Quatro rapazes vasculhavam uma casa inteira à procura de um videogame.

-Nada? – Sesshoumaru perguntou ao irmão, que estava em companhia de Hakudoushi.

-Nem sinal. – Inuyasha respondeu. Miroku, ao lado de Sesshoumaru, afundou num sofá próximo e massageou a testa.

-Não seria melhor perguntar a uma delas se viram o '94? – Hakudoushi não parecia tão preocupado.

-Não! – eles responderam juntos.

-E por quê? – ele cruzou os braços – Mulher sempre conhece a casa melhor que o próprio dono.

-É verdade? – Miroku perguntou a Sesshoumaru, que pisou no pé dele.

-Não dá – o mais velho começou, tentando não irritar-se. Era final de ano, o dia estava bom, Rin voltou a falar com ele depois de quase uma semana sem trocar palavras. Ou melhor, ela apenas pediu desculpas depois que quase pisou no pé dele -, porque falta uma hora pra sair o trem para Yokohama, temos que estar lá em meia hora, temos dez minutos para procurar o maldito videogame sem que elas saibam que levaremos. Se descobrirem, vão reclamar, quebrar e jogar fora. E isso não pode acontecer, meu amigo.

Os dois se encararam. Hakudoushi comentou:

-Vocês as estressam tanto assim?

-JÁ ESTÃO PRONTOS? – escutaram Sango perguntar da cozinha.

-Já? – eles exclamaram meio assustados e olharam o relógio. Elas terminaram antes do esperado de arrumar as sacolas que levariam durante a viagem.

-E agora? – Miroku perguntou aos demais.

-Acho que dá pra passar numa loja de conveniência e comprar pelo menos um game boy. – Sesshoumaru tirou a carteira do bolso e contou algumas notas – Será pior se não levarmos nada.

Inuyasha estava estranhamente pensativo e percebeu o olhar curioso dos outros nele.

-Espero que Souta também não acredite em Papai Noel. – comentou meio preocupado – Já basta aquela peste que mora ali.

-Shippou? – Miroku chutou.

Inuyasha rosnou alguma coisa que fez o amigo rir. Ainda não havia esquecido do que acontecera no ano anterior.

Quando iam explicar o que acontecera a Hakudoushi, notaram que o rapaz estava perto de um velho baú esquecido num canto. Buyo estava em pé nele e arranhava-o para querer abri-lo.

-Tem alguma coisa aqui pra você? – ele perguntou ao gato, tirando a tampa do baú com o pé.

O modo como ele prendera a respiração chamou a atenção dos amigos, que correram até ele.

E também prenderam a respiração.

-Vamos, meninos? – as três falaram ao mesmo tempo quando saíram da cozinha. Rapidamente eles ficaram lado a lado, como uma muralha, e disfarçaram como se não estivessem olhando o móvel.

-V-Vamos... – Miroku gaguejou e olhou de soslaio os outros, tão assustados quanto ele.

-Está tudo bem? – Kagome, segurando algumas sacolas, perguntou curiosamente – Vocês estão tão pálidos...

-É só impressão, senhorita Kagome. – Hakudoushi esboçou uma reação em nome dos demais. Aproximou-se dela e de Rin e tirou-lhes as sacolas das mãos para carregá-las em lugar delas – Melhor nos apressarmos, não?

-É... É sim... – Kagome concordou desconfiada, notando que a reação das amigas eram idênticas. Sango aproveitou e também entregou o que carregava a ele, que ficou com as mãos cheias.

-Vocês não vão ajudar também? – Hakudoushi rangeu os dentes os amigos.

-Vamos logo. – as três saíram. Os namorados (delas!) as olharam, depois olharam o amigo, depois voltaram a olhá-las quando as viram tomar o caminho do metrô.

Os três resolveram segui-las e ignoraram os pedidos de ajuda de Hakudoushi, que praguejava ao segui-los.


Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no Junjou na Omoi

Nihon no Kaidan

Crônicas de Tokyo: Nossos verdadeiros sentimentos

Histórias de Terror Japonesas


Disclaimer: Não quero os direitos da série agora. Em lugar disso, pedi de Natal um castelo em Dresden. É mais barato que comprar "InuYasha" de Takahashi-sensei.

Para todos aqueles que acreditam que 2011 será um ano melhor.


Yokohama:

-Meus braços ainda doem. – Hakudoushi reclamava enquanto a senhora Higurashi massageava mais uma vez uma região machucada do braço dele.

-Pronto, pronto... – ela sorria e terminou o serviço – Vai se sentir bem logo, logo.

-Mas dói... – ele murmurou.

-Tá, a gente já sabe disso. – Sesshoumaru entrou na sala, ajudando o senhor Higurashi a carregar algumas caixas.

-Espero que esse aí também não finja durante meses que está com os braços dormentes, ou mandaremos amputar se for o caso. – Rin saiu da cozinha e passou pela sala para subir as escadas, levando balões enfeitados para um dos quartos.

O comentário fez um certo rapaz estreitar os olhos dourados.

-Eu nunca faria isso. Não me aproveito da bondade dos outros. – foi o comentário de Hakudoushi, que ignorou um rosnado ameaçador de Sesshoumaru. Levantou-se e curvou-se educadamente – Obrigado, senhora Higurashi.

-Puxa vida, como vocês cresceram... – ela comentou ao vê-lo em pé – Lembro de você ainda um menininho.

