Em Tokyo, no bairro do Tokyo Dome, na casa de Inuyasha.
Especificando ainda mais, no quarto de Inuyasha.
-Minha Kagome... – o rapaz sussurrou, abraçando a garota.
-Inu-chan... – ela falou com um sorriso, aproximando os lábios para beijá-lo.
O rapaz aprofundou ainda mais o beijo, começando a fazer mais carícias no corpo dela.
-Gosta disso, Kagome? – ele perguntou no ouvido dela, subindo a blusa que a garota usava e tirando-a depois.
-Sim... – ela olhou e sorriu para ele docemente. – Gosto de tudo... do meu Inu-chan... – Inuyasha a deitou na cama e começou a beijar o pescoço dela. Kagome deixou escapar um gemido e continuou. – E... do... E do Chibi-Inu...
Inesperadamente, Inuyasha parou de beijá-la, deixando-a surpresa.
-"Chibi-Inu"? – ele perguntou, estreitando os olhos.
-O que... O que foi? – ela perguntou.
Inuyasha se sentou na cama e apoiou o rosto entre as mãos, como se tentasse se consolar.
-"Chibi", Kagome? – ele perguntou, virando o rosto para encará-la.
-Qual o problema? – ela se sentou na cama e colocou uma das mãos no ombro dele.
-Por que "Chibi"? – ele perguntou.
-Eu não estou entendendo...
-"Chibi Inu"... Eu não tenho nada de Chibi!
-Mas... – Kagome arqueou as sobrancelhas, entendendo qual era a reclamação do rapaz – Ah, mas... – ela disfarçou um sorriso. – Eu quis dizer isso de forma carinhosa... Tipo... Chibi-Inu! – fez um gesto expansivo com as mãos.
-Ele não é Chibi! – o rapaz falou em tom irritado.
Kagome ajeitou a blusa, deitou-se na cama e puxou o lençol para cobrir-se.
-Estou com sono agora... Boa noite, Inuyasha.
-Ei, me explica essa história direitinho!
Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no junjou na omoi.
Kokoro wo tsunaide.
Crônicas de Tokyo: Nossos verdadeiros sentimentos.
Unindo Corações.
Disclaimer: (Takahashi Rumiko faz inveja para Shampoo ao mostrá-la o papel com a assinatura que garante os direitos autorais de Inuyasha apenas para ela. Shampoo tenta pegar.)
-Me dá, me dá, me dáááá!
Para Aya-chan
Kagome acordou e sentou-se na cama, percebendo que Inuyasha não estava ao seu lado. Não ficou nem um pouco surpresa: não era novidade aquilo acontecer.
-Se ao menos ele me desse um "bom dia". – levantou-se e arrumou-se, limpando o rosto com um lenço quando percebeu que estranhamente ele estava molhado. Sentia-se um pouco mal-humorada por considerar aquele ato de Inuyasha acordar sem ao menos dar-lhe um beijo ou algo assim bastante insensível e frio.
Terminou de arrumar-se e dirigiu-se para a casa ao lado, passando pelo portão da cerca de madeira, notando que estava aberto.
Entrou na cozinha pela porta dos fundos, vendo que seus amigos já estavam se servindo, notando inclusive que Inuyasha lá.
-Bom dia, Kagome-chan. – Rin falou à garota quando a viu na entrada. – Pode entrar e servir-se.
Kagome tirou as sandálias que calçava e entrou, sentando-se numa cadeira ao lado de Inuyasha.
-Bom dia, Kagome. – ele falou de praxe.
-Bom dia. – ela falou friamente, mas ele não pareceu notar.
A refeição transcorreu normalmente, sem grandes novidades para contar no momento. Miroku comia e passava os olhos na parte de empregos dos classificados. Sango fazia o mesmo ao lado dele, marcando alguns que achava que seriam bons para o rapaz. Rin e Sesshoumaru conversavam em voz baixa e pareciam estar muito entretidos para não se importarem com os outros ao redor deles. Rin encostou-se em Sesshoumaru e fechou os olhos de modo sonhador, escutando desse modo alguma coisa que ele falava a ela.
Observando os dois casais, Kagome percebeu que faltava alguma coisa em seu relacionamento com Inuyasha.
"Por que ele fica aí comendo e não me dá pelo menos um beijo?", ela pensou, espiando o rapaz ao lado com o canto dos olhos.
Por outro lado, Inuyasha observava como Sango e Rin agiam quando estavam ao lado do noivo e do namorado, respectivamente. Ele achava que Kagome também poderia ser tão carinhosa quanto elas. "Por que ela fica tão fria comigo?", ele pensou, espiando a namorada com o canto dos olhos.
A refeição terminou e quase todos se levantaram, menos Inuyasha e Kagome, concentrados demais em pensar no porquê de um não ser carinhoso com o outro e vice-versa.
-Vocês vão ficar aí até quando? – Sesshoumaru perguntou, assustando o pensativo casal. – Rin quer arrumar a mesa.
-Hã... Bem... Eu... – Kagome começou.
-Nós já vamos sair. – Inuyasha falou de repente, deixando a garota surpresa.
-Vamos?
-Sim. – ele falou sério.
-Ok, então. – ela falou ainda surpresa.
-Vou procurar emprego. – Miroku começou. – Posso pegar carona?
Inuyasha lançou um olhar furioso ao rapaz.
-O que foi? – Miroku perguntou assustado.
-Vou sozinho com ela. – Inuyasha respondeu.
