Como sempre, na casa de Sesshoumaru...
-VOCÊ É UM IDIOTA, INUYASHA! – berrava Kagome da cozinha, mas podendo ser ouvida da sala, onde Miroku e Sango estavam – I-DI-O-TA!
O casal escutou uma pausa; provavelmente era Inuyasha falando num tom mais humilde.
-NÃO ME TOQUE! NÃO FALE COMIGO! SAI DA MINHA FRENTE OU VOU TE CHUTAR! – Kagome voltou a berrar.
Miroku bebeu um pouco de cerveja da lata e deu um suspiro; Sango folheava uma revista de moda, mas não parecia interessada em ver mulher com roupas de baixo.
Do quarto de Sesshoumaru, a voz de Rin soou mais forte que a do próprio dono da casa, que detestava que gritassem na propriedade dele.
Depois a garota saiu do quarto pisando duro, andando naquela marcha violenta até a cozinha.
-Rin! – Sesshoumaru saiu correndo do quarto, seguindo a namorada.
Segundos depois, ele e o irmão mais novo fugiam de lá por causa das panelas que atiravam neles.
Sango voltou a folhear uma página e Miroku bocejou, deitando-se no sofá e ligando a tevê através do controle.
-Sangozinha... – Miroku chamou.
-Oi? – ela não tirou os olhos da revista.
-Ainda está muito cedo pra você me dar o meu presente?
Sango olhou o relógio de pulso.
-Nove horas... Ainda tem que esperar, Miroku. – Sango voltou a ver as mulheres com trajes mínimos.
-Droga... – Miroku bocejou de novo e trocou de canal.
Perto deles, Rin passou apressada e tinha um Sesshoumaru no pé.
-Rin, deixe-me pelo menos explicar...!
-Você é um idiota, Inuyasha! – Kagome berrava na cozinha ao rapaz e a quem mais quisesse ouvir.
-Eu achava que éramos os únicos que tinham esse tipo de briga... – Miroku comentou.
-Quer brigar agora? – Sango perguntou, distraidamente.
-Não.
Mais alguns segundos em que só se escutavam as vozes de Kagome e Rin, ambas gritando com os respectivos namorados.
-Lembra quando você me bateu com o ferro de passar? – Miroku começou – Aquilo doeu... Nunca esqueci.
Sango não comentou.
Mais alguns momentos de silêncio.
-Quando vamos falar com esses quatro? – ele perguntou.
-Está com pressa, Houshi querido? – Sango perguntou com doçura.
Uma alpercata voou perto deles, mas não os atingiu; tampouco ligaram para ela, como se fosse algo comum uma alpercata voar todos os dias naquele lugar. Rin estava gritando depois que Sesshoumaru era um mentiroso.
-Bem, se começarem a atirar as comidas e nos deixarem sem nada pra comer, vou ficar com raiva. – ele falou.
Sango pensou por alguns e depois concordou com a cabeça.
-Então vamos lá, Houshi-sama. Tudo pelo "espírito natalino".
-Sangozinha, se você fosse outra pessoa, eu ia falar pra mandar esse "espírito natalino" pra...
-Se você completar essa frase, você vai apanhar. – Sango ameaçou.
Miroku calou-se.
Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no Junjou na Omoi.
Kurisumasu no Nendaiki – dai sankai.
Crônicas de Tokyo: Nossos verdadeiros sentimentos.
Uma crônica de Natal – terceira parte
Disclaimer: Por enquanto não é meu, mas esperem só até o próximo Natal...
Akemasute omedetou, minna-san! (Feliz Ano Novo, pessoal!)
-POR FAVOR, CRIANÇAS, SILÊNCIO! – Miroku gritou pela terceira vez, e imediatamente Sesshoumaru, Rin, Kagome e Inuyasha estavam calados – Não gritem. Não vão resolver nada assim.
Estavam na sala da casa de Sesshoumaru, onde faziam uma reunião de emergência horas antes da revelação do amigo secreto. As garotas não estavam arrumadas, ao contrário dos rapazes, que estavam já vestidos com as roupas que as namoradas compraram na véspera. Miroku estava sentado em cima da mesinha em frente ao sofá, no qual estavam os quatro, e Sango estava num outro sofá, admirando as belas unhas.
-Crianças... – Miroku deu um suspiro – Hoje é véspera de Natal... Sejam razoáveis, por favor... Rin-sama, Kagome-sama... Sabemos que estão se sentindo mal por tratarem esses dois assim... – apontou para os amigos – E vocês, seus teimosos! – fez ergueu-se subitamente e chutou a perna de Inuyasha, mas recuou ao receber o olhar assassino de Sesshoumaru, recuperando a postura para falar – Por que não conversam direito com elas?
