Na sala da casa de Sesshoumaru, Rin assistia a um filme.

-Não... Não diga isso pra ela... – Rin chorava e mordia a ponta de um lenço. – A coitadinha vai morrer...

De repente, o telefone tocou e Rin teclou no "MUTE" para poder escutar quem estava falando.

-Oiiiiiiii? – ela atendeu, alegremente.

-RIN-CHAN! – Kagome deu um grito.

-Kagome-chan! – Rin pulou do sofá, sentando-se depois. – Como está o spa?

-RIN, RÁPIDO! CHAME O SESS - -

Neste momento, Rin afastou o telefone da orelha para falar com Miroku, que gemia alto quando passou pela sala.

-Miroku-sama, está mesmo melhorando?

O rapaz pôs a mão em um dos lados da barriga, fazendo uma careta de dor.

-De verdade... Sesshoumaru-sama não seria tão cruel a ponto de me dar remédios errados... – ele falou, jogando-se de frente no outro sofá como se estivesse desmaiado. – Não quero comer nada que Sango faça hoje!

Rin escondeu um sorriso sem graça ao ver Miroku sofrendo tanto por causa da comida feita pela noiva. Voltou a pôr o telefone junto ao ouvido para conversar com Kagome.

-Sim, Kagome-chan?

Escutou apenas o som de que a ligação tinha caído.

-Que estranho... – Rin falou, recolocando o fone no gancho. – Acho que caiu...

-O que foi? – Miroku perguntou com a voz abafada pelas almofadas que tinha no rosto.

-Kagome-chan ligou, mas depois a ligação caiu.

-Que filme é esse? – Miroku perguntou, sentando-se no sofá e fazendo mais uma careta.

-"Laços de Ternura" – Rin voltou a apertar no "MUTE" e se concentrou no filme de novo. – Não, por favor... – mordeu a ponta do lenço e chorava em cascata. – É tão triste... – cobriu o rosto com as mãos. – Tããããão triste ... Esses filmes ocidentais me deixam tão triste...

-Muito bem, Rin-sama. – Miroku mudou repentinamente do canal de filmes para o de desenhos animados, recebendo um olhar furioso da garota. – Nada de depressão, Prozac ou algo assim. Crianças alegres e maravilhosas como você devem ficar sempre sorrindo.

-Sesshoumaru-sama te pôs pra me vigiar? – ela perguntou, estreitando os olhos.

-Caso não tenha percebido, todos nós estamos te vigiando desde aquela história dos comprimidos.

Na tevê, o anime que passava foi interrompido por um noticiário de emergência apresentado por Sango, chamando a atenção dos dois.

-Olha só, é a Sango-chan! – Rin exclamou, batendo as palmas com alegria.

-Grande Sangozinha! – Miroku exclamou.

"-Interrompemos este programa para um noticiário de emergência" Sango começou, sorrindo para os telespectadores.

-Go, go, go, Sango-chan! – Rin fazia torcida no sofá.

-Ela parece mais sexy na tevê. – Miroku comentou num tom sonhador, fazendo Rin olhar desconfiada para ele e afastar-se do rapaz.

No noticiário, Sango ainda sorria quando recebeu o papel que deveria ler ao vivo, murmurando um "obrigada" à mão que estendeu e apareceu na tevê – e ainda acenou, diga-se de passagem – para entregar-lhe o papel. A garota não parava de sorrir e graciosamente colocou os óculos de leitura para transmitir a notícia.

"-A polícia já localizou o paradeiro do maníaco-sociopata que se fingia de terapeuta e enlouquecia todos os pacientes."

À medida que lia o comentário, o sorriso no rosto de Sango morria.

"-A polícia já localizou o paradeiro de Ginta Otome, de 23 anos, em Yokohama, fingindo-se de terapeuta em um bairro afastado da cidade..."

Miroku e Rin se entreolharam ao escutar o nome do rapaz. Sango forçava um sorriso.

"-A polícia irá invadir o local daqui a pouco, e pede a todos de Yokohama que tenham parentes internados na clínica dele para salvar a vida de seus entes queridos. E o nome da clínica é... KOKORO WO TSUNAIDE?"

Os dois que estavam na sala olhavam boquiabertos para a tela, encontrando coincidentemente o olhar arregalado de Sango, que ao gritar o nome da clínica, pulou da cadeira e fizera os óculos saltarem do rosto e atingir a um cameraman, escutando quem assistia a notícia um ruidoso "AI" antes da vinheta aparecer novamente e o noticiário dar lugar ao anime que passava antes.

Meia hora depois, Rin e Miroku ainda olhavam boquiabertos para a tela, completamente petrificados.


Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no junjou na omoi.

Aishite'ru... Zutto.

Crônicas de Tokyo: Nossos verdadeiros sentimentos.

Amarei você... Para sempre.


Disclaimer: Eu não gostaria que a série fosse minha para ter que pagar aqueles milhões de ienes que Takahashi-sensei paga ao imposto de renda.

Para Lily-chan.


Em Yokohama

-INUYASHA! – Kagome apareceu visivelmente apressada, nervosa, suada, descabelada e com o roupão sujo na recepção, onde Inuyasha conversava calmamente com Botan, que acabara de aparecer ali e conversava com o rapaz sobre tinturas de cabelo.

-Kagome... o que foi? – o rapaz escondeu uma tintura dentro do roupão que usava e foi correndo até ela. – Por que está...?

-É O GINTA! É O GINTA AQUELE MANÍACO QUE SANGO-CHAN TÁ INVESTIGANDO!

-Mas... mas...

-Eu tentei ligar lá pra casa, mas ele cortou a ligação e tive que fazê-lo desmaiar usando o aparelho do telefone. – ela tomou fôlego. – Vamos fugir daqui, vamos pra casa! Ele tá doido, Inuyasha! Ele disse que tá apaixonado por mim e...

-O QUÊ? – o rapaz perguntou, já sentindo o instinto de namorado ciumento despertar. – Eu vou lá ter uma conversinha com ele, ah, se vou!

-Inuyasha, ele tá armado com uma faca! – ela puxou o rapaz pelo roupão que usava. – Vamos logooooo!

-Mas, mas...

-Vocês precisam assinar estes papéis! – Botan falou de repente, mostrando outra resma de formulário idêntica as que Inuyasha destruíra. – Depois devolva-nos as chaves e...

-Se liga, menina! O cara tá armado e vai te matar também. – Kagome falou, furiosamente.