Todos olharam curiosamente para o casal.
-Bem, então... – Miroku começou. – Vou me arrumar e sair.
-Também. – Sango falou, calçando os sapatos para ir até a casa ao lado. – Já vou também.
-Até mais pra vocês! – Rin falou alegremente.
-Tchau. – o casal saiu de mãos dadas e foi para a casa ao lado se arrumar, de onde saíram depois para fazer o dia.
-Eu também já vou. – Sesshoumaru falou, terminando de ajudar Rin a arrumar a mesa.
-Até mais tarde, Sess! – ela falou com um sorriso.
Inuyasha e Kagome reviraram os olhos quando viram Sesshoumaru se aproximar dela e dar um beijo apaixonado na namorada.
-Até mais tarde. – escutaram-no falar.
Inuyasha viu o irmão sair da cozinha com uma aparência serena. Kagome ficou com uma ponta de inveja ao ver Rin sorrindo consigo mesma.
-Já vamos sair também, Rin. – Inuyasha falou, preparando-se para sair da cozinha.
-Até mais tarde, pessoal. Vocês voltarão para o almoço, né?
-Sim. – o rapaz respondeu. Kagome ficou parada, apenas imaginando o que Inuyasha queria. – Kagome, vai ficar aí parada?
A garota estreitou os olhos e passou por ele, dirigindo-se ao quarto para arrumar-se. Inuyasha foi à casa dele para fazer o mesmo e, minutos depois, voltou à casa do irmão para buscar a namorada para saírem.
Meia hora depois:
Rondando pela cidade de carro, o casal não trocou uma única palavra durante todo o caminho.
"Por que ele não abre a boca? E pra onde diabos estamos indo? Ele ao menos podia pegar na minha mão em vez de agir com frieza comigo..." Kagome pensava, olhando chateada para os prédios que passavam rápido pela janela.
"Por que ela não fala comigo? E pra onde diabos eu a levarei? Tô gastando gasosa à toa... Será que ela ficaria chateada se eu pegasse na mão dela?", pensou Inuyasha, olhando-a rapidamente no mesmo instante que ela o olhou.
-Bem... – os dois começaram. Depois se calaram e ficaram em um silêncio sinistro.
-Vamos conversar? – os dois perguntaram ao mesmo tempo. Depois se calaram e mergulharam em outro silêncio.
-Inuyasha... – ela começou depois de ficar minutos em silêncio.
-S-Sim?
-Pra onde a gente tá indo?
-Ah... Bem...
-Sim? – ela perguntou. Os dois pareciam muito nervosos em ter aquela conversa.
-Pra onde você quer ir?
Kagome não conseguiu esconder uma enorme gota quando olhou para ele.
-Vamos pra... – Kagome começou. Viu um discreto motel ao lado de uma livraria e falou, apontando para o motel. – Que tal ali?
Inuyasha olhou para o local e achou que a garota apontava para a livraria.
-Não seria melhor irmos ali? – ele apontou para o motel e ela pensou que ele falava da livraria.
-Não, eu quero ir lá com você! – ela falou num tom de criança teimosa, apontando para o motel e fazendo-o acreditar que falava da livraria.
-Tá bom, então vamos pra lá.
Inuyasha estacionou o carro em frente à livraria.
Quinze minutos depois:
Em um silêncio mórbido desde que entraram na livraria, Inuyasha não parava de pensar:
"Por que ela tá fria comigo?"
"Carambaaaa, qual o problema dele? Inuyasha idiota!", ela pensava, lançando olhares furiosos ao rapaz. "Se ao menos ele me desse um beijinho, um carinho, um abraço..."
"Será que ela tá com raiva de mim? Será que ela vai ficar furiosa se eu tentar dar um beijo, fizer um carinho, der um abraço?"
-Kagome... – ele a chamou.
-Sim?
-O que veio ver aqui, afinal?
-Nada. – ela respondeu friamente.
-Vamos pra casa, então?
-Hã... Tá.
Dois minutos depois, o casal voltou para o carro, olhando discretamente para o motel ao lado.
Quinze minutos de silêncio depois, já dentro do carro:
Para quebrar aquele silêncio, Kagome resolveu começar uma conversa muito séria. E teria que ser naquela hora.
-Inuyasha?
-Sim? – ele perguntou num tom assustado.
-Sabe... – ela deu uma pausa para tomar coragem para falar, mas ele entendeu aquilo como uma pergunta.
-Não, não sei.
Kagome lançou-lhe um olhar furioso.
-O que foi? – ele perguntou na defensiva. – Eu realmente não sei!
-Inuyasha... – ela fechou os olhos e deu um longo suspiro antes de continuar. – Eu acho que nós deveríamos dar um tempo.
Inuyasha olhou para ela como se Kagome tivesse dito a coisa mais absurda do mundo.
-Cê tá brincando, né?
-Não, não tô. – ela redarguiu, séria.
-Kagome – Inuyasha teve que parar o carro para conversar melhor. –, de onde tirou essa idéia, meu amor?
-NÃO ME CHAME DE "MEU AMOR", IDIOTA! – a garota explodiu. – NÃO VÊ QUE NOSSA RELAÇÃO TÁ ESFRIANDO?
-ESFRIANDO, COMO? – ele resolveu gritar também. – VOCÊ QUE É FRIA O TEMPO TODO COMIGO!
Kagome arregalou os olhos e começou a agir como se tivesse sido acusada de um crime hediondo.
