Seis amigos entraram numa locadora de DVD's, uma das mais movimentadas do Tokyo Dome, e fizeram o "esquema" para a ocasião.

-Sesshoumaru, já você que ainda tá com o braço quebrado... – Miroku fazia o possível para não rir da situação – Pode ficar na fila? Terá atendimento especial.

Miroku ainda sorria por causa da brincadeira, mesmo quando Sesshoumaru fez questão de estreitar os olhos ameaçadoramente e fazer menção de estalar os dedos.

-Ele tem razão, Sess. – Rin nem percebeu as intenções assassinas do namorado e quebrou a tensão com o tom alegre dela – Vamos usar você pra sair daqui mais rápido.

-... certo. – ele concordou meio que secamente e viu Inuyasha e Miroku morderem os lábios para não rirem.

-Não sei porque vocês fazem tanta questão de ver esse tal "Senhor das Aranhas"... – Sango resmungou e deu um bocejo – Poderiam muito bem esperar passar em alguma das emissoras.

-Sangozinha, querida, você não entende a situação... – Miroku foi para frente dela e tentava explicar do modo mais dramático – Nós esperamos desde a nossa infância por esse live-action! Como acha que nós nos sentimos quando há uma locadora pertinho da nossa casa que tem esse filme para alugar?

Sango permaneceu impassível e falou com frieza:

-Que pensassem nisso antes de proibirem nossa entrada nos cinemas do bairro.

E passou por ele, que ficou chocado com a resposta.

-Ela não me ama mais... – ele choramingou.

-Vamos logo, Houshi. – Sesshoumaru liderou o grupo que passou por ele.

Entraram na locadora e se reuniram mais uma vez antes de se dispersarem à procura dos filmes:

-Muito bem... – Sesshoumaru tomou a liderança – Eu vou ficar na fila das reservas até que entreguem o filme.

-Tá mesmo reservado, né, Inuyasha? – Miroku ainda estava desconfiado da palavra do amigo.

-Eu já falei que tá. – o mais novo rangeu os dentes.

-Calma, calma... – Kagome tentava acalmá-los – Tem gente olhando...

-Eu fico na fila e vocês procuram pelos filmes que quiserem. – Sesshoumaru deu a palavra final, andando para a fila.

As garotas foram em trio à caça dos filmes na parte de drama e romance e os rapazes ficaram parados para conversar:

-Muito bem, o outro esquema é: pegar todos os arrasa-quarteirões lançados nos últimos meses e que não pudemos ver por causa da proibição da nossa entrada nos cinemas. – Miroku foi enfático – Todos!

-Vamos procurar por eles, Miroku. – Inuyasha puxou o amigo pela manga e Sesshoumaru os seguiu, mas para se dirigir depois a uma fila enorme.

Os três pararam ao ver dois conhecidos parados no meio da enorme locadora. Era Kouga e Takeda.

-O que vocês fazem aqui? – Inuyasha perguntou logo.

-Nós é que perguntamos! – Kouga começou com as acusações – Vocês não sabem fazer um roteiro melhor pra andar pelo bairro, não?

-Olha que a gente tem poder pra expulsarem vocês daqui! – Miroku estava inconformado.

-Nós só estamos aqui pra fazer nosso esquema! – Takeda protestou.

Os cinco se encararam. Depois se separaram com um movimento das mãos que significava "Ah, deixa pra lá".

Quando se viram longe deles, Sesshoumaru comentou:

-Nosso esquema é melhor que o deles mesmo.


Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no Junjou na Omoi

Bokura, eiga ga mitai desu!

Crônicas de Tokyo: Nossos Verdadeiros Sentimentos

Queremos ver filmes!


Disclaimer: Eu não preciso deste anime. Um dia eu serei muito mais rica que a Takahashi-sensei. Vocês vão ver! (Shampoo volta a marcar os cartõezinhos da mega-sena.)

Para meus amigos, pelo dia da amizade (porque eu não tenho palavras para descrever tudo que sinto por eles.)


Miroku suspirou pesadamente ao ver Kagome, Sango e Rin darem risadas altas por conta de uma capa de um DVD de romance. Era uma conversa relacionada a um determinado ator, que era o protagonista do filme.