-QUÊ? ARMADO? QUEM? COMO? ONDE? POR QUÊ? – Botan começou, olhando para os lados. – NÃO DEIXEM QUE ME PEGUEM! – ela se escondeu debaixo do balcão e ficou quieta. Kagome e Inuyasha evitaram comentar sobre aquele ataque de histeria.

-KAGOME! - Kagome arregalou os olhos ao escutar Ginta gritar. – KAGOME-CHAAAAN! ONDE VOCÊ ESTÁ?

-Esse cara ainda tá acordado? – Kagome olhou em direção do corredor pelo qual viera. – Inuyasha, pelos deuses, vamos embora e...

-Vá pra baixo do balcão. – Inuyasha ordenou. – Não saia de lá! Vou conversar com esse cara e ver o que aconteceu com ele depois daquela confusão do Ano Novo.

-Mas...

-Kagome, eu NÃO vou deixar ele te pegar! Confie em mim!

A garota fez um sinal afirmativo com a cabeça.

-"Num" tem vaga aqui! – Botan falou de lá do balcão.

-Ah, mas vai ter. – Inuyasha levou a namorada ao local e empurrou a namorada lá para baixo no momento em que Ginta surgiu na recepção saindo do corredor, este passando a mão na cabeça como se quisesse aliviar a dor que sentia numa região.

-Olá... – o "médico" falou. – Você é novo aqui?

-Sim, estou trabalhando na recepção. – Inuyasha falou com a cara mais inocente do planeta. – Botan saiu de férias e eu entrei no lugar.

-Estão pagando hora extra também e os tíquetes?

-Ah, sim... Er... Isso também.

-Você viu uma garota de cabelos negros usando roupão passar por aqui?

-Ah... Infelizmente eu não posso ajudá-lo com essa informação, doutor, eu não a vi... – o rapaz deu outro sorriso amarelo.

-Oh. Que pena.

-Por que deseja falar com ela?

-Bem... eu gostaria de matá-la, se é que me entende. – Ginta falou num tom calmo, mostrando uma enorme faca pesqueira e passando a mão nos cabelos revoltados.

Uma gota apareceu no rosto de Inuyasha, este escutando também um gemido de Kagome.

-Hã... – Inuyasha pigarreou e piscou várias vezes para ter certeza de que não estava sonhando, além de tentar manter a calma. – Eu estou muito curioso em saber o porquê...

-É que... Bem... Eu fui pro Egito procurar minha ex-noiva, mas parece que ela já morreu de um ataque alérgico de gatos... Aí eles me falaram que se eu voltasse pro Japão e procurasse por alguma outra mulher, eu poderia viver mais feliz.

-Isso é... muito interessante, mas... – Inuyasha pigarreou de novo. – Mas por que quer matar a garota?

-Porque ela disse que não gostava de mim. E lá no Egito, os caras da seita falaram que se isso acontecesse, era pra eu matá-la e oferecer o sangue à minha ex-noiva, a rainha Rin Nefertite VIII.

Inuyasha cruzou os braços e assentiu com a cabeça, indicando que compreendera a história.

-Mas você não acha um desperdício? Quer dizer... Há tanta mulher por aí pra matar e você quer cortar logo essa?

Inuyasha sentiu baque violento na perna feito por Kagome, que não gostara daquele comentário.

-Não só ela, mas também qualquer outro que tenha intenções de se aproximar dela e estiver apaixonado. – Ginta respondeu, olhando para os lados para ver se avistava a garota.

Inuyasha continuava de braços cruzados e olhou para o teto, assobiando disfarçadamente, não ousando olhar para baixo para receber o olhar assassino da namorada.

-ATENÇÃO, ATENÇÃO! A POLÍCIA ESTÁ NA ÁREA E CERCANDO TODA A PROPRIEDADE... – uma voz metalizada pelo megafone indicou que a polícia estava ali.

Ginta olhou apreensivo para fora da propriedade.

-ATENÇÃO, A POLÍCIA ESTÁ NA ÁREA... – repetiu a voz.

-Droga... Escute... – Ginta falou. – Acho que é melhor que vá para uma outra agência pedir emprego. Devem oferecer um que pague também o vale-transporte.

Uma gota surgiu no rosto de Inuyasha e este viu Ginta sair de perto da porta e ficar no meio da sala.

-Fique calmo, doutor. Eles não vão machucá-lo. – Inuyasha falou.

-Inuyasha, será que vão atirar na gente? – Kagome sussurrou para que só ele escutasse. Ao lado dela, Botan tremeu ao escutar "polícia" e "atirar".

-Claro que vão atirar! Eles sempre atiram, né? Atiram, matam... Ah, miseráveis... – ela murmurava, encolhendo os joelhos.

-Fiquem calmas! Vão nos tirar daqui... – Inuyasha falou em tom baixo para que só elas escutassem.

-Nunca irei sair daqui. - Ginta afirmou. – Só me matando.

-SE NÃO SAIR EM CINCO SEGUNDOS COM AS MÃOS PARA O ALTO, A POLÍCIA IRÁ DETONAR A BOMBA QUE HÁ AÍ DENTRO.

-HEEEEEEEEEEEEEEIIIIIIIIN? – Kagome e Botan saíram de trás do balcão e os três exclamaram juntos.

-"VUMBORA", ROCKETS! – Ginta gritou, jogando uma bomba de fumaça no chão e desaparecendo no meio dela.

-Cara, aquilo não era de um anime? – Inuyasha perguntou, arregalando os olhos para a súbita desaparição de Ginta.

-CINCO...

-Vamos sair daqui! – Inuyasha gritou, puxando Kagome e Botan pelo braço e correndo para fora da recepção e indo para o jardim.

-QUATRO...

-Corram, corram! – o rapaz falava, ajudando as garotas atravessarem o jardim.

-TRÊS...

Botan escorregou e Kagome a ajudou a levantar-se. Estavam ainda na metade do jardim, quase próximos da piscina.

-DOIS...

-DROGA, NÃO VAMOS CONSEGUIR! – Inuyasha gritou, furioso.

-UM...

-INUYASHA! – Kagome gritou, olhando para o rapaz e percebendo que morreria ao lado dele, da pessoa que amava.

-PRA PISCINA! – o rapaz ordenou, jogando as duas dentro d'água para protegê-las da explosão e pulando depois.

Silêncio.

Os três tiraram as cabeças da água e viram que ainda estava em silêncio, voltando a mergulhar.