-Elas nem ao menos nos deixam explicar! – Inuyasha replicou.
-Rin, foi tudo um grande mal-entendido! – Sesshoumaru tentou – Sabe que eu não faria algo como aquilo!
-Mentiroso! – ela gritou – Você mentiu pra Rin-chan! – escondeu o rosto na almofada e começou a chorar ruidosamente.
-Calma, Rin-chan. – Kagome consolou a amiga – Eles são uns idiotas. Não vale a pena chorar por eles.
-Ei, Kagome! – Inuyasha tentou tocá-la, mas recebeu um tapa violento na mão, dado pela garota.
Um novo bate-boca começou, mais pesado que os anteriores e ninguém entendia mais nada, irritando profundamente a Miroku, que amparou a cabeça com uma mão e pressionou a região entre os olhos para murmurar um palavrão.
-Ok, já chega. – Sango levantou-se do sofá e ficou em pé em frente a eles, mas ninguém ligou para ela.
Segundos se passaram até todos calaram depois de escutar um "CHEGA"de Sango, que assustou a todos os moradores do Tokyo Dome.
-Eu não quero escutar nem mais uma palavra de vocês me interrompendo! – Sango ameaçou – ENTENDERAM?
Os quatro brigados olharam envergonhados e furiosos para a amiga, mas não deram um pio.
-Grande Sangozinha! – Miroku vibrou.
-Você também! – a garota gritou e Miroku encolheu-se.
Ficaram todos em silêncio e Sango começou a andar ao redor do sofá onde estavam os quatro.
-Eu quero uma explicação completa de tudo que aconteceu realmente. Deve ser mesmo um grande mal-entendido, como Sesshoumaru-sama falou. Só pode ter sido isso pra explicar o que aconteceu. Muito bem. – Sango ficou novamente em frente deles – Quem começa?
Os quatro começaram a falar novamente, trocando defesas e acusações.
-Um de cada vez... – Sango falou num tom assassino, rangendo os dentes ameaçadoramente.
Ficaram em silêncio.
-Ok, Inuyasha... – Sango deu um suspiro – Você começa.
-Kagome acha que eu quebrei a boneca dela. – o rapaz começou – Mas não é verdade. Eu nem lembro disso!
-Porque você é um idiota! Por isso não lembra.
Kagome calou-se depois de receber um certo olhar de Sango.
-Conte-nos a história, Inuyasha. Eu não os conheço desde minha infância, por isso que não entendo algumas coisas que aconteceram entre vocês.
-Sorte sua. – Kagome murmurou.
-Falou alguma coisa, Kagome-chan? – Sango perguntou com uma doçura meio suspeita.
-Er... Não. – a amiga respondeu.
-Excelente. – Sango continuou – Muito bem, Inuyasha. Comece.
-Bem...
"Kagome tinha uma boneca otoku-sane já tava na família dela há um tempão".
-Oh... – Sango murmurou.
No Japão, as bonecas otaku-san possuem lendas peculiares. Antigamente acreditava-se que possuíam vida e tinham sentimentos próprios de humanos, como raiva, medo, amor etc. Algumas delas passavam de geração para geração e podiam chegar a mais de cem anos nas mãos de meninas da mesma família.
-Continue, Inuyasha. – Sango pediu.
"Quando éramos crianças, costumávamos ir com nossos pais aos festivais do Templo Higurashi, e foi nessa época que conhecemos Kagome. A Rin já era amiga dela, mas só porque o pai dela a levava lá quando estava brigado com a mãe dela, já que ela é budista... O Miroku também já era nosso amigo, ele também ia, mas só por causa da comida e das brincadeiras sacanas que o velho Higurashi aprontava com as garotas naquele tempo".
-Bons tempos. – Miroku murmurou.
"Só que teve um dia que a tal boneca sumiu. E agora ela lembrou dela, acha que a culpa foi minha, só porque estávamos lá na ocasião!".
-Entendo... – Sango tinha um ar sério, virando-se para Kagome para falar – Agora conte-me qual é o seu problema, Kagome-chan.
-O Inuyasha quebrou a minha boneca! – ela falou, apontando para Inuyasha – Ele a quebrou de propósito, só porque não gostava dela!
"Lembro que, nesse dia, estava um dia muito bonito... O arrumador fez um bom trabalho com as lanternas do templo e a ornamentação atrairia bastante gente... Rin-chan estava comigo naquela dia, pois o pai sempre a deixava lá quando ele brigava com a senhora Nozomu, mãe de Rin-chan, e ela ainda não sabia falar nessa época.
Numa hora em que deixei Rin-chan sozinha pra buscar minha mãe, voltei e não a encontrei, e minha boneca havia sumido. Só a encontramos dias depois, enterrada perto da Árvore Sagrada.
