Num sábado à tarde, na casa de Sesshoumaru, onde geralmente as ações acontecem, três pessoas discutiam as despesas que teriam mais tarde, à noite, quando fossem ao show de um dos grupos mais famosos do Japão, o Laraku, que se apresentará no estádio mais famoso daquele bairro.

-Dinheiro pra gasolina, ingressos, lanches... – Sango contava num caderninho ao lado de Sesshoumaru – Falta mais alguma coisa?

-Acho que precisamos de mais dinheiro pro caso de termos de subornar alguém. – Kagome opinou, olhando-se no espelho da bolsa para arrumar o cabelo.

-Acho que não é necessário subornar guardas. – Sesshoumaru opinou – Basta termos uma conversa com eles.

-"Conversa"? – Sango e Kagome falaram ao mesmo tempo e sentiram gostas escorregarem nos rosto ao verem o mais velho erguer a mão direita e estalar os dedos, não movendo ainda o outro braço por ainda estar engessado.

-Então podemos cortar essa parte de "dinheiro pra subornar". – Sango riscou o papel – E pra comida?

-Também não precisamos! – Rin entrou triunfantemente na sala, deixando à mostra algumas marmitas preparadas ao melhor estilo japonês de lanches, caprichosamente bem decoradas.

-Riscando o "dinheiro pra lanche" também... – comentou Sango, rasurando o papel – Rin-chan, isso aí tá bem protegido? Eu acho que vai chover...

-Bem... – ela olhou as sacolas – Posso colocar dentro de uma maletinha... Ajuda-nos também na hora de entrar! – começou a fazer movimentos como se segurasse o referido objeto e esmagasse a cabeça de alguém – Dá pra bater em quem estiver na frente e entrar no Tokyo Dome sem problemas!

Estranhamente, os três ficaram assustados e resolveram não comentar sobre aquilo. Percebendo o quão ridículo aquilo era, ela baixou o braço e coçou a cabeça com a outra mão, sem graça.

-E aqueles dois? – Kagome guardou o espelhinho na bolsa e se sentou – Vamos pegar o metrô lotado se ficarmos aqui mais meia hora.

-Ou a chuva. – a noiva de Miroku olhou o céu pela janela – Vai cair um temporal deste lado do bairro.

-Vou lá chamá-los. – Rin se ofereceu, colocando as marmitas em cima da mesa da sala, que geralmente servia de mesa de apostas para pôquer – A maletinha está lá.

-Não demore, Rin. – Sesshoumaru avisou quando um trovão ressonou – Temos que ir antes dessa chuva.

Viu a namorada confirmar com a cabeça e sair pela porta da sala. Depois escutaram mais um trovão e resolveram esperar alguns minutos pelos outros, sentando-se no sofá após mais um relâmpago.

Na casa de Inuyasha...

-Ei, Miroku! O show não é amanhã! – o dono da casa gritou ao pé da escada, ajeitando as mangas da jaqueta antes de revoltar os cabelos – Daqui a pouco vai chover e vamos chegar, no mínimo, molhados lá no Tokyo Dome!

-Menos do que isso não dá, né, Inuyasha? – Miroku apareceu rindo do que o amigo dissera e desceu rapidamente.

-Não entendi. – Inuyasha colocou as mãos dentro do bolso e olhou Miroku como se fosse um aluno pedindo ingenuamente explicação a um professor.

-Bem... – Miroku pigarreou e fez um ar sério, erguendo um dedo – Se nós pegamos chuva, isso significa que nós nos... mo.. mo... – persuadiu Inuyasha a continuar – Vamos lá, Inuyasha!

-"Mofamos"?

Miroku deu um tapa na testa e balançou a cabeça incrédulo. Era impossível que aquele rapaz fosse irmão de um cara tão inteligente quanto Sesshoumaru...

-Oiii... – Rin abriu a porta da sala e colocou apenas a cabeça para dentro – Vocês já estão prontos?

