Sesshoumaru ajudava Rin a entrar na cozinha. A garota mancava e fazia uma careta a cada passo que dava com o pé esquerdo.

-Sente-se aqui em cima. – ele falou, carregando-a delicadamente para que se sentasse na borda da mesa.

Rin fez mais uma careta para reclamar a dor que sentia no pé torcido.

-Deixe-me olhar esse pé... – pegou o pé e olhou cuidadosamente. – Tá inchado... Eu falei que não era pra subir naquela árvore.

-Mas o Buyo tava lá! – ela protestou. – Como podia deixar uma pobre criaturinha indefesa presa naquela árvore e com medo de descer?

-Ele desceu depois que você subiu. – o rapaz falou com tranquilidade. – Você podia ter deixado aquele o Inuyasha fazer isso, já que o gato é de Kagome... Pelo menos seria um idiota a menos no mundo a caminhar com os dois pés.

Rin reprimiu uma enorme vontade de rir.

-Bem... – ele falou depois de um momento em silêncio. – Vamos ajeitar esse pé.

-Q-Q-Q-Que-Co-Co-Como ééééé?

-Vou ajeitar seu pezinho. – ele repetiu. – Só está deslocado.

-Er... – Rin estava pálida. – Não, obrigada. Não está doendo tanto assim... Agradeço sua ajuda e tal... – tentou descer da mesa, mas Sesshoumaru a impediu.

-Rin... – ele começou suavemente. – Você está com o osso do pé deslocado. – falava pausando as palavras como se estivesse falando com uma criancinha. – Deixe-me ajeitar pra você e...

-Vai doer! – ela o interrompeu. – Você tem a mão pesada!

-Tenho? – o rapaz observava as próprias mãos.

-Pergunte a Miroku-sama! Pergunte a Inuyasha! – continuou reclamando. – Prefiro ficar com o meu pé assim!

-Rin – Sesshoumaru a impediu de fugir de novo -, primeiramente, você não é como aqueles dois idiotas. Outra coisa: você é minha Rin – a garota derreteu e ficou com os olhos brilhando – e eu nunca faria alguma coisa que você não gostasse ou que machucasse você.

-Oh... – ela ainda estava com os olhos brilhando. – Mas... Mas... – fez cara de choro. – Estou com meeeedo!

-Não vai doer. Confie em mim.

-Não mesmo?

-Não.

-Nem um pouquinho?

-Bem... – ele hesitou.

-Tchau. – ela falou, tentando fugir de novo.

-Rin – Sesshoumaru já teria perdido a paciência se fosse outra pessoa -, é melhor deixar ajeitar agora ou vai doer mais até o final do dia.

-Mas não tá doendo muito... Senti mais dor quando Miroku-sama bateu meus dedos na porta do carro...

-Houshi fez o quê? – Sesshoumaru já tinha um olhar sádico.

-Nada. – ela engoliu em seco.

-Depois eu converso com ele... – voltou a olhar o pé. – Vamos lá?

-Ah, Sess... – a garota estava angustiada. – Não vai doer?

-Não. Eu já falei. Não vou mais repetir.

Rin mordeu o lábio e fez uma cara que faria uma pedra chorar.

-Rin – Sesshoumaru falou ao ver aquela expressão -, alguma vez eu já menti pra você?

Rin balançou a cabeça negativamente.

-Alguma vez eu já a machuquei?

Novamente meneou a cabeça.

-Alguma vez já sentiu dor por algo que eu tenha feito?

Desta vez, ela não respondeu.

-O que foi?

-Bem... – ela começou hesitante. – Doeu um pouco quando eu perdi a minha vir- -

-Rin – Sesshoumaru a interrompeu e apertou o local entre os olhos com os dedos, dando uma longa pausa na qual contou até dez para controlar-se -, primeiro: eu avisei que doeria um pouco; segundo: se não deixar que eu ajeite esse pé, irei levá-la a um médico indicado por Hachi.

-Tá bom. Pode ajeitar. – ela parecia determinada.

Sesshoumaru sorriu triunfantemente.

-Não se preocupe. Não vai doer.

-T-Tá...

-Preparada?

Antes que Rin pudesse responder, Sesshoumaru já havia colocado o pé dela no lugar. A garota apenas escutou o som dos ossos estalando.