E claro que foi Inuyasha. Ele estava lá no dia e tinha falado mal dela... Disse que minha boneca era muito feia".
Sango suspirou.
-E você, Rin-chan? Por que acha Sesshoumaru-sama um mentiroso? – perguntou à amiga.
-Sesshoumaru-sama mentiu pra mim! Eu nunca imaginei que ele tivesse outra mulher!
Os olhos de Miroku e Sango se arregalaram enormemente, muito impressionados com a revelação.
-Rin, você entendeu tudo errado! – Sesshoumaru tentou se defender, mas Rin virou o rosto e abraçou a Kagome, como se fosse uma criancinha, ignorando as explicações do namorado.
-Eu entendi perfeitamente bem! – ela replicou – E você tem algo que prova a sua culpa: já andava com Miroku-sama naquela época.
A boca de Miroku abriu para fazer um protesto, mas Sango o calou com um olhar.
-Essa história é antiga, Rin... Nem ao menos sei o nome dela! Você acha que eu ainda estaria com você se ela fosse tão importante assim?
Rin ficou calada e olhou o namorado, transmitindo certa tristeza e muitas dúvidas que sentia pelo olhar, o que deixou o rapaz confiante. Havia uma pequena possibilidade de começar a ceder.
-Não caia na conversa dele, Rin-chan. – Kagome ergueu o rosto com altivez e abraçou mais forte – Ele só está tentando virar sua cabeça. Esses homens são todos iguais.
-Higurashi... – Sesshoumaru rangeu os dentes.
-Rin-chan, pode nos contar ao menos o que a fez pensar que Sesshoumaru-sama mentiu pra você? – Sango perguntou.
-Rin, eu não tenho motivos pra mentir. Nós éramos crianças nessa época e eu realmente não lembro dela!
-Verdade? – Rin perguntou num tom triste.
Sesshoumaru fez "sim" com a cabeça.
-Ah, eu lembro dessa história... – Miroku começou a falar – O Sesshoumaru ficou falando um mês na tal garotinha com quem ia casar.
Rin voltou a abraçar Kagome e ignorou o namorado.
-Houshi, seu filho de uma... – Sesshoumaru fez um enorme esforço para conter a vontade de gritar um palavrão ao amigo, apoiando a cabeça nas mãos.
-O... O quê...? – Miroku estava pálido e sem saber direito o que aconteceu.
-Eu tava quase conseguindo... Quase! – Sesshoumaru rangeu os dentes – Faltava só isso – demonstrou com a mão – pra fazê-la acreditar.
-Ah, então era verdade, é? – Rin ficou furiosa.
-Qual é o problema? Eu só escondi um fato obscuro da minha vida! Você já fez isso uma vez!
-E você ficou furioso comigo daquela vez! Agora eu não posso, não?
Começou outro bate-boca, desta vez com Sesshoumaru e Rin trocando acusações. Sango apenas conseguia distinguir as palavras "psicólogo", "Egito", "Ramones", "Rinfrite" durante a conversa.
-CHEGA! – Sango gritou, deixando bem visível a veia saltada na testa e calando Rin e Sesshoumaru – Sesshoumaru, explica isso logo, pelo amor dos deuses!
"Rin confundiu tudo. Ela escutou alguma coisa sobre uma garota que eu conheci quando criança... Na verdade, nós conversamos por uma tarde e depois nunca mais a vi!"
-Rin-chan, o que você pode nos dizer? – Sango falou.
-Eu entrei na cozinha no momento em que Inuyasha e Kagome-chan estavam discutindo sobre a boneca... Eu ia pegar a bolsa térmica pra pôr no braço de Sesshoumaru-sama...
Miroku remexeu-se na cadeira muito inquieto ao escutar a palavra "braço".
"Mas Inuyasha comentou alguma coisa sobre ser inocente do fato, daí falou que a 'esposa' de Sesshoumaru e ele poderiam servir de testemunha pro fato".
-Isso é verdade, Sesshoumaru-sa...? Ué, aonde foram Sesshoumaru-sama e Inuyasha? – Sango perguntou ao olhar para o lado e não encontrar o irmão mais velho, muito menos o mais novo.
-Eu vi o Sesshoumaru convidando o Inuyasha pra tomar sake lá na cozinha. – Miroku comentou, folheando a revista de trajes femininos.
Aonde Sesshoumaru-sama e Inuyasha foram:
-Morra, praga! – Sesshoumaru gritou ao irmão, afundando a cabeça dele na pia do lado de fora da casa.
-Per... (glub, glub)... dão! – Inuyasha se debatia – Eu não... (glub, glub)... sabia!
