Explicações deste capítulo:
A cidade: Nagasaki está localizada na ilha Kyuushu (Tokyo fica em Honshu), ao sul do Japão, e foi fundada por missionários portugueses no século XVI. No dia nove de agosto de 45 sofreu o ataque de bomba atômica, o segundo durante a guerra e ficou arrasada. Hoje, porém, é uma cidade reconstruída. Por ter sido fundada por cristãos, a cidade é conhecida por possuir igrejas e ter como maioria de habitantes cristãos e ocidentais.
Os radicais: Como todo e qualquer país, o Japão não está livre de problemas internos. Desde a crise econômica do final da década de 1990, surgiram alguns grupos radicais que faziam "atentados" contra prédios públicos e grupos isolados, principalmente ocidentais. Fazem isso porque os julgam responsáveis pela crise econômica que o país enfrenta. O ataque que acontece neste fic é pura ficção!
Os procedimentos de emergência: Sango fala, numa determinada parte, sobre os "procedimentos de emergência". O Japão é conhecido por ser um país com placas tectônicas instáveis, sendo frequentes os terremotos e maremotos, além de incêndios (alguém já viu algum anime em que aparece os alunos de castigo segurando um balde com água? Sim, sim, aquilo - não o castigo e sim os baldes - faz parte do treinamento de incêndio!). Por causa disso, desde crianças recebem o treinamento de como enfrentar essas situações, que são o que eu chamo aqui de "procedimentos". Crianças são treinadas desde o jardim de infância; adultos também recebem o mesmo no trabalho.
O preconceito: Isso foi um outro problema que o país enfrentou quando sofreu o ataque da bomba. Os habitantes das duas cidades atacadas sofreram muito isso por causa das doenças causadas pela radiação. Acredito que isso não seja tão forte hoje, embora tenha sido há pouco tempo. Entretanto, apenas para efeitos dramáticos (nossa...), eu farei que seja bem forte. Mas não me levem a mal e nem levem a mal o povo japonês, por favor!
As estações do ano: No Japão, a primavera (haru) ocorre entre março e maio; verão (natsu) entre junho e agosto (junho e agosto sãos os meses mais quentes, por isso é o mês de férias lá); outono (aki) entre setembro e novembro; inverno (fuyu) entre dezembro e fevereiro. A queda das bombas foi em agosto, em pelo verão ainda, e a música que utilizarei nestes dois capítulos é uma canção popular bem antiga chamada "Natsu no omoide" ("Lembrança de um verão"), do tipo que criança aprende a cantar na escola. Eu não sei se foi composta nessa época, mas achei que combinava bem com o que pretendia com o capítulo.
Tsuru: alguém lembra da Mayu, a garotinha que morreu num incêndio em um dos primeiros episódios de Inuyasha? Nesse capítulo, Souta vai ao hospital e entrega à mãe de Satouro um arranjo meio esquisito à primeira vista. Aquilo é um arranjo de mil tsuru (pássaro) que tem uma antiga lenda que, quando se faz mil pássaros de papel, o desejo da pessoa se realiza. Geralmente fazem isso quando se quer curar de uma doença, "virou moda" (com o perdão da expressão) depois dos ataques das bombas nas duas cidades e cidades próximas que também foram contaminadas. Vou explicar um pouco melhor durante o capítulo sobre essa lenda.
Depois desta longa nota, eu agradeço de coração quem comentou e mandou mensagens pelo último capítulo. Espero que gostem deste aqui. Se o considerarem digno de um comentário, ficarei muito feliz em recebê-lo!
Sesshoumaru estava conversando com o chefe de departamento da Universidade de Tokyo, Hisaki Bokuseno, na sala da casa dele. Não estava nem um pouco bem-humorado, principalmente quando soube que teria que viajar para representar a Universidade num evento em Nagasaki.
-Eu não irei. – Sesshoumaru falou com tranquilidade.
-E por que não? – Bokuseno perguntou.
-Estou muito cansado. – o jovem professor justificou – Ainda estou nas minhas férias e prefiro ficar em casa a ter que viajar pra uma cidade que nem fica nesta ilha!
