Na casa de Sesshoumaru, onde habitualmente as crônicas se iniciam, este e os amigos estavam sentados à mesa da cozinha, escutando com atenção os planos de Rin para aquele dia.
-Kagome-chan vai enfrentar a fila dos congelados; Sango-chan vai procurar os enlatados. – Rin anotou algumas coisas num caderninho – Inuyasha vai caçar as frutas e Miroku-sama será nosso principal trunfo. – ergueu o dedo e sorriu – Sempre que algum produto for disputado, você dará um jeito de pegar pra gente antes dos outros, tá?
-Oh, céus... Eu peguei o pior de todos... – Miroku amparou a cabeça com as mãos – Quantos e quantos produtos devem sair no tapa este ano?
-E o que Sesshoumaru vai fazer, hein? – Inuyasha perguntou, já meio indignado.
-Você vai pagar, irmãozinho?
-É essa a sua desculpa oficial pra não fazer nada?
-Calma, calma... – Rin tentou acalmar – Sess ainda está com o braço machucado. Ele vai reservar um lugar na fila pra pagar as compras.
Ao escutar "braço machucado", Miroku remexeu-se na cadeira e olhou para os lados.
-E à noite nós faremos o sorteio do nosso amigo secreto! – Rin continuou no mesmo tom alegre – Será mais divertido este ano!
Todos – exceto Sesshoumaru, por estar com o braço machucado – ergueram os braços e comemoraram.
-Bem, vamos lá! – Rin deu o comando – Vamos fazer as compras de Natal!
Todos – exceto Sesshoumaru, pelos motivos já conhecidos – ergueram os braços e comemoraram, saindo depois da cozinha aos poucos. Sango e Kagome saíram primeiro, e quando Rin ia sair também, Sesshoumaru a parou com uma pergunta:
-Rin... E o que você vai fazer lá no supermercado?
-Eu? – ela piscou duas vezes e depois deu um sorriso – Ora, vou dizer a Kouga-kun, Takeda-sama e Houjo-kun o que eles deverão fazer. Eles também vão nos ajudar.
E saiu da cozinha.
Os que ficaram na cozinha se olharam e arregalaram os olhos, correndo para alcançarem as respectivas namoradas.
Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no junjou na omoi.
Kurisumasu no Nendaiki. – dai ikkai
Crônicas de Tokyo: Nossos verdadeiros sentimentos.
Uma crônica de Natal. – primeira parte
Disclaimer: "Querido Papai Noel, este ano eu me comportei direitinho. Não bati nos meus coleguinhas, não me meti nas seitas de Weiss Kreuz, não pendurei minha irmã de cabeça para baixo na árvore. Enfim, sou uma criatura inocente e pura. Então eu, com esta minha carinha risonha, peço ao senhor que gentilmente me dê os direitos de Inuyasha, porque eles ainda são de Takahashi Rumiko."
Feliz Natal, pessoal!
-Isso é tudo culpa do Inuyasha. – Miroku resmungou no estacionamento do supermercado. O grupo dos meninos estava um pouco afastado do das meninas, por isso eles conversavam em voz baixa sobre o acontecido. Como não sabiam que os três caras mais odiados por eles fariam supermercado ao lado das namoradas deles? Claro que não sabiam, Inuyasha esqueceu de contar depois que escutou o recado de Rin, duas semanas antes.
-Tudo eu, tudo eu! – Inuyasha reclamou.
-Calado, irmãozinho. Quero pensar. – Sesshoumaru resmungou.
-Ei, vocês estão muito pra trás hoje, por quê? – Sango gritou lá da frente.
-Por que todo mundo me culpa? – Inuyasha falou – Por acaso tá escrito "Culpem-me" na minha testa?
Sesshoumaru subitamente parou de andar e mexeu no bolso do casaco por alguns segundos, tirando de lá um pincel atômico. Depois virou-se rapidamente para o irmão para lado para escrever "Culpem-me" na testa dele antes que houvesse um protesto.