-Morra, miserável, morra! Só morrendo você terá meu perdão! – continuou tentando afogar o irmão.
Pausa de meia hora para fazerem uma boquinha:
Num silêncio mortal, todos estavam sentados à mesa da cozinha, jantando durante a pausa que Sango pedira, na qual ela analisaria a história e concluiria o "caso".
-Passem o sal. – Sesshoumaru pediu.
Infelizmente, para ele, o saleiro estava ao lado de Rin. Não deu outra: a garota pegou o vidro e atirou no namorado, que se desviou a tempo e viu o saleiro atingir a testa do irmão como um projétil.
-Obrigada, Rin-chan. – Kagome agradeceu.
E o jantar voltou ao normal depois disso.
Finalmente:
Sango, depois do jantar, sugerira para as garotas se arrumarem com os quimonos para escutarem a explicação. Segundo ela, logo tudo se resolveria e deu a palavra de que, ainda naquela noite, os casais estariam um nos braços do outro novamente.
-Bem... – Sango começou - Algo me chamou a atenção neste caso. As quatro pessoas envolvidas nisso tinham pontos em comum e todas, sem exceção, têm uma certa culpa no cartório.
Sango era a única em frente a eles em pé, observando os outros acomodados no sofá. Rin ao lado de Kagome em um sofá; Inuyasha e Sesshoumaru do outro. Miroku estava mais escondido, em pé num canto, sério, apoiado numa parede e com os braços cruzados.
-Os pontos em comum são: um: As quatro se conheciam naquela época. – Sango viu que Rin queria protestar, mas não a deixou falar para continuar – Dois: todos estavam reunidos naquela tarde suspeita em que a boneca de Kagome-chan desapareceu. Três: a boneca de Kagome-chan tinha certos... atributos... que atraía mais antipatia que simpatia das pessoas. Por isso, eu lhes digo que havia gente que gostaria de se livrar dela... Muitos.
Uma expressão de choque apareceu no rosto dos quatro; Miroku deu um assovio discreto.
-Rin-chan, você também está envolvida. Você pode não ter conhecido Inuyasha, mas naquela tarde teve um contato, primeiro, com Sesshoumaru-sama.
-Verdade? – ela estava espantada.
-Sim. – Sango confirmou com a cabeça.
-Oh... – Rin deu uma espiada em Sesshoumaru, notando a surpresa dele também.
-Quer dizer que qualquer um pode ter feito minha boneca desaparecer? Até eu? – Kagome perguntou hesitante.
-Sim. – Sango também confirmou.
-Mas...?
-Bem... Vou explicar.
"Naquele dia, no Templo Higurashi, Kagome-chan estava brincando com Rin-chan, que, segundo o que Kagome falou, ainda não sabia falar.
Também estavam lá no dia Sesshoumaru-sama, Inuyasha e Miroku.
Mas o culpado é quem vocês menos esperam!"
Uma expressão de assombro nos rostos dos amigos não passou despercebida por Sango, que sorriu vitoriosamente.
"Kagome estava brincando com essa boneca com Rin-chan naquele dia de muito sol. Rin-chan ainda não falava e só estava lá porque o pai dissera que voltaria para buscá-la mais tarde, já que não tinha lugar onde deixá-la quando tinha problemas com a esposa.
-Ne, Rin-chan... Vamos "blincar" com minha boneca otoku-san, a Shin-chan?"
Na sala, ninguém deixou de perceber que Rin gemeu ao escutar o nome.
"Como Rin não sabia falar, ela apenas confirmou com a cabeça.
Inuyasha chegara no início da manhã, mas ficava sempre no galho da árvore sagrada do templo, que era do mesmo tipo da que há no quintal de Sesshoumaru.
-Por sinal, foi por causa dela que nós começamos a chamar a daqui de "Árvore Sagrada". – comentou Miroku, olhando o teto da casa.
"Sesshoumaru já gostava de ficar sozinho ainda criança e ficou numa das áreas afastadas do público, perto do hokora do templo.
Então Rin e Kagome começaram a brincar com a boneca Shin-chan, mas o nome pareceu assustar a Rin, que começou a chorar.
Preocupada, Kagome foi procurar ajuda da mãe, que estava dentro da casa, deixando Rin sozinha, ainda chorando e gritando.
Sesshoumaru estava ali perto, sentado à mesinha feita de madeira e com bancos do mesmo material. Ficou irritado com o barulho e foi ver o que era, encontrando Rin.
-"Pale" de "cholar". – o menino de cinco anos ordenou.
Rin continuou chorando, parando apenas quando o menino sentou-se à mesa e ficou observando-a.
-Por que tá "cholando"?
Rin não respondeu, mas olhou-o curiosamente.
-Não sabe falar?
