Sete pessoas caminham sem muita pressa até um novo cinema inaugurado naquele dia no bairro do Tokyo Dome.

-Eu ainda não entendi isso... – Hakudoushi franzia a testa – Como vocês conseguiram a façanha de proibirem a entrada de vocês em todos os cinemas da cidade?

-Foi culpa dele! – todo mundo apontou um ao outro acusadoramente.

-No final das contas, todo mundo foi culpado, imagino. – Hakudoushi ergueu uma sobrancelha e apertou as mãos dentro do bolso do casaco. Fazia já frio na cidade, indicando o início da próxima estação.

-Que estranho... – Miroku olhava o folder que deveria conter a programação – Não diz o que tá em cartaz... E esse é o melhor guia da cidade.

-Acho que não deu tempo pra mandar a programação, Miroku-sama. – Kagome tomou o guia das mãos dele e procurou pelos filmes – Aqui só diz o dia da inauguração mesmo...

-O que vier, tá valendo. – Inuyasha colocou a mão atrás da cabeça num gesto despreocupado – Faz tempo que não vamos a um cinema.

-Nem alugamos filmes. – Sango completou.

-Não vemos filmes juntos. – Sesshoumaru contribuiu para a discussão.

-Mas de vez em quando vemos "Laços de Ternura" lá em casa... – Rin fez seu comentário inocente.

Um minuto se passou e ninguém ainda tinha falado alguma coisa a respeito do filme por segurança: Sesshoumaru estava perto de Rin.

Chegando ao local, repararam no visual retrô do recém-inaugurado cinema.

-Nossa, que chique. – Sango tirou o casaco de frio e segurou-o no braço – "Cine Star"... Que nome... criativo... – soou irônica.

-Eu acho muito escuro aqui... – Inuyasha olhou os enfeites.

-Acho que vamos pintar a sua casa com essas cores cinzentas. – Kagome fez menção à reforma da casa do namorado, sem condições de moradia desde a última grande tempestade que o bairro sofreu há alguns meses.

-Vamos comprar os ingressos. – Sesshoumaru avisou, segurando Rin pelo braço enquanto se afastava do grande grupo.

-Vamos olhar a pintura, Inuyasha. – Kagome arrastou o namorado para passearem pela frente, super curiosa para ver como era tudo depois de passarem a roleta.

-Vou comprar a pipoca pra guerra! – Hakudoushi anunciou, puxando Miroku e Sango para irem com ele até a lanchonete.

-Eu acho que seria melhor se NÓS fôssemos comprar os ingressos. – Miroku ficou de fora da coleta que Hakudoushi e Sango fizeram para comprar pipoca e bebida para todo mundo – Vai que a Rin faz todo mundo ver o remake de "Laços de Ternura"... Quer só ver.

-Eu confio em Sesshoumaru-sama. – Sango segurou parte da pipoca e Hakudoushi pegou as bebidas – Ele não vai deixar.

-Bem... – o pesquisador de Kyoto se meteu na conversa – Vai que ele resolve tirar uma com nossa cara...

O casal se olhou.

-Digo... – Hakudoushi continuou – Eu também posso não gostar do filme, mas se for pra sacanear com vocês, com certeza eu faria isso.

Novamente Miroku e Sango trocaram olhares.

-Querem um conselho? – Hakudoushi tirou um dos sacos de pipoca dos braços de Miroku e uma lata de cerveja dos braços de Sango – Vão lá com eles... Fico esperando por vocês perto da roleta.

Os dois saíram correndo, com lanche e tudo, e foram procurar o outro casal. Hakudoushi assoviava tranquilamente e foi dar uma volta pelo local.