-Boa tarde. – Kagome falou quando ela e mais os quatro amigos entraram com ela na casa e passaram pela sala.
-Boa tarde. – os dois responderam.
Bokuseno levantou-se e dirigiu-se até a porta.
-Uma pena que não queira viajar de graça pra Nagasaki. – o senhor falou numa voz meio dramática – Teria todas as despesas pagas e poderia levar quantos acompanhantes quisesse.
Ao ouvirem aquilo, os cinco, que estavam quase entrando na cozinha, voltaram correndo e se aproximaram dos dois, gritando:
-ELE VAI! QUANDO É A VIAGEM?
-Do que diabos estão falando? – Sesshoumaru perguntou impressionado.
-Certo, certo... Eu sabia que estava certo quando escolhi alguém como você pra ser nosso representante naquela cidade. – Bokuseno batia camaradamente no ombro de Sesshoumaru, este ainda boquiaberto – As passagens serão mandadas para o aeroporto e a viagem é amanhã! Boa viagem!
-E por que você não vai? – Sesshoumaru perguntou, rangendo os dentes.
Bokuseno ficou formulando uma resposta durante um minuto, até que finalmente falou:
-Tá doido? Eu estou cansado e quero férias... Sem contar que toda minha família iria querer ir junto... Fala sério.
Sesshoumaru revirou os olhos.
Boku-tachi no junjou na omoi
Natsu no omoide – zenpen.
Nossos verdadeiros sentimentos.
A lembrança de um verão – primeira parte.
Disclaimer: "Inuyasha" é propriedade de Takahashi Rumiko.
Para todos.
Depois de uma exaustiva viagem, na qual Miroku e Inuyasha tiveram que de ser amarrados nas poltronas por Sesshoumaru porque não se "comportavam", os seis amigos chegaram a Nagasaki no final da tarde do outro dia. Pegaram dois táxis e chegaram ao hotel, em que ficariam hospedados por cinco dias até a data das comemorações que a cidade fazia em memória aos mortos pela bomba atômica.
-Dizem que aqui é tão romântico! – Rin falou, unindo as mãos e fazendo uma expressão sonhadora.
-Eu quero aproveitar o hotel que nos deram... Será que é bom? – Miroku tirava as malas do táxi.
-Eu espero que você não reclame. Estão aqui de graça. – Sesshoumaru avisou, ajudando Rin com a mala que ela trouxera.
-Essa questão é muito complexa... – Inuyasha começou – Você traria Rin aqui se a hospedagem fosse num hotel cheio de animais que ela odeia?
Sesshoumaru olhou a garota e falou:
-Não.
-Então você pode entender como nos sentimos. – Miroku falou.
-E eu quero lá saber como vocês se sentem? Eu falei que me importava com Rin, não com vocês.
-Sesshoumaru-sama! – Rin falou, transparecendo os olhos brilhantes.
-Quer dizer então que você não gosta de nós? – Miroku estava ofendido.
-Eu não acredito que tenho um irmão tão... – Inuyasha procurava as palavras – Frio!
-Sesshoumaru-sama não é frio! – Rin o defendeu.
-Chega, chega, crianças... Vamos entrar... Vamos, Inuyasha... – Kagome o pegou pela orelha e arrastou o rapaz para dentro do hotel.
Sob um olhar de espanto de Sesshoumaru e Rin, Sango fez o mesmo com Miroku, ignorando os protestos dele.
Rin olhou sem jeito para Sesshoumaru e suou quando percebeu que ele estava sorrindo. Protegeu as orelhas com as mãos e correu para dentro do hotel, procurando por Sango e Kagome.
Cerca de uma hora depois:
Depois de terem arrumado as bagagens nos três quartos – um casal em cada - em que ficariam hospedados, os amigos saíram do hotel e organizaram um passeio pela cidade.
Ao colocarem os pés na rua, eles ficaram em silêncio e observaram a cidade.
Havia um ar diferente naquela cidade, sem dúvida. Como estava numa época especial, a cidade estava se enfeitando.