-Rin, o que acontece quando pegamos uma chuva? – Inuyasha perguntou.

-Como assim? – ela entrou e passou direto até chegar à cozinha, abrindo algumas despensas e com Miroku e Inuyasha no encalço.

-Miroku me perguntou o que acontece quando pegamos chuva.

-E...? – ela continuou abrindo portas e portas até achar a despensa de panelas.

-Eu não entendi.

Rin ergueu uma sobrancelha e olhava indagadora para Miroku, que tinha vontade de rir.

-Vocês estão perdendo tempo com uma discussão como essa? – perguntou ela, finalmente achando um objeto metálico na forma de lancheira de jardim de infância, colocando-o em cima da mesa e abrindo-o para descobrir se não estava quebrado.

-Mas eu quero saber o que acont...

-Nós nos molhamos, Inuyasha. Vamos logo. – Rin passou por eles e foi para a sala, ignorando as risadas de Miroku.

-Mas não tinha sido isso que eu...?

Um trovão e depois um relâmpago cortaram o momento da fala dele. Depois, escutaram algo como "pedras" caindo no telhado e a água descendo pela calha.

-Droga... – Inuyasha resmungou e Rin abriu a porta, fechando-a imediatamente após sentir uma forte corrente entrar no local, que fez voar muitos papéis e revistas de cima de uma mesa.

-Calma, pessoal. – Miroku tentou animá-los, fazendo os amigos irem para o sofá e sentando-se ao lado deles – Daqui a pouco passa.

Uma hora e meia depois, ainda estavam sentados, olhando aborrecidos a janela, da qual podiam ver a violência da chuva.

-É tudo culpa de Inuyasha! – Rin e Miroku falaram ao mesmo tempo e o outro estreitou os olhos e rosnou.


Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no Junjou na Omoi.

Doyoubi no Ame

Crônicas de Tokyo: Nossos verdadeiros sentimentos.

Sábado chuvoso.


Disclaimer: Gostaria, mas não é.

Para Raven, a primeira beta desta história (lembra daquela história que me contou? Fufufu... evil smile) e Thais, a segunda beta que manda e desmanda em mim.


–Eu acredito que tenha avisado a você para não demorar, Rin. – Sesshoumaru a censurou pelo telefone – Deveria ter avisado também que não era para parar e ficar conversando com esses idiotas.

-Foi o Inuyasha! Ele ficou conversando! Ele, ele! – ela se defendeu.

-Foi o Miroku! – o mais novo acusou na extensão da casa dele – Ele fica fazendo aqueles desafios idiotas!

-Mas eu não fiz nada... – Miroku falava num tom inocente em outra extensão da casa, que era cheia delas – Foi só uma perguntinha...

–Inuyasha, eu não imaginava isso de você... – Kagome e Sango dividiam uma outra extensão.

-Saco... – Inuyasha resmungava.

–O que vamos fazer agora? – Miroku perguntou.

–Esperar a chuva passar? – Inuyasha arriscou.

-Você pensou nisso agora, irmãozinho?

–Saco...

-Acho que vai passar logo. – Kagome comentou sob um olhar atento de Sango – Podemos esperar mais um pouquinho... As ruas já estão alagadas e o trânsito deve estar parado.

–Estejam prontos quando tudo passar. – Sesshoumaru avisou – Não perderemos um único segundo com bobagens.

-ESCUTOU ISSO, INUYASHA? – Rin gritou ao outro, que teve que afastar o fone para não escutar.

-Tudo eu, tudo eu!

–Melhor desligarmos. – Sango sugeriu quando Kagome afastou um pouco o rosto do fone – Está trovejando.

–Rin, NÃO converse, NÃO fale, NÃO dê atenção a qualquer um deles. – o namorado recomendou – Os dois são má influência para você.

-T-Tá... – a outra concordou assustada.

