-Você quer ser uma mulher independente?

A pergunta, feita por uma modelo de roupa provocante de um comercial de carros, chamou a atenção de Rin, que ajeitava as almofadas do sofá da sala da casa que ela e Sesshoumaru – e mais algumas pessoas – dividiam há meses. Ela parou de arrumar e decidiu perder alguns segundos de sua vida ouvindo o que a modelo queria anunciar.

-Então passe em nossa concessionária e adquira esta nova Mitsubishi L200, somente até este feriado!

Depois disso, estampando um enorme sorriso, a modelo encerrou o comercial e outro produto começou a ser anunciado.

Sentadinha no sofá, Rin ficou pensativa. Quer dizer que ser uma mulher independente é ter um carro? E para ter um carro é necessário saber dirigir, certo?

Isso significa que ela era uma boa dona de casa, uma boa estudante, uma boa namorada, mas não era uma boa mulher independente?

Pensou em Sango, que comprava roupas a cada dois dias úteis do mês. Sim, ela era uma mulher independente. Gastar dois terços do salário em roupas significava que ela não precisava dar satisfações a ninguém, principalmente a um noivo desempregado. E sabia dirigir.

Pensou em Kagome, que não sabia cozinhar, não gostava de lavar, de passar e não tomava conta de um gato vira-lata. Sim, ela era também uma mulher independente. Não era obrigação dela saber fazer tudo. E também tinha habilitação, apesar de não saber dirigir. Hachi conseguiu um documento, que passou a Inuyasha, que passou a Kagome.

Mordendo o lábio inferior, Rin deixou de franzir a testa e tomou uma decisão.

-Vou aprender a dirigir! – disse com um sorriso confiante.


Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no Junjou na Omoi

Koko ni untenshinai

Crônicas de Tokyo: Nossos verdadeiros sentimentos

Proibido dirigir aqui


Disclaimer: Não, não é meu! Por favor, não insistam!

Para (at)spihh110, Liebe meines ganzen Lebens (L) (L) (L)


-Passem o martelo! – gritou Inuyasha do alto do telhado da casa dele, ainda em reforma desde a última tempestade.

-Quê? – gritou Miroku, segurando a escada e olhando para cima, vendo apenas a cabeça do amigo.

-O martelo!

-"Marmelo"?

-Martelo! MAR-TE-LO!

-Precisa do martelo? – Miroku quis confirmar.

-Não! É do MARTELO!

-Acho que ele precisa do martelo... – saiu de perto da escada e foi procurar pela ferramenta. Olhou o chão e viu que não estava lá: provavelmente alguém havia pegado para ajudar na reforma pelo lado de dentro da casa. Afastou-se e foi procurar Kagome e Sango. No caminho encontrou Rin.

-Miroku-sama, está ocupado?

-Mais ou menos... – ele esfregou os cabelos – Sabe onde tem um martelo? Inuyasha precisa de um...

-Ah, tem um lá em casa! – ela uniu as mãos em expectativa. Achava que poderia falar com Miroku a respeito do que a preocupava – Quer ir comigo buscar? Eu também queria te pedir uma coisa...

-O que é? – ele colocou um braço em torno dela enquanto andavam – Alguma dúvida sobre posições pra treinar com Sesshoumaru-sama?

-NÃO!

E Rin saiu correndo com o rosto vermelho, deixando um confuso Miroku para trás.

Alguns minutos depois, enquanto Miroku procurava um martelo dentro da casa do irmão mais velho, Rin aproveitou para ligar para o namorado.

-Sim?

-A-Ah... O-Oi, Sess... – ela gaguejou. Nunca sabia como conversar com ele pelo telefone – Tá muito ocupado?

-Vai começar uma reunião importante agora... Queria falar alguma coisa?

-E-E-Eu te adoro! – ela falou depressa.

Silêncio no outro lado. Rin corta a ligação abruptamente e sai correndo.

Segundos depois, quando Miroku passava por lá segurando o martelo, o telefone tocou. Ao olhar para os lados e ver que não havia ninguém da casa, resolveu atender e escutou a seguinte frase:

-Eu também adoro você.

Silêncio novamente, desta vez nos dois lados da linha.

-Olha, Sesshoumaru, não é por nada, mas a Sango morre de ciúmes, melhor ela não ficar sabendo...