A menina fez que "não" com a cabeça e Sesshoumaru levantou-se, indo embora.
O menino andava em direção da área isolada do hokora, onde estava antes, quando olhou para trás.
Viu Rin seguindo-o silenciosamente de perto, segurando nos braços curtos um ursinho que ele vira à mesa quando esteve lá.
Deu as costas para ela e sentou-se à mesinha de madeira, voltando a tentar desenhar algumas coisas num papel com a ajuda de lápis de cor.
-Você "qué" desenhar? – ele perguntou a ela. Viu-a confirmar com a cabeça depois, estendendo papel e lápis para vê-la desenhar algumas linhas tortas.
Ficaram assim por algum tempo, até que Sesshoumaru terminou o desenho dele e mostrou a ela:
-Olha... – ele ergueu o papel em frente ao corpo, no qual havia um casal e, ao fundo, uma casa – Este aqui sou eu... – indicou com um dedinho o homem – e esta é você. Vamos casar, tá?"
Sango deu uma pausa na história e todos olharam para os rostos de Rin e Sesshoumaru. Ele aparentava surpresa e tranquilidade, como só ele conseguia fazer. Os olhos dela estavam tão arregalados que estes se reduziam a riscos verticais, além de estar tão branca como um papel.
Passou-se um minuto de silêncio e um vento frio soprou dentro da casa.
-Será que alguém pode fechar a janela? Detesto quando esse vento sopra! – Kagome reclamou.
-Sangozinha... – Miroku fechou a janela e aguentou a vontade de rir da cara de Rin – Poderia repetir a última frase?
-"A última frase"? – Sango falou.
-Da história, Sangozinha. E não se faça de engraçadinha. Só eu faço esse tipo de piadas.
-Ok...
"-Vamos casar, tá?"
-Nossa... – Miroku balançou a cabeça para os lados.
-Você só me interrompeu pra dizer isso? – Sango estreitou os olhos.
-Na verdade, eu queria rir... Mas como é Natal, eu estou com meu espírito natalino muito bem desenvolvido e resolvi apenas comentar.
-Continue, Sango. – Sesshoumaru falou – E ignore esse idiota.
"-Vamos casar, tá?
Rin olhou-o, sem compreender a frase dele.
-Quando "clescermos", nós vamos casar e viver nesta casa... – apontou para a casa desenhada – Eu vou cuidar de você, tá? Eu sou muito forte e não vou deixar o "Miloku" chegar perto de você... E vamos morar muito longe do meu irmão... Ele é muito idiota e você não "plecisa" conhecê-lo".
Sesshoumaru ignorou as expressões de ódio do irmão e de Miroku.
"-E até lá – ele continuou – Você estará falando, ne?
A menina fez "sim" com a cabeça, os dois voltaram a desenhar até a hora que o pai de Rin chegou e levou-a embora.
Como Rin havia saído da mesa, deixou a boneca para lá. Kagome e a mãe dela ficaram procurando por Rin até a hora em que o pai apareceu e foi agradecer à senhora Higurashi por ter cuidado da filha, já segurando a mão da menina.
Sesshoumaru ficou o tempo todo na área isolada desenhando, mesmo depois da menina ter ido embora.
-O que cê tá fazendo, "Sesshoumalu"? – Miroku apareceu e ficou sentado num dos bancos de madeira.
-Desenhando.
Miroku pegou o desenho que Sesshoumaru mostrara a Rin.
-Quem é essa? – ele perguntou.
-É minha mulher. – Sesshoumaru respondeu – Só minha. Você não vai chegar perto dela.
-Vou sim. – Miroku respondeu – Todas as mulheres serão minhas. E ela vai gostar mais de mim que de você.
Segundos depois, por todo templo ouviu-se um grito de um menino apanhando e depois um choro.
Inuyasha, guiado pelo grito, chegou correndo ao local.
-Você caiu, "Miloku"? – Inuyasha perguntou.
-"Sesshoumalu" me bateu! – o menino apontou ao outro.
Inuyasha aproximou-se correndo, tropeçou, limpou os joelhos e voltou a correr para cair de novo, já que ainda estava aprendendo a andar.
-Inuyasha, a mamãe vai "bligar" por você chegar em casa todo sujo!
-Vou contar pra minha mãe que você me bateu! – Miroku ameaçou.
Mais alguns segundos depois, novamente se escutou por todo o templo o choro de um menino.
-Tá bom, eu não vou contar, eu não vou contar! – Miroku gritou entre os soluços e aos pés de Sesshoumaru, que tinha as pequenas mãos cerradas.
Inuyasha caiu de novo e puxou a camisa de Sesshoumaru.
-Mano, vamos "blincar" lá na área!
-Mas não tem nada "pla" "blincar" lá.
