Apesar de parecer concentrada em lavar a louça do desjejum, Rin estava mais preocupada em decidir o que fazer para festa de aniversário de Sango. O que preparar: um bolo, uma torta, doces ou somente um delicioso jantar para a amiga?
Esses pensamentos foram interrompidos por Miroku, que entrou na cozinha e mostrava-se muito nervoso.
-Rin-sama – ele começou -, Sangozinha não quer sair hoje. Como faremos a festa dela?
-Não quer sair? – repetiu – E por quê?
-Ela diz que é aniversário dela e que não precisa trabalhar hoje. – ele passou a mão nos cabelos negros – E tenho medo de apanhar dela se disser que procuro por emprego mesmo nos feriados e no meu aniversário.
-Ora... – Rin de um sorriso – Vamos resolver isso... – pegou um pano e enxugou as mãos.
-Que vai fazer, Rin-sama? – Miroku a seguiu quando ela abriu a porta para sair da cozinha e ir para a sala.
-Já vai ver, Miroku-sama...
Na sala, Kagome tentava convencer Sango a sair naquele dia.
-Mas, Kagome-chan, eu não vejo aquela novela... Não me importo de perder o final.
Kagome deu um sorriso sem graça e uma gota escorregou pela testa dela.
-Kagome-chan... – Rin aproximou-se do sofá em que estavam as duas – Vai sair hoje?
-Eu... Er... – Kagome começou, vendo Miroku distrair Sango por um momento ( em que ele agarrou o rosto dela para beijá-la de modo quase sufocante, recebendo um tapa depois), e o movimento de cabeça que Rin fazia para que ela desse uma resposta afirmativa – Vou sair com Inuyasha... Por quê?
-Oh... – Rin começou num tom dramático – Sesshoumaru-sama foi trabalhar, Miroku-sama vai procurar emprego e vou ficar sozinha. Preciso de ajuda para arrumar a casa.
-Ah, mas Sango-chan vai ficar em casa hoje! – Kagome alegremente uniu as mãos e forçou um sorriso ao perceber qual era o plano.
-Verdade, Sango-chan? – Rin falou e viu um sorriso amarelo nos lábios da amiga – Já que vai ficar em casa, vai me ajudar a lavar a louça, a varrer a casa, limpar as janelas, secar a roupa, arrumar o jardim e a limpar as lajotinhas do piso do banheiro.
-Er... – Sango hesitou – Acho que é melhor eu dar uma passadinha lá na redação... Talvez precisem de mim na coluna de variedades para comentar a respeito do final da novela... – levantou-se rapidamente.
-Não pode nem limpar as lajotinhas, Sango-chan? – Rin estava triste – Que pena... Mas você pode me ajudar quando voltar, né?
-Ah, mas eu vou voltar tarde, muito tarde... Lembrei que participei do bolão para descobrir com quem Michiko vai casar no final... – Sango quase correu para a porta.
-Mas você não disse que não via essa novela, Sango-chan? - Kagome perguntou, surpresa.
-Com quem você acha que ela vai ficar, Sangozinha? Você apostou em quem?
-Puxa, mas limpar as lajotinhas é divertido, Sango-chan...
Segundos depois, a aniversariante fugia dali, deixando um rastro de poeira levantada.
Rin fechou a porta e deu um sorriso aos dois amigos ao falar:
-Viram só como foi fácil?
Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no junjou na omoi.
Paatii.
Crônicas de Tokyo: Nossos verdadeiros sentimentos.
A festa.
Disclaimer: Eu sinceramente espero que vocês não pensem que a série é minha depois de tantas crônicas postadas.
Para minha irmã
-Eu acho que seria melhor um jantar e um bolo. – Rin falou a Kagome, Miroku e Inuyasha, todos sentados à mesa – O que dá mais trabalho é o jantar, então podemos fazer o bolo agora e deixar pronto para mais tarde.
-E o que teremos para o jantar? – Miroku perguntou.
-O que vocês sugerem? – Rin deu um sorriso.
-Que tal lamen? – foi a sugestão de Inuyasha, cujos olhos brilhavam.
-Oden, oden, oden, oden, oden... – Kagome uniu as mãos e implorava com os olhos de um viciado.
Rin e Miroku sentiam as gotas escorrerem atrás da cabeça.
-Er... – Rin forçou um sorriso – Que tal fazermos o bolo primeiro e pensarmos no jantar depois?
-Mas a gente não sabe fazer bolo... – Inuyasha falou.
-Não vamos precisar roubar um como em Yokohama, né? – Kagome comentou.
-Hein? – Rin e Inuyasha não entenderam.
-Nada. – a amiga engoliu em seco e Miroku olhava disfarçadamente para os lados.
-Muito bem. – Rin esqueceu logo de perguntar o que significava aquilo e levantou-se – Let's go! Kagome-chan?
-Sim? – a garota levantou-se, assim como um soldado recebe um comando.
-Separe seis ovos e bata as claras.
-É pra já!
-Inuyasha?
-Oi?
-Pegue a fôrma, trigo e manteiga para untar.
-Tá... – preguiçosamente ele se levantou e foi fazer o ordenado.
