Na casa de Sesshoumaru, o irmão mais novo e Miroku jogavam videogame enquanto esperavam pelo dono da casa para saírem.

-Inuyasha, pega aquela garrafinha! A garrafinha! - gritou Miroku para a tela.

-Já vou, já vou!

Uma melodia triste soou e Miroku balançou a cabeça num sinal de pesar.

-Eu falei que era pra pegar a garrafinha... Podia ter uma vida agora.

-É esperado de alguém como Inuyasha, Houshi. - Sesshoumaru falou, vindo da cozinha.

Ao notarem o braço enfaixado, Inuyasha e Miroku deram um sorriso.

-Rin-sama ainda não descobriu que você está fingindo? - Miroku perguntou.

-Cuidado para não colocar o gesso no braço errado, cara. - Inuyasha avisou ao selecionar outro jogo, apertando "play" depois.

-Eu tenho meus métodos com Rin. - o mais velho falou com autoridade de quem entende de um assunto como aquele - Se descobrir, garanto que não ficará tão brava.

-Se continuar nessa brincadeira, ela vai descobrir e vai querer quebrar seu braço de verdade. – Miroku falou num tom de aviso de quem tudo sabia.

Sesshoumaru o encarou de olhos estreitados.

-Ei, não me olha assim. – o amigo se defendeu – Até parece que você não conhece mulher pra saber que eu tô falando a verdade.

O mais velho nada quis comentar.

Inuyasha voltou a jogar e entregou o outro controle ao irmão.

-Tó... É Mortal Kombat - Inuyasha falou - Se ganhar, fica com o console.

-Esse jogo ainda existe? - Sesshoumaru estava abismado.

-Os mais novos são sem graça, Sesshoumaru... - Miroku opinou, sentando-se no braço da poltrona - E que horas a gente vai?

-Daqui a pouco. - o mais velho falou - Assim que eu derrotar o Inuyasha e o Sub-Zero.

Alguns minutos se passaram e, para a surpresa de Miroku, Inuyasha começou a cantar um hino de vitória e a caçoar da cara do irmão.

-Nunca vai ganhar de mim! - Inuyasha vibrava, apontando o dedo rudemente para Sesshoumaru - Perdedor... Perdedor... Perdedor...

-Hã... Inuyasha... - Miroku ficou assustado ao ver Sesshoumaru mirando o irmão mais novo de forma quase assassina - Eu acho melhor você parar com isso... Ou vai precisar de milhões de garrafinhas pra continuar vivo.

-Perded... GAH! - recebeu uma direita do irmão, que bateu com joystick e tudo.

-Levante-se, Inuyasha. - Sesshoumaru rangia os dentes - Vamos continuar jogando... Noob Saibot - EU - versus Scorpion - você.

-Scorpion? - Inuyasha protestou - Mas ele é ruim pra jogar!

-Vire-se, irmãozinho.

-Pô, Sesshoumaru, nós temos que sair agora!

-Não! Agora você vai me respeitar, moleque!


Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no junjou na omoi

Karera

Crônicas de Tokyo: Nossos verdadeiros sentimentos

Eles


Disclaimer: Não é meu; é dela.

Para as leitoras.


-Miroku, fale alguma coisa. – Inuyasha pediu com os olhos fechados. Estavam os três dentro de um trem, e a viagem não estava uma das mais animadas.

-"Alguma coisa". – o amigo repetiu, também de olhos fechados.

Sesshoumaru apenas revirou os olhos e fazia questão de olhar a paisagem pela janela.

Dois minutos se passaram e Inuyasha e Miroku continuavam entediados.

-Não vai contar mesmo pra onde estamos indo? – Miroku quis saber.

-Eu já disse que não é necessário que saibam. – Sesshoumaru respondeu calmamente, sem mudar de posição.

-E por que nós somos necessários se não podemos saber nem pra onde vamos? – Inuyasha cruzou os braços.

-Por que a pessoa que vamos buscar pediu.

-"Pessoa"? – o mais novo piscou.

-É mulher? – Miroku arriscou.

-Sem mais perguntas. – Sesshoumaru olhou para fora – Vamos descer na próxima estação.

-Eu podia estar em casa fazendo alguma coisa mais interessante. – Miroku resmungou ao cruzar os braços atrás da cabeça.

-Em primeiro lugar... – Sesshoumaru começou e viu o amigo revirar os olhos e fazer um gesto com a mão.

-Lá vem os comentários dele... – Miroku resmungou.