-Tem uma boneca feia lá na mesinha que a Kagome e a amiga "blincavam"! Podemos pisar nela até que quebre.
-Vamos! – Sesshoumaru ergueu um braço, que naquela época não tinha motivo para deixar de erguê-lo.
-Vamos! – Miroku também ergueu um braço e foi ajudado por Sesshoumaru a se erguer.
E lá se foram os três, que corriam com os bracinhos esticados, para procurarem pela boneca juntos".
Na sala, todos escutaram Kagome gritar e chorar ao mesmo tempo.
-Foram eles, foram eles! – Kagome chorava em cascata – Eles quebraram minha bonecaaaa!
Os rapazes tinham uma expressão de choque no rosto, mesmo Sesshoumaru, que falou:
-Ei, eu não lembro disso!
Kagome continuou chorando e fungou na blusa de Rin, que a abraçou para consolá-la.
-Acalme-se, Kagome-chan. – Sango falou – Ainda não terminei. Não tire conclusões precipitadas.
A amiga fungou e depois concordou com a cabeça, mas ainda estava abraçada a Rin.
"Entretanto, quando eles chegaram ao local, a boneca já havia sumido, encontrada dias depois por Kagome, perto da árvore sagrada do Templo Higurashi."
-E... E quem...? – Miroku começou.
-Quem foi, Sango? – Inuyasha perguntou num tom sério que definitivamente não combinava com ele.
-Meus amigos... Essa revelação vai chocar vocês, mas eu garanto que...
Todos ficaram em silêncio.
-... Que será melhor que Kagome-chan saiba de tudo.
-P-Pode contar, Sango-chan. – Kagome falou determinada – Estou preparada.
-Foi o arrumador de lanternas, que trabalhava naquele dia, quem quebrou.
Choque no rosto de todos.
-Prestem atenção... Todos já tinham um álibi naquela época. Menos o arrumador das lanternas. Talvez ele tivesse quebrado sem querer, mas o fato é que ele fez isso logo depois que Rin-chan e Sesshoumaru-sama saíram do local e antes dos meninos irem lá para destruí-la. Mas o arrumador deve ter percebido que era uma boneca importante pra família e fez o enterro dela perto da árvore sagrada. Além disso, ele nem apareceu na reconstituição. O culpado é sempre quem nós menos esperamos.
-Oh... – foi o que Kagome murmurou, olhando o namorado – Desculpe, Inuyasha.
Os dois ficaram em pé, um em frente ao outro, separados apenas por uma mesinha, e correram para os braços um do outro, beijando-se apaixonadamente depois.
-Bem, agora que já está tudo resolvido... – Miroku começou – Que tal abrirmos nossos presentes? Está cedo, mas depois do que aconteceu hoje...
-Tem razão, Miroku-sama... – Kagome deu um sorriso – Vamos lá?
-Vamos! - os outros ergueram um braço, exceto Sesshoumaru, que tinha outros motivos para não fazê-lo.
Os rapazes esperaram primeiramente que Rin e Kagome saíssem da sala para poderem falar com Sango.
-Sangozinha, você foi a nossa salvação! – Miroku passou a mão nos cabelos – Você nos deu um susto... Achei que fosse contar e que a atuação de Sesshoumaru não fosse dar em nada.
-Não saberia o que fazer se Higurashi descobrisse que quebramos mesmo aquela maldita boneca. – Sesshoumaru falou.
-Têm certeza de que era uma boneca? Ela era tão feia... – Inuyasha comentou – Mas nunca mais farei isso...
-Mas vocês ainda lembram que foi divertido, né? – Miroku perguntou, e os amigos confirmaram.
-Tá bom. – Sango interrompeu a conversa – Agora vão pegar os presentes de vocês. E não esqueçam que vocês vão fazer minhas tarefas durante três meses por conta desse segredo.
-Tá... – eles resmungaram.
Minutos depois, todos já tinham os presentes em mãos, sentados no sofá. As garotas de um lado e em frente aos rapazes.
-Bem, nós vamos começar. – Kagome falou, estendendo, juntamente com as amigas, os presentes dos namorados.
-Ué... As três de uma vez? –Miroku perguntou, pasmo.
-É. – Sango confirmou com um sorriso – Nós revelamos quem era nossos amigos secretos umas às outras.
-Ei! Isso vai totalmente contra a "filosofia" do amigo secreto! – Miroku protestou.
-E vocês não fizeram a mesma coisa? - Kagome perguntou com frieza.
-Vão nos dizer que não contaram quem tirou quem nas conversas de vocês? – Rin arqueou uma sobrancelha.