-Miroku-sama, posso pedir uma coisa pra você?
-Rin-sama, já deveria saber que, se me pede uma coisa, eu faço logo duas.
-Obrigada, Miroku-sama. – ela deu um sorriso – Você me ajudará na lista para o jantar.
-Como quiser, Rin-sama.
-Inuyasha, é pra passar manteiga na fôrma, não nos pãezinhos para comê-los... – Rin reclamou.
-Ah... – o rapaz mastigou o último pedaço e forçou a passagem pela goela - Ninguém me falou nada... – foi lavar as mãos e pegou a forma redonda para começar a trabalhar.
-Não deixe espaços sem manteiga, tá? – Rin recomendou.
-Tá, tá...
-Miroku-sama, comprou alguma coisa para Sango-chan? – Kagome perguntou ao rapaz.
-Comprei na semana passada... – ele colocou os braços atrás da nuca – Sesshoumaru-sama me emprestou uma grana. Vou pagar quando arrumar um emprego.
-E se não arrumar? – Inuyasha foi logo negativo.
-Detalhes, detalhes... – Miroku disfarçou uma gota na testa.
-Pelo menos você conseguiu o dinheiro, né, Miroku-sama? – Rin bateu palmas.
-Obrigado, Rin-sama. E o que faremos para o jantar?
-Oden?
-Lamen?
-Não. – Rin ignorou o casal – Vamos fazer algo que Sango-chan gosta de comer.
-Ela não gosta de oden?
-E de lamen? – os dois pareciam chocados.
-Olhem... – uma veia saltou na testa da namorada de Sesshoumaru – Apenas fiquem quietos e façam o que eu mandei!
-TIRANA! – Inuyasha e Kagome gritaram em uníssono.
-Ignore-os, Rin-sama. – Miroku consolou a garota, que chorava em cascata depois de ficar ofendida com o comentário – Vamos ver o que podemos escolher para o jantar.
-Eu estava pensando em sashimi de salmão, chawan mushi (espécie de pudim com caldo quente), ounigiri (bolinho de arroz), yakitori (galinha temperada e no espeto), omuraisu (panqueca de arroz) e sushi (peixe cru). Que tal?
Os três ficaram quietos, só Miroku conseguiu falar depois:
-Depois colocaremos a placa lá fora com o nome do restaurante?
-Que tal "Sengoku Jidai"? – Inuyasha arriscou.
-"Shikon no Tama"? – foi a aposta de Kagome.
-"Youkai e cia"? – Inuyasha tentou de novo.
-"Nekohanten"? – a namorada dele perguntou.
-Façam o serviço de vocês! – Rin zangou-se, fazendo o casal se encolher.
-Eles têm razão, Rin-sama... – Miroku começou – É demais para um jantar... E como vamos arranjar tudo isso ainda hoje?
-Ora... – ela ergueu o rosto com altivez – Há estoques aqui em casa. Sesshoumaru-sama gosta de comer bem.
-Bem, se for assim... – Miroku pegou a lista que fizera ao lado de Rin – Podemos fazer apenas chawan mushi, ounigiri, sushi e omuraisu, que são os preferidos de Sangozinha.
-Bem... Ounigiri leva muito arroz... – Rin começou, levantando-se – Melhor começarmos a fazer uma porção e prepararmos os temperos. Antes eu vou começar a fazer a massa do bolo...
-Como Rin-sama desejar. – Miroku falou.
-Kagome-chan, veja se essa clara já está boa... – Rin falou, colocando trigo, as gemas, açúcar e manteiga numa tigela.
-E como eu descubro isso?
-Vire um pouco o prato e veja se não cai.
Kagome pegou o prato e virou-o, olhando para cima para olhar.
-Assim?
-NÃO, KAGOME-CHAN! – Rin gritou.
Dez minutos depois:
Miroku e Inuyasha ainda riam na cozinha quando Kagome voltou ao lado de Rin. O rosto e o cabelo estavam lavados, mas ainda se podia sentir cheiro de ovos.
Ao verem a expressão furiosa da garota, ficaram sérios e voltaram a cortar os legumes.
-Kagome-chan, acho melhor você cortar os legumes... É mais seguro. – Rin comentou – Inuyasha, troque de lugar com ela e coloque água para ferver e depois ponha arroz. Volto já... Vou lavar as mãos. Estão cheirando a ovos... Eca...
Rin calou-se ao receber um olhar mortífero de Kagome.
Mais quinze minutos depois:
-Ah... Agora acho que o cheiro saiu. – Rin tinha as mãos abertas quando entrou na cozinha – Usei cinco sabonetes diferentes.
-Acho que esse arroz já tá bom... – Inuyasha falou, olhando fixamente a panela.
-Pode tirar do fogo e jogar o arroz no escorredor. – Rin falou.
-Tá... – Inuyasha falou, pegando a panela sem as luvas para proteger as mãos.
-Inuyasha, cuidado! – os três gritaram ao mesmo tempo.
Três minutos depois:
-Você é um idiota, Inuyasha! – Miroku resmungava enquanto limpava o chão da cozinha, que tinha arroz e água por todos os cantos.
Inuyasha rosnou.