-... você está desempregado; segundo: vocês estão morando na minha casa enquanto as reformas daquele ninho que o meu irmãozinho chama de "casa" não terminam. Terceiro: por você estar desempregado e morando na minha casa, automaticamente está sob minha tirania.

-Que cara chato! – Miroku gritou os braços, como fizera Inuyasha, e virou o rosto para o lado como uma criança birrenta.

-O que diabos tinha de importante pra fazer, Miroku? – o irmão mais novo ficou curioso.

-Hmm... não sei... – ele deu de ombros – Jogar mais videogame?

-Achei que fosse dizer que era ver filme pornô o dia inteiro. – Inuyasha falou casualmente.

Nisso, Sesshoumaru e Miroku arregalaram os olhos e fitavam-no ligeiramente assustados.

-Que foi? – Inuyasha estranhou.

-Chegamos. – Sesshoumaru levantou-se subitamente, faltando ainda alguns metros para o trem chegar à estação e começar a frear.

-Já? – Inuyasha continuava sem entender.

-Inuyasha, meu filho, não faz perguntas, que coisa! – Miroku levantou-se também e puxava o outro pelo braço, chamando a atenção de alguns passageiros – Vamos descer, moleque, vamos!

-Vá morrer! – Inuyasha usou um tom sinistro para expressar o desprezo pelas palavras do amigo e pela forma com que foi tratado; Miroku até se encolheu de medo atrás do mais velho.

-Deixa disso, Inuyasha! – Sesshoumaru se impacientou, pegou o irmão pela camisa e o jogou para fora do vagão um segundo depois das portas abrirem e antes que houvesse algum protesto.

Inuyasha caiu e bateu a cara em algo macio, esfregando o nariz para se virar aos outros antes de sequer abrir os olhos para saber onde caíra, fazendo a já clássica pergunta:

-Por que diabos fez isso, Sesshoumaru?

Viu que o irmão e Miroku estavam um pouco... surpresos e com a boca ligeiramente aberta. Não estranhou tanto que Miroku se espantasse com qualquer bobagem, mas para o irmão ter que ficar com aquela expressão...

O negócio "macio" mexeu-se debaixo dele e o sangue de Inuyasha gelou.

-Ah, não... – ele fechou os olhos e reabriu-os lentamente, empalidecendo ao ver uma mulher embaixo dele.

E ela parecia muito assustada.

-D-Desculpe, se-senhora! – ele levantou-se rapidamente e estendeu a mão para ela, mas a mulher sentou-se no chão e ficou encolhida, assustada.

-Como licença, seu tarado. – Miroku jogou brutalmente o rapaz para o lado e estendeu cavalheiramente a mão – Deixe-me ajudá-la, minha jovem.

-Ah... obrigada! – ela imediatamente aceitou o gesto e ficou em pé, ajeitando as roupas antes de ir embora meio constrangida.

-E tome cuidado com esses assédios! – Miroku gritou num conselho – Esses caras são perigosos!

A mulher acenou e sumiu na plataforma.

-Droga, Miroku... – Inuyasha agora massageava a cabeça.

-A culpa foi sua, irmãozinho. – Sesshoumaru olhou o relógio no pulso – Vamos andar por aí.

-"Andar"? – os dois repetiram e se entreolharam.

-Sim. – o mais velho olhava para os lados e enrugava a testa – Estou procurando por ele.

-"Ele"? – os dois repetiram, analisando cada palavra da frase do outro. Estavam procurando por ele... por ele... Ele...

Os dois arregalaram os olhos e quiseram fugir, mas Sesshoumaru segurou-lhes pela gola das camisas.

-Aonde vocês pensam que vão?

-Ele tá aqui! – eles falaram ao mesmo tempo, debatendo-se para escapar – Ele voltou pra Tokyo!

-Sim. – outra voz masculina pronunciou-se e os três precisaram olhar para trás – Eu voltei para Tokyo.

Sesshoumaru largou o amigo e o irmão e deu um sorriso maligno para a pessoa que se aproximava com uma pesada mala em uma das mãos.

-Há quanto tempo... Hakudoushi.

Inuyasha e Miroku esconderam-se atrás de Sesshoumaru.

-Eu digo o mesmo... Sesshoumaru. – pronunciou o nome com uma leve ironia, olhando discretamente para as caras assustadas dos acompanhantes dele – E vocês aí?

Os dois ficaram ainda mais encolhidos.

-Bem... – Hakudoushi estalou o pescoço – A viagem foi cansativa... Estou feliz por voltar a Tokyo depois de quatro anos vivendo em Kyoto.