Mas havia alguma coisa além daquilo...
Os próprios moradores ajudavam na arrumação das festas. O hotel em que estavam hospedados era de frente a um hospital; havia também uma escola e várias igrejas cristãs por perto.
Um vento frio soprou e Sango foi a primeira a sentir um calafrio.
-Que cidade estranha... – falou, apertando o casaco ao corpo.
-Muito silenciosa... Nem parece que estão se preparando para uma cerimônia... – Sesshoumaru falou, passando a mãos nos cabelos de Rin, que ficaram desalinhados por causa do vento.
-Miroku-sama já veio aqui antes? – Kagome perguntou, agarrando-se ao braço de Inuyasha, este observando um grupo de homens vestidos de branco.
-Nunca mais. Minha mãe me tirou daqui quando eu era criança. – ele falou, colocando os óculos escuros e segurando o braço de Sango.
Um doce barulho de sinos começou a soar e os presentes escutaram o mesmo som por cinco minutos até começarem a se irritar.
-Que sino é esse? – Sango perguntou, franzindo a testa.
-Vem dali. – Inuyasha falou, apontando para um grupo de monges, os homens vestidos de branco. Eles estavam conversando com algumas pessoas enquanto tocavam os sinos, usando um chapéu na testa com um kanji que era impossível de se ler de onde os seis estavam.
-Melhor tomarmos cuidado quando andarmos por aqui... – Sesshoumaru começou – Há uns grupos radicais que atacam cristãos e turistas por estas províncias...
-Oh... – Kagome murmurou.
-O que faremos agora? – Miroku perguntou.
-Eu vou com Rin até o centro universitário daqui. Ele está organizando a chegada das pessoas que representarão outras cidades. – Sesshoumaru falou – E vocês?
-Eu farei uma reportagem! – Sango tirou do casaco uma discreta câmera digital – Houshi-sama irá comigo.
-Eu vou visitar a cidade com Inuyasha. – Kagome avisou, ajeitando um chapeuzinho na cabeça – Podemos nos encontrar mais tarde no hotel, né?
-Sim. – os outros dois casais confirmaram com a cabeça.
Cerca de duas horas depois:
Em um dos pontos mais afastados da cidade, Sango e Miroku observavam Nagasaki do alto de um pequeno vale com um binóculo.
-Sua mãe era daqui mesmo? – Sango perguntou, tirando o binóculo do rosto e entregando a Miroku. Este tirou os óculos e visualizou a cidade por alguns segundos.
-Sim. – ele falou. Um momento de silêncio se fez entre os dois.
Sango observava o noivo com interesse, arqueando as sobrancelhas quando ele estendeu o braço e apontou para uma determinada direção, tirando o binóculo dos olhos e continuando a apontar para outras direções como se estivesse marcando um território, falando enquanto isso:
-A bomba caiu ali... E a explosão atingiu as cidades... – mudou a posição – Até ali.
Sango não comentou sobre aquilo.
-Minha mãe me contou que costumava cantar no coral das cerimônias daqui... – Miroku continuou, fazendo Sango notar um brilho emocionado nos olhos azuis-escuros – Eu esqueci como era a música, mas era bonita.
-Não foi difícil pra ela sair daqui? – Sango perguntou, entregando a ele os óculos e pegando de volta o binóculo.
-É difícil... – ele falou, dando um sorriso triste – Até hoje é difícil... pra nós.
Sango olhou para a cidade. Era conhecido o preconceito que alguns tinham contra as pessoas e descendentes das duas cidades atingidas pela guerra. Era difícil conseguir um emprego, mesmo quando se esforçam e tinham muitas qualificações.
-Sangozinha vai escrever sobre o quê? – ele perguntou, tentando mudar de assunto.
-Vou falar sobre os sentimentos dessas pessoas nas comemorações deste ano. – a garota respondeu, sorrindo ao olhar para a mesma direção que o noivo – Daí eu acho que depois, com o dinheiro desta reportagem, farei minha própria coluna... Se bem que eu queria mesmo era fundar meu próprio jornal.