-Elas não sabem o que é "discrição". – ele comentou a Inuyasha, que olhava com atenção o sumário de um filme asiático.

-Eu tô impressionado com a quantidade de lixo que lançam no mercado. – Inuyasha chamava a atenção dos outros pelo modo como falava, fazendo Miroku suar frio. Aí vinha problema... – Lixo. – ele jogava os títulos num cesto próximo – Lixo, lixo, lixo...

-Tá bom, Inuyasha, tá bom... – Miroku tirou um DVD da mão dele à força, como uma mãe tirando um brinquedo das mãos do filho – Vai, pega esse título. – entregou um sucesso mundial cinematográfico nas mãos dele – Entrega lá pro Sesshoumaru e se comporta. Vou falar com as meninas.

Inuyasha lançou um olhar atravessado ao outro, que retribuiu com um sorriso inocente.

Depois que o mais novo se afastou, Miroku saltitou até o trio que tinha um apelido especial.

-Oi, PowerPuffieGurls. – ele passou um braço em torno de Sango e outro em torno de Kagome, não fazendo o mesmo com Rin por uma questão de segurança – O que vocês querem alugar?

-Umas comédias românticas jeitosinhas... – Kagome deu uma risada abafada.

-"Jeitosinhas"? Daquele tipo de mulher gostosa à procura de um cara legal como eu? – Miroku perguntou com um largo sorriso, ignorando o olhar estreitado de Sango.

-E desde quando você é um cara legal? – a noiva dele arqueou uma sobrancelha.

-Oh! – ele se afastou subitamente e enfiou uma faca imaginária no coração – Por que me tratas assim, Sango? – ele começou o drama para chamar a atenção de outros clientes, deixando a garota com vontade de se esconder dentro do lixeiro reciclável mais próximo.

-Pare com isso, idiota! – ela murmurou entre os dentes.

Miroku ajoelhou-se em frente a ela e agarrou-a pela cintura, quase apanhando quando ela tentou se soltar. Sango olhava para os lados, morta de vergonha, e até tentou uns golpes baixos para que Miroku se mancasse.

-Não sabes que é a mulher mais formosa, a mais prendada e melhor companheira? Não queres mais ser a mãe dos meus filhos, aquela que vai cuidar de mim até que a morte nos separe?

-Miroku, eu vou enterrar você... – Sango parecia ter sido possuída pelo mais poderoso demônio japonês por causa da expressão que tinha no belo rosto, fazendo o possível para que as outras pessoas não escutassem o que falava – Mas antes eu vou pedir pra Sesshoumaru-sama e Inuyasha se divertirem com o seu corpo...

-Não me trates mais assim, senhora! Não precisas desconfiar das minhas palavras! – Miroku falava num tom mais forte que o dela – Serei sempre teu, eterno como o meu amor!

E curvou-se mais uma vez, colocando uma mão em frente ao peito e completando a encenação.

Uma onda de aplausos invadiu o local, completada também com uns sonoros "muito bom", "parabéns", "que romântico" que as pessoas falavam.

O rapaz levantou-se e segurou a noiva, que escondia o rosto vermelho de embaraço, de novo pela cintura.

-Vou pôr veneno na sua pipoca... Você vai morrer lentamente, Miroku... – ela ainda rangia os dentes.

-Você não me deixou escolha, Sangozinha. – ele foi mais esperto ao falar, dando um beijo na testa dela, o que a fez arregalar de leve os olhos, muito surpresa – Depois você me ajuda a lembrar o que falei pra eu deixar anotado.

A multidão se afastou, logo depois o casal fez o mesmo, e Miroku notou a forma como ela passava a mão, sorrindo, no local onde ele beijara.

-Toma. – Rin quebrou o romance ao empurrar com violência um DVD triplo contra o peito do rapaz – Entrega isso pro Sesshoumaru.

-Vai levar esse, Rin-chan? – Kagome perguntou, surpresa.

-Vou... – ela permanecia fria e impassível ao olhar os títulos – Não tô encontrando um outro...

-Qual? – Sango perguntou.