-Já tem onde ficar? – Sesshoumaru quis saber, começando a andar e deixando quem se escondia atrás dele cair no chão de propósito.

-Não... Lembrei desse detalhe quando estava no Shinkansen. – coçou um lado da cabeça andando ao lado de Sesshoumaru para saírem da plataforma e ganharem as ruas – Ainda tem aquele quarto sobrando na sua casa?

Sesshoumaru o olhava de soslaio, até fazer a pergunta de praxe depois de segundos de um silêncio perturbador:

-Por quê?

-Dá pra me alojar por um dia lá?

-Não! – Miroku e Inuyasha apareceram do nada atrás deles.

-Ah, vocês estavam aí? – Hakudoushi arqueou as sobrancelhas.

-Não tem lugar lá! – Miroku tratou logo de dizer para fazê-lo esquecer daquela ideia – Ele já tem mulher e cinco filhos!

-E o lugar agora é uma hospedaria, tá tudo lotado por lá. – Inuyasha completou só para insistir.

-Sério? – Hakudoushi olhou Sesshoumaru, que parecia impassível.

-Sim, mas eu posso expulsar alguns "hóspedes" por falta de pagamento.

Inuyasha e Miroku o olharam como se fosse uma pessoa de índole ruim.

-O que foi isso no seu braço? – Hakudoushi mudou um pouco de assunto, apontando para o gesso que Sesshoumaru tinha – Alguém realmente conseguiu quebrar ou só está fingindo para impressionar alguma mulher?

Os outros dois ficaram boquiabertos. Sesshoumaru permanecia calmo.

-Só para impressionar uma mulher.

-Ah...

Quem já estava boquiaberto ficou ainda mais.

-Estou morando com minha namorada. E esse sujeito que diz ser meu irmão aí atrás... – apontou com um polegar por cima do ombro – está com a casa dele em reformas. Então ele e mais algumas pessoas estão passando alguns meses em casa até tudo terminar.

-Deve ser um incômodo. – o recém-chegado comentou.

-Nem imagina o quanto.

-Ei! – os dois protestaram.

Uma hora depois:

As ruas de Tokyo estavam movimentadas. Era quase final do ano e havia muitos turistas e gente nova procurando trabalho pela cidade. Os hotéis, quartos em forma de capsula e apês estavam lotados. Os quatro procuraram por um lugar para Hakudoushi ficar por algum tempo por quase todos os bairros da capital.

Sentados num banco de uma praça perto de uma estação de metrô, eles olhavam um jornal em busca de mais lugares. Inuyasha e Miroku estavam entediados por serem forçados a acompanhar aquela aventura; Hakudoushi não parecia tão abalado assim; Sesshoumaru permanecia impassível e com o braço engessado.

-Eu já disse que não me importo de ficar na sua "hospedaria", Sesshoumaru. – Hakudoushi justificou – Terei maior prazer em conviver com os outros moradores.

-Nem vem! – Inuyasha e Miroku protestaram logo, voltando a olhar furiosamente por outros anúncios. Não queriam outra pessoa do mesmo nível de Sesshoumaru morando com eles. Já bastava o dono da casa.

-Quer dizer que já está casado e tem filhos? – Hakudoushi perguntou a Sesshoumaru, dando um sorriso insinuador – Você não me falou desse casamento.

-Realmente não acredita no que esses dois falam, não é? – Sesshoumaru arqueou uma sobrancelha – Não quero ficar desapontado com você.

-Ah... não. – Hakudoushi piscou e cruzou as mãos atrás da nuca – Só é divertido vê-los tão desesperados para que eu não vá morar com vocês. Inuyasha até deixa de ser preguiçoso e lê jornal.

O mais novo rosnou ameaçadoramente.

-Não estou casado. Só moramos juntos. – Sesshoumaru fechou os olhos e tinha uma expressão tranquila – O nome dela é Rin.

-Ah, e isso me fez lembrar... – Hakudoushi virou-se para Inuyasha – Ainda está com Kikyo?

Sesshoumaru ficou em alerta; o jornal nas mãos de Miroku quase rasgou; Inuyasha piscou inocentemente.

-Hmm... – ele deu de ombros – Nós terminamos. Agora estou com Kagome. Lembra dela?

-Ah... – Hakudoushi fez "sim" com a cabeça – Claro que sim. Eu perguntei sobre Kikyo porque pensei que...