-Minha Sangozinha vai conseguir! – ele falou sorrindo – Sangozinha pode conseguir tudo que quiser que terá o apoio do Houshi-sama dela.
Sango analisou o rosto do rapaz. Mesmo contente quando percebe os próprios problemas. Miroku não tinha emprego, e um dos fatores que contribuíam para aquilo, além dos problemas econômicos do país, era o fato do rapaz ser de uma cidade que foi contaminada por radiação durante a guerra.
-De novo... – Sango olhou ao redor.
-O que foi?
-Esses sinos... Esses monges estão por todos os lugares? – ela perguntou, olhando ao redor e notando a presença de dois monges perto dali.
-Que tal voltarmos ao hotel, Sangozinha? A gente já está aqui há duas horas sem fazer... nada.
-Você está me ajudando, Houshi querido... – ela falou, sorrindo com sarcasmo – Esqueceu que eu contratei você pra me ajudar com as fotos?
-Tava falando sério? – ele perguntou, pegando a câmera digital e começando a tirar fotos de tudo quanto era lado – Meu primeiro emprego em meses! Yahoo!
-Ei, não estraga o filme! – Sango o repreendeu, corando ao ver que ele a focalizava – O que foi agora?
-Estamos aqui em Nagasaki, com a repórter Kawashima Sango, e fazendo uma reportagem especial sobre ela. Diga-me, senhorita Kawashima, como pretende chamar o jornal que quer criar?
Sango mordeu os lábios. Ele tinha um bom humor mesmo em assuntos sérios...
-Eu estava pensando em "Tokyo no Nendaiki". O que acha?
Miroku tirou a câmera do rosto e perguntou:
-Terá crônicas para maiores de dezoito?
Sango ficou vermelha.
-Tarado! – e começou a bater nele.
-Ai, Sango! Calma aí! Tá doendo, pô!
No centro Universitário:
-Sess, eu tô com fome. – Rin reclamou.
-Voltaremos logo para o hotel, Rin. – Sesshoumaru falou, lendo interessado um guia turístico da cidade.
-Mas... mas... Mas o Inuyasha e o Miroku comeram todo o lanche que serviram no avião... Você prometeu que compraria algo para eu comer. – a garota fez cara de criança mal-criada.
-Rin – Sesshoumaru deu um suspiro e depois fez o ar mais sedutor que sabia fazer -, apenas espere mais um pouco, querida.
Rin deu um largo sorriso e acomodou-se na cadeira como uma criança comportada.
Quando estavam em silêncio, os dois viraram os rostos para os lados para descobrir de onde vinha uma suave melodia. Depois escutaram crianças cantando, ao que Rin logo falou:
-Eu conheço essa música... Natsu no omoide...
-Oh? – ele murmurou.
-Eu cantava essa música quando criança no coral da escola.
Natsu ga kure ba omoidasu
Haruka na oze tooi sora
Kiri no naka ni ukabikuru
Yasashii kage nonokomichi
(Lembro-me de uma noite de verão
de tempos atrás, assim como esse céu é distante
As lembranças sempre surgem dentro
Destes tranqüilos caminhos de doces sombras)
-É uma música muito bonita. – ele comentou depois de escutar alguns versos.
-Não gosto dela. – Rin comentou depois que ficaram em silêncio e tratou de completar depressa ao ver Sesshoumaru olhá-la curioso – Ela me traz péssimas lembranças... Eu treinei muito pra uma apresentação em homenagem às mães e a minha nem foi no dia. Disse que estava ocupada demais para ter que ir a uma apresentação e ver a filha cantando.
Sesshoumaru não comentou. Ficou em silêncio e escutou Rin abrir os lábios e acompanhar as crianças, cantando:
Mizu bashoo no hana saiteiru
Yumemite saiteiru mizu no hotori
Shakunageironi tasogareru
Harukana oze tooi sora...
(As flores desabrocham num lago
Na água aparecem os meus sonhos
E também neste anoitecer iluminado
De tempos atrás, assim como esse céu é distante)
-Você não ficou triste por causa disso, não? – ele perguntou, percebendo tarde demais que a pergunta era idiota.