-Onde eu deixo isso, mamãe? – Kagome apareceu na sala com uns objetos, que pareciam patas mofadas de algum bicho arqueológico.

-O que estão fazendo? – a mãe perguntou ao ver também Inuyasha e Souta com coisas semelhantes. Tanto eles quanto a garota estavam sujos de poeira.

-Estamos limpando aquele porão sujo. – a filha respondeu calmamente.

-Mas aquele porão é o hokora! Seu avô guarda quase tudo lá!

Kagome permanecia impassível.

-Onde a gente joga fora isso?

-Nãããão! – o avô de Kagome surgiu do nada e arrancou aquelas ''preciosidades'' das mãos da neta – São patas de kappa's que trazem felicidade e dinheiro!

-Vovô, isso é um lixo. – Kagome falava sem um pingo de remorso – O amigo trambiqueiro dos meninos consegue uma coisa dessas no mercado negro fácil, fácil.

O senhor Higurashi piscou.

-Por acaso esse trambiqueiro é meio gordinho, usa calças largas e...

-Senhor Higurashi, deixe-me ajudá-lo a levar isso de volta ao hokora... – Sesshoumaru pegou todas as patas de texugo com a mão esquerda e com a direita guiava o idoso para fora da casa, em direção ao pequeno santuário da família Higurashi, acompanhados também de Inuyasha e Souta.

-Hmm... – Hakudoushi suspeitamente olhou para fora, justamente pela direção que vira os quatro tomarem – Vou dar uma volta por aí... Minhas pernas também estão um pouco dormentes.

-Quer massagem nelas? – a senhora Higurashi ofereceu.

-Er... não. – ele recusou e deu alguns passos para trás – Vou mexer um pouco as pernas e a circulação volta ao normal. – saiu correndo atrás dos outros, acenando para a mulher.

Reencontrou os conhecidos já dentro do hokora e ouviu já pela metade a conversa que Sesshoumaru, Souta e Inuyasha travavam com o avô.

-Nestas épocas do ano é que fazemos uso dessas patas de texugo... – o idoso tirava o pó de uma delas – Noites como as de hoje são mais perigosas.

-Por causa daquilo que o senhor falou? – Inuyasha o ajudava.

O hokora estava mal iluminado, e o senhor Higurashi pareceu se aproveitar disso para falar sombriamente:

-Sim, meu filho... E precisamos tomar mais cuidado esta noite.

-Cuidado com o quê? – Hakudoushi ficou curioso e Sesshoumaru pigarreou.

-O senhor Higurashi diz que espíritos maus atacam mais nesta noite do ano por conta das comemorações cristãs.

-E o que isso tem a ver? – ele ficou curioso, vendo o amigo dar de ombros e indicar discretamente com a cabeça o idoso sacerdote, que agora usava selos sagrados para exorcizar mosquitos que tentavam atacá-lo. Sesshoumaru claramente insinuava que não era para dar muita atenção ao velho.

-As crenças cristãs muitas vezes são perigosas... – novamente o velho assumiu um ar sombrio. Era tão assustador que Souta agarrou-se à perna de Inuyasha – Eles dizem que pessoas boas são visitadas por um velhinho que entra por uma chaminé no final do ano, quando todos sabem do Yin e Yang; acreditam num coelho superpoderoso para entregar um ovo de chocolate aos que se comportam bem; acreditam numa pessoa de preto com uma foice que vai visitá-los na hora da morte.

-"Uma pessoa de preto com uma foice"... – Hakudoushi repetiu com atenção.

-Sim. – o sacerdote confirmou com um movimento de cabeça – Ela sempre aparece no último momento para eles, e dependendo do indivíduo, ele irá para onde merece ir.

Silêncio se fez. Ninguém ousava piscar, ainda ponderando sobre as palavras sábias do velho Higurashi.

Alguma coisa de vidro quebrou e assustou quase todos ali. Quem mais pareceu sofrer foi Hakudoushi, que precisou levar a mão esquerda ao peito para controlar o ritmo cardíaco.

-Desculpa, foi mal. – Miroku avisou. Estava segurando um monte de caixas, nas quais podia-se ler a palavra "pratos importantes" gravados com pincel azul.

-Meus praaaatosss! – o senhor Higurashi levou as mãos à cabeça e chorou em cascata ao cair de joelhos perto dos cacos e tentar uni-los. Miroku deu um sorriso sem graça e deixou as caixas no chão para ajudá-lo.

-Pelo visto, este será o pior final de ano que vamos ter. – Sesshoumaru fez um comentário discreto a Hakudoushi e Inuyasha, que observavam a cena sem muito ânimo para ajudar.

-Pelo menos, desta vez, a culpa não foi minha. – Inuyasha riu e virou-se para mudar de lugar mais algumas coisas da estante. Precisavam tirar tudo que havia nas prateleiras do lado direito do hokora e passar para o esquerdo, pois a umidade estava forte demais naquele inverno e estragava alguns objetos antigos.

-Não me considere um chato, Sesshoumaru, mas o seu irmão tem razão. – Hakudoushi deu passagem a Souta, que ia e vinha ao pequeno templo carregando algumas caixas – É triste ver garotas sempre tão alegres ignorando os próprios namorados. Eu até imaginaria como seria o Natal este ano... – imaginava as cenas enquanto todos passavam por ele trabalhando e ignorando-o – Eu as imaginava comprando presentes para os amigos secretos e preparando uma bonita noite de Natal cristão, com um jantar, presentes e conversa jogada fora quando poderiam estar fazendo alguma coisa melhor, como trabalhando, por exemplo. – o espírito japonês soou um pouco forte – Claro que poderiam...