-Inuyasha, compre mais passes para voltarmos para casa. – Sesshoumaru ordenou antes que o amigo-turista completasse a sentença – Hakudoushi vai conhecer Rin e Sango.

-Vou?

-Ele vai? – Inuyasha estremeceu.

-Ah, não... – Miroku gemeu e fechou os olhos. Hakudoushi poderia muito bem enrolar todo mundo e querer ficar na casa do amigo até conseguir outro lugar para morar.

-Vai logo, Inuyasha... – o irmão rangeu os dentes – Esqueceu que estou com o braço machucado?

-Isso não é desculpa. – Inuyasha falou espertamente, correndo do local ao ver o irmão tirar o gesso do braço.

-Não comente sobre Kikyo. – Miroku pediu e Hakudoushi deu um meio-sorriso.

-Sabe... Eu a reconheci na hora quando vi o cartaz de "Sonhos Molhados de uma Noite de Verão" na frente do Cine Ópera, lá em Kyoto. Não por ser uma atriz, mas sim pelo fato de estrelar filmes exclusivamente pornôs.

-Você viu esse filme? – Miroku ficou curioso, sentando-se ao lado dele – É legal?

-Não. – a resposta veio ríspida.

-Não é? – Miroku admirou-se e até Sesshoumaru ficou assustado.

-Não! – Hakudoushi tratou de corrigir. – Eu não vi! Esse cinema é famoso por exibir filmes pornôs!

-Sei... – Miroku o cutucou e recebeu uma cotovelada como resposta, ficando momentaneamente sem ar por alguns instantes, até resolver mudar de assunto – Er... Caramba... Você pretende voltar pra lá algum dia? Posso ir com você?

Sesshoumaru deu um tapa na testa e balançou a cabeça para os lados.

-Olha, eu não sei o que aconteceu... – Hakudoushi ignorou a Miroku e passou a conversar com Sesshoumaru – Eu fiquei muito surpreso. Vocês já sabiam disso?

-Sabiam o quê? – Kouga e Takeda apareceram no nada atrás do banco em que estavam; Miroku, desta vez, rasgou o jornal tamanho o susto que levou.

-Por que vocês vivem fazendo isso? – ele rangeu os dentes e os dois deram de ombros.

-Descobrimos quando fomos alugar "O Senhor das Aranhas". – Sesshoumaru massageou um lado da cabeça. Tanta gente idiota com quem tinha que conversar deixava-o com dor de cabeça – Só que Inuyasha ainda não sabe disso... E também não sabemos se é certo contar.

-Ah, eu já vi esse filme. Eu gostei quando aquela namorada dele morreu.

Takeda, Kouga e Miroku abriram a boca enormemente, os olhos quase sumiram em meio a palidez do rosto. Sesshoumaru precisou amparar a cabeça entre as mãos.

-Não dá spoiler, caramba! – os três, um pouco trêmulos, falaram ao mesmo tempo, tentando recuperar a força depois de um ponto ultrarrevelador do filme que ainda nem conseguiram ver.

-Mas vocês não disseram...?

-É que ainda não conseguimos ver... – Sesshoumaru nem ergueu a cabeça – O problema é que o DVD de um dos filmes da Kikyo foi colocado no estojo, quando pensávamos que tínhamos o filme certo.

-Ah, eu ainda tô com ele lá em casa. – Takeda pôs as mãos dentro dos bolsos – Os extras são legais.

-Sério? – Miroku quis saber – Pode me passar depois?

-Bem... eu não vejo problemas em contar para ele. – Hakudoushi pôs um joelho em cima do outro e deu um sorriso maligno – Precisam de ajuda?

-Nós ainda estamos pensando nas consequências. – o irmão mais velho olhou para o lado que o mais novo tomou para ver se ele não estava voltando.

-Eu já tô pirando com essa história. – Miroku tinha ligeiros tremeliques, como se fossem mini-ataques epiléticos, ao lado de Hakudoushi – Teve uma vez que eu quase falei "ela é atriz pornô!" em vez de falar "bom dia" pra ele. Só não disse porque o Sesshoumaru me deu um soco no estômago.

-Eu quase fiz o mesmo, mas a Rin jogou um prato na minha cara. – Takeda tocou num lado do rosto – Doeu.

-E Kagome não sabe disso, né? – Hakudoushi ignorou os lamentáveis acontecimentos dos dois.

-Sabe o quê? – perguntou Inuyasha, surgindo repentinamente e Miroku, Takeda e Kouga quase pularam, estrangulando um grito de susto.