-VAI TOMAR BANHO!

Do lado de fora da casa:

Com vergonha, medo e por temer também que iria atrapalhar os amigos com um pedido tão absurdo, Rin decidiu tomar uma decisão que parecia, à primeira vista, realmente algo típico de uma mulher independente: pegou as chaves do carro de Inuyasha e decidiu aprender a dirigir sozinha, sem pedir ajuda a ninguém.

Como todo bom carro japonês, o velho Subaru de Inuyasha era equipado com um aparelho que ajudava o motorista a ser mais responsável no trânsito e o guiava pelas ruas da cidade para evitar incidentes, como entrar na contramão, por exemplo. Claro que o aparelho, um radar da Sony comprado no mercado negro, não tinha ainda vida própria. Se tivesse, poderia muito bem escolher o dono. E, no caso do radar do Subaru, apelidado pelas meninas carinhosamente de Suicchi, com certeza escolheria uma pessoa que NÃO tivesse como amigo alguém como Miroku.

Ao entrar no carro, Rin escutou de Suicchi:

-Por favor, senhor motorista, coloque o cinto de segurança e ajeite seu banco.

Rin fez como o ordenado.

-Ajeite os espelhos.

Olhando para os lados, ela se perguntou qual deles. Suicchi pareceu ler os pensamentos dela.

-Espelhos retrovisores, quero dizer.

Não entendia bem o que tinha que fazer, mas ela os ajeitou. Dava para ver direitinho agora o rosto dela. E algo lá a deixou horrorizada

-Pelos deuses, uma ESPINHA! – ela lamentou, arrancando brutalmente a coitada com a unha e deixando o local marcado no rosto. Que Sango não notasse, ou levaria um sermão de duas horas a respeito de tratamento facial.

-Ligue o carro.

Rin ligou. Escutou um barulho.

-Marcha um, senhor motorista.

No painel eletrônico, ela leu no painel "marcha" e apertou o botão "um".

-Acelere.

-Pronto... e agora...? – ela sentiu uma gota escorrer. Não sabia como executar a ordem.

-Pedal esquerdo. – novamente Suicchi pareceu ler os pensamentos dela.

-Ah... – ela pisou no acelerador.

-Devagar.

-Ah...

-Mais devagar.

-Hmm...

-Marcha dois. Siga reto.

-Ok.

-Marcha três. Acelere. Olhe para a faixa da esquerda. Acelere. Vire à esquerda.

O nervosismo começou a tomar conta de Rin. Tantas coisas para fazer ao mesmo tempo a deixavam confusa.

-Você esqueceu de colocar na marcha três, Rin! – Hakudoushi asseverou no banco de trás.

Rin deu um grito proporcional ao susto que levara ao ver o amigo, com uma evidente cara de sono, falar tão repentinamente.

-Marcha três, senhor motorista. Desacelere imediatamente.

-Rin, tire o pé do acelerador! – ele gritou ao vê-la, com o susto, pisar onde não devia – Aqui é área escolar, só aceitam 35 quilômetros por hora!

A garota deu um gemido assustado, e a velocidade aumentou.

-Diminua a velocidade. Vire à direita. Obstáculo à frente.

-Rin, desacelere e vire à direita! Cuidado com o muro!

-AAAAAHH! – ela gritou.

-ABRA OS OLHOS!

Do telhado da casa de Inuyasha, ele e Miroku deixaram de consertar as calhas e agora observavam curiosamente o que se passava na rua da casa deles.

-Você ensinou o Suicchi a dirigir sozinho, Inuyasha? – Miroku parecia ligeiramente assustado.

O dono olhava a cena com a boca aberta.

As cabeças dos dois se moviam durante as manobras do carro, perguntando-se ao mesmo tempo quem era a pessoa sem a noção de perigo que conduzia o veículo.

-O MURO! – os dois gritaram ao mesmo tempo, fechando os olhos ao ouvirem algo se chocando com uma estrutura sólida.

25 minutos depois:

-ERA O MEU CARRO! – Inuyasha gritou pela oitava vez em pouco menos de cinco minutos – SABE O QUE FEZ? TEM PELO MENOS IDEIA?

A pessoa a quem ele se dirigia estava sentada, com braços cruzados e parecia estranhamente mal-humorada.