Vamos agora dar uma pausa para explicar aos senhores, leitores ávidos e curiosos, como é este local, este novo cinema que (ainda) não proibiu a entrada dos nossos conhecidos amigos: a entrada era formada pelo pátio – onde tinha a lanchonete em que Miroku, Sango e Hakudoushi estiveram - e pela bilheteria – onde Sesshoumaru contava até dez para não se aborrecer com as intervenções de Miroku, Sango e Rin, já que o próprio ia pagar todas as entradas. Saindo do pátio e passando pela porta de vidro automática temos o grande salão, no qual havia muitos bancos para os espectadores que aguardavam pela próxima sessão do lado de fora e onde Kagome e Inuyasha esperavam pelos amigos sentados. Inuyasha não gostara da pintura do local e queria que Kagome parasse de incomodá-lo com a possibilidade de pintar a casa toda de cinza.

Se todo mundo saísse do salão e passasse pelo grande corredor, iam até a sala roleta (eletrônica, claro, como todo bom cinema japonês), passariam pela roleta e entrariam na sala de exibição. Justo nesse caminho havia grandes cartazes das produções cinematográficas, todas emolduradas e em posição de destaque para que todos os visitantes pudessem apreciar.

Em frente a um destes cartazes, Hakudoushi deixou cair a lata de cerveja e a pipoca, ficando boquiaberto.

Recuperando as forças, ele saiu correndo, procurando por Miroku e Sesshoumaru.


Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no junjou na omoi

Cine Star

Crônicas de Tokyo: Nossos verdadeiros sentimentos

O Cine Star


Disclaimer: Leiam o capítulo um e tirem suas dúvidas.

Para alguém que continuo amando e que não está mais aqui.


-Vamos ver se entendi... – Sesshoumaru tinha alguns ingressos apenas com o código de barras impresso – Nós podemos ver qualquer filme, de qualquer sala, simplesmente mostrando o mesmo ingresso?

-Chin. – um chinês gordinho de bigodes bem arrumados e que mal sabia japonês era o caixa, estranhamente ocultado pela ambiente dark produzido artificialmente pela luz apagada – Ploduchões nachionais apenas.

-Produções nacionais de qual país? – Rin perguntou um pouco receosa – China ou Japão?

-Se for China, deve ser de luta. – Miroku dez um movimento que tentava imitar um golpe ninja perfeito – Tipo "O clã dos machados voadores".

-Devem ser filmes de arte. – Sango segurou o queixo, pensativa.

-Tipo "Laços de Ternura"? – a amiga sugeriu.

Todo mundo revirou os olhos, mas Rin não percebeu.

-Quanto dá tudo? – Sesshoumaru abriu a carteira.

-Chinquenta ienes. – o chinês respondeu, dando as entradas.

-Caramba, tá muito barato... – Miroku estranhou, pensando também que poderia ser um erro de conta do caixa estrangeiro – Acho que virei toda semana agora. – completou, aproveitando-se dessa possível falha do chinês na hora de converter as moedas do país.

-Chinquenta ienes cada pechoa. – o chinês completou e cada um sufocou um grito. Depois, Sesshoumaru deu um suspiro e tirou mais dinheiro da carteira, recebendo os sete ingressos.

-Voltem chempre. – o caixa sorriu e colocou a plaquinha de "procure outro caixa" logo depois.

-Esse cara me lembra alguém, não sei por quê... – Miroku ficou pensativo e deu de ombros ao achar um absurdo a ideia de já ter visto um chinês trabalhando nas trevas de uma bilheteria. Era mais fácil todos ficarem milionários trabalhando num cinema e ele continuar desempregado.

-Quem? – Sango ainda seguia o outro pensamento dele.

-Ele lembra o Hachi. – Hakudoushi apareceu atrás dela, assustando aos outros também por mostrar que estava ali o tempo todo.

-Pô, agora que cê falou... – Miroku colocou a mão no queixo.

-Hã... – querendo logo tocar no assunto, Hakudoushi pigarreou e chamou a atenção deles – Sesshoumaru, Miroku... podemos conversar ali rapidinho?

Curiosos, os dois concordaram. O amigo os arrastou a alguns metros, pronunciou cinco palavras, Miroku deu uma sonora risada, Sesshoumaru deu um tapa na nuca dele e voltaram para perto de Rin e Sango.

-Vamos embora. – Sesshoumaru anunciou, pegando Rin pelo braço.

-Mas... mas... – tanto ela quanto Sango protestaram.