-A versão remasterizada de "Laços de Ternura". – Rin respondeu e começou a jogar os títulos de uma estante meio abandonada, cheia de poeira e teias de aranha, no chão.

Os amigos se entreolharam.

-Olha, Rin-chan, vamos à seção de desenhos animados... Vamos ver se tem aquela sequência de "Procurando Nemus". – Kagome pegou a amiga carinhosamente pelos ombros e a guiou para outra seção com a ajuda de Sango.

Miroku balançou a cabeça e olhou o título que Rin havia passado a ele, arqueando a sobrancelha.

Procurou por Sesshoumaru na fila das reservas, assoviando ao ver o tamanho dela.

-E eu achava que a fila do seguro-desemprego era a maior do Japão... – ele comentou a Sesshoumaru assim que o viu.

-Há mais vinte e dois na minha frente.

-Ué... Por que não foi pra fila dos...? – Miroku parou de falar ao notar que os vinte e dois em frente ao amigo também estavam com os braços machucados.

Coçando a cabeça, o noivo de Sango comentou:

-Muita gente resolveu quebrar o braço na mesma época...

Coçou novamente a cabeça ao receber olhares assassinos não só de Sesshoumaru, como também do resto da fila.

-Cansou de fazer declarações em público? – Sesshoumaru manteve-se sério.

-Ah, você viu? – Miroku sentiu uma gota escorregar ao lado do rosto, sorrindo estupidamente.

-Ouvi uns comentários. – o outro foi seco.

-Cara, eu deveria ter sido poeta! Será que a sua editora pode bancar um livro se eu resolver escrever?

-Sonhe. – Sesshoumaru viu o DVD triplo nas mãos do outro – E isso aí é o quê?

-Ah... Rin-sama vai levar esse.

Sesshoumaru arqueou a sobrancelha e leu o título:

-"Guerra e Paz". – leu o outro lado – "O mais longo épico do cinema. Dezoito horas de romance, drama e guerra".

-Sério? – Miroku tinha vontade de rir, mas se controlou – Será que tem aventura?

-Em dezoito horas?

-Ah, não leva esse. Deve ser chato.

–Você ainda duvida que seja? – Sesshoumaru viu que o amigo nem prestava a atenção - O que foi?

-Olha a seção pornô... – Miroku apontou para um canto meio escondido perto de onde estavam – Vou dar uma olhadinha lá.

E, antes de esperar por algum aviso de Sesshoumaru, ele saiu saltitando até a seção favorita dele.

Nem dez minutos depois, Miroku voltou a perturbar o imperturbável Sesshoumaru:

-Que tal levar esse aqui? – mostrou um DVD triplo e entregou ao amigo, que ergueu a sobrancelha.

-"Guerra e Amor". – leu o outro lado – "O mais longo pornô do cinema. Dezoito horas de puras emoções, viradas, reviravoltas e..." – Sesshoumaru limpou a garganta – Vai levar esse?

-Vamos? – Miroku tinha um olhar de criança – Vamos? Vamos?

Sesshoumaru apertou a região entre os olhos, irritado, e Miroku ficou quieto.

-Ah, o Inuyasha te entregou o filme? – o amigo perguntou ao ver o filme que entregara ao mais novo antes na cesta.

-Fez bem em lembrar. – Sesshoumaru pegou da cesta o título e entregou-o junto com "Guerra e Paz" – Devolve esse também. Eu odeio esse filme. A Rin chora mais que o oceano em que esse maldito barco afundou depois que bateu no iceberg.

-Ah, tá... – Miroku viu um casal passar despreocupado perto deles e colocou os dois títulos na cesta deles - Vou lá ver se tem mais um pra eu levar, tá?

Dez minutos depois:

-Ei, Sesshoumaru...

O rapaz olhou para os lados ao escutar a voz.

-Sesshoumaru?

Virou o rosto de um lado para o outro, procurando por quem o chamava.

-Ô, Sesshoumaru! Aqui, ó! – Miroku o chamou pela terceira vez e só então o outro reconheceu a voz. Olhou para trás e viu a cabeça do amigo do lado de fora da seção de filmes adultos, como se quisesse se esconder.

-O que foi? – Sesshoumaru perguntou de longe.