-AGORA EU TENHO QUE DAR EXPLICAÇÕES PRO DEPARTAMENTO DE TRÂNSITO! EU ODEIO DEPARTAMENTOS DE TRÂNSITO, ODEIO! – Inuyasha parecia uma criancinha esperneando. Ao lado dele, Miroku controlava a vontade de rir.

-E POR QUE VOCÊ NÃO FALA NADA, HAKUDOUSHI?

O rapaz descruzou os braços e olhou o outro com surpresa, disfarçando a vontade que tinha de dar uma surra no irmão no melhor amigo por causa das criancices, e perguntou calmamente:

-Ah, era comigo que estava falando?

-CLARO!

Hakudoushi avançou e pegou Inuyasha pelo colarinho, levantando-o a alguns centímetros do solo antes de ver gotas de suor escorrendo pela lateral do rosto dele:

-Então por que diabos está gritando como se eu fosse um surdo? – ele estreitou os olhos lilases e a voz soou fria – Achei que tava gritando com o vizinho do outro lado da rua.

-Desculpa. – a voz de Inuyasha saiu fraquinha e o outro apertou-lhe ainda mais o tecido da camisa.

-Que bom que entendeu. Agora vá pagar a maldita multa ou vou te machucar.

Soltou a camisa dele e Inuyasha saiu correndo.

No canto do sofá, controlando a vontade de chorar, Rin ficara o tempo todo observando a cena. Hakudoushi guardara segredo da pequena 'travessura' dela: não falou ao dono do carro que tinha sido ela a responsável pelo acidente.

-Hakudoushi... – ela murmurou meio chorosa – Desculpe...

-Ah, tudo bem! – ele acenou malandramente da mesma forma que Miroku – Eu gostei de ter ameaçado Inuyasha daquela forma!

-Eu sabia que você tava gostando. – Miroku deu seu comentário num tom assustado.

-Eu ainda não entendi o que você estava fazendo lá... – Rin indagou num pensamento alto.

-Não é óbvio? – Hakudoushi estreitou os olhos com certa preguiça – Eu estava dormindo pra não ter que ajudar os outros na reforma da casa do Inuyasha.

-E você não fez nada também pro carro não bater no muro? – Miroku perguntou meio irônico.

-Eu falei pra ele sair do caminho, mas ele não ouviu.

Gotas escorreram dos rostos de Miroku e Rin.

-Quer dizer que estava aprendendo a guiar, Rin-sama? – Miroku resolveu mudar de assunto e usou um tom gentil com a sensível namorada do melhor amigo – A primeira lição não foi um tanto quanto... difícil?

-Eu fiquei assustada. – ela fez beicinho e quase chorou – Vocês vão contar pro Sess? Eu tenho medo que ele... brigue comigo por ter ferrado o carro do irmão dele.

-O Sesshoumaru? – os dois falaram num tom incrédulo ao mesmo tempo – Brigar com você?

Rin coçou a têmpora com certa dúvida.

-Se você quiser aprender a dirigir, a gente pode te ensinar, sem problemas. – Miroku deu um sorriso gentil – Quer tentar de novo hoje?

Um sorriso ficou largo no rosto dela.

-Claro que sim!

-Ótimo. – Miroku assentiu – Vou ligar para um amigo para pedir o carro dele emprestado. – assoviou como se não existissem problemas no mundo ao ver Rin estreitar os olhos: ela sabia quem era o tal amigo.

-Rin, você está mesmo bem? – Hakudoushi parecia preocupado, o que não era típico dele. Miroku também parecia, e aproximou-se dela com o amigo.

-Sim... só assustada ainda. – ela admitiu, encolhendo os ombros e dando passos para trás.

-É que tem uma marca na sua cara. Não é melhor levá-la ao hospital?

Rin revirou os olhos.

-Foi uma espinha que eu tirei.

Hakudoushi e Miroku se afastaram dela enojados.

Mais tarde, naquele mesmo dia...

-Isso, Rin-sama... Muito bem, muito bem! – Miroku aplaudia Rin, que conseguia mover o volante de um lado a outro.

-Miroku-sama, isso vai dar mesmo certo? – ela questionou, a testa estava franzida numa dúvida irrespondível – Porque eu não acho que tenha sido bom treinar neste carrinho de lan house...