-Agora está. – Sesshoumaru falou.
Miroku deu uma risada e ficou mais um pouco para trás, respirando com dificuldade ao ver a expressão de ódio de Inuyasha.
-Ei, qual o problema de vocês, hein? – Kagome reclamou.
-Temos que dar um jeito nos três. – Sesshoumaru falou, voltando a andar normalmente ao lado do irmão e de Miroku – Não esqueçam que as meninas não podem saber ou virão com aquele papo de "espírito natalino". Só sei que não quero que Kouga chegue perto de Rin.
-O Takeda que venha com aqueles papos pra cima da Sangozinha e eu... – Miroku estalava os dedos.
-Eu não acredito que tenho sempre que brigar com aquele palhaço... – Inuyasha rangia os dentes.
Finalmente entraram na loja de conveniência mais famosa do bairro do Tokyo Dome, logo notando a aproximação de três sujeitos, estes sorridentes ao ver as garotas. Eles iam cumprimentá-las, mas os outros acompanhantes destas foram mais rápidos:
-Kouga... – Sesshoumaru falou, mexendo a boca como se fosse falar um palavrão.
-Irmão do Inuyasha... – Kouga falou numa voz cheia de desprezo.
-Takeda... – Miroku rangeu os dentes.
-Houshi Miroku... – Takeda tinha um sorriso irônico nos lábios.
-Houjo... – Inuyasha resmungou.
-Sim?
Todos olharam em direção do referido rapaz, e pareciam surpresos, como se descobrissem o nome dele naquela hora.
-Rin-chan... – Kouga começou – Será um prazer ajudá-la nas compras de Natal.
-Obrigada, Kouga-kun. – ela não escutou um rosnado meio abafado de Sesshoumaru atrás deles.
-Sango, onde pretende passar o Natal? Eu tenho uma viagem marcada para Okinawa, e se quiser ir... – os dois não viram Miroku fazer o gesto de estar estrangulando uma pessoa invisível.
-Oh, é mesmo? – Sango levou uma mão graciosamente aos lábios.
-Kagome-sama, tenho alguns remédios que a ajudarão a manter a saúde boa neste novo ano.
-Obrigada, Houjo-kun. – Kagome deu um sorriso – Passe lá em casa depois para entregar. – eles nem ao menos imaginavam que Inuyasha pudesse estar maquinando um plano classificado como diabólico por alguns especialistas.
-Bem, vamos nos separar por aqui. – Rin falou, sorrindo para todos – Sesshoumaru-sama fica na fila, Kagome ajuda Houjo-kun; Sango-chan ajuda Takeda-sama e eu vou com Kouga-kun.
-Quê? – Sesshoumaru latiu.
-Como? – Miroku estava indignado.
-Onde? – Inuyasha rosnou.
Os três (não-namorados) sorriam triunfantemente.
-Rin, o que isso significa? – Sesshoumaru, assim como os outros dois, não conseguia disfarçar o ciúme.
-Tudo pelo espírito natalino, pessoal! – Rin ergueu um braço, assim como as amigas.
-E por que eles precisavam vir? – o namorado perguntou.
-Algum problema, Sesshoumaru? – Rin perguntou com uma expressão de profunda frieza e desprezo, fazendo tanto ele quanto os amigos dele recuarem – Eu só estou ajudando as pessoas em nome do espírito natalino.
Sesshoumaru ficou calado, para a surpresa dos presentes.
-Bem, vamos indo, pessoal! – Kagome falou e seguiu em frente acompanhada de Houjo.
-Acho que tem uma parte só pra remédios aqui... – este comentou.
-Vamos esperar por todos na fila, ok? – Sango seguiu com Takeda até a seção de enlatados.
-Vamos, Kouga-kun? – Rin o chamou.
-Aonde você quiser, Rin-chan. – o rapaz respondeu.