-Além disso, eu falei uma vez que é "amigo secreto" para que todos descubram antes da hora, não é? – Sango continuou, deixando sem graça as garotas ao lado delas, que não escondiam a gota na testa.
-Sim, é verdade. – Sesshoumaru falou, levantando-se ao lado de Inuyasha e Miroku e ficando em frente delas – Nós já sabemos quem tirou quem.
As meninas trocaram sorrisos e estenderam os presentes a eles.
Trocaram olhares. Elas correram para os braços dos respectivos namorados e eles as receberam de braços abertos.
-Você gostou do seu presente, Buyo-chan? – Kagome brincava com a patinha do gato gordo, admirando também um enfeite redondo que fazia o ruído de um sino quando balançado – Agora saberemos onde você está... "Cuti, cuti"...
-Aí vai perder a graça quando formos procurá-lo... A graça está exatamente em descobrir onde ele se esconde! – Miroku falou, erguendo o indicador.
-E se ele está vigiando as garrafas de sake. – Sesshoumaru completou.
-É mesmo... Faz praticamente um ano que Buyo veio pra cá. – Sango disse, sorrindo e apoiando o queixo nas mãos – Por isso eu também tenho um presentinho pra ele.
Estavam todos à mesa da cozinha, exceto por Inuyasha, que foi se vestir.
-Tome, Buyo-chan. – Sango deu um embrulho para o gato, que foi aberto depois pela dona, revelando ser uma tigela nova com o nome dele gravado.
-Eu também tenho um presente pra Buyo. É meu, de Sesshoumaru e de Inuyasha. – Miroku apontou uma caixinha ao gato, que foi aberto novamente pela dona, que arqueou uma sobrancelha ao ver que era uma sineta.
-Olha, Buyo... – Miroku começou a falar ao gato – Sempre que alguém tentar pegar sake escondido, você pressiona sua patinha aqui – pressionou uma das patas de Buyo, provocando um ruído irritante – e daí a gente vem correndo, tá?
-Eu tenho um presentinho pra ele também. – Rin também se apresentou – Olha só, Buyo...
Uma correntinha com o nome de Buyo gravado foi presa na garganta do pobre gato, que já estava enfeitada pelo presente de Kagome.
-Prontinho. – Rin sorriu e sentiu os braços de Sesshoumaru na cintura dela.
-Cara, parece que ele ganhou mais presentes que todo mundo... – Miroku comentou.
-Inuyasha, você já tá demorando muito! – Sesshoumaru falou quando foi à porta da cozinha para chamar o irmão – Tenho certeza de que já está pronto!
Minutos de espera se seguiram e finalmente Inuyasha apareceu.
Passou-se um segundo.
Sango e Kagome piscaram.
Mais um segundo.
Rin deu um sorriso sem graça e Sesshoumaru deu um sorriso maligno.
Outro segundo.
Miroku, que tentava controlar as risadas, deu uma sonora gargalhada e caiu da cadeira de tanto rir, irritando a Inuyasha.
-Estão satisfeitos agora? Hein, hein? – o rapaz perguntou, ajeitando o chapéu de Papai Noel – Sim, porque ele estava vestido como um! - e arrumando a gola do quimono vermelho que Kagome comprara pra ele.
-Ah, Inuyasha... Você está tão bonitinho... – Kagome aproximou-se dele e beijou-lhe a testa, deixando o rapaz mais vermelho que a roupa, já que o beijo e o elogio foram em público – Agora seja um bom menino e vá deixar o presente de Shippou-chan na casa dele.
-Grrr... – Inuyasha rosnou ameaçadoramente.
-Aqui está o '94 que ele pediu. – Sesshoumaru entregou a caixa para ele e o rapaz estreitou os olhos – Não faça essa cara, Inuyasha. Se pensa que vai escapar... – levantou o braço bom e estalou os dedos da mão – Está muito, MUITO enganado, irmãozinho.
-Eu também posso tentar alguma coisa... – Miroku estalou as mãos, ficando quase tão ameaçador quanto Sesshoumaru.
-Não tenho medo de vocês. – Inuyasha falou num tom corajoso e despreocupado – Eu vou tirar essa roupa e...
Algo fez com que parasse de falar, e foi um puxão que Kagome, que estava o tempo todo em frente a ele, deu ao segurar mais forte um rosário que ele tinha no pescoço, deixando sem ar.
-Inuyasha... Você vai entregar esse presente AGORA... Entendeu? – ela falou num tom sombrio.
O rapaz pareceu ligeiramente hesitante.
-Ka-Kagome... – ele começou – Por que você está ao lado deles?
Kagome, numa atuação dramática, afastou-se dele mantendo a cabeça abaixada, olhos voltados para o chão e apoiou-se na mesa.