Segundos depois, os moradores dos quatro cantos do bairro do Tokyo Dome escutaram o grito estridente de Rin, seguido de um sonoro:

-AI, SESSHOUMARU! ESSA DOEU!

Na casa de Inuyasha:

-Tá tudo bem com a tevê? – Miroku, segurando o abajur da sala, perguntou a Inuyasha, este segurando a tevê que caiu da mesinha.

-Tá. Kagome? Sango?

-O lustre da cozinha não caiu. – Kagome respondeu.

-Os vidros das portas da despensa ainda estão vibrando. – falou Sango.

-O que será que aconteceu? – Miroku perguntou quando os dois chegaram à cozinha e encontraram as duas lá.

-Será que os dois estão...? – Inuyasha deu uma pausa enigmática.

-Mas agora, tão cedo? – Sango estava incrédula.

-Tenho pena de Buyo estar lá... – Kagome falou, vagamente.

Quando tudo parecia tranquilo, novamente outro grito foi ouvido, desta vez de Sesshoumaru, fazendo os quatro correrem para proteger tudo que pudesse quebrar com as ondas sonoras. Depois escutaram o rapaz gritar:

-RIN, PARE COM ISSO!


Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no junjou na omoi.

Shichigatsu Hatsuka.

Crônicas de Tokyo: Nossos verdadeiros sentimentos.

Vinte de julho.


Disclaimer: Quando eu me tornar uma grande amiga de Takahashi-sama, pedirei carinhosamente para que ela gentilmente me dê os direitos da série. Será que ela vai negar? o.o

Aos que são amigos e aos que têm amigos verdadeiros.

Eu quero ler reviews! :)


Em todo o tempo que os seis se conheciam, nunca os amigos tinham dividido a refeição num silêncio tão assustador, isso porque perceberam logo que Rin e Sesshoumaru estavam brigados.

-Alguém pode passar mais sopa de algas? – Rin perguntou, estendendo a tigela na direção oposta a de Sesshoumaru.

-Alguém pode passar mais salada? – Sesshoumaru perguntou, estendendo o prato na direção oposta a que Rin estava.

Kagome, Inuyasha, Sango e Miroku olharam fixamente o casal, mas nenhum deles se mexeu.

-O que foi? – os dois resolveram perguntar num tom frio.

-A salada tá perto de Rin. – Inuyasha respondeu.

-A panela da sopa tá perto de Sesshoumaru. – Miroku apontou para a sopa.

Rin e Sesshoumaru se olharam e depois viraram os rostos para o lado oposto.

-Perdi a fome. – falaram e levantaram-se ao mesmo tempo.

Os quatro observavam a cena divertidamente e reprimiam a vontade de rir.

-Vou pra sala. – Sesshoumaru falou – Vai começar o jogo.

-Vou lavar a louça enquanto ainda não tentam quebrar as minhas mãos. – Rin falou com majestade, fazendo Sesshoumaru encará-la com os olhos dourados estreitados.

O rapaz ia falar algo, mas desistiu ao ver a expressão de curiosidade dos amigos, que não ousavam interferir de modo algum e pareciam estar se divertindo. Sesshoumaru apenas fez um movimento vago com as mãos que queria dizer "deixa pra lá" e foi para a sala.

-Ora, ora... – Miroku falou, largando o prato e levantando-se – Vai começar o jogo, Inuyasha.

-Mas ainda falta uma hora e meia pra começar... – o rapaz falou, inocentemente.

-Vamos ver o jogo, Inuyasha... – Miroku falou entre os dentes, puxando Inuyasha pela camisa e levando-o para sala.

Assim que os dois saíram, o silêncio dominou a cozinha até que Sango e Kagome resolveram arriscar:

-Rin-chan?

-O que é? – a garota perguntou com uma expressão facial irada.

Nenhuma das duas resolveu se mexer ao ver a garota levando a faca de cortar legumes.

Na sala:

Meia hora depois do almoço, os rapazes já estavam esperando pacientemente pelo início do jogo, fazendo também alguns comentários sobre a recente briga de Sesshoumaru com a namorada depois que este explicou o que acontecera.

-Ela só está nervosa, Sesshoumaru... – Miroku falou, mudando de segundo em segundo os canais da tevê.