Nos rostos dos três (não-namorados) havia um sorriso de triunfo, e se eles pudessem ler os pensamentos dos outros três (namorados), leriam balõezinhos com os dizeres "matar, matar, matar".
Assim que ficaram sozinhos, Miroku perguntou a Sesshoumaru:
-Por que diabos você não falou nada naquela hora? Por que nos deixou na mão?
-Acho que ele ficou com medo daquele olhar da Rin... – Inuyasha comentou, colocando os braços atrás da cabeça.
-Não sejam idiotas. – Sesshoumaru não piscava e nem os encarava - Rin não cederia às investidas de Kouga. Ela é muito inocente pra isso.
-Não mesmo? – Inuyasha tentou controlar o riso.
-Calem a boca! – Sesshoumaru se irritou – Esqueçam essa (CENSURADO) de "espírito natalino" e acabem com aqueles (CENSURADO) enquanto eu estiver na fila.
-Primeiramente, por que eles tinham que estar aqui? – Miroku perguntou – (CENSURADO)!
-(CENSURADO)! – disse Inuyasha.
-(CENSURADO)! – Sesshoumaru pronunciou-se.
-Vamos indo, Inuyasha. Sesshoumaru, qualquer coisa a gente vem aqui te avisar.
-Certo. Ah, se o Kouga investir mesmo em Rin, venham me avisar logo.
-Vai fazer o quê com esse braço machucado? – Inuyasha perguntou.
Miroku puxou Inuyasha, balançando a cabeça para os lados enquanto Sesshoumaru não mudava de ideia e atacava o irmão mais novo em lugar de Kouga.
Sesshoumaru olhou para os lados e deu um suspiro. A fila era enorme e nem ao menos sabia onde estava o final, mas não teria muito trabalho para pegar uma: por causa do gesso, entraria logo na fila dos deficientes físicos. Procurou-a logo, mas logo deu outro suspiro.
Tinha mais de trinta pessoas à frente, todos com gesso no mesmo braço que ele.
Em algum lugar do supermercado, algum tempo depois:
Miroku e Inuyasha haviam esquecido das tarefas que Rin havia passado a eles na reunião, ainda muito concentrados na tarefa de separar os acompanhantes das respectivas namoradas. Miroku fizera Takeda se perder na seção de enlatados e jogou uma prateleira de caixas de extrato de tomate em cima do rapaz - que ainda teve que pagar pelo prejuízo à loja. Inuyasha, pela vez dele, inventara que sentia dores de cabeça e começara um diálogo interminável com Houjo sobre síndromes tropicais, inventando que agora existia uma doença que o deixaria com mais manchas no corpo que sarampo. Houjo se disponibilizou, então, a ir à casa dele para pegar alguns remédios para emprestar ao namorado de Kagome, mas não voltou mais.
Finalmente tranquilos, os dois ajudaram um pouco nas tarefas que Rin os mandar fazer, mas eles logo lembraram dela: onde estaria Rin em um supermercado lotado às vésperas de Natal? E pior de tudo: acompanhada de um cara que o namorado dela não gostava.
-Tem certeza de que ela estava por aqui, Inuyasha? – Miroku perguntou, entrando na seção de brinquedos eletrônicos.
-Acho que eu a vi na seção de cosmétic... – subitamente parou e Miroku fez o mesmo.
Ficaram os dois encarando algo numa das estantes, olhando fixamente algo que brilhava mais que ouro.
-Inu... Inuyasha...? – Miroku balbuciou.
-É... É ele. – Inuyasha agarrou o braço de Miroku e o fez encarar – É ele, Miroku!
Sentiam até dificuldade em respirar, mas finalmente conseguiram dar alguns passos arrastados até o tal objeto avistado: uma nova versão de um videogame mundialmente famoso.
-E-Esse é o...
-Sim... – Inuyasha confirmou, com medo até de tocar.
Miroku tomou coragem e pegou a caixa, deixando que Inuyasha também tocasse para verem a embalagem juntos.