Os três – sim, porque Hakudoushi também estava numa das máquinas, bastante concentrado em jogar Need for Speed Carbon enquanto Miroku ensinava Rin a dirigir virtualmente – foram à lan house mais conhecida do bairro, certos de que pegar uma máquina com algum racing game instalado era uma solução com sucesso garantido. Rin com certeza aprenderia a dirigir mais rápido daquela forma.

-Claro que vai! Você aprendeu muito rápido! – ele estava confiante – Fui um ótimo professor, você não achou? Será que consigo algum emprego numa auto-escola?

-Cala a boca, Miroku. – Hakudoushi pegou Rin pelo braço no momento em que ela deveria responder alguma coisa positiva – Vamos lá, mocinha. Agora vem a prova do fogo.

-Prova DO fogo? – Rin se tremeu todinha.

-É, a gente vai passar por labaredas de fogo, que nem aqueles caras do videogame. É divertido.

Rin empalideceu e quis fugir, mas ele a segurou pela barra da blusa que Sesshoumaru deu de presente para ela no último aniversário, arrastando-a para fora. Miroku os seguiu de perto.

-Ei, Hashi... – ele apontou para dentro da lan house – Você já pagou o excedente das nossas horas? Ficamos quase três horas lá.

-Droga... Não. Esqueci. – ele soltou a garota e se afastou os dois, voltando para o local – Volto já.

Assim que ele saiu da vista, Miroku agarrou o braço de Rin, correram até carro emprestado por Hachi e fugiram.

Duas horas depois, em uma rua longe da lan house onde estava um abandonado Hakudoushi...

-Está indo muito bem, Rin-sama. – Miroku a elogiou. Ela, que dirigia a 30 por hora, sorriu fracamente. Não estava tão confiante assim.

-V-Você acha? – ela ainda se segurava no volante como se fosse uma bóia na hora do afogamento – Eu tenho medo de acelerar depois do que aconteceu com o muro.

-Mas é sempre devagar, minha cara Rin-sama. – pressionou gentilmente os dedos no ombro dela – Foi como você sua primeira noite com Sesshoumaru-sama. Primeiro é lento, depois vocês engatam a...

-Tá bom, já entendi. – ela corou absurdamente e manteve os olhos na estrada.

-Falando nele... eu não sei como te contar uma coisa... – ele ficou subitamente envergonhado, o que a deixou desconfiada.

-O que foi, Miroku? Ele te... bateu? – ela engoliu em seco.

-Não... ele... bem... Desculpa, eu não sei você vai reagir...

-Ele tem outra, Miroku-sama? Eu sabia, eu sabia! – subitamente ela começou a acelerar, e quando mal percebeu, já estava dobrando a esquina da rua do trabalho de Sesshoumaru.

-Calma, Rin, ele só ligou hoje cedo pra falar uma coisa muito estranha e...

-Aposto que ele falou coisas estranhas pra todas as mulheres que olharam o braço dele nos últimos meses! Ah, se eu tivesse meu bisturi de gesso aqui...

Rin deu uma curva, parou na frente do departamento onde Sesshoumaru trabalhava, fez uma baliza, parou o carro e saltou de lá sob um olhar perplexo de Miroku.

Ao se tempestuar para dentro do prédio, se deu conta de que a blusa estava amassada e o rosto ainda tinha a marca da espinha. Ajeitou-se como pôde antes de entrar na sala do namorado.

-Sess! - ela abriu repentinamente a porta.

E caiu de lado ao ver Hakudoushi sorrindo estupidamente ao lado dele.

-Rin! – ele largou o telefone e correu para abraçá-la – Hakudoushi me falou que o idiota do Miroku fez você dirigir e bater num muro! Estava tentando ligar para casa e ninguém atendia. Onde está ele? Essa marca no seu rosto é do acidente? Você está bem?

A boca de Rin abriu, mas a voz não saiu. Ela tentou fazer uma cara bem séria e mortal ao outro integrante do grupo, que só fez arquear as sobrancelhas.

-Sesshoumaru! Rin! – Miroku entrou abruptamente e prendeu o ar até quase ficar azul com o susto que levou ao ver Hakudoushi na sala.

No outro segundo, Sesshoumaru estava agarrando o pescoço dele.