Hakudoushi estava tão aéreo que nem percebeu quando todo mundo saiu. Só escutou a porta ser trancada pelo lado de fora e correu para esmurrá-la.

Hora do jantar:

À mesa, quase ninguém falava. Hakudoushi parecia – só um pouco – furioso depois de ter sido libertado do hokora escuro; nenhuma das garotas conversava com os namorados, somente entre elas; os rapazes estavam calados e discutiriam a situação depois de se servirem, aproveitando a ocasião para ignorar o senhor Higurashi, que insistia em exorcizar algumas moscas que queriam pousar na sopa dele.

Dez minutos daquilo bastaram para Kagome pedir:

-Vovô, pare com isso.

Mais um inseto foi devidamente exterminado antes dele dar atenção à neta:

-Kagome, precisamos tomar cuidado nestas últimas noites do ano. – ele tinha um olhar sério e voz de autoridade, balançando um dedinho em advertência – Os espíritos malignos atacam mais agora que antes. O Templo Higurashi precisa ficar bem protegido em nome de todos.

-Nós estamos em casa, vovô. O Templo é ao lado. – Kagome levou comida à boca e mastigou despreocupadamente.

-Conte pra eles, vovô... – Souta pediu meio trêmulo – Conte a eles as histórias...

Ninguém estava interessado em ouvir, mas o velho começou:

-Há muito tempo que o Templo Higurashi faz serviços de exorcismos... e nós guardamos os espíritos ruins naquele hokora pra...

-Onde o Hakudoushi ficou preso? – Miroku interrompeu e todo mundo olhou o amigo.

-Acho que você precisa ser exorcizado, Hakudoushi. – Sesshoumaru bebeu um gole de suco depois do comentário.

Quem estava perto do rapaz se afastou e Sesshoumaru, do outro lado, recebeu um olhar assassino do amigo.

-Coisas estranhas acontecem em noites como esta, com a família toda reunida. – o velho Higurashi nem percebia o clima tenso entre os amigos – Eles fazem ruídos, arrastam correntes, pegam no pé dos que tentam dormir...

-Eles não têm nada útil pra fazer nessas horas? – Sango mergulhou um pedaço de peixe num pratinho de molho de soja – Podiam assombrar uma árvore, por exemplo.

-Em vez de pegarem no pé, eles podiam pegar no braço de quem fingiu estar machucado o ano inteiro. Um tipo de Papai "Cruel", não "Noel". – Rin limitou-se a falar – Nada contra as árvores, claro. Só acho que elas se comportam bem durante o ano.

Uma pessoa não quis tecer comentários.

Apesar de ninguém dar ouvidos, o velho sacerdote continuou a conversa:

-Tomem cuidado com eles. – deu o último aviso – Tenho certeza que eles atacarão nesta noite.

A mesa ficou em silêncio. O tom dele foi sério demais.

-Vovô-ô-ô... – a senhora Higurashi apareceu na sala falando musicalmente – Está na hora do seu remédio! – mostrou um vidro de tarja preta.

-Nãããão... – ele saiu correndo como uma criancinha e a mulher nem se abalou, pedindo licença aos demais para ir à procura do fugitivo.

À noite:

Subindo as escadas da casa, Hakudoushi levava a pequena mala dele ao quarto onde ele e os amigos passariam a noite. Os corredores já estavam silenciosos; os moradores haviam se recolhido. Era possível escutar até uma agulha caindo no chão.

-Oi. – Miroku o assustou ao, do nada, tocar no ombro dele, e Hakudoushi precisou sufocar um grito.

-Não faz isso! – Hakudoushi rangeu os dentes – Tá fazendo de propósito?

-Fazendo o quê? – o rapaz se encolheu ressabiado.

-Nada, esquece! – ele deu as costas e voltou a andar, entrando no quarto e fechando a porta na cara de Miroku.

Sesshoumaru e Inuyasha apenas arrumavam os futon's para ficarem longe uns dos outros, e ficaram olhando Hakudoushi arrumar a mala dele num canto. O amigo entrou depois esfregando o nariz:

-Tá estressado, é? – apontou um dedo ameaçador – Você nem ao menos tem uma noiva pra saber o que é um noivado em crise, seu...

-Miroku... – Hakudoushi estava sombrio e com um brilho estranho nos olhos ao se aproximar do amigo numa velocidade incrível – Estou cansado, meu amigo... – apertou o ombro de um Miroku trêmulo – Pode me deixar em paz, por favor?

-Tá... Tá bom... – ele andou para trás, mostrando as mãos erguidas para se defender.

-Você está em crise com Sango? – Inuyasha ficou curioso, estendendo o lençol sobre um futon.

-Hmm... Na verdade, não. Mas Sangozinha e eu combinamos de não nos falarmos em solidariedade ao problema de vocês. Afinal, eu não aprontei nada. – meteu as mãos nos bolsos do pijama e tirou de lá uma foto da noiva e beijou – Coisinha linda do Houshi.

-Eu desconfio que foi ela quem deu a ideia para Rin tentar cortar meu braço naquela delegacia e depois me ignorar. – Sesshoumaru arrumou um canto para a mala, sentando-se depois no futon – Rin hoje quase ia falar alguma coisa pra mim se Sango não tivesse aparecido.