-Eu sou fria? Como pode dizer isso? Você nem ao menos acorda ao meu lado, muito menos me dá um beijo de "bom dia"!
-Eu não faço isso?– o rapaz exclamou, começando a irritar-se. – Eu tentei te acordar hoje com um e você me bateu, sua louca!
-Foi culpa sua!
-Minha culpa?
Uma leve batida no vidro assusto-os. Inuyasha abriu a janela e viu um policial apoiado no carro e olhando o casal curiosamente.
-Bom dia, senhores.
-O que tem de "bom"? – os dois perguntaram ao mesmo tempo.
-Muitas coisas. – o policial falou em tom irônico. – O sol está brilhando, o céu está azul, as flores desabrocham... E você está estacionado em lugar proibido. – completou com um sorriso sarcástico.
-Droga... – Inuyasha murmurou, ligando o carro.
-Ei, cara... – o policial falou ao ver aquela atitude irritada. Entretanto, não pôde completar quando o carro deu uma arrancada, quase o arrastando também.
-Eu acho que deveríamos dar um tempo. – a garota continuou depois que Inuyasha diminuiu a velocidade após aquela partida brusca. – Seria melhor pra pensarmos sobre nossa relação.
-O que cê tá dizendo é um absurdo. – Inuyasha exclamou, tentando controlar-se na direção – Você não pode...
-O que você acha, Inuyasha? – Kagome perguntou num tom angustiante. – Eu percebi que não estamos tão próximos desde que fomos pra Yokohama semana passada. – a garota começou a tremer e principiou a chorar. – Eu gosto muito de você, mas não acho que você goste de mim...
Inuyasha dirigiu em silêncio por vários minutos, até encontrar um lugar para estacionar o carro, para que pudesse conversar melhor com ela. Depois que estacionou e minutos depois, falou:
-Eu não quero isso... – ele começou. – Não quero dar tempo... para nós dois... – o rapaz ficou em silêncio, escutando a garota soluçar enquanto olhava para algum ponto interessante no horizonte. Ficou assim até que prestou atenção em um outdoor virtual. Leu com atenção e teve uma idéia com aquilo.
Tirando o cinto de segurança dela e puxando delicadamente para perto de si, ele tentava acalmá-la.
-Escute... que tal se... se viajarmos? – ele perguntou num tom compreensivo. – Seria bom... só nós dois... – beijou o cabelo dela e percebeu que ela parecia mais calma, pois parara de soluçar e o abraçava com força na cintura. – O que... O que você acha?
Kagome levantou o rosto para olhá-lo, deixando-o feliz em perceber que agora ela sorria, embora o rosto estivesse machado pelas lágrimas.
-Como... por que teve essa idéia?
-Tem uma propaganda ali desses spas para casais. – ele apontou para o outdoor que leu antes. – Não quer fazer uma comigo numa dessas cidades afastadas daqui?
-Eu... eu... – o sorriso se alargou. – Eu quero! Mas...
-Vamos procurar uma e depois arrumamos nossas coisas... – ele beijou tão apaixonadamente os lábios dela que a garota sentiu arrepios. – Não quero que fique com essas dúvidas... Por isso quero viajar hoje mesmo. Você aceita?
Kagome deu outro sorriso e falou:
-Sim!
Quase meio-dia:
-Muito bem... – falou Sango, tirando do forno uma travessa com alguma coisa muito esquisita e que cheirava mal. – Será que desta vez ficou bom?
Miroku, Sesshoumaru e Rin estavam na cozinha da casa do irmão mais velho. Depois que soube do que acontecera em Yokohama, Rin decidira ajudar a amiga a ensiná-la a cozinhar, o que estava sendo, há três dias, uma experiência muito macabra. Sango não aprendia nada e fazia um prato pior que o outro, e sempre um dos cinco – Inuyasha e Kagome também participavam, apesar de não estarem presentes no momento – tinha que experimentá-lo.
-Hã... – Rin começou. – Parece que saiu menos queimado desta vez...
-Quem vai provar agora? – Miroku perguntou, suando frio.
Sesshoumaru preferiu não se manifestar e ficar olhando assustado para o que Sango tinha feito.
-Miroku... – Sango parecia meio triste. – Você disse que ia provar desta vez, querido...
-Ah, é mesmo... – ele ficou sem jeito. – Mas estou sem fome...
-Miroku! – Rin o repreendeu. – Prove só um pouco! Sango-chan está se esforçando para aprender a cozinhar por você!
-Verdade, Sangozinha?
-Sim. - a garota sorriu para o noivo.
-Mas Rin-sama quer provar mais que eu... – Miroku puxou Rin para frente do prato e se afastou, mas não deu muitos passos depois de sentir uma energia maligna atrás dele. Virou o rosto e viu Sesshoumaru ameaçadoramente tentando defender Rin de ser forçada a comer aquilo.
-Prove, Houshi. – ele ordenou.
Miroku deu um suspiro e encarou uma Sango esperançosa, que aguardava ansiosamente por alguém que provasse o prato que fez com tanto carinho e dizer se pelo menos dava para digerir.
-Ok... – ele falou, pegando um par de hashi para provar aquela mistureba.
Todos os olhares se fixaram nele. O rapaz colocou a primeira porção na boca, deixando Sango muito feliz. Nesse exato momento, o celular de Sango tocou e ela atendeu, dando as costas para os amigos.