-O Inuyasha tá por perto? – Miroku parecia amedrontado.

-Quando ele veio me entregar aquele filme, ele estava em companhia de Kouga e Takeda. Foi a última vez que eu o vi.

-Ah... – Miroku olhou para os lados e depois falou em tom de súplica – Dá pra você vir aqui um instantinho?

Sesshoumaru ficou surpreso, mas não se moveu.

-Por favor? – Miroku pediu.

Olhando para os lados, o mais velho pegou uma criança brincando distraidamente e o colocou no lugar dele.

-Olha, fica aqui. Depois você recebe uns trocados.

-Quero 800 ienes pra ficar aqui.

-Oitocentos? – Sesshoumaru permaneceu calmo – Você tem filhos?

-Er... não.

-Tem contas pra pagar?

O menino moveu a cabeça negativamente.

-Vai comprar ações da bolsa?

-Não... – o menino fez beicinho, já prestes a chorar.

-Então fica aqui que depois a gente faz negócio.

E Sesshoumaru foi até Miroku, que suspirou aliviado e deu passagem a ele.

-O que foi? – o mais velho perguntou de novo.

-Antes de contar... – Miroku o levou para perto de uma determinada estante, ficando ainda mais escondidos – Primeiro me prometa que não vai contar, sob hipótese alguma, em nenhuma circunstância, sob nenhum pretexto ou motivo...

-Fala logo. – Sesshoumaru ordenou.

-É que... É que... – Miroku ainda estava apreensivo – Olha... Você é irmão dele... Não o leve a mal...

-Levar a mal o quê?

-É que eu descobri um pornô... Bem, nem é um pornô legal pelo resumo que eu li, mas é que... Quer dizer, não leve Inuyasha a mal...

-Você descobriu que Inuyasha fez um pornô?

-Não! – Miroku protestou meio chocado.

-Então o que é?

-Olha... – Miroku entregou um DVD ao amigo e uniu depois as duas mãos em frente ao corpo num pedido – Por favor, não o leve a mal!

-Mas que diabos você me pede... – Sesshoumaru ficou irritado e leu o título – O que tem aqui? "Um conto do Japão Feudal – As aventuras da sacerdotisa de quatro dotes"...

Sesshoumaru não conseguiu fechar a boca.

-... Ah, não... – ele completou depois – É a Kikyo aqui?

-Por favor! Por favorzinho! – Miroku implorava – Inuyasha nem deve saber dessa história! Seu irmão não é desse tipo. Ele é um idiota, um burro, uma verdadeira praga pra toda humanidade, mas não é um cara de namorar atrizes pornôs!

-É a Kikyo aqui! – Sesshoumaru afirmou com mais ênfase – A Kikyo...

-A gente deve contar a ele? – Miroku perguntou sério pela primeira vez.

-Contar o quê? Pra quem? – Takeda apareceu subitamente atrás deles, junto a Kouga, assustando mais a Miroku que a Sesshoumaru, mais controlado.

-O que fazem aqui? – o mais velho perguntou irritado.

-Cadê o Inuyasha? – Miroku parecia ainda mais nervoso, olhando desesperado para os lados.

-Ele tava conversando com a Kagome... – Takeda falou meio sem interesse – Tão procurando por alguns títulos? Eu conheço alguns bons. Já viram "Despedida em Las Bordas"?

-Esse aí não é um que a mulher chega numa festa e dá pro... – Miroku começou a explicar, meio interessado.

-Não, esse aí é "Feliz Aniversário". – Takeda interrompeu – Nesse que eu tô falando, a menina chega numa festa e dá pro...

-Dá pra pararem com essa conversa? – Sesshoumaru não acreditava que estivesse escutando algo como aquilo.

-Ei... – Kouga pegou o título da mão de Sesshoumaru e viu a capa – Essa aqui é a...

Parou de falar e arregalou os olhos. Takeda abriu a boca e a moveu num palavrão, dividindo-o em três sílabas.

Um minuto se passou e eles continuaram olhando a capa do DVD.

-Eu não sabia que a Kikyo era assim... – Kouga finalmente comentou, virando o estojo para ver o outro lado – Caramba...