-O novo '94... – Miroku balbuciou – Dá pra transformar num home theater..
-Mandar mensagens pra celulares...
-Acesso à Internet...
-Bom...
-Muito bom...
Os dois se olharam e foram procurar o preço.
-PROMOÇÃO DE NATAL! – gritaram ao mesmo tempo.
-Temos que avisar ao Sesshoumaru! – Miroku falou, olhando para os lados – Por onde nós vamos?
-Acho que ele tá na fila dos deficientes! – Inuyasha apontou para frente – Acho que é por lá.
-Ei, vamos levar logo isto aqui. – Miroku colocou o videogame por baixo do braço e começou a andar ao lado de Inuyasha.
Enquanto andavam, escutaram a seguinte conversa atrás deles:
-... Acho que Sesshoumaru-sama não se importará... – era a voz de Rin.
-Não? Ah, que bom... Então vou passar lá e... – Kouga continuou, mas logo as vozes se distanciaram. Quando Miroku e Sesshoumaru olharam para trás, Rin e Kouga já tinham ido à outra seção.
Os dois ficaram sem saber o que pensar.
-O que a gente faz? – Miroku perguntou.
-Acho melhor avisar o cara... O Kouga já tá tramando algo...
-Pode ser que ele fique mal-humorado e...
-Não queira comprar o '94!
Um momento de silêncio se fez e logo depois correram, procurando desesperadamente pela fila dos deficientes.
-Tem tanta gente de gesso por aqui... – Miroku acotovelava alguns.
-Ali! Ali! – Inuyasha apontou e o amigo avistou a figura gigantesca de Sesshoumaru parada numa fila quilométrica.
Aproximaram-se dele quase ofegantes, esbarrando e acotovelando outras pessoas que os atrapalhavam.
-O que estão fazendo aqui? – Sesshoumaru perguntou ao vê-los.
-Olha isso! – Miroku mostrou o videogame – Promoção de Natal!
Sesshoumaru arqueou a sobrancelha e pegou a caixa, lendo atentamente a parte das vantagens.
-Dá pra mandar mensagem pra celular... – comentou, depois os encarou mais seriamente – Vamos levar.
Inuyasha e Miroku fizeram um gesto amigável de bater na palma da mão de cada um, esquecendo-se completamente de que também foram lá para falar de Rin.
-Ei, quem será o primeiro a jogar? – Miroku perguntou.
-Eu, claro. – Sesshoumaru falou com altivez – Eu vou começar.
-Grande coisa. – disse Inuyasha – Não vai adiantar... Eu vou deixar a minha marca.
A risada sarcástica de Sesshoumaru foi ouvida por algumas pessoas.
-Eu vi aquele cara que tava com Kagome sair daqui apressado, irmãozinho. – o mais velho mudou de assunto – E o Takeda estava acompanhado do gerente... O que aconteceu?
-Detalhes, detalhes desprezíveis... – Miroku balançou a mão – Acho que o Takeda será proibido de entrar aqui por um bom tempo...
-O Bozo é hipocondríaco. – o mais novo falou – Sempre que quisermos nos livrar dele, temos que inventar que fomos infectados por alguma doença tropical. Aí ele volta pra casa dele.
-Na casa dele? Mas fazer o quê? – o irmão perguntou.
-Sei lá. Fabricar o remédio? – o mais novo falou com ironia.
Miroku deu uma risada meio que descontrolada.
-E Kouga? – Sesshoumaru perguntou.
Um segundo depois, Miroku parou de rir e Inuyasha arregalou os olhos.
-Vocês não fizeram nada, não é? – o mais velho permanecia a imagem da tranquilidade, o que deixou os dois ainda mais assustados.
-N-Na verdade... N-Nós vimos os dois, mas não sabemos direito o que aconteceu... – Miroku tremeu ao ver Sesshoumaru segurando a camisa de Inuyasha, que tentava fugir dali – S-Só escutamos a conversa dele e Rin-sama dizendo que n-não iria fazer alguma coisa... Mas eles sumiram quando fomos procurá-los!