-Pare, Sess! Solte-o AGORA! – a voz de Rin parecia exercer um comando natural em cima do namorado, que soltou imediatamente o pescoço do pobre rapaz sufocado. Ele caiu no chão, e começou a puxar ar para os pulmões como se fosse um asmático.

-Rin, esse cara quase...

-Não foi ele! – ela correu para socorrer o pobre Miroku, batendo de leve nas costas dele. Em seguida apontou o dedo para o outro acusado – Era Hakudoushi comigo no carro!

O acusado a olhou como se fosse o último criminoso na face da Terra. Silêncio se fez.

Sesshoumaru pigarreou e encarou o amigo.

-Você... – ele ainda assim tinha a voz controlada – Você estava no carro com Rin e bateu o carro no muro?

Hakudoushi o encarou, sério.

-Quer mesmo saber a verdade?

-Sim. – foi a resposta do outro, ainda mais sério.

Rin e Miroku temiam que ambos sacassem as armas e disparassem uns contra os outros, como nos filmes de velho oeste.

Subitamente, Hakudoushi saiu correndo, aproveitando a porta deixada aberta pela entrada de Miroku. Gotinhas escorreram nos rostos dele e de Rin.

-Bem... – Sesshoumaru pigarreou de novo – Ele vai ter o que merece em casa. – voltou-se para Rin e abraçou-a de novo, cheirando o cabelo dela – O que estava fazendo no carro?

-Eu... – ela parecia uma criancinha prestes a falar aos pais o que aprontou – É que eu queria aprender a dirigir e eu peguei o Sui—

-E ela pediu que o Hakudoushi dirigisse o Suicchi para dar as primeiras dicas pra ela. – Miroku a interrompeu, impedindo que ela contasse a verdade – Só que ele perdeu o controle como sempre e bateu o carro.

-Filho. Da. Mãe. – os olhos de Sesshoumaru ficaram vermelhos e até Rin estremeceu nos braços dele – É melhor que ele obrigue Inuyasha a pagar pelo conserto do carro.

Miroku e Rin trocaram olhares e engoliram em seco.

-Er... depois Miroku-sama se dispôs a me ensinar a dirigir. – ela continuou alegremente – Ele é um ótimo instrutor.

-É? – Sesshoumaru perguntou, olhando o rapaz friamente – Poderia ter pedido a mim também.

Miroku sentiu o clima de ciúmes pesar e coçou o rosto, dando passos para trás.

-Bem... agora que Rin-sama está bem e nos braços do amado... – ele continuou andando até encontrar a saída da sala – Eu vou indo. Procurar emprego... sabe como é. Agora que sei que sou um bom instrutor, posso abrir uma auto-escola com o Hachi.

E saiu correndo ao ver os olhos de Sesshoumaru se estreitarem.

-Sess... – Rin murmurou – Miroku me falou que você ligou lá pra casa falando coisas estranhas...

-Liguei para falar com você. Achei que fosse atender, não ele.

-Ah... – ela sentiu vergonha e enterrou o rosto no peito dele para que não a visse vermelha – Desculpe por ligar pra você naquela hora...

Ficaram calados, ainda daquele jeito – abraçados.

-Então... – ele quebrou o silêncio – Quer dizer que já sabe dirigir?

-Hein? – ela ergueu o rosto e piscou, sem entender.

-Vamos para casa. Você vai dirigindo.

Rin deu um largo sorriso e confirmou com a cabeça.

Mais tarde, naquele mesmo dia...

Miroku entrou na casa de Sesshoumaru e estranhou o clima calmo no local, com Inuyasha, Kagome, Sango e Hakudoushi sentados no sofá ou no chão vendo Shin-chan. Aproximou-se da noiva e beijou o topo da cabeça dela.

-Tenho novidades... conto mais tarde pra você. – falou baixinho para ela, que assentiu em concordância e voltou a prestar atenção no anime.

Miroku deu boa noite a todos, não recebeu resposta e entrou na cozinha, onde viu Rin de costas lavando a louça.

-Boa noite, Rin-sama. – ele saudou alegremente – Desculpa não ter aparecido no jantar. Er... ainda tem comida pra mim, né?

-Dentro do microondas... só precisa aquecer. – ela falou sem se virar. A voz sem vida não passava de um sussurro.