–Até. – os seis falaram ao mesmo tempo e desligaram os respectivos telefones um segundo antes de outro relâmpago surgir nos céus da escura tarde da capital. Depois disso, quem estava na casa de Inuyasha se afastou do aparelho por causa da fumaça que saiu dele.

–Queimou? – Inuyasha perguntou e Miroku gritou um "sim" da cozinha, onde estava.

–Na sala também! – Rin mordia o nó de um dos dedos, visivelmente nervosa – Tem outro telefone, Inuyasha?

O dono da casa desceu as escadas pulando rapidamente os degraus.

–Tem no banheiro, no porão, no quarto de Sango, dentro do armário de trecos...

–Um em cada canto? – ela ficou impressionada.

–Foi ideia de Inuyasha, Rin-sama. – Miroku apareceu na sala e abriu a porta do armário que continha diversas coisas velhas e quebradas, comumente jogadas lá – Ele achou mais prático assim.

–Isso me parece preguiça, isso sim. – ela observou e ignorou um rosnado do outro, desviando-se de alguns objetos que Miroku atirava cegamente para trás, como se procurasse algo em meio a tanto entulho.

–Achei! – o amigo gritou e apareceu depois com outro telefone em mãos, pulando por cima dos objetos que atrapalhavam o caminho dele e dos amigos até o sofá, no qual sentou-se e instalou o aparelho.

Para saber se funcionava, ele aproximou o fone do ouvido, juntamente com os dos amigos.

Segundos depois, afastaram-se e entreolharam-se.

Na casa de Sesshoumaru:

–Está mudo mesmo, não é um defeito. – Sango declarou e pôs o fone no gancho sob um olhar atento de Sesshoumaru e Kagome – Acho que é por causa dessa chuva.

–Inuyasha... – Kagome murmurou, preocupada e Sesshoumaru olhava intrigado para um dos lados da sala, como se pudesse ver a casa do irmão.

–O que vamos fazer agora? – Sango sentou-se e olhou os amigos curiosamente.

Na casa de Inuyasha:

–Vamos conversar. – Miroku sugeriu, assumindo uma pose desleixada num dos lados do sofá. Inuyasha estava no outro canto e Rin, no meio.

–Con... "Conversar"? – Rin repetiu apreensiva quando se lembrou dos conselhos do namorado.

–Quais são as news na sua relação com Sesshoumaru?

– "News"? – ela repetiu, boquiaberta.

–É, faz tempo que não sabemos nada de vocês. – Miroku tinha um sorriso estúpido nos lábios e Inuyasha era o único que não falava, preferindo bocejar e se concentrar nas próprias preocupações, se é que tinha alguma.

–Mas nós conversamos todos os dias! – a garota exclamou.

–Mas não aquele tipo de conversa, sabe? – Miroku gesticulava enquanto explicava – Aquela conversa na qual a gente se abre, conversamos mais, explicamos o que sentimos...

–Pra isso existe o psicólogo, né, Miroku-sama? – Rin parecia irritada e louca de vontade de ficar longe deles.

–Precisamos tomar cuidado com esses psicólogos. – Inuyasha pensou em voz alta.

–Disse alguma coisa? – os outros dois perguntaram.

–Eu...? – o mais novo balançou a cabeça – Não... Estou com fome, só isso.

–Ah, que ótima ideia, Inuyasha! – Rin levantou-se depressa e pulou os objetos que Miroku espalhava pelo chão para ir à cozinha – Vamos fazer algo pra comer.

– "Ideia"? – o rapaz parecia confuso.

–O que vai fazer pra gente, Rin-sama? – Miroku perguntou.

Yakisoba vegetariana. Que tal? – ela falou da cozinha.

–Tome cuidado com a torneira! – Miroku gritou no mesmo instante que outro trovão ressoara.

–Hein? – foi a pergunta dela.

–A torneira está com defeito!

–O que tem a torneira?

No outro instante, um grito feminino soou mais forte que a chuva e os dois correram ao local de onde ele vinha.