-Vamos explicar quando chegarmos. – Miroku tomou o braço de Sango e Hakudoushi ficou com as pipocas e bebidas de todo mundo, já que ele não tinha ninguém para segurar.

Dentro da estação, cinco minutos depois:

-Quer dizer que é um cinema pornô? – Sango exclamou, contendo a vontade de rir ao entender a frustração de Miroku por não poder ficar para a sessão.

-Eu reconheci na hora os cartazes... parece o Cine Ópera, lá em Kyoto. – Hakudoushi cruzou os braços – O filme em cartaz é "As famosas ninjas das adagas voadoras", e a ninja cega é a Kikyo.

-Droga! – Miroku ficou ainda mais indignado por não poder ficar, mas disfarçou ao receber aquele olhar da noiva.

-Bem, de qualquer forma... – Sesshoumaru tinha a expressão séria de líder do grupo – Fizemos bem em sair de lá. Inuyasha ainda não pode saber que Kikyo é atriz pornô.

Fez-se silêncio. Já haviam comprado os bilhetes e estavam na fila para passar a roleta do metrô.

-Estamos esquecendo alguma coisa? – Hakudoushi franziu a testa.

-Sinto algo estranho... - Rin colocou a mão no coração.

Continuaram em silêncio. Passaram a roleta. Foram para a primeira plataforma.

-Vamos voltar pra casa em cinco minutos... – Miroku comentou bem-humorado, querendo apagar a sensação ruim da mente.

Ninguém comentou.

Entraram no metrô.

Sentaram.

Ao contrário do de outros países, os metrôs em Tokyo demoram cerca de dez minutos para fecharem suas portas, tempo suficiente para encher e acontecer os famosos casos de assédio que diariamente estampam as manchetes dos jornais japoneses.

Os nossos cinco amigos estavam sentados, olhando um para o outro, passando o último pacote de pipoca entre eles.

Exatamente um minuto antes – o minuto para o metrô fechar suas portas, eles deram um grito e saíram correndo, refazendo o caminho até o Cine Star.

Enquanto isso, no Cine Star:

-Eles estão demorando com os ingressos... – Kagome olhou o relógio – Será que acabaram?

Sentadinho ao lado dela estava Inuyasha, braços cruzados e cabeça jogada para trás numa pose herói sem preocupações. Querendo fazer um comentário inteligente, ele baixou a cabeça, abriu os olhos e pôs-se a comentar:

-É mesmo.

Um vento frio passou entre os dois.

-Ei, aquele ali não é o Hachi? – Kagome levantou-se subitamente e apertou os olhos para enxergar melhor – Hachi trabalha aqui?

Inuyasha murmurou um "ah, não..." meio preocupado e ficou calado. Melhor ficar mudo a dividir os pensamentos quanto se tenta bancar o herói sem preocupações quando se está começando a cheirar problemas.

O gordinho, usando o uniforme local e um estranho bigode tipicamente chinês, aproximou-se do casal um pouco assustado. Não pôde fugir porque os dois realmente o reconheceram, e se saísse dali correndo poderia levantar questionamentos.

-Senhorita Kagome... – o trambiqueiro aproximou-se e fez uma reverência, voltando-se para Inuyasha para fazer o mesmo – Senhor Inuyasha... como estão? Gostaram do novo cinema?

-Por que cê tá vestido assim, Hachi? – Inuyasha logo questionou – Tá trabalhando como palhaço aqui?

Hachi e Inuyasha trocaram olhares. Um estava confuso; o outro tinha a clássica pose heróica.

-Hachi, você viu nossos outros amigos por aí? – Kagome perguntou subitamente.

-Ei, é a primeira vez que faço uma pergunta séria! – Inuyasha protestou – Não quebre o momento!

-Eu acho que eles estão na sala de exibição, senhorita Kagome. – Hachi deu atenção à garota e Inuyasha sentiu-se de fora e revoltado – Eles chegaram a comprar os ingressos, mas depois disso eu não vi mais eles.

-Como assim? – o casal perguntou em uníssono.