-Você teve sorte por ela feito isso. Uma vez a Sango conseguiu acertar um ferro de passar em mim. Eu nunca esqueci disso.

-Kagome já tentou fazer de mim um alvo de alpercatas. Ficamos quase duas horas arrumando as coisas que quebraram. – Inuyasha esticou os braços e jogou-se de costas no futon, cobrindo-se.

-Então foi ela quem deu ideia a Rin-sama. Não minha Sangozinha. – Miroku olhou mais uma vez a foto antes de guardá-la.

No quarto das garotas:

-Calma, Rin-chan.– Kagome passava a mão nos cabelos lisos de Rin e Sango fazia o mesmo.

-Mas... Mas... – ela chorava em cascata – Sess deve estar sozinho... E... E eu tinha que... Ele...

-Mas, Rin-chan, você esteve ótima... – Sango colocou o cabelo atrás da orelha de Rin – Ele fez isso, ele mereceu. Ele também deveria esperar por algo assim quando chegasse o dia, certo? Sesshoumaru-sama nunca mais pensará em te enganar daquela forma.

-Mas... Mas... Eu quase o machuquei naquela delegacia... Eu quase cortei o braço dele... – cobriu o rosto com as mãos – Eu me sinto terrível.

As meninas apenas suspiraram. Como ela era sentimental quando se tratava de Sesshoumaru...

-Esqueça Sesshoumaru, Rin-chan. – Sango jogou os cabelos para trás e ajeitou o roupão de dormir, caminhando elegantemente à cama reservada a ela – Se eu fosse você, além de tentar cortar o braço, eu jogaria um ferro de passar. – cobriu-se e fechou os olhos – Estou cansada, meninas... Boa noite.

-Cansada? Mas o que você fez hoje? Quase não nos ajudou porque não queria se sujar! – Kagome protestou e não teve outra resposta além da respiração cansada de Sango, mergulhada no sono.

-Kagome-chan... – Rin fungou ao vê-la levantar-se – Já vai...?

-Já sim. Amanhã podemos fazer algo legal pra voltar a falar com os meninos. – ela deu um sorriso e uniu as mãos – Mas tem que ser escondido de Sango-chan.

–Tá. - Rin sorriu e confirmou com a cabeça

-Ah... – Kagome olhava a janela – Está nevando...

Rin ficou ao lado dela e as duas admiraram a paisagem. Era possível de ver a neve cair em cima das luminárias do templo.

-Eu tinha esquecido que hoje é noite de Natal em outros países. – Kagome deu um suspiro apaixonado – Nosso mês foi agitado demais... – riu um pouco sem graça - É estranho comemorar o Natal, ainda mais que os nossos são sempre engraçados...

-De uma certa forma, são sim. – Rin uniu as mãos – Amanhã alguma coisa especial vai acontecer...

-Talvez o Miroku arranje um emprego... – Sango murmurou um pouco sonolenta ao mudar de posição na cama.

Em choque, Kagome e Rin arregalaram os olhos. Silêncio se fez.

-Eu escutei o plano, meninas. Agora esqueçam isso e vão dormir. – Sango falou mais uma vez debaixo do lençol que cobria a cabeça.

No quarto deles:

O assunto já mudara e não parecia que havia mais alguém além de Inuyasha – que fora deitar por estar cansado demais - com vontade de dormir em torno de uma improvisada mesinha de apostas.

-Eu aposto que foi Sango. – Miroku jogou uma carta no centro da mesa e ergueu um dedo – Ela tinha ódio daquele videogame desde que compramos. Nunca entendi o motivo.

-Foi Kagome. – Sesshoumaru fez a aposta dele – Quebrou porque não gostava quando Inuyasha ficava tempo demais jogando. Bem, a culpa é dele de alguma forma, para variar.

-Achei que fosse apostar na sua namorada. – foi a vez de Hakudoushi descartar uma – Como não fez isso, eu aposto nela.

-Em Rin? – Miroku e o próprio namorado dela tinham lá as dúvidas deles.

-Bem, eu não digo que foi de propósito. – o rapaz deu de ombros e viu Miroku pegar uma carta e descartar outra – Talvez tenha sido sem querer... Ela não faria isso porque não gostava do coitado do videogame. Se fosse assim, bastava esconder ou simplesmente pedir para não jogar.

Ficaram em silêncio.

-Mas não foi ela. – Sesshoumaru balançou a cabeça – Rin ficaria muito assustada e viria nos contar logo.

-E pediria desculpas. É o jeito dela. – Miroku franziu a testa ao pegar uma carta e murmurou alguma coisa relativa à sorte dele nos jogos.

-Bem... – Hakudoushi deu de ombros de novo e olhou as cartas mais uma vez, antes de esticar o braço para pegar uma no centro da mesinha – Se vocês já a conhecem há tanto tempo assim, eu...

As luzes do quarto apagaram repentinamente, impedindo-o de completar a frase. Os três se olharam e ficaram alguns instantes em silêncio.

-Será que foi blecaute? – Sesshoumaru desistiu do jogo e levantou-se para ir a uma janela. Afastou as cortinas e viu que nevava, mas havia luzes acesas em casas nas outras ruas.

-Hmm... Parece que não. – Miroku já estava ao lado dele, cruzando as mãos atrás da cabeça – Espero que volte logo. Tenho traumas de noites sem energia elétrica e... Alguém ouviu isso? – ficou nervoso ao escutar um barulho estranho.