E ele sabia quando e porquê aquilo acontecia.

Lentamente, aproximou-se dela.

-Está tudo bem? – ele estava apenas alguns passos atrás dela, a voz calma e suave.

Viu Rin balançar a cabeça. Conseguiu depois escutar os soluços que ela tentou conter quando ele entrou.

-O que houve, Rin? – ele se aproximou dela e colocou a mão direita em cima do ombro esquerdo dela, tentando pensar em alguma coisa engraçada para fazê-la rir – A Sangozinha brigou com você por causa da espinha que tirou hoje cedo?

Rin balançou a cabeça para os lados de novo.

-Ela só me falou que nunca mais vai falar comigo se eu fizer isso de novo. – ela tentou rir enquanto ainda chorava, mas não conseguiu achar graça em si mesma.

Deixou as mãos caírem na pia e engoliu o soluço.

-Sesshoumaru pediu pra dirigir no caminho de volta pra casa... – arriscou olhar para Miroku e este assentiu, dizendo que estava acompanhando a história – E ele... tentou me ensinar também a guiar. Eu não estava... dirigindo muito bem, e ele ficou irritado comigo... – sentiu mais lágrimas escorrerem pelo rosto – Eu não consegui dirigir perto dele sem tremer porque ele praticamente tava brigando comigo, dizendo que eu tinha muito o que aprender e que precisava de anos de prática, e que o trânsito na cidade estava caótico porque muita gente despreparada está nas ruas e... e...

Sentiu os braços de Miroku envolverem-na e fez o mesmo, não deixando de chorar e fungar na camisa dele.

-Shh, calma, calma... – ele afagava o cabelo dela – Eu vou conversar com ele, tá? Agora pare de chorar, Rin-sama, isso não é bom pra você...

Sentiu a cabeça dela se mover num "sim".

Alguns minutos depois, eles se separaram. Ela continuava com o semblante triste, mesmo assim forçou um sorriso.

-Você é um instrutor melhor que meu namorado. – ela falou timidamente.

-Ah, que é isso! – ele moveu a mão numa falsa modéstia, sorrindo malandramente.

Isso a fez sorrir ainda mais.

-Eu posso... te pagar pelas aulas, Miroku-sama. – ela torcia as mãos, ainda um pouco sujas com sabão biodegradável – É o mínimo que posso fazer pra compensar seu tempo.

-Ah, não se preocupe com dinheiro, não precisa pagar. – ele acenou uma despedida para ela enquanto ela dava as costas para voltar a lavar a louça.

-Não, não, não, você vai perder seu tempo comigo enquanto precisa arrumar um emprego pra se sustentar, ainda mais agora que está sem o seguro-desemprego... ou você... – ela se virou para falar com ele, mas percebeu que estava sozinha.

Miroku saiu da cozinha na ponta dos pés, fechando a porta silenciosamente, e conteve o susto ao se virar e dar de cara com o povo que estava assistindo ao anime atrás dele.

-O Sess tá no quarto deles. – Kagome falou suave e cautelosamente.

Miroku assentiu e depois deu um sorriso, indo em direção do quarto que Sesshoumaru e Rin dividiam, e bateu suavemente na porta.


Hakudoushi, apoiado sobre os joelhos e os braços, esfregava o chão da cozinha com tanta força que sentia gotas de suor escorregarem pelo rosto e pescoço quando fazia treze graus à sombra e soprava vento frio, que entrava pela casa pelas janelas abertas.

-Hakudoushiiii... – uma voz feminina cantarolou da sala.

Ignorou o chamado.

-Ô, Hakudoushiiiiiiiiii...

Segundos depois, Sango aparecia na porta da cozinha.

-Você esqueceu de organizar minhas roupas por tons. – ela falou calmamente, com um sorriso meio maligno.

-Como assim? – ele estremeceu.

-Você precisava separá-las por tons claros, escuros, médios e esporte fino.

Silêncio.

-Esporte fino não é um tom, Sango.

A garota fez um beicinho.

Hakudoushi a encarou por alguns segundos, depois largou o escovão e ficou sobre os dois joelhos.

-Sango, eu passei TRÊS horas dentro do seu novo closet na casa do Inuyasha organizando TODAS aquelas roupas! Eram CENTENAS, minha filha!