-Bem... – o amigo pilantra coçou a cabeça e olhou as catracas – Eu vi todos eles comprando os ingressos, o senhor Sesshoumaru foi quem pagou. Aí não vi mais... Mas... – olhou novamente o casal – Querem entrar? Eles compraram as sete entradas, inclusive pro senhor Hakudoushi.

-Mas podemos entrar sem ingressos? – Kagome arregalou os olhos.

-Ah, senhorita Kagome... – Hachi os conduziu até o auditório – Pra tudo se tem um jeito. Quando não tem um jeito, tem sempre um jeitinho.

Os dois trocaram olhares desconfiados. Que raio de afirmação era aquela?

-Além do mais – o trambiqueiro continuou – Eu sei que compraram as entradas de vocês. Depois eu pego com Sesshoumaru-sama.

Dando de ombros, o casal entrou na sala de exibição, justo quando uma outra conhecida voz para eles soou no auto-falante, avisando que a nova sessão começaria em cinco minutos.

Do lado de fora, cinco pessoas chegavam suadas, descabeladas, morrendo de sede e do usual ódio que frequentemente nos domina quando fazemos algo muito, muito errado e precisamos usar nossas energias tentando corrigi-las. Eles estavam ofegantes e chamaram a atenção do chinês gordinho que atendia antes na bilheteria.

-Ah, chenholes ("senhores"). Plechicho dos inglechos.

Miroku, depois de acalmar a respiração, piscou surpreso:

-Hachi, por que cê tá falando assim?

O trambiqueiro gelou e deu um passo para trás.

-Ei, peraí... – Sango franziu a testa – Se Hachi está aqui, e foi quem nos vendeu os ingressos, então ele sabe que...

Silêncio se fez.

O auto-falante novamente anunciou que a próxima sessão começaria em três minutos, aproximadamente.

-Hachi, você viu Inuyasha e Kagome por aí? – Hakudoushi perguntou, ainda sentindo suor escorrer pelos lados do rosto.

-Eles já estão na sala de exibição. – o homem respondeu, vendo todos arregalarem os olhos – Entraram pra ver "As famosas ninjas das adagas voadoras".

-E COMO eles entraram se EU estou com os ingressos? – Sesshoumaru mostrou as sete entradas e tentava parecer inexpressivo com aquela informação, embora todo mundo sentisse que fosse o contrário.

-Eu deixei entrar. – ele informou inocentemente.

Sesshoumaru agarrou o pescoço do pobre homem e levou-o longe, juntamente com Miroku. Uma voz feminina anunciou que todo mundo só tinha até um minuto para entrar e não perder a exibição dos trailers.

-Hakudoushi, meninas! – gritou Miroku distante – Procurem os dois e tirem eles de lá!

Os três bateram continência. Hakudoushi virou-se para Rin e Sango:

-Procurem por essa garota que está fazendo as chamadas! Vou procurar pelos dois na sala de exibição.

-Certo! – elas foram embora pelo lado oposto do corredor, onde ficava o acesso apenas para funcionários, enquanto que Hakudoushi passou novamente pelo corredor cheio de cartazes com moças em posições sensuais. Ele pulou as catracas e tentou entrar heroicamente na sala de exibição, tropeçando ao se deparar com a escuridão e caindo em cima de alguém.

-Aaai! – uma mulher gritou.

-Desculpe, minha senhora! – Hakudoushi levantou-se depressa e ajudou a idosa a levantar-se.

A velhinha afastou-se depressa e provavelmente sentou-se em algum lugar longe dele. Hakudoushi sentiu-se um pouco envergonhado e, minutos depois, a sensação desapareceu ao se perguntar o que levava uma senhora idosa como aquela era a ir a aquele lugar.

-Essas velhinhas de hoje... – balançou a cabeça – No meu tempo não era assim.

Começou a procurar pelo casal. Passou pelas laterais, entrou numa fileira, murmurava um "desculpe" de quando em quando ao pisar no pé de alguém. Hakudoushi avistou Kagome apenas quando os trailers começaram, aproveitando os momentos mais claros da película para enxergar algo.