Mais silêncio.

Saíram da água de novo.

-CHEFE! – uma outra voz metalizada por estar próxima ao megafone soou. – UM POLICIAL VIU GINTA FUGIR PELA CHAMINÉ HÁ DEZ SEGUNDOS!

-DROGA! POR QUE O IDIOTA NÃO DEU O ALARME? ACHAVA QUE ERA O DE PAPAI NOEL?

-NOSSA, SENHOR, COMO O SENHOR SABIA DISSO? O POLICIAL IA CORRER PRA PEDIR PRESENTES, MAS PERCEBEU DEPOIS QUE ELE FUGIU...

-É CLARO QUE ELE FUGIU, ANTA! AFINAL, QUEM FOI QUE INVENTOU ESSE PAPO DE BOMBA? O CARA NEM ACREDITOU!

-MAS, CHEFE, FOI O SENHOR MESMO QUEM SUGERIU...

Um tiro soou e um grito do pobre rapaz foi ouvido.

Kagome e Botan tinham expressões demoníacas no rosto. Inuyasha se limitou a falar um palavrão cabeludo ao infeliz que fizera aquela brincadeira.

Dez minutos depois.

-Eu não acredito que ela não abria pelo lado de fora! – Kagome reclamava.

Os três, molhados e com os cabelos desalinhados, já estavam do lado de fora da propriedade. Depois de escutarem a polícia sair dali e ir atrás de Ginta, tentaram entrar de novo na casa, mas a porta era com tranca automática e abria apenas com o controle, que ficara dentro da sala. Forçosamente, tiveram que desistir da vontade de levar o resto das roupas que tinham lá, ficando apenas com as do corpo e uma roupa de banho masculina e feminina que estavam na beirada da piscina. Para a sorte de Inuyasha, os documentos dele e a bolsa de Kagome também estavam lá.

-E agora?

A pergunta mestra de situações complicadas foi feita por Kagome, olhando para Inuyasha que conferia os documentos.

-Vamos pegar um trem para Tokyo, oras... – ele falou visivelmente mal-humorado.

-Eu NÃO vou entrar num trem só de roupão, Inuyasha! – a namorada reclamou. – Pode liberar dinheiro para pagarmos um carro.

-Um carro até Tokyo? – o rapaz parecia chocado.

-Até na casa de mami, Inuyasha! – ela falou, teimosamente. – Ela pode nos hospedar lá até amanhã, daí vamos para Tokyo...

-E como nós vamos para lá, menina? – Inuyasha falava com a garota como se fosse uma criancinha débil. – Se não quer nem aparecer na rua porque tá de roupão, então...

-A gente liga pra ela e pede pra vir nos buscar!

-Essa me parece uma boa idéia. – Botan opinou, calada até então. – Há um telefone público bem ali!

-Vamos lá, Inuyasha! – Kagome correu até uma estrada meio deserta a poucos metros de onde estavam, chegando ao orelhão em pé ao lado de um carro.

Logo o rapaz a alcançou junto com Botan, observando que a namorada o esperava pacientemente, embora achasse melhor ligar logo ao invés de perder tempo.

-Tem um cartão? – a garota perguntou ao namorado. – Lá em casa não aceitam ligações a cobrar...

-Tó! – ele abriu a carteira e tirou o cartão. – Só dá pra uma ligação.

Kagome pôs o cartão no telefone, discando depois o número no teclado.

-Alô? Mami, sou eu, Kagome!

-Kagome-chan! Como está, querida?

-Mama, estamos em Yokohama e...

-Estão aqui? Que bom!

-Queremos que venha nos buscar e...

-Espero um pouco, Kagome-chan. Há outra pessoa na linha.

-NÃO, DEIXE-ME TER - -

A ligação caiu.

Kagome pegou o cartão e entregou para Inuyasha, que balançava a cabeça negativamente.

-Bem... – o rapaz começou, guardando o cartão sem unidade para entregar a Sango, que fazia coleção daquilo. – Vamos a pé, pegamos carona ou vamos de táxi até uma estação pra pegarmos o trem?

-Que horas são? – Kagome perguntou.

-Eu não faço a mínima idéia, mas deve ser horário do almoço. Estou com fome. – ele respondeu.

-Vamos pegar o primeiro trem para Tokyo quando chegarmos lá na estação. Acho que chegaremos no final da tarde.

-Mudou de ideia, menina teimosa?

-Ora...!

-Vamos a pé até lá? – Botan perguntou, subitamente.

-Se não conseguirmos um táxi ou uma carona, sim. – o rapaz respondeu, calmamente.

-Mas eu não quero ir de roupão... – Kagome choramingava.

-Mas vai! – Inuyasha já estava se irritando.

-Mas... – ela continuava choramingando.

-Podemos ver num guia de trens quais os melhores horários! – Botan opinou, alegremente.

-Ah, claro... – o casal concordou com visível ironia.

-É só nos arranjar um que depois iremos para a estação de carro. – Inuyasha falou, sarcasticamente.

-É pra já. – Botan falou de maneira prestativa.

Para a surpresa do casal, Botan tirou de um dos bolsos da roupa de recepcionista um molho de chaves, no qual tinha presa uma chave de carro, a qual apertou o botão para destravar um veículo que estava estacionado perto do orelhão.

Botan foi até o carro, abriu a porta, entrou, demorou alguns minutos, saiu de lá, fechou a porta, trancou o carro e voltou para junto dos dois trazendo um guia de trens na mão; tudo sob os olhares de espanto de Inuyasha e Kagome.

-Aqui está. – ela falou, entregando o guia na mão de Inuyasha.

Depois de um minuto em silêncio, Inuyasha teve coragem de perguntar:

-Hã... – engoliu em seco. – Botan... De quem... – limpou a garganta. – De quem é esse carro?

-De quem? – a garota olhou para o carro e depois olhou para o casal, falando com doçura. – É meu.

-Ah... – os dois fizeram o gesto com a cabeça indicando que tinham entendido.

-Botan... – Inuyasha começou de novo, assumindo a maneira de falar de alguém que fala com uma criança de cinco anos. – Sabe, eu estive pensando... Que tal se... Bem, eu não se o que você vai achar, mas tenho certeza de que vai gostar... – Inuyasha fazia mais gesto do que um italiano faz quando fala. – Que tal se nós... - apontou para a namorada, para Botan e para ele. – Nós... – enfatizou o "nós". – três fôssemos de... hã... em vez de andar... ou pegar carona... fôssemos de carro? E quando eu digo "de carro", eu digo... – colocou a ponta do dedo no nariz de Botan. - no SEU carro? – tinha um brilho tão malandro nos olhos que Kagome chegou a pensar que o rapaz fosse parente de Miroku.