Um jato de água atingiu Inuyasha e Miroku abaixou-se para não ser atingido, arrastando-se pelo chão até onde Rin estava encolhida, num dos cantos perto da pia.

–Eu... Eu... – ela começou.

–Tudo bem, Rin-sama. – Miroku a acalmou, abrindo a despensa que guardava a tubulação e apalpando qualquer coisa lá – Qualquer coisa, é só culpar o Inuyasha.

–EI! – o dono da casa gritou entre uma tosse e outra, cuspindo a água que engolira sem querer, também encolhido perto da entrada da cozinha para se proteger.

–Pronto! – Miroku finalmente fechou o registro e o jato de água cessou.

Ficaram calados, e só puderam escutar o som de pingos d'água caindo nas poças do chão.

Rin abriu os olhos e viu que era protegida por Miroku, que não a deixara de molhar e ainda tinha as mãos nas pernas dela.

Um sonoro tapa quebrou o silêncio.

–O QUE EU FIZ? – Miroku passava a mão no rosto dolorido.

–TARADO! – ela gritou, corada de raiva, indignação e vergonha.

Na casa de Sesshoumaru:

Menos entretido na conversa que Kagome e Sango tentavam manter, Sesshoumaru escutou mais um trovão soar antes de virar o rosto abruptamente para o lado da casa do irmão no momento em que Kagome fizera uma pergunta a respeito de quem comprava as roupas de Rin, o mesmo fazendo Sango.

–Algum problema, Sess? Sango-chan?– a namorada de Inuyasha perguntou.

Os dois ficaram calados, olhando intrigados para fora.

Três horas depois:

–Estou com fome. – Inuyasha reclamou enquanto ele e os amigos procuravam por comida que não se estragou com a inundação da cozinha.

–Vocês não têm NADA! – Rin concluiu ao fechar com violência mais uma porta da despensa – Não comem, não?

–E por que teríamos comida aqui se podemos comer de graça na casa ao lado? – Inuyasha cruzou os braços e a garota revirou os olhos.

–E a chuva ficou pior... Se ao menos parasse, dava pra irmos jantar. – Miroku puxou uma cadeira, enxugou-a com um pano e sentou-se.

–Sess... – Rin choramingou – Estou com fome...

Miroku abriu a geladeira e olhou-a pensativo, tirando de lá duas latas de cerveja.

–Querem beber? – perguntou, jogando uma para Inuyasha.

–Não! – Rin foi a primeira a protestar.

–Ah, Rin-sama... Estamos entre amigos! Não quer mesmo nem um gole? – Miroku tinha um sorriso cínico ao tentar convencê-la.

–Não, Sesshoumaru-sama não ia gostar de saber que eu...!

–Mas ele não tá aqui, Rin. – Inuyasha também entrou na conversa e abriu a lata que tinha em mãos, dando-a depois à garota – Vamos lá, bebe um pouco.

–Bebe, bebe, bebe, bebe... – Miroku falava como se fizesse parte de um coro.

Segundo depois, recebia uma lata cheia de cerveja em meio aos olhos, murmurando um palavrão.

Na casa de Sesshoumaru:

Um silêncio incômodo se fez à mesa da cozinha, na qual Sango, Kagome e Sesshoumaru olhavam os respectivos pratos desinteressados. Parecia que algo faltava ali.

–Está muito quieto. – Kagome comentou, brincando com o hashi – Quer dizer, tirando os trovões e tal...

–Sinto falta deles. – Sango admitiu – Pela primeira vez eu sinto falta dos comentários cretinos do meu Houshi-sama.

Sesshoumaru permaneceu calado.

De novo, na casa de Inuyasha:

–Só temos ovo pra comer. – Inuyasha anunciou após a longa busca por comida na despensa.

–Ah, não... Sou vegetariana. Não como nem isso. – Rin reclamou – Vou procurar algum ramen sabor queijo que não tenha se estragado com a água.