-Calma, gente, calma... – Rin tentava acalmar a tensão.
-Inuyasha, você é um idiota! – Kagome falou.
-Até você, Kagome?
-Eu não resisti. É divertido escutar você rosnar.
Inuyasha rosnou de novo.
-Tá bom, tá bom... – Rin torceu um pano dentro de um balde para tirar a água de arroz.
O telefone tocou e Miroku ficou de pé.
-Vou atender.
Quando Miroku saiu, os outros terminaram de limpar o chão.
-Vamos fazer o bolo, tá? Melhor trabalharmos todos juntos e...
-Rin-sama. – Miroku entrou na cozinha com o telefone sem fio em mãos – É seu pai.
-Oh... – Rin piscou e hesitou por uns instantes, mas depois saiu do lugar e pegou o aparelho – Obrigada, Miroku-sama... Volto já. – saiu da cozinha e foi para a sala.
Na sala, sentou-se no sofá e deu um suspiro antes de começar a falar:
-Oi, pai.
-Esqueceu que dia é hoje, filha?
-Claro que não... – ela umedeceu os lábios – Mas ainda não tive tempo de ligar para ela.
-Oh...
-Desculpe, papai. É que realmente eu não gosto de ligar para mamãe.
-Isso é muito ruim, filha... Tente arrumar coragem e ligue pra ela depois de ler os ensinamentos de Buda. É terrível você agir assim com sua própria mãe.
-Tá bom, tá bom... – Rin se irritou com aquele sermão – Qual é o telefone dela?
-Não sei. Você não sabe?
-Eu, não. O senhor não ligou pra ela?
-Não. Sabe como eu não gosto de ligar para sua mãe.
Um balãozinho de reticências apareceu ao lado do rosto de Rin enquanto ela estreitava os olhos para o aparelho, como se pudesse ver o pai através dele.
-Filha, estou em Tokyo. – ele falou para mudar logo de assunto – Vou para Kyoto ainda hoje, mas o meu voo sairá daqui a duas horas. Pode vir aqui no aeroporto nacional para me abraçar?
-Oh, mas por que o senhor não falou logo? – a garota estava contente – Acho que chegarei em quarenta minutos, no máximo.
-Estarei esperando no café perto do saguão.
-Até logo, papai.
-Até.
A garota desligou o aparelho e colocou-o na base, levantando-se do sofá para começar a marchar alegremente à cozinha.
-Pessoal, eu vou sair. Meu pai está na cidade e pegará um voo daqui a duas horas... Vou passar o tempo com ele enquanto isso!
-Que bom, Rin-sama! – Miroku falou, levantando-se para alongar o corpo e pegando o balde com água suja – Vamos dar uma pausa enquanto você está fora e...
-Ei, eu não disse isso. Vocês vão continuar preparando os temperos enquanto estiver fora. – Rin cruzou os braços.
-Hein? – Miroku, de tão chocado, acabou soltando o balde e molhando o piso da cozinha de novo...
Dez minutos depois:
Antes de entrar novamente na cozinha, Rin deu um suspiro e mais uma vez arrumou as mechas do cabelo negro e alisou o tecido da blusa com uma das mãos enquanto a outra segurava o casaco. Era quase época do Natal e o inverno estava muito mais rigoroso neste ano que nos anteriores.
Finalmente abriu a porta e entrou na cozinha, onde Miroku, Inuyasha e Kagome estavam numa pose submissa, limpando o chão com panos como se fossem servos dos antigos feudos do Japão das guerras civis.
-Eu já vou... Volto depois que meu pai for embora.
-Sim, Rin. – os três humildemente responderam, sem parar o serviço.
A namorada de Sesshoumaru vestiu o casaco e abotoou-o, tirando o cabelo que ficou preso por dentro da roupa e abriu novamente a porta para sair, parando por um instante.
Deu um suspiro e falou:
-Ah, mais uma coisa...
Os três pararam o serviço e olharam-na da mesma forma humilde.
-Por favor... Não provoquem uma catástrofe na cozinha enquanto eu estiver fora, ok? – pediu com as mãos unidas – Eu tento voltar antes das cinco da tarde... Não sei se conseguiremos fazer alguma coisa mais caprichada, mas façam pelo menos os bolinhos de arroz, tá?
-Tá. – responderam como se fossem criancinhas levando uma bronca dos pais.
Rin saiu e, segundos depois, os que estavam na cozinha escutaram alguém sair da casa batendo a porta da entrada com uma violência assustadora.
Uma hora depois:
-Eu falei que uno é mais divertido que pôquer... – Miroku comentou enquanto segurava as cartas - Agora só falta ensinarmos pra Sesshoumaru e vê-lo perder, hehe!
-Miroku-sama, tem certeza de que dá pra fazer um bolo em meia hora? – Kagome perguntou, baixando as cartas.
-Claro que dá, Kagome. – foi Inuyasha quem falou desta vez, separando as cartas na mão – Se não der, a gente rouba um do vizinho.
Miroku e Kagome estremeceram com aquele comentário.
-Ué, o que foi? Vocês não falaram isso hoje cedo?
Os dois engoliram em seco e trocaram olhares.