-Alôu? – ela fez um final prolongadocom um biquinho. – Sim? É ela. Ah…
Agindo com rapidez, Rin entregou um saco de papel para Miroku, que rapidamente cuspiu dentro o que fingiu comer, escondendo depressa no momento em que Sango virava-se para eles e dava um sorriso, voltando a falar depois com a pessoa na linha. Agindo novamente com rapidez, Miroku passou o saco de papel para Sesshoumaru, que o escondeu atrás de si quando Sango se virou de novo para pegar uma caneta para anotar alguma coisa na palma da mão. Quando a garota se virou pela terceira vez, Sesshoumaru atirou o que Miroku lhe passou pela janela, acertando em alguma garrafa ou vidraça.
-O que foi isso? – Sango perguntou, tapando o fone e olhando curiosa pela janela da cozinha.
-Odeio quando esses filhos do vizinho jogam pedras nas vidraças... – Sesshoumaru resmungou, dirigindo-se até a janela e vendo algumas garrafas de sake (vazias, felizmente) quebradas.
Sango continuou falando até que desligou o telefone, falando num tom alegre depois:
-Mais uma reportagem quentíssima! Agora estou atrás de um cara que diz ser terapeuta, mas na verdade é um sociopata.
-Nossa, Sangozinha. – Miroku falou impressionado. – Deve ser uma reportagem e tanto!
-Aposto que sim... Vou ganhar minha comissão depois... – ela sorriu e depois perguntou. – Como estava? Muito ruim?
-Hã... – o rapaz começou. – Estava um pouco salgado... Mas está melhorando!
-Verdade? – ela perguntou, dando um pulo de alegria. – Fico mais alegre!
-Estava muito bom sim, Sango-chan! – Rin falou, sorrindo. – Sesshoumaru e eu provamos, ele também gostou.
Sango olhou para Sesshoumaru.
-Né? – Rin perguntou para o namorado, sorrindo sem graça.
-Eu prefiro a comida de Rin, mas... – Sango baixou o rosto e o rapaz tratou de completar depressa. – Estava muito boa sim, só precisa tirar o sal...
-Vou tentar, vou me esforçar bastante! – Sango falou. – Mas isso aqui tá com um aspecto ruim... Rin-chan vai preparar alguma coisa melhor para comermos?
-Sim, sim. – a garota falou, dirigindo-se ao fogão e começando a arrumar a bagunça que tinha ali. Parou ao escutar o som de alguém chegando.
-Chegamos! – Kagome, carregando algumas sacolas, e Inuyasha falaram ao mesmo tempo, entrando na cozinha.
-Bem-vindos. – os presentes responderam.
-Que cheiro é esse? – Inuyasha perguntou.
-Por que esse monte de sacolas? – Rin tratou de perguntar depressa, tentando disfarçar na frente de Sango.
-O que é isso? – Kagome perguntou, pegando inesperadamente uma porção da comida de Sango e levando-a à boca antes que Rin, Sesshoumaru e Miroku pudessem impedir.
-Eu fiz. – Sango falou alegremente.
Quando Kagome cuspiu a comida, Sango teve uma crise de choro.
-Vocês falaram que tava bom... – ela choramingou.
-É o sal, Sangozinha, o sal... – Miroku tentava consolá-la.
-Tente outra vez, Sango-chan! – Rin falou, tentando acalmá-la também. – Vamos treinar mais vezes!
Quando Sango parou de chorar e ficou mais calma, as atenções ficaram voltadas para Inuyasha e Kagome.
-Pra quê tanta sacola? – Miroku perguntou.
-Vamos viajar esta tarde de novo pra Yokohama. – Inuyasha começou. – Vamos passar duas semanas lá num spa.
-Vocês vão fazer terapia pra lá? – Sesshoumaru perguntou, deixando o casal completamente sem graça.
-Esse papo de spa em outra cidade é a desculpa oficial pra casais que estão em crise. – Miroku comentou.
-Não estamos em crise! – Inuyasha protestou.
-É, não estamos! – Kagome tratou de protestar também.
-Só porque marcamos também com um terapeuta de lá, não quer dizer que estamos em crise! – Inuyasha falou em tom indignado.
-É só pra nos conhecermos melhor! – Kagome finalizou.
Depois de um momento de silêncio, Sesshoumaru falou:
-Mas não estávamos falando sério.
-Era só pra sacanear com a cara de vocês. – Miroku falou, deixando sem jeito o casal.
-Vocês vão pra onde? – Rin perguntou docemente.
-Pra um spa de massagens em Yokohama chamada "Kokoro wo Tsunaide" – Kagome respondeu, sentindo-se melhor em falar com Rin. – Só espero não encontrar minha mãe lá... Ou vamos passar o dia andando pela cidade como turistas... – ela deu um suspiro cansado.
-Ah, terapeutas... – Sango falou num tom sonhador.
-O que foi, Sango-chan? – Kagome perguntou.
-Vou investigar sobre um desses caras que abrem clínicas em outras cidades. Parece que ele é um sociopata.
Inuyasha e Kagome olharam para a garota ligeiramente assustados.
-Ah, mas não se preocupem! É lógico que não é o mesmo que vocês encontrarão por lá! As chances de terapeutas serem como Hannibal Lecter são mínimas! – Sango continuou, ainda tentando acalmá-los.
-Sango-chan tem razão, Kagome-chan. – Rin opinou. – Vocês podem ir tranquilos!
-Além disso, é bom ir pra esses lugares. – Sango falou. – Duas semanas longe de tudo nos ajudar a pensar mais em nossas vidas...
