu logo. – Precisamos cuidar de umas coisas aqui.
-Tudo bem, Kagome-chan. – a mãe sorriu. – Voltamos daqui a pouco... Já terminei mesmo de mostrar a casa para Yamada-san.
-Ok, ok...
Os dois respiraram aliviados quando, minutos depois, aquelas três pessoas saíram dali.
-Kagome? – Sesshoumaru a chamou.
-Sim?
-Sua mãe já foi guia turístico ou alguma coisa assim? – ele perguntou, fazendo a garota rir sem controle. – É sério! Ela passeou durante a tarde toda pela casa com aquela mulher e não se cansou...
-Ai, ai... – Kagome enxugou algumas lágrimas. – Vamos cuidar desse bolo, Sess...
Os dois olharam para ele durante um longo tempo.
-Tem alguma idéia? - os dois se perguntaram ao mesmo tempo.
Quinze minutos depois
-Pronto... – Kagome passou um braço na testa, enxugando o suor que tinha ali. Sesshoumaru, a seu lado, fez o mesmo. Os dois estavam sujos de açúcar, clara de ovos, confeitos e chocolate em pó, daquele tipo que é usado durante alguns cafés da manhã. A inscrição tinha sido cuidadosamente apagada com o chocolate em pó e com os confeitos coloridos, dando um aspecto alegre e colorido demais para um bolo de aniversário de um garoto.
-Missão cumprida. – o rapaz proferiu, pegando o bolo para levar para a sala onde seria servido. – Nunca pensei que desse tanto trabalho...
-Nem eu... Argh! – Kagome revirou os olhos e depois esticou os braços. – Quero uma semana de férias depois disso.
-Vamos logo começar isso. Abra a porta para eu passar.
-Sim. – ela abriu a porta e ele saiu da cozinha, seguido depois de Kagome e se dirigindo até a sala, onde viram Sango e Miroku brincando de roda com as crianças. Ao verem os dois com o bolo, o casal parou de brincar e pediu licença para as crianças para irem até eles.
-Tudo bem? – Sango perguntou.
-Dêem uma olhada. – Kagome apontou para o bolo depois que Sesshoumaru o colocou no centro da mesa, completando num tom alegre. – Conseguimos!
O casal olhou para o bolo curiosamente, arqueando as sobrancelhas.
-O que foi? – Sesshoumaru perguntou.
-Está tão... – Sango começou. – Colorido!
-Parece bolo de festa de palhaço... – Miroku comentou sério.
Kagome e Sesshoumaru estreitaram os olhos para os dois.
-Bem... – Sango começou, tentando parecer normal depois de receber aquele olhar dos dois. – Está na hora de se arrumar, né?
-Sim. – Sesshoumaru esticou os braços. – Quem vai tomar banho primeiro?
-Acho melhor você, Sess... – Kagome começou. – Está com um cheiro insuportável de desinfetante misturado com suor...
Sesshoumaru revirou os olhos.
Mais quarenta e cinco minutos depois:
-Feliz Aniversário, Souta-kun! – as crianças e Sango e Miroku, mais o avô de Souta e Kagome, a mãe destes e a senhora Yamada, ao lado de Hitomi, gritaram em coro para o garoto, abraçando-o carinhosamente. Depois disso, foi só festa e comida.
Logo depois que chegou a hora de comer, Sango e Miroku se aproximaram com dois pratinhos de salgadinhos e bolo de uma mesa. Abaixaram-se e levantaram a toalha.
-Tudo bem aí? – Sango perguntou apenas para Kagome e Sesshoumaru ouvirem, escondidos de duas senhoras que foram convidadas de última hora para a festa.
-Como eu ia saber, Higurashi? – Sesshoumaru continuava discutindo com ela.
-Não quero mais ouvir falar nisso. – ela respondeu, fria e calmamente.
-Tudo bem com vocês? – a voz da senhora Higurashi, acompanhada de duas senhoras, do avô de Kagome e da senhora Yamada fez Sango e Miroku baixarem o tecido da mesa rapidamente antes que pudessem ver o que tinha por baixo.
-Sim, sim. – Miroku falou depressa. – Sim, está tudo bem.
O casal ficou sem graça ao ver que a mesa se mexeu, provavelmente porque os dois amigos ainda brigavam.
-Tem alguma coisa embaixo da mesa.