-Er... Acho melhor começarmos a fazer esse bolo... - Miroku disfarçou, levantando-se – Kagome-sama, sabe por onde começamos?
-Não, mas se for com bater clara de ovo, nem pensem em contar com a minha ajuda.
-Inuyasha, bata as claras. – Miroku ordenou.
-Por que eu?
-Porque será divertido ver as claras caindo na sua cara, idiota. – Miroku falou – Não vê que Kagome não quer fazer o serviço? Vá logo bater essa droga!
-Tudo eu, tudo eu! – Inuyasha foi até a geladeira e pegou mais seis ovos.
-Kagome-sama, vamos fazer a massa.
-Certo, Miroku-sama!
Os dois pegaram os ingredientes deixados por Rin e ficaram olhando para a tigela.
-E agora? – perguntou o noivo de Sango – Está pronto?
-Acho que tá faltando coisa... Rin-chan colocou fermento? – Kagome olhou o vidrinho ao lado da tigela abandonada pela amiga.
-Acho que não... Eu nem prestei atenção...
-Quantas colheres a gente coloca?
-Tenho uma sugestão. – Miroku começou – Como somos seis, colocamos seis colheres que valem por cada um de nós.
Kagome considerou aquela proposta.
-Acho que não vai dar certo. – Inuyasha opinou, enquanto olhava as claras em neve – E se Sesshoumaru quiser comer mais de um pedaço?
-É, acho que tem razão, Inuyasha... – Miroku concordou com a cabeça – Vamos colocar todo esse fermento na massa.
Depois de esvaziar o vidro de fermento, Kagome falou:
-Acho que agora falta o sal...
-Bolo leva sal? – Miroku ficou intrigado.
-Ué, aqueles bolinhos de arroz levam, por que esse bolo não levaria?
-Sei não... – o amigo olhou a tigela e ficou pensativo – E quanto sal vamos colocar nisso?
-Que tal a mesma quantidade do fermento? – sugeriu Kagome.
-Boa, Kagome-sama! – Miroku pegou o pote de sal e jogou o conteúdo na tigela.
-Ei, as claras já estão boas. - Inuyasha falou, virando o prato com cuidado e entregando-o a Miroku.
-Vamos jogar... – Miroku jogou as claras na tigela - E misturar tudo...
-Que pena que a batedeira quebrou... – Kagome lamentou – Mas acho que não fará mal se colocarmos no liquidificador.
-Vamos colocar mais um pouco de trigo e açúcar... – Miroku sugeriu – Inuyasha, pegue o pote de trigo.
-Já tá na mão. – o rapaz entregou ao outro e viu Miroku jogar o conteúdo na tigela, provocando uma forte nuvem de fumaça na cozinha toda.
-Ei, acho (cof!) que vi (cof, cof!) Rin colocar pouca manteiga... Vamos colocar mais? (cof, cof, cof!)
-Muito bom (cof, cof!), Kagome-sama. – Miroku tossiu mais um pouco e esvaziou o pote de açúcar e o de manteiga, ignorando um Inuyasha que tossia sem parar ao lado dele.
Finalmente, depois de tantos acréscimos, os três olharam para a tigela e para o liquidificador.
-Vamos pôr isso aqui... – Miroku jogou toda a massa de qualidade duvidosa dentro da jarra – E depois vamos colocar lá na fôrma... Inuyasha, onde você colocou aquela fôrma que Rin-sama pediu pra você untar?
Inuyasha olhou ao redor e viu a fôrma redonda em cima da geladeira, com ninguém menos que Buyo confortavelmente instalado lá. Foi até ele e tirou-o do utensílio, entregando depois a Miroku.
-Acho que tem muita massa... – Kagome comentou – Vamos pôr só a metade e depois a gente acrescenta o resto.
E assim foi. Os três ficaram olhando curiosamente a jarra de o liquidificador encher de massa, com Miroku fazendo o serviço. Este depois a tampou e ligou o aparelho.
Ficaram olhando o aparelho "gritar" para funcionar direito para bater a massa, devagar além do normal.
-Acho que tem muito... – Kagome falou.
-Vamos tirar um pouco... – Miroku falou, desligando o aparelho e destampando a jarra para depois tirá-la da base, mas percebendo que estava difícil de sair.
-Peraí que vou te ajudar... – Inuyasha falou, segurando a base para Miroku, mas, infelizmente, apertando sem querer o botão para que o liquidificador funcionasse.
-NÃO, INUYASHA! – Kagome e Miroku gritaram ao mesmo tempo.
Dez minutos depois:
-Rápido, rápido, pessoal! – Miroku comandava, limpando cada centímetro da cozinha da casa de Sesshoumaru tão desesperadamente quanto os amigos, que tinha massa de bolo grudada pelas paredes.
-Inuyasha, você é um idiota! Idiota, idiota, idiota! – Kagome reclamava.
-Tudo eu, tudo eu!
De repente, um barulho fez com que suassem frio. Alguém entrara na casa e fez questão de mostrar que chegara ao bater a porta com força.
-Escondam-se, depressa! – Miroku ordenou, e imediatamente os três correram de um lado para o outro, chocando os corpos quando tentaram correr para uma mesma direção.