-Kagome! Kagome! – gritou e o cinema inteiro ouviu. Alcançou a cabeça feminina sentada numa das fileiras e tocou-a no ombro – Kagome, onde tá o Inuyasha?

A "Kagome" não era, na verdade, a Kagome que conhecemos. Era apenas uma outra garota, vestida provocantemente, que tinha um penteado parecido com o da verdadeira. A moça virou o rosto e deu um largo sorriso maroto.

-Oi, bonitão. – ela puxou Hakudoushi pelo braço com força e este, surpreso, não reagiu – Quer ver o "Inuyasha"? Hein? Hein?

O rapaz, sentado enquanto uma garota que parecia dançarina de boate se esfregava nele, lutava contra a vergonha, a tentação, a vontade de atirá-la longe e voltar à missão original de encontrar os amigos. Fechou os olhos e passou, irritado, a mão nos cabelos, murmurando um palavrão enquanto a desconhecida continuava tentando se sentar no colo dele.

-Hakudoushi? – Inuyasha e Kagome, em pé e de braços dados perto da fileira em que ele estava, estavam boquiabertos e assustados com a cena, arregalando os olhos ao ver o rapaz, com o susto, jogar a garota no chão do corredor mal-iluminado.

Minutos antes, perto da sala do auto-falante...

-Espere, Sango-chan!

-Rápido, Rin, corra! O tempo é curto!

As duas corriam desesperadas pelo corredor de acesso restrito a funcionários, cujas paredes estavam decoradas com pôsteres de alguns filmes. Diante de um deles, elas pararam. Ficaram alguns segundos apenas olhando, depois ambas levaram as mãos aos seios como se quisessem medir o tamanho deles.

-Rápido, Rin-chan, rápido! – Sango falou à amiga, puxando-a pelo braço quando ela ficou mais para trás quando perceberam que estavam perdendo tempo – Vamos ver se é essa aqui!

Rin ia bater e pedir licença para entrar, mas Sango a parou.

-Espere! – falou – Eu sempre quis fazer isso.

-O quê? – Rin ergueu as mãos como uma italiana impaciente.

Sango afastou-se, esticou uma perna e deu um pontapé na porta, quebrando a fechadura. Rin ficou do lado de fora, boca aberta e expressão pasma, e Sango ficou parada também na entrada – não por causa do que tinha feito, diferentemente da amiga.

-Botan – a jornalista franziu a testa –, que diabos faz aqui?

A outra jovem, inocente e comendo pipoca enquanto ouvia música, apenas piscou antes de responder:

-Eu trabalho aqui.

Rin, já recuperada, olhou Sango e parecia meio indecisa:

-E agora? – perguntou – Hakudoushi só disse que era pra gente procurar a sala, mas não disse o que devemos fazer...

Sango deu um sorriso sem graça, mas depois bateu um punho fechado numa mão ao ter uma ideia.

De volta à sala de exibição:

-Hã... Hashi... – Kagome estava um pouco hesitante, demorando a escolher as palavras – Atrapalhamos... alguma coisa?

-Estávamos procurando por vocês! – ele ergueu-se e foi até eles, puxando-os para a saída – Onde se meteram?

-A gente entrou noutra sessão, mas Kagome não quis ficar porque acha que No Ninho das Cobras deve ser chato!

-Será que a Kikyo fez esse filme? – Hakudoushi nem se percebeu falando alto.

-Que disse? – Inuyasha e Kagome não compreenderam.

-Eu disse alguma coisa? – ele coçou a cabeça ao se dar conta – Ah, sim, eu acho que concordo com Kagome e acho que o filme daqui também deve ser muito chato. Vamos pra casa? Tem "Laços de Ternura" pra gente ver lá.

-Não! – os dois falaram ao mesmo tempo e Hakudoushi empurrou-os com certa violência pro final do corredor, em direção à saída.

-Vamos logo, deixem de brincadeira! – falou, mas parou ao ver a dançarina bloquear a saída, dando meia-volta – Saco...

-Ei, para de arrastar a gente! – o casal se soltou e o olhavam indignados.