-É o cachorro... – Miroku falou. – Está com medo de aparecer depois de ter sido tosado. – sentiu alguém pisando com força em seu pé e soltou um gemido de dor. Olhou para baixo e viu Sesshoumaru pressionando a mão com tanta força no pé do rapaz, que este julgou que eram quatro os cinco pés diferentes pisando ao mesmo tempo.
-Tudo bem, senhor veterinário? – a senhora Yamada perguntou.
-Hã... – soltou outra exclamação de dor ao sentir a perna doer. – Está sim... O cachorro me mordeu...
-Mordeu? – perguntaram todos ao mesmo tempo.
Sango apenas escutava, observando que Miroku estava mais angustiado em perceber que ninguém ia embora e ele perderia uma perna se continuassem ali.
-Sim... Ele vai precisar de uma vacina contra raiva agora. – Miroku tentou soltar a perna, mas não conseguiu. – Por favor, saiam de perto ou ele morderá vocês.
O grupo se afastou e lançava olhares assustados para os dois.
-Hã... – Sango começou. – Vocês podem ir. Isso não é interessante para vocês...
Assim que o grupo foi embora, Miroku saiu correndo e subiu as escadas rapidamente, percebendo que Sesshoumaru estava em seu encalço. Escondeu-se em um dos quartos, até que percebeu que a festa tinha acabado e que Sesshoumaru estava mais calmo depois que as vizinhas da família Higurashi tinham ido embora.
Antes de começar a festa, os quatro se arrumaram e tentaram acordar Rin, mas foi sem sucesso. Nem tentaram acordar Inuyasha, sabendo que ele não poderia ver a senhora Yamada ou arrumaria confusão na frente de todos. (acho que este parágrafo deveria ter vindo antes da festa começar.)
Mais quarenta e cinco minutos de
diversão depois, quase oito da noite:
-Até, Eiko-chan! – Sango acenava da entrada do Templo para uma menina que era levada embora pelo pai, a última criança, além de Hitomi, a ir embora da festa.
-Acabou, né? – Sesshoumaru falou, aproximando-se da garota ao lado de Kagome e Miroku.
-Ainda não. – Miroku falou. – Esqueceram de Souta e Hitomi?
-Não. – Kagome falou sorrindo. – Olhem ali. – ela apontou para um banco dos jardins do Templo.
Os três olharam para onde a amiga apontava e perceberam Souta e Hitomi sentados no banco, muito próximos um do outro.
-Vamos nos aproximar. – Sango falou, aproximando-se com os três silenciosamente do casal, perto o suficiente para escutar a conversa entre eles.
-O que você queria falar comigo, Souta-kun?
-Vamos, Souta. – Miroku falou. – Seja corajoso!
-Vai lá, Souta! – Sango fez torcida.
-Souta-kun, diga o que sente! – Kagome apoiava.
Sesshoumaru não falou nada e os três olharam para ele, pedindo a opinião.
-Diz logo, moleque, ou faço você falar à força! – Sesshoumaru falou depois que percebeu o olhar que os três lhe dirigiam. Os amigos estreitaram os olhos para ele, mas não falaram nada depois de escutar uma frase de Souta.
-Eu gosto de você, Hitomi-chan.
-Nossa! – Miroku comentou.
-Oh! – Sango levou a mão à boca.
-Souta! – Kagome prendeu a respiração.
Sesshoumaru não teve reação alguma.
-Eu também gosto de você, Souta-kun. – Hitomi falou para o garoto.
-Que lindo! – Sango e Kagome comentaram. Miroku comemorava e Sesshoumaru não comentou de novo.
Souta passou um braço pelo ombro de Hitomi e a aproximou para abraçá-la, causando espanto nos quatro que bisbilhotavam a cena.
-Ok, ok... – Miroku falou, tapando a vista de Sango e Kagome. – Hora de ir pra cama, meninas. Não é bom que moças decentes como vocês duas vejam uma cena dessas!
-Souta-kun, que ousadia! – Sango falou.
-Nunca esperava isso dele! – Kagome balançou a cabeça negativamente.
-Esse garoto será um anarquista quando crescer. – Sesshoumaru comentou.
O grupo ficou olhando para o casalzinho que se abraçou durante um longo tempo.
-Bem... Que tal arrumarmos o resto e irmos descansar depois? A senhora Higurashi irá levar a senhora Yamada e Hitomi para casa... – Sesshoumaru falou. Os três concordaram com a cabeça e depois foram para dentro da casa.