–Então vamos dividir a omelete, Inuyasha... – Miroku pegou uma frigideira do armário e separou dois ovos, os únicos de uma cesta – Não vamos dar trabalho a Rin-sama para fazê-los.

–Rin, se você não gosta de ovo, como adora comer bolo? – Inuyasha perguntou e recebeu uma supercotovelada de Miroku no baço, ficando momentaneamente sem ar e apertando a região.

–Chega de perguntas de teor filosófico, Inuyasha. – o amigo advertiu, ligando o sistema elétrico do fogão e acedendo a chama embaixo da frigideira, jogando perto um guardanapo que usara para limpar a água das bocas – Por sua culpa nos atrasamos pro show no Dome e...

–Minha culpa? Ora, seu...!

E ficaram discutindo, enquanto Rin procurava em todas as despensas por um ramen e o guardanapo, perto da chama da frigideira, começara a pegar fogo.

–Cheiro de queimado... – ela comentou, virando o rosto para os lados.

Os três olharam o fogão e viram a fumaça do pano, arregalando os olhos.

–Apaga, apaga! – Miroku gritou, pegando o tecido e atirando-o no chão, pisando nele juntamente com Inuyasha.

–Joguem água, joguem água! – Rin agitava os braços.

–Não tem, não tem! – Miroku retrucou.

–Ai, o meu pé, miserável! O meu pé! – Inuyasha rosnava entre dentes enquanto pisava também no pé do amigo, começando os dois a brigarem.

Meia hora depois:

–Sem nada pra comer... – Miroku reclamou enquanto massageava o pé, olhando pelo canto de um olho com ódio o amigo fazer o mesmo com o dele – Tudo por culpa sua.

–Tudo eu, tudo eu!

–Tá bom, meninos... Acho que daqui a pouco vai passar essa chuva e aí poderemos jantar lá em casa.

–Será que estão sentindo nossa falta? – Inuyasha perguntou.

Na casa de Sesshoumaru:

Sentados à mesa de apostas da sala, três figuras – uma masculina e duas femininas – tinham os olhares fixos em desafio uns nos outros, como se quisessem ler ou prever os próximos movimentos da jogada de uno.

–Sua vez, Sesshoumaru-sama. – Sango falou friamente – E nem pense em nos enrolar desta vez.

Com isto, os olhares dos dois se encontraram e deles saíam faíscas.

–Vamos logo... Isso já está me dando sono... – Kagome bocejou e apoiou um lado do rosto com a mão que não segurava as cartas.

Voltando à casa de Inuyasha:

–Como pudemos esquecer disto? – Miroku apontou ao super '94, que era ostentado como prêmio numa das prateleiras da sala – Isso vai nos tirar do tédio.

–Oh? – Rin parecia surpresa e curiosa, principalmente ao ver Inuyasha tirar o plástico que protegia o eletrônico contra poeira e jogá-lo longe.

–Vamos mandar mensagens pro celular de Kagome pelo '94. – Inuyasha explicou, ligando a tevê e o videogame – Só espero que não esteja com problemas também na nossa área.

–Quer jogar um pouquinho depois, Rin-sama?

–Quero sim, Miroku-sama!

–Vamos jogar o "Sengoku Battle"? Esse é o único jogo que trouxemos quando pegamos o '94 ontem... – Miroku deu um joystick para a garota e segurou um outro, o mesmo fazendo Inuyasha.

E começaram a jogar.

Na casa de Sesshoumaru:

–Eles podiam ao menos nos ligar pra avisar que estão bem. – Kagome resmungava enquanto acendia e desligava o display de cristal líquido do celular última geração – A chuva até agora não parou e a casa está alagada, com certeza.

– "Alagada"? – Sesshoumaru arqueou uma sobrancelha, tirando a vista da paisagem noturna encoberta de nuvens – Como assim?

–É que descobrimos, recentemente, duas goteiras na sala... – ela respondeu, deitando-se no sofá – Falei pro Inuyasha tomar uma providência, mas duvido que tenha feito algo.