Botan olhou para o carro, olhou para Kagome, olhou para Inuyasha, voltou a olhar para Kagome, para Inuyasha e depois para o carro.

-Eu acho uma boa idéia, sabe? Eu tenho muito medo de ir sozinha...

-Excelente, menina. - o rapaz batia no ombro dela de leve. – Agora, me entregue a chave, Botan-chan, daí nós vamos voltar para Tokyo e você verá a sua maninha gêmea! – voltou a pôr o dedo no nariz dela.

-Ah, eu acho isso tão legal! – ela bateu as palmas. – Vamos logo?

-Vamos. – o casal quase correu para carro como se este fosse sair em disparada de repente, seguidos por uma Botan saltitante e feliz, esta cantarolando que estava feliz por voltar a ver a irmã.

Minutos depois, o carro partia, tendo Inuyasha na direção.

Em Tokyo.

Na cozinha da casa de Sesshoumaru, os quatro que estavam na capital estavam reunidos para pensar na situação em que o casal de amigos se metera.

-ELE OS PEGOU! ELE OS PEGOU! ELE OS PEGOU! ELE OS PEGOU! – gritava Sango para quem quisesse ouvir, sacudindo Miroku pela camisa enquanto este tentava acalmá-la.

-SANGO, CONTROLE-SE! – ele tentava segurar as mãos dela. – FIQUE CALMA! NINGUÉM VAI RESOLVER NADA GRITANDO!

-Não grite na minha casa! – Sesshoumaru falou em tom de ameaça.

-NÃO TÔ GRITANDO, PÔ! – o rapaz respondeu, encolhendo-se ao ver o punho de Sesshoumaru se fechar.

-Kagome-chaaaaaaaan! – Sango chorava como uma criança, jogando lágrimas para todos os cantos. – Kagomeeeeeeee! Inuyashaaaaaa!

-Calma, Sango-chan. – Rin tentou acalmá-la também. – Quer um calmante?

Imediatamente os olhares se voltaram para a namorada de Sesshoumaru, que ficou completamente sem graça. Até mesmo Sango parara de chorar e olhava intrigada para a amiga.

-Quer dizer... Bem.. – Rin unia a ponta dos dedos indicadores e sorria sem graça. – Nossa... Que enrascada os dois se meteram, né?

-Rin. – a voz de comando de Sesshoumaru soou. – O que foi que nós conversamos sobre isso?

-Que... – a garota baixou a vista para não encontrar os olhares de censura de Sango, Miroku e Sesshoumaru. – Que... Que esses remédios são ruins para mim...

-E o que mais? – o namorado perguntou.

-Que eu não devo tomá-los sob nenhuma hipótese.

-E eu falei mais alguma coisa?

-Que se eu tiver de comprar algum comprimido, para falar para todos vocês... – Rin continuava falando num tom de voz baixo e olhando para o chão.

-E você comprou algum?

Rin olhou para todos os presentes e baixou a vista, apertando os punhos.

-Não queremos que minta, Rin-sama. – Miroku avisou ao perceber que Rin poderia mentir.

-Sim. Eu comprei uns calmantes ontem.

-E por que você não avisou? – Sesshoumaru parecia mais sério que o normal.

Rin ficou em silêncio.

-Por que você não nos contou, Rin-chan? – Sango perguntou.

-Porque vocês não iriam deixar... – a garota falou, não olhando para eles e sentindo o rosto ficar vermelho.

A cozinha ficou num silêncio tenebroso.

-Rin... – Sesshoumaru começou, dando um suspiro – Só queremos o seu bem. Todos estão preocupados com os efeitos desses remédios. Agora... – ele se aproximou dela e estendeu a mão. – Sei que estão com você, portanto, me entregue.

Rin olhou para Sesshoumaru e colocou a mão em um dos bolsos do moletom que usava, tirando de lá uma cartela de comprimidos azuis.

O rapaz pegou a cartela e a amassou na mão, passando pela namorada sem olhá-la e indo direto a uma lata de lixo, na qual jogou o que restou dos comprimidos.

-Agora. – Sesshoumaru voltou a falar. – Você sabe o que deve nos dizer.

A garota ficou um minuto em silêncio e depois falou, erguendo o rosto:

-Eu sinto muito por ter feito isso. Nunca mais comprarei e tomarei comprimidos sem o consentimento de vocês.

Baixou o rosto e completou.

-Mil desculpas.

-Boa menina, Rin-sama. – Miroku se aproximou dela e a pegou nos ombros. – Só queremos o seu bem, como Sesshoumaru-sama mesmo falou.

-É isso aí, Rin-chan. – Sango se aproximou também e, junto com o noivo, conduziu a garota até os braços de Sesshoumaru, que a abraçou.

-Nunca mais use essas coisas. – ele falou. – Esses remédios não podem ajudá-la mais do que nós podemos fazer.

-Sim. – ela falou, abraçando o rapaz. – Eu sinto muito por fazer isso.

-Bom... – Miroku começou. – E o que nós estávamos conversando mesmo?

Um minuto de silêncio.

-Estou com fome... Vamos comer uma pizza? –Sesshoumaru perguntou, olhando para os presentes.

-SIIIM! – foi a resposta deles em uníssono.

O irmão mais velho pegou o telefone sem fio, mas no momento em que o fez, o mesmo tocou.

Todos os presentes na cozinha se entreolharam.

Sesshoumaru limpou a garganta antes de atender.

-Sesshoumaru falando.

-Eu sei. – a voz falou num tom muito rouco e assustador.

-Sim?

-Ela está... aí... cof, cof... – a voz deu uma pausa e Sesshoumaru pôde escutar o indivíduo espirrar algo na garganta para aliviá-la. – Desculpe, mas eu poderia falar com a senhorita Kawashima?

-Um momento.

Sesshoumaru passou o fone para Sango e ela atendeu alegremente, fazendo o tradicional biquinho ao prolongar as últimas letras:

-Alôôôu?

-Aqui é Ginta Otome...

Cinco minutos depois da ligação.

-ELE TÁ SOLTO! ELE TÁ SOLTO! ELE TÁ SOLTO! - Sango sacudia Miroku pela camisa e parecia ainda mais descontrolada.