-"As loucuras da Sacerdotisa mais bem-dotada de todo Japão Feudal, com poderes que você nunca viu antes". – Sesshoumaru leu o subtítulo – Parece aquele outro filme... "Um demônio de sacerdotisa".

-Ei, eu já vi esse e não é parecido. – Takeda balançou a cabeça para os lados.

Os quatro ficaram olhando a capa, mudando – todos ao mesmo tempo – a posição da cabeça. Do direito passou ao esquerdo, somente olhando as imagens sem nem ao menos piscar.

-Ei, eu tava procurando por vocês. – Inuyasha apareceu na seção e os três ficaram assustados, um ao lado do outro como se fosse um time de futebol, e o DVD nas mãos de Kouga foi para trás deste.

Só Sesshoumaru não ficou do mesmo modo. Autoritário, ele apontou:

-Fora daqui.

-Mas...

-Fora!

-Eu...

-Fora!

-Ei...

-Inuyasha... – o irmão tirou o gesso do braço e estalou os dedos tão violentamente que provocou arrepios em quem viu – Saia-daqui-A-GO-RA.

Inuyasha deixou um rastro de poeira ao sair correndo dali.

-Não vamos contar a ele ainda. – Sesshoumaru decidiu por todos – Depois teremos uma conversa séria.

Os outros três concordaram com um movimento de cabeça.

-Mas podemos levar esse? – Takeda perguntou – Eu ainda não vi.

Sesshoumaru apenas classificou aquele indivíduo como sendo, na opinião dele, um doido e sem direito a atenção alguma.

-Ei, eu também quero ver. – Miroku falou e Sesshoumaru revirou os olhos.

-Vamos logo. – o irmão mais velho estava quase para perder o dom precioso da paciência, retirando-se daquela seção acompanhado do trio.

Ao chegarem à fila, encontraram o garoto conversando com Kagome, Inuyasha, Rin e Sango.

-Olha, tá quase na nossa vez. – Inuyasha avisou – Vocês não me deixaram falar naquela hora.

-Cadê meus oitocentos ienes? – o menino pediu e Sesshoumaru (que se precavera e colocara novamente o gesso no suposto braço quebrado) enfiou a mão "boa" no bolso para tirar de lá umas moedinhas para dar ao menino, que saiu dali pulando.

-Tchau, Shippou! – as meninas falaram ao mesmo tempo, acenando para o menino.

-Ele vai comprar a bolsa de valores com esse dinheiro? – Miroku perguntou – Ei, pode me dar uns duzentos?

-Pra quê? – Sesshoumaru foi frio.

-Vou comprar pipoca... – o outro foi calmo e recebeu dinheiro.

-Sess, cadê "Guerra e Paz"? – Rin perguntou meio triste.

-O DVD está arranhado. O caixa pediu para trocar e ainda não entregou.

-Ah... Não faz mal. Vou levar "Procurando Dores".

-"Dores"? – os quatro que estiveram na parte de filmes adultos ficaram assustados.

-É a continuação de "Procurando Nemus"... – Rin explicou timidamente – Eu sei que é pra crianças, mas eu gosto.

Os quatro respiraram aliviados.

-Vamos levar algumas coisas fofas. – Kagome mostrou alguns títulos ultra-supra-melosos – Vamos derreter mais tarde.

-Se o Houjo estivesse aqui, ele ia dizer que é diabético e que isso faz mal pra ele. – Takeda falou com certo sarcasmo.

-E a gente pode saber o que vocês fazem aqui? – Miroku estreitou os olhos – Tão querendo furar a fila?

-Ué... A gente vai pegar nossa reserva do "Senhor das Aranhas". – Kouga explicou – Já que as sessões desse filme foram canceladas aqui no bairro por culpa de certas pessoas, nós tivemos a paciência de aguardar a chegada do DVD.

-Ora, seu... - Inuyasha rosnou ameaçador – Quem começou aquela confusão foram vocês!

Enquanto o grupo discutia quem começou o quê, uma confusão tomou conta da fila, iniciada pelas pessoas que estavam próximas ao caixa.

-Como assim? É a última reserva? – uma mulher exclamou e começou o murmurinho típico dessas situações.