-É verdade, é verdade! – Inuyasha ainda tentava correr, fazendo um esforço inútil para soltar-se.
-E pra onde eles foram?
-Nós os vimos indo à seção de bebidas. – Miroku falou.
-É verdade, é verdade!
-Vamos pegá-lo. – Sesshoumaru soltou o irmão e fez menção de sair da fila.
-Ei, quem vai ficar aqui? – Inuyasha perguntou.
Um garotinho ia passando perto deles e Sesshoumaru o agarrou pela camisa, colocando-o no lugar dele da fileira.
-Seja um bom menino e fique aqui. Papai Noel vai te visitar depois. – Sesshoumaru falou.
-Tá! – o menininho ergueu a mão, que segurava um doce, e acenou para eles ao vê-los se afastarem.
Quase meia hora depois:
-Não conseguiram achar? – Sesshoumaru perguntou ao irmão e ao amigo.
Os três estavam no banheiro masculino, onde Sesshoumaru estava escondido depois de perder o gesso do braço. Nessa ocasião, Inuyasha teve uma crise de risos ao descobrir o plano do irmão, mas calou-se depois de levar um soco dele.
O gesso foi perdido depois que Kouga e Sesshoumaru começaram a brigar, longe, é claro, das vistas das três garotas envolvidas pelo "espírito natalino". Entretanto, Sesshoumaru o perdeu quando foi atingido no braço por um golpe de Kouga. Tudo foi muito rápido, e graças a uma ajuda extra de Miroku e Inuyasha, que fizeram Kouga desmaiar com duas bordoadas na cabeça, Sesshoumaru escapou de ser visto sem a proteção no braço.
-Não... – Miroku respondeu - Não acha melhor comprarmos um novo?
-Rin vai descobrir. Ela escreveu umas coisas no antigo e vai logo saber que é novo.
-Caramba... – Inuyasha falou – É verdade que elas são mais carinhosas? Miroku tava me contando a respeito...
-Eu não recomendo a você, irmãozinho. Se Kagome descobrir, vai quebrar o seu braço na hora.
O irmão mais novo engoliu em seco.
-Mas Rin não pode fazer isso, certo? – Miroku tentava não rir ao falar – Você pode muito bem sair e ir procurar o gesso conosco.
Sesshoumaru não respondeu.
-Ué, você acha mesmo que ela pode quebrar o seu braço? – o amigo continuou – Sangozinha pode fazer muito pior comigo se descobrir; Kagome-sama idem, mas Rin-sama tem pena até de pisar numa flor.
-Tá bom, vamos procurar. – Sesshoumaru subitamente teve um momento de coragem e saiu à frente dos dois, andando altivo e em linha reta – Kouga já foi embora, né? – perguntou, recebendo uma resposta afirmativa.
Ao saírem, Inuyasha e Miroku fingiram que não perceberam o nervosismo do rapaz por questão de segurança. Sesshoumaru olhava para os lados, receoso, obviamente, em encontrar algum conhecido, ou conhecida, como queiram.
-Olha! – Inuyasha, só para fazer sacanagem, gritou e apontou para frente, e Sesshoumaru recuou, olhando assustado para os lados.
-Cadê, cadê? – o mais velho falou.
-Uma promoção de Cup Noodles. Vou pegar alguns. – Inuyasha disfarçou o riso e ignorou um Miroku que tentava controlar as risadas para não apanhar.
Depois que o mais novo pegou a refeição preferida dele, os três voltaram a andar, com Miroku (ainda segurando a caixa do videogame como se fosse um bebê) liderando a caminhada. Sesshoumaru misteriosamente optou por ficar um pouco mais atrás.
-Olha! – Miroku apontou, e imediatamente o mais velho parou de andar e olhou para os lados.
-O quê? O quê? – o rapaz estava quase para ter um ataque de nervosismo.