-O que tá acontecendo, hein? – Kagome arrumava da melhor forma possível a roupa amarrotada.

-Inuyasha – Hakudoushi viu que precisava apelar – Eu tenho uma coisa pra te contar. É muito importante.

-O quê? O quê? – o nosso amigo assumiu novamente a pose de herói prestes a ouvir uma revelação.

-A... A... K... Ka... Ki... Ku... Ke... Ko... – o amigo gaguejava.

-Você não sabe o alfabeto, é isso? – Inuyasha falou compreensivamente – Não se preocupe, meu amigo, eu levei seis anos pra aprender. – ele não viu o horror estampado no rosto da namorada e tocou o amigo nos ombros – Quer ir pra casa pra todo mundo falar sobre isso?

-Inuyasha! Kagome! Hakudoushi! – Miroku, Sesshoumaru, Rin e Sango correram em direção deles, todos quase sem fôlego.

-O que tá acontecendo? – outra pergunta-praxe foi heroicamente feita pelo mais novo.

-Inuyasha... – o irmão falou gravemente – Hoje começa o campeonato nacional. Precisamos voltar AGORA para ver a estréia.

Os dois se encararam.

-Não. – Inuyasha respondeu.

Um vento frio soprou ali. Todo mundo se afastou quando viu Sesshoumaru estreitar os olhos ante a audácia da figurinha que queria enfrentá-lo.

-Então vamos pra casa ver... ver... – Miroku tentou ajudar, mas o nome de algo para ver não surgia para ajudá-lo na mentira – O Senhor das Aranhas?

-Já vi. Se voltarmos, vai ser pra ver "Laços de Ternura". – Inuyasha estava cada vez mais afiado nas respostas.

-Ah, vamos voltar, vamos? – Rin levantou-se imediatamente e começou a puxar a manga da camisa de Sesshoumaru – Vamos, vamos logo? Por favor? Vamos?

-Inuyasha, não dá ideia, por favor! – Kagome puxou a orelha dele e os outros suspiraram. Ao que parecia, não iam conseguir mesmo sair dali.

"Atenção, atenção!"

-Ei, não é uma daquelas irmãs? – Kagome tentou reconhecer a voz.

-É a Botan. – Inuyasha, como usual, sabia quem era quem – Será que as duas trabalham sempre nos mesmos lugares que Hachi?

"A estrela de 'Caída por Armadilhas' está na sala de exibição ao lado para uma noite de autógrafos..."

A confusão tomou conta do local. Muitos corriam na mesma direção em que os amigos estavam, a saída de emergência, gritando enlouquecidos como fãs de alguma banda prestes a fazer show.

-Ei, eu sei que filme é esse! Bora ver a mulher, bora! – Miroku tentou arrastar Sesshoumaru e Hakudoushi, recebendo um tapa na cabeça de ambos.

-Senhor Inuyasha! Senhor Inuyasha! –Hachi apareceu na sala de exibição, agitando os braços para chamar a atenção de todos em meio dos que corriam.

-Hachi... – o mais novo piscou com surpresa ao ver os ferimentos dele – Por que cê tá assim?

-Eu não sabia que o senhor não podia vir pra lugares assim! Prometo devolver o dinheiro dos ingressos!

-Do que diabos cê tá falando? – Inuyasha tinha o raciocínio mais lento de todos.

-Sobre o filme pornô de Kik—

Um soco de Hakudoushi e Miroku fez Hachi grudar o rosto no chão.

-O que ele disse? – Kagome estava assustada com tamanha violência.

-Algo sobre o filme pornô da Kikyo. – Inuyasha respondeu calmamente para ela, vendo-a dar de ombros.

-E quem quer saber sobre isso? – ela respondeu.

Os outros cinco estavam boquiabertos. Ninguém piscava. Poderiam até dizer que não respiravam.

-I... Inu... Inuyasha... – Sango tomou a palavra pelos demais, que estavam evidentemente surpresos demais com a revelação – Kikyo faz filmes pornôs?