-Parecia uma mulher gritando... – Hakudoushi ficou um pouco alarmado e foi à porta, abrindo-a. Os outros dois saíram com ele, e ficaram parados no meio do corredor. Estava escuro demais e não dava nem para ver quem estava ao lado de quem.

-Eu acho que... – Miroku estava encolhido e queria ficar perto de alguém – Tem mais alguém ouvindo umas correntes aí além de mim?

-Em que direção fica o quarto das meninas? – Sesshoumaru forçava a vista e não conseguia ver muita coisa.

-Acho que atrás de você... Se é que você está do meu lado. – Hakudoushi tocou com o dedo em algo que encostara ao acaso – Sesshoumaru?

Alguma coisa quebrou ao cair no chão do corredor, só confirmando a Hakudoushi que ele destruíra algum vaso xintoísta sagrado de algumas centenas de anos.

-Ih... – ele murmurou e torceu para que não ouvissem.

-Houshi, o que você fez? – Sesshoumaru gritou de algum lugar do corredor.

-Eu não fiz nada! Tô aqui do seu lado! – ele quase gritou no ouvido do mais velho e recebeu um tapa na nuca por conta disso.

-Não comece com seus tremeliques, Houshi, ou farei você pagar pelo que quebrou.

-Mas não fui eu!

Algumas portas rangeram e passos foram ouvidos.

-O que está acontecendo? – reconheceram a voz de Sango – O aquecedor desligou...

-Sangozinhaaa... – Miroku correu com os braços estendidos às cegas na direção da qual ouvira a noiva falar – Que bom que está...

Um grito feminino – de Rin – foi ouvido. Durou dois segundos ou menos que isso, mas foi o suficiente para o instinto de Sesshoumaru guiá-lo em direção do ser que tocara a – ainda – namorada dele, mesmo estando muito escuro.

-Ai, ai, carambaaa! Alguém tá apertando meu pescoço! – Miroku gritou.

-Se-Sesshoumaru-sama? – Rin o chamou – E-Está tudo bem, foi só um e-engano...

Alguma coisa caiu pesadamente perto dela.

-Isso foi um blecaute? – Kagome perguntou. Parecia que não estava mais perto dos amigos e só ela achava o caminho dentro da casa – Nós escutamos alguém gritar...

-Kagome, aonde você vai? – perguntaram todos em uníssono. Parecia que não queriam ficar sozinhos.

-Vou chamar meu avô, oras! – ela ficou meio impaciente. O tom deles parecia o de uma criancinha com medo de escuro – Fiquem quietinhos aí. Não quebrem nada!

-Escutou, Houshi?

-Não fui eu!

-Tá bom, eu não quero saber quem... – parou de falar e fez silêncio. Será que escutou alguma coisa errada?

Então, todos ouviram uma mulher gemendo.

Uma confusão dominou os corredores. Kagome rangia irritada os dentes por tanta criancice por parte dos amigos, que corriam de um lado a outro pelo corredor como se quisessem escapar de uma mulher que nem sabiam se existia.

-FIQUEM QUIETOS! – ela berrou e encolheu os ombros ao escutar mais algumas peças quebrarem – QUIETOS!

O corredor ficou em silêncio e a garota massageou as têmporas. Por mais escuro que estivesse, sabia que não havia mais ninguém além dela, e não restava mais nada além da poeira e das coisas quebradas que deixaram para trás.

Na sala:

Rin corria completamente cega em meio à escuridão. Não sabia para onde estava indo e nem por onde viera – só sabia que descia escadas depois de quase cair do primeiro degrau do alto -, ainda assustada com tanta coisa esquisita numa só noite.

Tropeçou em algum móvel – provavelmente era a mesinha perto do conjunto de sofá. Alguns objetos quebraram e sentiu o joelho doer: havia se machucado. Levantou-se meio atordoada e quase caiu novamente. Isso só não aconteceu porque alguém a segurou.

Pensando que era uma assombração, Rin começou a gritar e a agitar os braços enquanto tentava escapar.

-Cuidado, Rin. – escutou o tom severo de Sesshoumaru e arregalou os olhos – Quer se machucar ainda mais?

Mais calma, ela olhou para trás e deparou-se com o brilho sereno dos olhos dele, única coisa que enxergava naquele breu.

-Deixe-me ver onde se machucou. – ele aproveitou que ela não tinha reações e a fez sentar-se no chão.

-Hmm... meu joelho dói... – ela murmurou infantilmente – Você consegue ver alguma coisa?

Rin sentiu alguns dedos tocarem na ferida e deixou escapar uma interjeição sem querer. Sabia que Sesshoumaru não fizera de propósito, então não havia motivos para reclamar. Escutou um pedaço de pano rasgar e depois o sentiu cobrir a região, e, em seguida, um nó foi feito em cima do ferimento.

-Vamos procurar os outros. – ele deu mais um nó com o tecido – Consegue andar, Rin?

-Hmm... Não sei... – estava envergonhada. Tratara-o tão mal e agora ele cuidava tão bem dela...

-Suba nas minhas costas. – ele abaixou-se e olhou-a por cima do ombro.

-Cer... Certo... – sem jeito, Rin aceitou o favor. Ele a carregaria nas costas durante a busca – Você... Você também estava com medo daquela voz?