-A respeito do final de "O Senhor das Aranhas". – Hakudoushi inventou inteligentemente – Eles queriam perguntar a ela.

-Ah, claro que ela sabe. Aquela namorada dele morre no final. – Inuyasha abriu a boca e os três, que antes quase pularam de susto, queriam pular de raiva no pescoço dele.

-NÃO DÁ SPOILER! – falaram ao mesmo tempo.

-Você também já tinha visto? – Sesshoumaru ficou indignado.

-Claro que sim. – Inuyasha deu de ombros e nem se deu conta do perigo que corria – Eu peguei naquele dia em que fomos à locadora. Já até devolvi.

-Eu particularmente gostei do final. – Hakudoushi reprimia um sorriso e atiçava a raiva dos outros para cima do mais novo – Eu confesso que não esperava aquilo.

-Kagome também não. Ficou chorando por uma hora depois que os créditos subiram.

Um minuto depois, Inuyasha saía correndo dali, perseguido pelos amigos.

Meia hora depois:

Com exceção de Hakudoushi, todo mundo estava à caça de Inuyasha para dar lições de como manter a boca fechada.

-Quer dizer que você os conhece desde o ginasial e só voltou agora para Tokyo? – Kouga perguntou ao recém-chegado – Então você não deve conhecer Sango ou Rin-chan.

O gesso do braço de Sesshoumaru voou na direção dele como se fosse uma pedra e jogo-o no chão.

-Ele pegou essa mania de atirar coisas do Hakudoushi. – Miroku explicou a Takeda – Foi assim que o Sesshoumaru ficou mais perigoso.

-Mas eu não sou violento. – Hakudoushi se defendeu, mantendo a serenidade – Eu sou budista, sou zen, sou um cara legal.

-Eu também sou budista, mas tô desempregado. – Miroku comentou.

-Acho que ele foi pra estação. – Sesshoumaru recolheu o gesso e olhou para os dois braços para lembrar em qual deveria usar – Esquecemos de pegar os passes antes de sairmos correndo atrás dele. Vamos ter que comprar de novo.

-Vá você, Sesshoumaru. – Hakudoushi sugeriu – Com esse braço, terá prioridade no atendimento.

-É mesmo? – ele deu um sorriso cínico – Mas aqui é costume de quem chega à cidade gastar o dinheiro comprando passes.

-Bem, de certa forma, isso é verdade. – o amigo admitiu, tirando a carteira de um dos bolsos – Pode ir lá comigo? Quero te falar algumas coisas.

Sesshoumaru arqueou as sobrancelhas e concordou, começando a andar ao lado do amigo em direção aos caixas – porque, como quase todo japonês sabe, máquinas de comprar passes não seguem a lei de prioridade a deficientes físicos e gestantes.

-Eu não achei esse cara tão perigoso quanto Sesshoumaru. – Takeda opinou – Até me parece mais legal.

-Ele pode ser um aliado nosso. – Kouga tinha a mão direita no queixo para colocá-lo de volta ao lugar – Sesshoumaru não perde por esperar.

-Eu duvido disso. – Miroku voltou a ter tremeliques – Hakudoushi é terrível. Inuyasha e eu às vezes tínhamos mais medo dele do que de Sesshoumaru.

-Mas ele mesmo disse que é budista, zen e legal. – Takeda franziu a testa.

-Eu também sou tudo isso, mas veja como estou agora. – Miroku deu de ombros.

-Olha! – Kouga apontou para uma multidão – Inuyasha tá ali!

-É hoje que eu desconto toda minha raiva por não ter visto esse filme... – Miroku fechou um punho e deu um soco na mão.

Os três correram, pularam bancos, chutaram pessoas, empurraram criancinhas e se aproximaram do alvo. Takeda foi o primeiro a agarrar:

-Inuyasha, seu miseráv...

A cara assustada de um rapaz que usava uma camisa da mesma cor que a de Inuyasha fez com que Takeda se calar e soltar o infeliz.

-Er... bem... Desculpe... – ele tirou um pouquinho de sujeira da camisa do rapaz e deu um tapa amigável nas costas dele – Foi mal. Achamos que era um tarado que quis passar a mão na namorada de um amigo nosso.

O outro saiu de lá correndo, lançando olhares desconfiados para trás.

-Precisamos tomar cuidado. – Miroku advertiu – Kouga, vê se não dá mancada agora, tá?

-Ah... foi mal. – ele se desculpou e colocou um par de óculos com aro grosso para melhorar a visão.