Todo mundo lançou um olhar de ódio a Sango, que era a única que fingia não saber dos fatos.

-Quem te contou sobre isso, Inuyasha? – Miroku quis compensar a brincadeira da noiva fazendo uma pergunta mais séria.

-Eu contei, oras. – Kagome deu de ombros de novo – Algum problema?

-E QUANDO você contou? – desta vez a pergunta foi feita pelos cinco.

-Quando eu vi aquele filme lá em casa. – Kagome estreitou os olhos – Isso foi há meses, eu acho.

Todo mundo continuou boquiaberto.

-Será que "No Ninho das Cobras" também é com a Kikyo? – Hakudoushi fez a pergunta para quebrar o clima, já que agora percebiam que não havia necessidade de esconder a história.

-É sim. – Hachi, já de pé, respondeu e olhou o relógio – Começa em cinco minutos a sessão.

-Vamos ver? – Miroku tomou o braço de Sango – Acho que deve ser melhor que voltar pra casa depois de tudo.

-É mais engraçado ficar pra ver Kikyo fazendo strip-tease? – Sesshoumaru questionou, arqueando as sobrancelhas ao segurar a mão de Rin.

-Você já viu esse filme? – ela franziu a testa.

-Não. – ele respondeu sério.

-Se eu descobrir que é mentira, vai ver 12 horas da versão remasterizada de "Laços de Ternura" comigo. – a namorada ameaçou.

Silêncio se fez e todos aguardavam pela resposta de Sesshoumaru enquanto caminhavam pelo corredor para ir à outra sala. O mais velho parecia pensativo e decidindo-se pelo que seria mais adequado a dizer.

-Eu achei melhor que "Um demônio de sacerdotisa". – ele pigarreou e fez um ar mais sério.

-ÉÉÉÉ? – Miroku, Hakudoushi, Inuyasha e até mesmo Hachi ficaram surpresos.

As garotas apenas riram, incluindo Rin.


Na sessão – vazia – de cinema, os sete amigos viam ao filme estrelado por Kikyo sérios, mesmo ouvindo todos aqueles gemidos. Ou melhor, quase todos: Sango era a única que não parava de rir.

-É a primeira vez que temos um cinema só pra gente. – Sesshoumaru fez o comentário.

-Mas não dá pra fazer guerra de pipoca. – Hakudoushi parecia meio aborrecido.

-Nós fomos expulsos do melhor cinema do bairro por causa disso. – Inuyasha parecia entediado.

Sango continuou dando gargalhadas. O ataque de risadas dela durava quase meia hora.

-É sempre assim? – Rin perguntou curiosamente a Miroku, indicando a amiga com um polegar.

-Sempre. – ele coçou um lado do rosto e deu um sorriso sem graça.

Ficaram em silêncio. Sango ainda ria.

-Os diálogos são sempre os mesmos nesses filmes. – Kagome disfarçou um bocejo educadamente – Acho que ouvi essas mesmas coisas em "Um conto do Japão Feudal".

-Tem esse filme lá em casa? – Hakudoushi perguntou curiosamente.

Ninguém respondeu. Sango ria.

-EU tenho lá em casa se VOCÊ quiser, Hashi. – a dançarina de boate mostrou-se presente ao fazer o comentário. Estava na fileira anterior à deles, sentada na frente de Hakudoushi. Com o susto, o rapaz murmurou um outro palavrão e baixou o rosto para não encarar o olhar dos outros.

E Sango continuou rindo.


Próximo capítulo:

Rin quer aprender a dirigir e conta com a ajuda de Miroku e Hakudoushi. Será que vai dar certo? E o que aconteceu com o carro de Inuyasha? Jikai Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no junjou na omoi: Koko ni untenshinai. Não percam!

"-Que bom que entendeu. Agora vá pagar a maldita multa ou vou te machucar."


Muito bem: próximo capítulo é inédito e será postado na próxima sexta. Eu ia postar na quarta, mas vou ficar meio enrolada durante a semana, então provavelmente não vou ter tempo de logar no site e postar nada... aaargh, quero férias JÁ!

Até próxima sexta ;)