-E eu só quis ajudar! – o irmão de Inuyasha falou em voz alta para poder ser ouvido na cozinha.

-QUEM DISSE QUE EU QUERIA? – foi a resposta que veio de lá.

-Não sei o porquê de ela ficar assim só por causa do pé... – Miroku comentava. – Ela gritou mais quando esmaguei os dedos dela na porta do carro e... – parou de falar e mordeu o lábio, olhando discretamente para o lado em que Sesshoumaru estava, percebendo que este o encarava com um estranho brilho assassino nos olhos. – Quer dizer... Bem... – largou o controle e correu pela sala, sendo perseguido por Sesshoumaru.

-Cara, isso é muito chato... – Inuyasha bocejou, jogando-se no sofá da sala. – Rin, pode preparar umas pipocas?

A resposta que veio da cozinha foi um "não" que fez Inuyasha congelar.

-É essa a resposta que a gente recebe de gente ingrata! – Sesshoumaru gritou, parando de perseguir Miroku, este com um olho inchado.

-EU NÃO SOU INGRATA!

Quem estava na sala pôde escutar as vozes de Sango e Kagome tentando acalmar a garota.

Segundos depois, Rin apareceu na sala bufando, correndo em direção ao quarto que dividia com Sesshoumaru. Sango e Kagome apareceram depois, visivelmente constrangidas pela situação.

-Nós tentamos... – Kagome começou, sentando-se no mesmo sofá em que Inuyasha estava, sendo abraçada depois por ele. – Ela ainda está chateada...

-"Chateada"? – Sesshoumaru repetiu como se nunca tivesse ouvido aquela palavra na vida.

-Tá bom, ela tá possessa. E saiu da cozinha dizendo que você iria receber o que merece.

O rapaz deu de ombros e ajeitou-se confortavelmente no sofá.

-O que ela pode fazer contra este Sesshoumaru?

-Gente! – Rin apareceu na sala carregando uma caixa colorida. – Vocês nem sabem o que eu descobri quando fazia a limpeza da casa...

Tanto Inuyasha quanto Sesshoumaru arregalaram os olhos ao reconhecer a caixa. O irmão mais velho olhou para o mais novo, ambos pálidos e querendo falar algo que não saía da garganta.

-Uma coisa que vocês vão adorar! – Rin continuou, abrindo a caixa e jogando a tampa no chão.

-Inuyasha! – Sesshoumaru gritou ao irmão.

-Sesshoumaru, seu idiota! Por que não escondeu is...

-O álbum de fotografias de Sesshoumaru e Inuyasha quando crianças! – Rin falou triunfante, pegando o álbum e jogando a caixa no chão, fazendo os irmãos levarem as mãos à cabeça depois de perceberem que era tarde demais para impedi-la.

Segundos depois, Rin era atacada por Sango, Miroku e Kagome, que queriam ver aquela raridade.

-Quero ver! Quero ver! Quero ver! – Kagome dava pulinhos.

-É sempre bom rever momentos especiais. – Miroku falou, conduzindo Rin até o sofá com a ajuda de Sango e Kagome para não permitir que os irmãos tentassem atrapalhá-los.

-Eu encontrei ontem. Sabia que vocês iriam gostar. – a namorada de Sesshoumaru falou com um sorriso doce nos lábios.

-Ei, vocês dois não querem ver também? – Sango perguntou, alegremente.

-Não, obrigado. – Inuyasha desistiu, sentando-se no sofá para saber o que os amigos diriam.

-Já sabemos do que tem aí... – Sesshoumaru fez outro movimento de "deixa pra lá" com as mãos, sentando-se no outro sofá.

Assim que todos estavam acomodados, Rin, que estava no meio e segurava o álbum em cima das pernas, virou a capa. Imediatamente, mais cinco cabeças se aproximaram da dela para ver a imagem.

-Esse é o Inuyasha com cinco semanas! – Kagome parecia emocionada. – Que... – tentou encontrar a palavra. – fofinho!

Sango, Rin e Miroku olharam para o rapaz igualmente emocionados e com um sorriso divertido nos lábios. Sesshoumaru preferiu não se manifestar por já saber qual era a próxima foto.