-Não. – o tom dele era sério como de costume – Só estava atrás de você.

Rin apertou os ombros dele e escondeu timidamente o rosto – como se ele pudesse ver o rubor que dominou a face dela só ao escutar a última frase.

-Você ainda está brava comigo? – ele perguntou enquanto a carregava para a cozinha.

-Hmm... É que... É que... – ela pressionou ainda mais o forte contra a costa dele – Sango-chan disse que você merecia.

Rin não percebeu quando Sesshoumaru estreitou levemente os olhos. Como era um homem honrado, não daria uma lição nela. Entretanto, Houshi Miroku deveria se preparar.

-Sess...? – ela tomou coragem – Vo-você sabe que dia é hoje?

-"Hoje"? – escutou-o repetir meio sem interesse.

-É noite de Natal. – ela comentou alegremente - Nosso final de ano foi tão agitado que nem lembramos disso. Nós sempre fazemos alguma coisa legal, mas não pudemos...

-Rin. – ele a interrompeu.

-Oi?

-Eu já sei disso. Eu comprei um presente na semana passada para você.

Rin ficou muda. A respiração ficou momentaneamente presa.

-E-Eu... Eu também comprei um... um presente pra você, Sess...

O rapaz virou o rosto e encontrou o olhar tímido dela por cima do ombro.

-A-Aonde estamos indo? – ela perguntou.

-À cozinha. – ele avisou – Lá eu darei seu presente.

-Ah... - ela sorriu emocionada – Tudo bem...

Na cozinha:

-Sango... – Miroku, segurando a mão da noiva, falou ao ouvido dela.

-Miroku...

-Sango...

-Miroku... O que é isso? – ela olhou para a porta e Miroku apurou os ouvidos, reconhecendo a voz de Sesshoumaru.

Os dois, que estavam abraçados, em pé, tiveram que empurrar um ao outro e aproveitar o breu para se esconder na hora que o amigo entrou com a namorada agarrada às costas.

-Sente-se aqui... – Sesshoumaru ajudou Rin a sentar-se na beirada da mesa – Seu joelho dói muito?

-Não, não. – ela balançou a cabeça mesmo quando ele não olhava diretamente a ela, mas sim para a parte machucada da perna.

Logo depois, sentiu as mãos dele envolver o tornozelo.

-Pena que está escuro. Você não pode ver. – ele falou, prendendo algo na região – Gostaria de ter entregado mais cedo, mas não conseguimos ficar sozinhos.

A mão de Rin tocou a joia que ele colocara no tornozelo dela. Um suspiro passou pelos lábios e novamente deu um sorriso de vergonha.

-S-Seu presente está lá no quarto... – ela começou – E-Eu comprei escondido de Sango-chan, p-porque ela d-disse que você era...

-Eu não disse nada disso! – a outra saiu das sombras e só não avançou porque Miroku a segurava – É uma calúnia, difamação!

-Eu já suspeitava disso. – Sesshoumaru deu a palavra dele e ignorou mais protestos de Sango.

-V-Vamos procurar pelos outros? – Rin tentar mudar de assunto – Acho que Kagome-chan está nos procurando...

-Se aquele avô dela começar com aquelas histórias de assombrações, vou voltar ao quarto e dormir. – Sesshoumaru novamente abaixou-se – Rin, suba de novo.

-Falando em quarto... – Miroku ficou pensativo – Eu acho que estamos esquecendo algo por lá...

Ficaram calados e ponderaram sobre as palavras.

-Inuyasha! – Miroku e Sesshoumaru falaram ao mesmo tempo.

-Aconteceu alguma coisa com ele? – Sango ficou preocupada.

-Ele estava dormindo antes da energia faltar. – Miroku pegou a mão direita de Sango e a guiou enquanto andava – Acho que ainda deve estar por lá.

Quem ainda estava por lá:

-Inuyasha! Inuyasha! – Kagome sacudia o namorado para acordá-lo – Vamos, seu preguiçoso, acorde!

-Hmm... – ele mudou de posição.

-Inu-chan, acorde! – passou a puxá-lo com mais violência e a bater as costas dele contra o chão – Inu-chan, Inu-chan, Inu-ch...!

Foi surpreendida por ele, que, meio-acordado, agarrou-a e deitou-a no futon, ficando por cima dela sem que os corpos se tocassem.

-Ficou maluca, Kagome? Isso machuca!

-E-Eu... – ela piscou. Mas que posição estavam agora... – É que você não acordava e...

Viu-o levar uma das mãos à cabeça e desalinhar ainda mais o cabelo.

-Só estou cansado... – escutou-o bocejar – O que aconteceu?

-Hmm... – ela mal conseguia se mexer – Dá pra sair de cima?

Com isso, ele "desabou" ao lado dela e a puxou para si.

-Ainda está brava comigo? – ele perguntou.

-Um pouco. – ela admitiu com um sorriso meio travesso – Mas até comprei seu presente de Natal.

-É? Que coincidência. – pena que estava escuro demais para ela ver um sorriso que era tão malandro quanto o de Miroku – Eu também.

-Ah, cadê, cadê? – ela quis saber.

Inuyasha sentou-se no futon e olhou para os lados.

-Está escuro demais...

-É que houve um blecaute. – ela explicou, sentando-se também – Você me mostra quando tudo voltar ao normal?

-Ah... claro... – ele piscou um pouco confuso – Aonde foram os outros?