Os passos pelo corredor ficaram mais fortes, e Inuyasha foi o primeiro a se esconder: dentro da despensa de produtos de limpeza, tirando o pobre Buyo – que estava escondido no local – de lá e escutando um miado gritado ao jogá-lo longe antes de deslizar a portinhola e ficar no escuro.
-Droga, o Inuyasha foi esperto... – Kagome levantou a toalha da mesa e pisou sem querer no rabo de Buyo, que fugiu novamente depois de soltar outro miado de angústia.
Miroku olhou desesperado de um lado para o outro, pegou Buyo – que também parecia querer se esconder – e abriu a geladeira para jogá-lo dentro, novamente fazendo-o gritar. Depois, deslizando as portinholas embaixo da pia, arrumou um lugar para si ao lado das garrafas de sake da coleção de Sesshoumaru e dos panos de limpar a casa, trancando-se lá antes da porta da cozinha se abrir.
Quando Sesshoumaru, ainda com um braço imobilizado, entrou na parte da casa onde geralmente encontrava Rin quando voltava da Universidade, estranhou o silêncio em que o ambiente estava mergulhado e a bagunça do local.
Afinal, que diabos acontecera ali? Rin estava fazendo guerra de comida com alguém?
Muito estranho. E ele ia discutir aquilo com ela. Ninguém fazia guerra de comida com a namorada dele; somente ele tinha direito a tal coisa.
E onde será que Rin estava...?
Balançou a cabeça e foi até a geladeira, sentindo sede depois da caminhada de cinco minutos do trajeto "estação de metrô-casa". Abriu a porta e franziu a testa.
Fechou a porta de novo e ficou pensativo, abrindo-a de novo para tentar descobrir o que havia de estranho ali.
Onde estava a garrafa com água mais gelada? Ah, estava atrás de Buyo!
-Licença, Buyo... – ele falou, pegando a garrafa atrás do gato, fechando novamente a geladeira para olhar a cozinha enquanto tomava um gole de água pelo gargalo.
Sim, ele brigaria depois com Rin. Queria saber direitinho essa história de fazer guerra de comida com outra pessoa enquanto ele estava fora.
Aproximou-se da cadeira e viu o assento coberto por uma mistura muito estranha. Foi até a pia e abriu a despensa para tirar um pano para limpar as cadeiras.
Os olhos dourados encontraram os de Miroku, e este forçou um sorriso muito, muito sem graça ao ver o dono da casa ali.
-Onde estão os panos de limpar a casa? – Sesshoumaru perguntou.
Miroku estendeu um pano. Sesshoumaru pegou-o e prendeu-o debaixo do braço, trancando a despensa para depois abrir outra ao lado dela, na qual Rin guardava produtos de limpeza.
Os olhos de Sesshoumaru encontraram os de Inuyasha e este forçou outro sorriso ainda mais sem graça ao ver o irmão ali.
-Tem algum desinfetante aí?
Inuyasha estendeu a ele uma garrafa de desinfetante que cheirava a pinho num raio de um quilômetro e Sesshoumaru pegou-a para prendê-la no braço com gesso, trancando outra vez a despensa.
O dono da casa limpou cadeira e depois se sentou para pensar um pouco, acenando por um instante a Kagome, ao ver o rosto com um sorriso amarelo dela por entre as brechas da toalha de mesa.
-Se vierem atrapalhar meus pensamentos nos próximos cinco minutos, vou dar uma surra em vocês.
Cinco minutos depois:
-C-Calma lá! – Miroku gritou ao ser puxado pela gola da camisa para fora da despensa – Por que justo eu?
-Ora, Houshi... – Sesshoumaru falou – Nunca te falaram que você é especial? Você será o primeiro!
(ESTA PARTE FOI CENSURADA POR CONTER CENAS DE VIOLÊNCIA).
Dois minutos depois:
-C-Calma, cara! – gritava Inuyasha ao ser puxado para fora da despensa – Que vai fazer comigo?
-Você nem imagina o quê, irmãozinho? – Sesshoumaru sorria malignamente.
(ESTA PARTE TAMBÉM FOI CENSURADA POR CONTER CENAS DE VIOLÊNCIA EXPLÍCITA E PALAVREADO DE BAIXO CALÃO PROFERIDO POR SESSHOUMARU E INUYASHA).
Mais dois minutos depois:
Sesshoumaru deu um suspiro, levantou o tecido que cobria a mesa e viu uma assustada Kagome encará-lo. Entendeu a mão a ela e a garota saiu, ficando apavorada ao ver o quanto Miroku e Inuyasha apanharam, estes já passando medicamentos pelas feridas do rosto.
-Pelo menos você pode me explicar o que aconteceu aqui? – Sesshoumaru perguntou a ela.
-É aniversário de Sango-chan. – ela começou – Rin-chan estava organizando uma festa-surpresa, mas ela saiu depois que recebeu um telefonema do pai dela.
Sesshoumaru arqueou as sobrancelhas e a garota continuou:
-Ela nos pediu para fazermos algo enquanto estivesse fora, mas não conseguimos e ela voltará logo...