-Ele não pode ter voltado pra casa... Simplesmente não pode. – Miroku cruzou os braços e batia o pé impaciente – Só voltaremos depois de vasculhar toda esta estação.

-Ali! – Kouga apontou para outro lugar, um ponto em meio a uma multidão que se preparava para embarcar.

Novamente correram. Miroku bateu na cabeça dele, Kouga jogou-o no chão e Takeda quis pular em cima, quase conseguindo o feito quando perceberam que não era – de novo - a pessoa que procuravam.

Como o sujeito estava desmaiado e parecia até morto, resolveram deixá-lo lá mesmo. As pessoas estavam agarradas num semicírculo ao redor dos três (ou quatro, como quiserem), um pouco assustadas com tanta violência. Miroku pigarreou e parecia até alguém de autoridade na hora de falar:

-Ele passou a mão na namorada de um amigo nosso.

-É? De quem? – reconheceram Inuyasha perguntando atrás deles, arregalando os olhos.

Encararam-se num silêncio constrangedor.

Percebendo que a desvantagem era dele, Inuyasha deu alguns passos para trás, ao mesmo tempo em que os três davam alguns passos para frente. O olhar deles era de ameaça e profundo ódio; já Inuyasha piscava inocentemente.

Miroku ia abrir a boca para falar, mas outras pessoas – que estavam suspeitamente vestidas de preto e usavam óculos escuros - se pronunciaram antes:

-É um deles, senhorita? - um deles perguntou.

-Sim, sim. – a mulher que caíra por culpa de Inuyasha apontava para ele. Mas muitos ficavam como suspeitos, já que o mais novo estava atrás dos amigos – Foi ele quem me tocou naquele trem!

-Qual deles? – outro perguntou.

Todos os homens que observavam a cena apenas por curiosidade fugiram dali, deixando uma nuvem de poeira, algumas mulheres e os quatro amigos para trás.

Sozinhos, eles começaram a andar para trás, erguendo as mãos em sinal de defesa.

-Vocês já perceberam que só a gente se mete nesse tipo de confusão? – Takeda suava frio e a voz não passou de um sussurro.

-Isso até parece coisa de anime... – Kouga engoliu em seco.

-Tire a gente dessa, Miroku... – Inuyasha implorou.

-EU? – ele arregalou os olhos.

-Vamos usar a mesma tática que Sesshoumaru usou naquele dia em que quiseram nos linchar naquela locadora. – Takeda deu um passo estratégico para trás.

-Qual delas? – Miroku e Kouga o imitaram.

-DÁ NO PÉ, PESSOAL! – ele se virou abruptamente e começou a correr numa velocidade sobre-humana, porque, como todos sabem, esses poderes só surgem nos momentos de maior perigo.

(A partir daqui não será mais narrado como se deu a perseguição. Apenas saibam que foi extremamente difícil para nossos simpáticos protagonistas fugirem das garras dos membros da yakuza, que usaram dardos, latas, jornais e até bolinhas de gude como armas de sujas táticas ninjas para acertá-los ou fazê-los tropeçar. Vamos passar agora para o final da meia-maratona de cem metros rasos dos nossos campeões).

Correndo de um lado a outro, quase sem respirar direito, os quatro amigos mudavam a liderança da corrida uma vez e outra para saber para onde iriam.

-Pra onde está nos levando, Miroku? – Takeda estava morrendo de tanto correr.

-Sei lá!

-Isso é tudo culpa sua, Inuyasha! Trate de nos tirar dessa! – Kouga precisava culpar a alguém.

-Tudo eu, tudo eu! – o outro protestou, ganhando uma força superior a dos outros na hora de correr. Distanciou-se deles e passou a liderar, sob o olhar de espanto deles.

Como já era maldade demais e apelação subir as escadas rolantes da estação para passarem à outra plataforma (mesmo porque não seria útil numa escapada como aquela), Inuyasha resolveu descer. Correu em direção de uma escada rolante sem saber que ela era de subida, mas estancou ao pé dela. Não porque percebeu que era a escada errada, mas sim porque viu o irmão e Hakudoushi subindo para a mesma plataforma deles. E, por ter parado, os três que o seguiam bateram a cara nas costas um do outro e caíram no chão.

-Agora pegamos vocês! – os perseguidores gritaram às costas dele. Vendo-se cercado, Inuyasha jogou-se num canto no exato, instante em que um perseguidor quis nocauteá-lo com um mangá tipo brochura da Shonen Jump.