-Por aí. – Kagome deu de ombros e massageou a testa. Algumas vezes os amigos podem dar tanta dor de cabeça... – Saíram gritando dizendo que escutaram uma voz gemendo...

-Sério? – ele bocejou – Não eram correntes arrastando?

Kagome ia confirmar, quando uma espécie de "luz" (não era elétrica, caros leitores) iluminou algo em mente. Era uma mulher gemendo... E também correntes...

-Será que Sango-chan...? – ela segurava o queixo e franzia a testa.

-Sango o quê? – ele ficou curioso.

-Nada. – ela mudou de assunto e levantou-se – Quer voltar a dormir?

Inuyasha respondeu ao cobrir a cabeça com o lençol.

-Então fica quietinho aí. – ela abaixou-se e afagou a cabeça dele – Amanhã a gente conversa melhor. – tirou o lençol do rosto dele e o beijou – Feliz Natal, Inuyasha.

Apenas um sorriso formou-se na expressão dele.

-Melhor você ficar mesmo dormindo aí... – ela aconselhou – Acho que teve gente que se machucou durante a correria.

-Hmm... – ele respondeu sonolento – Tá...

Kagome deu um suspiro. Se não eram os amigos, era o namorado. Haja paciência. Deu um suspiro e saiu do quarto.

No corredor:

Tateando, Hakudoushi procurava voltar ao quarto para ficar quieto lá até a energia elétrica se normalizar no local. Escutou gritos, vasos quebrados, portas rangerem e...

-Oi. – alguém falou perto dele e tocou-lhe o ombro. Hakudoushi precisou se controlar para não dar um grito, reconhecendo a voz de Kagome quando ficou mais calmo.

-Vocês estão de brincadeira comigo, né? – ele rangeu os dentes e viu-a encolher as mãos hesitantemente.

-Como é?

-Esquece, esquece. – o rapaz suspirou irritado – Está procurando os outros também?

-Estou sim, depois vou procurar o vovô. Mamãe diz que ele não gosta de escuro. Souta está dormindo e nem acordou com essa gritaria. – ela afastou-se um pouco e Hakudoushi tentava seguir o vulto – Acho que escutei Rin-chan gritar lá embaixo.

-E-Ei, Kagome, não me deixe aq-...!

Não completou a frase por causa da surpresa que teve: a energia elétrica voltara e o corredor ficou iluminado por uma florescente - misteriosamente ligada por alguém da casa.

-Bem, assim fica mais fácil ir para o quarto... – Hakudoushi ficou animado e nem queria mais seguir Kagome.

Entretanto, ao se virar para voltar, ele deparou-se com uma figura majestosa. Majestosa e misteriosa. Usava uma longa roupa preta e uma espécie de cajado em forma de foice.

Sem reação, completamente pálido e com os olhos lilases sumidos, Hakudoushi caiu de joelhos no chão, em estado de choque.

Um minuto se passou. Os dois se encaravam.

-Vovô! – Kagome, que já havia descido metade da escadaria para procurar os outros, voltou para perto do amigo e falava severamente à figura de preto, colocando as mãos na cintura – Por que está vestido assim numa hora como essa?

O velho deixou a cabeça descoberta, mostrando uma expressão irritada.

-Estou pronto para um ritual de exorcismo, oras! – ele bateu com o cajado no chão, e só então podia-se ver que era um simples báculo. A visão de Hakudoushi estava distorcida na hora por estar com medo – Há o espírito de uma mulher morta pela casa, precisamos ajudá-la!

-Vovô, meu querido, não há mulheres mortas andando pela nossa casa... – ela o guiou para o quarto dele – É só um CD drama de terror. A Sango-chan esqueceu o iPod dela ligado. Agora vai dormir, vai...

Fechou a porta na cara do avô e suspirou cansada. Passou por Hakudoushi – ainda petrificado – e parou repentinamente ao se deparar com os – incrédulos – amigos, que assistiram à cena toda logo que a energia estabilizou-se na casa.

-Hã... – Sango piscou ao receber olhares atravessados dos que ficaram com medo – Ganhei um iPod de Houshi-sama um pouco antes de dormir e esqueci de desligá-lo... Que coisa, não? – ela unia os indicadores timidamente e passava a mão na cabeça completamente sem graça – Há, há, há...

-Você comprou isso com aquele dinheiro que emprestei? – Sesshoumaru arqueou uma sobrancelha.

Todo mundo olhou para Miroku.

-Ah... Por favor... – ele fez um gesto de "deixa para lá" com as mãos – É Natal, dêem um tempo, pessoal...

Felizmente os amigos concordaram com o fato. Miroku deu um suspiro de alívio e aproximou-se, junto com Sango, de Hakudoushi, tentando animá-lo. Sesshoumaru aproveitou a distração e levou Rin para o quarto que ela estava dividindo com as amigas naquela noite, ajudando-a a deitar-se na cama.

-Hmm... Sess... – ela cobriu timidamente metade do rosto com o lençol – V-Você já quer o seu presente?

-Oh? – ele murmurou.

Viu-a curvar-se para pegar algo embaixo da cama. Ela abraçou uma caixa e olhou-o com receio.

-Eu só espero que não fique bravo comigo... – ela encolheu-se – Quando souber que... que...

-"Que"...?

-Que eu... eu quebrei sem querer o seu Nintendo '94! – ela fechou os olhos e comportou-se quase como Miroku agia quando ficava com medo de apanhar dele.