-Vamos viajar, Sangozinha? – Miroku perguntou, olhando carinhosamente a garota.
-Depois que você arranjar um emprego, Houshi-sama. – ela respondeu, docemente.
-Mas tão rápido? – Sesshoumaru começou. – Já arrumaram as coisas?
-Comprei algumas coisas. – Kagome mostrou as sacolas. – Vamos arrumar nossas malas e depois pegaremos o trem de hoje, às dezesseis e vinte e sete.
-Que legal, Kagome-chan. – Rin falou, batendo as palmas. – Espero que se divirtam bastante.
-Agora com licença. – Inuyasha falou, puxando Kagome para fora da cozinha. – Vamos nos arrumar e voltaremos pra almoçar depois.
Os dois já tinham saído quando, minutos depois, Inuyasha reapareceu e falou:
-O almoço não será feito pela Sango, né?
Miroku, Sesshoumaru e Rin lançaram-lhe olhares assassinos; Sango chorava e Inuyasha ficou sem entender o que aconteceu.
Chegada: 18:30 h.
Depois de uma viagem de meia hora e uma corrida de táxi, Inuyasha e Kagome chegaram à clínica. Os dois ficaram trocando olhares assim que se viram em frente à modesta casa, com um lindo jardim e piscina do lado oposto ao jardim.
-É aqui, né? – ele perguntou.
-Eu não conheço direito essas bandas... – Kagome falou com receio. – Espero que mamãe também não... Já pensou se ela vem aqui nos ver?
-Vamos entrar... – ele a pegou pela mão e segurou uma das malas na outra, o mesmo fazendo a garota, e começaram a andar, passando pela porta até chegarem à recepção, assustando-se ao verem quem era a atendente.
-Bom diiiia, queridos amiguinhooos. – ela falou numa voz doce e musical.
-AHHH! – Kagome apontou para ela e olhou para Inuyasha.
-Ela é... – Inuyasha apontou para ela e olhou para Kagome.
-Algum problema? – a atendente continuava sorrindo.
-Você... você é a Momiji daquela clínica veterinária? A enfermeira? – Inuyasha perguntou.
A garota continuava sorrindo e de olhos fechados.
-Não.
-Mas como...? – Kagome começou, mas não terminou.
-Acho que vocês estão me confundindo com a minha irmã gêmea. Eu sou a Botan.
-Ah... – os dois pareceram ter entendido.
-E como o senhor está? – Botan perguntou diretamente a Inuyasha.
-Hã?
-Você está bem? – ela perguntou de novo. – Da última vez não pudemos conversar direito.
-De que raios está falando? – Inuyasha perguntou um pouco tenso, sentindo a mão de Kagome apertar com força o braço dele. – Já nos conhecemos?
-Sim. – ela continuou sorrindo, não parecendo notar o literal aperto que Inuyasha estava sentindo. – Não se lembra?
Inuyasha estava quase para gritar ao sentir Kagome querer arrancar o braço dele.
-Vou pegar alguns formulários para vocês preencherem. – Botan saiu de trás do balcão e foi até um arquivo, retirando um monte de papel de lá.
-I–NU–YA–SHAAAA... – a voz de Kagome soava como os de fantasmas de filmes de terror super trash B.
-Ca-Calma, Kagomezinha! – Inuyasha implorou num fio de voz.
-De onde você conhece essa loura?
-Eu não... eu... não... – parou de falar de repente e Kagome pôde ver um brilho nos olhos dele. – Ah! Eu lembrei! – exclamou, batendo um punho na outra mão.
-De onde? – ela perguntou ainda mais ameaçadora.
-Lembra quando Sango e Miroku brigaram na época do Natal?
-Isso foi em outro fanfiction, Inuyasha! – Kagome agarrou a camisa dele e o sacudiu.
-Essas gêmeas foram as responsáveis!
-E como ela te conhece, seu safado? – a garota estava quase para deixá-lo sem camisa.
-O Miroku nos apresentou naquele dia que fomos ao supermercado pra fazer as compras do Ano Novo! Sesshoumaru também estava lá!
-Não meta seu irmão no meio! – ela o sacudiu com mais força. Por outro lado, Inuyasha se perguntava o porquê de uma garota de aspecto tão delicado quanto Kagome possuir uma força tão descomunal.
-Mas é verdade! Olha só! – ele apontou para uma tela invisível.
Play flashback
-Ah... oi, meninas... Botan, Momiji... - Miroku ficou sem jeito. -Estávamos falando de vocês...
-Verdade? – perguntaram as irmãs gêmeas e muito louras. Sesshoumaru e Inuyasha olharam Miroku interrogativamente.
-É verdade... e vocês... – ele pegou as duas pelos ombros, virando-as para olharem os dois irmãos. – Poderiam por favor dizer a estes dois cavalheiros o que eu fiz naquela noite que passei na casa de vocês?
-Naquela noite?- perguntou uma.
-Ah, aquela noite! - confirmou outra.
-Sim. – Miroku já estava perdendo a paciência por causa da lentidão dos pensamentos delas. – Poderiam contar a eles, por favor?
-Ah, foi muito divertido!
-Sim, foi muito divertido!
-Você nos divertiu bastante!
-Sim, nos divertimos bastante!
-E nunca tínhamos feito algo tão bom quanto aquilo!
-Sim, nunca fizemos! Foi nossa primeira vez!