-Calma, Sango-chan. – Rin tentava fazê-la soltar de Miroku, que já estava tonto. – Deixe Sesshoumaru-sama resolver isso.

Rin olhou para o namorado, que parecia extremamente furioso por saber quem era o sociopata, já que não falaram o nome por saberem o que o rapaz provocou entre Rin e Sesshoumaru.

-Não é? – ela perguntou esperançosa para ele.

-Eu não acredito que aquele idiota do Inuyasha não conseguiu matar aquele terapeuta...

A namorada sorriu sem graça. Sesshoumaru continuou:

-Eu devia ter feito isso há alguns meses se outro idiota não tivesse inventado aquela história do Egito.

Miroku não conseguiu responder por estar ainda sendo chacoalhado pela noiva, limitando-se a apenas mandar um sinal com o polegar para indicar que concordava com o que Sesshoumaru falara.

Depois de um minuto de silêncio, Sesshoumaru falou no tom de comando que só ele sabia fazer:

-Sango.

A garota parou. Miroku caiu no chão e foi socorrido por Rin.

-Vamos ligar para a senhora Higurashi. – Sesshoumaru falou, pegando o telefone e discando o número que já sabia de cabeça.

Alguns segundos depois, ele começou a falar:

-Alô? A senhora Higurashi, por favor?

-Tá vendo só, Sango-chan? – Rin falou, sorrindo docemente. – Sesshoumaru-sama vai resolver tudo com calma. Não se preocupe!

-Senhora Higurashi? Aqui é Sesshoumaru. Eu vou muito bem, e a senhora? Kagome? Ela está desaparecida. Aquele maníaco tentou matá-la e parece que ela morreu numa explosão.

Uma enorme gota surgiu no rosto dos três que escutavam a conversa.

-Como é? – Sesshoumaru levantou-se de súbito. – Certo, certo... Entendi. Muito obrigado. Aquele terapeuta idiota foi quem ligou avisando sobre... – deu uma longa pausa. - Ah, claro! Um momento. – Sesshoumaru tapou o fone e falou aos amigos, que ainda estavam impressionados por ele estar calmamente conversando sobre um assunto tão sério. – Ela está perguntando se podemos ir para Yokohama no próximo feriado. Parece que terá um festival no templo.

Novamente, outra gota nos três.

-Ué, por que essas caras? – o irmão de Inuyasha perguntou. – Será divertido, terá até karaoke.

-Hã... Sess... – Rin pigarreou. – Continue falando com ela.

-Vão ou não vão? – Sesshoumaru insistiu. – Rin, terá um coral lá e também oficina de kirigami. [1]

-Ah, eu posso ir? Posso? Posso? – a garota pulava com as mãos unidas.

Uma gota nos rostos de Miroku e Sango, forçando-os a sorrirem sem graça.

Sesshoumaru deu um sorriso e voltou a falar com a mãe de Kagome.

-O quê? Caiu a ligação? Não, isso nos deixa mais tranquilos... Ah, sim, nós vamos. Rin está muito contente.

-Oba! – Rin comemorou erguendo os braços.

-Tenha um bom almoço, senhora. Até mais.

Depois que desligou, o rapaz falou:

-Kagome deu um telefonema para ela antes de nossa ligação. A senhora Higurashi a deixou na linha e parece que a ligação caiu.

Um suspiro de alívio passou pelos lábios dos amigos.

-Quando aquele maníaco disse que ia ligar de novo? – Sesshoumaru perguntou.

Sango olhou para o relógio de pulso.

-Daqui a dez minutos.

-Muito bem. – o irmão de Inuyasha falou. – Vamos esperar. Vou ter uma conversinha com ele.

Dez minutos depois.

-Sua vez, Miroku-sama. – Rin falou, estendendo as cartas para o rapaz.

O rapaz pegou uma e exclamou:

-Droga.

-Não ajudou muito, não? – Sesshoumaru deu o palpite.

-Estou cansado de jogar com vocês. – o rapaz falou com mau humor.

Sesshoumaru e Rin se limitaram a sorrir. Sango olhava para as unhas e segurava as cartas, não sentindo a mínima vontade de jogar.

De repente, o telefone tocou.

-Alôôôu? – Sango atendeu, alegremente fazendo o charmoso biquinho ao prolongar as últimas letras.

-Sou eu.

-Quem?

-Ginta.

-Oh... Um momento, uma pessoa quer falar com você. – Sango passou o fone para Sesshoumaru e este pigarreou antes de falar.

-Seu miserável...

Cinco minutos depois.

-Calma, Ginta... – Rin é quem falava agora, tentando acalmar o assustado rapaz na linha.

-Eu não fiz por mal, é juro... Pede pra ele não me matar... – o rapaz choramingava na outra linha.

-Sesshoumaru-sama – Sango comentou, sentada ao lado de Sesshoumaru. -, você pode passar por um sociopata sem muitos problemas... – deu um sorriso sem graça.

-Anos de prática quando se tem um irmão como Inuyasha... Ou um amigo como Houshi.

-Ei, não me meta nessa história!

-Calma, Ginta... – Rin continuava.

-Rin – Sesshoumaru rosnou. -, desligue essa droga. Só de lembrar o que esse idiota fez no Ano Novo me dá uma vontade incrível de... – os olhos dourados ficaram com um estranho brilho sádico, forçando Miroku a se afastar por precaução.

-É que... – ela tapou o fone. – Ele agora está feliz por saber que estou viva.

-Diga a ele que não é preciso. – o namorado falou de novo. – Depois eu ficarei feliz em saber que ele não está mais vivo.

Uma gota no rosto de Rin surgiu e ela continuou.

-Ginta, eu tenho que desligar... Quê? Jantar? Ah, eu não sei... Quem sabe, outro dia... – ela dava um sorriso sem graça. – Ginta, eu realmente não sei se posso jantar com você... Ir para o Egito com você? Parece divertido, mas... Passeio pelo Nilo? Deve ser maravilhoso! – a garota começou a falar alegremente.

Um som foi ouvido na sala e logo depois o telefone ficou mudo. Rin olhou para o aparelho e depois viu Sesshoumaru aparecer tão silenciosamente na cozinha quanto saiu.

-Oh... – ele falou. – Eu acredito que a ligação tenha caído. – mostrou a base do telefone completamente destruída. – Pisei no telefone sem querer.

-Droga, Sess! – a namorada protestou. – Por que fez isso?