-O que houve? – Kagome perguntou a uma dos que estavam em frente a eles.

-Só há mais um DVD de "O Senhor das Aranhas" pra alugar.

-QUÊ? – os cinco rapazes falaram ao mesmo tempo.

-Aquela ali é a Botan? – Kagome apontou para a caixa.

-Não, é a Momiji. – Inuyasha arrastou a namorada até o caixa, deixando os amigos curiosos.

-O que essa praga vai aprontar agora? – Miroku ficou desconfiado e tinha a boca cheia de pipoca.

-Não faço ideia. – Sesshoumaru quis pegar um pouco da pipoca e Miroku não deixou.

-Ei, vá comprar a sua! Essa aqui é minha! – o amigo protestou e só deu uma porção quando se viu ameaçado.

De longe, viram Inuyasha e a namorada conversando com Momiji. Ou melhor, só Inuyasha falando e Kagome se assustar com alguma coisa que ele dissera e Momiji concordara alegremente.

Momiji subiu depois em cima do balcão, tendo em mãos o último DVD da reserva, e falou para todos:

-Atenção! Vou jogar o DVD e leva quem conseguir agarrá-lo.

-ARGGGGGGGH... – Miroku rosnava de raiva – Matem esse cara!

-Esse idiota do Inuyasha! – Kouga teve que tirar a jaqueta ao ver todo mundo se preparando para o lançamento.

-Sess, você não pode participar disso! E se machucar ainda mais o braço? – Rin tentou impedir o namorado de participar.

-Miroku, vamos pra casa. Esquece isso. – Sango tentou tirar o noivo do meio.

-Esquecer nada! – ele estava furioso – Eu tô esperando por isso há meses e vem um cara desses pra aprontar!

-Lá vai! – Momiji jogou e o DVD caiu no chão. Em cima dele, tentando agarrar o objeto como se fosse ouro, quase vinte pessoas se jogaram num monte, batendo-se, acotovelando-se, chutando-se, mordendo-se.

Do meio deles, meio que cansadinho, saiu um garotinho com o DVD em mãos, deixando as pessoas se agarrando para trás.

-Toma. – ele entregou o DVD a Sesshoumaru.

-Obrigado, Shippou. – ele agradeceu – Aqui está seu dinheiro.

O menino saiu pulando alegremente, segurando a nota que Sesshoumaru dera a ele.

-Agora vamos pra casa... – Miroku esfregou as mãos de ansiedade, mas parou o movimento ao ver que os que estavam na briga pararam de lutar e olhavam para eles.

-Hã... – Kouga engoliu em seco, dando um passo para trás juntamente com Takeda e Miroku.

-Er... – Sango e Rin ficaram assustadas.

-Acho que é nessa hora que a gente corre, certo? – Sesshoumaru ficou perto de Rin.

-Alguém tem um esquema melhor que esse? – Miroku perguntou.

Segundos depois, eles fugiam de um arrastão formado por fãs de live-action que os perseguiram por algumas ruas do Tokyo Dome.


-Finalmente... – Miroku se jogou no sofá da sala de Sesshoumaru (onde todos estavam confortavelmente instalados) e se serviu de uma enorme tigela de pipoca, que era disputado no tapa por Takeda e Kouga – Finalmente temos nosso filme em mãos.

-Obrigado por nos convidarem. – Takeda sorria estupidamente.

-"Convidar"? – Sesshoumaru estreitou os olhos – Vocês "se" convidaram.

-Calma, Sess... Só por hoje... Eles também nos ajudaram a escapar. – Rin massageava os ombros do namorado.

-Vamos ver isso logo. – Sango resmungou, segurando o queixo com uma só mão – Depois eu vou fazer todo mundo ver "Batatas Verdes Fritas".

Miroku pegou o DVD e colocou-o no aparelho, sentando-se ansioso no sofá, perto de Sango.

O filme começou.

Takeda comeu um pouco de pipoca.

Sango mudou o ângulo da cabeça.

Rin encostou-se em Sesshoumaru.

Miroku também se serviu de pipoca e deu algumas a Sango.

-Eu não me lembro de ter começado assim. – Takeda comentou.