-Ei... – Miroku gelou ao ver o rumo que as garotas levaram a conversa e o duplo sentido que ela estava sendo para os amigos que escutavam. –Não, meninas, digam o que foi...
Pause no flashback
-HÁHÁHÁHÁ! – Kagome dava risadas escandalosas, assustando até mesmo Inuyasha. – Passa mais... – deu outra risada. – Eu quero ver o resto...
Play Flashback
-Foi tão legal!
-Sim, foi muito bom!
-Esperamos fazer mais vezes, viu?
-Sim, nós três de novo! – a outra confirmou e elas foram embora.
-Ei, não vão ainda! Contem pra eles o que fizemos... EI! SESSHOUMARU! INUYASHA! – correu atrás dos irmãos ao vê-los irem embora.
Stop Flashback.
-Ai, ai... – Kagome enxugava as lágrimas. Depois ficou séria e falou, apoiando-se em Inuyasha. – Está perdoado.
-Obrigado. – ele falou já mais calmo depois de perceber que ela tinha soltado a camisa dele.
-Aqui estão os formulários. – Botan voltou para trás do balcão e jogou duas resmas de formulários, uma para cada um assinar.
Inuyasha e Kagome se entreolharam.
-Vejamos... Vocês já tinham reservas, né?
-Hã... Sim. – Inuyasha respondeu.
-Assinem os formulários, depois eu preencho com o nome de vocês.
Os dois ficaram desconfiados.
-Podem deixar os documentos aqui que depois eu os devolverei. Agora assinem. – Botan falava tudo com um sorriso de orelha-a-orelha.
-Tudo? – os dois perguntaram.
-Sim. – ela respondeu, deixando-os chocados. – Querem chá e biscoitos? – do nada, ela pôs uma bandeja em cima do balcão.
O casal trocou olhares e depois casa um deu suspiros desanimados. Depois tiraram os carimbos [1] do bolso para começarem a assinar.
Meia hora depois:
-Pronto. – os dois falaram ao mesmo tempo, acordando Botan, que dormia com a cabeça apoiada no balcão. Ela levantou-se num pulo, olhando para os lados muito assustada.
-QUÊ? QUÊ? ELES JÁ CHEGARAM? – Parou de falar e olhou para os dois, acalmando-se – Ah, são só vocês...
-Terminamos. E aqui estão nossos documentos. – Inuyasha falou, entregando os documentos dos dois.
-Muito obrigadinhaaaaa. – Botan voltou a assumir a postura de simpática atendente com voz musical. Depois abaixou-se e pegou duas chaves. – Aqui estão as chaves do quarto. Vocês ficarão no 501.
-Obrigada. – os dois falaram.
-Amanhã começará a terapia com o doutor Ginta.
-Ginta? – os dois perguntaram, tentando lembrar o nome.
-Olá! – alguém falou atrás deles, assustando-os e fazendo-os gritarem.
O casal olhou para trás e viu um rapaz sorrindo-lhes simpaticamente.
-Ginta? – os dois falaram.
-Sim?
-Como é que você tá, cara? – Inuyasha perguntou, colocando a mão no ombro do rapaz como se fossem velhos camaradas. Ginta olhava para a mão, para o ombro e depois para Inuyasha.
-Desculpe, mas eu o conheço?
Inuyasha e Kagome se entreolharam pela sétima ou oitava vez desde que chegaram ali.
-Hã... Doutor... O senhor tem algum irmão gêmeo?
Ginta continuou sorrindo.
-Não.
-Então...? – Kagome começou.
-Amanhã começaremos a terapia. Espero pontualmente por vocês em minha sala às nove horas. Boa noite. – saiu da recepção tão subitamente quanto chegou.
-Aqui estão os documentos. – Botan resolveu assustá-los também. –Já podem levá-los. Já preenchi tudo!
-Obrigada. – Kagome agradeceu.
-Ei, menina... – Inuyasha começou, apontando para a direção que o médico tinha tomado. – O nome dele é Otome Ginta, né?
-Sim. – Botan respondeu prontamente.
-Mas... – Kagome não sabia nem o que dizer.
-Nós o conhecemos, mas ele não? – Inuyasha perguntou, admirado.
Botan fez a primeira expressão séria desde que os dois chegaram ali.
-O doutor Ginta acabou de voltar de uma viagem que fez ao Egito. – o casal arregalou os olhos. – Parece que ele sofreu uma decepção amorosa... Com a noiva dele, algo assim. – ela deu um suspiro triste. – Não sei o que aconteceu direito, mas parece que foi por causa disso que ele resolveu criar esta clínica para ajudar casais em crise. – não percebeu o olhar furioso que os dois a lançaram ao escutarem a palavra "crise". – Bem-vindos ao "Kokoro wo tsunaide"!
O casal pegou as chaves e as malas, depois os dois foram para o quarto.
Primeiro dia: conversas.
-Bem. – Ginta tinha o olhar sério e as mãos cruzadas de modo elegante, apoiando uma perna sobre o joelho e sentado numa poltrona. – Vamos começar com você. – apontou para Inuyasha.
-Eu o quê? – ele perguntou, sentado ao lado de Kagome e de frente para Ginta.
-O que estão enfrentando neste momento?
-Ela diz que nosso relacionamento tá esfriando!
-E é verdade! – ela enfatizou, nervosamente.
-Mas não é verdade!
-É!
-Não é!
-É!
-Não é!
Inuyasha recuou ao ver Kagome levantar a mão para bater nele.
-Não tá frio, tá congelado. – ele tratou de completar para não apanhar dela.