Consequentemente, o alvo que foi acertado foi Hakudoushi.

Na plataforma, não se ouvia nem o zum-zum de moscas. Do trem que fizera uma parada segundos antes, os passageiros olhavam apreensivos a cena, pendurados nas portas ou as cabeças presas nas janelas. Fora dele, todos pareciam estátuas: nem ousavam respirar.

O mangá escorreu em câmera lenta do rosto do rapaz, causando medo em todos quando foi totalmente revelado. Hakudoushi estava com o rosto transfigurado pelo ódio, parecia pronto para matar a pessoa que ousou jogar as páginas mofadas da Shonen Jump na cara dele. Até Sesshoumaru recuou cautelosamente um passo, temendo que a entrada deles em todas as estações da capital fosse proibida. Inuyasha e os outros temeram o mesmo e conseguiram se esconder atrás do irmão mais velho, depois de tentarem passar despercebidamente pelos dois que se confrontavam através dos olhares.

Finalmente Hakudoushi deu o primeiro movimento, acertando um soco que fez voar o infeliz até o grupo dele, cujos membros caíram depois de receberem o arremessado.

-DÁ-LHE! – Takeda e Kouga vibraram e fizeram o grito de guerra.

Formou-se até uma torcida organizada formada pelos passageiros que estavam na estação. Inuyasha e Miroku estavam assustados demais e encolhiam o outro a cada golpe que era ouvido. Hakudoushi partiu para cima dos outros e surrava qualquer um que usasse óculos e roupas escuras, causando uma confusão tamanha no local.

Minutos depois, a polícia apareceu.

Três horas depois, numa delegacia:

-Bem, bem... – um velho delegado com cara de gente ruim lia as fichas dos detidos – Crianças machucadas, oito feridos, senhores idosos agredidos, torcida organizada, tumultos, destruição de patrimônio público, assédio sexual... – deu um suspiro forçado para conter a vontade de rir e olhou os "acusados" – O que eu faço com vocês, hein?

Os detidos eram, da esquerda para a direita: Kouga e Takeda (com as camisas cobrindo os rostos); Inuyasha (olhando para o lado); Miroku (profundamente envergonhado); Sesshoumaru e Hakudoushi (o irmão sem o gesso no braço e os dois mantendo as cabeças erguidas). Estavam já ali há quase três horas depois de serem presos durante a confusão na estação de metrô juntamente com os membros da yakuza (que na verdade eram os seguranças do local) e foram soltos logo que se identificaram.

-Muito bem. – o delegado jogou as fichas em cima da mesa com um gesto de desprezo – Alguém vai pagar a fiança de vocês?

Inuyasha, Takeda, Kouga e Miroku responderam "sim" ao mesmo tempo em que Sesshoumaru e Hakudoushi falaram "não".

-"Sim" ou "não"? – o homem da lei piscou.

-Ei, as meninas podem nos tirar daqui. – Miroku falou aos que se recusaram – Ou cês têm um outro plano?

-Vocês não estão preocupados com o que elas podem pensar de nós? – Sesshoumaru murmurou num rosnado – E foi por culpa de vocês!

-Ei, foi Hakudoushi quem começou. – Inuyasha tentou se defender – Nós não amarramos ninguém nos trilhos pra ser atropelado pelo metrô!

Hakudoushi manteve a serenidade diante das acusações.

-Olha, nós somos quatro. O "não" é só do interesse de dois. – Takeda foi racional, virando-se para o delegado – Delegado, pode ligar pra esse telefone do endereço deles.

-Elas não podem saber que estamos aqui! – Sesshoumaru tentou intervir.

-E por que não? – os quatro perguntaram ao mesmo tempo.

-Ele está sem aquele gesso. – Hakudoushi ainda estava zen e recebeu o olhar ameaçador do amigo – Ele não quer que a namorada dele o veja assim.

Os quatro se entreolharam.

-Ligue pra elas! – eles falaram ao mesmo tempo ao delegado, sorrindo porque finalmente se vingariam de Sesshoumaru.


No menor quarto da casa de Sesshoumaru, algumas pessoas tentavam arrumar um canto para dormir. Isto é, elas só começariam depois que o dono da casa parasse de discutir na sala com a namorada – ou melhor, quando ela parasse de gritar com ele.

-Por que é sempre ela quem grita? – Hakudoushi perguntou a Miroku. Os dois estavam escutando através da porta.

-É sempre assim. Ele não levanta a voz pra ela.

-Ah...