Um silêncio perturbador pairou na cozinha. Um vento soprou frio. Sango e Miroku não ousavam respirar.

-Qual o problema? – ele falou, estreitando os olhos. Rin fez o mesmo.

-Eu estou com fome! Como a gente vai encomendar a pizza?

Sango e Miroku respiraram soltaram a respiração, aliviados.

-Está com fome, querida? – ele a abraçou. – Quer pizza de quê?

-Queijo! Queijo! Queijo! – a cada palavra, ela erguia os braços.

-Há um telefone na casa de Inuyasha... Vocês... – chamou Miroku e Sango. – Querem pizza também?

-SIIIM! – o casal falou em uníssono.

Minutos depois, os quatro estavam já na casa de Inuyasha, esperando pela pizza e por alguma notícia de Inuyasha e Kagome.

Numa loja de conveniência de um posto de gasolina

localizado no limite entre Yokohama e Tokyo.

-As pessoas estão olhando para nós... – Kagome falava, tentando ignorar os olhares das pessoas na loja em que estavam.

-Acho que pensam que somo três que fazem... – Inuyasha pausou a fala e Kagome arregalou o olhar. – Ainda mais com Botan vestida desse jeito... Aí mesmo que vão pensar?

-Eu o quê? – Botan perguntou.

-Nada, querida. – Kagome falou. – Vai levar alguma coisa?

-Queria levar esta coleira pro meu cachorro...

Inuyasha e Kagome olharam para a coleira e olharam para a garota. Depois olharam para as pessoas e viram que estas balançavam a cabeça negativamente e desviavam o olhar para outras coisas.

-Estão pensando que somos masoquistas também... – ele murmurou, balançando a cabeça em sinal de desânimo. – Botan, esqueça a coleira. Leve outra coisa por seu cachorro.

-Oh... mas não tem mais nada aqui que me interesse... – ela falou.

-Que bom. – Inuyasha falou. – Vamos embora. Se nos apressarmos, chegaremos em Tokyo antes das dez da noite com o seu carro.

-Vamos tentar dar mais um telefonema, Inuyasha? – Kagome falou. – Não é possível que não tenha ninguém na casa de Sesshoumaru-sama.

-Também acho muito estranho. Eles nunca vão pra minha casa.

Como toda boa loja de conveniência japonesa, a loja em que os três estavam também tinha uma tevê. No momento em que entraram na fila do caixa, o grupo parou para escutar uma notícia que chamou-lhes atenção:

"- A polícia revelou que Ginta Otome ligou minutos depois que escapou da clínica para apenas dizer que pede um pouco de tempo antes de ser preso para que ele possa matar uma pessoa para oferecer o sangue em nome de uma seita e..."

-Ai, meus deuses. – Kagome começou a choramingar.

-Calma, Kagome. – o namorado falou. – Vamos embora daqui.

-"... e uma testemunha afirma que o maníaco foi visto perto do limite entre Tokyo e Yokohama."

-Simbora, meninas. – Inuyasha puxou as duas pelas mãos e foram até o caixa para pagar pelas compras e pelo lanche que fizeram.

-Eu estou com medo... – Kagome murmurou. – Ele pode estar em qualquer lugar como qualquer sociopata e nos matar.

-Calma, Kagome! – Inuyasha falou num tom irritado. – Ninguém mata no meio de um monte de gente!

-Ah, claro! – a garota falou irônica e em voz alta. – Os caras da yakuza apenas brincam de tiro ao alvo durante o dia, né?

Para a surpresa dos três, muitos dos que estavam na loja pararam o que faziam e olharam para eles. Kagome, Botan e Inuyasha tomaram coragem e olharam ao redor, percebendo que a maioria ali usava roupas escuras e óculos da mesma cor. Botan começou a olhar desesperadamente para os lados e a puxar a camisa de Inuyasha, indicando que queria ir embora dali o mais depressa possível.

-Para o carro, meninas, para o carro... – ele murmurava com um sorriso sem graça. Pagou a senhora no caixa e pegou as sacolas.

-Obrigada e volte sempre. – a senhora respondeu, entregando a nota fiscal e o troco, além de um monte de cupons. – Se o senhor preencher estes cupons, poderá concorrer a uma viagem para o paraíso de Okinawa com uma das suas namoradas.

-Ah... obrigado. – ele agradeceu, sorrindo ainda mais sem graça e empurrando as duas ao perceber que os homens vestidos de preto se aproximavam deles. – Vamos, vamos, meninas...

Minutos depois, fugiam dali, perseguidos por cinco carros pretos.

Duas horas depois.

Numa outra loja de conveniência de outro posto de gasolina, já em Tokyo e do lado oposto à zona em que moravam, Inuyasha, Kagome e Botan mudavam de roupa que compraram lá, além de pintar os cabelos para se disfarçarem. Inuyasha pintou os dele de branco, Kagome pintou os dela de vermelho e Botan parecia uma vocalista de banda de visual rock ao ficar vestida de jaqueta e calça jeans e os cabelos pintados de azul.

-Será que conseguimos despistá-los? – Kagome perguntou, olhando receosa para os lados.

-Acredito que sim... Depois daquele acidente no quilômetro cinco... – Inuyasha opinou, olhando-se em um espelho enquanto os três jantavam. Eram quase seis da tarde e estavam muito cansados.

Inuyasha passou o espelho para Kagome e ela se admirou com o novo cabelo.

-Acho que seria melhor comprássemos uns óculos escuros... – ela opinou, entregando o espelho para Botan.

-Será que o pessoal lá de casa tá preocupado? – Inuyasha perguntou, repentinamente.

-Ah, claro que estão! Estão superpreocupados! – a namorada replicou.

-Você tem certeza disso? – o rapaz estreitou os olhos.

-Claro! – ela respondeu, levando uma porção de arroz do jantar que compraram à boca.

Em Tokyo.

-Qual o nome do ator que ganhou dois Oscars consecutivos de melhor ator em papel principal na década passada? – Sesshoumaru leu no papel, comendo uma fatia de pizza depois e esperando a resposta.

-Eu sei, eu sei! – Rin levantou os braços. – TOM HANKS!

-Dez pontos pra você, Rin.

-Oba! – a garota comemorou.

-Vamos mudar de categoria? – Miroku perguntou. – A de cinema já acabou.

-Tem qual aí? – Sesshoumaru perguntou.

Miroku pegou algumas cartelas e leu os títulos.