-Olha! Sesshoumaru-sama! – Sango exclamou, apontando para a próxima foto.

-Cara... Ele não ria nem com dois anos. – Miroku estava pasmo.

-Sesshoumaru-sama sempre tão sério! – Kagome falou.

E ficou sem jeito ao ver o olhar assassino do rapaz.

-Inuyasha e Sesshoumaru juntos! – Sango disse.

Um momento de silêncio e finalmente as três garotas falaram numa voz doce e musical:

-QUE MEEEIGOOO!

-O mais velho vigiando o berço do irmãozinho recém-nascido... – Kagome estava quase para chorar de emoção.

-Quem olha isso pode até pensar que são irmãos. – Miroku falou num tom sério.

Os irmãos avançaram no rapaz e o levantaram do sofá pela camisa.

-Escute, Miroku... – Inuyasha falava com os dentes cerrados.

-Não dê uma única risada dessas fotos, Houshi. – Sesshoumaru falou num tom ameaçador.

-Você está proibido de rir delas! – Inuyasha confirmou a ameaça.

-Ou vai se arrepender... – o mais velho estalou os dedos.

Miroku apenas piscou, ficou sério e levantou a mão num sinal de paz.

-Eu só estou olhando... Não vou achar graça.

Os dois o largaram e Miroku voltou a olhar as fotos junto com as garotas, enquanto os irmãos se sentavam.

-Que gracinha... – Kagome estava tendo o comum ataque que as pessoas têm quando vêem coisas fofas.

-O Sesshoumaru não ri em nenhuma... – Rin comentou, lançando um discreto olhar ao rapaz.

-As fotos mais bonitinhas são as do Inuyasha! – Kagome tinha os olhos brilhando.

-Calma, Kagome-sama... – Miroku a acalmava.

-Inuyasha, Inuyasha! – os olhos ficaram como os de viciados de tão necessitados e brilhantes por coisas fofas .

-Eu também tenho algumas fotos! – Sango falou. – Vou buscar!

A garota saiu correndo e Kagome também se levantou.

-Também tenho algumas... Espere, Sango-chan! Vou com você!

-Acho que eu tenho as minhas guardadas aqui... – Rin largou o álbum e foi para o quarto.

Miroku pegou o álbum e ficou folheando este sob os olhares vigilantes dos dois que ficaram na sala.

-Caramba – Miroku parou numa foto. – Vocês brigavam até na piscina do parquinho da Disneylândia?

-Sem rir, Houshi. – o mais velho falou.

-Já sabe o que vai acontecer! – o mais novo completou.

Miroku continuava com a expressão séria e falou num tom calmo:

-Eu não estou rindo.

-Achei o meu! – Rin voltou para a sala trazendo um álbum com capa cor-de-rosa. Aproximou-se do sofá e sentou-se ao lado de Sesshoumaru.

-Mostre-nos, Rin-sama. – Miroku largou as outras fotos e pegou as da garota.

De fotografia em fotografia, alguns comentários eram ouvidos como "Que bonitinha" ou "Quantos anos tinha...?", até que Miroku reparou numa que chamou atenção.

-Quem é esta senhora, Rin-sama? – mostrou a foto à garota.

Numa imagem formal da família da garota, estavam o pai e a mãe juntos e segurando as pequenas mãos de Rin, todos sérios e a menina parecia ter chorado e estava mais próxima do pai.

Rin pegou a fotografia e arqueou as sobrancelhas, sentindo o braço de Sesshoumaru discretamente passar pela cintura e o rosto dele próximo do dela para ver a figura. Por fim, ela falou:

-É a minha mãe.

-É a única foto que tem dela aqui. – Miroku falou num tom despreocupado. – Não tem mais outra?

Neste momento, Sango e Kagome entraram na sala trazendo as fotos dela, deixando Rin intimamente feliz em não responder àquela pergunta.

-Ah... – Miroku começou. – Kagome-sama já foi Miss estudantil?

A garota deu uma risada sem graça e sentiu Inuyasha puxá-la para perto de si.

-Eu estava pensando... – Sango falava enquanto Sesshoumaru e Rin olhavam o álbum dela. – Vi no calendário hoje que é o Dia da Amizade.

Os olhares dos cinco se voltaram para ela.