-Vamos fazer algo, então. – o irmão mais velho falou – Sabe que talvez ela volte triste depois de falar com o pai dela e não consiga preparar algo bom.
-Ou talvez volte furiosa... – ela falou, arregalando os olhos ao perceber a situação – Lembra quando ela soube que ele esteve aqui sem avisá-la e quase nos matou com a comida que fez?
-Vamos agir, pessoal! – Sesshoumaru deu a ordem e logo os três se ergueram e ficaram ao lado um do outro – O que ela queria fazer?
-Bolinhos de arroz ounigiri. – respondeu Miroku.
- Inuyasha, veja a água do arroz. Kagome, prepare os temperos. Houshi, limpe essa bagunça.
-E você? O que vai fazer, hein? – Inuyasha reclamou.
-Irmãozinho... – o outro começou num tom sarcástico – Estou com um braço machucado e vocês sujaram a cozinha da minha casa, então... O que foi? – parou de falar ao ver uma expressão surpresa de Miroku.
-Não era o outro braço? O esquerdo? – o rapaz perguntou.
-O... O quê? – o mais velho tinha a expressão impassível - Meu braço?
-Agora você falou... – o irmão mais novo falou – Eu reparei que ele nos bateu com o direito e ajudou depois Kagome a levantar com o esquerdo...
-Façam logo o que eu ordenei! – Sesshoumaru gritou.
-TIRANO! - os três gritaram em uníssono.
Dez minutos depois:
-Ah, mas isso é muito fácil... – Sesshoumaru falou enquanto segurava as cartas de uno na mão livre.
-Será que o arroz já tá bom? – Miroku perguntou, separando algumas cartas.
Os dois e Kagome, que também jogava, olharam em direção de Inuyasha, que lia tranquilamente a parte de esportes de um jornal muito velho.
-Inuyasha, o arroz já tá pronto? – Kagome perguntou.
Viu o namorado baixar o jornal e olhar desinteressado a panela, que tinha água saindo pelas bordas.
-Você ainda não colocou, idiota? – o mais velho se ergueu da cadeira.
-Ué, era pra colocar? Vocês me falaram que só era pra ver a água. – o mais novo respondeu com ar inocente.
-Mas é pra colocar, irmãozinho... – Sesshoumaru usou um tom de voz de quem fala com pessoas débeis – Coloque o arroz agora.
-Não tem. – o rapaz voltou a ler o jornal.
-Como assim? Não tem comida na minha casa?
-É que estragou tudo quando tentamos fazer algumas coisas hoje cedo. Acabamos com manteiga, trigo, açúcar, sal e fermento... – Inuyasha piscou e depois voltou a ler o jornal como se a situação fosse outra qualquer.
-E por que vocês não me falaram isso? – Sesshoumaru rangeu os dentes, lançando olhares mortais a Miroku e Kagome, que estavam incrivelmente pálidos.
-Você não perguntou. – foi a resposta inocente de Inuyasha.
Um minuto de silêncio se fez.
-Muito bem. – Sesshoumaru fez ar de comandante – Vamos começar a operação "Antes de Rin chegar".
-Nossa. – Miroku falou.
-Que nome feio. – Kagome comentou.
-É mesmo. – foi a opinião de Inuyasha.
-Ignorem o nome e comecem a agir imediatamente! – o mais velho falou – Inuyasha, pegue a lista telefônica. Kagome, procure por restaurantes que façam a entrega em casa. Houshi, fique aqui comigo.
-É pra já! – o casal saiu e Miroku ficou na cozinha ao lado do amigo.
-O que você quer que eu faça? – Miroku perguntou.
-Você vai fazer o pedido.
-E o que você vai fazer?
-Você tem dinheiro pra pagar, Houshi? - o rapaz estava irritado.
Miroku moveu a cabeça negativamente.
-Você está com o braço machucado?
Novamente Miroku fez que "não".
-Você quer apanhar de novo?
Miroku moveu a cabeça ainda mais violentamente para os lados.
-Então não reclame. Se reclamar uma única vez, você quer saber o que eu farei com você?
O rapaz negou de novo e engoliu em seco.
-Muito bem. – Sesshoumaru tirou o gesso do braço e coçou-o, deixando Miroku chocado ao colocar em outro braço.
Dez segundos de silêncio se passaram e Sesshoumaru estranhou o fato de Miroku continuar com a boca meio aberta.
-O que você tem? – finalmente perguntou.
-O seu braço. – Miroku apontou.
-O que tem ele?
-Você colocou o gesso no braço errado.
Sesshoumaru, pela primeira vez em anos que Miroku o conhecia, ficou um pouco embaraçado ao olhar para o próprio braço.
-Deixe-me adivinhar... – Miroku tentou conter a risada à força por questão de segurança – Você está fingindo que está com o braço machucado, né?
Sesshoumaru não respondeu, mantendo o olhar fixo em Miroku.
-É algo tão interessante... Ontem mesmo eu vi Rin-sama se preocupar demais em querer que você se alimente bem e tome todos os remédios, que vá ao médico... E agora eu percebi: você está enganando Rin-sama, Sesshoumaru.