Ginta observava tudo em silêncio e anotava algumas coisas num caderno. Ao ver aquela reação de Kagome, ele falou calmamente:
-Senhorita Higurashi, acalme-se.
-Eu tô calma. – ela respondeu, fazendo Inuyasha olhar para ela assustado. – Mas será que o senhor poderia me prescrever um antidepressivo?
Segundo dia: Mistério.
-Caramba... – Inuyasha murmurou enquanto passava bronzeador nas costas de Kagome.
-O que é, Inu? – ela perguntou, tirando os óculos escuros da vista para poder vê-lo melhor.
Os dois estavam descansando próximos à piscina da clínica e não havia uma única alma viva além deles, do doutor e da recepcionista.
-Eu acho estranho sermos os únicos aqui. – ele começou. – Será que estamos seguros?
-Eu também acho... Onde foi que arranjou o endereço daqui?
Inuyasha baixou o rosto para não olhá-la e hesitou na hora de responder. Kagome percebeu e tratou de pressioná-lo da forma mais delicada que conhecia: puxou uma das mechas do cabelo dele.
-Ai ai ai ai aiiiiii!
-Onde foi, Inuyasha?
-Com o Hachi! Foi culpa dele! Eu fui procurá-lo quando cê fazia aquelas compras!
Kagome soltou o cabelo e o olhou tão horrorizada que Inuyasha chegou a pensar que a namorada teria um colapso cardíaco ali mesmo.
-Como você... Como você pôde? – ela finalmente perguntou. – Aquele homem é doido, Inuyasha!
-Calma, Kagome! – ele recuou ao vê-la tão alterada.
-"Calma", uma vírgula! Vamos sair daqui agora mesmo!
-Mas eu paguei pra passar duas semanas aqui... – ele começou em tom de criança birrenta, mas ficou assustado ao ver Kagome assumir uma expressão assassina.
-I–NU–YA–SHAAA! – ela falou num tom assustador.
-Tá, tá! – ele concordou, acenando com a cabeça um "sim" para enfatizar o que dizia.
-Vamos lá. – ela enrolou-se num roupão e levou Inuyasha, também de roupão, pelo braço até a recepção. Ao chegarem, notaram que Botan não estava.
-Tá vazio... – ele comentou, estranhando aquele fato.
-Inuyasha , espere aqui por Botan. Vou procurar o Ginta.
-Sim. – ele foi para trás do balcão e brincou de atendente. – Em que posso ser útil, madame? – ele perguntou, tocando na sineta do balcão.
-Aproveita que tá aí e procura por aqueles documentos que preenchemos.
-É pra já! – ele tocou a sineta e abaixou-se para procurar o que a namorada pediu, voltando logo depois com as resmas que assinaram. – Aqui está. – e tocou a sineta mais uma vez.
Kagome se pôs a ler alguns daqueles papéis enquanto Inuyasha tocava a sineta de cinco em cinco segundos. Esperou pacientemente que ele cansasse daquele brinquedo, mas vendo que ele não pararia, ela falou num tom frio para esconder a irritação que sentia:
-Sabe onde vou enfiar esse troço se não parar de tocar agora?
Inuyasha parou hesitante centímetros antes de tocá-la, encolhendo a mão e baixando o rosto. Kagome voltou a examinar os documentos.
-Que estranho... – ela falou. – Assinamos até um papel de herança...
-QUÊ? – Inuyasha deu um pulo da cadeira onde estava.
-Isso aqui tá tão... – Kagome parou e levou a mão à boca, tentando conter um grito.
-O que foi?
-Eu acho que... – torceu as mãos em sinal de nervosismo. – Será que isso tem relação com aquele maníaco-terapeuta que Sango-chan está investigando?
-Mas ela mesma disse que as chances são mínimas!
-Ela também disse que aprenderia a cozinhar e as chances dela aprender também são mínimas, sabia? – Kagome falou muito mal-humorada.
-Bem... Eu devo dizer o mesmo de você. – ele falou hesitante, escondendo-se atrás do balcão depois de receber um olhar furioso dela.
-Inuyasha, espere por Botan aqui e veja o que consegue arrancar dela. Rasgue esses documentos por causa das nossas assinaturas! – ela começou a afastar-se dele.
-Ei, aonde você vai?
-Vou arrumar nossas malas. Vamos embora daqui.
-Não vamos nem nos despedir do Ginta?
-E se Ginta for aquele maníaco?
-Você tem idéia que o que tá dizendo é ridículo? O Ginta, um maníaco? Ele é tão bobinho que acreditou naquela história que a rainha Nefertite era a Rin!
Kagome conteve uma risada. A lembrança daquela história ainda provocava-lhe uma incrível vontade de rir.
-De qualquer forma, vamos sair daqui e depois pegaremos o primeiro trem pra Tokyo.
-Mas e a nossa cara quando chegarmos lá em casa? Eu não quero que Sesshoumaru ou Miroku fiquem rindo de nós e...
-INUYASHA! – Kagome estava para perder o que restava da paciência.
-Tá bom, tá bom! – ele se encolheu de novo.
-Volto já. – finalmente ela conseguiu sair dali para ir arrumar as malas.
Andando pelos silenciosos corredores da clínica, Kagome fazia mil conjecturas sobre o que realmente estava acontecendo ali. Por que Ginta não os reconheceu? O que Botan fazia ali? E por que eram os únicos naquele lugar?