-Podíamos fazer um álbum só nosso! – Sango mostrou a máquina profissional. – O que acham?

-Eu acho legal! – Rin exclamou. – Podíamos fazer uma de todos os momentos especiais... Não só dos festivais ou dos aniversários...

-Mas quem disse que somos amigos? – Sesshoumaru falou.

-Acham que esse cara aí – Inuyasha apontou para Miroku – é amigo meu?

-Eu nunca vi esses dois na minha vida toda. – Miroku se limitou a comentar.

-Aí a gente enfeita o álbum com um monte de adesivos! Vai ficar tão lindinho! – Kagome comentou.

-Posso escolher a cor? Eu queria que fosse rosa... – Rin comentou.

-A gente vê quais são as outras datas no calendário pra marcar as próximas fotos que vamos tirar... – Sango já tinha um pedaço de papel em mãos para marcar as datas.

-Ou amigos dessas aí? – Inuyasha perguntou, apontando para as três, continuando a conversa anterior.

-Você as conhece? – Sesshoumaru perguntou a Miroku.

-Eu nunca as vi com tão pouca maquiagem. – este respondeu.

As garotas, que escutaram toda a conversa, reprimiam a vontade de rir.

-É claro que somos amigos! – Kagome falou.

Os rapazes fizeram um movimento vago de cabeça como se achassem a ideia boa.

-Vamos nos abraçar pelo dia da amizade! – Rin ergueu as mãos em sinal de alegria.

Todos se levantaram e primeiro os casais já formados se abraçaram. Depois Sango abraçou Inuyasha; Kagome, Miroku; Inuyasha passou um braço pelo ombro de Rin depois; Kagome abraçou o cunhado – ou quase isso; Miroku quis abraçar Rin, mas Sesshoumaru não deixou. Depois as garotas se enrolaram num abraço e quando os três perceberam que iam fazer o mesmo, afastaram-se enojados um do outro.

-Bem, vamos tirar a foto! – Sango falou. – Fiquem em seus lugares!

-Nos lugares, nos lugares! – Kagome falou, agarrando o braço de Inuyasha, o mesmo fazendo os outros.

Quando tudo parecia certo, Sango foi até uma mesinha, programou o flash da máquina e voltou para perto de Miroku.

-Preparem-se... – Sango avisou.

-Esperem! – Kagome exclamou. – Falta Buyo.

Todos olharam incrédulos para ela no momento em que a máquina bateu a foto.

-Droga, Kagome! – Inuyasha falou.

-Higurashi, por que o gato? – o irmão mais velho perguntou.

-Ele é da família também! É nosso amigo!

-Só se for seu! – o namorado dela reclamou.

-Nossa... Agora eu tenho um amigo-gato. – Miroku parecia impressionado com a revelação – Ou será que é um gato-amigo?

-Vou lá buscar!

Kagome saiu correndo e voltou minutos depois com Buyo nos braços.

-Bem, vamos tirar logo essa foto. – Sango não parecia nem um pouco chateada. Preparou novamente a máquina e voltou ao lugar de antes.

-Ai, que emoção! – Rin exclamou, alegremente.

-Preparados? – Sango não tirava o sorriso do rosto.

-Buyo fique quieto... – Kagome tentava manter o gato no lugar, mas o bicho acabou pulando e foi parar na cabeça de Inuyasha, que se assustou e esperneou para tirá-lo da cabeça, acertando uma cotovelada em Miroku e empurrando Kagome, que acabou caindo para os lados de Rin e Sesshoumaru. E mal perceberam que mais uma foto foi batida.

-Caramba, Kagome! – Inuyasha reclamou.

-Vem cá, querido... – Kagome pegava o gato nos braços e acariciava. – Esse Inuyasha é muito mau com você, né?

-Inuyasha, o grande malfeitor de gatos! – Miroku fingia que era um apresentador de circo. – Agora vamos ver mais uma apresentação dele... A grande mágica "Tirando o gatinho da cartola"!

Kagome ria e Inuyasha se limitou a exclamar um "feh!".

-Mais uma foto batida... Só tem espaço na memória pra mais duas... – Sango deu um suspiro cansado.

-Desta vez, sem interrupções. – Sesshoumaru avisou. – Quem interromper, vai receber o que merece.