-Tem sake em promoção. Vamos levar? – o amigo respondeu despreocupado, ignorando as risadas de Inuyasha.
-Vamos. – Sesshoumaru rangeu os dentes, fingindo não perceber que aquilo era de propósito para irritá-lo.
Caminharam durante mais alguns minutos, procurando por algo que pudesse ajudar ao mais velho na seção de medicamentos de primeiros-socorros, mas repentinamente Inuyasha falou outra vez:
-A Rin, Sesshoumaru! Esconde, esconde!
Sesshoumaru ignorou os avisos do irmão e continuou andando.
-Sesshoumaru, se esconde, cara! – desta vez, foi Miroku quem avisou.
-Que diabos, vocês por acaso pensam que... – Sesshoumaru virou-se para encará-los, mas as palavras não saíram da garganta ao ver Sango, Kagome e Rin se aproximarem com os carrinhos das compras no início do corredor.
O encontro dos olhares foi imediato. Sango deu um sorriso a Miroku; Kagome acenou a Inuyasha; Rin...
-S-Sess... O seu... b-bra...
Subitamente, Sesshoumaru foi empurrado por Miroku contra uma enorme prateleira de álcool cirúrgico para que a garota não o visse.
-Sesshoumaru! – Rin gritou, correndo até o namorado, caído por entre milhares de garrafas de álcool.
-Houshi, seu amaldiçoado... – Sesshoumaru rangeu os dentes – Você machucou o meu braço de verdade!
O amigo ficou azul.
-Sess! – Rin ajoelhou-se e agarrou a mão do rapaz - Sess, você está bem? – olhou para Inuyasha e Miroku, estes petrificados – Por que vocês não ajudam?
Os dois olharam para o mais velho, que mandava-lhes olhares assassinos.
-A-ju-dem. – Sesshoumaru falou entre os dentes, e os dois finalmente se moveram, Inuyasha ajudava mais por não segurar a preciosa caixa de videogame, como Miroku fazia.
-Sess... Ah, Sesshoumaru... – Rin se lamentava – O seu braço...
Os três suaram antes de escutar o resto da sentença:
-... Por que não ficou em casa? Eu falei que poderia se machucar mais! Tá doendo muito?
Inuyasha deixou a boca aberta em sinal de espanto e Miroku bateu a testa com a mão, que não segurava a caixa, balançando a cabeça negativamente.
-Eu acho que o braço ficou mais machucado... – o mais velho falou – O gesso quebrou...
-Oh... Nós vamos cuidar disso... – Rin falou, ajudando Sesshoumaru a levantar-se ao lado do irmão deste.
-Você está bem mesmo, Sesshoumaru? – Sango perguntou – Não é preciso passar numa emergência pelo caminho?
-Qual é a emergência nisso? – Miroku comentou ao ouvido de Inuyasha, que balançou a cabeça em "não sei".
-Não é preciso. – o mais velho respondeu – Mas agora quero voltar para casa. Tenho assuntos importantes demais para resolver... – lançou um olhar ao irmão e ao amigo, fazendo-os gelarem.
-Em pleno Natal? E com esse braço machucado? Nem pensar! – Rin falou autoritariamente, deixando todos boquiabertos – Vamos já pra emergência, seu teimoso!
-"Teimoso"? – Inuyasha repetiu e Miroku caiu na risada.
-Vamos logo também! – Kagome e Sango puxaram os respectivos namorados pelas orelhas e todos andaram com os carrinhos até o caixa indicado por Sesshoumaru.
Ao se aproximarem, viram que o menino deixado por Sesshoumaru ainda tomava conta do lugar e que passou o tempo brincando com um ioiô.
-Olá! – as garotas falaram ao mesmo tempo ao verem o menino – Qual o seu nome?
-Oi. – ele respondeu – Meu nome é Shippou. Posso ganhar o presente agora?
-"Presente"? – elas repetiram.