De novo, ela fez beicinho.

-Isso é um não, então? – ela perguntou falsamente triste.

Hakudoushi a ignorou e voltou a esfregar o chão da cozinha.

-RIIIIIIIIIIIIIIIIIIN! – ela berrou com todas as forças, assustando até Hakudoushi com a escala que a voz dela conseguia alcançar – HAKUDOUSHI FALOU QUE NÃO VAI LAVAR O BANHEIRO!

-Maldição, garota! – ele se contorceu de raiva e deu um suspiro cansado, largando o escovão e ficando de novo sobre os joelhos, à espera.

-Ora, ora, Hakudoushi-sama... – Rin apareceu ao lado de Sango e o encarou, em pé e com os braços cruzados – Eu ouvi uns boatos interessantes a seu respeito há alguns minutos...

Silêncio de novo.

-Eu vou lavar o banheiro, Rin. – ele falou cansado, mas sério.

-E...?

-E as lajotinhas também.

-E...?

-E vou trocar os panos.

-E...?

-E... – ele engoliu em seco muito profundamente. Pigarreou forte.

Outra vez silêncio.

-E...? – Rin insistiu, mais severa, aproveitando para arquear uma sobrancelha.

-E... – ele fechou os olhos, reunindo a coragem – E lavar a privada também.

Houve uma pausa de trinta segundos.

-Por quanto tempo? – ela perguntou. Ao lado dela, Sango permanecia se fingindo de séria.

-Pelo... – ele suspirou pesado – Pelo tempo que eu permanecer aqui sob a... generosa... – cuspiu a palavra –... hospitalidade... – cuspiu de novo – de vocês. De você e de Sesshoumaru.

-Oh... E por que isso mesmo, Hakudoushi? – Rin perguntou num falso tom curioso.

-Porque eu deliberada e irresponsavelmente não fiz nada para impedir que batesse no muro do nosso vizinho.

Silêncio outra vez.

-Muito bem, Hakudoushi-sama. – Rin bateu de leve as palmas, mas não produziu som algum – Agora vou deixar você trabalhando sossegado aí.

E saiu do recinto.

Hakudoushi olhou o espaço vago deixado pela garota e voltou a encarar Sango, que abafou a vontade de rir e voltou a se fazer de séria.

-Tons claros, escuros, médios e esporte fino. – ela repetiu e deu as costas.

E deixou o rapaz praguejando sozinho na cozinha.


Próximo capítulo:

O quê? Miroku arranjou um emprego? Jikai Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no junjou na omoi: Mirokuni Shigoto. Não percam!

"-O QUÊ? O NOSSO MIROKU-SAMA ARRANJOU UM EMPREGO?"


Nota da autora: Olá, pessoas que esperaram todo esse tempo por um novo capítulo, pessoas que mandaram reviews e pessoas que me mandavam perguntas enquanto eu ainda morava na Alemanha ou batia perna em Paris :) Shampoo-chan prometeu atualizar quando voltasse ao Brasil, Shampoo-chan cumpriu. Aqui está um novo capítulo, e nossos amigos seguem com as aventuras malucas deles normalmente. Eu escrevi metade desde capítulo há uns 3 ou 4 anos, quando ainda estava morando fora, e ano passado eu vi uma cena de The Big Bang Theory com aula de direção de alguém por meio de racing game, eu me senti PLAGIADA e eu tenho como provar que tive a ideia primeiro! Hahaha, brincadeiras à parte, espero que gostem do capítulo. Foi bom eu ter feito uma revisão na história toda dois meses antes de postar um capítulo novo.

O último capítulo teve 39 comentários, só perdeu pro primeiro, com 52. Será que eu consigo pelo menos uns 25 por este e me animar para postar o próximo semana que vem? Sim, vou atualizar se tiver gente comentando. E muita gente. Falo sério.

25 reviews=update.

Ah, eu vou estabelecer uma data para postagem... que tal às quartas-feiras?

Is someone reading this through Google Translate? I'm asking because I've got 3 or 4 reviews in English, I don't know if it's the same person reviewing… Hope no one is having problems to understand the Brazilian way of self-depreciation! Lol

Até próxima semana – ou quando tiver os 25 reviews (pode ser antes, claro ;)

Shampoo-chan