-Claro que sim. – ela falou séria – Você sabe que sou chorona... Mas foi culpa minha. Eu não deveria esperar que ela reservasse parte do precioso tempo dela para ir me ver cantando.
As crianças pararam de cantar e o casal viu abrir uma das salas e sair uma turma de crianças travessas.
-Podem lanchar e voltem em quinze minutos. – disse uma das professoras.
-Você quer comer algo, Rin? – Sesshoumaru perguntou, olhando serenamente para ela.
A garota fez um "sim" gracioso com a cabeça e os dois se levantaram para seguir as crianças e descobrir onde ficava o refeitório.
Quando chegaram a uma grande área de jardim coberto, ainda dentro do centro, o casal foi para a fila que se formou e comprou uma refeição para dois. Quando se sentaram para comer, ficaram em silêncio, observando as crianças brincarem.
-Moço... – uma menina puxou a camisa de Sesshoumaru, e tanto ele quanto Rin arregalaram os olhos ao ver que a criança era extremamente branca e completamente careca – Vocês não são daqui, né?
-Não. – Rin deu um sorriso e respondeu por Sesshoumaru – Viemos de Tokyo.
-Eu vi vocês da janela do meu quarto. – a criança continuou – Eu estava naquele hospital!
-Oh... – Rin ergueu as sobrancelhas – Se soubéssemos, nós poderíamos visitá-la. Você é uma menina muito linda.
A garota tapou a boca e riu.
-Eu não estou tão bonita sem meu cabelo, mas minha mãe disse que, quando eu me curar, eu poderei ser uma modelo famosa! – ela falou, pegando a bainha do vestido e esticando os lados com as mãos.
-E se curar de quê? – Sesshoumaru perguntou, tocando na mão dela e notando as unhas que cresciam.
-Eu tenho câncer. – ela falou com um sorriso meio triste – Mas minha mãe disse que ficarei boa logo! Minha avó e meu pai tiveram câncer, mas só meu pai conseguiu se curar. Parece que foi por causa da radiação.
Nenhum dos dois comentou sobre aquilo.
-Minha mãe também tinha casos na família dela... – ela fez um círculo no chão com o pé – Disse que foi por causa da bomba que caiu aqui... Vocês sabem da história?
Os dois balançaram a cabeça num "sim".
-Foi muito triste... E meus pais choraram quando souberam que eu tinha isso... Mas eles disseram que poderei me curar!
-Você conhece a lenda do tsuru? – Rin perguntou, ajoelhando-se e pegando nas mãos dela.
A menina meneou a cabeça.
-Diz uma lenda que uma menina estava muito doente e triste. Mas ela soube pela mãe dela, que soube pela mãe dela, que soube pela mãe dela, que soube pela mãe dela...
-Já entendi essa parte. – a menina falou. Rin deu uma risada.
-A menina soube que, se fizesse mil pássaros de papel e fizesse um pedido, talvez ficasse boa da doença.
-E ela ficou? – a menina perguntou.
Rin tocou a ponta do nariz dela e achatou-o, fazendo a menina fechar os olhos e rir. Quando ela abriu-os de novo, Rin falou, piscando um olho:
-Por que você não tenta? Se quiser, eu posso ajudar você.
A menina deu um largo sorriso e os olhos brilharam.
-Brigada, moça!
-Poderemos visitar você amanhã. Que tal? – Rin perguntou, ignorando o olhar arregalado que o namorado lançou-lhe.
-Sim! – ela fez um "sim" com a cabeça.
-Qual é o seu nome? – a garota perguntou.
-Mayu.
Neste momento, a professora voltou a aparecer e avisou às crianças que os ensaios recomeçariam. Mayu voltou a olhar para Rin e parecia querer dizer que precisava ir.
-É um nome muito bonito, Mayu. – Rin beijou a testa dela – Amanhã visitaremos você, tá?
-Sim!