-Em suas posições! – foi a terceira vez que Sango preparou a máquina, correndo para perto de Miroku – Preparar...

Todos estavam sérios quando escutaram o barulho de fogos de artifício.

-Pra que são esses fogos? – Inuyasha perguntou.

-Será que é algum festival que eu não conheço? – Miroku perguntou.

-Parece dia de final de campeonato. – Sesshoumaru comentou num tom casual.

Um segundo depois, os três arregalaram os olhos e olharam para a tevê desligada.

-O JOGO! – exclamaram ao mesmo tempo, olhando para trás e largando as namoradas no momento em que a máquina bateu mais uma foto.

-EU VOU ESTRANGULAR VOCÊS SE TIVER MAIS UMA INTERRUPÇÃO! – Sango ameaçou com uma expressão assassina no rosto.

Os três voltaram para os lugares enquanto Sango ia ajeitar o filme mais uma vez.

-É a última. – falou, voltando a agarrar o braço de Miroku.

Finalmente, Miroku, abraçado a Sango; Inuyasha, envolvendo a cintura de Kagome com os braços; e Sesshoumaru; abraçado a Rin, viram que a foto saiu e correram para ligar a tevê para assistir ao final do campeonato.

-Sango-chan, vamos ver, vamos ver! – Kagome pulava ao lado da amiga, esta olhando o visor da máquina.

-Saíram as quatro... – Sango falou, olhando cada foto na tela digital.

-Vamos ficar com elas? – Rin perguntou. – Eu gostei dessa do Buyo na cabeça do Inuyasha...

-Essas outras ficaram muito engraçadas... – Kagome falou, levando a mão à boca para esconder o riso.

-Isso porque somos todos amigos... – Sango falou, dando mais uma olhada nas fotos e dando um sorriso ao ver a última, em que todos estavam sorrindo.

À noite:

No jardim da casa de Inuyasha, Kagome e o namorado estavam sentados na grama enquanto conversavam. Buyo estava no colo de Kagome e a garota insistia para que ele passasse a mão na cabeça do gato, o que ele negava veementemente.

-Eu quero saber o que o Buyo fez pra você.

-Você gosta mais dele que de mim. – Inuyasha respondeu em tom de criança magoada.

-Oh, pelos deuses... Tadinho do Inuyasha... – Kagome colocou Buyo na grama e enlaçou o pescoço dele, deitando-o no chão. – Inuyasha está carente?

-Tô. – ele exclamou. – Você prefere ficar com um gato do que comigo.

-Oh... claro que não... – ela apertava a ponta do nariz dele. – Eu amo o meu Inu-chan.

-Não-gosto-desse-apelido. – ele falou entre dentes.

Kagome deu um sorriso e ele não reclamou ao ver a garota aproximar os lábios para beijá-lo, provocando as sensações mais comuns quando se é beijado. Apertou a garota nos braços e sentiu o corpo dela tremer.

-Bem... – Inuyasha começou quando o beijo foi quebrado quando os dois ficaram sem ar. – Acho que está na hora de dormir...

-Eu também acho. – ela deu um sorriso. – Vamos lá?

Inuyasha se levantou e Kagome fez o mesmo, pegando antes o gato e aninhando-o nos braços.

-Ei... - o rapaz começou. – Você não pretende levar esse gato pra dentro da minha casa, né?

-Eu vou deixá-lo na cozinha... – ela o defendeu. – Se não deixar, vai dormir sozinho!

Inuyasha fez uma careta e depois olhou para o gato.

-Ela é minha, tá? – falou a ele.

Tudo o que Kagome fez foi rir daquele ataque de ciúme.

Na casa de Sesshoumaru:

No quarto do rapaz, Rin, que estava deitada, baixou a revista que lia quando viu o namorado (agora quase isso) entrar no quarto dele e se dirigir à cama dele.

-Ei, você vai dormir aqui? – ela perguntou.

O rapaz olhou para os lados e pegou o lençol de se cobrir.

-Está falando comigo? – ele perguntou, apontando o dedo para si.

-Ainda estou brava com você. Vai dormir na sala hoje. – ela cruzou os braços e tinha um tom mandão.