-Tem política, animes, mangás, novelas, livros, música...

-MÚSICA! – os três falaram ao mesmo tempo.

-Muito bem, então aqui vai a primeira... – Miroku comeu um pedaço da fatia de pizza e depois que mastigou e escolheu uma, começou a ler. – Digam o nome da banda e o nome desta música... "Hateshinai yozora ni... nagareru...

Os três ficaram pensativos. Miroku sorriu e continuou, imitando uma batida de bateria:

-"Namida wo dakishimete…"

Sesshoumaru fez menção que lembrava, mas Sango foi mais rápida:

-"Dahlia", do X-Japan!

-"Oh, my Dahlia…" – Miroku confirmou, abraçando a garota e dando um beijo na testa dela.

Ainda na loja.

-Vamos logo? – Inuyasha perguntou. – Acredito que se nos apressarmos e formos por outros túneis, chegaremos sem pegar o rush da avenida principal.

-Vamos escovar os dentes – Kagome falou, levantando-se da cadeira. Botan fez o mesmo.

-Eu também vou. Pelo amor dos deuses, Kagome. – o namorado falou -, mantenha a boca fechada e me esperem dentro do banheiro feminino. Vou bater três vezes na porta pra avisar que estou do lado de fora.

Kagome estreitou os olhos.

-Não faça essa cara, menina! Por causa daquele comentário, nós quase sofremos três acidentes em quilômetros consecutivos, tá?

-Tá bom... Vamos, Botan-chan.

-Sim! – a garota falou no mesmo tom alegre.

Minutos depois, no banheiro masculino, Inuyasha tentava fazer uma ondulação em uma das mechas do cabelo.

-Cara, se não fosse aquela tintura...

Ficou em silêncio quando viu dez homens vestidos de preto e óculos escuros entrarem no banheiro.

-Ela pintou os cabelos. Acha que pode enganar assim. – um deles falou.

-Ele mudou de roupa... Mas continua o mesmo.

Inuyasha saiu correndo pela porta como um desesperado. Os dez homens ficaram se olhando.

-Será que ele é homofóbico? – um perguntou.

-Sei lá... Cara estranho.

-Bem, como eu ia dizendo – o mais velho voltou a falar. -, é um erro deixar mulher trazer criança pra enterros. Deu no que deu: Saikuro teve que mudar de roupa depois que o menino fez sujeira no terno dele. E não quer pagar o prejuízo pra loja dos trajes!

-E Satie ainda pintou os cabelos pra disfarçar a idade... Como é possível...

-Será que falta muito pra chegarmos ao enterro?

-Espero que não. Estou cansado...

Do lado de fora do banheiro, Inuyasha batia pela nona vez na porta.

-Calma, Inuyasha! – Kagome apareceu ao lado de Botan segurando as sacolas, as duas descabeladas. – Ainda não acabamos de pentear os cabelos!

-Façam isso lá no carro! "Eles" estão aqui!

Ao escutar o "eles", Kagome arregalou os olhos e Botan comentou alegremente:

-O SMAP tá aqui? – ela falou, pulando de alegria.

O casal olhou para ela com espanto.

-Botan, por que você... – Inuyasha começou, mas parou ao ver a porta do banheiro masculino se abrir, do qual saíram os dez homens que entraram antes. – Vamos, meninas... – ele as puxou e elas tiveram que correr com sacolas e tudo mais para fora da loja.

Minutos depois, os três partiam com o carro em alta velocidade, sem estarem sendo perseguidos.

Em Tokyo, uma hora da manhã.

-Eu não acredito que estamos aqui... – Kagome chorava emocionada assim que o carro, dirigido por Inuyasha, entrou na rua em que moravam no bairro do Tokyo Dome. – Ainda não acredito...

-Não era pra entrarmos naquela rua onde tem a fábrica da Mitsubishi... – Inuyasha resmungava.

-Como íamos saber que tinha protestos de empregados lá? – Kagome replicou. – E era um dos melhores caminhos pra chegar aqui.

-Nós ficamos quatro horas num maldito engarrafamento... E eu nem pude dormir porque Botan estava dormindo e não podia dirigir sonâmbula...

-Falando nela... Botan-chan, chegamos! Hora de acordar! – Kagome falou, virando-se para falar com a garota deitada no banco de trás do carro.

Botan abriu os olhos e espreguiçou-se.

-Chegamos? Que horas são?

-Vai dar uma manhã. – Inuyasha olhou o relógio do carro. – Vamos descendo, cambada! Hora de ir para casa... Finalmente!

Inuyasha estacionou o carro na frente da casa de Botan e os três desceram.

-Gente... – a ex-loura falou, fazendo também uma reverência. – Obrigada.

-Tudo bem, Botan-chan – Kagome falou com um sorriso. – Espero que tenha uma boa noite.

-Pra vocês também!

Inuyasha e Kagome viram Botan afastar-se correndo para entrar em uma das casas vizinhas.

-Bem... Espero que tenha valido a pena ir pra tão longe... pra ficarmos juntos... – Inuyasha falou assim que percebeu que estavam em silêncio.

Kagome não respondeu. Limitou-se apenas a dar as costas ao rapaz e andar em direção a casa em que morava.

-Kagome...?

-Eu acho que agora o pessoal tá dormindo... Será que vale a pena acordar os coitados? Eles devem ter se preocupado conosco o dia todo...

-Kagome, você escutou o que eu disse? – Inuyasha perguntou, fazendo parar no jardim da casa de Sesshoumaru com a pergunta.

-Escutei sim, Inuyasha. – ela respondeu com uma voz sem emoção.

-O que tá acontecendo com você, hein? – foi até ela determinado. – Por que tá agindo assim?

-Não é nada... –a voz saiu fraca.

-"Não é nada"... – ele repetiu com ironia. – É claro que tem alguma coisa te perturbando! O que foi que aconteceu?

-Eu... – a voz fraquejou, mas Kagome virou-se para falar com ele com a expressão séria e tentando conter as lágrimas. – Você acha que valeu a pena?

-Por que a pergunta?

-Por quê? – ela olhou para os lados e abriu os braços. – Eu não acho que tenha mudado coisa alguma entre nós!

-Mas...? – o rapaz parecia chocado.