A menina saiu correndo e Rin voltou a sentar-se, pegando o hashi e levando uma porção de comida à boca enquanto esperava por algum comentário de Sesshoumaru, que veio minutos depois:
-Você usou os verbos no plural... Por acaso eu vou também?
-Sim! – ela deu um sorriso – Você não está zangado, né? – ela perguntou num sorriso tão inocente que muitos julgariam ser malandro como os de Miroku.
Sesshoumaru apenas deu um meio-sorriso e ficou surpreso quando a garota esticou a mão e puxou o rosto dele pelo queixo, beijando-lhe a testa.
-Eu sabia que não ficaria, Sess.
-Aquela lenda... – ele começou – Aquela lenda... É bem antiga, não? Eu a escutei quando era criança.
-Estou fazendo uma coletânea de lendas só de Tokyo, e essa aparece por lá. – Rin começou – E pensei que também soubessem por aqui, mas a menina não conhecia.
Depois de momentos em silêncio, Sesshoumaru perguntou:
-E a menina da lenda? Ela conseguiu se curar?
A garota abriu os olhos com a surpresa que sentiu pela pergunta, depois os fechou e deu um sorriso.
-Depois dessa sua reunião, podemos dar uma volta pela cidade? Eu soube que o sorvete que fazem por aqui é gostoso!
Sesshoumaru não comentou.
Num dos pontos turísticos da cidade:
-Lindo! – Kagome exclamou e bateu uma foto – Lindo! – bateu outra – Lindo! – e mais outra foto.
-Kagome... – Inuyasha deu um suspiro – Parece que até o pó desta estátua é lindo pra você. – ele apontou para um determinado lugar da estátua da praça em que estavam e passou o dedo no local, mostrando o dedo sujo – Vê? – ele mostrou o indicador para ela.
-Que dedo sujo, Inuyasha! Que horror! – ela falou, tirando uma foto – Vou mostrar pros outros a foto da poeira de Nagasaki.
Inuyasha rosnou e Kagome o ignorou.
-Então agora eu vou tirar as últimas fotos desta linda praça... – ela abriu os braços e rodou, olhando para o céu – Dizem que este lugar é místico e eu acho que é verdade! Eu me sinto mais humorada e também com uma enorme vontade de tirar fotos!
Inuyasha sacudiu a cabeça negativamente.
Kagome olhou em volta e viu mais uma estátua na praça, correndo até ela. Segundos depois, Inuyasha aproximava-se também.
-Kagome, eu tô com fome... Vamos voltar pro hotel?
-Você comeu quase toda a comida do avião e ainda tá com fome? – Kagome estava boquiaberta.
-Corrigindo: Miroku comeu quase toda a comida!
Três segundos depois, Kagome voltou a falar:
-Você e Miroku comeram quase toda a comida do avião e ainda estão com fome?
Inuyasha revirou os olhos.
Miroku e Sango...
-A-A-Atchin! – Miroku passou a mão no nariz.
O rapaz e a noiva estavam sentados num dos jardins públicos da cidade, admirando o local. Sango desencostou a cabeça do ombro dele e olhou-o com curiosidade.
-Mal chegou à cidade e já está gripado?
-N-Não... – ele conteve outro espirro – Acho que estão falando mal de mim...
-Quem?
-Sei lá... Sesshoumaru-sama? – ele arriscou.
-O que você aprontou desta vez, Houshi? – Sango perguntou numa voz sombria.
-Eu não fiz nada! – ele se defendeu de mais golpes dela – Ai, Sango!
Kagome e Inuyasha...
-Inuyasha... – a garota fez uma cara inocente e muito doce – Eu posso tirar uma foto sua... e dessa estátua?
O rapaz olhou desconfiado para o monumento em homenagem ao imperador.
-Onde? – ele perguntou, aproximando-se do imperador de cimento.
-Aí mesmo! Agora... – ela o visualizou com a câmera – Fique na posição de Buda.
Inuyasha arqueou uma sobrancelha.
-Pelo amor dos deuses, Inuyasha! Eu sei que você não é budista, mas eu acredito que você saiba quem é Buda, né?