-Mas não fui eu, Rin! – Sesshoumaru tentava se explicar – Foi Inuyasha quem passou a mão naquela mulher!

-INUYASHA! – foi o berro que Kagome deu.

Hakudoushi e Miroku já tinham voltado aos respectivos futon's quando Inuyasha entrou no quarto abruptamente e fechou a porta atrás de si, escorrendo nela enquanto limpava o suor do rosto muito pálido.

Sesshoumaru entrou abruptamente logo depois, jogando o irmão longe e batendo a pobre porta furiosamente. Hakudoushi fingia dormir e Miroku mudava o ângulo do futon no chão.

E ficaram todos num silêncio tenebroso.

-Bem... Acho que só amanhã a gente vai conseguir explicar pra elas... – o mais novo deitou-se na cama da namorada, que estava cheia de almofadas rosadas e bichinhos de pelúcia – Vocês não vão querer dormir aqui, né? Boa noite. – ele chutou alguns bichinhos e tranqüilamente se cobriu até o pescoço.

Caiu da cama quando escutou um miado berrado. Era de Buyo, que dormia debaixo da almofada. Inuyasha afastou-se da cama enojado, começando a passar a mão pela roupa de dormir.

-Maldito gato vira-lata! – ele amaldiçoou, sem coragem nem de pegar o lençol que usara para se cobrir minutos antes, pois Buyo lambia as patas em cima dele.

Os outros fingiam que nada acontecia, cansados demais até para rir. Ajeitaram-se em futon's separados e cobriram-se até a cabeça.

-Eu acho que tô com alergia. – Inuyasha começou a reclamar – Olha... olha, manchas vermelhas!

-Vai dormir, Inuyasha. – a voz de Miroku saiu abafada por causa do lençol.

-Eu... E-eu estou com falta de a-a-ar! – Inuyasha parecia que estava com comida entalada na garganta – N-Não consigo... respirar...!

-Então morra, Inuyasha. – Sesshoumaru mudou de posição no futon, deitando-se de lado e de costas ao irmão. Hakudoushi não agüentou e começou a rir, sentando-se no futon.

-Ei, o que foi isso? – Miroku sentou-se repentinamente e olhou para os lados. Sesshoumaru nem se moveu e parecia que já dormia.

-Isso o quê? – Inuyasha até esqueceu que estava se sufocando.

-Parece alguma coisa se arrastando... – Miroku parecia um pouco assustado e começou a ter novamente os tremeliques.

-Ah, Kagome já falou sobre isso. Ela diz que são espíritos. – o mais novo pegou outro lençol do guarda-roupa de Kagome e aproximou-se do futon de Miroku para dividi-lo – Arreda pra lá.

-Quê? – o amigo protestou – Nem inventa!

-Ah, por quê? Eu não vou dormir no chão quando você tá num futon que dá pra dois dormirem!

-Eu NÃO vou dormir com VOCÊ, Inuyasha! – Miroku fechou os punhos e levantou, apontando para a cama – Vai dormir com o "seu" gato!

-"Dormir com o seu gato"? – até Sesshoumaru despertou por causa do duplo sentido – Inuyasha, você...?

-Oh, não! – Hakudoushi batia os punhos no chão de tanta graça que achava.

-Não! – o mais novo se estressou – Hakudoushi, explique pra ele! Eu sei que você entendeu!

-Calma, eu tô rindo aqui. – ele se abraçava e tentava controlar a crise de risos.

Miroku deixou de apontar para a cama e voltou a ter tremeliques, olhando para os lados.

-De onde vem esse barulho? De onde?

-Pelo amor dos deuses... – Sesshoumaru levantou-se e pegou o lençol e uma almofada – Vou dormir na sala.

-Vou com você. – Inuyasha pegou as coisas dele também.

Antes que o irmão percebesse, Sesshoumaru correu para a porta, abriu-a, tirou a chave, fechou-a e a trancou pelo lado de fora.

-Ei! – Inuyasha gritou, batendo na porta juntamente com Miroku.

Um som próximo a uma mulher gemendo de dor foi ouvido no quarto. Logo em seguida, alguma coisa quebrou.

-Sesshoumaru, abre essa porta, pelo amor dos seus deuses! – Miroku gritou.

E Hakudoushi continuou rindo do azar dos outros, até escutar alguma coisa quebrar.


Como será um dia só delas? Tokyo no Nendaiki 20kai: "Kanojora". Não percam!

"-Você não acha estranho aquele gesso no braço dele? Parece que está criando raízes!"