-É o nosso primeiro ano juntos... – ela começou numa voz triste – E você não quer me ver alegre? Eu ia gostar de saber que você deu um presente pra uma criança tão humilde quanto Shippou-chan... Que está sonhando em ter um presente como este... Que ficaria feliz em saber que uma lenda existe... Por que não, Inuyasha? – olhou-o tristemente – Por que... não, Inuyasha?
-Não vai me convencer assim! - Inuyasha estava quase pra ceder, só para não ver mais aquela atuação da namorada.
Novamente, ela quase o sufocou ao prender as mãos no pescoço dele.
-Pára de reclamar e vai logo. É uma ordem, caso não tenha percebido, seu idiota.
Inuyasha engoliu em seco, pegando a caixa que Sesshoumaru estendera a ele indo até a porta dos fundos.
-Vo-Voltarei daqui a pouco.
-Tá. – todos falaram de uma vez.
O tal "daqui a pouco" foi quase uma hora depois. Todos ainda estavam na cozinha, comentando sobre os presentes.
-Quer dizer que você ia comprar os DVD's do Shin-chan, Sangozinha? Por que não comprou? – Miroku parecia triste.
-Rin-chan não deixou. – Sango deu nos ombros e sorriu.
-Pô, Rin-sama... – Miroku resmungou.
-Nada disso, Miroku-sama. Não esse anime. – ela falou.
Repentinamente, Inuyasha irrompeu na cozinha, fechando a porta atrás de si e escorregando por ela. Estava suado e parecia até que tinha apanhado de Sesshoumaru.
-Que foi, Inuyasha? – os cinco se levantaram e correram até ele.
O rapaz respirava com dificuldade e finalmente reuniu forças para falar:
-Vocês mentiram pra mim! – Inuyasha começou – Falaram que Shippou era de uma família humilde! Mas ele tinha uma casa que era maior que a minha e a do Sesshoumaru juntas!
Os ouvintes abafaram as risadas.
-Eu tentei entrar, mas a segurança me impediu e me cobriu de uma surra! Aí eu expliquei que era pra Shippou e ele me recebeu, depois queria que eu ficasse até amanhã de manhã e me apresentasse pros amigos deles e dar mais presentes pros moleques! Tentei fugir, mas ele chamou a segurança e chamaram a polícia! Estavam atrás de mim e só consegui escapar porque Hachi me ajudou!
-Ah, então esse danado está trabalhando por aqui por perto, né... – Miroku comentou, distraidamente.
-Vocês me pagam! – Inuyasha berrou, apontando um dedo acusador – Vocês são uns...
Uma sirene de polícia soou e Inuyasha saiu da cozinha correndo, fazendo os amigos caírem na risada.
-Ai, ai... Essas festas de final de ano... – Kagome suspirou – Vou lá animá-lo.
-Boa sorte, Kagome-sama. – Miroku falou ao vê-la ir até a porta.
-Ah, eu tenho sempre um jeitinho que o deixa muito animado... – ela falou, piscando um olho e saindo da cozinha.
Os que ficaram em silêncio por alguns segundos, até que Miroku falou:
-Vamos, Sangozinha? – pegou na mão dela – Estou com sono depois de tanta coisa que aconteceu hoje.
-Vamos. – ela falou, agarrando-se ao braço do noivo.
Os únicos que ficaram ali foram Rin e Sesshoumaru, que estavam estranhamente calados.
-Ah... – ela começou, baixando o rosto olhando para os lados – Eu sinto muito pelas coisas que eu disse pra você hoje... Desculpe...
Sentiu o rosto ser erguido pelo queixo, movimento dado por ele.
-Eu já falei que gostei de vê-la nesse quimono? – ele falou com simplicidade, fazendo-a corar absurdamente.
-Ah... Só podia mesmo... Você era mesmo muito amigo de Miroku-sama naquela época!
A resposta dele foi um fino sorriso nos lábios.
-Vamos pro nosso quarto, Rin? – ele perguntou – Vamos descansar. O dia foi muito cheio.
Rin sorriu e confirmou com a cabeça, afastando-se dele para desligar as luzes enquanto cantarolava alguma coisa.
-O que está cantando, Rin? – ele perguntou.
-Four scene, four, four seasons, I'll be alright.. Eu gosto dessa música.
Sesshoumaru permitiu que novamente um sorriso passasse pelos lábios dele.
-Eu também...
E os dois saíram da cozinha.
Próximo capítulo:
Vocês já ficaram sem fazer nada num sábado à noite, sem energia elétrica, sem água, sem telefone, sem Internet e numa chuva dos diabos? Saibam que não foram os únicos... Jikai Tokyo no Nendaiki: Doyoubi no Ame. Não percam!
"-Quer dizer... Não pode ficar pior, pode?"