Foi pensando nessas e em outras coisas que ela passou em frente ao quarto em que tinha a placa "Doutor Ginta". E ficou surpresa ao ver que não estava trancado.
Receosa pelo que ia fazer e também muito curiosa, ela resolveu entrar para pôr Ginta contra a parede. Finalmente esclareceria tudo.
Entrou no quarto e levou um susto ao ver, em outra parede, dezenas de televisores com videocassetes ligados, todos passando imagens dela. Viu, em uma delas, cenas dela e de Inuyasha chegando; em outra, dela na hora da terapia, em outra...
-Olá, Kagome-sama. – alguém falara atrás dela. Assustada, ela virou-se depressa e levou um das mãos ao coração para controlar as batidas.
-Ginta? – ela falou depois de tomar fôlego. Deu uma risada sem graça e apontou para a TV. – O que é isso?
-É uma televisão. – ele respondeu com um sorriso.
-Eu sei que é, mas... – ela deu outra risada. – Por que todas estão passando vídeos sobre mim?
-Porque você é uma pessoa que merece tudo isso. Você é a reencarnação da minha rainha Nefertite Kagome XVII.
Kagome olhava incrédula para ele e para as TV's.
-Há vídeos seus acordando, dormindo, fazendo exercícios e até trocando de roupa. – ele falava sem deixar de sorrir.
-QUÊ? – desta vez, a garota localizou a TV que mostrava um vídeo dela trocando de roupa. Arregalou os olhos ao ver a cena e grudou a cara no televisor como se quisesse ver se aquilo era de verdade mesmo.
-Kagome, eu amo muito tudo isso... em você! – Ginta falou atrás dela, unindo as mãos em cima do coração e com uma expressão sonhadora e abobalhada no rosto.
A garota se virou ao escutar aquilo e encará-lo, ao mesmo tempo em que viu, grudado na parede atrás dele, um cartaz com a foto de Ginta com a palavra "PROCURADO" em letras garrafais.
Durante a semana em que Inuyasha e Kagome estavam fora, Sesshoumaru, Rin e Miroku foram as cobaias das estranhas refeições que Sango preparava, mentindo sobre o sabor delas e jogando fora o que fingiam comer escondido dela. Quando Sango descobriu, ficou furiosa e começou uma discussão com os três, que deram desculpas dizendo que realmente estava melhorando. Sango, porém, não acreditou.
-Vocês nem ao menos comeram! – ela exclamou, arrumando furiosamente os talheres .– Como podem saber?
-Sangozinha, somos seus amigos. – Miroku começou. – Você não acredita no que dizemos?
-Ok... – Sango começou. – Vou precisar sair pra fazer essa reportagem do maníaco-terapeuta-sociopata, mas se não comerem, logo surgirá a maníaca-repórter-psicopata.
Os três, sentados à mesa da cozinha da casa de Sesshoumaru, suaram frio.
-Sango-chan... – Rin começou, mas se agarrou a Sesshoumaru quando viu a amiga pegar uma faca e brincar com o objeto em frente a eles, além de empurrar outro prato de aspecto grotesco para frente deles.
-Comam! – Sango ordenou.
Os três hesitaram.
-Co-mam... – Sango ordenou numa voz musical.
Os amigos pegaram uma porção, enfiaram na boca e mantiveram-na fechada.
-Engulam. – ela falou, passando o dedo sobre o fio de corte.
O grupo pareceu engolir.
-Abram a boca. – ordenou.
Quando os três abriram a boca, Sango ficou emocionada ao ver que os amigos realmente tinham engolido.
-Puxa, pessoal... – ela falou numa voz embargada. – Desculpe ter duvidado de vocês.
-N-não... – Miroku falava numa voz engasgada. – Não se preocupe com isso, Sangozinha.
-Eu estou tão... – Sango estava tão emocionada que tinha os olhos marejados, levando a mão ao peito para controlar o coração acelerado.
-Não diga mais nada, Sangozinha – Miroku continuou, assumindo uma coloração esverdeada. – Vá trabalhar, querida.
Sango deu um beijo em Miroku e abraçou Rin e Sesshoumaru. Depois pegou a bolsa e saiu da casa pela porta dos fundos. Porém, segundos depois, voltou a aparecer na cozinha apenas para dizer:
-Adoro vocês. – e saiu de novo.
Assim que ela foi embora, os três correram para a lixeira mais próxima para cuspir o que tinham deixado escondido na boca.
Continua...
Próximo capítulo:
Depois de descobrirem a verdadeira identidade de Ginta, o maníaco-terapeuta, Kagome e Inuyasha empreendem uma fuga de Kokoro wo Tsunaide com a ajuda de Botan, a recepcionista com mania de perseguição, sentindo a necessidade de se apoiarem e de compreender o que realmente sentem um pelo outro. Jikai Tokyo no Nendaki: "Aishite'ru... Zutto.". Não percam!
"-Ore wa... omae o... aishite'ru… zutto."
[1] Os japoneses costumam usar carimbos na hora de assinar documentos.
-O Ginta daqui é o mesmo Ginta de "Four Seasons", o fanfiction antecessor a este. Lá era erroneamente grafado como "Jinta". Ninguém me avisou que "Jinta" é como a versão dublada chama o coitado... Aliás, preciso fazer uma revisão daquilo urgentemente! (eu posso ajudar rsrsrs)
-Momoji e Botan também são de "Four Seasons".
-"Chibi" significa "pequeno". Quem não sabia, agora leia novamente o começo para poder rir.