–Duvido também que Houshi-sama tenha feito algo. – Sango arrumava as cartas – Gente, eu estou com tanto sono...

–Nosso sábado foi um fiasco... – a outra amiga reclamou, jogando o celular para o alto e aparando a queda do mesmo com as mãos unidas – Espero que tenham pelo menos cancelado o show.

–Isso é improvável... – Sango deixou as cartas em cima da mesa e foi até Kagome, sentando-se na beirada do mesmo sofá – As pessoas acham mais divertido quando chove.

–O que ele tem? – Kagome sussurrou, apontando a Sesshoumaru – Tá tão quieto...

–Ele só fica olhando essa janela...

Kagome soltou um suspiro e resolveu brincar com as campainhas do celular, mudando de um toque a outro, o atual mais escandaloso que o anterior.

–Higurashi, pare com isso AGORA e vá dormir. – o dono da casa a assustou e ela teve que engolir em seco depois de escutar o comando.

Na casa do videogame, quer dizer... Casa do Inuyasha:

–Esse hannyo que ficou preso na árvore era um idiota... – Miroku resmungou – À toa que o escolhi pra jogar.

–A chuva ainda não passou... – Rin observou, largando o controle e aproximando-se da janela – Eu me pergunto se cancelaram o show.

–Aí já é querer demais... – Inuyasha falou, escolhendo outro personagem masculino do game para mais uma jogada – O pessoal acha mais divertido quando tem chuva.

–Espero que um raio caia sobre a cabeça deles, só porque não estamos lá. – Miroku proferiu mal-humorado – Só espero que mais uma coisa não aconteça...

–Hein? – os dois não entenderam.

–Quer dizer... Não pode ficar pior, pode? – ele perguntou – Nosso modem já era por causa dessa chuva; estamos sem água, sem telefone e sem comida...

Rin voltou a olhar o céu cheio de nuvens.

–Sesshoumaru-sama... – suspirou apaixonada.

–Vamos mais uma partida, Inuyasha! – Miroku desafiou-o – Desta vez, eu serei o vilão com roupa de babuíno e...

Parou de falar ao escutar mais um trovão, precedido de um relâmpago que iluminou toda a sala, soou, percebendo depois o que ia acontecer quando as luzes começaram a falhar.

–Ah, não... Não acredito! – Miroku desligou rapidamente o videogame – Simplesmente eu não acredito!

–Miroku, aquela sua maldição foi pra nós, idiota? – Inuyasha rosnou no instante em que as luzes se apagaram por completo – Espere aí que vou torcer seu...

Deu um grito quando, ao avançar sobre o amigo, escorregou em algo liso e caiu de cara no chão de madeira.

–Que diabos...? – resmungou, massageando o nariz.

–O que foi que aconteceu... AH! – Rin correu até Inuyasha, mas escorregou também. Entretanto, não chegou ao solo, pois Miroku conseguira socorrê-la na queda, segurando-a com um braço atrás pelas costas dela.

–Tudo bem, Rin-sama? – ele perguntou.

Inuyasha nada pôde ver, mas escutou um tapa que parecer ser mais forte que o anterior.

–TARADO! – ela gritou.

–Mas o que eu FIZ? – Miroku voltou a massagear o rosto, sentindo-se injustiçado por aquilo – Eu só te ajudei porque você não viu a goteira!

–"Goteira"? – ela repetiu, piscando duas vezes.

–Ei, agora que eu lembro que Kagome falou alguma coisa a respeito disso... – Inuyasha comentou, levantando-se.

Quando ela avisou isso, Inuyasha? – Miroku estreitou os olhos.

–Não muito tempo... Há uns quatro meses, eu acho...

Miroku e Rin sentiram gotas escorregarem pelos rostos.