-Sei, sei... – ele resmungou, sentando-se na posição de lótus – Assim tá bom?
-Hmm... Ponha as mãos unidas em sua frente.
-Como?
-Coloque suas mãos unidas – ela uniu as mãos como demonstração – e plante-as no chão, Inuyasha.
Inuyasha colocou as mãos unidas no chão e em frente das pernas, parecendo um cachorro perto do imperador Akihito.
-Bom menino! – Kagome exclamou, fazendo Inuyasha ficar de olhos arregalados quando percebeu que posição era aquela e tirando uma foto dele – Te amo, Inuyasha!
No final da tarde:
Já no hotel, os seis se encontraram quase no final da tarde. Depois de tomarem um banho rápido, os três casais ficaram no quarto de Sesshoumaru para lancharem juntos, coisas que sempre faziam quando estava na casa do irmão mais velho. Conversaram sobre o que fizeram durante o dia e Kagome começou a mostrar as fotos que tirou.
-E estas aqui eu tirei na praça perto da embaixada do Brasil. – Kagome mostrou as fotos.
-Olha, um dedo sujo! – Miroku comentou ao ver a foto do dedo do Inuyasha.
-É do Inuyasha. – Kagome falou.
Sango, Miroku, Rin e Sesshoumaru olharam enojados para Inuyasha.
-Sem comentários, sem comentários! – este falou, comendo uma porção de tenpura misturado com ramen.
-Esta aqui é da estátua do imperador. – Kagome mostrou a foto – Está passeando com o cachorro.
Os quatro olharam atentamente para a foto.
-Não é...? – Sango começou.
-Esse cachorro aí parece... – Miroku continuou.
-É o Inuyasha. – Sesshoumaru concluiu, sorrindo malignamente.
Miroku teve uma crise de risadas e teve que ser controlado por Sango.
-Sem comentários, pô! – o irmão mais novo gritou.
Oito da noite:
Depois do jantar improvisado que fizeram no quarto de Sesshoumaru, todos ainda continuavam lá, conversando, vendo tevê e...
-Olá, querida... Que bom que chegou, estou com fome! – o boneco com a voz de Miroku falou para a boneca de Kagome.
-Desculpe a demora! O trânsito estava horrível, meu amor.
Um rosnado de Inuyasha, que assistia a um anime e estava deitado confortavelmente na cama de casal, foi ouvido.
-Querida, o cachorro está solto? – o boneco-marido falou de novo – Se ele continuar assim, vou mandar a carrocinha levá-lo.
-Não fale assim dele, meu amor! Eu adoro o Inu-chan! – a boneca-esposa falou.
-Ele é horrível! Você passa o dia todo fora, trabalhando pra me sustentar, pra me dar o dinheiro pro meu sake e cuidar da casa, e você gosta mais desse vira-lata que de mim!
Sango e Rin faziam força para não rirem daquela encenação. Sesshoumaru lia uma revista e fingia não ligar.
-Não faça drama, Houshi-chan! – a boneca-esposa gritou.
-"Houshi-chan"? – desta vez, Sesshoumaru prestou atenção.
-É o nome dele. – Kagome falou.
Inuyasha riu e Sesshoumaru balançou a cabeça.
-Não discuta comigo, mulher! – a mão do boneco-marido bateu no rosto da boneca-esposa – E não me chame mais assim! – bateu de novo, desta vez com mais força, fazendo a cabeça da boneca cair.
A cabeça rolou – sem trocadilhos – pela mesa e caiu no chão aos pés de Sango e Rin, as duas tentando esconder uma gota que surgiu no rosto delas.
Um minuto de silêncio em que se escutou apenas um "ih..." de Miroku.
-INUYASHA, ELE QUEBROU A MINHA BONECA! – Kagome gritou, apontando acusadoramente para Miroku.
-FOI SEM QUERER, FOI SEM QUERER! – Miroku tentou se defender quando viu Inuyasha levantar-se e ir em direção dela com os punhos cerrados.