-Ô, moleque – Inuyasha começou – Pode voltar pra casa agora.
-E o meu presente?
-Do que ele tá falando? – Rin perguntou.
-Sesshoumaru inventou a história do Papai Noel pra ele. – Inuyasha explicou, e ignorou Sesshoumaru lançando um olhar assassino a ele e Miroku balançando a cabeça para os lados – E o moleque acreditou e quer o presente.
O pior não foi nem as ameaças dos olhares das garotas ou do irmão, nem as risadas que Miroku tentava abafar. Inuyasha só percebeu o que poderia acontecer quando viu os olhos de Shippou brilharem num prenúncio de choro:
-Q-Quer d-dizer que Papai Noel não existe? – o menino sussurrou.
-Não. – Inuyasha respondeu.
Segundos depois, o supermercado inteiro escutou o grito estridente de uma criança que teve as ilusões do coração apagadas.
-Calma, Shippou-chan, calma... – Kagome falava, abraçando-o e afagando-o na cabeça, mas nem isso fez o menino parar de chorar.
-Inuyasha... – Miroku murmurou, já se irritando com aquele som estridente de choro – Você é um idiota! Quantas vezes eu vou ter que repetir isso no próximo ano?
-Irmãozinho... – Sesshoumaru o pegou com o braço bom pela camisa – Não torre ainda mais a minha paciência hoje e dê um jeito de fazer esse garoto se calar.
-Eu? E por que eu? Não foi você quem inventou essa história?
-Olhem só... Eles fizeram aquele menino chorar... – um cliente próximo falou a outro.
-Como essas pessoas são cruéis! – uma senhora se indignou.
-Pessoas que fazem isso merecem a forca. – outro se pronunciou.
-I-nu-ya-sha... – os conhecidos de Inuyasha falaram numa voz sinistra, deixando o rapaz assustado.
-Tá bom, tá bom! Era mentira minha! - o rapaz falou e o menino parou subitamente de gritar, mas a cascata ainda rolava pelos cantos dos olhos.
-Não acredite no que esse idiota fala, Shippou-chan. – Kagome deu um sorriso lindo.
-É, Shippou, ele está com raiva porque foi um mau menino este ano e não vai ganhar presente. – Miroku tentava ajudar.
-É, a raiva causou isso e vamos levá-lo pra tomar uma anti-rábica depois. – Sesshoumaru falou – Escute, o que você quer ganhar?
-Um... Um... Um super '94. – Shippou falou, fungando e passando o bracinho no rosto molhado, fazendo Inuyasha e Miroku abrirem a boca em protesto e Sesshoumaru estreitar os olhos.
-Olha, os duendes ainda não possuem a tecnologia da Toshiba pra isso. – o mais velho tentou fazê-lo mudar de ideia – Não quer outra coisa?
Shippou novamente começou a gritar e chorar ao mesmo tempo; Sesshoumaru apertou a região entre os olhos para tentar controlar a paciência:
-(Censurado) que (censurado)... – murmurou, mas foi escutado apenas por quem estava perto.
-Shippou-chan, se continuar chorando, você não vai ganhar o que quer. – Rin falou, dando um sorriso – Seja um bom menino e você receberá o presente que merece do Papai Noel.
-V-Verdade? – ele fungou.
-Sim.
-Verdade verdadeira?
Rin olhou para os lados, totalmente sem jeito e pedindo ajuda aos amigos.
-É. – Sesshoumaru pronunciou com autoridade, fazendo os queixos dos amigos caírem.
-Oba! – Shippou ergueu os braços – Vou ganhar um '94!
E saiu correndo dali, alegre e saltitante. Os amigos foram ovacionados pelos que estavam no local.
-E agora? – Rin perguntou.
-Houshi. – Sesshoumaru ergueu-se altivo.
-O quê? – o outro perguntou, pressionando fortemente contra o peito a caixa do videogame.