-Oh... – ele abriu o lençol e deitou-se na cama, cobrindo os dois corpos com o mesmo pano e apoiando-se num braço só para conversar com a garota. – O que tenho que fazer pra me perdoar?

Rin não respondeu e virou o rosto corado para o outro lado.

-Sabia que eu tenho uma foto secreta que não estava naquele álbum? – o rapaz falou, chamando a atenção da garota, esta com os olhos brilhando.

-Ah... é mesmo? – ela mordeu o nódulo do indicador. – Eu posso deixar você dormir aqui se me mostrar... – falou numa voz doce e, ao mesmo tempo, suplicante.

O rapaz deu um sorriso e virou para o outro lado, abrindo a gaveta da mesa ao lado da cama.

Segundos depois, tirou de lá uma pequena fotografia, mostrando à namorada, que a pegou de uma vez e deu um sorriso.

-Que... – ela parecia emocionada. – Lindo... Fofo...

A foto secreta era uma em que Sesshoumaru, com mais ou menos três anos, de bonezinho e uniforme infantil, estava fazendo sinal de vitória com os dedos, provavelmente depois de vencer alguma competição, pois o menino sorria para a pessoa que tirou a foto com o rosto sujo de terra.

-Ah... tá tão... lindo... – a voz de Rin estava embargada.

Sesshoumaru sorria e deitou-se em cima da namorada, que não desviava os olhos da foto, beijando o pescoço dela e escutando os outros adjetivos carinhosos que ela exclamava sobre a foto.

-Acho que posso dormir aqui hoje, né? – ele perguntou.

-Eu também tenho! – Rin falou, repentinamente. – Também tenho uma foto secreta!

-Tem? – ele parecia interessado.

Sesshoumaru teve que sair de cima dela para que Rin pudesse se sentar na cama e abrir a outra gaveta, da mesma mesinha da qual Sesshoumaru havia tirado a foto. A garota tirou um livro velho de lá o abriu, tirando uma foto de lá.

-Toma. – falou ao entregar a Sesshoumaru.

A garota deitou-se e o rapaz ficou olhando a imagem com as sobrancelhas arqueadas. Ficou em silêncio e depois piscou, olhando depois para a garota deitada, que estava séria.

Deitando-se de novo sobre ela, ele pegou a foto, na qual estava Rin com dez anos sendo abraçada pela mãe dela e sorrindo, e colocou ao lado do rosto dela.

-Este é o tipo de sorriso que eu gosto de ver em você.

Rin piscou suavemente e deu um meio-sorriso triste.

-Esses olhos de chocolate brilhando... Esse sorriso...

-Eu não sei o que deu nela na hora... – ela começou. – Mas eu lembro que papai ficou surpreso também...

-Eu acredito que ela ama você tanto quanto eu. Embora seja de outra forma.

Tudo o que Rin fez foi abraçar o rapaz enquanto este desligava o abajur e cobria o corpo de ambos com o lençol.


Quase duas da manhã, na casa de Inuyasha, Sango saiu do quarto e foi em direção da cozinha para beber água. Parou na sala ao ver o noivo rindo loucamente no sofá.

-Miroku... O que foi? – ela sentou-se no sofá e tentou controlar o noivo.

-Sangozinha... Ai, ai... – ele já estava vermelho de tanto rir. – Eu não aguento olhar pra essas fotos do Sesshoumaru e do Inuyasha quando crianças... São muito engraçadas! – e começou a rir de novo.

-Ai, ai... Houshi-sama... – ela pegou uma foto e reprimiu um sorriso. – Essa aqui é bonitinha... Inuyasha vestido de... – arregalou os olhos. – Ele estava fantasiado de gato?

-Ai, minha barriga! – ele começou a rir de novo, estendendo o outro braço para a garota, mostrando uma outra foto na mão.

Sango a pegou e arregalou os olhos diante de nova visão.

-Os dois brincavam de boneca quando crianças com Kagome-chan...? – estava chocada.

O sofá com Sango e Miroku virou por causa do violento acesso de risadas do rapaz, e os dois caíram no chão.


Próximo capítulo:

Vocês já foram a um cinema sem saber que lotaria? Jikai Tokyo no Nendaiki: Eiga de. Não percam!

"-Sabe onde vou enfiar essa pipoca se não sumir da minha frente?"