No quarto, Sango e Kagome – chorando em cascata – tentavam arrumar a boneca sem cabeça, enquanto Miroku corria desesperadamente de um lado para o outro para fugir de Inuyasha. Rin aproximou-se de Sesshoumaru e sentou-se ao lado dele.
-Sess... – ela passou a mão no ombro dele – Vamos dormir depois? Ainda estou cansada da viagem...
Notou que o rapaz baixou a revista e olhava para algum ponto perdido.
-Sess? Sess... o quê...?
-Façam silêncio... – ele falou, mas o barulho causado pela briga entre Miroku e Inuyasha continuava ao mesmo volume – Silêncio... SILÊNCIO! – ele gritou, fazendo até mesmo Rin recuar ante o nervosismo que ele demonstrou.
Todos ficaram calados, olhando o irmão mais velho, sentindo também um pouco de medo.
-Não estão escutando? – Sesshoumaru perguntou.
Ficaram em silêncio e apuraram os ouvidos. Alguns segundos depois, entenderam a pergunta do rapaz. Sim, escutavam alguma coisa... Pareciam gritos, além de outra coisa. Sango foi a primeira a notar.
-Está... tremendo... – ela murmurou, olhando um copo vibrando e estilhaçando depois.
-Terremoto? – Inuyasha arriscou.
-Mas aqui é estável... não é? – Kagome falou, agarrando-se ao braço de Inuyasha, que passou outro braço protetoramente pela cintura dela.
-Devemos fazer os procedimentos de emergência? – Sango perguntou, olhando receosa para as paredes.
-Talvez não seja terremoto, mas... – Sesshoumaru começou – Não vamos entrar em pânico. Vamos ficar afastados das paredes e...
Parou de falar ao escutar os gritos ficarem mais fortes.
-O que está acontecendo? – Kagome sentia as pernas trêmulas.
-Vou fechar a porta da sacada. – Sesshoumaru falou, aproximando-se da porta e fechando-a, parando por alguns segundos para olhar, pelo vidro, o que acontecia do lado de fora.
-Sesshy, vamos para baixo da mesa... – Rin aproximou-se dele e parou de falar ao ver o namorado arregalar os olhos e virar-se abruptamente para ela, jogando-a no chão.
Os segundos seguintes foram de gritos dentro do quarto. Uma explosão foi ouvida, a porta da sacada ficou em pedaços que voaram, um deles acertando o braço de Sesshoumaru, ainda protetoramente em cima do corpo de Rin. As garotas gritaram, mesmo estando protegidas pelos respectivos namorados.
Minutos depois, eles ousaram se levantar e ver o que havia acontecido. Miroku ajudou Sango a se levantar, Inuyasha fez o mesmo com Kagome.
-Se-Sesshoumaru! – Rin falou, sentando-se no chão quando o namorado saiu de cima dela – O seu... O seu braço!
O rapaz passou a mão no braço esquerdo, tirando de lá um pedaço de madeira que estava cravado nele e fazendo uma careta ao sentir a dor violenta se apoderar do membro.
-Está tudo bem... Vou precisar parar o sangramento. – ele falou, levantando-se com a ajuda de Inuyasha e Miroku.
-O que está acontecendo, afinal? – Sango perguntou, não aguentando mais a tensão do momento.
-Acho que é aquilo... Que eu falei hoje cedo. – Sesshoumaru falou.
-Radicais? – Inuyasha arriscou, sentindo frio na espinha.
Os seis se aproximaram do buraco que havia no local da porta da sacada, não contendo uma exclamação conjunta de surpresa ao ver o hospital em frente ao hotel em chamas.
-Sim... – Sesshoumaru confirmou, apertando mais forte o braço machucado.
Continua...
Na continuação:
Os amigos ajudam no resgate aos feridos e descobrem histórias sobre os moradores da cidade. Sango e Miroku tentam se acertar nesse meio tempo; Rin chora pelos mortos e Sesshoumaru a consola; e Kagome e Inuyasha rezam pelas vítimas de um certo verão. Jikai Boku-tachi no junjou na omoi: Natsu no omoide – teihen. Não percam.
"-É que dói menos quando lembramos o que perdemos..."