-Vá pegar mais uma caixa dessas. – o mais velho falou, dando um suspiro ao pegar a carteira e, com a ajuda de Rin, contar o dinheiro que tinha ali.
-É pra já. – o outro foi correndo ao local, voltando com outra caixa do '94 minutos depois.
-Vamos pra casa? – Sango perguntou – Supermercados me cansam...
-Vamos. – todos falaram em uníssono, já preparados na fila. Eram os próximos.
-O tal Papai Noel vai dar esse '94 pro menino? – Miroku perguntou, colocando um braço na cintura de Sango.
-É. – Sesshoumaru sentiu o queixo de Rin pousar no ombro dele quando esta ficou na ponta dos pés para fazê-lo.
-Feh! – Inuyasha murmurou, passando um braço pela cintura de Kagome quando ela se agarrou ao braço dele – Quero ver como vão fazer pra dar pro moleque sem que ele descubra a história.
-Ora, quem vai entregar será mesmo o Papai Noel em pessoa, irmãozinho... – Sesshoumaru falou, dando um sorriso maligno, o mesmo fazendo Rin, Sango e Miroku.
Inuyasha engoliu em seco e olhou para Kagome, percebendo um olhar semelhante a dos outros nela.
-Ah, não... – ele gemeu - Ah, não! Não, comigo, não!
-Ah, sim, irmãozinho. – Sesshoumaru falou com tranqüilidade, estalando os dedos.
Neste momento, o cliente que estava no caixa saiu e o grupo se aproximou para ser atendido, mas foram surpreendidos ao verem a atendente colocar uma placa na esteira, na qual se podia ler Caixa Fechado.
-AH, NÃO!– os três gritaram em uníssono, fazendo as garotas rirem.
Na sala da casa de Sesshoumaru, seis pessoas estavam reunidas em torno da mesinha da sala, na qual havia uma caixinha enfeitada com seis papéis dentro.
-Cara, eu ainda não acredito que o Sesshoumaru fez aquela atendente voltar a trabalhar só pra nos atender.
-Queria só ver se ela se negasse... – o rapaz falou, ajeitando desconfortavelmente o braço, que tinha um novo gesso e uma nova assinatura de Rin – Sairia em todos os jornais de Tokyo que aquele supermercado não quis atender um deficiente físico.
-Vamos começar, vamos começar! – Sango falou – Peguem um nome.
Seis mãos entraram numa minúscula caixa e a destruíram, jogando os papéis no chão.
Um segundo depois, seis pessoas disputavam aos empurrões e cotoveladas os papéis no chão, até que finalmente todo mundo tinha um nome em mãos.
-E agora? – Miroku perguntou, olhando para os amigos.
-Agora temos que fazer a compra dos presentes, Houshi.
-Quando? – foi Kagome quem perguntou.
-Amanhã! – Rin ergueu um braço e os amigos também fizeram o mesmo, exceto Sesshoumaru, que tinha motivos para não fazê-lo.
As compras da ceia foram feitas. Agora faltavam os presentes, e tinham apenas uma noite para decidirem o que iam comprar.
Próximo capítulo:
É Natal! Uma época de muita felicidade, alegria, solidariedade, amizade. Nada de enfrentar filas em lojas, brigas com antigos rivais em estacionamentos de shoppings e muito estresse. Jikai Tokyo no Nendaiki: Kurisumasu no Nendaiki – dai nikkai. Não percam!
"-Empresta uma grana?"
Ah, um beijo muito, muito, muito especial a Vane-chan, que traduziu "Come" para a língua espanhola. Todos de Boku no Omoi ficaram muito felizes!
Sesshoumaru: Claro!
Miroku: Óbvio.
Inuyasha: Feh!
Kagome: (puxa a orelha de Inuyasha) Senta!
Rin: Ah, não! Vocês sujaram a casa de Sesshoumaru-sama!
Sango: (passando maquiagem no rosto)
Todos: Arigatou, Vane-chan!
Meri Kuri, minna-sama!
Beijos!
Shampoo