-Olhem só quantos brinquedos... – Kagome comentou quando passou pela sala que tinha caixas e caixas de brinquedos.
-Esse garoto deve ter a maior coleção de videogames do Japão. – Sango comentou.
-Olha! Batalha naval virtual! – Miroku comentou ao ver o cd de videogame.
Sesshoumaru subiu as escadas e foi direto para o quarto onde Rin dormia. Abriu a porta silenciosamente e ficou surpreso ao perceber que a namorada tinha acabado de acordar naquele instante, percebendo que ela esticava os braços e se sentava na cama.
-Oi... – ela bocejou e deu um sorriso para ele. Ela levantou-se e foi abraçá-lo.
"Vendo-a agora... Eu realmente sinto que preciso cuidar dela...", o rapaz pensou.
-Boa noite. – ele falou com outro sorriso. – Você perdeu a festa.
-Eu percebi. – ela falou. – Minha dor de cabeça passou... – ela encostou a cabeça no peito dele. – Nunca mais tomo esses remédios ou não acordarei mais.
-Eu acho uma excelente idéia. – ele comentou, abraçando-a forte. – Você sonhou?
O rapaz sentiu a garota apertar a cintura dele com força. O silêncio já durava quase um minuto quando ela respondeu:
-Não lembro o que sonhei. – ela levantou o rosto e sorriu para ele.
"Acho que ainda não é o momento para falar disso...nem dos pais, nem dos remédios..."
Os dois se abraçaram mais forte e, depois de minutos assim, se separaram.
-Vou dormir agora... Quer ler alguma coisa? Aposto que está sem sono.
-Vamos ficar neste quarto? – ela perguntou. – Este aqui não é o quarto de Kagome-chan?
-É... – ele olhou ao redor. – Depois falaremos com ela para saber onde ficaremos até amanhã, quando voltaremos para Tokyo. O que foi? – perguntou ao ver a garota tapar a boca para conter o riso.
-Sabe... – ela começou, sorrindo. – Acho que foi um sonho que tive... Sonhei que você e Sango-chan eram namorados...
Depois de alguns minutos em silêncio, Sesshoumaru falou:
-Você realmente precisa parar de tomar esses remédios.
Em outro lugar da casa, Kagome ia em direção do quarto da mãe, onde sabia que Inuyasha estava dormindo, ou pelo menos achava isso. Ficou surpresa ao entrar no quarto e perceber que a cama estava vazia.
-Inuyasha? – ela perguntou, entrando no quarto e procurando no escuro pelo interruptor. Parou ao sentir dois braços fortes envolverem-na pela cintura.
-Boa noite... – Inuyasha falou no ouvido dela.
Kagome virou o rosto e sorriu, não escondendo também uma certa surpresa ao vê-lo acordado.
-Sinto muito por não ter te acordado... – ela começou. – Mas você fez muita confusão com uma mulher que apareceria na festa.
-Já acabou? – ele perguntou.
-Sim. – ela falou, sorrindo. – Perdeu uma festa e tanto.
-Devo ter perdido, mas valeu a pena... Acordei na hora do "parabéns". – ele deu um sorriso enigmático.
-O quer ficou fazendo esse tempo todo? – ela perguntou quando sentiu os braços deles soltarem-na. O rapaz olhou para os lados e depois pegou um objeto que fez Kagome empalidecer quando reconheceu o que era.
-Olha só que coisa interessante que eu achei em cima do criado-mudo...
-Inu... Inuyasha! – ela falou num fio de voz. – Essas fotos são da minha infância! – ela tentou pegar o objeto da mão dele, mas o rapaz ergueu a mão, impedindo-a de tentar pegar.
-Sim, eu notei. – ele abriu com aquela mão uma das páginas e ficou segurando o álbum daquele jeito. – "Kagome-chan na praia aos oito anos"... Que gracinha...
-Inuyasha! – ela começou a zangar-se.
-"Kagome-chan no coral da escola aos dez"... "Kagome-chan no Tanabata Matsuri aos cinco anos"... Você fica linda de yukata. – ele falou, desviando o olhar do álbum e olhou com carinho para ela, fazendo a garota corar.
-Eu... eu... – ela começou. – Me dê esse álbum! – ela pulou para alcançá-lo, mas Inuyasha ergueu a mão ainda mais alto para que ela não conseguisse, deixando-a irritada.
Aproveitando uma distração dela, o rapaz rapidamente a puxou para perto de si com o outro braço, deixando-a surpresa e tomando rapidamente os lábios dela para si para beijá-los.