Novamente o mais velho ficou calado.
-Que coisa feia, tsc, tsc...
Um minuto depois, em que encarou corajosa e fixamente o amigo, Sesshoumaru finalmente falou:
-Você sabia que as mulheres ficam mais carinhosas quando sabem que o cara está meio que... machucado? – falou com calma.
O amigo ficou surpreso e... interessado.
-É?
Sesshoumaru confirmou com a cabeça, ficando satisfeito ao ver Miroku mais interessado naquela novidade.
-Você nem imagina o quanto são atenciosas na cama, Houshi. – o mais velho continuou, deixando o outro boquiaberto – Elas ficam mais preocupadas, carinhosas e gentis na hora.
-Caramba...
-Percebe agora o meu plano? – ele completou, colocando o gesso no braço correto.
-Eu... Eu nunca tinha imaginado isso... – Miroku parecia um cara que fora iluminado – Puxa... Eu não saberia disso se não fosse seu amigo, cara!
-Vivendo e aprendendo, Houshi. – foi o comentário de Sesshoumaru – Mas se contar a ela sobre isso, eu vou te matar.
Quarenta minutos depois:
-Finalmente chegou... – Kagome admirava as marmitas de todos os pratos que Miroku escolhera para o jantar, arrumadas na mesa da cozinha, que já estava com os cantos limpos.
-Está cheirando bem... – Miroku comentou.
-Será que está bom mesmo? – Inuyasha arriscou.
-Acho que não tem problema em comermos um pouquinho... – Sesshoumaru falou, pegando um bolinho de arroz e provando-o – Tá... Tá muito... – engoliu um pedaço - Bom...
-É mesmo? – Kagome pegou um.
-Acho que vou provar esse sushi... – Miroku pegou um quadradinho e comeu-o, aprovando-o com uma expressão de puro deleite.
-Esse chawan mushi parece bom também... – Inuyasha pegou uma porção e colocou numa tigela.
Quinze minutos depois:
-Podemos pedir mais alguma coisa? – Miroku perguntou enquanto falava ao telefone e comia um bolinho ounigiri.
-O prato de mushi não tá muito quente. – Inuyasha reclamou - Peça para colocarem mais soba.
-Ah, o sushi está sem sal. – Sesshoumaru falou, comendo a última porção de sushi que encomendaram – E peça para mandarem também uma garrafinha de molho de soja...
-Ei, eles vendem bolo também? – Kagome perguntou.
Miroku engoliu o bolinho e voltou a falar com a atendente enquanto os outros comiam o resto da comida que chegara para o jantar planejado por Rin.
Quase sete da noite:
Rin caminhava quase saltitante pelas ruas do Tokyo Dome depois de saltar do metrô e começar a fazer o caminho de casa. Encontrar o pai depois de meses tirou o mau humor inicial da tarde, e esperava não se aborrecer muito naquele final de dia, mesmo atrasando os planos de fazer a comida para a festinha de Sango.
Chegou ao pátio da casa do namorado e abriu a bolsa para procurar a chave.
-Ahá! – sorriu quando viu o chaveirinho de uma gatinha famosa balançando numa das mãos, presente que muito se orgulhava de ter recebido de Sesshoumaru, abrindo a porta da sala.
-Rin-chan! Também chegou agora? – a voz de Sango soou atrás dela e a fez soltar o chaveiro e estremecer.
Rin virou-se lentamente e encontrou o rosto sorridente da amiga, não encontrando palavras para falar naquele momento... E a festa que tinha planejado? E o jantar? Como tudo ficaria?
-Ah, eu tô morta! – Sango reclamou, passando por Rin e entrando na casa como se fosse dela também – O que tem pra comer?
-Er... Sango-chan! Não disse que voltaria mais tarde? – Rin estava desesperada. Detestava tanto quanto o namorado que os planos fossem por água abaixo - A-Achei que voltaria depois da novela ou algo parecido...
-Ah, mas eu saí mais cedo... – Sango tinha um largo sorriso, andando em direção da cozinha, seguida por uma Rin desesperada – Fui homenageada, ganhei flores, mas tinham um cheiro tão ruim que dei pra outra garota que fazia aniversário lá na redação... Ah, e uma colega ficou no meu lugar para escrever sobre o final da novela... Só não sei se ganhei no bolão e...
Entrou na cozinha e parou de falar, e Rin não teve coragem de saber o porquê, deslizando pela parede do lado de fora e chorando em cascata.
-SURPRESA!
Rin levantou a cabeça ao escutar aquilo e entrou na cozinha, deparando-se com Inuyasha, Miroku, Kagome e Sesshoumaru arrumados ao redor da mesa que ostentava um delicioso jantar e um bolo muito bem confeitado.
-P-Puxa... Pessoal... – Sango estava verdadeiramente emocionada – Obrigada...
Todos abraçaram a amiga, até mesmo Rin, já recuperada do choque.
Depois de certo momento juntos, eles se afastaram e permitiram que apenas Miroku ficasse abraçado a ela, este tirando um presente – uma caixa de formato médio – de dentro da jaqueta.
-Eu não imaginava... Vocês são tão doidos que eu pensei que tivessem esquecido... – Sango falou, pressionando o rosto no peito de Miroku.