Uma hora depois:

A sala da casa de Inuyasha tinha panelas por todos os cantos, até mesmo em cima do aquário (vazio) que o dono mantinha perto da janela. Não havia apenas duas goteiras, mas (talvez) por causa da chuva, o número havia aumentado e os três precisaram arrumar panelas, copos, baldes, potes etc para aparar a água.

–Isso é ridículo... – Miroku reclamou, torcendo uma toalha dentro de um dos baldes – Estamos sem água nos canos, mas a casa toda está molhada!

–Inuyasha... – Rin parecia uma criancinha assustada prestes a ir na conversa de alguém que vai fazer uma travessura – Tem certeza que esse vestido é velho e que Kagome-chan não vai se importar de pegarmos para enxugar o chão?

–Claro! E é o último que temos, Rin. – ele garantiu.

Enxugando a testa, a garota olhou ao redor. Além dos vasinhos para apararem as goteiras, havia panos, toalhas, guardanapos e até roupas que usaram para limparem o chão.

–Essa casa precisa de uma reforma. – ela sugeriu.

–Amanhã vou providenciar isso. – o dono da casa garantiu.

–Vão precisar de um pintor de paredes? – Miroku perguntou esperançoso, pois ainda estava sem emprego fixo.

–Estou cansada... – Rin suspirou e arrumou um espaço no sofá entre as panelas que o protegiam de três goteiras.

–Quer ir dormir na cama de Sangozinha, Rin-sama? – Miroku sugeriu – Tem duas goteiras lá, mas dá ainda pra se deitar.

–Não... – ela bocejou e esfregando os olhos – Posso ficar aqui mesmo...

Segundos depois, ela começou a ressonar, e o mesmo aconteceu com os outros depois de meia hora de silêncio.

Na manhã seguinte...

Rin já havia acordado, mas os amigos ainda não. Os dois estavam respirando e deixando um fio de saliva escorrer pelos cantos da boca, parecendo duas crianças que dormiram cansadas depois de muito tempo brincando.

A garota olhava o céu de um domingo ensolarado às seis da manhã, notando o estrago que a chuva de sábado fez na rua onde moravam no Tokyo Dome: entulho, folhas, algumas árvores com galhos quebrados... Teriam que trabalhar mais tarde num mutirão para limpar tudo aquilo.

Escutando um som atrás de si, ela olhou para trás e viu Sesshoumaru parado ali, olhando-a calma e fixamente.

Segundos depois, correu para abraçá-lo, nem percebendo que Sango e Kagome também estavam lá, perto dos respectivos pares.

–Parece que se cansaram... – Sango observou.

–Tinha tanta goteira assim? – Kagome perguntou, pulando alguns potes para subir as escadas e ir ao quarto de Inuyasha – Eu achei que só fossem du...

Parou de falar quando os olhos se notaram uma coisa familiar.

Depois os moradores da vizinhança acordaram com um grito:

INUYASHA! AQUELE É MEU VESTIDO?


-E onde vamos dormir? – Inuyasha perguntou ao irmão, jogando num canto a última caixa com pertences deles. Ele e mais Sango e Miroku precisaram mudar para a casa do irmão enquanto as reformas da casa ao lado não começavam.

-No quarto de Kagome. – o irmão falou.

-Negativo. Ele dormirá com Buyo. – a dona do quarto replicou.

-Ei, como é? – o rapaz protestou.

-Miroku-sama, pode ir me contando direitinho o que você fez com Rin-chan pra ela te dar dois tapas!

-Esquece... Es-que-ce! – o noivo estava irritado.

Os quatro começaram a discutir e apenas Rin e Sesshoumaru apenas observavam.

-Eu fico me perguntando o que vai acontecer daqui pra frente com mais esses três aqui em casa. – o mais velho falou e escutou a namorada suspirar, cansada.


Será que é divertido alugar um filme para vê-lo entre amigos? Algumas pessoas acham que dá muito trabalho... Jikai Tokyo no Nendaiki: Bokura, eiga ga mitai desu. Não percam!

"-Você descobriu que Inuyasha fez um pornô?"