-FOI VOCÊ? – Miroku, Hakudoushi, o avô de Kagome, as meninas e até mesmo Inuyasha apareceram no quarto. Olhavam pasmos a namorada de Sesshoumaru, que corou absurdamente de vergonha e sentiu remorso.

-Eu nunca imaginei isso... – Miroku saiu do quarto revoltado.

-Eu sabia! – Hakudoushi bateu com um punho fechado na outra mão.

-Que coisa! – o avô de Kagome matou um mosquito que o incomodava.

-Que decepção... – Inuyasha deu um bocejo e voltou ao quarto dos rapazes. As garotas deram um sorriso meio sem graça e acenaram ao casal quando tiraram os últimos do quarto para deixarem Rin e Sesshoumaru sozinhos.

-Então... – ele quebrou o silêncio – Foi você...?

-Desculpe, Sess! – ela estendeu a caixa e podia-se notar os braços trêmulos - Mas eu comprei um novo modelo, eu espero que...!

Parou de falar ao sentir a aproximação dele. Logo em seguida, ela recebia um beijo no topo da cabeça.

-Vamos cuidar desses ferimentos antes de você dormir, Rin. – ele avisou – Se estiverem muito ruins, vamos ao médico amanhã.

A caixa foi tomada das mãos dela.

-Isso fica comigo. – ele segurava a caixa e a encarava serenamente – Obrigado, Rin.

Rin deu um dos sorrisos mais tímidos/contentes dela.

-De nada, Sess...


O Natal passara e veio a ideia de comemorarem a passagem de ano com uma tradição comum dos templos budistas: tocar os sinos e jogar a moeda.

-Então... – Sango olhava a corda e o sino lá no alto – Só temos que fazer soar?

-É sim, Sangozinha. – Miroku estava entusiasmado com a animação da própria noiva – É só puxar a corda e...

A garota começou a puxar a corda sem um pingo de senso, fazendo doer os ouvidos de quem estava por perto.

-Er... querida... – Miroku tomou a corda "educadamente" à força – Agora você já pode atirar as moedinhas.

Sango pegou um pote de moedas de dentro de uma sacola que Rin trouxera para a ocasião.

-Ei, esse vidro é meu! – Inuyasha arrancou o pote das mãos dela – Tem minhas economias de infância aqui!

Hakudoushi aproveitou um momento de distração e bateu nas mãos de Inuyasha, que deixou cair o pote. Centenas de moedinhas de ienes ficaram espalhadas, para a alegria de alguns fiéis que não tinham muitos trocados – como Miroku. O mais novo pelo menos conseguiu impedir que Sango atirasse quase 2.000 ienes no poço do templo.

-Como você é pão-duro, Inuyasha... – ela franziu o cenho – Ainda quer que tenha um ano bom desse jeito?

Escutou-o murmurar algumas coisas sem sentido. Os outros rapidamente aproveitaram a situação para tocar os sinos e jogar as moedinhas com o pedido. Inuyasha até abriu a boca quando viu que quase todos aproveitaram aquela distração, mas não impediu Miroku quando chegou a vez dele.

-É agora... – Miroku uniu as mãos numa prece – Por favor, eu quero um bom emprego este ano!

-Miroku-sama, não é pra contar seus desejos! – Rin aconselhou e fazia torcida por ele.

-Ah, tá. – ele ficou olhando patetamente o céu, como se esperasse algo cair. Gotas escorregaram nos rostos de alguns.

Finalmente, Miroku fez soar os sinos e jogou as moedinhas no poço. Já estava alegre, pensando que o ano seria melhor, até ouvir uma conhecida voz:

-MESTRE MIROKU! – um esbaforido Hachi corria em direção deles. Estava vestido como monge – Que prazer em ver o senhor aqui!

-O que VOCÊ faz aqui? – Miroku estava relativamente nervoso, já suspeitando da resposta.

-EU criei o templo. Dá muito dinheiro esta época do ano. – não percebia o choque estampar no rosto de Miroku ao descobrir a farsa do templo. Atrás dele, os amigos perderam a cor nos rostos.

-Hachi, seu maldito... – Miroku murmurou infantilmente. Devia ser aquilo parte dos momentos mais azarados do novo ano – Some da minha frente, sua praga...

-M-Mas, mestre... – Hachi ergueu as mãos e andava para trás ao ver Miroku fazer um gesto como se quisesse torcer o pescoço dele – E-Eu vim c-correndo para chamar o senhor! Preciso de ajuda. – ficou de joelhos aos pés do rapaz – O senhor não quer trabalhar comigo? É mais fácil dois tomarem conta do templo! E pode ficar também com as doações, se quiser.

-Sério? – Miroku ficou interessado, voltando ao normal.

Os amigos caíram de lado. Sesshoumaru e Hakudoushi limitaram-se a menear.

-Volto já! – viram o rapaz sair correndo acompanhado do monge trambiqueiro.

Alguns segundos depois, os amigos se deram conta do que acontecera e correram atrás deles.

-Ah! – exclamaram – Eles ficaram com o NOSSO dinheiro!


Próximo capítulo:

Um novo cinema é inaugurado, porém apenas para filmes que não circulam no mercado, mas que todo mundo vê ou já viu algum dia. Jikai Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no junjou na omoi: Cine Star. Não percam!

"-Pra tudo se tem um jeito. Quando não tem um jeito, tem sempre um jeitinho."