-Não seja tolinha, Sangozinha... – Miroku falou por todos – Sabe que nunca esqueceríamos de você.
-De ninguém... – Sesshoumaru falou, passando braço sem gesso pela cintura de Rin, o mesmo fazendo Inuyasha com Kagome.
-Sess, seu braço está machucado! Não pode ficar lavando as lajotinhas do banheiro, que coisa... – Rin empurrou o rapaz do banheiro para o sofá – Que garoto mais teimoso... Vai descansar, vai!
Sesshoumaru arqueou uma sobrancelha e sentou-se, dando um suspiro cansado. Viu a garota virar-se para ir embora, mas a fez parar:
-Rin.
A garota virou-se.
-Higurashi me contou que foi ver seu pai hoje.
-Oh... – Rin baixou o rosto.
-O que ele queria?
A garota demorou a responder, mas, depois de morder o lábio inferior, murmurou:
-Perguntou se eu não ligaria hoje pra mamãe...
-E você não ligou, né?
Viu a garota mover a cabeça negativamente.
-Mas vai ligar agora, não é?
-Sesshoumaru, eu... – ela deu um suspiro - Não é melhor deixar pra amanhã? Hoje o dia foi muito cansativo... E eu ainda tenho que terminar de arrumar a casa...
O namorado novamente arqueou uma sobrancelha e pegou o telefone sem fio, que descansava na base, ligando o viva-voz.
-Eu procurei o número dela na lista por aquele endereço que ela mandou há alguns meses, quando teve que mandar aquele cheque da sua mesada. – ele falou – É o número cinco da memória.
Rin engoliu em seco.
-Ligue, Rin.
Depois de alguns segundos hesitantes, finalmente ela teve coragem de aproximar-se da mesinha e agachar-se, teclando no número cinco da memória sob um olhar atento do rapaz ao lado.
Escutaram o telefone da outra linha tocar duas vezes antes de cair na secretária eletrônica.
-Aqui é Saito ou Nozomu Mai. No momento eu não estou, mas deixe seu recado e número para eu retornar em outra hora. Obrigada.
-O-Oi... É a Rin... – a garota começou trêmula, pausando a voz.
Olhou para Sesshoumaru e viu-o estreitar os olhos como se ordenasse a ela que continuasse a falar:
-Desculpe não poder ligar mais cedo... Hoje o dia foi bem cansativo. Papai esteve aqui em Tokyo, e como faz meses que eu não o vejo... Bem, eu também não falo com a senhora há quase um ano, mas eu a vi outro dia quando eu estava fazendo compras no Shopping Plaza em Akihabara. Como a senhora estava acompanhada, eu achei melhor não atrapalhar.
Mordeu os lábios e viu Sesshoumaru fazer um "sim" com a cabeça.
-Ah, sim... Feliz aniversário, mamãe.
E o que mais tinha que falar?
-Espero que esteja bem.
Finalmente Sesshoumaru fez sinal para ela, indicando que era melhor terminar.
-Outro dia nos falamos... Né? Bem, é melhor desligar. Ah, parabéns mais uma vez.
Rin terminou a ligação e desligou o viva-voz, fazendo um beicinho ao olhar para Sesshoumaru. O rapaz a puxou com o braço bom para que ela sentasse ao lado dele no sofá, acariciando a cabeça dela.
-Foi um dia bem cansativo, não é mesmo, minha Rin? – foi a pergunta dele, feita num sussurro.
-Foi... Eu nunca imaginei que daria tanto trabalho organizar uma festa...
-Não é disso que estou falando.
Rin ficou calada, mas depois falou num outro sussurro:
-Eu sei.
Num outro bairro muito afastado de Tokyo Dome, quase nos limites de outra cidade, num apartamento de classe média alta, uma pessoa estava sentada no peitoral de uma janela, acariciando a cabeça de um bicho de estimação um pouco estranho. Era um lagarto marrom, quase do tamanho da mão de um homem, que lambia os dedos da dona enquanto esta escutava a secretária eletrônica gravar o final de uma mensagem:
-Ah, sim... Feliz aniversário, mamãe. Espero que esteja bem. Outro dia nos falamos... Né? Bem, é melhor desligar. Ah, parabéns mais uma vez.
Depois disso, a ligação terminou e Mai olhou o bicho aninhado no colo.
-Ela estava sumida, né, Ah-Un?
O lagarto emitiu um som estranho, como se respondesse a aquela pergunta.
-Você não lembra mais dela?
Ah-Un mudou de posição e a mulher deu um suspiro, encostando a cabeça na parede e olhando o céu escuro de Tokyo, que tinha poucas estrelas por causa do inverno.
-Que pena... – foi o sussurro dela ao silêncio.
É Natal! Uma época de muita felicidade, alegria, solidariedade, amizade. Nada de enfrentar filas em supermercados, brigas com outros antigos rivais, disputas pelos produtos mais desejados da ceia. Jikai Tokyo no Nendaiki: Kurisumasu no Nendaiki – dai 1kai. Não percam!
"-Q-Quer d-dizer que o Papai Noel não existe?"