-Nem eu. – Miroku franziu a testa.

Na tevê tela reta de cristal líquido com DVD incluso, o filme continuava:

"-Então você é a nova sacerdotisa?

-Sim, e não vou permitir que você destrua minha vila! Nem que eu tenha que me dar em troca!"

-Por que ela não tira essa máscara? – Rin perguntou, enrolando um dedo nos cabelos.

-Essa voz não me é estranha... – Sesshoumaru franziu a testa.

"-Então me mostre os seus quatro dotes!

-Venha!" – ela tirou a máscara.

Na sala, todos precisaram mudar de posição ao reconhecer a pessoa e arregalaram os olhos.

-Essa aí não é a...? – Rin apontava para a tela.

Silêncio. Isto é, ninguém mais falava para prestar atenção no filme, até que começaram a escutar uns "Ai, ai, ui, ohh...".

Chocados, as bocas se abriram, mas não saíram falas. Rin levara as mãos à boca e Sango ria absurdamente, sentindo lágrimas escorrerem pelos cantos dos bonitos olhos.

-Houshi! – Sesshoumaru falava entre os dentes – Você pegou o DVD errado de propósito?

-Não! – o rapaz se defendeu, mostrando a capa da qual tirou o filme – Tá certo, foi esse mesmo!

Ficaram olhando a tela. E de novo escutaram somente gemidos e alguns gritos.

-Ai, Sesshoumaru... Eu não posso ver esse tipo de filme! – Miroku escondia o rosto entre as mãos.

-Vamos procurar esse DVD. – Kouga pegou todos os dez títulos que alugaram – Eu quase fui pisoteado hoje por causa disso.

-Inuyasha, cadê o DVD...? Ué... Cadê ele? – Sesshoumaru olhava para os lados.

-Kagome-chan? – Rin fazia o mesmo.

-Ei, agora que vocês me falaram, eu percebi que a gente esqueceu algo... – Miroku ficou pensativo.

No estacionamento da locadora, que tinha alguns brinquedos para divertir os filhos dos clientes, Inuyasha e Kagome olhavam entediados o sol se pôr.

-Será que eles conseguiram escapar? – ela perguntou.

-Nós precisamos dar pra eles o DVD... Ainda bem que Momiji conseguiu trocá-lo por um título qualquer...

-Só que você não esperava que eles fossem pegar o título falso, né, Inuyasha? – ela ficou impaciente.

-E deu tempo de explicar? Eles se desesperaram! Eu ia dizer que tinha o DVD conosco e que ela ia jogar um outro filme pra gente ficar com o verdadeiro! Eu ia!

Os dois suspiraram irritados.

-Só fico preocupada com Sesshoumaru... Se ele machucar de novo o braço...

Inuyasha ficou estranhamente quieto.


Como será o dia só deles? Jikai Tokyo no Nendaiki 19 kai: Karera. Não percam!

"... vocês estão morando na minha casa enquanto as reformas daquele ninho que o meu irmãozinho chama de "casa" não terminam. Terceiro: por você estar desempregado e morando na minha casa, automaticamente está sob minha tirania."


Nota da Autora: esse é definitivamente meu capítulo favorito ever. Eu não sei quantas vezes eu já o li e fiquei madrugadas dando gargalhadas pra acordar os vizinhos, se meus pais morassem comigo acho que aconteceria de ser expulsa de casa, hahaha. Foi o capítulo também que quebrou a "Maldição dos Números Pares", pois não demorou muito pra ser escrito... e agora a maldição passou para os números ímpares – ou vocês acham que o 23 tá demorando porque eu quero? Huehuehuehue.

Outra coisa, podem mandar as sugestões para mim! Cada história aqui começou com a sugestão dos leitores – o capítulo do aniversário da Sango, por exemplo, foi inspirado numa única cena na casa da Lan-Lan, porque o irmão dela foi chamado pra ver a água para cozinha o arroz, e ficou só vendo mesmo, hueheuhue.

Espero que gostem e se divirtam. Adorarei receber um review também :) Vou responder aos comentários passados durante o final de semana, mas desde já agradeço aos pequenos incentivos!

Beijos da Shampoo-chan.