-No... Nossa... – ela murmurou depois que os rostos se separaram em busca de ar, começando a rir logo depois.
-Quero conversar com sua mãe. – ele falou, passando um braço pelos ombros dela e mostrando, com a outra, uma página do livro. – Quero uma foto dessas pra mim...
-Por quê? – ela perguntou curiosa.
-Porque são suas... – ele olhou ao redor. – Depois vamos lá falar com ela? – ele se afastou dela e foi desligar o rádio.
-Acho que ela não está aí... – Kagome falou. – Acredito que tenha levado a namoradinha de Souta para casa.
-Seria melhor se ela tomasse cuidado quando saísse. – ele falou, virando-se para ela e passando um braço pela costa dela para que pudessem sair juntos do quarto. – Liguei o rádio pra escutar música, mas não pára de falar num assalto que duas velhas sofreram... Parece que roubaram um bolo delas ou algo assim... mas parece ter acabado bem, um cara da caridade pagou pelo bolo que roubaram e por mais um que elas pudessem comprar...
Kagome não falou nada.
Na sala, Sango e Miroku jogavam videogame de batalha naval virtual.
-Odeio esses brinquedos modernos. – Sango resmungou para o noivo.
-Eu também. – ele falou num tom decepcionado. – Tão sem graça... – ele desligou o videogame e se virou para a noiva, que estava sentada a seu lado. – Sangozinha, sabe o que farei por você quando chegarmos a Tokyo?
-Irá arranjar um emprego decente? – ela perguntou inocentemente.
-Hã... Bem... – ele ficou sem jeito. – Não era exatamente isso que eu estava pensando...
-Não tem nada do que você estava pensando enquanto não arranjar um emprego decente.
-Pô, Sango... – ele falou.
-Sem papo, Miroku!
Em Tokyo, três dias depois, num sábado à noite, na casa de Sesshoumaru.
-Muito bem... – a voz de Sesshoumaru soou numa mesa. – Ataquem esse maldito que ousa pisar nas minhas terras do oeste.
-Sim, senhor! – foi a vez de Miroku. – Ataquem, tropas!
-Háháhá! – Inuyasha dava uma risada malign.a – Por acaso acha que uma tropa dessas vai conseguir me derrotar? Eu sou filho de um poderoso tainuyoukai!
Numa cena de batalha histórica, Inuyasha, segurando um boneco dos "Comandos em ação", derruba uma frota inteira que era comandada por Miroku.
-Ei, não valeu! – Miroku protestou.
-Maldito! – Sesshoumaru falou, pegando o boneco que segurava e colocando-o na frente. – Eu mesmo vou acabar com ele. Quando eu quero algo bem feito, eu mesmo o faço.
-Sesshoumaru-sama... Não... Não vá! – o boneco de Miroku falou numa voz moribunda.
-Cale-se! Está atrapalhando! – o boneco de Sesshoumaru jogou o de Miroku para longe da mesa.
-Que cara revoltado – Miroku falou, pegando o brinquedo e limpando-o com carinho.
-Muito bem, irmãozinho... – Sesshoumaru começou. – Nosso pai deixou essas terras para mim, não para você. Vou acabar com você se ousar pisar aqui de novo.
-Pode vir! – Inuyasha falou, desafiadoramente.
Uma sineta soou em outra mesa onde estavam Sango, Kagome e Rin, chamando a atenção dos que estavam envolvidos naquela batalha.
-O jantar já está pronto, Kagome-chan, Sango-chan. – a boneca de Rin falou para as bonecas que as amigas seguravam.
-Parece delicioso, Rin-chan. – a boneca de Sango falou para a boneca da amiga – Você sempre cozinha bem!
Sango e Kagome pegaram uns pratos de plástico que indicavam que eram a "refeição" de um conjunto de cozinha completo para crianças.
-Pausa para o jantar. – Sesshoumaru falou na outra mesa.
Os três se levantaram e foram para a mesa das garotas, onde foram bem recebidos por elas para que cada uma pudesse jantar com o "marido" das bonecas.
Próximo capítulo:
Kagome e Inuyasha acham que o relacionamento deles está esfriando, por isso decidem fazer uma terapia em outra cidade durante um feriado prolongado. Jikai Tokyo no Nendaiki: Kokoro wo tsunaide. Não percam!
"- Eu acho que deveríamos dar um tempo."