-Eu não consigo ver você tão... – ela procurou a palavra por um momento e molhou os beiços que estavam secos. – Carinhoso quanto era antes... Quando estávamos no início... Eu vejo... – apontou para a casa. - Sesshoumaru-sama cuidando de Rin-chan quando ela está passando por essa fase de remédio que viciam... Vejo Miroku-sama... – apontou para a casa de Inuyasha. – torcendo por Sango-chan quando ela faz alguma reportagem que a deixe feliz mesmo quando ele está sem emprego... Rin-chan e Sango-chan me parecem bem mais felizes com eles... E eu não sinto isso. – a frase saiu num fio de voz. – Eu realmente acho que acabou...

Kagome ia dar as costas, mas Inuyasha foi mais rápido para falar:

-Você sabe quanto tempo demorei pra conseguir fazer você gostar de mim?

A garota o encarou, engolindo um soluço e tentando conter as lágrimas.

-Pra você ver que alguns sentimentos mudam bastante...

Inuyasha empalideceu.

Desta vez, Kagome deu as costas e caminhou até a porta.

-Kagome...

-Até amanhã, Inuyasha.

-Kagome... Espere!

-Eu espero que não fique com raiva de mim, como ficou com Kikyo...

Um silêncio sepulcral que durou alguns segundos enquanto Kagome andava foi quebrado quando Inuyasha a parou:

-KAGOME!

Desta vez, ela parou, e novamente o silêncio ficou entre os dois: Inuyasha, olhando para as costas de Kagome, e ela com o olhar encoberto pelo cabelo.

-Eu te amo, Kagome.

O rapaz se assustou ao escutar a garota prender o ar e começar a cair para o lado, correndo para socorrê-la antes que atingisse o chão.

-Kagome, você está bem? – virou o rosto dela para que pudesse olhar melhor, assustando-se ao vê-la chorar. – Kagome, por quê...?

Inesperadamente, a garota o abraçou chorando de alegria e beijou várias vezes o rosto dele, mantendo os olhos fechados.

-Eu demorei tanto pra escutar... – ela começou entre as lágrimas. – Eu demorei tanto... Eu queria tanto ouvir isso, Inuyasha...

-Amo... você... – ele repetiu, encostando a cabeça dela no peito dele.

-Era tudo o que eu queria ouvir... – ela continuou chorando. – Era só isso...

Inuyasha acariciou o rosto dela e depois o segurou com as duas mãos, aproximando a testa da dela para falar:

- Eu... amarei... você... para sempre.

E ficaram abraçados por um longo tempo, até que se encostaram em um canto e dormiram abraçados até que alguém acordasse cedo para abrir as portas.

Manhã.

-Eles estão acordando... – alguém falara perto do rosto de Kagome, uma voz que ela achou muito parecida com a de Miroku.

-Espero que não fiquem doentes... Tava tão fria a noite... – a voz de Rin soou perto deles.

Kagome e Inuyasha abriram os olhos, arregalando-os depois de perceberem que quatro rostos estavam praticamente colados aos deles.

Rin, Sesshoumaru, Sango e Miroku respiraram mais aliviados e afastaram-se ao ver que os dois tencionavam se levantar.

-Vocês ficaram aí a noite toda? Por que não chamaram? Estava muito frio... – Sango falou, franzindo a testa preocupada.

Os dois não responderam, mas sorriram.

-É melhor que entrem... – Sesshoumaru estava preocupado. – Tem banho quente e comida... E é melhor que troquem de roupas também.

Kagome e Inuyasha começaram a andar em direção da porta, parando apenas quando Sesshoumaru perguntou:

-Vocês estão bem?

Os dois seguraram a mão um do outro e Inuyasha respondeu:

-Agora sim. – e entraram na casa.

Um minuto de silêncio se fez entre os quatro até Sango comentar:

-Eles estão tão estranhos...

-Que raios de cabelos eram aqueles? – Sesshoumaru perguntou.

-Eles me parecem mais apaixonados! – Rin falou sonhadora.

-Foi o cabelo que os deixou assim. – Miroku se limitou a comentar.

Mais um momento de silêncio.

-Bem, vamos entrar? – Sesshoumaru perguntou. – Vamos comer o que sobrou das pizzas antes deles.

-SIIIM! – eles responderam.

Rin deu a mão para Sesshoumaru e Sango fez o mesmo com Miroku, entrando unidos na casa do irmão mais velho.


Mais tarde, em Tokyo, no bairro do Tokyo Dome, na casa de Sesshoumaru.

Especificando ainda mais, no quarto que Kagome ainda tem lá.

-Inu... Inuyasha... – Kagome o abraçou e beijou o pescoço dele.

-Finalmente estamos em casa... – ele comentou, deitando na cama e puxando a garota para que deitasse em cima dele.

-Sim, sim! E eu estava com saudades da comida deliciosa de Rin-chan.

-Ah, eu também! Já estava farto daquelas saladas daquela clínica maluca!

-Hoje eu comi muito... Daqui a pouco terei que fazer exercícios pra ficar em forma de novo.

Inuyasha puxou o rosto dela para beijá-lo, falando próximo aos lábios:

-Espero que não emagreça demais... Ou não terei lugar pra pegar... – ele a beijou.

Kagome não fechou os olhos e mantinha a boca aberta em sinal de espanto, afastando-se dele e olhando-o com os olhos estreitos.

-O que você quis dizer com isso?

-Quis dizer o quê? - ele perguntou espantado.

-Esse negócio de "não ter onde pegar"?

Inuyasha deu um sorriso e falou:

-É só um modo de dizer... Que você tem umas partes que tem mais "carne" que as outras... Como a barriga, as coxas e...

-Está me chamando de "gorda"? – a garota perguntou enfurecida, sentando-se na cama de súbito e batendo no peito do rapaz, assustando-o e forçando-o a sentar-se também.

-Não, eu só quis dizer que...

-Você me chamou de gorda, Inuyasha! – ela falou entre dentes, dando sucessivos tapas no braço do rapaz, tapas além da força normal.

Inuyasha levantou-se ainda mais assustado e olhou para o braço, depois olhou para a garota.

-Hã... Eu vou... – engoliu em seco. – Ver se Rin precisa de ajuda na cozinha.

E saiu do quarto dela correndo, escutando-a gritar:

-Inuyasha, volta já aqui!


Nem queiram saber o que vai acontecer no próximo... Supeshiaru: Inuyasha no Parodii. Podem perder, se quiserem.

"-Quem é que 'tá falando?"


[1] – Kirigami é a arte do papel cortado, diferente do origami, que é a arte de dobradura de papel. Eu acho mais legal kirigami. XD